Ligando a estratégia preventiva de alto-risco ao mercado da indústria biomédica: implicações para a saúde pública

Autores

  • Armando Henrique Norman Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro
  • David J. Hunter Durham University image/svg+xml
  • Andrew J. Russell Durham University image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.1590/s0104-12902017172682

Palavras-chave:

Prevenção de Doenças, Saúde Pública, Prevenção Quaternária, Medicalização, Mercantilização, Medicina Baseada em Evidências

Resumo

Este artigo aborda os conceitos de Geoffrey Rose sobre estratégia preventiva como base para análise teórico-crítica da abordagem atual para a prevenção de doenças. A proposta de Rose de um “continuum de risco e severidade” ampliou as possibilidades das ações preventivas ao classificar duas abordagens: a estratégia de alto risco (EAR) e a estratégia populacional (EP). Ambas produzem paradoxos: a EAR, apesar de apresentar boa relação dano-benefício, oferece pouco impacto para a saúde pública; a EP tem maior impacto sobre a saúde pública, mas oferece benefícios mínimos em nível individual. Argumentamos que a EAR tem sido mal utilizada ao reduzir pontos de corte para intervenções preventivas para impactar a morbimortalidade atribuída a doenças específicas. Isso tende a medicalizar a prevenção, produzindo mais fenômenos relacionados à doença por meio de técnicas de rastreamento, induzindo reações afetivas individuais que exigem ação no presente para garantir melhor saúde no futuro. Tal contexto abre caminho para a prática de uma medicina preventiva especulativa, que percebe a saúde como mercadoria, mas ignora suas implicações para os serviços de saúde pública.

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Referências

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Publicado

2017-09-01

Edição

Seção

Artigos de pesquisa original

Como Citar

Norman, A. H., Hunter, D. J., & Russell, A. J. (2017). Ligando a estratégia preventiva de alto-risco ao mercado da indústria biomédica: implicações para a saúde pública. Saúde E Sociedade, 26(3), 638-650. https://doi.org/10.1590/s0104-12902017172682