Os modos de (não) fazer saúde para mulheres trans e travestis no “território líquido”
DOI:
https://doi.org/10.1590/S0104-12902025240533ptPalavras-chave:
Mulheres Trans, Travestis, Atenção Básica, AmazonasResumo
A partir de um espaço dinâmico, em constante movimento e transformação, aqui denominado “território líquido”, buscamos compreender os modos de (não) fazer saúde voltados para mulheres trans e travestis. Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter descritivo e compreensivo-interpretativo, construído a partir das experiências narradas por trabalhadoras da Atenção Básica à saúde e por mulheres trans e travestis usuárias, em Manaquiri, município do Amazonas. A análise das narrativas revelou três eixos principais que organizaram os sentidos do cuidado ou da sua ausência: “Não conheço”; “Não atendo”; e “Então não faço nada sobre isso”. Tal sequência de enunciados sintetiza a lógica institucional que evidencia, sobretudo, práticas de não cuidado, marcadas por silenciamentos, omissões e negação da existência dessas identidades no cotidiano dos serviços. Ao final, ressaltamos que é imperativa a construção de estratégias inclusivas e operacionais que promovam o cuidado efetivo à saúde de mulheres trans e travestis na Atenção Básica. Tais práticas devem se basear no (re)conhecimento da realidade vivida por esses corpos em diferentes contextos territoriais, articulando saberes e afetos capazes de romper com os ciclos históricos de aniquilamento e abrir a principal porta de entrada dos serviços do Sistema Único de Saúde brasileiro para as mulheres trans e travestis.
Downloads
Referências
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2025 Revista Saúde e Sociedade

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.