A caminhada como procedimento cartográfico para a produção e gestão dos territórios da saúde
DOI:
https://doi.org/10.1590/S0104-12902026250115ptPalavras-chave:
Cartografias; Políticas Públicas de Saúde; Território; Antropologia da Saúde; Consultório na RuaResumo
As técnicas e tecnologias cartográficas têm se tornado cada vez mais relevantes nas políticas públicas de saúde, pois a compreensão socioespacial é essencial para a gestão dos equipamentos. Este artigo busca analisar, a partir de uma abordagem antropológica, algumas experimentações cartográficas realizadas por profissionais de saúde durante um ciclo de oficinas de capacitação profissional na rede de saúde do município de São Bernardo do Campo (SP), onde realizei pesquisa de campo junto ao Consultório na Rua. A observação participante foi a técnica utilizada nesta pesquisa qualitativa. Apresentarei os relatos dessa experiência cartográfica, da qual participei como pesquisadora e aprendiz, os mapas produzidos pela minha equipe e os aprendizados gerados nessa experimentação. À luz de uma bibliografia antropológica e apoiada na abordagem ecológica de Tim Ingold (2000), mostrarei como nas cartografias participativas o conhecimento é produzido através de práticas afetivas e experiências perceptivas. O objetivo é demonstrar a centralidade da caminhada na produção de novos conhecimentos. O ato de caminhar cria um campo de conhecimento, estabelece vínculos e conexões afetivas com o território e ilumina as dinâmicas da vida cotidiana — aspectos tão fundamentais para a produção dos territórios da saúde e para o planejamento das políticas públicas.
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