Judicialização para acesso a antineoplásicos no Brasil: uma reflexão a partir do debate da derivação do Estado
DOI:
https://doi.org/10.1590/S0104-12902026250441ptPalavras-chave:
Direito à Saúde; Economia e Organizações de Saúde; Judicialização da Saúde; Política Nacional de Assistência FarmacêuticaResumo
Este ensaio pretende fazer uma reflexão sobre o fenômeno da judicialização da saúde, sob a perspectiva da teoria marxista da derivação do Estado, a partir de um recorte sobre a política de medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS), com foco nos antineoplásicos, no contexto de crise do capitalismo. Ao desvelar as complexas relações entre Estado, mercado e sociedade civil, é demonstrado como a judicialização serve como mecanismo de reprodução do capital. A forma jurídica, ao invés de garantir o direito à saúde equitativamente, serve como ferramenta para a acumulação de capital. A análise da política de medicamentos revela a influência da indústria farmacêutica na definição das políticas públicas e a fragilidade do SUS diante das demandas judiciais. A falta de uma política clara de financiamento de antineoplásicos torna os pacientes vulneráveis à pressão da indústria e os expõe a tratamentos de alto custo, muitas vezes sem comprovação científica sólida. A judicialização se configura como uma estratégia para garantir a circulação de medicamentos e a lucratividade das corporações. Portanto, embora a ação judicial individual represente luta por direitos, ela reflete problemas estruturais do SUS e do Estado, reforçando desigualdades e a subalternidade do Brasil à lógica global do capital.
Downloads
Referências
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Revista Saúde Sociedade

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.