Ressignificação existencial do pretérito e longevidade humana

Autores

  • Karina Pavão Patrício UNESP; Faculdade de Medicina; Departamento de Saúde Pública
  • Katsumasa Hoshino UNESP; Faculdade de Ciências; Departamento de Ciências Biológicas
  • Helena Ribeiro USP; Faculdade de Saúde Pública; Departamento de Saúde Ambiental

DOI:

https://doi.org/10.1590/S0104-12902009000200010

Palavras-chave:

Longevidade, Significado existencial, Ferroviários, Grounded theory, Teorias do envelhecimento

Resumo

Existem, atualmente, mais de 300 hipóteses relativas à caracterização, função e mecanismos do envelhecimento, possivelmente devido ao aumento de idosos no mundo. Embora se avente uma função social à velhice humana, as transformações da sociedade impuseram uma cultura de descarte, incluindo pessoas como os idosos. Tal exclusão, que se associa à tristeza, depressão e morte desse grupo, é contraditória ao aumento do tempo de vida dos idosos constatado atualmente. O presente trabalho tentou determinar os aspectos ambientais envolvidos na longevidade usando uma técnica de metodologia qualitativa denominada grounded theory (ou teoria fundamentada nos dados) em dados fornecidos por ex-ferroviários longevos. Constatou-se que as representações dos ex-ferroviários confluem para a categoria central: desolação pelo aniquilamento da vida e do ambiente, no presente, devido à continuada negligência do Estado e da Sociedade na promoção e preservação das coisas boas para a vida que havia no passado. Observou-se ainda que, paralelamente à hipervalorização genérica das coisas do passado, há constatação recente de que suas existências fizeram parte da epopeia que promoveu o desenvolvimento econômico e social do interior paulista e possibilitou uma ressignificação existencial do passado, sugerindo ser um potente mecanismo de defesa que culmina em longevidade. Tal achado se insere na hipótese de que a função da longevidade seria a de preservar um contingente social com conhecimentos de um modo de vida que deu certo por ser socialmente vantajoso.

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Referências

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Publicado

2009-06-01

Edição

Seção

Parte I - Artigos

Como Citar

Patrício, K. P., Hoshino, K., & Ribeiro, H. (2009). Ressignificação existencial do pretérito e longevidade humana . Saúde E Sociedade, 18(2), 273-283. https://doi.org/10.1590/S0104-12902009000200010