Antonio Candido e a formação da crítica literária no Brasil: aposta e risco
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2447-8997.teresa.2026.244726Abstract
Antonio Candido é o crítico literário brasileiro com a mais vasta fortuna crítica, a ponto de ser cada vez mais difícil escrever alguma novidade sobre ele e sua obra. Trata-se, além do mais, de uma sumidade nacional, por sua erudição, penetração e pertinência analíticas, posicionamentos públicos. Para não correr o risco da repetição ou de cometer generalidades, vou me limitar, neste ensaio, ao comentário e à análise de duas obras de Candido, Formação da literatura brasileira (1959) e Literatura e sociedade (1965), que marcam o início da sua trajetória acadêmica no campo dos estudos literários. Minha hipótese, a ser testada após um exame mais detido desses dois livros monográficos do autor, é a de que há uma articulação profunda entre o estilo, os temas, as questões levantadas e a própria configuração da literatura brasileira tal como ele a entende e defende, naquele momento de prosperidade da vida social brasileira, os anos 1950. Frente à relativa queda de prestígio da literatura, à segmentação da vida social e dos saberes e à chegada da indústria cultural norte-americana, o crítico seleciona e estabelece tanto no primeiro quanto no segundo livro um repertório literário empenhado, uma tradição e um modo de olhar que, mesmo com foco no literário, não descuida do aporte sociológico, componentes incontornáveis para essa produção literária e para uma crítica que se deseja formar. Convivem, neles, a consciência da ruína e a vontade de construção, que devem dirimir os riscos.
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