A ruína, a contingência

Autores/as

  • Raul Antelo UFSC

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2447-8997.teresa.2026.244713

Resumen

Embora de ascendência medieval, nos temas do Apocalipse, Sodoma e Gomorra ou mesmo a queda da Babilônia, as ruínas são uma invenção da Renascença, como atesta São Sebastião martirizado perante as ruínas de um edifício romano, de Andrea Mantegna (Louvre, 1480). Às vezes, decorrendo das primeiras escavações, em Pompeia e Herculano, surgem numa paisagem do pintor holandês Herman Posthumus, como ruínas romanas (Tempus edax rerum, 1536, Museu Liechtenstein). As ruínas (ruere = derrubar) encarnam uma representação do sublime e uma atitude paradoxal em relação aos progressos da técnica.

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Biografía del autor/a

  • Raul Antelo, UFSC

    Professor titular aposentado da Universidade Federal de Santa Catarina. É autor de, entre outros livros, Transgressão & modernidade (2001), Crítica acéfala (2008), Maria com Marcel: Duchamp nos trópicos (2010), A ruinologia (2015), Archifilologías latinoamericanas (2015). 

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Publicado

2026-01-31

Cómo citar

Antelo, R. (2026). A ruína, a contingência. Teresa: Revista De Literatura Brasileira, 23, 16-31. https://doi.org/10.11606/issn.2447-8997.teresa.2026.244713