<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<!DOCTYPE article
  PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article article-type="research-article" dtd-version="1.1" specific-use="sps-1.9" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">tradterm</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Revista de Tradução e Terminologia</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="ppub">2317-9511</issn>
			<issn pub-type="epub">2317-9511</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
			</publisher>
		</journal-meta>
		<article-meta>
			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9511.v29i0p8-27</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Articles</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>O escritor-tradutor: diálogos poéticos no texto traduzido O caso de Mario Quintana tradutor de Proust</article-title>
				<article-title xml:lang="en">The writer-translator: poetic dialogues in translated texts The case of Mario Quintana, translator of Proust</article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Santos</surname>
						<given-names>Sheila Maria dos</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Rassier</surname>
						<given-names>Luciana Wrege</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff1">
				<label>*</label>
				<institution content-type="original">Doutoranda pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC-PGET), com bolsa CAPES</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa Catarina</institution>
			</aff>
			<aff id="aff2">
				<label>**</label>
				<institution content-type="original">Docente da Universidade Federal de Santa Catarina (PGET-UFSC), com bolsa CAPES</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa Catarina</institution>
			</aff>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>07</day>
				<month>10</month>
				<year>2022</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<month>07</month>
				<year>2017</year>
			</pub-date>
			<volume>29</volume>
			<fpage>8</fpage>
			<lpage>27</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>11</day>
					<month>11</month>
					<year>2015</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>03</day>
					<month>03</month>
					<year>2017</year>
				</date>
			</history>
			<permissions>
				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Este trabalho aborda a questão da liberdade criativa de escritores- tradutores em oposição a tradutores exclusivos, buscando entender a relação que tais agentes estabelecem com a tradução. Nesse âmbito, serão analisados os diálogos poéticos estabelecidos na tradução da obra <italic>Le côté de Guermantes</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B15">1920</xref>), de Marcel Proust, realizada por Mario Quintana e publicada no Brasil sob o título <italic>O Caminho de Guermantes</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B16">1953</xref>)<italic>.</italic> Para tanto, serão utilizadas as reflexões de <xref ref-type="bibr" rid="B4">Antoine Berman (1984</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">1995</xref>), bem como aportes de teóricos que acumulam, igualmente, as funções de escritor e tradutor e que refletiram acerca desse duplo ofício, como é o caso de <xref ref-type="bibr" rid="B12">Valéry Larbaud (1997</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B13">Jean-Yves Masson (1990</xref>), além de reflexões do próprio Quintana.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title><italic>Abstract</italic></title>
				<p>This paper addresses the issue of creative freedom of writers-translators as opposed to exclusive translators, seeking to understand the relationship that these agents establish with the translation. In this context, the poetic dialogues established in the translation of Le côté de Guermantes (<xref ref-type="bibr" rid="B15">1920</xref>) by Marcel Proust, conducted by Mario Quintana and published in Brazil under the title O Caminho de Guermantes (<xref ref-type="bibr" rid="B16">1953</xref>) will be examined. To this end, the reflections of <xref ref-type="bibr" rid="B4">Antoine Berman (1984</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">1995</xref>) will be used, as well as theoretical contributions that accumulate writer’s and translator’s functions and who have reflected about this twofold office, as it’s the case of <xref ref-type="bibr" rid="B12">Valery Larbaud (1997</xref>) and <xref ref-type="bibr" rid="B13">Jean-Yves Masson (1990</xref>), as well as Quintana's own reflections.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>tradução criativa</kwd>
				<kwd>escritor-tradutor</kwd>
				<kwd>tradução antropofágica</kwd>
				<kwd>Marcel Proust</kwd>
				<kwd>Mario Quintana</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title><italic>Keywords:</italic></title>
				<kwd>Creative Translation</kwd>
				<kwd>writer-translator</kwd>
				<kwd>Anthropophagic Translation</kwd>
				<kwd>Marcel Proust</kwd>
				<kwd>Mario Quintana</kwd>
			</kwd-group>
			<counts>
				<fig-count count="0"/>
				<table-count count="2"/>
				<equation-count count="0"/>
				<ref-count count="23"/>
				<page-count count="20"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<disp-quote>
				<p>El original es infiel a la traducción</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Jorge Luis Borges</p>
			</disp-quote>
			<p>Com a frase introdutória deste trabalho, em que Borges reconfigura a ordem natural da literatura, submetendo o original às necessidades da tradução, tem início um estudo que pretende refletir sobre traduções literárias realizadas por tradutores que desempenham igualmente a função de escritor em paralelo à atividade tradutória. Buscamos, através de exemplos retirados da primeira tradução brasileira da obra <italic>Le côté de Guermantes</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B15">1920</xref>) de Marcel Proust, realizada por <xref ref-type="bibr" rid="B16">Mario Quintana (1953</xref>), e publicada sob o título <italic>O caminho de Guermantes</italic>, entender como funciona essa relação que envolve, além de questões puramente linguísticas (se é que elas existem em tais termos), sociais, culturais, de poder, bem como de <italic>status</italic> por parte das editoras, afinal, segundo Barile (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BARILE 2004</xref>: 9): “O esquema das editoras brasileiras era simples: para os grandes nomes da literatura mundial, eram convocados consagrados escritores da literatura brasileira. Afinal, quem poderia duvidar que uma tradução assinada por um escritor importante pudesse ser ruim?”.</p>
			<p>Ora, é sabido que a escolha de um escritor prestigiado pela mídia e pelo mercado editorial para a realização de uma tradução não confere, <italic>ipso facto,</italic> qualidade inata à mesma. Outros fatores interferem na relevância do texto traduzido, como é possível constatar através das leituras do tradutor e crítico de traduções Agenor Soares de Moura, que não poupou críticas às traduções de escritores famosos como Monteiro Lobato, Érico Veríssimo, entre outros (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BARILE 2004</xref>).</p>
			<p>Assim, pareceu-nos pertinente realizar um estudo que cotejasse tal prática sob a ótica das relações culturais envolvidas em tal processo, buscando entender a presença do escritor-tradutor no texto traduzido como resultado de diversas forças que agem concomitantemente sobre este e seu texto. Pois, como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B1">Eliana Ávila (2013</xref>: 29), “O segundo texto, tradutório, é também um primeiro texto autoral, e, portanto, também investido em reconstituir o lugar soberano do sujeito à medida que sua suposta supremacia se vê ameaçada”.</p>
			<p>Ao tratar de um escritor-tradutor, tal supremacia assume outras nuances, pois não seria possível, sem prejuízo, abstrair a dupla presença poética no texto traduzido e o jogo de forças que dita essa (re)construção. Porém, não somente em termos de poder e respeito ao original pretendemos desenvolver tal estudo, mas antes tencionamos considerar essa dupla presença enquanto exercício de estilo de escritores-tradutores, que estabelecem através da tradução uma espécie de intervenção criativa no texto-fonte, resultado de sua própria experiência poética em diálogo com as obras que traduzem. Assim, utilizaremos possíveis modificações na letra como ferramenta para tratar da influência de tais fatores, pois como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B8">Annie Brisset (1998</xref>: 32) em resposta ao estudo desenvolvido por Antoine Berman em seu livro <italic>Pour une critique des traductions: John Donne</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B5">1995</xref>):</p>
			<disp-quote>
				<p>Dire que le traducteur peut transcender à volonté les représentations symboliques constitutives de sa culture, cela revient par ailleurs à croire que la traduction est une activité soustraite à l’impensé qui atteint tous les autres domaines des productions humaines dans le moment de leur histoire. Cela revient à minimiser, curieusement, l’historicité du sujet traduisant<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>.</p>
			</disp-quote>
			<p>Assim, partindo do princípio de que o tradutor (in)conscientemente reveste sua tradução de marcas de sua própria cultura e estilo, analisaremos, através de exemplos retirados do terceiro tomo da <italic>Recherche</italic> (1920), bem como de sua tradução brasileira (<xref ref-type="bibr" rid="B16">1953</xref>), de que forma se dá a presença do <italic>escritor</italic> Mario Quintana em seu trabalho tradutivo.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>O tradutor em foco</title>
			<p>A evolução dos Estudos da Tradução tem mostrado uma mudança de paradigma no que tange ao seu foco de investigação. Passa-se do texto traduzido ao seu agente, o tradutor, como provam os “Estudos do Tradutor”. Tal tendência amplia a visão anterior, pois nos libertamos da perspectiva parcial que desconsiderava aspectos exteriores à obra e suas traduções, para buscar respostas às possíveis distâncias encontradas no texto traduzido com relação ao texto-fonte, através da interdisciplinaridade, pois, ao focar no tradutor, faz-se necessário expandir as fronteiras de análise para áreas como sociologia, estudos culturais e cognitivos, entre outros, a fim de entender as escolhas do tradutor numa perspectiva que lhe é própria.</p>
			<p>Ora, a relevância dessa mudança de perspectiva, ou melhor, da <italic>ampliação</italic> da perspectiva anterior, pois, de modo algum os estudos restritos ao texto deixaram de existir, mostra-se ainda mais profícua quando a tradução é assinada por um escritor-tradutor reconhecido em sua língua materna, pois, neste caso, além da sua tradução, possuímos diversas informações acerca deste agente, que podem esclarecer dúvidas sobre determinada posição tradutiva, o que raramente acontece quando se trata de tradutores exclusivos. A expressão “tradutores exclusivos”, ou seja, que se dedicam exclusivamente à tradução, aqui em oposição a escritores- tradutores, foi pensada de modo a evitar o termo “tradutor puro” de <xref ref-type="bibr" rid="B4">Antoine Berman (1984</xref>), em que este reflete sobre a dialética da fidelidade e tradução, justificando-a com uma outra, concernente à ambiguidade da figura do tradutor, assim definido:</p>
			<disp-quote>
				<p>Le pur traducteur est celui qui a besoin d'écrire à partir d'une œuvre, d'une langue et d'un auteur étrangers. Détour notable. Sur le plan psychique, le traducteur est ambivalent. Il veut forcer des deux côtés: forcer sa langue à se lester d'étrangeté, forcer l'autre langue à se déporter dans sa langue maternelle. Il se veut écrivain, mais n'est que ré-écrivain. Il est auteur - et jamais L'Auteur. Son œuvre de traducteur est une œuvre, mais n'est pas L' Œuvre. (<xref ref-type="bibr" rid="B4">1984</xref>: 18)<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Como foi assinalado, gostaríamos de esclarecer a adoção de um termo para indicar os tradutores exclusivos que diferisse do referido por Berman, assim como de sua definição, pois, se à primeira vista estes soam semelhantes, parece-nos incoerente com a visão proposta neste trabalho considerar o tradutor como um reescritor e, consequentemente, sua obra como segunda, como pretende Berman e outros teóricos (LADMIRAL 1994: VIII).</p>
			<p>Diversas são as razões que levam escritores conhecidos a traduzir, seja por desejo de apresentar ao seu país um escritor admirado ou por exercício de estilo, como afirma Jean-Yves Tadié ao dedicar algumas linhas à experiência de Proust como tradutor de Ruskin:</p>
			<disp-quote>
				<p>De même que Baudelaire et Mallarmé avaient traduit Poe et que, dans sa génération, Gide transposerait Shakespeare, Conrad, Tagore, que Claudel adaptait Conventry Patmore, Valéry, Virgile, Larbaud, Samuel Butler, Proust, comme eux, voulait révéler un auteur et sentait que la traduction était une merveilleuse école de style<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>. (<xref ref-type="bibr" rid="B20">1996</xref>: 178, grifo nosso)</p>
			</disp-quote>
			<p>De acordo com Jean-Yves Tadié, seria ingenuidade desconsiderar essas motivações ao ler uma tradução realizada por um escritor-tradutor. Para exemplificar tal afirmação basta pensarmos nos autores inspiradores deste trabalho, Mario Quintana e Marcel Proust. Diversos teóricos já esmiuçaram as traduções de Ruskin feitas pelo autor da <italic>Recherche,</italic> (MILLY 1997; SERÇA 2004; GAMBLE 2008, 2011), por essa razão não nos deteremos no assunto, porém, convém lembrar que, para Proust, tais traduções foram verdadeiros <italic>exercícios poéticos.</italic> Segundo estes teóricos certos aspectos das traduções nos permitem identificar o <italic>escritor</italic> Proust agindo sobre o <italic>tradutor</italic> Proust, particularmente no que concerne aos acréscimos explicativos realizados pelo escritor, como assinala Philip Kolb (1960), resultado de seu pouco conhecimento da língua inglesa, atrelado à sua <italic>pulsão</italic> de escrever.</p>
			<p>O mesmo já foi dito no sentido oposto, ou seja, da presença de traços típicos da escrita do conferencista londrino incorporados à poética proustiana, como afirma Craig:</p>
			<disp-quote>
				<p>Proust's versions, La Bible d'Amiens (1904) and Sésame et les Lys (1906), cannot be considered merely literal. On the contrary, particularly in light of his prologues and notes, he offered a new interpretation. […]. Secondly, Proust studied very carefully the style of several major French writers, from Balzac and Flaubert to Renan and Regnier. He then composed a series of pastiches on a common subject, the so-called Lemoine affair. We can see in these stylistic imitations what Harold Bloom called the anxiety on influence <xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B11">CRAIG 2002</xref>: 59).</p>
			</disp-quote>
			<p>Pode-se afirmar que o mesmo ocorre com o escritor-tradutor Mario Quintana, que, por vezes, deixa-se perceber como um visitante estrangeiro no texto proustiano, como veremos mais adiante. Nota-se, também inversamente, a influência de certos autores traduzidos por Quintana em sua criação literária, como evidencia, por exemplo, o poema “Os Leitores de Proust”:</p>
			<disp-quote>
				<p>Marcel Proust não tem entrelinhas, explica tudo, sufoca o leitor, não o deixa respirar, não o deixa pensar.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>No entanto, não escrevia para o grande público... Pois só o grande público é que gosta que um autor pense por ele.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Pergunta-se: os proustianos serão mesmo uma elite de leitores? (<xref ref-type="bibr" rid="B18">QUINTANA 2005</xref>: 708)</p>
			</disp-quote>
			<p>A esse respeito, Bordini ressalta que:</p>
			<disp-quote>
				<p>a grande quantidade de traduções realizadas pelo poeta [Mario Quintana] também teve papel relevante para que sua poesia parecesse tão natural e ao mesmo tempo tão inquietante e frequentemente hermética. Afinal, ele tivera contato tanto com o romance realista quanto com o de vanguarda, tanto com os clássicos quanto com os seus contemporâneos, tanto com o gênero policial quanto com o biográfico, e era inevitável que seus versos guardassem os ecos de muitos autores que ele verteu, se não na forma, na temática. A tradução decerto contribuiu para o repertório de possibilidades de que seus poemas se alimentaram. (2009: 136 apud <xref ref-type="bibr" rid="B6">BOMBINI 2013</xref>: 62)</p>
			</disp-quote>
			<p>Apesar de sua existência relativamente nova enquanto objeto de estudo<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>, diversos teóricos já abordaram, direta ou indiretamente, o assunto. Dentre eles, norteiam este trabalho as contribuições de <xref ref-type="bibr" rid="B4">Antoine Berman (1984</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">1995</xref>), além de aportes de teóricos que acumulam, igualmente, as funções de escritor e tradutor, como é o caso de <xref ref-type="bibr" rid="B12">Valéry Larbaud (1997</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B13">Jean-Yves Masson (1990</xref>). Com isso, buscamos focar a atenção na figura do escritor-tradutor enquanto criador, graças à sua posição privilegiada junto ao público leitor, que contradiz o discurso corrente no que se refere à figura do tradutor exclusivo, colocado à margem, sempre inferior e servil ao escritor, como afirma, aliás, Valéry Larbaud:</p>
			<disp-quote>
				<p>Le traducteur est méconnu; il est assis à la dernière place; il ne vit pour ainsi dire que d'aumônes; il accepte de remplir les plus infimes fonctions, les rôles les plus effacés; « servir » est sa devise, et il ne demande rien pour lui-même, mettant toute sa gloire à être fidèle aux maîtres qu'il s'est choisis, fidèle jusqu'à l'anéantissement de sa propre personnalité intellectuelle<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B12">1997</xref>: 9).</p>
			</disp-quote>
			<p>Tal exaltação negativa do tradutor é exatamente o que buscamos combater ao colocá-lo no foco da criação, não mais tomando-o como fâmulo, como pretende Dryden<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>. Mas, como sujeito responsável por um novo texto criativo que, de alguma forma, mantém viva uma ligação de respeito <italic>mútuo</italic> com um texto-fonte. Como ressalta <xref ref-type="bibr" rid="B13">Masson (1990</xref>: 158), ao afirmar que “le texte traduit est d’abord une offrande au texte original”<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref> e que, como tal, oferece e exige respeito, pois “si la traduction respecte l’original elle peut et doit même dialoguer avec lui, lui faire face, et lui tenir tête. La dimension du respect ne comprend pas l’anéantissement de celui qui respecte dans son propre respect”<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref>.</p>
			<p>Assim, exposta a posição teórica norteadora deste estudo, passaremos à análise de trechos selecionados da obra <italic>Le Côté de Guermantes</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B15">1920</xref>) de Marcel Proust, bem como de sua tradução realizada por <xref ref-type="bibr" rid="B16">Mario Quintana (1953</xref>). Contudo, convém esclarecer que não se trata da única tradução existente no Brasil, pois a obra foi retraduzida integralmente pelo também poeta e tradutor Fernando Py (1992) pela editora Ediouro e relançada em três volumes em 2001. Apesar da frutuosidade de tal análise, a dimensão e o foco do trabalho levaram-nos a desconsiderar um cotejo com a retradução, o que alongaria em demasia este estudo.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>Tradução criativa</title>
			<p>Toda tradução é criação, uma vez que o produto de sua prática difere, em diferentes níveis, do texto-fonte. Isso se dá devido à falta de equivalência total de forma e conteúdo entre diferentes línguas. Assim, podemos pensar essa distância como representativa do grau de criatividade da tradução que, no caso de obras consideradas “intraduzíveis” por sua carga estético- semântica, deve assumir proporções gigantescas, se quiser produzir o mesmo <italic>efeito</italic> do texto de partida. Nesse sentido, poderíamos incluir obras como <italic>Grande Sertão: Veredas</italic> de Guimarães Rosa<italic>, Macunaíma</italic> de Mário de Andrade, <italic>The Adventures of Huckleberry Finn</italic>, de Mark Twain, <italic>Ulysses</italic> de Joyce, entre outras marcadas por um intenso trabalho linguístico, com o qual o tradutor também deve dialogar. Em tais casos, a proposta de transcriação de Haroldo de Campos mostra-se duplamente útil, pois reivindica uma busca de identidade estética local, além de exigir do tradutor a reinvenção de sua própria língua, quando necessário, razão pela qual poderíamos equiparar o trabalho do tradutor ao do escritor.</p>
			<p>No entanto, qualquer postura <italic>criativa</italic> perante o texto ainda é muito criticada por criar traduções que, segundo as teorias linguístico-textuais dos anos 1950 e 1960, se afastariam da <italic>letra</italic> do texto-fonte. Soma-se a isso a falta de liberdade conferida ao tradutor, mais especificamente ao tradutor exclusivo, pois, como afirma Françoise Wuilmart “il faut être poète ou avoir la bénédiction de l'Académie pour se livrer au moindre bouleversement linguistique”<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B23">2007</xref>: 133). Wuilmart refere-se ao contexto francês, porém, acreditamos que essa realidade corresponda a um lugar-comum da tradução, no qual, salvo intervenções de grandes escritores-tradutores, aqueles que se dedicam exclusivamente à tradução e, consequentemente, não possuem o mesmo prestígio dos grandes escritores-tradutores junto ao público leitor, são duramente criticados ao tomar qualquer decisão inovadora.</p>
			<p>Tomemos os seguintes trechos como base para uma maior reflexão:</p>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left">
									<xref ref-type="bibr" rid="B15">PROUST 1920</xref>: 85</td>
								<td align="left">
									<xref ref-type="bibr" rid="B16">QUINTANA 1953</xref>: 69</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>
 <italic>À côté de l’hôtel, les anciens palais nationaux et l’orangerie de Louis XVI dans lesquels se trouvaient maintenant la Caisse d’Epargne et le corps d’armée étaient éclairés du dedans par les ampoules pâles et dorées du gaz déjà allumé qui, dans le jour encore clair, seyait à ces hautes et vastes fenêtres du XVIIIème siècle</italic>
</bold> .</td>
								<td align="left"><bold>Ao lado do castelo</bold>, os antigos palácios nacionais e a estufa de Luís XVI, <bold>onde</bold> se encontravam agora a <bold>Caixa Econômica</bold> e o regimento, estavam iluminados <bold>do interior</bold> pelas douradas e pálidas lâmpadas do gás já aceso que, no dia ainda claro, assentava àquelas altas e amplas janelas do século <bold>XVII</bold>.</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Nesta passagem abordaremos a questão da Antropofagia em tradução enquanto mecanismo de deglutição de autores e textos estrangeiros, que resultaria na construção de uma identidade amalgamada, de contornos híbridos e, por isso, complexos. Segundo Maltz, “em nome de uma identidade, a Antropofagia veio para desconcertar o rastro cultural deixado pela hegemonia branco-europeia” (1993: 15 apud <xref ref-type="bibr" rid="B14">MORENO 2001</xref>: 184). Ora, podemos visualizar, através do trecho acima destacado, essa <italic>devoração</italic> sob diversos aspectos.</p>
			<p>Primeiramente, nos deparamos com uma mudança léxica, na qual Quintana substitui “hôtel” por “castelo”, evitando, assim, uma confusão com o termo em seu sentido atual de alojamento pago, com direito a eventuais serviços, e mantendo a ideia do “hôtel” enquanto grande imóvel habitado inteiramente por um particular de posses. Entretanto, o que parecia ser uma adaptação do texto ao próprio contexto proustiano, visto que castelos não configuram a paisagem típica brasileira, nos deparamos em seguida com uma <italic>assimilação</italic> cultural curiosa, em que o banco francês <italic>Caisse d'Epargne,</italic> criado em 1818, metamorfoseia-se em “Caixa Econômica”, banco popular brasileiro, criado em 1861.</p>
			<p>A tradução de topônimos e antropônimos ainda permanece polêmica nos Estudos da Tradução, motivo pelo qual encontramos posições diversas em traduções realizadas num mesmo período. Georges Mounin argumenta, a esse respeito, pelo princípio da não-tradução sempre que o termo em questão não possuir uma forma francesa (MOUNIN, 1994: 48 apud <xref ref-type="bibr" rid="B2">BALLARD, 2007</xref>, p. 201). Ao passo que Moore defende a manutenção dos mesmos em sua forma original sem exceções: “tous les noms propres, quelques imprononçables qu’ils soient, doivent être rigidement respectés”<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref> (apud <xref ref-type="bibr" rid="B2">BALLARD 2007</xref>: 199).</p>
			<p>A posição de Quintana face às traduções dos quatro primeiros tomos da <italic>Recherche,</italic> contraria a ideia defendida por Moore, como podemos verificar através das personagens Francisca (Françoise), Albertina (Albertine), Maria Eduvige (Maria Hedwige), entre outros, sistematicamente traduzidos por Quintana, numa atitude de <italic>negação</italic> face ao elemento estrangeiro, ou antes de <italic>devoração</italic> do estrangeiro, que corresponderia a “atitude antropofágica de ‘deglutir’ o saber europeu, ‘devorando-o’ não mais para incorporá-lo de modo mecânico mas para absorvê-lo dialeticamente na tentativa de abrasileirar a nossa cultura, dando-lhe uma identidade” (MALTZ 1993: 11 apud MORENO 2003: 184).</p>
			<p>Quintana incorpora a tal ponto esse <italic>espírito</italic> antropofágico, que perdemos de vista a dimensão sociocultural da obra impressa nos <italic>Nomes</italic>, tão importante e reiteradamente salientada pelo próprio Narrador:</p>
			<disp-quote>
				<p>À l’âge où les Noms, nous offrant l’image de l’inconnaissable que nous avons versé en eux, dans le même moment où ils désignent aussi pour nous un lieu réel, nous forcent par là à identifier l’un à l’autre au point que nous partons chercher dans une cité une âme qu’elle ne peut contenir mais que nous n’avons plus le pouvoir d’expulser de son nom, ce n’est pas seulement aux villes et aux fleuves qu’ils donnent une individualité, comme le font les peintures allégoriques, ce n’est pas seulement l’univers physique qu’ils diaprent de différences, qu’ils peuplent de merveilleux, c’est aussi l’univers social: alors chaque château, chaque hôtel ou palais fameux a sa dame, ou sa fée, comme les forêts leurs génies et leurs divinités les eaux<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref>. (<xref ref-type="bibr" rid="B15">PROUST 1920</xref>: 10)</p>
			</disp-quote>
			<p>A visão <italic>transformada</italic> desse “universo social” proustiano corresponde agora à brasileira, ou antes a uma <italic>fusão</italic> de dois mundos, em que vemos a Caixa Econômica ao lado de castelos e da estufa Luís XVI, descontruindo “l’appartenance à tel groupe social, à tel espace géographique…”<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B7">BOYER 1996</xref>: 12), para inserir-se num espaço social híbrido, que extrapola até mesmo a ordem temporal do texto, visto que as janelas do século XVIII do texto-fonte transformaram-se em janelas do século XVII na tradução.</p>
			<p>A fim de dar continuidade à análise das obras, selecionamos um trecho em que a posição estilística do <italic>escritor</italic> Quintana sobressai de maneira deliberada em sua tradução, apagando um dos típicos parênteses linguísticos do <italic>Narrador</italic>, em que este reflete sobre a linguagem do duque de Duras:</p>
			<p>
				<table-wrap id="t2">
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left">
									<xref ref-type="bibr" rid="B15">PROUST 1920</xref>: 215</td>
								<td align="left">
									<xref ref-type="bibr" rid="B16">QUINTANA 1953</xref>: 185</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><italic>D’autant plus que Fezensac est malade, ce sera Duras qui mènera tout, et vous savez s’il aime à faire des embarras, dit le duc qui n’était jamais arrivé à connaître le sens précis de certains mots et qui croyait que faire des embarras voulait dire faire non pas de l’esbroufe, mais des complications</italic>.</td>
								<td align="left">Tanto mais que Fezensac está doente, Duras presidirá a eleição, <bold>e bem sabem como ele gosta de complicações</bold>.</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Antes de tecer comentários sobre o trecho, convém ressaltar que os exemplos aqui selecionados são <italic>representativos</italic> de uma postura <italic>global</italic> de Quintana perante o texto, ou seja, de forma alguma tratam-se de episódios pontuais, e que, por essa razão, não representariam a posição tradutiva do escritor-tradutor. Buscamos com exemplos corriqueiros apontar para uma <italic>tendência</italic> tradutória, ao invés de salientar possíveis “escândalos de tradução”. Quintana opta sistematicamente pela <italic>intradução</italic> quando o <italic>Narrador</italic> abre parênteses linguísticos sobre outras personagens.</p>
			<p>Ao longo de toda a obra é comum o Narrador levantar questões linguísticas acerca de determinadas personagens, sobretudo no concerne à doméstica Françoise, tema largamente estudado por Sylvie Pierron em seu livro <italic>Ce beau français un peu individuel: Proust et la langue</italic> (2005). Porém, nesse trecho o comentário se refere ao duque de Duras, personagem secundária da obra que, segundo o <italic>Narrador</italic>, possuía dificuldades em conhecer o sentido exato de certas palavras da língua francesa, como afirma no trecho “dit le duc qui n’était jamais arrivé à connaître le sens précis de certains mots”<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>14</sup></xref>, apontando, nesta ocasião, a má utilização da expressão “faire des embarras”<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>15</sup></xref>. Neste caso, todo o comentário é <italic>resumido</italic> pela frase “e bem sabem como ele gosta de complicações”, representando de modo explícito a postura <italic>enxuta</italic> da poesia quintaniana, como podemos verificar no poema “Do Estilo”:</p>
			<disp-quote>
				<p>Fere de leve a frase... E esquece... Nada Convém que se repita...</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Só em linguagem amorosa agrada</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>A mesma coisa cem mil vezes dita. (<xref ref-type="bibr" rid="B18">QUINTANA 2005</xref>: 211)</p>
			</disp-quote>
			<p>A obra poética de Quintana é permeada por uma preocupação estética com a <italic>concisão</italic> de forma e conteúdo, que prescinde de redundâncias e excessos de qualquer natureza. Quintana busca dizer o máximo com o mínimo, chegando a tecer em seus poemas críticas irônicas aos leitores que apreciam a profusão linguística, como nos prova “Opulência”:</p>
			<disp-quote>
				<p>Esses que apreciam num escritor a opulência da linguagem devem ser os mesmos que se babam de êxtase ante as senhoras bem fornidas. (<xref ref-type="bibr" rid="B18">2005</xref>: 662)</p>
			</disp-quote>
			<p>Ou ainda, quando aborda diretamente a questão da tradução, nos apresentando, através de sua obra, sua teoria:</p>
			<sec>
				<title>A páginas tantas</title>
				<disp-quote>
					<p>A páginas tantas do Wilhelm Meister, descreve Goethe um piquenique e assim conclui: “Seria tudo muito mais romântico se não houvesse ao fundo uma carruagem”. E como, para nós, não há nada mais romântico que uma carruagem - que vontade de substituí-la, dizendo que ficaria muito mais romântico se não houvesse ali um automóvel!</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>A “tradução” na verdade seria um anacronismo, mas que <bold>fielmente traduziria a intenção e o sentimento do autor</bold>. (<xref ref-type="bibr" rid="B18">2005</xref>: 681, grifo nosso)</p>
				</disp-quote>
				<p>Ora, Quintana nos dá aqui uma rica apresentação de sua posição tradutiva e nos auxilia a entender suas escolhas em tradução, não somente no que concerne a esta obra, mas de modo geral, pois expõe, em poucas palavras, seu <italic>modus operandi.</italic> No entanto, investigando a fundo sua obra poética, é possível visualizar certas incongruências a esse respeito, pois, ao mesmo tempo em que o poeta reafirma sua posição tradutiva antropofágica, declarando sua preferência pela concisão e por uma tradução da “intenção e do sentimento do autor”, transformando-o quando necessário, nos deparamos com uma declaração contrária a tais “liberdades” em “De uma entrevista concedida a Edla Van Steen” (<xref ref-type="bibr" rid="B18">QUINTANA 2005</xref>: 747), na qual Quintana responde à pergunta “No seu entender, o que é uma boa tradução?”:</p>
				<disp-quote>
					<p>- Aquela que segue o estilo do autor, e não o do tradutor. Os períodos de quadra e meia de Proust (sim, o período dele dava volta na quadra; não poderiam ser divididos em pedacinhos, por amor da clareza ou coisa que o valha, como acontece às vezes na tradução castelhana.</p>
				</disp-quote>
				<p>A clarificação, que desencadearia uma destruição dos ritmos internos da obra, segundo Berman (1999), apesar de criticada por Quintana, é muitas vezes praticada em suas traduções. Faz o mesmo com relação aos topônimos e antropônimos em “Sem título” (<xref ref-type="bibr" rid="B18">QUINTANA 2005</xref>: 698), ou ainda em “Coisas nossas”, em que afirma que: “evitava qualquer menção de local, qualquer laivo bairrista em meus contos, para que estes pudessem ser lidos sem dificuldade em traduções francesas” (<xref ref-type="bibr" rid="B18">QUINTANA 2005</xref>: 540).</p>
				<p>Por fim, um último excerto retirado da apresentação “Variété” do livro <italic>Da preguiça como método de trabalho</italic>, mostra-se esclarecedor no que tange aos apagamentos efetuados pelo escritor-tradutor sobre os parênteses linguísticos do <italic>Narrador</italic>, em que o poeta afirma que: “Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras” (<xref ref-type="bibr" rid="B18">QUINTANA 2005</xref>: 633).</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>Buscamos com esse trabalho refletir sobre as complexas relações que se estabelecem através da tradução de escritores-tradutores. A visibilidade destes agentes, em oposição à sombra na qual permanecem os tradutores exclusivos, nos permite coletar maiores informações acerca do que Berman chamou de <italic>domaines langagiers et littéraires</italic><xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>16</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B5">1995</xref>: 74), fornecendo, assim, subsídios para pensarmos suas escolhas tradutivas não somente por meio da tradução em si e de seus paratextos, mas também através de produções paralelas, como cartas, entrevistas, além de sua própria obra poética.</p>
			<p>Através da análise da obra de Quintana<xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>17</sup></xref>, particularmente da obra <italic>Da preguiça como método de trabalho</italic>, foi possível traçar paralelos com suas escolhas tradutivas, justificando-as, quando possível, com base em sua produção poética, pois acreditamos que tais ofícios sejam essencialmente indissociáveis, o tradutor é <italic>ao mesmo tempo</italic> escritor. Não se trata de uma tarefa objetiva, que possa ser ativada quando necessário, deixando de lado a <italic>pulsão</italic> criativa de escritor para dar lugar à <italic>função</italic> servil de tradutor. Acreditamos que tais dicotomias devam ser combatidas, não somente no que concerne aos escritores-tradutores, mas também, e sobretudo, aos tradutores exclusivos, pois estes, apesar de constituírem grande maioria, ainda são os mais descreditados pela crítica, como afirma, entre outros, <xref ref-type="bibr" rid="B23">Wuilmart (2007</xref>). Por essa razão, mostra-se de grande importância a elaboração de mais estudos que contemplem tais disparidades, em busca de um maior respeito à figura do tradutor.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências bibliográficas</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ÁVILA, Eliana. “Pode o tradutor ouvir?”. In: BLUME, Rosvtiha e PETERLE, Patricia (orgs.). Tradução e relações de poder. Tubarão, Copiart, 2013.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ÁVILA</surname>
							<given-names>Eliana</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Pode o tradutor ouvir?</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>BLUME</surname>
							<given-names>Rosvtiha</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>PETERLE</surname>
							<given-names>Patricia</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Tradução e relações de poder</source>
					<publisher-loc>Tubarão</publisher-loc>
					<publisher-name>Copiart</publisher-name>
					<year>2013</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>BALLARD, Michel. «La traduction du nom propre comme négociation», In: Palimpsestes, n°11: «Traduire la culture». Paris, Presses Universitaires de la Sorbonne Nouvelle, 2007.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BALLARD</surname>
							<given-names>Michel</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>La traduction du nom propre comme négociation</chapter-title>
					<source>Palimpsestes</source>
					<issue>11</issue>
					<series>Traduire la culture</series>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Presses Universitaires de la Sorbonne Nouvelle</publisher-name>
					<year>2007</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>BARILE, João Pombo. “Agenor Soares de Moura tradutor”. In: MINAS GERAIS Suplemento Literário. v. 38. n. 1268. Belo Horizonte: UFMG, p. 8-11, maio 2004. Disponível em: &lt;<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.letras.ufmg.br/websuplit/Lib/html/webSupLit.htm">http://www.letras.ufmg.br/websuplit/Lib/html/webSupLit.htm</ext-link>
					</comment>&gt;. Acesso em: 28 de abril de 2015.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BARILE</surname>
							<given-names>João Pombo</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Agenor Soares de Moura tradutor</article-title>
					<source>MINAS GERAIS</source>
					<supplement>Literário</supplement>
					<volume>38</volume>
					<issue>1268</issue>
					<publisher-loc>Belo Horizonte</publisher-loc>
					<publisher-name>UFMG</publisher-name>
					<fpage>8</fpage>
					<lpage>11</lpage>
					<month>05</month>
					<year>2004</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.letras.ufmg.br/websuplit/Lib/html/webSupLit.htm">http://www.letras.ufmg.br/websuplit/Lib/html/webSupLit.htm</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2015-04-28">28 de abril de 2015</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>BERMAN, Antoine. L’épreuve de l’étranger. Paris: Gallimard, 1984.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BERMAN</surname>
							<given-names>Antoine</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>L’épreuve de l’étranger</source>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Gallimard</publisher-name>
					<year>1984</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<mixed-citation>______. Pour une critique des traductions: John Donne. Paris: Gallimard, 1995.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BERMAN</surname>
							<given-names>Antoine</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Pour une critique des traductions: John Donne</source>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Gallimard</publisher-name>
					<year>1995</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B6">
				<mixed-citation>BOMBINI, Rosilene Frederico Rocha. O universo metalinguístico na obra de Mario Quintana: uma poética da linguagem. 2013. 232 f. Tese (Doutorado) - Universidade Estadual Paulista, Araraquara. São Paulo, 2013.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BOMBINI</surname>
							<given-names>Rosilene Frederico Rocha</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>O universo metalinguístico na obra de Mario Quintana: uma poética da linguagem</source>
					<year>2013</year>
					<fpage>232</fpage>
					<lpage>232</lpage>
					<comment content-type="degree">Doutorado</comment>
					<publisher-name>Universidade Estadual Paulista</publisher-name>
					<publisher-loc>Araraquara, São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-loc>Araraquara, São Paulo</publisher-loc>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B7">
				<mixed-citation>BOYER, Henri. «Les domaines de la sociolinguistique», In: Sociolinguistique Territoire et objets. Paris: Délachaux et Niestlé, 1996.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BOYER</surname>
							<given-names>Henri</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Les domaines de la sociolinguistique</chapter-title>
					<source>Sociolinguistique Territoire et objets</source>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Délachaux et Niestlé</publisher-name>
					<year>1996</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B8">
				<mixed-citation>BRISSET, Annie. «L’identité culturelle de la traduction: en réponse à Antoine Berman». In: Palimpsestes, n°11: Traduire la culture. BENSIMON, Paul COUPAYE, Didier (Org.). Paris: Presses de la Sorbonne Nouvelle, 1998.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BRISSET</surname>
							<given-names>Annie</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>L’identité culturelle de la traduction: en réponse à Antoine Berman</chapter-title>
					<source>Palimpsestes</source>
					<issue>11</issue>
					<series>Traduire la culture</series>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>BENSIMON</surname>
							<given-names>Paul</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>COUPAYE</surname>
							<given-names>Didier</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Presses de la Sorbonne Nouvelle</publisher-name>
					<year>1998</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B9">
				<mixed-citation>CAMPOS, Haroldo de. Metalinguagem e outras metas: ensaios de teoria e crítica literária. São Paulo, Perspectiva, 2010.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CAMPOS</surname>
							<given-names>Haroldo de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Metalinguagem e outras metas: ensaios de teoria e crítica literária</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Perspectiva</publisher-name>
					<year>2010</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B10">
				<mixed-citation>______. A arte no horizonte do provável. São Paulo: Perspectiva, 2010.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CAMPOS</surname>
							<given-names>Haroldo de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>A arte no horizonte do provável</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Perspectiva</publisher-name>
					<year>2010</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B11">
				<mixed-citation>CRAIG, Herbert. E. Marcel Proust and Spanish America, from critical response to narrative dialogue. Londres: University Presses, 2002.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CRAIG</surname>
							<given-names>Herbert</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>E. Marcel Proust and Spanish America, from critical response to narrative dialogue</source>
					<publisher-loc>Londres</publisher-loc>
					<publisher-name>University Presses</publisher-name>
					<year>2002</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B12">
				<mixed-citation>LARBAUD, Valéry. Sous l'invocation de Saint Jérôme (1946). Paris: Gallimard, 1997.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>LARBAUD</surname>
							<given-names>Valéry</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Sous l'invocation de Saint Jérôme (1946)</source>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Gallimard</publisher-name>
					<year>1997</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B13">
				<mixed-citation>MASSON, Jean-Yves. «Territoires de Babel. Aphorismes». In: Corps écrit n° 36 (dec. 1990). Paris: Presses universitaires de France.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MASSON</surname>
							<given-names>Jean-Yves</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Territoires de Babel. Aphorismes</chapter-title>
					<source>Corps écrit</source>
					<issue>36</issue>
					<month>12</month>
					<year>1990</year>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Presses universitaires de France</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B14">
				<mixed-citation>MORENO, Silene. Ecos e Reflexos: A construção do cânone de Augusto e Haroldo de Campos a partir de suas concepções de tradução. 2001. 278 f. Tese (Doutorado) - Instituto de Estudos da Linguagem. Universidade Estadual de Campinas. Campinas, 2001.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MORENO</surname>
							<given-names>Silene</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Ecos e Reflexos: A construção do cânone de Augusto e Haroldo de Campos a partir de suas concepções de tradução</source>
					<year>2001</year>
					<fpage>278</fpage>
					<lpage>278</lpage>
					<publisher-name>Doutorado, Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas</publisher-name>
					<publisher-name>Doutorado, Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas</publisher-name>
					<publisher-loc>Campinas</publisher-loc>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B15">
				<mixed-citation>PROUST, Marcel. Le côté de Guermantes I. Paris: Éditions de la Nouvelle Revue Française, 1920.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>PROUST</surname>
							<given-names>Marcel</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Le côté de Guermantes I</source>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Éditions de la Nouvelle Revue Française</publisher-name>
					<year>1920</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B16">
				<mixed-citation>______. O caminho de Guermantes. Tradução de Mario Quintana. Rio de Janeiro: Globo, 1953.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>PROUST</surname>
							<given-names>Marcel</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>O caminho de Guermantes</source>
					<person-group person-group-type="translator">
						<name>
							<surname>Quintana</surname>
							<given-names>Mario</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Globo</publisher-name>
					<year>1953</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B17">
				<mixed-citation>______. O caminho de Guermantes. Tradução de Fernando Py. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>PROUST</surname>
							<given-names>Marcel</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>O caminho de Guermantes</source>
					<person-group person-group-type="translator">
						<name>
							<surname>Py</surname>
							<given-names>Fernando</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Ediouro</publisher-name>
					<year>2004</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B18">
				<mixed-citation>QUINTANA, Mario. Mario Quintana: poesia completa. Org. Tania Franco Carvalhal. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>QUINTANA</surname>
							<given-names>Mario</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Mario Quintana: poesia completa</source>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>Carvalhal</surname>
							<given-names>Tania Franco</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Nova Aguilar</publisher-name>
					<year>2005</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B19">
				<mixed-citation>RÓNAI, Paulo. A tradução vivida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>RÓNAI</surname>
							<given-names>Paulo</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>A tradução vivida</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Nova Fronteira</publisher-name>
					<year>1981</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B20">
				<mixed-citation>TADIE, Jean Yves. Marcel Proust biographie. Paris: Gallimard, 1996.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>TADIE</surname>
							<given-names>Jean Yves</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Marcel Proust biographie</source>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Gallimard</publisher-name>
					<year>1996</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B21">
				<mixed-citation>VIEIRA, Else. Por uma teoria pós-moderna de tradução. 1992. Tese (Doutorado) - FALE I UFMG. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 1992.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>VIEIRA</surname>
							<given-names>Else</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Por uma teoria pós-moderna de tradução</source>
					<year>1992</year>
					<comment content-type="degree">Doutorado</comment>
					<publisher-name>Universidade Federal de Minas Gerais</publisher-name>
					<publisher-loc>Belo Horizonte</publisher-loc>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B22">
				<mixed-citation>______. (Org). Teorizando e contextualizando a tradução. Faculdade de Letras da UFMG. Belo Horizonte, 1996.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>VIEIRA</surname>
							<given-names>Else</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Teorizando e contextualizando a tradução</source>
					<publisher-loc>Faculdade de Letras da UFMG</publisher-loc>
					<publisher-name>Belo Horizonte</publisher-name>
					<year>1996</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B23">
				<mixed-citation>WUILMART, Françoise (2007). «La Traduction littéraire: source d’enrichissement de la langue d’accueil» [1ère publication 2006], in Corinne Wecksteen et Ahmed El Kaladi (Eds.), La Traductologie dans tous ses états. Arras: Artois Presses Université. pp. 127-136.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>WUILMART</surname>
							<given-names>Françoise</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2007</year>
					<chapter-title>La Traduction littéraire: source d’enrichissement de la langue d’accueil</chapter-title>
					<comment>1ère publication 2006</comment>
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>Wecksteen</surname>
							<given-names>Corinne</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Kaladi</surname>
							<given-names>Ahmed El</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>La Traductologie dans tous ses états</source>
					<publisher-loc>Arras</publisher-loc>
					<publisher-name>Artois Presses Université</publisher-name>
					<fpage>127</fpage>
					<lpage>136</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>“Dizer que o tradutor pode transcender à vontade as representações simbólicas constitutivas de sua cultura é o mesmo que acreditar que a tradução é uma atividade isenta do inconsciente que atinge todos os outros domínios das produções humanas no momento da sua história. Isso é minimizar, curiosamente, a historicidade do sujeito tradutor” (tradução nossa).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>“O tradutor puro é aquele que precisa traduzir a partir de uma obra, de uma língua e de um autor estrangeiros. Desvio notável. No plano psíquico, o tradutor é ambivalente. Ele quer forçar dos dois lados: forçar sua língua a se munir de estranheza, forçar a outra língua a se expatriar. Ele se vê como escritor, mas é tão somente reescritor. Ele é autor - e jamais o Autor. Sua obra de tradutor é uma obra, mas não é a Obra” (<xref ref-type="bibr" rid="B4">1984</xref>: 18, tradução nossa).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>“Assim como Baudelaire e Mallarmé haviam traduzido Poe e que, na sua geração, Gide transporia Shakespeare, Conrad, Tagore, que Claudel adaptara Conventry Patmore, Larbaud, Samuel Butler, <italic>Proust, como eles, queria revelar um autor e sentia que a tradução era uma maravilhosa escola de estilo</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">1996</xref>: 178, tradução nossa).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>“As versões de Proust, La Bible d'Amiens (1094) e Sésame et les lys (1906), não podem ser consideradas meramente literais. Pelo contrário, sobretudo à luz de seus prólogos e notas, ele ofereceu uma nova interpretação. […]. Em segundo lugar, Proust estudou muito atentamente o estilo de vários grandes escritores franceses, de Balzac e Flaubert a Renan e Régnier. Ele então compôs uma série de pastiches sobre um assunto comum, o chamado caso Lemoine. Podemos ver nessas imitações estilísticas o que Harold Bloom chamou de angústia da influência” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">CRAIG 2002</xref>: 59, tradução nossa).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Somente a partir da década de 1970, com o que ficou conhecido como a “virada cultural” dos Estudos da Tradução, passou-se a tratar a tradução como um processo de negociação entre culturas, dando-se, assim, mais importância e foco à figura do tradutor.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>“O tradutor é desconhecido; ele está sentado no último lugar; ele vive por assim dizer tão somente de esmolas; ele aceita exercer as mais ínfimas funções, os papéis mais apagados; “servir” é o seu lema, e ele não pede nada para si, colocando toda sua glória em ser fiel aos mestres que ele escolheu, fiel até a aniquilação de sua própria personalidade intelectual” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">1997</xref>: 9, tradução nossa).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Conforme o autor afirma no trecho seguinte: “Pois somos escravos e trabalhamos na lavoura de outrem; lavramos a vinha, mas o vinho pertence ao proprietário; se às vezes o solo é maninho, podemos estar certos de sermos castigados; se o terreno é fértil e o nosso trabalho dá resultado, não nos agradecem, pois o leitor arrogante dirá: o pobre escravo cumpriu seu dever” (DRYDEN apud <xref ref-type="bibr" rid="B19">RONAI 1981</xref>: 21, tradução nossa).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>“O texto traduzido é primeiramente uma oferenda ao texto original” (tradução nossa).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>“se a tradução respeita o original ela pode e até deve dialogar com este, encará-lo e enfrentá-lo. A dimensão do respeito não inclui a aniquilação de quem respeita em seu próprio respeito” (tradução nossa).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>“é preciso ser poeta ou ter a benção da Academia para realizar qualquer transformação linguística” (tradução nossa).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p>“todos os nomes próprios, mesmo que sejam impronunciáveis, devem ser rigidamente respeitados” (tradução nossa).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p>“Na idade em que os Nomes, nos oferecendo a imagem do incognoscível que neles vertemos, no mesmo instante em que também designam para nós um lugar real, obrigam-nos assim a identificar a ambos, a ponto de irmos procurar numa cidade uma alma que ela nãos pode conter, mas que já não temos o poder de expulsar do seu nome, não é apenas às cidades e aos rios que eles dão uma individualidade, como o fazem as pinturas alegóricas, não é apenas ao universo físico que matizam de diferenças, que povoam de maravilhoso, é também ao universo social: então cada castelo, cada mansão ou palácio tem sua dama, ou a sua fada, como as florestas seus gênios, e suas divindades as águas” (QUINTANA, 1953, p. 2).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>13</label>
				<p>“o pertencimento a tal grupo social, a tal espaço geográfico” (tradução nossa).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>14</label>
				<p>“disse o duque que nunca chegara a conhecer o significado exato de algumas palavras” (tradução nossa).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn15">
				<label>15</label>
				<p>“criar problemas” (tradução nossa).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn16">
				<label>16</label>
				<p>“domínios linguageiros e literários” (tradução nossa).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn17">
				<label>17</label>
				<p>QUINTANA, Mario. <italic>Mario Quintana: poesia completa</italic>. (Org.) Tania Franco Carvalhal. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 2005.</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
</article>