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				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Revista de Tradução e Terminologia</abbrev-journal-title>
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				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9511.v33i0p70-97</article-id>
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					<subject>Articles</subject>
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				<article-title>O perfil de tradutores de textos especializados atuantes no mercado brasileiro: perspectivas, problemas e expectativas</article-title>
				<article-title xml:lang="en">Profile of translators of specialized texts in Brazil: perspectives, problems, and expectations</trans-title>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">https://orcid.org/0000-0002-3450-5811</contrib-id>
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						<surname>Vilela</surname>
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						<surname>Pimentel</surname>
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				<institution content-type="orgdiv1">Programa Interdisciplinar de Linguística Aplicada</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio de Janeiro</institution>
				<institution content-type="original">Wisley do Carmo Vilela é mestrando do Programa Interdisciplinar de Linguística Aplicada da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E-mail: wisley@wisley.net.</institution>
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				<label>**</label>
				<institution content-type="orgdiv1">Departamento de Letras Anglo-Germânicas</institution>
				<institution content-type="orgdiv2">Programa Interdisciplinar de Linguística Aplicada</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio de Janeiro</institution>
				<institution content-type="original">Janine Pimentel é Professora Adjunta do Departamento de Letras Anglo-Germânicas e do Programa Interdisciplinar de Linguística Aplicada da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E-mail: janine.m.pimentel@gmail.com.</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
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				<month>01</month>
				<year>2021</year>
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			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
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			<volume>34</volume>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>A tradução de textos sobre assuntos técnicos e especializados está pervasivamente presente na vida do brasileiro mediano. Não obstante a ampla disseminação desse tipo de conteúdo traduzido, pouco se percebe, nesse cenário, a figura do tradutor. O objetivo deste artigo é analisar os dados coletados em pesquisa de sondagem sobre o perfil de tradutores atuantes no mercado brasileiro de tradução especializada. Existem estudos deste tipo sobre outros mercados (norte-americano e europeu), como por exemplo o trabalho pioneiro de <xref ref-type="bibr" rid="B17">Venuti (1995)</xref> que denunciou a invisibilidade do tradutor literário, mas poucos sobre o mercado brasileiro de tradução especializada. Nesta pesquisa, obtiveram-se respostas relacionadas à percepção que os profissionais de tradução têm de si mesmos e das condições de trabalho atuais nesse mercado.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>Translations of texts with technical and specialized contents are more and more part of everyday lives of Brazilian people. However, translators are rarely visible, despite the wide spread production of that kind of translated materials. This paper aims at presenting and analyzing data collected from a survey about the profile of translators working in the Brazilian market of specialized translation. There are similar studies about other translation markets, such as the pioneer study of <xref ref-type="bibr" rid="B17">Venuti (1995)</xref> that depicts the invisibility of the translator of literary texts in North America, but few studies focus on the Brazilian market and even less on the market of specialized translation. The research presented here discusses results obtained about the perceptions that professional translators have of themselves as well as of the current working conditions in that market segment.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Tradução especializada</kwd>
				<kwd>Mercado de tradução</kwd>
				<kwd>Perfil do tradutor no Brasil</kwd>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Specialized translation</kwd>
				<kwd>Translation market</kwd>
				<kwd>Profile of translators in Brazil</kwd>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>1. Introdução</title>
			<p>Usam-se no Brasil, de forma intercambiável, os termos “tradução técnica” e “tradução especializada” para referir ao que não se encaixa em “tradução literária”, ou “autoral”. O mecanismo de busca do Google retorna 12.600 resultados para a consulta “tradução especializada”, e 65.300 resultados para a consulta “tradução técnica”, demonstrando a preferência por este termo, em detrimento daquele. Frequentemente se despercebe, com o uso metonímico do termo “tradução técnica”, que a tradução técnica é apenas um dos corolários da tradução especializada, que inclui “tradução geral, tradução científica, tradução técnica, tradução jurídica, tradução médica, e outras” (<xref ref-type="bibr" rid="B9">MAYORAL ASENSIO 2016</xref>: 124). Apesar de concordamos com Mayoral Asensio quando este argumenta que “qualquer tentativa de categorizar a atividade humana - neste caso, a tradução - resulta em uma “simplificação excessiva” e que “classificações usualmente contêm um forte componente de subjetividade” (<xref ref-type="bibr" rid="B9">MAYORAL ASENSIO 2016</xref>: 127-128), neste trabalho empregaremos o termo “tradução especializada” para referir ao exercício da tradução de textos não-literários (<xref ref-type="bibr" rid="B6">FRANCO AIXELÀ 2016</xref>: 133-4).</p>
			<p>No seu livro de <xref ref-type="bibr" rid="B15">2015</xref>, <italic>Specialised Translation: Shedding the ‘Non-Literary’ Tag</italic> (Tradução especializada: abandonando a etiqueta “não-literária”), Margaret Rogers sublinha que a tradução especializada tem um grande peso no mercado global da tradução, citando a estimativa do pioneiro Wolfram Wilss (<italic>Translation and Interpreting in the 20th Century</italic>, 1999), segundo o qual a tradução especializada correspondia já naquela época a 80% do volume total de trabalho no mercado da tradução. As demandas por tradução especializada requerem profissionais ágeis, confiáveis e com um excelente domínio das mais diversas ferramentas de tradução, mas frequentemente os autores de tais demandas oferecem tarifas irrisórias, risíveis e abusivas, para além de negarem qualquer espaço no documento traduzido para atribuição de crédito ao tradutor. O mesmo padrão se repete no campo acadêmico, no que diz respeito à tradução de contratos e acordos de cooperação internacional para a pesquisa, e na tradução de resumos de artigos científicos, por exemplo. A intermediação das agências de tradução, que muitas vezes operam sistemas predatórios de precificação, pouco, se é que algo faz para atribuir reconhecimento ao tradutor e dignidade à sua profissão.</p>
			<p>O cenário de marginalização e apagamento do tradutor de textos especializados contrasta nitidamente com o que ocorre na esfera da tradução literária, cujos tradutores recebem muito mais reconhecimento, ainda que o reconhecimento granjeado por tradutores autorais longe esteja do ideal. Basta pensarmos que alguns tradutores de textos literários são famosos, como é o caso dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos e da recém falecida tradutora dos livros da série <italic>Harry Potter</italic>, Lia Wyler. Todavia, muito dificilmente conseguiremos lembrar o nome de um famoso tradutor de textos especializados. Em tal contexto de apagamento deste tipo de profissional, ressaltamos a pertinência e a necessidade de esforços para traçar o perfil do tradutor de textos especializados no mercado brasileiro. Existem estudos deste tipo sobre outros mercados (norte-americano e europeu), como por exemplo o trabalho pioneiro de <xref ref-type="bibr" rid="B17">Venuti (1995</xref>) que denunciou a invisibilidade do tradutor literário, mas poucos sobre o mercado brasileiro de tradução especializada. Um dos fatores que contribuíram para atenuar essa invisibilidade foi precisamente o desenvolvimento de estudos centrados nos agentes de tradução como aqueles de <xref ref-type="bibr" rid="B3">Buzelin (2011</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B11">Milton e Bandia (2009</xref>). Esses estudos podem ser empíricos e assumir diversas formas: “incluindo sondagens globais sobre o status de tradutores e intérpretes, entrevistas a tradutores […]” (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BUZELIN 2011</xref>: 9).</p>
			<p>Neste trabalho, buscamos analisar dados parciais coletados em pesquisa de sondagem realizada no ano de 2016 sobre o tradutor de textos especializados, a partir de sua própria perspectiva, em sua relação com o mercado brasileiro de tradução. Este tipo de pesquisa se assemelha a outras realizadas por pesquisadores estrangeiros com o objetivo de se conhecer melhor um determinado mercado (<xref ref-type="bibr" rid="B4">DAM; ZETHSEN 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B8">JÄÄSKELÄINEN; KUJAMÄKI; MÄKISALO 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B14">RICO PÉREZ; GARCÍA ARAGÓN 2016</xref>). Obtiveram-se respostas relacionadas à percepção que os profissionais de tradução engajados no mercado brasileiro têm de si mesmos em relação ao mercado. A modesta contribuição neste trabalho, esperamos, pode ser útil ao mapeamento do que é considerado satisfatório e o que pode melhorar naquela relação.</p>
			<p>O artigo está organizado da seguinte forma. Primeiramente, apresentamos um panorama dos estudos sobre o perfil do tradutor, conforme descrito por autores com foco nos mercados norte-americano, europeu e brasileiro. A seguir, abordamos aspectos metodológicos da pesquisa que precedeu e deu origem a este trabalho. Por fim, analisamos os dados coletados como parte da pesquisa e procuramos encontrar relações entre o perfil do tradutor especializado e o mercado brasileiro de tradução.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>2. Estudos sobre o perfil do profissional de tradução</title>
			<p>É verdade que o reconhecimento do tradutor engajado em tradução literária, embora bem melhor que a situação de apagamento do tradutor observada na tradução especializada, tem ainda muita margem para expansão e consolidação. Em sua análise sobre a “invisibilidade do tradutor” no mercado anglo-americano da tradução literária, Lawrence Venuti declara que a “invisibilidade do tradutor é [...] uma forma misteriosa de auto-aniquilação, um modo de perceber e praticar a tradução que indubitavelmente reforça seu status marginal na cultura anglo-americana” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">VENUTI 1995</xref>: 8). “O discurso fluente”, argumenta Venuti, cria uma transparência ilusória que “esconde numerosas condições sob as quais a tradução é feita, a começar pela intervenção crucial que o tradutor faz no texto estrangeiro” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">VENUTI 1995</xref>: 1). A demanda por discurso fluente coloca em operação um manto paradoxal de invisibilidade que, para ser mantido, requer enérgica intervenção do tradutor na domesticação do texto estrangeiro. Fiel ao dito popular “quem não é visto, não é lembrado”, a figura do tradutor é diminuída ou simplesmente esquecida. Venuti observa que, não obstante os esforços para reverter o apagamento da figura do tradutor pela criação de centros de tradução em universidades inglesas e americanas, “os tradutores recebem reconhecimento mínimo”, sendo que “a menção típica do tradutor se restringe a uma nota marginal em que frequentemente o que se avalia é a transparência da tradução” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">VENUTI 1995</xref>: 8).</p>
			<p>A inclusão das observações de Venuti faria pouco sentido se não realçassem o efeito ainda mais devastador que a invisibilidade do tradutor tem sobre a tradução especializada. No contraste entre o nicho examinado por Venuti e o nicho sob escrutínio neste trabalho, há nuanças de motivação, pois talvez o fator determinante não seja o “discurso fluente”; de público, visto que o tradutor especializado dificilmente será alvo da crítica literária; há diferenças entre o mercado brasileiro e o mercado anglo-americano de tradução; e, por fim, há a um lapso temporal, posto que as observações de Venuti datam de 1995 e se referem a largos períodos anteriores àquela data, ao passo que este trabalho procura analisar aspectos do quadro atual da tradução especializada no Brasil. Não obstante as variações acima, o efeito de auto-aniquilação da invisibilidade sobre o tradutor atuante na tradução especializada é o mesmo, salvo que muito mais poderoso.</p>
			<p>Para avançarmos na direção de contribuir com uma descrição do perfil do profissional de tradução é necessário considerar o significado do termo “profissão” em relação ao tradutor. Essa questão é muito pertinente ao cenário brasileiro em que a profissão de tradutor não é regida por um órgão oficial, tal como o CREA, por exemplo, que existe para regular o exercício da profissão de engenheiro. Tão pouco é regida por uma lei específica. <xref ref-type="bibr" rid="B5">Fernandez (2017</xref>) enumera quatro blocos de leis que regulam, de forma apenas indireta, a profissão de tradutor: a Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998); Leis sobre Tradutor Público e Intérprete Comercial (Decreto nº 13.609, criado em 1943), leis sobre Tradutores e Intérpretes de carreira efetiva (Lei nº 11.091/05, em seu Anexo II alterada pela Lei nº 11.233/05), e leis que tratam do Tradutor e Intérprete de LIBRAS (Lei Federal nº 12.319, criada em 2010 e Decreto nº 5.626 de 2005).</p>
			<p>Na prática, como observado por Perrotti-Garcia, a falta de uma legislação específica para o profissional de tradução significa que, no Brasil, qualquer pessoa que se julgue capaz de traduzir pode oferecer e vender seus serviços de tradução (<xref ref-type="bibr" rid="B12">PERROTI-GARCIA 2016</xref>: 39). Isso pode dar uma primeira impressão de que ser tradutor é simplesmente uma questão de dominar um segundo idioma ao ponto de ser capaz de verter na língua meta o texto na língua fonte. Um exame mais detido revelará situação muito mais complexa. A natureza encapsulada do trabalho da tradução talvez tenha implicações no modo como o tradutor percebe a si mesmo e, portanto, em como se identifica. Dam e Zethsen, em trabalho intitulado <italic>The status of professional business translators on the Danish Market</italic> (O status dos tradutores profissionais de negócios no mercado dinamarquês), examinam a questão da identidade do tradutor no mercado dinamarquês e oferecem uma definição do termo “profissional” que pode ser útil em nossa análise do que acontece no mercado brasileiro de tradução em relação a esse assunto. Elas explicam que usam o termo “profissional” para referir a “tradutores que reúnem determinado conjunto de qualificações”, assim como a uma “pessoa que exerce uma ocupação, neste caso a tradução, como fonte de renda” (<xref ref-type="bibr" rid="B4">DAM; ZETHSEN 2011</xref>: 977-978). As dinamarquesas também citam a proposta de <xref ref-type="bibr" rid="B18">Weiss-Gal e Welbourne (2008)</xref>, que apresentam oito critérios segundo os quais o status de profissão/profissional seria estabelecido:</p>
			<disp-quote>
				<p>reconhecimento público do status profissional, (2) monopólio profissional sobre tipos específicos de trabalho, (3) autonomia profissional, (4) detenção de uma base de conhecimento distintiva, (5) educação profissional regulada por membros da profissão, (6) uma organização profissional eficaz e (8) remuneração e prestígio condizentes com o status profissional (<xref ref-type="bibr" rid="B4">DAM; ZETHSEN 2011</xref>: 978-979).</p>
			</disp-quote>
			<p>A tradução é profissão regulamentada na Dinamarca desde 1966. Não obstante, para as autoras, a tradução ali ainda seria uma semi-profissão, por causa da falta de reconhecimento do status profissional, da falta de monopólio sobre determinado tipo de trabalho, e de questões relacionadas ao prestígio e à remuneração condizentes com a tradução.</p>
			<p>Ainda sobre a questão do profissionalismo no campo da tradução, as pesquisadoras finlandesas <xref ref-type="bibr" rid="B8">Jääskeläinen et al. (2011</xref>), em <italic>Towards professionalism - or against it?</italic> (Em prol do profissionalismo, ou contra ele?)<italic>,</italic> examinam a noção de profissionalismo e argumentam que “uma maneira de resolver o dilema da definição é a pragmática: qualquer pessoa que ganhe o sustento exercendo a tradução é tradutor profissional” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">JÄÄSKELÄINEN; KUJAMÄKI; MÄKISALO 2011</xref>: 146). As autoras observam que essa simplificação seria insuficiente para aqueles que defendam que a qualidade do serviço realizado deveria ser tomada em conta no processo de definição. Ao mesmo tempo, convém lembrar que o mercado tem seus próprios mecanismos de triagem e seleção, no que diz respeito à qualidade da tradução, que atuam no reconhecimento ou rejeição do tradutor como profissional. As autoras incluem observações sobre o papel da educação na formação do profissional e argumentam que “a profissão e a educação para exercê-la parecem ter estado lutando com questões de reconhecimento e remuneração adequada ao longo da curta história” da tradução profissional (<xref ref-type="bibr" rid="B8">JÄÄSKELÄINEN; KUJAMÄKI; MÄKISALO 2011</xref>: 144).</p>
			<p>Outro aspecto importante no levantamento de informações para traçar um perfil dos tradutores profissionais no Brasil é sua área de formação. Em seu artigo <italic>The Figure of the Factory Translator: University and Professional Domains in the Translation Profession</italic>, John <xref ref-type="bibr" rid="B10">Milton (2001</xref>: 3) observa que “muitos tradutores se tornaram tais vindos de outras profissões, em especial das áreas técnicas”. Segundo o autor, a academia é vista pelos tradutores como estando muito distante do mundo real da tradução, e fracassa em preparar profissionais para o mercado ao graduar alunos de tradução com pouco conhecimento de línguas e poucas habilidades tradutórias. Um resultado disso seria o pouco reconhecimento, ou a total desconsideração, por parte de empregadores em potencial, de alunos formados em cursos de línguas, tradução e interpretação (<xref ref-type="bibr" rid="B10">MILTON 2001</xref>: 3). Embora já se tenham passado quase duas décadas desde a publicação do artigo de Milton, parece haver pouca evidência de que o cenário nos âmbitos da academia e da tradução especializada tenha passado por significativa alteração.</p>
			<p>Mais recentemente, na Espanha, <xref ref-type="bibr" rid="B14">Rico Pérez e García Aragón (2016)</xref> realizaram um estudo do mercado de tradução com o objetivo de</p>
			<disp-quote>
				<p>reforçar a visibilidade do setor graças a uma iniciativa em que se apresentam dados inexistentes até ao momento e que trazem um benefício para o mercado da tradução e suas possibilidades de internacionalização, inovação e geração de emprego (<xref ref-type="bibr" rid="B14">RICO PÉREZ; GARCÍA ARAGÓN 2016</xref>: 12).</p>
			</disp-quote>
			<p>Nesse estudo, utilizaram uma metodologia própria para investigações de mercado que inclui a identificação, análise, difusão e uso sistemático de informações que servirão para ajudar a tomar decisões ligadas a problemas e oportunidades identificadas num determinado mercado. Os dados primários da pesquisa foram gerados a partir de entrevistas não estruturadas e os dados secundários foram extraídos de bases de dados. A partir dessas bases de dados, contabilizaram o número de empresas de tradução ativas nas diversas províncias espanholas e a cota de mercado que cada uma tem. As perguntas das entrevistas cobriram os seguintes temas: perfil da empresa - estrutura e perfil dos empregados; perfil da empresa - tamanho e volume de negócios; tipos de clientes e de negócio; uso de tecnologias; planos para expansão e desenvolvimento. Cerca de 35% das entrevistas foram respondidas por tradutores atuantes em empresas e 65% por tradutores autônomos, o que sugere que estes últimos tiveram mais interesse em ajudar na pesquisa em causa.</p>
			<p>Dentre os achados da pesquisa espanhola, destacamos os desafios e tendências no mercado de tradução na Espanha. Para os entrevistados, no âmbito das negociações, a pressão pela redução de preços e a exigência de entrega de trabalhos em prazos apertados constituem os desafios mais importantes. O uso de tradução automática e a disponibilidade de recursos de informática são os principais desafios, na esfera da tecnologia. A pesquisa apontou que a concorrência desleal é o mais relevante problema do mercado espanhol de tradução. Atrelada a isso, os entrevistados apontaram a educação do cliente como a tendência mais importante para o mercado, em 2015. De uma forma geral, qualidade, ética e a relação com o cliente foram apontadas como aspectos mais importantes da indústria da tradução (<xref ref-type="bibr" rid="B14">RICO PÉREZ; GARCÍA ARAGÓN 2016</xref>: 92-97).</p>
			<p>No contexto brasileiro, é importante mencionar a pesquisa que a Associação Brasileira de Tradutores (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Abrates</xref>) fez em meados de 2015 com cerca de 900 participantes e que procurava traçar um perfil dos tradutores e intérpretes no Brasil. Esse estudo, baseado em pesquisa de sondagem, revelou a necessidade urgente de regulamentação da profissão. Entre outras descobertas interessantes, mostrou também que tradutores e intérpretes com bacharelado em tradução têm salários mais elevados do que aqueles que não têm um bacharelado na área, o que prova que uma formação acadêmica na área da tradução é um caminho seguro para o sucesso profissional.</p>
			<p>Sobre o campo editorial, ressaltamos o trabalho de <xref ref-type="bibr" rid="B13">Pimentel (2017</xref>), que procurou por traços de visibilidade de tradutores de textos especializados em diversas áreas do conhecimento, tais como matemática, física, química, etc., em publicações brasileiras lançadas entre 1956 e 2016. Diante da constatação de que os Estudos da Tradução se concentram primariamente na tradução literária, o estudo da autora preenche uma lacuna naqueles estudos ao traçar um perfil dos profissionais de um segmento da tradução especializada no Brasil, com base nos paratextos contribuídos pelos tradutores e nas informações sobre o tradutor na obra traduzida. As constatações da autora dão conta de que há um avanço no sentido de tornar mais visível a figura do tradutor na tradução especializada. O material avaliado, traduzido no Brasil ao longo de 60 anos, demonstra a tendência de o tradutor receber mais espaço nos paratextos das publicações que este traduz. A autora conclui enfatizando a necessidade de se traçarem “planos de valorização deste profissional da tradução [...] que tem vindo a desempenhar um papel cada vez mais ativo no intenso mercado de tradução brasileiro” (<xref ref-type="bibr" rid="B13">PIMENTEL 2017</xref>: 575).</p>
			<p>Levando este panorama em consideração, é evidente a necessidade de conhecer melhor as opiniões que os tradutores têm sobre o mercado brasileiro de tradução. Como afirma Buzelin (2009: 8): “[...] o foco nos tradutores e suas práticas pode ser sentido por esta profissão como algo empoderador”. A seguir, apresentamos os aspectos mais relevantes da metodologia adotada em conexão com a pesquisa que deu origem a este trabalho.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>3. Metodologia</title>
			<p>A pesquisa indutiva de que trata este trabalho foi desenvolvida a partir de uma abordagem qualitativa e quantitativa, visto que a natureza complexa do fenômeno examinado requer ambas as metodologias (<xref ref-type="bibr" rid="B16">ROTH; HENDGES 2013</xref>: 113-114). O escopo do projeto de pesquisa do qual deriva este trabalho é mais amplo do que o aqui abrangido, pois a pesquisa, na sua forma mais ampla, visa analisar o panorama atual da tradução especializada no Brasil, nomeadamente: (i) os participantes e as características do mercado da tradução especializada (discurso sobre a tradução, workflow, áreas de especialidade, tecnologias); (ii) as traduções especializadas publicadas (áreas de especialidade, paratextos, prefácios e notas do tradutor, etc.); (iii) a pesquisa sobre este tipo de tradução (teorias e metodologias da tradução, discurso sobre a tradução).</p>
			<p>A metodologia seguida na versão alargada do projeto inclui etapas tangencialmente relacionadas, mas que fogem do escopo mais restrito deste trabalho. A primeira etapa consistiu na preparação de uma entrevista com o auxílio de um formulário on-line, baseado na tecnologia do Google Forms. As questões contemplaram os seguintes pontos principais de informação sobre tradutores especializados, agências de tradução e sobre geradores de demanda por tradução especializada: localização geográfica, faixa etária, áreas de formação, de conhecimento e de expertise, tempo experiência como tradutor especializado, jornada semanal em serviços de tradução, ocorrência de exercício concomitante de outra profissão com a tradução, pares de idiomas de trabalho, avaliação do mercado brasileiro e expectativas, relacionamento com outros profissionais, principais ferramentas CAT (<italic>Computer-Aided Translation</italic>), prós e contras de trabalhar como tradutor freelancer, principais dificuldades em relação ao mercado brasileiro de tradução, satisfação com a remuneração pelo trabalho e o reconhecimento da profissão; e principais formas de cobrança por serviços de tradução (cf. Anexo A).</p>
			<p>Em 14/05/2016, o formulário on-line foi disponibilizado para testes no website do projeto de pesquisa e, alguns dias mais tarde, em uma página do Facebook<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> criada especificamente para essa finalidade. A coleta de respostas em regime de produção teve início em 06/06/2016, e se estendeu até 07/02/2017. Durante esse período, foram coletadas 123 respostas. Os critérios para aceitação das respostas requeriam que os informantes não trabalhassem exclusivamente com tradução literária e que estivessem situados no contexto brasileiro da tradução especializada.</p>
			<p>As estratégias para divulgar a pesquisa e convidar informantes empregaram redes e associações de profissionais, como o LinkedIn e a Abrates (Associação Brasileira de Tradutores), nichos de tradução em redes sociais, como grupos de tradutores nas plataformas do Facebook e do Google Plus, e contatos acadêmicos com grupos de tradução em outras universidades, como o grupo de pesquisa sobre tradução da UNASP (Centro Universitário Adventista de São Paulo). Adotou-se o sistema de encurtamento de URLs do Google<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> para contabilizar o número de acessos ao formulário durante o período de coleta. Todas as divulgações nessas redes continham um link encurtado pelo <italic>Google URL Shortener</italic>, cujos cliques são rastreados, de modo que se pode determinar com precisão quantos acessos cada link gerou. O formulário de respostas teve 633 acessos durante o período de coleta de respostas.</p>
			<p>Após a coleta, os dados foram exportados para planilhas Excel. A preparação dos dados para análise incluiu a segmentação das informações e a verificação de consistência para validação das respostas. A seguir, a análise dos dados foi feita com o auxílio dos programas de computador RapidMiner Studio (v. 8.2), TRIFACTA Wrangler, e com o Microsoft Excel. A análise compreendeu o levantamento de relações entre o <italic>background</italic> dos informantes e suas expectativas com relação ao mercado, preferências de ferramentas CAT (<italic>Computer-Aided Translation</italic>), informações sobre agências de tradução e sobre contratantes de serviços de tradução especializada. Gráficos e tabelas foram gerados com o intuito de facilitar a análise dos dados.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>4. Traçando o perfil dos tradutores</title>
			<p>A localização geográfica do tradutor tem importância secundária para o exercício de sua profissão. Os contatos com geradores de demanda por serviços de tradução são feitos primariamente via Internet e e-mail. O acesso a recursos úteis à tradução, tais como bancos terminológicos e glossários, é mais fácil de ser obtido on-line. Não se pode atribuir a aglomeração de tradutores percebida na <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref> a esses fatores, portanto. Embora seja impossível medir a influência da localização geográfica de onde se origina a pesquisa com base nos dados disponíveis, o fato de sua sede ser a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) certamente teve alguma influência nesses resultados. Além disso, dos 108 informantes que são tradutores freelancers, 45% exercem outras atividades profissionais que podem demandar sua permanência em um grande centro urbano. A jornada semanal em trabalhos de tradução de 32% dos informantes não excede dez horas. Por fim, a sazonalidade das demandas por serviços de tradução e a resultante instabilidade financeira são apontadas entre os principais aspectos negativos da profissão. Isso reforça o argumento de que, embora o trabalho do tradutor especializado possa ser feito a distância, tal trabalho como única fonte de renda pode não ser suficiente para a subsistência, o que explicaria a permanência desses profissionais em grandes centros urbanos como Rio de Janeiro (42%) e São Paulo (34%).</p>
			<p>Estaria incompleto um perfil do tradutor que não contemplasse minimamente pares linguísticos. Dentre os 108 informantes, 86% trabalham com o par português-inglês. A seguir, português-espanhol é o par linguístico de trabalho de 34% dos informantes. Português-francês é próximo par mais recorrente como campo de trabalho de 7,4% dos informantes. Outras línguas contempladas com menor recorrência foram: italiano, japonês, sueco, norueguês, alemão, grego, hebraico e guarani. Os dados apontam que 35% dos informantes trabalham com mais de um par de idiomas, sendo a combinação mais frequente o português-inglês com o português-espanhol (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>).</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1:</label>
					<caption>
						<title>Informantes por Estado</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-34-70-gf1.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>Com base em duas pesquisas, respectivamente realizadas em 1999 e em 2001, John Milton argumenta que “muitos tradutores iniciam na profissão da tradução vindos de outras profissões, notadamente das áreas técnicas. Por exemplo, muitos tradutores de textos técnicos são engenheiros, etc.” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">MILTON 2001</xref>: 3). O autor ressalva que isso parecia ocorrer mais no caso de homens do que no caso de mulheres. Como explicamos na seção de metodologia, a pesquisa de que deriva este trabalho não contemplou a questão de gênero, de modo que os dados disponíveis não dão margem para a suposição de que o mercado brasileiro da tradução especializada tenha mudado desde as pesquisas conduzidas por John Milton. O que nossos dados indicam inequivocamente é que, dentre os 76% dos informantes que indicaram sua área de formação, 70% receberam formação acadêmica em cursos de Letras.</p>
			<p>O gráfico a seguir indica que as faixas etárias C e D (de 31 a 50 anos) constituem 55% do total de informantes. Os informantes com idades até 30 anos somam 21% do número total. Os 24% restantes estão na faixa entre 51 e mais de 70 anos de idade (<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>).</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Figura 2:</label>
					<caption>
						<title>Informantes por faixa etária</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-34-70-gf2.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>Os profissionais na faixa etária dos 41 aos 50 anos fizeram a melhor avaliação do mercado, no que diz respeito à remuneração, condições de trabalho, reconhecimento profissional e outros fatores relacionados ao exercício da tradução como profissão. Nas demais faixas, a avaliação não ultrapassou o índice três, considerando-se uma escala de um a cinco.</p>
			<p>O baixo índice de satisfação com o mercado é corroborado pelas observações dos informantes sobre as principais dificuldades e obstáculos para o exercício da profissão. Conforme se observa no gráfico abaixo (<xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref>), as três principais queixas contra o mercado são a baixa remuneração, a falta de</p>
			<p>reconhecimento da profissão e do profissional e as práticas predatórias e antiéticas de agências de tradução. Os números à direita das barras horizontais no gráfico referem a quantas vezes os problemas na coluna à esquerda foram citados pelos informantes. A falta de regulamentação da profissão é a sexta queixa mais frequente, precedida pela carga tributária/burocracia e pela instabilidade financeira.</p>
			<p>
				<fig id="f3">
					<label>Figura 3:</label>
					<caption>
						<title>Principais dificuldades </title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-34-70-gf3.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>A declaração do informante número 82, sobre as principais dificuldades enfrentadas pelos tradutores especializados, abarca algumas das principais queixas, como segue:</p>
			<disp-quote>
				<p>Precarização das condições de trabalho e fragmentação da força de trabalho: a forma mais comum de se ingressar no mercado da tradução técnica (especializada) para os iniciantes (que não tem QI, vulgo, Quem Indica) é através da prestação de serviço para agências de tradução. Infelizmente, não há uma entidade representativa que consiga regular as práticas de mercado das agências (o SINTRA tem iniciativas como a tabela de referência, mas nenhuma ação eficaz nesse sentido). Os tradutores freelancers são uma força de trabalho fragmentada e não regulamentada, o que facilita a imposição de condições abusivas pelas agências. Além disso, não se discute questões práticas (como reconhecer e recusar uma proposta abusiva em termos de prazo, valor etc.) abertamente com os iniciantes. Nas raras ocasiões em que se discute tais questões, é de uma forma contraditória e superficial como, por exemplo, quando se diz que é um absurdo os tradutores se prostituírem a R$ 0,05 por palavra, mas ao mesmo tempo se diz que qualquer oportunidade é válida para ganhar experiência. - Informante n.° 82, Campinas/SP, em 21/12/2016.</p>
			</disp-quote>
			<p>O informante acima toca em questões fundamentais que carecem de resolução, se uma melhora significativa há de ocorrer na dinâmica do mercado de tradução especializada. Esse informante foi um dos dezenove que denunciaram práticas abusivas por parte de agências de tradução que centralizam demandas, fracionam o trabalho e distribuem remuneração irrisória aos tradutores. O informante n.º 29, que conta mais de 21 anos de experiência em tradução e que trabalha exclusivamente com tradução especializada em jornada de mais de 40 horas semanais, denunciou o “canibalismo e o <italic>dumping</italic> nos preços” (em 21/06/2016). Há inúmeras queixas contra a adoção dessas práticas por aspirantes a tradutor, no que parece uma estratégia ingênua e pouco eficaz de se firmar na profissão. Ao aceitarem pagamentos muito abaixo do valor de mercado, tais aspirantes criam um ciclo de demanda por preços cada vez mais baixos por parte de clientes e agências inescrupulosos, ciclo esse que repercute nas questões de reconhecimento profissional e invisibilidade do tradutor especializado.</p>
			<p>As expectativas com relação ao mercado brasileiro de tradução não são melhores do que a avaliação das condições atuais feita pelos informantes. Em uma escala de um a cinco (1 = péssimo, 5 = ótimo) o índice médio foi três (neutro). A segmentação das respostas por tradutores cuja única atividade profissional é a tradução, em oposição aos que exercem outra profissão concomitantemente com a tradução, não resultou em variação significativa desse índice. Essa falta de entusiasmo talvez se deva, em parte, às crises política, econômica e moral que abatem o Brasil, visto que se percebe apatia similar na população brasileira economicamente ativa em outras áreas. Além da ampla influência das crises, as principais dificuldades apontadas pelos informantes desvelam possíveis causas do baixo nível de confiança na melhoria do cenário.</p>
			<p>O gráfico de expectativas por faixa etária sugere que profissionais em início de carreira tendem a ter expectativas, com relação ao mercado de tradução, ligeiramente mais elevadas. Os profissionais nas faixas B (entre 21 e 30 anos), C (entre 31 e 40 anos), D (entre 41 e 50 anos), E (entre 51 e 60 anos) e F (entre 61 e 70) avaliaram suas expectativas como neutras (<xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref>). Os informantes nessas faixas correspondem a 97,2% do total de informantes. As variações de 1,9%, dos que nutrem boas expectativas, e de 0,9%, de um informante que espera o pior cenário, podem ser consideradas pontos fora da curva.</p>
			<p>
				<fig id="f4">
					<label>Figura 4:</label>
					<caption>
						<title>Avaliação do mercado por faixa etária</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-34-70-gf4.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>A atitude apática subjacente a uma avaliação neutra parece mais preocupante do que uma avaliação inequivocamente negativa. Tal atitude parece comunicar que o mercado da tradução no Brasil tem sido assim e assim há de continuar, como se uma desconfortável zona de conforto tivesse sido ocupada e pouco se desejasse fazer para sair dela. Uma avaliação mais negativa supostamente poderia gerar mais inquietação e, consequentemente, resultar em ações mais incisivas em direção a mudanças. Do modo como está, o coletivo de tradutores especializados, cujo perfil procuramos delinear para compreender, se assemelha a um barco à deriva, à mercê de ventos implacáveis que o afastam mais e mais de qualquer porto seguro. O coletivo precisa traçar uma trajetória, içar velas e agarrar os remos para produzir a mudança. Isso nos leva a outro aspecto do perfil do tradutor, como segue.</p>
			<p>Não é novidade que traduzir qualquer texto requer concentração e constante esforço mental. Um ambiente silencioso e sem maiores distrações supostamente será considerado mais adequado ao exercício da tradução. Tradutores freelancers, quase que invariavelmente, reservam espaço de trabalho em seus próprios lares, o que os isola fisicamente de outros profissionais da área. Esse fato lança luz sobre os motivos de 53% dos informantes terem relatado que não recorrem a outros profissionais para solicitar ou oferecer ajuda, em oposição aos 47% que afirmaram fazer isso, embora não tenham indicado com que frequência o fazem.</p>
			<p>Parece evidente que o isolamento físico tem impacto no grau de compartilhamento de experiências no exercício da profissão do tradutor especializado. Outro fator que talvez contribua para o isolamento profissional está associado aos prazos requeridos pelos geradores de demanda. Diferentemente da tradução literária, cujos prazos são mais largos, o prazo para entrega de tradução especializada é, em geral, “para ontem”. Isso não apenas tem impacto na qualidade dos textos traduzidos, como reforça o grau de isolamento profissional do tradutor, que se encontra sem tempo para buscar, ou oferecer, ajuda de outros profissionais. Um terceiro fator a ser verificado nessa dinâmica do isolamento tem que ver com a questão do ego. É possível que muitos se refreiem de buscar ajuda de outros profissionais por se preocuparem com o modo como sua imagem profissional seria afetada, caso o fizessem.</p>
			<p>Pareceu relevante incluir neste estudo sobre o perfil dos tradutores o uso que estes fazem, ou deixam de fazer, das ferramentas de auxílio à tradução, ou CAT (<italic>Computer-Aided Translation</italic>). Essas ferramentas funcionam como memórias de tradução integradas a mecanismos de reconhecimento de construções linguísticas na língua de origem e subsequente proposição de soluções tradutórias, se houver correspondência nos dados armazenados. Caso tal correspondência não exista na memória de tradução, a solução humana adotada para o segmento em tradução é armazenada para possível uso futuro.</p>
			<p>As ferramentas CAT podem poupar muito tempo de pesquisa, em especial no que diz respeito ao uso de termos técnicos. É prática comum contratantes de serviços de tradução exigirem da tradutora ou tradutor o uso de ferramentas CAT.</p>
			<p>A análise dos dados indica que 92,5% dos 93 informantes fazia uso de ferramentas CAT quando responderam ao questionário. O gráfico na figura abaixo indica as ferramentas CAT mais frequentemente usadas pelo grupo de informantes, considerando o grau médio de preferência em uma escala de um a cinco (<xref ref-type="fig" rid="f5">Figura 5</xref>). Note-se que as três primeiras ferramentas em grau de preferência (SDL Trados, memoQ e Wordfast) são software proprietário. A ferramenta <italic>open source</italic> OmegaT aparece em quarto lugar na escala de preferências. Embora os dados não contemplem as razões das escolhas dos informantes, é de se supor que o alto custo de licenciamento do software proprietário tenha relação com a preferência de alguns por software livre.</p>
			<p>
				<fig id="f5">
					<label>Figura 5:</label>
					<caption>
						<title>Comparativo de uso de ferramentas CAT.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-34-70-gf5.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>Os sete informantes que afirmaram não fazer uso de ferramentas CAT formam um grupo peculiar, no sentido de adotarem uma postura diferente da que adota a maioria no setor da tradução especializada. Tal postura lhes pode restringir o acesso a determinadas ofertas de trabalho e demandar mais tempo</p>
			<p>na realização de suas tarefas. Sobre esses profissionais, os dados indicam que se tratam de tradutoras e tradutores com mais tempo de experiência e de mais idade, como demonstram os gráficos nas figuras abaixo (<xref ref-type="fig" rid="f6">Figura 6</xref>).</p>
			<p>
				<fig id="f6">
					<label>Figura 6:</label>
					<caption>
						<title>Faixas etárias de tradutores que não usam ferramentas CAT.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-34-70-gf6.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>O gráfico na figura acima indica que 83,3% dos informantes no grupo dos que não usam ferramentas CAT têm mais de 50 anos de idade, sendo que 33,3% contam mais de 60 anos de idade. Isso parece guarnecer o argumento de que pessoas de mais idade, em geral, oferecem maior resistência a mudanças, neste caso, nas metodologias de trabalho que envolvem o uso das memórias de tradução.</p>
			<p>O tempo de experiência de tradutores que não fazem uso de ferramentas CAT está acima da média do tempo de experiência dos demais informantes. Os que contam mais de dez anos de experiência somam 85,7%, metade dos quais conta mais de 20 anos de experiência. Parece cabível questionar até que ponto o tempo de experiência influencia na decisão de não adotar o uso de ferramentas CAT. A resposta a essa pergunta complexa, que bem poderia ser escopo de um estudo inteiro, extrapola o escopo do presente trabalho. Ainda assim, parece plausível a ideia intuitiva de que a acentuada curva de aprendizado para utilização de memórias de tradução, aliada ao oneroso custo de licenciamento de uma nova ferramenta, esteja entre os fatores que desestimulam os profissionais nesse grupo a adotar o uso das CAT (<xref ref-type="fig" rid="f7">Figura 7</xref>).</p>
			<p>
				<fig id="f7">
					<label>Figura 7:</label>
					<caption>
						<title>Tempo de experiência de tradutores que não usam ferramentas CAT.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-34-70-gf7.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>A <xref ref-type="fig" rid="f8">Figura 8</xref><bold>Erro! Fonte de referência não encontrada.</bold> trata dos setores da economia que mais geram demandas por serviços de tradução especializada, segundo a análise dos dados contribuídos por agências e escritórios de tradução. Ao todo, dez escritórios e agências de tradução responderam à pergunta “quais são as áreas com maior demanda por tradução especializada?”, indicando em uma escala de um a cinco o setor de atuação de seus principais clientes.</p>
			<p>
				<fig id="f8">
					<label>Figura 8:</label>
					<caption>
						<title>Principais setores geradores de demanda por tradução.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-34-70-gf8.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>A análise dos dados indica que os setores de maior importância na geração de demanda por serviços de tradução, do ponto de vista das agências e escritórios de tradução informantes, são comércio internacional, turismo e saúde/farmacêutico. Observa-se uma distribuição equilibrada entre os atores, com exceção da indústria de eletroeletrônicos, que apresentou desempenho significativamente inferior.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>5. Considerações finais</title>
			<p>Neste trabalho procuramos traçar um perfil do tradutor especializado engajado no mercado brasileiro. Em primeiro lugar, fizemos um levantamento geral do status da profissão de tradutor com base em autores que comentaram esse tópico em relação a países como Estados Unidos da América (<xref ref-type="bibr" rid="B17">VENUTI 1995</xref>), Dinamarca (<xref ref-type="bibr" rid="B4">DAM; ZETHSEN 2011</xref>), Finlândia (<xref ref-type="bibr" rid="B8">JÄÄSKELÄINEN; KUJAMÄKI; MÄKISALO 2011</xref>), Espanha (<xref ref-type="bibr" rid="B14">RICO PÉREZ; GARCÍA ARAGÓN 2016</xref>) e ao Brasil (<xref ref-type="bibr" rid="B10">MILTON 2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">PIMENTEL 2017</xref>). Nas observações desses autores podem-se perceber variações no perfil local do tradutor e do mercado da tradução, como no caso da Dinamarca, onde a tradução é regulamentada há mais de cinco décadas. A invisibilidade do tradutor e as questões de remuneração inadequada, assim como a falta de reconhecimento do tradutor, são comuns aos perfis locais, mesmo nos lugares em que mais avanços foram conquistados. Em seguida, demos atenção à metodologia empregada neste trabalho para a coleta e análise dos dados.</p>
			<p>Os principais resultados da análise dos dados apontam para um cenário mercadológico em que a figura do tradutor especializado tem de se sujeitar ao total apagamento de sua imagem. Os problemas relatados pelos tradutores são de difícil solução, em parte por causa de um ciclo nocivo de isolamento, invisibilidade e exploração. Muitos dos informantes parecem acreditar que a regulamentação da profissão traria benefícios em forma de melhores preços, dignidade e reconhecimento profissionais. Tal regulamentação depende da integração e coordenação dos profissionais, com o objetivo de afinar o discurso sobre exigências e reinvindicações. Em isolamento, anônimos e sem coordenação, a mudança do cenário acima parece pouco provável de ocorrer.</p>
			<p>Um aspecto do perfil do tradutor especializado não abordado neste trabalho, que poderia também ser objeto de estudo em pesquisas futuras, é a questão de gênero na formação do tradutor para avaliar até que ponto as descobertas de John <xref ref-type="bibr" rid="B10">Milton (2001</xref>), de que as mulheres costumavam entrar na profissão via cursos de Letras e de formação de tradutores, correspondem à realidade atual do mercado de tradução.</p>
			<p>Como observação final, as interações entre o mercado de tradução e o perfil do tradutor especializado são muitas e muito complexas. Seria ingênuo supor que uma análise tal como a que aqui fazemos aponte soluções definitivas. Parece seguro, porém, afirmar que qualquer mudança significativa no cenário do mercado brasileiro de tradução especializada e no perfil de seus profissionais tem de ser precedida pela criação de mecanismos eficientes de articulação e coordenação dos interesses do tradutor especializado. Em última instância, alcançar tais interesses é do interesse de toda a comunidade brasileira que faz uso contínuo de serviços de tradução especializada.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ack>
			<title>Agradecimentos</title>
			<p>Gostaríamos de agradecer a todos aqueles que aceitaram responder aos questionários e aos alunos e alunas da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro que, de uma forma ou de outra, contribuíram para a pesquisa aqui apresentada.</p>
		</ack>
		<app-group>
			<app id="app1">
				<label>ANEXO A - Questionário</label>
				<p>1. Indicação de data e hora (fornecida pelo sistema)</p>
				<p><bold>DADOS PESSOAIS</bold></p>
				<p>2. Estado</p>
				<p>3. Cidade</p>
				<p>4. Nome (Opcional)</p>
				<p>5. Email (Opcional)</p>
				<p>6. Faixa etária</p>
				<p>7. Formação</p>
				<p><bold>ATIVIDADE PROFISSIONAL</bold></p>
				<p>8. Você trabalha exclusivamente com tradução literária?</p>
				<p><italic>Resposta afirmativa a essa pergunta desqualifica o informante e encerra a pesquisa.</italic></p>
				<p>9. Qual é a sua relação com a atividade de tradução?</p>
				<p>10. Como deu início à carreira de tradutor?</p>
				<p>11. Quanto tempo de experiência como tradutor/a?</p>
				<p>12. A tradução é a sua única atividade profissional?</p>
				<p>13. Qual é a média de horas de trabalho de sua jornada semanal?</p>
				<p>14. Com que par(es) linguístico(s) você trabalha?</p>
				<p>15. Qual é sua expertise?</p>
				<p><bold>MERCADO</bold></p>
				<p>16. Como você enxerga o mercado da tradução <italic>freelance</italic> no Brasil?</p>
				<p>17. Quais são suas expectativas quanto ao mercado da tradução <italic>freelance</italic></p>
				<p>no Brasil?</p>
				<p>18. Você costuma ajudar ser ajudado por outros profissionais?</p>
				<p>19. Prós e contras de ser <italic>freelancer</italic>: assinale cada <xref ref-type="table" rid="t1">item</xref> de acordo com sua preferência.</p>
				<p>
					<table-wrap id="t1">
						<table>
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="center"> </th>
									<th align="center">Pró</th>
									<th align="center">Neutro</th>
									<th align="center">Contra</th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="left">Conversa menor (fofoca) de escritório</td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Ser meu próprio chefe</td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Fazer apenas o trabalho que quero</td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Flexibilidade de horários</td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Não estar geograficamente restrito</td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Refeições em casa</td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Trabalhar a distância</td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Trabalhar só</td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>20. Há outros prós e contras que queira citar?</p>
				<p>21. Para você, qual é a maior dificuldade de ser tradutor(a) no Brasil?</p>
				<p>22. Qual é seu método de cobrança mais frequente</p>
				<p>23. Acha que seu trabalho é valorizado e bem remunerado?</p>
				<p><bold>FERRAMENTAS CAT</bold></p>
				<p>24. Informe CATs que usa e indique sua preferência na <xref ref-type="table" rid="t2">escala de 1 a 5</xref>:</p>
				<p>
					<table-wrap id="t2">
						<table>
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="left">Across</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Déjà Vu</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Fortix</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">GlobalSight</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">gtranslator</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Lokalize</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">MateCat</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">memoQ</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Memsource</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">OmegaT</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">SDL Trados</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">SmartCAT</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Wordfast</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>25. Alguma CAT de sua preferência não listada <xref ref-type="table" rid="t2">acima</xref>?</p>
				<p><bold>AGÊNCIAS DE TRADUÇÃO</bold></p>
				<p>2. Sua empresa está associada ao Sintra?</p>
				<p>27. Qual é a formação profissional de seus tradutores?</p>
				<p>28. Atribui-se crédito ao tradutor através de menção na versão final do trabalho?</p>
				<p>29. Que políticas de padronização tradutores <italic>freelancers</italic> devem observar?</p>
				<p>30. Marque os tipos de revisões feitas antes da entrega de documento (gramática, ortografia, estilo, exatidão técnica, diagramação, formatação).</p>
				<p>31. Que procedimentos se adotam para sanar dúvidas sobre vocabulário técnico?</p>
				<p>32. Que critérios são adotados para denotar variação na tradução?</p>
				<p>33. Em casos de retraduções, são usadas e referenciadas outras traduções do mesmo texto?</p>
				<p>34. Anexos e iconografias são traduzidos?</p>
				<p>35. Quais são os principais fatores considerados na formação de preços? Atribua os pesos de 1 a 5 (1 para mínimo, 5 para máximo) para os fatores a <xref ref-type="table" rid="t3">seguir</xref>.</p>
				<p>
					<table-wrap id="t3">
						<table>
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="left">Custos fixos</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Custos variáveis</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Desistência de clientes</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Preço da concorrência</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Tabela do SINTRA</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Tempo de execução do serviço</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Tributação e encargos</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Volume de produção</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>36. O cliente alvo de sua empresa pertence a que setor?</p>
				<p>37. Por que sua empresa optou pela tradução especializada?</p>
				<p>38. Há demanda pelo serviço de localização na tradução especializada?</p>
				<p>39. Quais são as <xref ref-type="table" rid="t4">áreas</xref> com maior demanda por tradução especializada?</p>
				<p>
					<table-wrap id="t4">
						<table>
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="left">Acadêmico</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Automotivo</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Comércio internacional</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Comunicações internacionais</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Entretenimento</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Farmacêutico</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Internet</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Indústria de eletroeletrônicos</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Medicina e saúde</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Turismo</td>
									<td align="center">( ) 1</td>
									<td align="center">( ) 2</td>
									<td align="center">( ) 3</td>
									<td align="center">( ) 4</td>
									<td align="center">( ) 5</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>40. Tem conhecimento de alguma área de grande demanda não mencionada <xref ref-type="table" rid="t4">acima</xref>?</p>
				<p>41. De onde parte sua maior demanda por serviços de tradução?</p>
				<p>42. Qual a formação acadêmica de seus funcionários habilitados para exercer a tradução?</p>
			</app>
		</app-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.facebook.com/TraducaoEspecializada">www.facebook.com/TraducaoEspecializada</ext-link>
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://goo.gl">https://goo.gl</ext-link>
				</p>
			</fn>
		</fn-group>		
        <ref-list>
			<title>Referências bibliográficas</title>
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				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>ABRATES</collab>
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					<source>O perfil profissional dos tradutores e intérpretes no Brasil - Abrates</source>
					<year>2015</year>
					<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.slideshare.net/Abrates/o-perfil-profissional-dos-tradutores-e-interpretes-no-brasil-abrates-2015">https://www.slideshare.net/Abrates/o-perfil-profissional-dos-tradutores-e-interpretes-no-brasil-abrates-2015</ext-link>
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						<name>
							<surname>ANASTASIOU</surname>
							<given-names>D.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>GUPTA</surname>
							<given-names>R.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Comparison of crowdsourcing translation with Machine Translation</article-title>
					<source>Journal of Information Science</source>
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							<surname>BUZELIN</surname>
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					<chapter-title>Agents of translation</chapter-title>
					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>GAMBIER</surname>
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							<surname>DAM</surname>
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						</name>
						<name>
							<surname>ZETHSEN</surname>
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						</name>
					</person-group>
					<article-title>The Status of Professional Business Translators on the Danish Market: a comparative study of company, agency and freelance translators</article-title>
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						<name>
							<surname>FERNANDEZ</surname>
							<given-names>C. C. P.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>O Mercado de tradução no Brasil: leis, perspectivas e inserções</source>
					<annotation>Dissertação de Mestrado</annotation>
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					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>FRANCO AIXELÀ</surname>
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					</person-group>
					<article-title>O estudo da tradução técnica e científica: uma análise de seu desenvolvimento histórico</article-title>
					<source>Tradução em Revista</source>
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						</name>
						<name>
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						</name>
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							<surname>GILE</surname>
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						</name>
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							<surname>HANSEN</surname>
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						</name>
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