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				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Revista de Tradução e Terminologia</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">2317-9511</issn>
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				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9511.v37i0p236-264</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Articles</subject>
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				<article-title>Metodologias baseadas em <italic>corpus</italic> para descrição de <italic>frames</italic> semânticos: desafios e possibilidades</article-title>
				<article-title xml:lang="en">Corpus-based methodologies for description of semantic frames: challenges and possibilities</article-title>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">https://orcid.org/0000-0002-9302-484X</contrib-id>
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						<surname>Santos</surname>
						<given-names>Aline Nardes dos</given-names>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">https://orcid.org/0000-0003-2287-5548</contrib-id>
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						<surname>Chishman</surname>
						<given-names>Rove</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref>
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				<label>*</label>
				<institution content-type="orgname">Unisinos</institution>
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				<institution content-type="original">Doutora e mestra em Linguística Aplicada pela Unisinos. E-mail: aline.nardes@gmail.com.</institution>
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				<label>**</label>
				<institution content-type="orgname">Unisinos</institution>
				<email>rove@unisinos.br</email>
				<institution content-type="original">Doutora e mestra em Linguística pela PUCRS. Professora titular da Unisinos; Bolsista de Produtividade do CNPq. E-mail: rove@unisinos.br.</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>23</day>
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				<year>2021</year>
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			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
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				<year>2020</year>
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			<volume>37</volume>
			<issue>1</issue>
			<fpage>236</fpage>
			<lpage>264</lpage>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Este artigo discute alguns caminhos metodológicos que têm sido adotados para descrição de <italic>frames</italic> semânticos com base em <italic>corpora</italic>. Para isso, parte da noção multifacetada de <italic>frame</italic> como construto sociocognitivo e como ferramenta analítica, por meio da qual é possível descrever e problematizar as conceptualizações que emergem em contextos sociais. Tendo como base as diferentes perspectivas metodológicas encontradas na literatura, o artigo desemboca em uma proposta delineada para uma tese de doutorado, que realizou um estudo de caso baseado em um <italic>corpus</italic> de audiências públicas. Como resultados, o artigo aponta para a necessidade de se considerar a pergunta de pesquisa, o tipo de <italic>corpus</italic> em estudo e o formato dos dados coletados para definição das etapas metodológicas que possibilitam a descrição de <italic>frames</italic> semânticos em diferentes contextos sociais.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>This paper discusses some corpus-based methodological steps that have been adopted for the description of semantic frames. In this regard, it considers the multifaceted notion of frame as a socio-cognitive construct and as an analytical tool, by means of which it is possible to describe and to discuss conceptualizations that emerge from social contexts. Based on the different methodological perspectives found in literature, the paper finishes with a proposal designed for a doctoral thesis, which conducted a case study based on a corpus of public audiences. As results, the paper highlights the necessity of considering the research question, the type of study corpus and the format of the data collected for the definition of the methodological steps that make possible the description of semantic frames in different social contexts.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Frames semânticos</kwd>
				<kwd>Metodologias</kwd>
				<kwd>Linguística de Corpus</kwd>
			</kwd-group>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Semantic frames</kwd>
				<kwd>Methodologies</kwd>
				<kwd>Corpus Linguistics</kwd>
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				<page-count count="29"/>
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	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>1. Introdução</title>
			<p>A noção de <italic>frame</italic> semântico (<xref ref-type="bibr" rid="B10">FILLMORE, 1982</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B11">1985</xref>) tem-se mostrado pertinente à análise de a análise de “[...] experiências sociais (na educação [...] ou em outros campos, como a saúde, a política, a segurança, a economia, a assistência, dentre outros) a partir dos discursos construídos por aqueles que vivem tais experiências sociais.” (<xref ref-type="bibr" rid="B24">LIMA; MIRANDA, 2013</xref>, p. 11). Nesse âmbito, as propostas metodológicas de descrição de <italic>frames</italic> têm sido adaptadas e complementadas conforme a necessidade de cada pesquisa.</p>
			<p>Mais especificamente, estudos na interface com a Semântica de Frames - seja para analisar interações face a face (<xref ref-type="bibr" rid="B31">MORATO <italic>et al.</italic>, 2012</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B32">2017</xref>), descrever estratégias discursivas em textos do domínio político (<xref ref-type="bibr" rid="B14">FREITAS, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">MORASSO, 2012</xref>), analisar experiências de sala de aula (<xref ref-type="bibr" rid="B23">LIMA, 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">MIRANDA; LOURES, 2016</xref>), ou criar dicionários baseados em <italic>frames</italic> em uma interface com a lexicografia eletrônica (<xref ref-type="bibr" rid="B2">CHISHMAN <italic>et al</italic>. 2014</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>, 2018; <xref ref-type="bibr" rid="B36">SANTOS; CHISHMAN, 2017</xref>) - têm retomado o convite à realidade de Fillmore presente em seus textos seminais, processo a partir do qual as propostas metodológicas de descrição de <italic>frames</italic> têm sido adaptadas e complementadas conforme a necessidade de cada pesquisa. No entanto, não há estudos na literatura sobre o tema que discutam e cotejem tais metodologias, analisando seus avanços, continuidades e descontinuidades, bem como discutindo o lugar da proposta da FrameNet - projeto de aplicação da Semântica de Frames iniciado pelo criador da teoria - em tal cenário.</p>
			<p>Diante disso, este artigo objetiva discutir alguns caminhos metodológicos que têm sido adotados para descrição de <italic>frames</italic> semânticos com base em <italic>corpora</italic>. Para isso, partimos da noção multifacetada de <italic>frame</italic> como construto sociocognitivo (<xref ref-type="bibr" rid="B11">FILLMORE, 1985</xref>) e como ferramenta analítica (<xref ref-type="bibr" rid="B41">ZIEM, 2014</xref>), por meio da qual é possível descrever e problematizar as conceptualizações que emergem em contextos sociais. Tendo como base as diferentes perspectivas metodológicas encontradas na literatura, o artigo desemboca em uma proposta delineada para uma tese de doutorado, que realizou um estudo de caso baseado em um <italic>corpus</italic> de audiências públicas.</p>
			<p>Com vistas a atingir seu propósito, o artigo está dividido em quatro seções. A segunda seção, a seguir, aborda o percurso conceitual da noção de <italic>frame</italic> desde os textos seminais fillmorianos, defendendo o resgate de uma perspectiva mais sociocognitiva do construto. Na terceira seção, realizamos uma revisão da literatura atinente a percursos metodológicos encontrados em pesquisas que se utilizam do <italic>frame</italic> para analisar diferentes contextos sociais. Em seguida, tendo como base tais estudos, abordamos nossa proposta metodológica para identificação de <italic>frames</italic> no âmbito de uma tese doutoral (<xref ref-type="bibr" rid="B34">SANTOS, 2020</xref>), corroborando a necessidade de etapas que consideramos cruciais a estudos que se valem desse construto em uma perspectiva mais sociodiscursiva da linguagem.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title><bold>2. Por uma noção <italic>socio</italic>cognitiva de <italic>frame</italic>: resgatando pressupostos fillmorianos</bold></title>
			<p>Quando o linguista George Lakoff introduz a noção de <italic>frame</italic> a seus alunos na Universidade de Berkeley, sua frase inicial é a seguinte: <italic>não pense em um elefante!</italic> É claro que, como o próprio exercício busca indicar, o que menos se consegue fazer ao se ouvir essa frase é evitar pensar em um elefante, pois a simples menção à palavra evoca todo o nosso conhecimento acerca de seu significado. Isso ocorre porque “Qualquer palavra, como <italic>elefante</italic>, evoca um <italic>frame</italic>, que pode ser uma imagem ou outros tipos de conhecimento: elefantes são grandes, têm orelhas frouxas e uma tromba, estão associados a circos, e assim por diante. A palavra é definida em relação a esse <italic>frame</italic>”. (<xref ref-type="bibr" rid="B22">LAKOFF, 2004</xref>, p. 3, tradução nossa).</p>
			<p>O clássico exemplo de Lakoff é emblemático para caracterizarmos o <italic>frame</italic> como estrutura de expectativa (<xref ref-type="bibr" rid="B39">TANNEN; WALLAT, 1993</xref>) e de conhecimento (<xref ref-type="bibr" rid="B25">MINSKY, 1981</xref>), que se constitui a partir de nossas experiências socioculturais e interacionais (<xref ref-type="bibr" rid="B30">MORATO, 2010</xref>). Por meio dessas estruturas sociocognitivas, que são constantemente manipuladas e partilhadas, compreendemos o mundo e sobre ele agimos (<xref ref-type="bibr" rid="B32">MORATO <italic>et al.</italic>, 2017</xref>). Na Linguística, Charles <xref ref-type="bibr" rid="B7">Fillmore (1976a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B10">1982</xref>), inspirado nos trabalhos de <xref ref-type="bibr" rid="B25">Minsky (1981</xref>) e Goffman (1984), apropriou-se de tal construto para postular a teoria da Semântica de Frames - uma abordagem por meio da qual se compreende o significado como resultante de “[...] formas estruturadas de se interpretar experiências [...]”às quais constantemente recorremos em interações sociais. (<xref ref-type="bibr" rid="B7">FILLMORE, 1976a</xref>, p. 20, tradução nossa). A exemplo disso, o termo “vegetariano(a)”, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B8">Fillmore (1976b</xref>, tradução nossa), é uma distinção culturalmente necessária somente em sociedades em que a maioria das pessoas se alimenta de carne: “[...] se todos no mundo se alimentassem apenas de comida vegetariana, não haveria necessidade da palavra ‘vegetariano’.” Desse modo, a noção fillmoriana de <italic>frame</italic> parte de uma perspectiva de linguagem centrada no uso (<xref ref-type="bibr" rid="B40">TOMASELLO, 2003</xref>), tendo em vista que ela se modifica constantemente para atender às necessidades comunicativas dos usuários.</p>
			<p>Em sua dissertação de mestrado, <xref ref-type="bibr" rid="B35">Santos (2016</xref>) propôs-se a contar uma versão da “história dos <italic>frames</italic> de Fillmore”, aproveitando seu próprio relato inicial da “história privada” desse conceito em sua trajetória (<xref ref-type="bibr" rid="B10">FILLMORE, 1982</xref>) e partindo de textos posteriores, com vistas a relacionar alguns marcos da vida acadêmica do autor aos desdobramentos de sua teoria. A partir desse delineamento, foi possível perceber que alguns aspectos de sua trajetória pessoal e profissional se refletiram nos rumos que sua teoria foi tomando ao longo dos anos. Nesse sentido, a Semântica de Frames consolidou-se após Fillmore aposentar-se da faculdade de Linguística da Universidade de Berkeley e instalar-se no Instituto Internacional de Ciência da Computação (ICSI) da mesma instituição. (<xref ref-type="bibr" rid="B20">JURAFSKY, 2014</xref>). Em tal contexto computacional, o pesquisador passou a desenvolver a FrameNet, uma plataforma lexicográfica baseada em <italic>frames</italic> que descreve o léxico da língua inglesa. Levando em conta as necessidades de áreas como Processamento de Linguagem Natural (PLN), Inteligência Artificial e Linguística Computacional, a FrameNet tem como foco a descrição de propriedades sintáticas e semânticas de palavras - as quais, no contexto do projeto, são denominadas unidades lexicais -, agrupando esse léxico em <italic>frames</italic> e sistematizando padrões de uso dessas unidades, os quais são legíveis por máquina. Para exemplificar esse processo descritivo, o <xref ref-type="fig" rid="f1">Quadro 1</xref> a seguir reproduz a definição do <italic>frame</italic> Ingestion:</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Quadro 1:</label>
					<caption>
						<title>Frame Ingestion</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-236-gf1.jpg"/>
					<attrib>Fonte: FrameNet (framenet.icsi.berkeley.edu).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>As unidades lexicais que evocam o respectivo <italic>frame</italic> são sempre formatadas em realce preto - no exemplo acima, temos a unidade evocadora <italic>devoured</italic>. Marcados em negrito na definição e em versalete no exemplo do <xref ref-type="fig" rid="f1">Quadro 1</xref>, estão os Elementos de Frame (EFs), os quais correspondem aos “[...] aspectos e componentes de cada <italic>frame</italic> que geralmente aparecem nas frases e sentenças que os instanciam.” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">FILLMORE; BAKER, 2010</xref>, p. 321, tradução nossa). A exemplo disso, no quadro suprarreferido, a expressão <italic>The wolves</italic> instancia o EF Ingestor na frase “The wolves <italic>DEVOURED</italic> the carcass completely”.</p>
			<p>Assim, a descrição de cada unidade lexical indica os respectivos Elementos de Frame que ocorreram nas frases semanticamente anotadas - provenientes de <italic>corpora</italic> autênticos em língua inglesa -, elencando também as realizações sintáticas de cada um desses elementos. Desse modo, a plataforma indica que a unidade lexical <italic>devour</italic>, que evoca o <italic>frame</italic> Ingestion, tem elencados os Elementos de Frame que coocorrem com ela em cada frase do <italic>corpus</italic> da FrameNet, bem como sua função sintática. Com base nos resultados desse processo de anotação, definem-se os padrões sintáticos dessa unidade lexical (vide <xref ref-type="fig" rid="f2">Quadro 2</xref>). Dessa forma, as sentenças até o momento anotadas indicam que, na maioria dos casos analisados, <italic>devour</italic> coocorreu com o EF Ingestor na função sintática de sujeito e com o EF Ingestibles na função sintática de objeto direto, conforme exemplo metafórico a seguir: “<italic>On rainy days</italic> [<italic>he</italic> 
 <sub>INGESTOR</sub>] <italic>DEVOURED</italic> [<italic>books</italic> 
 <sub>INGESTIBLES</sub>]”.</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Quadro 2:</label>
					<caption>
						<title>Padrões valenciais da unidade lexical devour</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-236-gf2.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Adaptado da FrameNet (framenet.icsi.berkeley.edu).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Diante de tal verticalidade descritiva, condicionada a necessidades lexicográfico-computacionais da FrameNet, delineia-se uma incômoda ruptura atinente ao conceito de <italic>frame</italic> semântico: ficando o <italic>frame</italic> da FrameNet condicionado à descrição das combinatórias sintático-semânticas, como inserir esse conceito em percursos metodológicos que não têm como objetivo central a descrição de valências? Como privilegiar questões <italic>socio</italic>cognitivas, incluindo as culturais e discursivas, se partirmos de um escopo computacional - ou, para retomar os exemplos que abriram esta seção, onde fica o caso do <italic>elefante</italic>? Do <italic>vegetariano</italic>? Das vicissitudes da experiência humana que nos levam a fazer escolhas linguísticas conforme certos “[...] propósitos discursivos, configuração institucional, eventos no mundo ao seu redor, posição no discurso, conhecimento compartilhado e todo o resto” (<xref ref-type="bibr" rid="B9">FILLMORE, 1980</xref>, p. 134, tradução nossa)? Como sintetiza <xref ref-type="bibr" rid="B3">Chishman (2019</xref>, p. 5), a visão enciclopédica dos <italic>frames</italic>, voltada às “[...] categorias de experiência subjacentes aos usos linguísticos [...]”, não é privilegiada em uma perspectiva que tem como foco a descrição linguístico-computacional do léxico.</p>
			<p>Nesse sentido, como aborda <xref ref-type="bibr" rid="B34">Santos (2020</xref>), os trabalhos seminais de Fillmore acerca da Semântica de Frames fazem um convite à realidade sociocultural e discursiva da linguagem que não é compreendido pela proposta da FrameNet. Com a plataforma, surge uma relevante noção de <italic>frame</italic> como ferramenta analítica (<xref ref-type="bibr" rid="B41">ZIEM, 2014</xref>) - ou seja como construto metodológico voltado à análise linguística, que complementa a noção de <italic>frame</italic> como esquema sociocognitivo -, mas cujas configurações não são pertinentes a pesquisas que buscam compreender “[...] práticas sociais em que a linguagem desempenha um papel central [...]” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">MOITA LOPES, 2011</xref>, p. 22).</p>
			<p>Tendo em vista esse aspecto, a seção a seguir realiza uma revisão da literatura atinente à descrição de <italic>frames</italic> semânticos, com base em <italic>corpora</italic>, em diferentes contextos sociais.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title><bold>3. Metodologias baseadas em <italic>corpora</italic> para descrição de <italic>frames</italic> em contextos sociais: revisão da literatura</bold></title>
			<p>Nesta seção, abordamos as propostas metodológicas encontradas na literatura que identificam <italic>frames</italic> com base em <italic>corpora</italic>. Especificamente, após discutirmos a metodologia que sustenta o projeto lexicográfico-computacional da Semântica de Frames, articulamos algumas propostas encontradas em uma revisão da literatura que realizamos, com vistas a delinear um panorama metodológico que pudesse embasar uma proposta voltada ao estudo semântico-cognitivo de audiências públicas, conforme abordamos na seção 4. Destacamos que essas investigações, que foram buscadas em bases de dados nacionais e estrangeiras<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>, são majoritariamente de origem brasileira. Diante disso, consideramos que tais pesquisas, embora focadas em contextos diversos, ocupam-se de objetos de estudo calcados em nossa realidade cultural e discursiva, cujos resultados, portanto, também se prestam a indicar possíveis percursos de estudo em diversos <italic>corpora</italic> do português brasileiro.</p>
			<p>Em contextos de Linguística Aplicada, como apontado na introdução, é necessária uma análise de <italic>frames</italic> que leve em conta a faceta enciclopédia desse construto, valorizando o <italic>continuum</italic> que existe entre aspectos macro e microcontextuais (<xref ref-type="bibr" rid="B30">MORATO, 2010</xref>) dos dados analisados. Dessa forma, além de uma exploração lexical do <italic>corpus</italic>, que permita a identificação de evocadores de <italic>frame</italic>, é preciso que tal percurso compreenda um estudo do domínio do qual emergem os <italic>frames</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B5">CHISHMAN <italic>et al.</italic>, 2018</xref>).</p>
			<p>Vale ressaltar que a própria metodologia de descrição de <italic>frames</italic> consolidada na versão contemporânea da Semântica de Frames - e aplicada à FrameNet - não tem como ponto de partida o léxico, pois inicia-se com uma caracterização do <italic>frame</italic> previamente à investigação dos dados linguísticos, dado que tal construto, no caso de <italic>frames</italic> de língua geral, é conhecido e partilhado pelos falantes. Nesse sentido, elenco a seguir as principais etapas de identificação de <italic>frames</italic> postuladas pela versão mais contemporânea da teoria, quais sejam:</p>
			<p>a) <italic>Caracterização do frame</italic> expresso linguisticamente, ou seja, do <italic>frame</italic> como tipo de situação “[...] para os quais a língua disponibiliza meios expressivos específicos” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">FILLMORE; BAKER, 2010</xref>, p. 321, tradução nossa);</p>
			<p>b) <italic>Descrição e nomeação dos Elementos de Frame</italic>, os quais constituem papéis semânticos recorrentes nas frases que instanciam esses <italic>frames</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B12">FILLMORE; BAKER, 2010</xref>, p. 321);</p>
			<p>c) <italic>Seleção das unidades lexicais</italic> que evocam o <italic>frame</italic>;</p>
			<p>d) <italic>Anotação semântica</italic> de frases provenientes do <italic>corpus</italic>, ou seja, “[...] atribuição de etiquetas de papéis temáticos a constituintes sintáticos [...]” dessas frases (<xref ref-type="bibr" rid="B13">FILLMORE; PETRUCK, 2003</xref>, p. 359, tradução nossa);</p>
			<p>e) <italic>Geração automática de entradas lexicais</italic>, elencando todas as possibilidades de combinações sintático-semânticas - ou valências - verificadas na etapa de anotação.</p>
			<p>Em <xref ref-type="bibr" rid="B35">Santos (2016</xref>), tais etapas foram ilustradas a partir da ilustração do <italic>frame</italic> Vingança, conforme reproduzimos a seguir (<xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 1</xref>):</p>
			<p>
				<fig id="f3">
					<label>Figura 1:</label>
					<caption>
						<title>Ilustração das etapas metodológicas da FrameNet</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-236-gf3.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B35">Santos (2016</xref>, p. 54).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Assim, tal abordagem não parte inicialmente de dados linguísticos, pois considera o conhecimento prévio do falante para formular uma primeira versão do <italic>frame</italic>. É a partir dessa observação que o Grupo SemanTec tem adotado o termo <italic>middle</italic>-<italic>out</italic> para descrever a metodologia para identificação de <italic>frames</italic> que tem buscado consolidar (<xref ref-type="bibr" rid="B33">MÜLLER, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">CHISHMAN <italic>et al.</italic>, 2018</xref>) - principalmente quando se trata da descrição de um domínio específico<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>, que exige do(a) pesquisador(a) um estudo prévio do contexto investigado para então propor uma rede inicial de <italic>frames</italic>, que vai se aperfeiçoando e se remodelando conforme a pesquisa avança. <xref ref-type="bibr" rid="B33">Müller (2015</xref>, p. 101) explica o conceito de abordagem <italic>middle-out</italic> de identificação de <italic>frames</italic>:</p>
			<disp-quote>
				<p>É <italic>middle-out</italic> porque une as outras duas abordagens: ao elencarmos os conceitos organizando-os em um mapa conceitual do qual advêm os frames do domínio, estamos usando a abordagem <italic>top-down</italic> - partindo dos conceitos mais amplos para especificá-los. E, ao listarmos as palavras relacionadas ao domínio e buscarmos suas relações com os conceitos, estamos seguindo a abordagem <italic>bottom-up</italic> - do mais específico [...] para o mais amplo [...].</p>
			</disp-quote>
			<p>A opção por uma abordagem <italic>middle-out</italic> também vai ao encontro de outras pesquisas brasileiras que se utilizam do <italic>frame</italic> como ferramenta analítica para compreender diferentes experiências sociais. A exemplo disso, <xref ref-type="bibr" rid="B32">Morato <italic>et al</italic>. (2017</xref>), no contexto de interação entre afásicos e não afásicos, partem de um <italic>corpus</italic> de interações transcritas, que são segmentadas em tópicos discursivos (<xref ref-type="bibr" rid="B19">JUBRAN, 2006</xref>). A partir desses segmentos, os <italic>frames</italic> são identificados com base no conteúdo disponível na FrameNet Berkeley, a qual é usada, nesse contexto, como um dicionário. Também é feita a descrição de <italic>frames</italic> não disponíveis nessa base, bem como são detalhados alguns aspectos relativos às estruturas já descritas, se necessário.</p>
			<p>Ainda em <xref ref-type="bibr" rid="B32">Morato <italic>et al</italic>. (2017</xref>), a partir da verificação do entrelaçamento de <italic>frames</italic> em cada tópico, os autores esquematizam e quantificam essa associação. Por exemplo, foi possível observar que, no segmento tópico “Dificuldade em evocar números”, os <italic>frames</italic> mobilizados foram Memória, Meio e Situação de Dificuldade (<xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 2</xref>):</p>
			<p>
				<fig id="f4">
					<label>Figura 2:</label>
					<caption>
						<title>Frames evocados no segmento tópico “Dificuldade em evocar números”</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-236-gf4.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Adaptado de <xref ref-type="bibr" rid="B32">Morato <italic>et al.</italic> (2017</xref>, p. 104).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>De maneira convergente, as pesquisas de <xref ref-type="bibr" rid="B24">Lima e Miranda (2013</xref>), de <xref ref-type="bibr" rid="B26">Miranda e Bernardo (2013</xref>) e de <xref ref-type="bibr" rid="B27">Miranda e Loures (2016</xref>) partem de perguntas relevantes ao contexto educacional, que orientam suas pesquisas para a exploração de um tema em específico - por exemplo, como os interagentes constroem o <italic>frame</italic> Aula em determinado ambiente escolar (<xref ref-type="bibr" rid="B24">LIMA; MIRANDA, 2013</xref>); quais são as experiências positivas e negativas dos alunos em escolas públicas (<xref ref-type="bibr" rid="B26">MIRANDA; BERNARDO, 2013</xref>); ou especificamente na aula de língua portuguesa? (<xref ref-type="bibr" rid="B27">MIRANDA; LOURES, 2016</xref>). Para ilustrar esse percurso, destacamos a pesquisa de <xref ref-type="bibr" rid="B23">Lima (2009)</xref>, que buscou investigar a perspectiva discente do <italic>frame</italic> Aula por meio de um <italic>corpus</italic> de entrevistas, realizadas em escolas da rede pública municipal de ensino de Juiz de Fora - MG, com alunos de 6º e 9º anos. Assim como no trabalho de <xref ref-type="bibr" rid="B32">Morato <italic>et al.</italic> (2017</xref>), a autora utiliza a FrameNet Berkeley como parâmetro, de modo a esboçar uma primeira versão do <italic>frame</italic> Aula e complementá-lo segundo os elementos de <italic>frame</italic> emergentes das entrevistas. Considerando que as respostas obtidas já eram direcionadas ao <italic>frame</italic> a ser descrito<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>, o <italic>corpus</italic> pôde ser minuciosamente explorado por meio de uma lista de palavras - gerada a partir do <italic>software</italic> de <italic>corpus</italic> Wordsmith -, que serviu como ponto de partida para a verificação de evocadores e Elementos de Frame presentes nos dados.</p>
			<p>Por meio de tal aporte, ao analisar a lexicalização dos elementos do <italic>frame</italic> Aula conforme sua realização sintática, foi possível verificar que os alunos entrevistados se colocavam muito mais no papel de pacientes nesse cenário, e não de agentes. Segue um exemplo de evocação do <italic>frame</italic> Aula em que o professor é colocado como agente pelos discentes:</p>
			<p>“Uma <bold>aula</bold> é <italic>o professor</italic> explicar, dar matéria, fazer o dever e o mais importante: aprender o que <italic>o professor</italic> passou o ano inteiro.”</p>
			<p>Assim, um dos principais resultados de sua pesquisa indica que “A contradição existente entre a definição do <italic>frame</italic> Aula e a descrição das ações discentes revela que o aluno, por se ver tal como a sociedade o vê, como Paciente da interação, não percebe em si o perfil de um agente transformador da realidade.” (<xref ref-type="bibr" rid="B23">LIMA, 2009</xref>, p. 142).</p>
			<p>De modo geral, quanto à utilização da FrameNet como parâmetro para identificação de <italic>frames</italic> nos trabalhos encontrados, é interessante observar alguns cuidados relativos ao uso parcimonioso da plataforma. Por exemplo, conforme observa <xref ref-type="bibr" rid="B37">Siman (2015</xref>, p. 5), a Semântica de Frames, por meio do Projeto FrameNet, foi utilizada em sua pesquisa “[...] como referência (mas não como limite) para as análises e discussões produzidas [...]”, visto que o projeto lexicográfico de Fillmore, embora seja muito rico em descrições da língua inglesa que podem ser adaptadas a análises em língua portuguesa, não dá conta da complexidade de domínios especializados, fator que demanda a criação de novos <italic>frames</italic> conforme a necessidade do(a) analista.</p>
			<p>De modo geral, tais pesquisas inseridas no âmbito da Linguística Aplicada sugerem o enriquecimento das etapas metodológicas postuladas pela FrameNet, por meio de alguns aspectos destacados a seguir:</p>
			<p>a) Tais investigações apontam a pertinência da realização de um estudo do domínio que elenque as características do contexto investigado - por exemplo, o Grupo SemanTec elabora mapas conceituais dos esportes previamente à descrição de <italic>frames</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B5">CHISHMAN <italic>et al.</italic>, 2018</xref>);</p>
			<p>b) Se a pergunta de pesquisa é anterior à compilação do <italic>corpus</italic>, é importante delinear um projeto de <italic>corpus</italic> que responda ao problema investigado e permita a identificação dos <italic>frames</italic> de acordo com os objetivos estabelecidos - é o caso dos trabalhos de <xref ref-type="bibr" rid="B26">Miranda e Bernardo (2013</xref>) e de <xref ref-type="bibr" rid="B23">Lima (2009</xref>), que geram seus dados por meio de entrevistas estruturadas de acordo a pergunta de pesquisa;</p>
			<p>c) Se a pergunta de pesquisa parte de um <italic>corpus</italic> em específico, é relevante segmentá-lo de acordo com o estudo do domínio e com o objetivo da investigação, de modo a descrever os <italic>frames</italic> a partir desse mapeamento - é o caso de pesquisas como a de <xref ref-type="bibr" rid="B32">Morato <italic>et al.</italic> (2017</xref>), que divide os dados a partir da noção de tópico.</p>
			<p>Tomando como base as investigações aqui revisadas, na próxima seção, descrevemos e discutimos uma proposta metodológica para descrição de frames delineada para uma tese de doutorado, que realizou um estudo de caso baseado em um corpus de audiências públicas, para então sintetizarmos algumas etapas essenciais a percursos metodológicos baseados em <italic>corpora</italic>, no que se refere à identificação de <italic>frames</italic> semânticos.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title><bold>4. A Sugestão Legislativa nº 15/2014: uma proposta metodológica de descrição de <italic>frames</italic> voltada a audiências públicas</bold></title>
			<p>Com base em tais percursos metodológicos, no contexto de uma tese doutoral, investigamos a emergência de <italic>frames</italic> semânticos em audiências públicas da Sugestão Legislativa nº 15/2014, que visou a regular a interrupção da gravidez até as 12 semanas de gestação. O objetivo foi compreender, por meio da identificação de diferentes instanciações de <italic>frames</italic> que emergem nesse contexto, as redes de significado que (re)enquadram os direitos humanos e reprodutivos das mulheres sob diferentes perspectivas.</p>
			<p>A investigação configurou-se como um estudo de caso, pois sua análise ficou restrita a um objeto específico, “[...] de maneira a permitir o seu conhecimento amplo e detalhado.” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">GIL, 2008</xref>, p. 58). Mais especificamente, a análise se restringiu às transcrições das audiências públicas, disponibilizadas no formato de atas de reunião, que debateram a Sugestão Legislativa nº 15 entre maio de 2015 e abril de 2016. Tais registros permaneceram disponíveis no Portal e-Cidadania enquanto a Sugestão tramitava no Senado. Os cinco arquivos - um para cada audiência - foram disponibilizados no formato RTF (Rich Text Format), que é compatível com todas as versões do Microsoft Word e com editores mais simples, como o WordPad.</p>
			<p>Ao todo, o <italic>corpus</italic> na íntegra tem pouco mais de 140 mil palavras, totalizando cerca de 230 páginas.<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref> Considerando a extensão média do material, que pode ser considerado um <italic>corpus</italic> pequeno (<xref ref-type="bibr" rid="B1">BERBER SARDINHA, 2000</xref>), foi possível fazer uma leitura integral dos dados antes de começar a manipulá-los - tarefa que não é possível quando a extensão considerável do <italic>corpus</italic> permite apenas sua manipulação por meio de ferramentas digitais. Ao encontro disso, <xref ref-type="bibr" rid="B21">Koester (2010</xref>, p. 67) elenca as seguintes vantagens de se trabalhar com <italic>corpora</italic> pequenos em contextos de estudo de linguagens de especialidade:</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] eles permitem um elo mais forte entre o <italic>corpus</italic> e os contextos nos quais os textos do corpus foram produzidos. Enquanto <italic>corpora</italic> muito grandes, por meio de sua descontextualização, trazem esclarecimentos quanto a padrões léxico-gramaticais na língua como um todo, corpora pequenos e especializados fornecem informações sobre padrões de uso linguístico em contextos específicos. (Tradução nossa).</p>
			</disp-quote>
			<p>Essa etapa do processo de preparação do <italic>corpus</italic> a partir de uma leitura preliminar ainda incluiu o mapeamento dos participantes (processo cujos resultados são explorados na primeira parte de nossa análise) de acordo com sua categoria de participação. Inicialmente, separamos os convidados painelistas e os demais participantes das sessões nas grandes categorias “pró-SUG” e “anti-SUG” - ou seja, consideramos que aqueles que defendem a regulação do aborto nas 12 primeiras semanas de gestação como pró-SUG; e aqueles que se opõem à proposta, como anti-SUG. Ao todo, chegamos a um total de 78 participantes. Após esse mapeamento, considerando a primeira leitura do material, organizamos quadros com uso do Microsoft Excel, no qual sistematizamos dados como nome do participante; papel institucional; posicionamento em relação à SUG (contra ou a favor da proposta); e resumo da sua exposição em uma frase.</p>
			<p>Para escolhermos o ferramental necessário a uma análise de <italic>frames</italic> que levasse em conta um <italic>continuum</italic> entre aspectos macro e microcontextuais (<xref ref-type="bibr" rid="B30">MORATO, 2010</xref>), compreendendo um estudo do domínio, estabelecemos como critério a necessidade de recursos que não apenas nos permitissem a exploração lexical do <italic>corpus</italic>, mas que também viabilizassem um estudo do domínio no qual emergem os <italic>frames</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B5">CHISHMAN <italic>et al.</italic>, 2018</xref>), tendo em vista as categorias previamente elencadas no estudo preliminar do <italic>corpus</italic> - tais como posicionamento em relação à SUG e função institucional. Diante disso, optamos por utilizar uma ferramenta de análise qualitativa dos dados que nos permitisse ter uma visão mais ampla de nosso <italic>corpus</italic>, bem como classificar os dados por meio de diferentes categorias temáticas. Trata-se do QSR NVivo, um <italic>software</italic> que permite o cruzamento de diversos parâmetros que classificam qualitativamente os dados. A <xref ref-type="fig" rid="f5">Figura 3</xref> a seguir exibe a interface do programa, que precisa ser instalado no computador e exige a compra de uma licença.<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref> A versão que utilizamos se chama NVivo 12 Pro.</p>
			<p>
				<fig id="f5">
					<label>Figura 3:</label>
					<caption>
						<title>Tela inicial do QSR NVivo</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-236-gf5.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B34">Santos (2020</xref>, p. 121).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Ao se abrir um dos arquivos de transcrição, é possível marcar excertos do texto e classificá-los nos chamados <italic>nós</italic>, que “[...] representam uma categoria ou ideia abstrata [...]” criada pelo pesquisador. (<xref ref-type="bibr" rid="B17">GUIZZO; KRZIMINSKI; OLIVEIRA, 2003</xref>, p. 57). No caso de nossa análise, tal recurso foi bastante útil para identificarmos os grandes temas abordados em cada participação. Salientamos ainda que os próprios nós deram origem a pequenos <italic>subcorpora</italic> separados por temas, dentre os quais os maiores (com mais de vinte excertos) foram também processados na ferramenta de <italic>corpus</italic>, com vistas a explorarmos o léxico de forma mais ampla e confirmarmos possíveis evocadores de <italic>frames</italic>. Embora o NVivo disponha de um recurso simplificado para busca textual, optamos por explorar o léxico com uma ferramenta de <italic>corpus</italic> que nos oferecesse uma pesquisa mais completa de unidades linguísticas - o Sketch Engine, um <italic>software</italic> eficiente na manutenção de <italic>corpus</italic> que tem sido utilizado pelo grupo SemanTec em suas pesquisas linguísticas, mostrando-se um profícuo recurso para exploração do léxico em estudos que visam a identificar <italic>frames</italic> semânticos. (<xref ref-type="bibr" rid="B2">CHISHMAN <italic>et al.</italic>, 2014</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B5">2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B36">SANTOS; CHISHMAN, 2017</xref>).</p>
			<p>Para processamento dos dados, o <italic>corpus</italic> foi carregado para a ferramenta no formato docx. O recurso fez a compilação automática do material, utilizando o etiquetador Freeling, que atribui etiquetas sintáticas aos termos para facilitar buscas por combinatórias. À parte das falas protocolares, que foram excluídas dos dados processáveis e fazem parte apenas da primeira etapa de análise, o tamanho do <italic>corpus</italic> é de 114.429 palavras.</p>
			<p>Especificamente, os recursos do programa que utilizamos são elencados na sequência:</p>
			<p>a) <italic>Keywords</italic>: extrai uma lista das palavras-chave do <italic>corpus</italic> de estudo, ou seja, aquelas que são estatisticamente mais proeminentes;</p>
			<p>b) <italic>Concordance</italic>: permite a visualização da palavra pesquisada, ou palavra-nó, juntamente com o texto adjacente, ou cotexto;</p>
			<p>c) <italic>Sketch Difference</italic>: permite a comparação entre as combinatórias de uma palavra no <italic>corpus</italic> como um todo, ou entre o uso do mesmo item lexical em diferentes <italic>subcorpora</italic>.</p>
			<p>Considerando os objetivos do estudo, organizamos nosso percurso analítico em três etapas, a partir de questionamentos que também refletem os objetivos específicos estabelecidos.</p>
			<p>a) Como se estrutura o contexto institucional da SUG 15?: essa etapa de análise envolveu o uso do QSR NVivo para efetuar os seguintes passos:</p>
			<p>- mapeamento de todos os participantes das audiências, bem como de seus papéis institucionais;</p>
			<p>- levantamento dos diferentes grupos institucionais presentes e de sua representatividade em termos numéricos;</p>
			<p>- delineamento das relações hierárquicas que permeiam a estrutura das audiências da SUG.</p>
			<p>Essa etapa do percurso analítico permitiu-nos identificar o privilégio dado aos parlamentares (em sua maioria, os presentes eram contrários à matéria) para se manifestarem a qualquer momento nas audiências; o papel do relator da Sugestão como autoridade que pode ser convencida pelos participantes de acordo com seu poder de persuasão - aspecto que não se sustenta quando se verifica que seu posicionamento contrário à Sugestão sempre foi evidente -; e a constituição hierárquica da SUG, que coloca o relator e os demais parlamentares em um nível superior aos demais participantes. Assim, a configuração das audiências já se mostra sobredeterminante (<xref ref-type="bibr" rid="B18">HANKS, 2008</xref>) no que se refere ao (limitado) espaço que seus defensores tiveram para defender a pauta.</p>
			<p>b) Quais são as temáticas, ou os nós, que estão presentes nas falas dos participantes?: considerando o funcionamento da ferramenta NVivo, a qual exige a classificação do <italic>corpus</italic> em nós para processar inter-relações com as demais categorias, valemo-nos desse recurso para mapear as grandes temáticas que constituem as audiências, por meio dos seguintes passos:</p>
			<p>- releitura de cada arquivo do <italic>subcorpus</italic> após inseri-lo na interface do NVivo; seleção dos excertos que correspondem a um grande tema e criação do nó correspondente na ferramenta;</p>
			<p>- processamento integrado de todos os nós e verificação de sua predominância nas audiências como um todo.</p>
			<p>Essa etapa evidenciou as aproximações e os distanciamentos entre os temas abordados pelos grupos pró-SUG e anti-SUG, bem como já apontou para a preponderância dos temas Origem da Vida e Riscos do Aborto (nesse caso, do abortamento em geral) no <italic>corpus</italic> como um todo. Trata-se de temas que, além de serem os mais abordados, também são representativos do <italic>corpus</italic> anti-SUG.</p>
			<p>c) A partir das temáticas identificadas, quais são os frames que emergem dessas comunicações? Quais itens lexicais os evocam?: essa etapa de análise envolveu o uso da ferramenta Sketch Engine e compreendeu estes procedimentos:</p>
			<p>- identificação das unidades lexicais que potencialmente evocam <italic>frames</italic>, considerando os nós elencados na etapa anterior - para os nós com mais de vinte excertos, consulta às palavras-chave do respectivo <italic>subcorpus</italic> no Sketch Engine;</p>
			<p>- busca dessas unidades lexicais na FrameNet e/ou de <italic>frames</italic> relacionados e, se necessário, descrição de novo <italic>frame</italic>;</p>
			<p>- descrição dos Elementos de Frame instanciados nas concordâncias;</p>
			<p>- sistematização das unidades linguísticas que instanciam evocadores e Elementos de Frame, por meio do uso dos recursos da ferramenta Sketch Engine;</p>
			<p>- se necessário, refinamento da descrição do <italic>frame</italic> a partir dos dados encontrados por meio da ferramenta de <italic>corpus</italic>.</p>
			<p>Para exemplificar esse percurso, ilustramos a seguir a identificação e exploração do <italic>frame</italic> Responsabilidade, originado do nó homônimo. Trata-se de excertos atinentes à responsabilidade de diferentes atores envolvidos na questão do aborto (mulher, marido, Estado etc.). No NVivo, todos esses excertos foram atribuídos ao respectivo nó, conforme reproduzido a seguir (<xref ref-type="fig" rid="f6">Figura 4</xref>):</p>
			<p>
				<fig id="f6">
					<label>Figura 4:</label>
					<caption>
						<title>Exemplo de atribuição de um excerto do corpus ao nó Responsabilidade</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-236-gf6.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B34">Santos (2020</xref>, p. 122).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Ao processarmos no Sketch Engine os excertos atribuídos ao nó Responsabilidade, que constituíram um <italic>subcorpus</italic>, extraímos da lista de palavras-chave os possíveis evocadores de <italic>frame</italic>, quais sejam: <italic>assumir a responsabilidade</italic>, <italic>responsáveis</italic>, <italic>assumir as consequências</italic>, <italic>obrigação</italic> e <italic>responsabilização</italic>. Realizando o procedimento de anotação semântica, definimos esse <italic>frame</italic> conforme sua evocação nos <italic>subcorpora</italic> Pró-SUG e Anti-SUG, respectivamente, conforme <xref ref-type="fig" rid="f7">Quadro <bold>3</bold></xref> bipartido a seguir.</p>
			<p>
				<fig id="f7">
					<label>Quadro 3:</label>
					<caption>
						<title>O frame Responsabilidade nos subcorpora Pró-SUG e Anti-SUG</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-236-gf7.jpg"/>
					<attrib>Fonte: adaptado de <xref ref-type="bibr" rid="B34">Santos (2020</xref>, p. 164, 211).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Tais contrastes foram corroborados por meio do processamento do evocador <italic>responsabilidade</italic> no recurso Sketch Difference: verificamos que os pró-SUG são os únicos que combinam esse termo com os itens “parlamentares”<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>, “pai”, “senado”<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>, “Ministério”<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref> e “Estado”, conforme exibimos na <xref ref-type="fig" rid="f8">Figura <bold>5</bold></xref> a seguir (coluna à esquerda). São também os únicos que falam em responsabilidade social e pública (vide coluna à direita). Já os anti-SUG tratam apenas de responsabilidade penal (em uma ocorrência, conforme coluna à direita).</p>
			<p>
				<fig id="f8">
					<label>Figura 5:</label>
					<caption>
						<title>Sketch Difference para a palavra responsabilidade</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-236-gf8.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B34">Santos (2020</xref>, p. 165).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>A partir de <italic>frames</italic> como esse, os participantes pró-SUG conceptualizam a criminalização do aborto como mecanismo ineficaz para reduzir o número de abortamentos clandestinos. Além disso, enquanto os pró-SUG enfatizam a corresponsabilidade entre homens e mulheres pela contracepção (vide <xref ref-type="fig" rid="f7">Quadro 3</xref>, parte superior), alguns participantes anti-SUG consideram que a mulher é a única responsável nessa situação. Nesse sentido, apenas em três excertos de tal <italic>subcorpus</italic> se perspectiviza uma relação de responsabilidade que inclui “pai e mãe”, “homens e mulheres”, ou “as pessoas” em geral (vide <xref ref-type="fig" rid="f7">Quadro 3</xref>, parte inferior). Nas demais ocorrências, o foco recai sobre a responsabilidade maior (ou única) das mulheres sobre a contracepção. Além disso, chega-se a atribuir à mulher a responsabilidade por “assumir seus filhos” no caso de uma gestação indesejada. Consequentemente, conceptualiza-se o abortamento como ato que decorre da irresponsabilidade das mulheres.</p>
			<p>A <xref ref-type="fig" rid="f9">Figura <bold>6</bold></xref> a seguir esquematiza as distintas instanciações do <italic>frame</italic> Responsabilidade, considerando os contrastes entre os diferentes modos pelos quais os pró-SUG (balões à esquerda) e os anti-SUG (balão à direita) agenciam o mesmo <italic>frame</italic>. Nesse âmbito, destacamos também que os pró-SUG instanciam o EF Parte Responsável com expressões referentes ao Estado, no que se refere à morte de mulheres. Já os anti-SUG evocam esse <italic>frame</italic> para tratar somente de responsabilidade contraceptiva e parental.</p>
			<p>
				<fig id="f9">
					<label>Figura 6:</label>
					<caption>
						<title>Perspectivações do frame Responsabilidade</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-236-gf9.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B34">SANTOS (2020</xref>, p. 212).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Como ilustra esse exemplo, os resultados apontaram para o agenciamento de <italic>frames</italic> que revelam conceptualizações conservadoras e/ou retrógradas sobre a mulher e seus direitos, de modo que, em vez de um avanço na discussão, tal cenário se abriu a concepções retrógradas na qual a mulher é conceptualizada como ser a quem compete utilizar meios de contracepção e evitar a gravidez indesejada, para que não se veja em uma situação de abortamento; e a quem cabe, por excelência, a responsabilidade parental sobre o feto gerado.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>5. Considerações finais</title>
			<p>Este artigo discutiu alguns caminhos metodológicos que têm sido adotados para descrição de <italic>frames</italic> semânticos com base em <italic>corpora</italic>. Para isso, partimos da noção multifacetada de <italic>frame</italic> como construto sociocognitivo e como ferramenta analítica, por meio da qual é possível descrever e problematizar as conceptualizações que emergem em contextos sociais. Por meio do processo de revisão de literatura, verificamos que a pergunta de pesquisa, o tipo de <italic>corpus</italic> em estudo e o formato dos dados coletados são fatores cruciais à definição das etapas metodológicas que permitam a aplicação do <italic>frame</italic> como ferramenta analítica em contextos sociais. Assim, tendo como base as diferentes perspectivas metodológicas encontradas na literatura, o artigo teve como ponto de chegada uma proposta delineada para uma tese de doutorado que realizou um estudo de caso baseado em um <italic>corpus</italic> de audiências públicas.</p>
			<p>Em tal âmbito, incluímos a FrameNet no percurso metodológico, mas usando-a somente como um ponto de partida para criação de <italic>frames</italic>, tal como nos trabalhos de <xref ref-type="bibr" rid="B23">Lima (2009</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B27">Miranda e Loures (2016</xref>), dentre outros. Valendo-nos do direcionamento metodológico <italic>middle-out</italic> postulado pelo grupo SemanTec (<xref ref-type="bibr" rid="B5">CHISHMAN <italic>et al.</italic>, 2018</xref>), previmos também uma etapa de estudo do domínio investigado, para então segmentar o <italic>corpus</italic> de pesquisa em temas e descrever a rede de <italic>frames</italic> que emergia dos dados. Para realizar tal segmentação, articulamos o uso de uma ferramenta de <italic>corpus</italic> (o Sketch Engine) ao NVivo, um <italic>software</italic> que permite a codificação dos dados e o cruzamento de diversos parâmetros que os classificam. Assim o <italic>corpus</italic> foi dividido em grandes temas, ou nós, processo que gerou <italic>subcorpora</italic> monotemáticos que foram processados no Sketch Engine.</p>
			<p>Metodologicamente, acreditamos que nossa proposta contribua às pesquisas que buscam identificar <italic>frames</italic> semânticos com base em <italic>corpora</italic>, principalmente pelo fato de que nos utilizamos de dois <italic>softwares</italic> de processamento de dados que se complementam no processo de descrição de <italic>frames</italic> e auxiliam no delineamento da metodologia <italic>middle-out</italic> aqui adotada.</p>
			<p>O NVivo permitiu a segmentação de <italic>corpora</italic> em grandes temas e, assim, facilitou o processo de descrição de <italic>frames</italic>, dado que gerou <italic>subcorpora</italic> temáticos que podem ser processados em uma ferramenta de <italic>corpus</italic>. No caso deste trabalho, valemo-nos do Sketch Engine, cuja pertinência já foi por nós corroborada em uma pesquisa com delineamentos cognitivo-discursivos (<xref ref-type="bibr" rid="B36">SANTOS; CHISHMAN, 2017</xref>). No entanto, é a primeira vez que utilizamos um recurso novo da ferramenta, o Sketch Difference, para comparar o uso de algumas combinatórias lexicais entre os <italic>subcorpora</italic> e atestar nossa descrição de <italic>frames</italic>. Tal recurso parece-nos pertinente para concretizar uma proposta de <italic>triangulação de dados</italic>, em que se usam diferentes métodos para &quot;[...] revelar aspectos múltiplos de uma única realidade empírica&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B38">SILVERMAN, 2005</xref>, p. 35, tradução nossa) - nesse caso, enquanto o NVivo serviu para delinearmos os <italic>frames</italic> com base em macrotemas, o Sketch Difference e outros recursos do Sketch Engine permitiram-nos confirmar ou ajustar tais descrições, com base em evidências lexicais.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Observamos que essas investigações foram coletadas por meio de buscas nas bases de dados EbscoHost, Portal de Periódicos da Capes, SciELO, Banco de Teses e Dissertações (BDTD), Catálogo de Teses e Dissertações da Capes e Google Acadêmico. As palavras-chave inseridas e cruzadas nessa busca (por meio do operador booleano “and”), em língua inglesa e portuguesa, foram: “semântica de frames”, “sociocognição”, “social” e “discurso”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>O Grupo SemanTec tem avançado na descrição dos domínios jurídico (CHISHMAN <italic>et al.</italic>, 2020), olímpico e paraolímpico (<xref ref-type="bibr" rid="B6">CHISHMAN <italic>et al.</italic>, 2019</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>As questões que os alunos responderam foram as seguintes: “Para você, o que é uma aula?”; “O que os seus professores fazem nas aulas? O que vocês, alunos, fazem nas aulas? Dê exemplos de suas ações mais comuns, frequentes ou rotineiras.”; “Para você, o que é um boa aula?”. (<xref ref-type="bibr" rid="B23">LIMA, 2009</xref>, p. 78).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Considerando uma lauda com fonte Arial 12, com espaçamento simples.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Uma licença para estudantes foi adquirida pelo Grupo SemanTec, a qual tem validade de dois anos. Agradecemos à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do RS (Fapergs) pela concessão dos recursos que viabilizaram tal aquisição.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Concordância: “Então, queria chamar a atenção e a responsabilidade dos nossos Parlamentares, das Casas Legislativas e das Lideranças políticas [...]”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Concordância: “[...] coloca também a responsabilidade do Senado Federal em fazer este debate [...]”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Concordância: “[...] atenção humanizada ao abortamento. É da responsabilidade do Ministério da Saúde fazer isso.”</p>
			</fn>
		</fn-group>		
        <ref-list>
			<title>Referências bibliográficas</title>
			<ref id="B1">
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