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				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
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				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9511.v39p132-150</article-id>
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					<subject>Articles</subject>
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				<article-title>Tradução e multimodalidade nos discursos para prevenção contra o coronavírus no estado do Pará</article-title>
				<article-title>Translation and multimodality in discourses for coronavirus prevention in the state of Pará</article-title>
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						<surname>Oliveira</surname>
						<given-names>Lucas Araújo De</given-names>
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						<surname>Barros</surname>
						<given-names>Silvia Helena Benchimol</given-names>
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				<institution content-type="original">Graduado em letras língua inglesa pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Campus Universitário de Capanema. Coordenador adjunto do projeto ABC English: Opening Doors. Membro dos Grupos de Pesquisa (CNPQ) ELA; NET e RESGETE (UFPA). E-mail luccassoliver@gmail.com</institution>
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				<label>**</label>
				<institution content-type="original">Professora adjunta da Universidade Federal do Pará (UFPA); Doutora em Tradução e Terminologia pelas Universidades de Aveiro (UA-Pt) e Nova de Lisboa (UNL-Pt); Mestre em estudos Linguísticos (UFPA); Esp. Assessment in EFL/ESL Universidade de Indiana (UI - USA) e em Linguística Aplicada pela UFPA. Docente do Programa de mestrado PPLSA (UFPA). E-mail silviabenchimol@hotmail.com; sbenchimol@ufpa.br</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Pará</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
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				<year>2022</year>
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			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<season>Jan-Jun</season>
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			<volume>39</volume>
			<fpage>132</fpage>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Em meio à Pandemia de Covid-19, as diversas redes de informação e comunicação produzem conteúdos que perpassam pelo binômio <italic>comunicação - cultura</italic>, e proliferam por uma variedade de gêneros digitais, transportando discursos e ideologias multimodalizados. O presente artigo aborda os discursos sobre a prevenção do Covid-19 no estado do Pará, sob a perspectiva da tradução intralinguística, veiculados pelos gêneros digitais provenientes de aplicativos de comunicação que consideram características do falar local. O <italic>corpus</italic> deste trabalho consiste em postagens oriundas da rede social <italic>Facebook</italic>. A pesquisa teórico-empírica de características analítico-qualitativas cria interfaces teóricas entre os Estudos da Tradução (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BASSNETT; TRIVEDI, 1999</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B8">JAKOBSON, 2005</xref>), os pressupostos da Análise do Discurso (<xref ref-type="bibr" rid="B12">MAINGUENEAU, 2008</xref>), os estudos sobre Gêneros Digitais (<xref ref-type="bibr" rid="B1">BAKHTIN, 1997</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">MARCUSCHI, 2004</xref>) e os aspectos semióticos da Teoria da Multimodalidade (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BAPTISTA, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">DICERTO, 2018</xref>).</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>Amidst the Coronavirus Pandemic, the various information and communication networks produce contents, which run through the <italic>communication - culture</italic> binomial, and spread out through a variety of digital genres, carrying multimodalized discourses and ideologies. This article approaches, from the perspective of intralinguistic translation, the discourses for the prevention of Coronavirus in the state of Pará, conveyed by digital genres, arising from communication applications and emphasizing local speech characteristics. The corpus of this work consists of posts from the social network Facebook. The theoretical-empirical research of analytical-qualitative nature creates theoretical interfaces between Translation Studies (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BASSNETT; TRIVEDI, 1999</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B8">JAKOBSON, 2005</xref>), Discourse Analysis (<xref ref-type="bibr" rid="B12">MAINGUENEAU, 2008</xref>), Discursive genres (<xref ref-type="bibr" rid="B1">BAKHTIN, 1997</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">MARCUSCHI, 2004</xref>) and the semiotic aspects of the Theory of Multimodality (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BAPTISTA, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">DICERTO, 2018</xref>).</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Tradução intralinguística</kwd>
				<kwd>discurso</kwd>
				<kwd>multimodalidade</kwd>
			</kwd-group>
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				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Intralinguistic translation</kwd>
				<kwd>discourse, multimodality</kwd>
			</kwd-group>
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	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>1. Introdução</title>
			<p>Em meio à pandemia do novo Coronavírus, as mídias digitais tornaram-se mecanismos essenciais para a conexão entre os seus usuários e a informação circulante. Este fato viabilizou o contato ora obstado entre as pessoas fisicamente distanciadas e redimensionou consideravelmente as formas de comunicação, informação e interação, colocando ainda em maior evidência as potencialidades da tecnologia. As redes sociais adquiriram um status prioritário e eficaz nas interrelações, além de permitirem a hibridização de fórmulas comunicativas e soluções visuais via significativa multiplicidade de recursos semióticos para veiculação da informação.</p>
			<p>Neste trânsito, os conteúdos linguístico-discursivos que perpassam pelo binômio <italic>comunicação e cultura</italic> passam a evidenciar uma variedade de gêneros digitais (<xref ref-type="bibr" rid="B13">MARCUSCHI, 2004</xref>) e a não uniformidade dos falares marcados por fatores sociais, culturais e regionais - os contextos sociolinguísticos com suas variantes (<xref ref-type="bibr" rid="B9">LABOV, 2008</xref>).</p>
			<p>Considerando o amplo alcance dos veículos de informação e a diversidade das plataformas que conjuntamente compõem uma complexa rede neural, restringimos a seleção do <italic>corpus</italic> deste estudo ao <italic>Facebook</italic> - uma das mais utilizadas redes sociais - cuja popularidade contribui para o compartilhamento dinâmico de informações entregues pelos <italic>posts</italic>. A seleção do <italic>corpus</italic> de análise baseou-se em <italic>posts</italic> cuja formulação linguística revelasse características léxico-discursivas tipicamente utilizadas pelos paraenses. A concepção de tradução intralinguística, que “consiste na interpretação dos signos verbais por meio de outros signos da mesma língua” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">JAKOBSON, 2005</xref>: 64), evidencia-se de forma peculiar neste trabalho pelo fato de partirmos, de modo invertido, de um texto-meta (TM), na forma de <italic>post</italic> traduzido (intralinguisticamente) para a tipicidade do falar paraense, dentro da especificidade temática <italic>Pandemia do Coronavírus</italic>. O texto-fonte (TF), de onde resulta tal tradução, encontra-se implícito e presente no universo do domínio público, mas não visualmente no <italic>post</italic>. Estas características nos remetem aos conceitos de “memória” e “interdiscurso” de <xref ref-type="bibr" rid="B15">Pêcheux (2010</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B12">Maingueneau (2008</xref>).</p>
			<p>Em linha com a perspectiva proposta pelo “dispositivo enunciativo” de Maingueneau (<xref ref-type="bibr" rid="B22">SOBRAL, 2017</xref>: 51), a análise do <italic>corpus</italic> deste estudo releva a singularidade dos diversos elementos que constituem o discurso de forma integrada e convergente, como verificável em sessão posterior neste artigo.</p>
			<p>O discurso intralinguisticamente traduzido, em posição central de análise, é aqui compreendido como um mecanismo linguístico complexo e estruturado, não por escolhas lexicais desprovidas de intencionalidade, mas por ideologias e valores compatíveis com um determinado contexto sócio-histórico e cultural e justificáveis por eventos particulares. Neste caso, a situação epidemiológica do Coronavírus, enfrentada na atualidade.</p>
			<p>Refere <xref ref-type="bibr" rid="B14">Orlandi (2007</xref>) que “é pelo discurso que melhor se compreende a relação entre <italic>linguagem - pensamento - mundo</italic>, porque o discurso é uma das instâncias materiais (concretas) dessa relação” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">ORLANDI, 2007</xref>: 12, grifo nosso). De forma integrada, atuam sobre o <italic>corpus</italic> os aspectos multimodais característicos dos <italic>posts</italic> de impacto, os quais geram maior engajamento e aparecem como recursos visuais de suporte à elaboração do produto da comunicação - a “formação discursiva” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">MAINGUENEAU, 2008</xref>).</p>
			<p>Assim, esta pesquisa de natureza teórico-empírica e de características analítico-qualitativas agrega de forma interdisciplinar, prioritariamente, os pressupostos dos Estudos da Tradução, com ênfase na Tradução Intralinguística (<xref ref-type="bibr" rid="B8">JAKOBSON, 2005</xref>), os postulados da Análise do Discurso (<xref ref-type="bibr" rid="B12">MAINGUENEAU, 2008</xref>), as pesquisas sobre Gêneros Digitais (<xref ref-type="bibr" rid="B1">BAKHTIN, 1997</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">MARCUSCHI, 2004</xref>), as bases teóricas da Sociolinguística e os aspectos semióticos da Teoria da Multimodalidade, presentes na estrutura de composição dos Gêneros Digitais.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title><bold>2. <italic>Posts</italic>: veículos propagadores de discursos na ambiência multimodalizada dos gêneros digitais</bold></title>
			<p>A evolução acelerada das plataformas e aplicativos de interação social implementou novos meios para viabilizar certas rotinas comunicativas intensificadas pela situação pandêmica e condicionadas às necessidades e perfis de seus usuários. O <italic>Facebook</italic> é uma plataforma que surgiu em 2004 na universidade de Harvard, com o objetivo de facilitar a interação entre os estudantes e logo difundiu-se para outras universidades tornando-se, em 2009, uma das maiores redes sociais do mundo (<xref ref-type="bibr" rid="B20">SADIKU; OMOTOSO; MUSA, 2019</xref>: 01).</p>
			<p>A plataforma disponibiliza através de suas ferramentas de comunicação os chamados <italic>posts</italic>, que são modos estruturados de entrega de conteúdo, promotores da interação entre usuários para fins comerciais, políticos, religiosos e pessoais. Os <italic>posts</italic> - típicos gêneros digitais - circulam de forma imprevisível no ambiente virtual, oferecendo possibilidades de publicizar opiniões, criar temáticas, promover debates e a exposição de posicionamentos. Os gêneros digitais são caracterizados por <xref ref-type="bibr" rid="B13">Marcuschi (2004</xref>: 15) como “eventos textuais fundamentalmente baseados na escrita” que podem trazer, associadamente, características bastante específicas tanto no aspecto linguístico quanto no formal.</p>
			<p>Neste artigo, os <italic>post</italic>s distinguem-se como veículos condutores de discursos e ideologias emergentes do contexto pandêmico e são ressaltadas as suas características verbais - escrita com marcas de oralidade e recursos imagéticos. Sobre esses múltiplos modos de representação, <xref ref-type="bibr" rid="B7">Gomes (2015</xref>) afirma que,</p>
			<disp-quote>
				<p>Os produtores de textos fazem uso, cada vez mais, de outros modos de representação e comunicação que coexistem dentro de um texto, considerando que a língua escrita está cada vez menos no centro de uma comunicação, embora qualquer que seja o texto escrito, ele é multimodal. Todo texto é composto por mais de uma forma de representação, mesmo que não seja construído por texto imagético (<xref ref-type="bibr" rid="B7">GOMES, 2015</xref>: 82).</p>
			</disp-quote>
			<p>Nesse sentido, os textos publicados através dos <italic>posts</italic> configuram-se como multimodais, mesmo não sendo textos literalmente imagéticos, mas por estarem inseridos em um ambiente multimodalizado. Essa afirmação tem por base o fato de existirem variadas formas de representação que interferem na mensagem, destacando, por conseguinte, a natureza iconográfica dos <italic>posts</italic>, nomeadamente, a formatação do texto, tipologias das fontes, cor de fundo e das fontes; <italic>layout</italic> da plataforma; e demais componentes que integram o ambiente digital. Ao tornar-se parte constituinte desse cenário, o próprio usuário utiliza-se de uma formulação linguística para veicular ideologias, valores e produzir efeitos de sentido, os quais podem, como no caso deste estudo, trazer características típicas do falar de determinado local - suas variações diatópicas e diastráticas. Baccega (1998 <italic>apud</italic><xref ref-type="bibr" rid="B11">LEMOS, 2008</xref>: 652-653) afirma que</p>
			<disp-quote>
				<p>O que se pode chamar de discurso, não é nem um complemento da língua nem um simples uso da mesma, mas língua e uso vinculados à interpretação de sujeitos/indivíduos históricos, que produzem efeitos de sentidos ao tomar a palavra, mexendo na memória do dizer instituída - e que é um processo sempre em aberto, em construção [...] (BACCEGA, 1998 <italic>apud</italic><xref ref-type="bibr" rid="B11">LEMOS, 2008</xref>: 652-653).</p>
			</disp-quote>
			<p><italic>A priori,</italic> a formulação discursiva vincula diversos sujeitos que estão interligados ao <italic>Facebook</italic> e que buscam algum tipo de conteúdo. Um usuário que está inserido no contexto de produção do típico falar paraense ou neste universo ideológico, de acordo com Baccega (1998), depreende com maior clareza o conteúdo produzido por outro indivíduo que esteja no mesmo sistema discursivo. <xref ref-type="bibr" rid="B5">Charaudeau (2013</xref>), nesse sentido ressalta que</p>
			<disp-quote>
				<p>o acontecimento não é jamais transmitido em seu estado bruto, pois, antes disso, ele se torna objeto de racionalizações: pelos critérios de seleção dos fatores e dos atores, pela maneira de encerrá-los em categorias de entendimento, pelos modos de visibilidade escolhidos (<xref ref-type="bibr" rid="B5">CHARAUDEAU, 2013</xref>: 151).</p>
			</disp-quote>
			<p>Dessa forma, o discurso se mostra como um processo que está sempre em construção e os gêneros digitais revelam-se como veículos igualmente dinâmicos de ricas características multimodais para sua propagação.</p>
			<p>Os Estudos Funcionais da Tradução têm, com alguma frequência, evocado os preceitos da multimodalidade para amparar análises da pluralidade de recursos semióticos os quais, em grande medida, se fazem presentes em gêneros contemporâneos que associam a tecnologia ao desenvolvimento de projetos tradutórios (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BENCHIMOL-BARROS, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">PIRES E DUQUE, 2015</xref>). O mesmo se confirma em relação aos produtos tradutórios audiovisuais (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BAPTISTA, 2015</xref>). Entretanto, os estudos sobre multimodalidade não apresentam de forma consistente esta relação com os Estudos da Tradução (<xref ref-type="bibr" rid="B6">DICERTO, 2018</xref>:6). Assim sendo, subjaz a essa necessidade de ampliar as interfaces de análise dos produtos tradutórios por meio da multimodalidade o fato de que, paralelamente à evolução dos gêneros textuais, avançam e transformam-se (também) os métodos de traduzir.</p>
			<p>Os textos multimodais tais como as postagens das redes sociais estruturam-se de forma criativa para expressar sentidos, corroboram as construções textuais e desafiam noções estratégicas de análise tradutória como a de <italic>equivalência</italic>, por exemplo. Neste estudo, a tradução intralinguística é um pilar de sustentação da análise dos <italic>posts.</italic></p>
		</sec>
		<sec>
			<title>3. Tradução Intralinguística: convertendo discursos da pandemia para uma dimensão sociocultural particularizada</title>
			<p>O processo de tradução que ocorre dentro de uma mesma língua, denominado por <xref ref-type="bibr" rid="B8">Jakobson (2005</xref>) como intralinguístico ou intralingual, não é totalmente diverso daquele que ocorre nas traduções entre línguas, se consideramos que ambos visam, em última instância, levar o leitor a apreensão de uma mensagem ou mesmo se partirmos da compreensão etimológica do termo em latim <italic>traducere</italic> - levar alguém pela mão para outro lado, outro lugar. Ao que refere <xref ref-type="bibr" rid="B19">Rónai (1976</xref>):</p>
			<disp-quote>
				<p>O sujeito deste verbo é o tradutor, o objeto direto, o autor do original a quem o tradutor introduz num ambiente novo [...] Mas a imagem pode ser entendida também de outra maneira, considerando-se que é ao leitor que o tradutor pega pela mão para levá-lo para outro meio lingüístico que não o seu (<xref ref-type="bibr" rid="B19">RÓNAI, 1976</xref>: 3-4).</p>
			</disp-quote>
			<p>Sugere Rónai que o tradutor é o agente mediador que leva o autor do texto original para uma nova ambiência, neste caso, o universo do falar paraense. É ele o responsável por esta recolocação da mensagem que decorre de um processo de reformulação de um signo verbal por meio da paráfrase. <xref ref-type="bibr" rid="B23">Steiner (1998</xref>), sobre o que propõe <xref ref-type="bibr" rid="B8">Jakobson (2005</xref>), reflete a respeito da tradução intralinguística que ocorre entre diferentes ideologias e contextos socioculturais em diferentes momentos na linha temporal. Refere Steiner (ibidem: 49) que os problemas da busca por equivalências enfrentados na tradução interlinguística - <italic>translation proper</italic> - assemelham-se aos que se apresentam na busca por sinônimos e adequações de registro no processo intralinguístico, embora geralmente desprezado a este nível.<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>
			</p>
			<p>Partindo-se da premissa Jakobsoniana de que nem mesmo a sinonímia resgata a relação de equivalência completa (<xref ref-type="bibr" rid="B8">JAKOBSON, 2005</xref>), a tradução que se dá no domínio de uma mesma língua consiste em um processo de reescrita em que se inserem aspectos socioculturais determinantes para as escolhas do tradutor, os quais são peculiares e compartilhados por determinado grupo social, circunscrito, por exemplo, cultural e geograficamente.</p>
			<p>Em defesa de que o processo tradutório é, sobretudo, um ato culturalmente orientado, <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bassnett e Trivedi (1999</xref>) afirmam que</p>
			<disp-quote>
				<p>a tradução não acontece em um vácuo, mas em um contínuo; não consiste em ato isolado, mas integra um processo de transferência intercultural (...) é uma ação altamente manipulatória, que envolve toda a diversidade de estágios, nos quais o processo de transferência atravessa fronteiras linguísticas e culturais (...) não é atividade inocente e transparente, mas altamente carregada de significações<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BASSNETT; TRIVEDI 1999</xref>: 2).</p>
			</disp-quote>
			<p>Essa afirmação, que ressalta a relação <italic>língua - tradução - cultura</italic>, suscita a compatibilidade (paralelismo) entre o tripé <italic>discurso - transposições</italic> (interlinguísticas, intralinguísticas e intersemióticas) - <italic>variações sociolinguísticas</italic>. A <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>, abaixo, apresenta estas relações e as insere na ambiência multimodal, conforme verificadas neste estudo.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Relações intrínsecas</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-39-132-gf1.jpg"/>
					<attrib>Fonte: criada pelos autores</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Ao afirmarmos que este estudo parte de uma análise em direcionalidade invertida TMTF, resgatando assim, a memória discursiva, assumimos igualmente que</p>
			<disp-quote>
				<p>A memória seria aquilo que, face a um texto que surge como acontecimento a ler, vem restabelecer os “implícitos” (quer dizer, mais tecnicamente, os pré-construídos, elementos citados e relatados, discursos-transversos, etc.) de que sua leitura necessita: a condição do legível em relação ao próprio legível (<xref ref-type="bibr" rid="B15">PÊCHEUX, 2010</xref>:52).</p>
			</disp-quote>
			<p>O autor se refere, portanto, a uma memória social que, envolvendo outros discursos implícitos e previamente enunciados, faz deles a condição para viabilizar tanto “novas” elaborações discursivas quanto suas interpretações em dados contextos. É precisamente esse “implícito”, o texto do qual partimos para a análise da tradução intralinguística produzida nos <italic>posts,</italic> que constituem o <italic>corpus</italic> deste estudo.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title><bold>4. A enunciação discursiva dos <italic>posts:</italic> compartilhamento de aspectos socioculturais do falar paraense</bold></title>
			<p>Afirma Bakhtin (2009: 79 apud <xref ref-type="bibr" rid="B21">SILVA, 2012</xref>) que “nenhuma enunciação verbalizada pode ser atribuída exclusivamente a quem a enunciou: é produto da interação entre falantes e em termos mais amplos, produto de toda uma situação social na qual ela surgiu”. As recorrentes recomendações e alertas que ecoam na atualidade carregando informações variadas sobre condutas profiláticas e de biossegurança, são, indiscutivelmente, estratégias de enunciação para a produção de efeito de sentido e controle sobre o comportamento da sociedade neste momento histórico de pandemia. A reincidência do(s) discurso(s) de justificável ideologia persuasiva e manipulatória assume características de imparcialidade e credibilidade pelo modo de propagação mais utilizado - a mídia jornalística - e reverbera por canais, gêneros e suportes de impacto como no caso das redes sociais. Na visão de Maingueneau (1984), referido por Sobral (2018: 53),</p>
			<disp-quote>
				<p>os discursos são objetos ao mesmo tempo integralmente linguísticos e integralmente históricos. Com efeito, as unidades do discurso constituem sistemas, sistemas significantes, enunciados, e esses títulos vêm de uma semiótica textual, mas vêm igualmente da história, que fundamenta as estruturas de sentido que eles exibem (MAINGUENEAU, 1984 apud SOBRAL, 2018:53).</p>
			</disp-quote>
			<p>O que afirma o autor e corrobora nossa análise é que o discurso expressa de forma reveladora e integrada tanto o contexto histórico pandêmico quanto a materialidade linguística dos textos (informações) dos <italic>posts</italic> produzidos neste cosmos, respectivamente, “contextualização e textualização”. Ainda fundamentados na ótica de Maingueneau, percebemos que os discursos presentes nos <italic>posts</italic> trazem enunciados de outras fontes, que não o próprio autor das postagens. Estes enunciados “se acham aí tão intimamente ligados ao texto que não podem ser apreendidos por uma abordagem linguística stricto sensu” (MAINGUENEAU, 1984:25 apud SOBRAL, 2018). Neste sentido, esta materialidade reclama por uma análise que considere tanto a “heterogeneidade enunciativa” quanto a “heterogeneidade constitutiva” das postagens (ibidem).</p>
			<p>A emergência da situação de saúde e de enfrentamento da pandemia foi, da mesma forma, geradora de muitas enunciações recorrentes, ecoantes em todo o planeta e em centenas de idiomas, resultando na formação de um universo de discursos inter-relacionados e interdependentes temática e ideologicamente - “o interdiscurso”, o qual justifica as repetições, tanto quanto permite reformulações no nível sintagmático - “intradiscurso”. Charaudeau e Maingueneau explicitam que,</p>
			<disp-quote>
				<p>&quot;interdiscurso&quot; é apresentado com um sentido restritivo (conjunto de discursos do mesmo campo que mantêm relações de delimitação recíproca uns com os outros) e com um sentido amplo (conjunto das unidades discursivas com as quais um discurso entra em relação explícita ou implícita) (2002 apud <xref ref-type="bibr" rid="B17">POSSENTI, 2003</xref>: 253).</p>
			</disp-quote>
			<p>O cerne deste estudo reside nas questões enunciativas peculiares, que pretendem operar sobre o comportamento de determinado grupo social, cultural e geograficamente localizado. O <italic>corpus</italic> nos conduz, paralelamente, a uma reflexão sobre as transformações observadas nos níveis tradutório intralinguístico [parafrástico] e sociolinguístico considerando as variações evidenciadas nos textos dos <italic>posts</italic> selecionados do <italic>Facebook</italic>. Referem <xref ref-type="bibr" rid="B10">Leite e Farias (2017</xref>), que</p>
			<disp-quote>
				<p>o processo comunicativo não pode ser reduzido à mera circulação de mensagens entre um emissor e um receptor num dado contexto, na medida em que o interesse da semiótica se volta para o jogo de “persuasão-manipulação-interpretação” intersubjetiva, próprio do processo comunicativo (<xref ref-type="bibr" rid="B10">LEITE; FARIAS, 2017</xref>: 178).</p>
			</disp-quote>
			<p>As mensagens contidas nos <italic>posts</italic> buscam por meio deste jogo de persuasão-manipulação-interpretação, realizar seu intento comunicativo e, para isto, empregam matizes sociolinguísticos, variações de características diatópicas e diastráticas que ocorrem no estado do Pará.</p>
			<p>Com este propósito e para compor o <italic>corpus</italic> deste estudo, foram selecionados quatro <italic>posts</italic> do contexto “Pandemia do Coronavírus”, de diferentes páginas do <italic>facebook</italic><xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>, os quais têm em comum o compartilhamento por usuários paraenses e destes foram extraídos elementos constitutivos do discurso que representam tanto a tradução intralinguística quanto as variações e registros linguísticos da pandemia. O impacto destes <italic>posts</italic> justifica-se pelo fato de que, para além de trazerem um conteúdo de utilidade pública, agregam o componente de humor com marcas perceptíveis da oralidade de municípios paraenses. As transformações de grafia e a utilização de expressões típicas da população corroboram um movimento de adesão por laços de identidade.</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Figura 2:</label>
					<caption>
						<title>sátira de comunicado oficial</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-39-132-gf2.jpg"/>
					<attrib>Fonte: página do <italic>facebook</italic></attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>
				<fig id="f3">
					<label>Figura 3:</label>
					<caption>
						<title>Internacionalização e localização</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-39-132-gf3.jpg"/>
					<attrib>Fonte: página do <italic>facebook</italic></attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>
				<fig id="f4">
					<label>Figura 4:</label>
					<caption>
						<title>Advertência profilática (1)</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-39-132-gf4.jpg"/>
					<attrib>Fonte: página do <italic>facebook</italic></attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>
				<fig id="f5">
					<label>Figura 5:</label>
					<caption>
						<title>Advertência profilática (2)</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-39-132-gf5.jpg"/>
					<attrib>Fonte: página do <italic>facebook</italic></attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>A <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref> é um <italic>post</italic> de uma “suposta” comunicação oficial que apresenta um conjunto de enunciações com advertências profiláticas. As expressões utilizadas são traduções intralinguísticas de discursos recorrentes sobre a pandemia, construções parafrásticas que revelam o modo típico de falar da população, em registro linguístico informal, com suas expressões de sentido compartilhado e cariz humorístico. A intenção que se depreende da postagem é a de sensibilizar o leitor por meio do componente humorístico que reveste a linguagem típica paraense, permitindo que o discurso opere as mudanças comportamentais pretendidas.</p>
			<p>Destaca-se o fato de que este <italic>post</italic> ‘viralizou’ em várias páginas do <italic>facebook</italic> de diferentes municípios do Pará e de outras redes sociais com algumas variações da estrutura, dos neologismos empregados além da utilização de adequações que tornam o conteúdo ainda mais próximo do usuário como a utilização de locais de acordo com os municípios.</p>
			<p>No <xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref> abaixo, selecionamos sete (07) das enunciações do <italic>post</italic> da <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>. O critério para seleção privilegiou as enunciações que continham expressões destacadamente mais típicas do falar paraense nas suas dimensões: lexical, semântica e fonológica. O quadro divide-se nas colunas: (i) Tradução Intralinguística - o texto meta (TM) - com as variações diatópicas e diastráticas; e (ii) Discurso do texto-fonte (TF) implícito.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Quadro 1</label>
					<caption>
						<title>Relação entre TM e TF : Tradução Intralinguística do Discurso</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="left"> </th>
								<th align="center">Tradução Intralinguística (TM com variações diatópicas e diastráticas)</th>
								<th align="center">Discurso (do TF) implícito</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="right"><italic>1.</italic></td>
								<td align="left" style="background-color:#D9DFEE"><italic>Não fiques onde tem uma VULCA de gente</italic></td>
								<td align="left" style="background-color:#D9DFEE">Evite aglomerações</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="right"><italic>2.</italic></td>
								<td align="left"><italic>Fika IXPERTO, dexa de ser LESO, MANO, fica na tua casa</italic></td>
								<td align="left">Esteja atento, não se descuide, fique em casa</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="right"><italic>3.</italic></td>
								<td align="left" style="background-color:#D9DFEE"><italic>Dexa de PAVULAGE, vai TIMBORA pra tua casa, DOIDO</italic></td>
								<td align="left" style="background-color:#D9DFEE">Não busque justificativas, vá para casa</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="right"><italic>4.</italic></td>
								<td align="left"><italic>Não ti ABALA pra Icoaraci, Outeiro e Mosqueiro</italic></td>
								<td align="left">Não vá a praias</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="right"><italic>5.</italic></td>
								<td align="left" style="background-color:#D9DFEE"><italic>Ti toca mano</italic></td>
								<td align="left" style="background-color:#D9DFEE">Conscientize-se</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="right"><italic>6.</italic></td>
								<td align="left"><italic>Esse negócio, não é siri na lata não!</italic></td>
								<td align="left">A pandemia/contaminação não é apenas alarde</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="right"><italic>7.</italic></td>
								<td align="left" style="background-color:#D9DFEE"><italic>O cavalo mordeu tua cabeça?</italic></td>
								<td align="left" style="background-color:#D9DFEE">Você perdeu o juízo?</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: Elaborado pelos autores</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Observa-se nas transcrições do <italic>post,</italic> presentes no quadro, alguns itens lexicais em destaque que dão relevo tanto à entonação quanto aos neologismos [<italic>vulca</italic><xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>, <italic>pavulage</italic><xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>], à representação da produção enfática de fonemas [<italic>ixperto</italic>] e aglutinações [<italic>timbora</italic>], às marcas de oralidade [<italic>dexa, ti, pra</italic>], registros linguísticos informais com gírias [<italic>leso, doido, (ti) toca, abala</italic>], expressões típicas locais [<italic>siri na lata</italic>], vulgarizações com marcas locais [<italic>o cavalo mordeu tua cabeça?</italic>]</p>
			<p>Na <xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref> intitulada ‘internacionalização e localização’, o <italic>post</italic> traz a palavra estrangeira “<italic>lockdown</italic>” que se internacionalizou e foi adotada pelo léxico de diversas línguas, inclusive ao da língua portuguesa, por associação ao contexto pandêmico. A compreensão da palavra <italic>lockdown</italic> independe de um processo tradutório interlinguístico, pois passou a representar seu significado de forma apartada e autônoma de sua origem e etimologia. A relação significado-significante autonomizou-se em nível internacional desprendendo-se dos laços do idioma de origem. Este estudo considera a palavra <italic>lockdown</italic> como um estrangeirismo do qual o <italic>post</italic> se utiliza, porém o complementa com a tradução interlinguística [<italic>te entoca mano</italic>] consolidando o processo de “localização” (<xref ref-type="bibr" rid="B18">PYM, 2004</xref>) do termo na cultura e falar paraenses.</p>
			<p>A <xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref> “advertência profilática (1)” traz uma expressão tipicamente paraense [<italic>Mano, fica no teu setor</italic>] que cumpre a função comunicativa de alerta sobre o isolamento, apelando para o poder de aproximação e afetividade que exerce o termo “<italic>mano</italic>” [irmão], associado a gíria “<italic>teu setor</italic>” [teu espaço/tua casa]. Extrapolando o caráter informativo, percebe-se um apelo visual com alternância de fontes e cores, corroborando o potencial comunicativo pela influência simbólica das cores e da sensação visual resultante. A tradução dá-se pela interpretação da mensagem em conjunção com os elementos visuais que são inerentes ao gênero e à ambiência multimodal. Ainda como ícone característico das mídias sociais, a imagem traz o <italic>hashtag</italic> [símbolo de cerquilha] utilizado para indicar um tópico/conteúdo específico em foco.</p>
			<p>A <xref ref-type="fig" rid="f5">Figura 5</xref> “advertência profilática (2)” transporta a mesma mensagem daquela apresentada na <xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref>, entretanto, com um registro de cariz mais repreensivo e incisivo, sinalizando reação à desobediência na expressão “<italic>que é</italic>” [ou “é que é”]. Intralinguisticamente, esta expressão traduz “que (definitivamente) é melhor!”. A expressão “<italic>te aquieta</italic>” no sentido de “te assossega” reforça o discurso manipulatório que impõe a regra do isolamento social. Os recursos multimodais agregam a imagem de uma construção simples da casa em madeira sem janelas e com a porta fechada, com a bandeira do estado do Pará. Esses elementos iconográficos, em conjunção, ratificam e dão robustez à mensagem de isolamento. O entorno da casa em cor vermelha e o ícone indicativo de atenção no triângulo amarelo indiciam o perigo que está do lado de fora.</p>
			<p>O <xref ref-type="table" rid="t2">Quadro 2</xref>, abaixo, resume as traduções intralinguísticas a partir dos TFs presumidos, recorrentes e memorizados socialmente, e as construções permeadas pelas variações diatópicas e diastráticas das enunciações e termos dos <italic>posts</italic> das <xref ref-type="fig" rid="f3">Figuras 3</xref>, <xref ref-type="fig" rid="f4">4</xref> e <xref ref-type="fig" rid="f5">5</xref>.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t2">
					<label>Quadro 2:</label>
					<caption>
						<title>TF presumido e traduções intralinguísticas dos <italic>posts</italic> das <xref ref-type="fig" rid="f2">Figuras 2</xref>, <xref ref-type="fig" rid="f3">3</xref> e <xref ref-type="fig" rid="f4">4</xref>
						</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="center">Posts</th>
								<th align="center">TF presumido</th>
								<th align="center">Tradução intralinguística com variações diatópicas e diastráticas</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left" style="background-color:#DFEBF5">
									<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>
								</td>
								<td align="left" style="background-color:#DFEBF5">LOCKDOWN (bloqueio total)</td>
								<td align="left" style="background-color:#DFEBF5"><italic>TE ENTOCA MANO</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">
									<xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref>
								</td>
								<td align="left">Fique em casa</td>
								<td align="left"><italic># MANO, Fica NO TEU setor</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" style="background-color:#DFEBF5">
									<xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref>
								</td>
								<td align="left" style="background-color:#DFEBF5">Fique em casa que é melhor</td>
								<td align="left" style="background-color:#DFEBF5"><italic>Te aquieta em casa que é!</italic></td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: Elaborado pelos autores</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>5. Considerações Finais</title>
			<p>Este estudo traz à tona a percepção de como os discursos sobre biossegurança, circulantes no período de pandemia de Covid-19, se propagam de formas mais efetivas e criativas por meio de <italic>posts</italic> veiculados por redes sociais. Percebe-se que a associação de características sociolinguísticas inerentes a um público específico, que compartilha especificidades socioculturais e a multimodalidade presente no gênero digital, podem potencializar o efeito ideológico dos discursos das mensagens que pretendem exercer influência sobre o comportamento dos indivíduos. O processo estudado neste artigo aponta para a tradução intralinguística como mecanismo de aproximação entre um texto fonte presumido e memorizado socialmente (por sua recorrência) e seu público-alvo, a população paraense, no caso. São observados na transposição os efeitos de elementos pictográficos, efeitos cromáticos, marcas de oralidade e expressões tipicamente usadas no falar popular dos paraenses produzindo um efeito comunicativo de apelo humorístico.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
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					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BAKHTIN</surname>
							<given-names>M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Os gêneros do discurso</chapter-title>
					<person-group person-group-type="translator">
						<name>
							<surname>Pereira</surname>
							<given-names>Maria Ermantina Galvão. G.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Estética da criação verbal</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
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					<year>1997</year>
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					</comment>. Acesso em 18 de julho de 2020.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BAPTISTA</surname>
							<given-names>G. S.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Multimodalidade, visualidade e tradução</source>
					<year>2015</year>
					<size units="pages">85fls</size>
					<comment content-type="degree">Mestrado em Estudos da Linguagem</comment>
					<publisher-name>Departamento de Letras, PUC-Rio</publisher-name>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<comment>Disponível em <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/1311698_2015_completo.pdf">http://www.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/1311698_2015_completo.pdf</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2020-07-18">Acesso em 18 de julho de 2020</date-in-citation>
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							<surname>BASSNETT</surname>
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						</name>
						<name>
							<surname>TRIVEDI</surname>
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						</name>
					</person-group>
					<source>Postcolonial translation: theory and practice</source>
					<publisher-loc>London</publisher-loc>
					<publisher-name>Routledge</publisher-name>
					<year>1999</year>
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					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>BENCHIMOL - BARROS</surname>
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						</name>
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					<article-title>Skopostheorie na sala de aula: uma experiência multimodal mediada pela tecnologia dos aplicativos digitais</article-title>
					<source>Letras &amp; Letras (UFU)</source>
					<volume>35</volume>
					<fpage>62</fpage>
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					<year>2019</year>
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							<surname>CHARAUDEAU</surname>
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						</name>
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					<source>Discurso das mídias</source>
					<person-group person-group-type="translator">
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							<surname>Correa</surname>
							<given-names>Angela M.S.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<edition>2</edition>
					<comment>2ª reimpressão</comment>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
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							<surname>GOMES</surname>
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					<chapter-title>Gêneros textuais emergentes no contexto da tecnologia digital</chapter-title>
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					<article-title>Sistemas de gerenciamento de tradução: uma proposta de análise multimodal</article-title>
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				<mixed-citation>SILVA, D. D. Bakhtin e Paulo Freire: a relação do eu e do outro e as relações dialógicas para a prática da liberdade. 2012. 143fls. Tese ( Doutorado em Educação e Ciências Humanas) - Universidade de São Carlos -SP, 2012. Disponível em <comment>Disponível em <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://repositorio.ufscar.br/bitstream/handle/ufscar/2275/4358.pdf?sequence=1">https://repositorio.ufscar.br/bitstream/handle/ufscar/2275/4358.pdf?sequence=1</ext-link>
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					<source>Discurso - Tessituras De Linguagem E Trabalho</source>
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				<mixed-citation>STEINER, G. After Babel: aspects of language &amp; translation. 3a. Ed, Oxford:OUP, 1998.</mixed-citation>
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					<year>1998</year>
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			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Nossa interpretação e paráfrase para o original: On the inter-lingual level, translation will pose concentrated, visibly intractable problems; but these same problems abound, at a more covert or conventionally neglected level, intra-lingually” (1998: 49).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Tradução por BENCHIMOL-BARROS, S.H. do original em “Of Colonies, Cannibals and Vernaculars”. “Translation does not happen in a vacuum, but in a continuum; it is not an isolated act, it is part of an ongoing process of intercultural transfer. Moreover, translation is a highly manipulative activity that involves all kinds of stages in that process of transfer across linguistic and cultural boundaries. Translation is not an innocent, transparent activity but is highly charged with significance… (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BASSNETT; TRIVEDI, 1999</xref>: 2).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>A origem de tais posts é desconhecida, considerando-se que viralizam de forma extremamente dinâmica e sem autoria expressa. A coleta foi feita a partir de diferentes páginas e por questões de preservação de nomes e imagens, serão resguardadas neste estudo.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>vulca (ou vuca): termo local para designar aglomerado.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>adaptação local do termo pabulage: fanfarronice, pedantismo, mentira... disponível em <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://dicionario.priberam.org/pabulagem">https://dicionario.priberam.org/pabulagem</ext-link>.</p>
			</fn>
		</fn-group>
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