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				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Revista de Tradução e Terminologia</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">2317-9511</issn>
			<issn pub-type="epub">2317-9511</issn>
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				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9511.v42p163-180</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Articles</subject>
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				<article-title>Práticas tradutórias em TAVA: a associação de Libras, LSE, AD e audiolegendagem no vídeo de divulgação do XIV SEPESQ</article-title>
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					<trans-title>Translation practices in AAVT: the association of Libras, SDH, AD and audio subtitling in the video publicizing the XIV SEPESQ</trans-title>
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						<surname>Silva</surname>
						<given-names>Manoela Cristina Correia Carvalho da</given-names>
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						<surname>Jesus</surname>
						<given-names>Manoela Nunes de</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref>
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						<surname>Soares</surname>
						<given-names>Elaine Alves</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff3">***</xref>
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				<label>*</label>
				<institution content-type="original">Doutora em Educação e mestre em Letras e Linguística, ambos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). É professora adjunta do Instituto de Letras da UFBA e coordenadora do grupo Tradução e Acessibilidade (TrAce) do Instituto de Letras da UFBA. E-mail: penteacher2@yahoo.com.br</institution>
				<institution content-type="orgdiv2">Tradução e Acessibilidade (TrAce)</institution>
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				<label>**</label>
				<institution content-type="original">Graduanda em Letras Vernáculas com uma Língua Estrangeira Moderna (Inglês) pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Integra, como pesquisadora voluntária, o grupo de pesquisa Tradução e Acessibilidade (TrAce) do Instituto de Letras da UFBA. E-mail: manoelanunesdejesus@hotmail.com</institution>
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				<label>***</label>
				<institution content-type="original">Graduanda em Letras Vernáculas com uma Língua Estrangeira Moderna (Inglês) pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Integra, como pesquisadora voluntária, o grupo de pesquisa Tradução e Acessibilidade (TrAce) do Instituto de Letras da UFBA. E-mail: elaineas002@gmail.com</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>07</day>
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				<year>2023</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<season>Jul-Dec</season>
				<year>2022</year>
			</pub-date>
			<volume>42</volume>
			<fpage>163</fpage>
			<lpage>180</lpage>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Este artigo se constitui no relato de uma experiência formativa em Tradução Audiovisual Acessível (TAVA). O grupo de pesquisa Tradução e Acessibilidade (TrAce) produziu a legendagem para Surdos e ensurdecidos (LSE), a audiodescrição (AD) e a audiolegendagem do vídeo de divulgação do XIV Seminário de Pesquisa Estudantil em Letras (XIV SEPESQ), evento anual do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (ILUFBA). Durante o projeto, no entanto, o grupo enfrentou vários desafios, como, por exemplo, a tradução da Libras para o português, a AD de sinais com movimento, a sincronização das legendas com a sinalização em Libras, entre outros. A fim de superar esses obstáculos, recorreu-se a diferentes estratégias, incluindo a criação da AD a partir dos cinco parâmetros da Libras, a segmentação cuidadosa das legendas e a utilização de vários recursos de edição. </p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>This article is the report of a formative experience in Accessible Audiovisual Translation (AAVT). The research group Tradução e Acessibilidade (TrAce) produced the subtitles for the Deaf and hard of hearing (SDH), the audio description (AD) and the audio subtitling of the video publicizing the XIV Seminário de Pesquisa Estudantil em Letras (XIV SEPESQ), an annual event of the Instituto de Letras of the Universidade Federal da Bahia (ILUFBA). During the project, however, the group faced several challenges, such as the translation of Brazilian sign language (Libras) into Portuguese, the AD of signs with movement and the synchronization of SDH with the signaling in Libras. In order to overcome these obstacles, different strategies were used, including the employment of the five parameters of Libras as a basis for the AD, the careful segmentation of the subtitles and the use of various editing resources.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Tradução Audiovisual Acessível (TAVA)</kwd>
				<kwd>Formação de tradutores</kwd>
				<kwd>Acessibilidade Midiática</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Accessible Audiovisual Translation (AAVT)</kwd>
				<kwd>Translators training</kwd>
				<kwd>Media Accessibility</kwd>
			</kwd-group>
			<counts>
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				<equation-count count="0"/>
				<ref-count count="18"/>
				<page-count count="18"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>O curso de graduação em Letras da Universidade Federal da Bahia (UFBA) é o mais antigo do estado baiano, funcionando desde 1941. Com habilitações em licenciatura e bacharelado, o curso forma professores de português e/ou língua estrangeira para atuar no ensino fundamental e médio, mas também atrai interessados em tornar-se pesquisadores ou atuar em áreas como a tradução. Entretanto, por não se tratar de um curso específico para formação de tradutores, a grade curricular oferta poucas disciplinas voltadas para esse fim e, se o foco de interesse dos discentes for a Tradução Audiovisual (TAV) ou a Tradução Audiovisual Acessível (TAVA), a oferta é ainda mais restrita.<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> A TAVA abrange modalidades de tradução que buscam tornar produtos audiovisuais acessíveis para pessoas com deficiência sensorial (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Araújo; Alves 2017</xref>), incluindo recursos como a audiodescrição (AD), que transforma informações visuais em texto verbal, a legendagem para Surdos<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> e ensurdecidos (LSE), a qual traduz signos verbais e não verbais em forma de texto escrito, e a janela de Libras,<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> na qual há uma tradução entre a Língua Brasileira de Sinais e uma língua oral ou outra língua de sinais.</p>
			<p>Apesar das limitações citadas em nível de graduação, os Estudos da Tradução estão fortemente presentes nos programas de pós-graduação da UFBA: o Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura (PPGLinC) e o Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura (PPGLitCult). Ambos possuem linhas de pesquisa voltadas para a tradução, são elas: Aquisição de Línguas, Tradução e Acessibilidade, e Estudos de Tradução Cultural e Intersemiótica, respectivamente. Então, para mitigar o problema e dar chance aos interessados em ampliar o contato com os Estudos da Tradução desde a graduação, algumas alternativas têm sido adotadas.</p>
			<p>O Núcleo Permanente de Extensão em Letras (NUPEL), o qual já propiciava que alunos da graduação e pós-graduação realizassem a prática docente assistida, passou também a contar com um programa para tradutores em formação. Nesse caso, os bolsistas atendem à comunidade interna, fazendo a tradução dos <italic>websites</italic> dos programas de pós-graduação da UFBA, e externa, trabalhando com textos diversos, geralmente de natureza acadêmica, por valores mais acessíveis. Nos dias de hoje, o Núcleo trabalha com os pares de língua português/inglês e português/espanhol, e todos os projetos são realizados sob a supervisão de um coordenador que orienta os estudantes bolsistas. Contudo, o número restrito de vagas e o tipo de material traduzido continuam a ser obstáculos para os alunos que desejem se dedicar a modalidades como a LSE ou a AD.</p>
			<p>Nesse caso, a alternativa é a participação em grupos de pesquisa. Diante dos vários grupos alocados no Instituto de Letras da UFBA (ILUFBA), os grupos Tradução, Processo de Criação e Mídias Sonoras (PRO.SOM), e Tradução e Acessibilidade (TrAce) destacam-se no campo da TAVA. O PRO.SOM dedica-se à tradução intersemiótica para produção de audiolivros. Já o TrAce trabalha com a acessibilidade por meio de múltiplas modalidades de tradução audiovisual, incluindo a AD, a LSE, a TALS, etc.</p>
			<p>No TrAce, além de serem desenvolvidos projetos de pesquisa e discussões de ordem teórica, são realizadas diversas atividades de extensão, como ciclos de palestra e cursos relacionados à TAVA, sendo ambos direcionados à comunidade interna e externa da UFBA. Além disso, o grupo executa projetos de natureza prática de modo independente e em parceria com outras instituições. Esses trabalhos se apresentam como oportunidades essenciais para que os pesquisadores coloquem em prática as discussões teóricas feitas internamente, cumprindo com a função do grupo de criar espaços de partilha de conhecimento. O desenvolvimento dessas atividades é, normalmente, publicado em forma de artigos científicos e capítulos de livro que, enquanto reflexos de pesquisa acadêmica, preenchem a lacuna ainda existente nos estudos em TAVA. Um exemplo é o projeto de audiodescrição do <italic>IaraApp</italic>, <italic>app</italic> de educação ambiental voltado para o público infantil, que surgiu da colaboração com graduandas de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Paulista (UNESP) (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Silva <italic>et al</italic>. 2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Soares; Silva 2021</xref>).</p>
			<p>Outro projeto que o grupo de pesquisa realizou foi a acessibilização do vídeo de divulgação do XIV Seminário de Pesquisa Estudantil em Letras (XIV SEPESQ), evento anual que visa a circulação das produções, atividades e pesquisas dos integrantes do ILUFBA. No ano de 2021, como o SEPESQ teve como tema “Movimentos no ensino, pesquisa e extensão em Letras: desconstruções e reconstruções, caminhos para a inclusão na Academia”, a Comissão Organizadora procurou tornar a divulgação da edição acessível. Para tanto, houve o preparo de um vídeo em Libras com as principais informações sobre o evento e, consequentemente, a procura por voluntários que tivessem disponibilidade para legendá-lo. O grupo de pesquisa TrAce aceitou a tarefa e, adotando as premissas do design universal,<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref> produziu não só legendas do tipo LSE, mas também a AD e audiolegendagem<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref> do vídeo.<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>
			</p>
			<p>A intenção do grupo era que o material fosse acessível não só para pessoas Surdas, mas também para outros grupos, a exemplo de ouvintes ou ensurdecidos que não sabiam Libras, sujeitos com deficiência visual, disléxicos,<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref> entre outros. Esse propósito mostra que a acessibilidade, longe de ser uma ferramenta usada apenas por indivíduos com deficiência, pode assegurar uma comunicação alargada e, por conseguinte, trazer benefícios para usuários que não integram seu público primário. Nesse sentido, a acessibilidade deixa de ser concebida como um direito humano específico para sujeitos com deficiência e torna-se um instrumento para alcançar os direitos humanos de todas as pessoas, tenham elas alguma deficiência ou não, o que é corroborado pelas definições mais atuais do que seria acessibilidade midiática (AM):</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>According to the universalist account, MA [Media Accessibility] concerns access to media and non-media objects, services and environments through media solutions, for any person who cannot or would not be able to, either partially or completely, access them in their original form</italic> (Greco 2016b, 2018, 2019a, b) (<xref ref-type="bibr" rid="B9">GRECO; JANKOWSKA 2020</xref>: 64).<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Desse modo, a partir do momento em que se empregam táticas de comunicação complementares e diversas, que mobilizam canais distintos (visual, acústico, etc.) e recursos como a AD, LSE e TALS, as experiências com o produto audiovisual podem ser mais agradáveis e, sobretudo, acessíveis para todos (<xref ref-type="bibr" rid="B16">SILVA 2019</xref>).</p>
			<p>Durante o desenvolvimento do projeto, surgiram vários contratempos, advindos do trabalho com modos de tradução assimétricos,<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref> que ainda carecem de investigação, e do fato de legendas em uma língua oral terem de ser criadas com base em uma língua de sinais. Em meio às diferentes adversidades enfrentadas, ressaltam-se: a tradução da Libras para o português; a sincronização das legendas com a sinalização em Libras; e a AD de sinais com movimento. Além disso, houve também problemas técnicos, como a necessidade de inserir notas introdutórias e editar o vídeo, para que as distintas ferramentas fossem exibidas mais harmoniosamente para o público. O presente trabalho objetiva, então, discutir os desafios presentes no processo de acessibilização do vídeo e quais foram as estratégias usadas para solucioná-los, possibilitando, de tal maneira, que outros consigam se apoiar na experiência do TrAce.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>1. Tradução da Libras</title>
			<p>No vídeo de divulgação do XIV SEPESQ,<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref> que dura dois minutos e quarenta e seis segundos, o Prof. Dr. Bruno Ernsen sinaliza em Libras várias informações a respeito do evento, como o período de inscrição e de submissão de trabalhos, incentivando a participação da comunidade Surda no seminário. Esse material, como anteriormente mencionado, não apresentava uma tradução interlingual, o que dificultava seu acesso para diferentes públicos, como ouvintes que não sabem Libras e, até mesmo, surdos oralizados não bilíngues. Por isso, a Comissão Organizadora buscou alguém que pudesse legendá-lo e o TrAce aceitou esse trabalho, mas, como nenhum dos integrantes do grupo é tradutor de Libras, só foi possível identificar alguns poucos sinais, a exemplo daqueles realizados através da datilologia.<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref> Desse modo, foi necessário procurar um profissional que pudesse fazer a tradução.</p>
			<p>O grupo chegou até a Profa. Me. Thalita Araújo que, enquanto integrante da equipe de tradutores intérpretes de Libras do Núcleo de Apoio à Inclusão do Aluno com Necessidades Educacionais Especiais (NAPE) da UFBA, concordou em realizar o trabalho voluntariamente. Dessa maneira, ela fez a tradução de Libras para o português, trazendo para o grupo, posteriormente, alguns detalhes acerca desse processo, e colocou-se à disposição para elucidar qualquer dúvida. A disponibilidade da Profa. Thalita foi crucial durante a audiodescrição do material, especialmente do sinal do Seminário, criado especialmente para o vídeo e, portanto, até aquele momento, desconhecido, como será discutido na seção a seguir.</p>
			<p>O trabalho que o TrAce realizou junto à tradutora e intérprete se assemelha, de certa forma, ao modo como ocorria a legendagem de um produto audiovisual no passado, quando havia uma diferença entre legendista e legendador. Enquanto o primeiro fazia a tradução, pois possuía um maior conhecimento da língua, o último dominava o uso do programa de legendas, cuidando de parâmetros relativos à sincronização e segmentação, por exemplo. É importante pontuar, ainda, como grupos que estudam TAVA precisam ter entre seus integrantes pessoas que conheçam não somente a AD e a LSE, mas também a TALS. Se, há algum tempo atrás, a realidade era a de vídeos em português tendo de ser legendados ou traduzidos em Libras, hoje, muito material circula na Internet em Libras e precisa de legendas em português. No entanto, não é muito comum que os tradutores e intérpretes da Libras dominem a legendagem ou que os legendistas tenham domínio da língua de sinais.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>2. Audiodescrição</title>
			<p>A audiodescrição é uma modalidade de tradução intersemiótica em que imagens são traduzidas em palavras. Embora possua como público-alvo as pessoas com deficiência visual, ela também beneficia diversos outros perfis, como pessoas com deficiência intelectual (<xref ref-type="bibr" rid="B4">CARNEIRO 2015</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B3">2020</xref>), idosos, crianças em fase de alfabetização, etc. </p>
			<p>Dentre as diferentes modalidades de TAVA utilizadas para acessibilizar o vídeo do evento, foi decidido que a AD seria a primeira a ser feita. Isso porque a partir dela é que poderiam ser desenvolvidas as legendas do tipo LSE (que incluiriam a tradução da Libras para o português, a narração da AD e signos acústicos não verbais presentes no vídeo), além da gravação da audiolegendagem.</p>
			<p>Ao analisar o vídeo de divulgação em Libras, o grupo deparou-se com o primeiro desafio em relação à construção da AD. Pela curta duração do material e o ritmo de sinalização do professor (que não apresentava longos períodos de pausa, já que o objetivo era uma comunicação rápida e objetiva), chegou-se à conclusão de que não haveria a possibilidade de fazer um roteiro de AD na sua forma mais tradicional. Tipicamente, as entradas de AD são realizadas nos espaços de pausa entre falas ou em momentos que não interfiram em pontos importantes da trilha sonora (que inclui trilha musical, efeitos sonoros, etc.) (<xref ref-type="bibr" rid="B14">SILVA 2009</xref>). Então, levando em consideração a audiolegendagem que seria incluída posteriormente, foi observado que não existiriam intervalos longos o suficiente para as entradas da AD tradicional, tanto pela velocidade da sinalização quanto pela carga de texto a ser lido a partir das legendas. Assim sendo, as integrantes do TrAce optaram pelo uso de notas introdutórias (NIs)<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref> para que as informações visuais mais relevantes fossem acessibilizadas.</p>
			<p> Foram elencadas, então, as principais informações a ser audiodescritas. Nesse caso, foram inseridas as descrições do Prof. Bruno Ernsen, do ambiente em que ele estava e do sinal de SEPESQ. Os primeiros dois pontos foram descritos de forma mais tranquila pela equipe de trabalho que ficou responsável pela criação da AD. Isso se deu pelo fato de o grupo já ter tido experiências prévias com esse tipo de descrição e existirem pesquisas e orientações que versam sobre a audiodescrição de pessoas e ambientes, como é o caso do <italic>Guia para produções audiovisuais acessíveis</italic>, de 2016.</p>
			<p>Por outro lado, o desenvolvimento da AD do sinal de SEPESQ em Libras mostrou-se uma tarefa desafiadora, tornando-se ainda mais difícil devido à falta de investigações e diretrizes relativas à AD dentro do contexto de uma língua de sinais e a falta de um conhecimento mais aprofundado da Libras pelas integrantes do TrAce. Após um processo de busca por referências que abordassem o tema, no acervo da <italic>Scientific Electronic Library Online</italic> (SciELO) e no catálogo de teses e dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o que acabou sendo infrutífero, o grupo procurou por conteúdos dentro da área de Libras que auxiliassem na criação de uma lógica para a descrição de sinais com movimento, como é o caso do sinal de SEPESQ. Algumas perguntas que guiaram essas buscas foram: Quais são os pontos fundamentais na produção de um sinal? O que caracteriza um sinal da Libras e o difere de outros semelhantes? Como dar a ideia ao público com deficiência visual de como o sinal é feito? Nesse processo, o grupo de pesquisa decidiu por elaborar as ADs tomando como ponto norteador os cinco parâmetros da Libras. Isso porque são esses os componentes que baseiam a (re)produção dos sinais pelos usuários da língua.</p>
			<p>Os parâmetros da Libras são os seguintes: configuração da mão (<italic>e.g.</italic> mão aberta, fechada), ponto de articulação ou locação (<italic>e.g.</italic> próximo à testa, no dorso da mão), movimento (<italic>e.g.</italic> circular, reto), orientação (<italic>e.g.</italic> para cima, para baixo) e expressões não-manuais (<italic>e.g.</italic> tristeza, alegria). Para entender melhor esses parâmetros e conseguir identificá-los de maneira mais assertiva, o grupo contou novamente com o apoio da Profa. Thalita Araújo, que orientou o processo de pensar o sinal a ser descrito a partir dessa perspectiva. Ao final, o roteiro ficou <xref ref-type="table" rid="t1">desta forma</xref>: </p>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Quadro 1:</label>
					<caption>
						<title>Notas introdutórias</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left">AD: Notas introdutórias: No vídeo a seguir, Bruno Ernsen faz a divulgação em Libras do XIV Seminário Estudantil de Pesquisa em Letras (SEPESQ). Ele tem pele clara, olhos azuis e cabelos, bigode e barba castanho-claros e curtos, com alguns fios brancos. Usa uma camiseta preta e está à frente de uma parede branca. Bruno apresenta o sinal de SEPESQ, com a palma esquerda voltada para o lado direito e a mão direita voltada para cima, fechada e encostada no pulso esquerdo, se abrindo num movimento de semicírculo para frente até ambas as mãos se tocarem.</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn id="TFN1">
							<p>Fonte: TrAce.</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Foi possível reconhecer e trazer para o roteiro de AD quatro dos cinco parâmetros da Libras, que juntos apresentam as características constituintes do sinal de SEPESQ, foram eles: 1) a configuração de mão, descrita no trecho “a palma esquerda voltada para o lado direito e a mão direita voltada para cima, fechada”; 2) o ponto de articulação, presente nos trechos “encostada no pulso esquerdo [...] até ambas as mãos se tocarem”; 3) o movimento, “se abrindo num movimento de semicírculo”; e 4) a orientação, “para frente”.</p>
			<p>Essa proposta feita pelo grupo pode ser considerada uma ideia inicial para fomentar discussões mais aprofundada sobre o assunto, pois, mesmo com os avanços, percebe-se que ainda existem diversas lacunas no campo da TAVA a ser exploradas, em especial quando se trata de modalidades de tradução distintas sendo trabalhadas em conjunto. A seguir, será discutido o processo de criação das legendas tipo LSE para o vídeo de divulgação do SEPESQ.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>3. Legendagem para Surdos e ensurdecidos</title>
			<p>A legendagem para Surdos e ensurdecidos é mais uma das modalidades da TAVA, sendo que nela se traduzem os signos verbais acústicos (falas, letras de música, narração, etc.), verbais não acústicos (textos na tela, créditos) e também os signos não verbais acústicos (efeitos sonoros, música, etc.) de um produto audiovisual (<xref ref-type="bibr" rid="B18">ZABALBEASCOA 2008</xref>).<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref> Essa tradução é veiculada na forma escrita e, normalmente, é disposta na parte inferior da tela.</p>
			<p>Os parâmetros da LSE são bem semelhantes aos das legendas para ouvintes em aspectos gerais, como a velocidade, que pode ser considerada baixa, média ou alta de acordo com a quantidade de caracteres por segundo (cps) (baixa: 14-15 cps; média: 16 cps; alta: 17-18 cps); tempo de permanência da legenda na tela (mínimo: um segundo; máximo: seis segundos); e a sincronia necessária entre as falas e a entrada e saída de legendas. Contudo, pode-se considerar a tradução dos elementos paralinguísticos e a identificação dos falantes como alguns dos pontos que diferenciam a LSE.</p>
			<p>O processo de criação das legendas para o projeto começou adotando como base a tradução da Libras para o português feita pela Profa. Thalita Araújo e, ainda, uma versão preliminar do vídeo, elaborada pelo grupo, incluindo a narração das NIs.<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>14</sup></xref> Durante a feitura da LSE, alguns obstáculos acabaram surgindo, sendo o principal deles a sincronização das legendas com a sinalização. Para <xref ref-type="bibr" rid="B7">Díaz-Cintas e Remael (2021</xref>: 4): “<italic>The subtitles should not contradict what the characters are doing or saying on screen, and the delivery of the translated message should coincide with that of the original speech</italic>”<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>15</sup></xref> e, no caso do material de divulgação do SEPESQ, a presença de sinais popularmente conhecidos e a diferença da velocidade média entre a leitura de legendas e o tempo de sinalização de um mesmo enunciado reforçaram o desafio.</p>
			<p>Em busca de solucionar tal problemática, o grupo de pesquisa utilizou a estratégia de reformular partes do texto que foi traduzido para o português, realizando omissões de palavras e mudando a ordem de frases, por exemplo, além de procurar fazer uma segmentação cuidadosa das legendas para que a sincronia com o vídeo ficasse apropriada, ao mesmo tempo em que as legendas ficassem agradáveis ao público. Conforme as pesquisas de <xref ref-type="bibr" rid="B2">Araújo, Vieira e Monteiro (2013</xref>), e <xref ref-type="bibr" rid="B5">Chaves e Araújo (2011</xref>), o uso de uma segmentação adequada, que respeite a integridade dos sintagmas de cada frase, propicia legendas com um bom grau de legibilidade e compreensibilidade. Abaixo, um <xref ref-type="table" rid="t2">exemplo</xref> de um dos momentos em que foi necessária a aplicação de algumas das estratégias citadas:</p>
			<p>
				<table-wrap id="t2">
					<label>Quadro 2:</label>
					<caption>
						<title>Exemplo de reformulação e segmentação na LSE</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"><bold>Tradução libras &gt; português:</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">O evento será realizado nos dias 25, 26 e 27 de outubro.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>Legendas:</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">O evento vai ser em outubro.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Nos dias 25, 26 e 27.</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn id="TFN2">
							<p>Fonte: TrAce.</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Nesse trecho, o grupo identificou dois aspectos a ser trabalhados: o tempo da sinalização, que excede o tempo máximo recomendado para que uma legenda permaneça na tela (tempo da sinalização: dez segundos; tempo máximo de legenda na tela: seis segundos); e a quantidade significativa de caracteres na versão em português, na qual o trecho é traduzido como uma única frase longa. </p>
			<p>Esses pontos fizeram com que fosse necessária a utilização das estratégias de reformulação e segmentação da sentença, transformando o que era apenas uma legenda longa, a qual ultrapassava os limites de caracteres e tempo, em duas legendas individuais que se adequassem aos parâmetros da legendagem. A reformulação do texto impediu a quebra de sintagmas e permitiu reduzir a quantidade de caracteres para melhorar a experiência de leitura do usuário (passou de 56 para 49 caracteres no total). Com a segmentação, cada entrada de legenda pôde permanecer cerca de seis segundos na tela, totalizando um máximo de 12 segundos, o que permitiu a sincronia com a sinalização do Prof. Ernsen. Essa estratégia foi utilizada também para evitar o estranhamento dos espectadores. Uma legenda que fica exposta tempo demais na tela pode ser lida mais de uma vez e causar confusão. Por outro lado, uma legenda que é retirada da tela antes que a leitura do enunciado seja terminada gera a impressão de que a legenda pode estar omitindo informações ou que a tradução não está acurada.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>4. Audiolegendagem</title>
			<p>A audiolegendagem é a narração da AD composta pela leitura das legendas que são exibidas na tela, podendo ser utilizada, por exemplo, em produções em língua estrangeira, como filmes e óperas (<xref ref-type="bibr" rid="B13">ORERO 2007</xref>). Ela deve ser preferencialmente feita por uma voz distinta daquela responsável pela audiodescrição do produto. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B8">Franco e Araújo (2011</xref>), essa mudança de voz, sobretudo se for escolhida uma mulher para narrar a AD e um homem para ler as legendas, ou vice-versa, colabora para que os usuários tenham uma melhor compreensão dos papéis de cada profissional no material audiovisual.</p>
			<p>No que diz respeito ao projeto, como, até aquele momento, o grupo era formado apenas por mulheres, um dos desafios foi a necessidade de encontrar perfis de vozes diferentes para gravar tanto a AD quanto as legendas. Assim sendo, o TrAce buscou por alguém que pudesse fazer a audiolegendagem voluntariamente, especialmente da parte que continha a sinalização do Prof. Bruno Ernsen, uma vez que já contava com o apoio de uma de suas integrantes para narrar a audiodescrição. O pai de uma das pesquisadoras, Luis Zuanny, aceitou participar e, mesmo não sendo um profissional da área, cooperou significativamente para a gravação, seguindo, sempre que necessário, as recomendações do grupo, como ter cuidado com a dicção e com o ritmo de leitura das legendas.</p>
			<p>Outro problema enfrentado pelo TrAce em relação à audiolegendagem foi a tentativa de realizar a narração no contexto remoto, o que, sem dúvidas, tornou-se mais complicado não só pela presença de ruídos externos, mas também pela ausência de um estúdio com equipamentos profissionais. No entanto, o grupo recorreu a diferentes editores de áudio,<xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>16</sup></xref> na sua versão gratuita, para o tratamento da gravação, a fim de fazer pequenos ajustes no som e obter a melhor qualidade. Esses programas de edição foram muito úteis, ainda, para limpar os barulhos do vídeo original, o qual também tinha sido feito de maneira caseira, possivelmente gravado do celular do professor. </p>
		</sec>
		<sec>
			<title>5. Edição</title>
			<p>Com o objetivo de conseguir, ao final do projeto, um vídeo que fosse acessível e agradável para os diferentes perfis de pessoas que pudessem assisti-lo, o grupo de pesquisa utilizou o recurso da edição para criar harmonia entre as diferentes modalidades de tradução. Nesse momento, a principal preocupação foi a sincronização entre a sinalização, a audiolegendagem e as legendas, que foram ajustadas e revisadas, para que ficassem o mais apropriadas possível. Para isso, foram precisos ajustes como a alteração da velocidade de fala de algumas partes da narração, a fim de que se adequasse melhor ao ritmo da sinalização, e a ressincronização das legendas, as quais, inicialmente, foram preparadas considerando o tempo da sinalização em Libras, mas que, a partir da versão do vídeo com a audiolegendagem, também precisaram levar em conta o tempo da narração.</p>
			<p>Além do trabalho feito em relação à sincronização, o grupo sentiu a necessidade de trazer outros elementos para o vídeo. Um ponto que surgiu como um potencial problema para pessoas com deficiência visual foram os intervalos de silêncio entre as entradas da audiolegendagem, que poderiam dar a impressão de que o material já tivesse terminado ou que houvesse alguma falha com o seu carregamento. Para sanar essa questão, o TrAce decidiu incluir um fundo musical no produto para que não houvesse mais momentos de silêncio absoluto durante o vídeo.<xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>17</sup></xref>
			</p>
			<p>Ademais, o TrAce produziu uma imagem de capa para ficar na tela durante a narração das NIs, tentando fazer com que as pessoas sem deficiência visual se sentissem mais confortáveis ao acompanharem essa narração inicial. Houve também a inclusão dos créditos com os nomes de todos que integraram a equipe de voluntários ao final do vídeo, que foi enviado para a Comissão Organizadora do Seminário.</p>
			<p>Apesar de o resultado ter sido satisfatório para uma primeira experiência, é preciso ressaltar que no grupo não havia nenhuma integrante que fosse profissional no ramo da edição, logo, ocorreu uma subdivisão do trabalho para que as diferentes demandas ficassem a cargo de quem tivesse mais familiaridade e/ou experiência com as ferramentas necessárias para cumpri-las. Foram empregados nesse processo de edição os <italic>softwares</italic> Audacity e Shotcut<italic>,</italic> para a mixagem e limpeza do áudio, o Aegisub<italic>,</italic> para feitura das legendas, e o Canva<italic>,</italic> para a criação de uma imagem de capa para o vídeo.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>Este artigo procurou discutir o processo de acessibilização do vídeo de divulgação do XIV SEPESQ, o qual estava em Libras e precisava ser legendado, a fim de que pessoas com diferentes perfis tivessem acesso às informações sobre o evento. Como exposto no decorrer do texto, o TrAce não apenas elaborou legendas do tipo LSE, mas também a AD e a audiolegendagem do material, além de se preocupar com questões de ordem técnica, a exemplo das NIs e da edição. Já que essa foi a primeira experiência do grupo lidando com diferentes modalidades de tradução simultaneamente, há, evidentemente, espaço para melhorias, mas é importante pontuar que todo trabalho foi feito voluntariamente e no cenário da pandemia de Covid-19. </p>
			<p>O primeiro desafio enfrentado pelo TrAce foi em relação à TALS, pois nenhum pesquisador do grupo dominava essa língua a ponto de conseguir realizar a tradução interlingual e, depois, legendar o vídeo, como solicitado pela Comissão Organizadora. Por isso, recorreu-se ao apoio da Profa. Thalita Araújo que, enquanto tradutora e intérprete, fez a tradução de Libras para o português, disponibilizando-se, ainda, para ajudar no que fosse preciso, algo que foi muito conveniente no momento de descrever o sinal do evento. Dessa forma, é possível perceber como grupos que estudam TAVA precisam contar com pesquisadores que saibam Libras, porque, atualmente, vários materiais estão na Internet nessa língua, mas sem legendas em português.</p>
			<p>O grupo também encarou problemas durante a produção da AD, devido a fatores como a breve duração do vídeo e o ritmo de sinalização do Prof. Bruno Ernsen. Por isso, as integrantes acabaram utilizando NIs para acessibilizar as informações visuais mais essenciais. Além disso, o TrAce também teve dificuldades para audiodescrever os sinais em Libras, dada a já mencionada ausência de investigações e normas acerca dessa temática. Assim sendo, foi adotada a estratégia de identificar os parâmetros da Libras, configuração de mão, ponto de articulação/locação, movimento, orientação e expressões não manuais, e trazê-los para a audiodescrição.</p>
			<p>Na LSE, uma adversidade a ser superada foi a sincronização das legendas com a sinalização. A discrepância da velocidade média entre a leitura das legendas e o tempo de sinalização de uma mesma sentença aumentou significativamente esse desafio. Nesse sentido, o TrAce reformulou partes do texto que foi traduzido para o português, além de realizar uma segmentação cautelosa do mesmo, o que tornou as legendas, bem como sua sincronia, mais apropriadas e agradáveis à audiência.</p>
			<p>Já na audiolegendagem, como, até aquela época, o grupo só era composto por mulheres, foi preciso encontrar perfis de vozes distintas para fazer a audiolegendagem, ou seja, para gravar tanto a AD quanto as legendas. Outra situação enfrentada pelo TrAce foi a necessidade de realizar a narração à distância, processo que foi dificultado graças à presença de ruídos e à falta de um estúdio com equipamentos específicos. Enquanto o primeiro obstáculo foi vencido com a ajuda de um voluntário, que aceitou narrar a parte do vídeo que continha a sinalização do Prof. Ernsen, o segundo foi ultrapassado com o uso de diferentes editores de áudio, que permitiram ajustes na gravação.</p>
			<p>A edição também foi fundamental na acessibilização desse material, já que foram adicionados, além da própria audiolegendagem, elementos como a capa das notas introdutórias e os créditos finais. Houve, ainda, o desafio de conseguir criar harmonia entre as distintas modalidades de tradução, para que todas as pessoas, independentemente se tivessem uma deficiência ou não, conseguissem acompanhar tranquilamente o produto final. Diante disso, buscou-se empregar a edição para sincronizar a narração, a legenda e a sinalização, assim como acrescentar uma música de fundo, que auxiliaria as pessoas com deficiência visual a saber que o vídeo ainda não tinha sido finalizado.</p>
			<p>Ferramentas como a TALS, a AD, a LSE e a audiolegendagem desempenham um papel fundamental na vida dos sujeitos com deficiência, garantindo não somente lazer e entretenimento, como também conhecimento e educação. Entretanto, essas pessoas não são as únicas beneficiadas pela existência desses recursos, como aqui debatido. É muito importante que cada vez mais materiais possam contar com a associação de diversos modos de tradução para que sua usabilidade seja alargada. Espera-se, portanto, que este trabalho traga colaborações nesse sentido e incentive a produção de outras iniciativas semelhantes.</p>
		</sec>
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					<article-title>Tradução Audiovisual Acessível (TAVA): audiodescrição, janela de libras e legendagem para surdos e ensurdecidos</article-title>
					<source>Trabalhos em Linguística Aplicada</source>
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			</ref>
			<ref id="B18">
				<mixed-citation>ZABALBEASCOA, P. The nature of the audiovisual text and its parameters. In: Díaz-Cintas, J. (ed.). The didactics of Audiovisual Translation. Amsterdã: John Benjamins, 2008: 21-37.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ZABALBEASCOA</surname>
							<given-names>P.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>The nature of the audiovisual text and its parameters</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>Díaz-Cintas</surname>
							<given-names>J.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>The didactics of Audiovisual Translation</source>
					<publisher-loc>Amsterdã</publisher-loc>
					<publisher-name>John Benjamins</publisher-name>
					<year>2008</year>
					<fpage>21</fpage>
					<lpage>37</lpage>
				</element-citation>
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		</ref-list>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Atualmente, para os estudantes de língua inglesa, existem apenas duas matérias que integram essas áreas, a saber: Tradução Audiovisual (LETC89) e Legendação e Legendagem (LETC90), que, por serem optativas, nem sempre são ofertadas. Contudo, no momento de escrita deste artigo, o curso está passando por um processo de reformulação curricular, com discussões que levam em consideração, dentre outras questões, a escassez de disciplinas sobre tradução.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Neste artigo, adotamos a distinção, inicialmente feita, em 1972, pelo sociolinguista James Woodward, entre <italic>surdos</italic>, com &quot;s&quot; minúsculo, (aqueles que não se identificam com a identidade e cultura da comunidade Surda, como, por exemplo, surdos oralizados e pessoas ensurdecidas ou com deficiência auditiva) e <italic>Surdos</italic>, com &quot;s&quot; maiúsculo, (aqueles que se identificam com a identidade e cultura da comunidade Surda).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>O termo <italic>janela de Libras</italic> tem sido gradativamente substituído pelo termo <italic>Tradução Audiovisual da Língua de Sinais</italic>, cuja sigla é TALS<italic>,</italic> proposto por <xref ref-type="bibr" rid="B11">Nascimento e Nogueira (2019</xref>), principalmente por remeter mais à prática tradutória e não focar apenas no <italic>locus</italic> em que a tradução é apresentada. Doravante, neste artigo, será utilizada a sigla TALS como referência a essa modalidade de tradução.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Projeto de produtos, serviços e ambientes que possam ser usados por todos, de forma independente e natural, sem a necessidade de adaptações, modificações ou especializações no design (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Connell <italic>et al</italic>. 1997</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B16">Silva (2019</xref>), a audiolegendagem é a leitura ou vocalização das legendas de um material audiovisual, normalmente associada à AD e feita através de <italic>voice over</italic> no caso de materiais em língua estrangeira.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Participaram voluntariamente do projeto, além das autoras deste artigo, as estudantes Adriana da Paixão Santos, Amanda Hora da Silva, Andressa da Silva Queiroz, Cibele Almeida Cerqueira de Oliveira, Fernanda da Silva Góis Costa e Katherine Herdy Duailibi Zuanny.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>A audiolegendagem pode beneficiar os indivíduos que possuem alguma dificuldade ou impedimento para a realização da leitura, como é o caso não apenas das pessoas com deficiência visual, mas também dos disléxicos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>“Segundo a explicação universalista, AM diz respeito ao acesso a objetos, serviços e ambientes midiáticos e não midiáticos por meio de soluções midiáticas, para qualquer pessoa que não possa ou não seria capaz de, parcial ou totalmente, acessá-los em sua forma original” (tradução nossa).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>A assimetria, nesse caso, refere-se ao fato de os tradutores não fazerem parte do público-alvo primário. Ouvintes e videntes tiveram a responsabilidade de traduzir para pessoas com deficiência auditiva e visual, por exemplo. Isso exige familiaridade com as necessidades e preferências dessas audiências para que a tradução possa ser efetiva.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>O vídeo, em sua versão final, pode ser acessado através do seguinte link: encurtador.com.br/kntWY.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p>A datilologia “[...] pode ser comparada à soletração em línguas orais. Faz-se a comparação a correspondência de uma letra da grafia de uma língua oral com uma configuração de mão (CM) de uma língua de sinais, às vezes acrescida de movimentos, como ocorre na LSB [Língua de Sinais Brasileira] com as CMs Ç, H, J, K, X, Y e Z” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Nascimento 2010</xref>: 27).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p>As NIs são utilizadas com mais frequência em apresentações ao vivo, sendo introduzidas no início do espetáculo, provendo informações como a descrição do ambiente, aparência dos personagens, cenário, etc.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>13</label>
				<p>A tradução de signos verbais não acústicos, frequentemente, acontece nas legendas em uma perspectiva interlinguística, quando o texto que aparece na tela está em uma língua estrangeira.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>14</label>
				<p>Mais informações sobre o processo de edição serão discutidas na seção 5 do presente artigo.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn15">
				<label>15</label>
				<p> “As legendas não devem contradizer o que os personagens estão fazendo ou dizendo na tela, e a apresentação da mensagem traduzida deve coincidir com aquela do discurso original” (tradução nossa).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn16">
				<label>16</label>
				<p>Os programas utilizados para a edição do vídeo serão apresentados na seção 5 deste artigo.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn17">
				<label>17</label>
				<p>Foi utilizada uma música sem direitos autorais retirada da biblioteca de áudio da plataforma YouTube.</p>
			</fn>
		</fn-group>
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