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				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
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				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9511.v41p1-4</article-id>
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					<subject>Editorial</subject>
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				<article-title>Apresentação ao número 41</article-title>
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						<surname>Faleiros</surname>
						<given-names>Álvaro</given-names>
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				<day>05</day>
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		<p>Os oito artigos que compõem este número 41 da <italic>Revista Tradterm</italic> apontam, em sua maioria, para alguns assuntos inovadores, assim como para áreas em consolidação no campo dos estudos da tradução.</p>
		<p>O artigo “Nãotradução: uma poiética tradutória perturbadora” de Ana Magda Stradioto-Casolato, doutoranda da linha de pesquisa em Poéticas da Tradução na Universidade de São Paulo, visa analisar a <italic>nãotradução</italic>, termo proposto por Jacques Brault para definir uma de suas estratégias de criação poética. Não se trata de tarefa simples, mas que a autora realiza com acuidade, uma vez que a <italic>nãotradução</italic> é uma prática de escrita e não um sistema ou teoria tradutória. Apoiando-se nos ensaios fundadores da <italic>nãotradução</italic> de autoria do próprio Brault, a autora observa que se trata de uma técnica de composição cujo resultado é uma reescrita criativa, nem poema original nem tradução, mas uma nova intelegibilidade de ambos. Sem se emancipar do poema original e graças à virtuosidade do poeta <italic>nãotradutor</italic>, a <italic>nãotradução</italic> faz assim surgir um terceiro texto estabelecendo uma relação enunciativa tríplice que congrega três vozes: a do poeta do poema original, a do poeta <italic>nãotradutor</italic> e a que resulta da fusão de ambas.</p>
		<p>O segundo artigo, intitulado “Tradução sonora: perspectivas fonéticas na tradução e o caso Humpty Dumpty”, reúne a reflexão de um conjunto de pesquisadoras coordenadas por Monique Pfau, professora de Letras da Universidade Federal da Bahia, orientadora de tradutores/as em formação pelo NUPEL/ILUFBA e líder do grupo de pesquisa Textos Fundamentais em Tradução. São elas Fernanda da Silva Góis Costa, Marília Portela, Marília Santana, Nathalia Amaya Borges, Simone Salles. Partindo de breve, mas consistente estudo bibliográfico e de experimento comentado sobre tradução sonora, o artigo se debruça sobre o que se convencionou chamar de “tradução sonora”, tema ainda pouco discutido nos Estudos da Tradução no Brasil. As autoras apontam que a tradução sonora, observada em alguns poemas e músicas, encontra-se fortemente embasada na busca pela repetição ou adaptação da acústica do texto-fonte, levando ou não em consideração outros níveis linguísticos, como o semântico e o lexical. Elas destacam ainda que, apesar de não haver um reconhecimento unânime de a tradução sonora ser de fato uma tradução, há estudos que, desde uma abordagem política e cultural, a reconhecem como legítima. O experimento de tradução apresentado no artigo inspira-se na tradução sonora da canção inglesa <italic>Humpty Dumpty</italic> (1797), de Mother Goose, para o francês, realizada por Van Rooten. Trata- se tradução bastante polêmica por ser um caso extremo de tradução sonora, gerando um texto desprovido de significado. A tradução puramente sonora da canção inglesa para o português brasileiro forneceu assim meios para as pesquisadoras observarem os diversos sistemas acústicos levantados na seção teórica e as limitações das possibilidades da língua-alvo em repetir alguns sons da língua-fonte.</p>
		<p>Marcelo Rondinelli, professor adjunto da Universidade Federal de Minas Gerais, dedica-se a relevante discussão em “Tradução (e retradução) ética bermaniana, um debate que persiste”. Nele, o pesquisador destaca que, entre as valiosas contribuições do tradutor e teórico Antoine Berman (1942-1991) para os Estudos da Tradução, tem-se o ensaio “La retraduction comme espace de la traduction” (1990). A riqueza do debate desencadeado pelas concepções ali expostas pode ser comprovada pelo extenso conjunto de publicações em diálogo com ele, como, por exemplo, numerosos artigos em periódicos de relevo e volumes inteiros voltados à discussão do fenômeno da retradução literária. Esses estudos, contudo, nem sempre remetem precisamente à concepção bermaniana de ética, ainda que, como visa demonstrar o artigo, em muitos casos ela está subjacente e instiga novos desdobramentos teóricos.</p>
		<p>O brilho de uma das maiores escritoras brasileiras de todos os tempos reluz em dois artigos. Em “Estudo baseado em corpus de um vocábulo recorrente e preferencial do romance A Hora da Estrela, de Clarice Lispector e das traduções para as línguas inglesa e italiana”, Emiliana Fernandes Bonalumi, professora associada na Universidade Federal de Rondonópolis, e Diva Cardoso de Camargo, professora adjunta-MS5 da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), analisam a tradução para o inglês e italiano do vocábulo recorrente e preferencial “vida” no romance <italic>A Hora da Estrela</italic>, de Clarice Lispector. Traduzida respectivamente por Giovanni Pontiero e Adelina Alettima a obra de Lispector é estudada por meio de uma abordagem interdisciplinar em que se utiliza o programa computacional <italic>WordSmith Tools</italic>, em especial a ferramenta <italic>Keywords</italic>, para se chegar ao vocábulo recorrente e preferencial “vida”. Desse modo, as autoras puderam perceber que houve mais aproximações entre a obra original e a traduzida para o italiano, em relação à obra original e a traduzida para o inglês.</p>
		<p>Em “As traduções de Lispector e a divulgação da crítica feminista no Brasil” de autoria de Renato Kerly Marques Silva, doutorando em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina e professor da Rede Estadual de Educação do Maranhão, a escritora é observada em sua prática tradutória. Nele, é apresentada análise a respeito de traduções realizadas por Lispector durante sua passagem pelo Jornal <italic>Comício</italic> (1952), notadamente de textos escritos por Virginia Woolf e Simone de Beauvoir. Além das traduções, o texto <italic>Traduzir procurando não trair</italic>, da própria Lispector, serve de base à reflexão. Dentre as considerações que apontam para o papel determinante dos contextos na escolha das distintas técnicas de tradução utilizadas, nota-se que perspectiva feminista de tal atividade, identificada na tentativa de introduzir o pensamento das escritoras europeias para as leitoras brasileiras, promove a circulação das críticas que embasavam as lutas feministas daquele momento, como o acesso à educação e a autonomia financeira das mulheres.</p>
		<p>As mulheres, além de predominarem como pesquisadoras, ocupam também lugar de destaque entre os autores estudados. Além de Clarice Lispector, há também a reflexão de Michelle Cerqueira César Tambosi, mestra em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Maringá, PR, voltada para a obra da poeta norte-americana Elise Cowen. Em “Sobre cocriações (d)e baratas: a identidade da tradutora no processo de tradução de poemas de Elise Cowen”, Tambosi apresenta análise de seu próprio projeto de tradução de 5 poemas em que a poeta Elise Cowen trabalha a imagem de baratas como metáfora dos homens e, principalmente, das mulheres pertencentes à geração beat. Ao longo da análise, o processo de cocriação se deixa vislumbrar.</p>
		<p>Uma das maiores riquezas dos estudos da tradução é sua diversidade, podendo servir de ponto de reflexão para as mais diversas áreas do conhecimento. O trabalho dos pesquisadores e professores Leila Maria Gumushian Felipini, Giédre Berretin-Felix, Carlos Ferreira dos Santos e da mestranda Nayara Ribeiro da Silva, todos de algum modo vinculados à Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo, demonstra isso. No artigo intitulado “Tradução e adaptação transcultural para a língua portuguesa do Brasil dos questionários “Quality of Life in Swallowing Disorders (SWAL-QOL)” e “Quality of Care in Swallowing Disorders (SWAL-CARE)” para idosos com disfagia neurogênica”, os renomados autores salientam que no Brasil, na área da Disfagia, a escassez de instrumentos clínicos é significativa. Partindo de conceitos das áreas de Tradução e de Saúde, os autores discutem como traduzir e adaptar transculturalmente os questionários SWAL-QOL e SWAL-CARE da língua inglesa para a língua portuguesa do Brasil, considerando diretrizes e casuística específicas.</p>
		<p>Os estudos a partir de corpora também estão na base do artigo “Por um Glossário de História do Brasil Colonial Direcionado por Corpus e Orientado para Tradutores” de Selene Candian, doutoranda no Programa de Estudos Linguísticos e Literários em Inglês no Departamento de Letras Modernas, Universidade de São Paulo. Nele, a autora busca verificar a possibilidade de se pensar as denominações relativas à história do Brasil colonial terminologicamente. O intuito é, com base nesses termos e em equivalentes já encontrados por tradutores, desenvolver um glossário de história do Brasil colonial, na direção português-inglês, direcionado por corpus e orientado para tradutores. Para tal, a autora compila dois corpora paralelos de obras sobre História do Brasil, desenvolvendo verbetes orientados para tradutores, com base em um modelo de verbete adaptado de Tagnin (2015).</p>
		<p>O número é coroado com a entrevista do professor aposentado da Universidade de São Paulo, Almiro “W.S” Pisetta, concedida a Carlos César da Silva, doutorando em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas. Nela o professor, conhecido sobretudo pela tradução dos poemas na segunda edição brasileira do romance <italic>O Hobbit</italic> e da trilogia <italic>Senhor dos Anéis</italic>, comenta sobretudo o instigante <italic>The sonnets of William Shakespeare &amp; os sonetos de Almiro W. S. Pisetta</italic>, publicado em 2019 pela editora Martin Claret., presenteando o leitor com o partilhar de sua experiência.</p>
		<p>Desejamos ao leitor uma ótima leitura, certos da qualidade das reflexões compiladas em mais um número da <italic>Revista Tradterm</italic>.</p>
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