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				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
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				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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					<subject>Editorial</subject>
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				<article-title>Apresentação do número temático Quadrinhos em Tradução</article-title>
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				<year>2023</year>
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			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
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		<p>O estudo de interesse acadêmico sobre os quadrinhos na universidade se origina juntamente com a atenção dedicada a outras formas de mídia narrativa popular de consumo de massa, em especial o cinema e outras mídias visuais. Este já não é mais um fenômeno acadêmico exatamente recente, há já certa tradição no estudo dos quadrinhos que perdura, no Brasil, por aproximadamente 40 anos. A primeira obra que temos sobre o assunto específico da tradução de quadrinhos é de cunho prático e pedagógico, abordando apenas o campo linguístico do texto - referimo-nos a <italic>Oficina de tradução do francês: traduzindo quadrinhos</italic> de Maria Lúcia Jacob D. Barros de 2009. E, apesar desta constatação, investigar a prática da tradução de quadrinhos pode-se dizer que é novo. Isto é mais interessante naquelas culturas em que a tradição dos quadrinhos é intimamente ligada à pratica de sua tradução e inclusão no sistema de circulação local como é o caso no Brasil.</p>
		<p>O simpósio de Quadrinhos em Tradução realizado no XI Congresso Internacional da ABRAPT 2013/setembro, na Universidade Federal de Santa Catarina, foi o primeiro evento que se sabe até então dedicado somente ao assunto e que reuniu pesquisadores de diferentes áreas, regiões do país e segmentos (tradutores, professores, pesquisadores em nível de mestrado e doutorado)<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>. Com onze apresentações de seus participantes, durante todo o dia, estivemos com a audiência repleta. Outros colegas se juntaram a nós; outros, impedidos, não puderam comparecer. Mas o germe de um grupo se constituiu. E havíamos conseguido construir algo em comum, uma ideia, senão completa, ao menos parcial, com alguns dos elementos que caracterizam os quadrinhos de comum acordo. Uma definição tentativa e parcial do objeto de interesse do tradutor e do leitor de quadrinhos no que tange aos Estudos de Tradução.</p>
		<p>O que são quadrinhos? Há muitas definições e também uma forte insistência na ideia de que não é possível defini-los. Entre as definições possíveis, no entanto, pode-se dizer que os quadrinhos são um tipo de texto multimodal no qual a propriedade narrativa é atribuída pela sequencialidade que se pode inferir a partir da justaposição de recursos multimodais (de natureza imagética e de natureza linguística), os quais produzem efeitos narrativos essenciais como temporalidade e espacialidade.</p>
		<p>Os quadrinhos não são uma forma menor de literatura. Mesmo que os quadrinhos sejam compreendidos como um produto cultural híbrido pertencente a um determinado estágio de desenvolvimento da cultura, eles representam uma forma autônoma da necessidade de expressão narrativa que caracteriza as culturas e os grupos sociais como o caso dos mangás e os fanzines.</p>
		<p>Ao final do evento em 2013, comentávamos entre os presentes a respeito deste sentimento, algo como uma exclusividade, advinda de uma combinação inusitada entre sistemas de significação imagéticos, linguísticos e outros recursos gráficos específicos dos quadrinhos. Estes se caracterizam por um tipo de texto narrativo que compartilha elementos com outros tipos narrativos como o cinema, histórias ilustradas, animações, entre outros.Também se pode mencionar a fotonovela, fenômeno ideológico e midiático que perdurou no Brasil por muito tempo, uma espécie de quadrinhos para adultos que segue os mesmos padrões das HQs.</p>
		<p>Na ocasião da realização do simpósio, afirmávamos a necessidade de explorar a variedade de fenômenos associados à prática e à teoria da tradução de quadrinhos. Evento cultural de inegável impacto no mercado editorial e nas práticas de letramento contemporâneas, as HQs ocupam lugar peculiar na investigação dos fenômenos envolvidos e nas práticas de tradução (ZANETTIN 2008). Isto se deve à característica multimodal do texto que compõe os quadrinhos, ao combinar recursos gráficos e recursos linguísticos na sua construção narrativa. Dada esta sua natureza e por se constituir como um gênero reconhecidamente pervasivo culturalmente, os quadrinhos propõem problemas únicos à teoria e à prática da tradução pelo fato de conjugarem dois registros semióticos em sua constituição. Um dos exemplos dessa problemática é a questão da adaptação que pode ser vista como prática de tradução intersemiótica (adaptação de literatura), processo de tradução editorial (HQ estrangeira traduzida), ou tradução visual - processo de tradução de um tradutor/desenhista (<italic>grosso modo:</italic> apagar um desenho e pôr outro).</p>
		<p>Após o simpósio, alguns dos participantes explicitaram suas percepções a respeito do fato de que estávamos diante de um tipo de tradução reconhecível, porém sobre a qual não dispúnhamos ainda, pelo menos no Brasil, de um corpo teórico e/ou de pesquisas que nos ajudassem e indicassem soluções para os problemas que os trabalhos individuais apresentavam. Mas a criatividade tem a liberdade de agir nestes casos e foi o que os participantes fizeram, foram criativos, e isto é possível perceber nos textos que se seguem.</p>
		<p>A partir da iniciativa da realização do simpósio, começa a se constituir um pequeno conjunto de propostas a respeito da tradução de quadrinhos. Somado a isso, pode-se perceber que se multiplicam teses, dissertações e artigos sobre o assunto, mas que se encontram dispersos entre as revistas acadêmicas e os bancos de dados das bibliotecas brasileiras, o que nos impulsionou ainda mais para a confecção do presente dossiê.</p>
		<p>A chamada linguagem dos quadrinhos não é a mesma da narrativa em prosa, e possivelmente esteja mais perto da narrativa poética e da propaganda. A reflexão sobre sua tradução não pode depender exclusivamente da tradição, ou tradições, de tradução. Ao mesmo tempo, sua prática é bastante difundida e o público dos quadrinhos no Brasil consome e depende proporcionalmente em um percentual muito maior da tradução do que de obras produzidas originalmente no país.</p>
		<p>O presente dossiê apresenta uma série de artigos submetidos pelos participantes do simpósio e outros participantes interessados em problemas relacionados à prática e à reflexão da tradução de quadrinhos. Apesar de haver muitas outras possiblidades de abordagens, pensamos que os artigos que aqui se encontram são apenas uma ponta do <italic>iceberg</italic> deste campo dos Estudos de Tradução que começa a se firmar no Brasil. Agradecemos imensamente a todos os colaboradores deste número pela paciência, criatividade e qualidade das pesquisas.</p>
		<p>Gratidão especial a John Milton pela intermediação entre os organizadores do dossiê e a revista <italic>TradTerm</italic> e ao comitê editorial e técnico da revista em nome da professora Lineide Mosca pela paciência, presteza, colaboração e boa aceitação dos textos aqui publicados.</p>
		<p>Por fim, desejamos a todos uma boa leitura e esperamos que os temas abordados sejam elucidativos para os problemas que a tradução de quadrinhos apresenta a tradutores e leitores hoje no Brasil.</p>
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			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>O simpósio foi originalmente proposto e coordenado por Rodrigo Faveri com a colaboração e participação do Prof. Dr. Paulo Ramos (Unifesp).</p>
			</fn>
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				<label>*</label>
				<p>Gostaríamos de agradecer ao Prof. Dr. Mauri Furlan (UFSC) pelo trabalho editorial e o apoio fornecido na primeira etapada organização deste dossiê. </p>
			</fn>
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