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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">tradterm</journal-id>
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				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Revista de Tradução e Terminologia</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">2317-9511</issn>
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				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9511.v30i0p159-188</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Articles</subject>
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			<title-group>
				<article-title>A Coleção Amarela da Livraria do Globo (1931-1956)</article-title>
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				<contrib contrib-type="author">
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						<surname>Bottmann</surname>
						<given-names>Denise</given-names>
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						<surname>Karam</surname>
						<given-names>Sérgio</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>2</sup></xref>
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				<label>1</label>
				<institution content-type="original">Historiadora e tradutora. dbottmann@gmail.com.</institution>
				<email>dbottmann@gmail.com</email>
			</aff>
			<aff id="aff2">
				<label>2</label>
				<institution content-type="original">Tradutor, mestre em Estudos de Literatura pela UFRGS. sbkaram@uol.com.br.</institution>
				<institution content-type="orgname">UFRGS</institution>
				<email>sbkaram@uol.com.br</email>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>04</day>
				<month>10</month>
				<year>2022</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<month>11</month>
				<year>2017</year>
			</pub-date>
			<volume>30</volume>
			<fpage>159</fpage>
			<lpage>188</lpage>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Este artigo reconstitui o catálogo completo da Coleção Amarela da Livraria do Globo (1931-1956), analisa vários aspectos referentes a ela e procede a esclarecimentos de alguns pontos nebulosos de sua trajetória.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>This paper brings out the full catalogue of works published by Livraria do Globo, concerning its series Coleção Amarela (1931-1956), followed by some quantitative and qualitative historical analyses. The paper also addresses some cloudy aspects in its history.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Estudos de tradução</kwd>
				<kwd>História da tradução no Brasil</kwd>
				<kwd>Coleção Amarela</kwd>
				<kwd>Tradução literária</kwd>
				<kwd>Romances policiais</kwd>
			</kwd-group>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Translation studies</kwd>
				<kwd>History of Brazilian translation</kwd>
				<kwd>Coleção Amarela</kwd>
				<kwd>Literary Translation</kwd>
				<kwd>Detective stories</kwd>
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		<sec>
			<title>1. Apresentação</title>
			<p>A Coleção Amarela, publicada entre 1931 e 1956 pela Livraria do Globo, de Porto Alegre, foi a mais importante coleção de romances policiais publicada no Brasil. Importante não só pelo número de títulos e volumes que lançou (151 títulos em 158 volumes de 38 autores diferentes), mas também pela longevidade (quase 26 anos) e pela qualidade que, a despeito de suas oscilações, destacou-se por lançar alguns autores que estão entre os melhores do gênero. Só para estabelecermos uma comparação, a Companhia Editora Nacional publicou apenas 24 volumes em sua Série Negra, também dedicada exclusivamente ao romance policial, entre 1934 e 1938, e por volta de 22 títulos policiais na primeira fase da Coleção Paratodos, também nos anos 30.</p>
			<p>As traduções publicadas pela Coleção Amarela respondem por uma proporção significativa do total de traduções lançadas pela Globo, desde 1926 até 1986 - ano em que é comprada pela Rio Gráfica e Editora (de Roberto Marinho), que adota seu nome e passa a se chamar Editora Globo S/A. Nas seis décadas de existência, a editora gaúcha lançou em suas diversas coleções um total de 456 títulos, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B1">Amorim (1999</xref>: 67), dos quais praticamente um terço corresponde aos 151 títulos publicados pela Coleção Amarela. Apenas a Coleção Nobel, dedicada à literatura estrangeira, foi tão significativa em termos numéricos: 128 títulos publicados entre 1933 e 1958 (ibid.: 91).</p>
			<p>Além disso, entre os vários profissionais que se dedicaram à tradução dos volumes lançados pela Coleção Amarela encontram-se nomes do calibre de Mario Quintana, Erico Verissimo, Marina Guaspari, irmãos Leonel e Lino Vallandro, Ligia Junqueira, Hamilcar de Garcia, Silvia Mendes Cajado e outros mais.</p>
			<p>Por todos esses aspectos sucintamente arrolados, a Coleção Amarela teve papel de relevo na história da tradução literária no Brasil, que merece ser urgentemente resgatado.<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>
			</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>2. A Coleção Amarela e seu catálogo</title>
			<p>Já em 1979, Paulo Medeiros de Albuquerque, em seu alentado estudo sobre <italic>O mundo emocionante do romance policial</italic>, arrolava a lista de autores e obras publicadas pela Coleção Amarela, com seus respectivos números dentro da coleção, considerando-a “a maior, a mais séria coleção que se fez no Brasil, no gênero” (1979: 320).</p>
			<p>De um modo um pouco surpreendente, porém, Medeiros de Albuquerque sustentava que “o primeiro passo para a introdução da literatura policial no Brasil, até então aparecida, apenas uma vez ou outra, em livros esporádicos” (idem, ibidem), fora dado pelas duas coleções da Companhia Editora Nacional, a Paratodos e a Série Negra, calando sobre o papel da Coleção Amarela naqueles primórdios.</p>
			<p>Ora, basta lembrar que a Paratodos, em sua primeira fase (1931-1933), lançou 22 obras policiais; e que em 1934, quando teve início a Série Negra da Nacional, a Coleção Amarela já contava com nada menos que 29 títulos, lançados entre 1931 e 1933. Assim, se levarmos em conta a cronologia e os números, veremos que ela foi também a principal responsável pela introdução da literatura policial no país.</p>
			<p>Aqui apresentamos o catálogo completo da Coleção Amarela, com os títulos publicados, seus autores e número do volume, acrescido de outros dados fundamentais: seus respectivos tradutores e o ano de primeira edição. Com isso torna-se possível uma visão mais completa e abrangente dessa impressionante iniciativa de Henrique Bertaso na incipiente Secção Editora da Livraria do Globo.</p>
			<sec>
				<title>2.1 Marcações</title>
				<p>Dos finais de 1937 até 1949 ocorreram vários atrasos na programação de lançamentos, concentrados especialmente nos anos da guerra, gerando defasagens entre a numeração das obras e a data de lançamento. Tais ocorrências estão destacadas em negrito, na coluna do ano de publicação. O volume de número 125, que nunca chegou a sair, vem com esse dado também destacado em negrito.</p>
				<p>Quatro títulos - a saber, os volumes 16, 43, 76 e 99 - não trazem créditos de tradução, e vêm assinalados por <bold>N/C</bold> [não consta]. No entanto, foi possível rastrear a identidade do tradutor do volume 76, <italic>Um crime no Expresso do Oriente</italic>, de Agatha Christie: Silvia Guaspari, cujo nome foi acrescentado entre colchetes. Marcação similar tem-se no volume 8, <italic>A série sangrenta</italic>, cujos créditos de tradução aparecem atribuídos às iniciais M.G. - acrescentou-se entre colchetes o nome de Marina Guaspari, aqui neste caso constando como a hipótese mais provável.</p>
				<p>Em 1939 e 1940, são relançadas três obras que já haviam sido publicadas em outras coleções da Livraria do Globo. Essas ocorrências estão assinaladas por <bold>O/C</bold> [outra coleção]. A partir de 1951, quando a Coleção Amarela já entrava em declínio, registram-se vários relançamentos de títulos publicados anteriormente na mesma coleção. Tais ocorrências estão indicadas entre colchetes, como [reed. v. <italic>x</italic>].</p>
				<p>
					<table-wrap id="t1">
						<label>TABELA 1</label>
						<caption>
							<title>O CATÁLOGO DA COLEÇÃO AMARELA</title>
						</caption>
						<table>
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="center">Vol.</th>
									<th align="center">Autor</th>
									<th align="center">Título</th>
									<th align="left">Tradutor</th>
									<th align="right">Ano</th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="left"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">1</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O círculo vermelho</italic></td>
									<td align="left">Darcy Azambuja</td>
									<td align="center">1931</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">2</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>A porta das sete chaves</italic></td>
									<td align="left">Pedro Bruno Dischinger</td>
									<td align="center">1931</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">3</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O sineiro</italic></td>
									<td align="left">Erico Verissimo</td>
									<td align="center">1931</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">4</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O bando terrível</italic></td>
									<td align="left">A. Duprat</td>
									<td align="center">1931</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">5</td>
									<td align="left">Mason, A. E. W.</td>
									<td align="left"><italic>O prisioneiro da Opala</italic></td>
									<td align="left">F. Marques Guimarães</td>
									<td align="center">1931</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">6</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O homem sinistro</italic></td>
									<td align="left">Erico Verissimo</td>
									<td align="center">1931</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">7</td>
									<td align="left">Wilton, Louis</td>
									<td align="left"><italic>A aranha branca</italic></td>
									<td align="left">Walter Heckmann</td>
									<td align="center">1931</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">8</td>
									<td align="left">Van Dine, S. S.</td>
									<td align="left"><italic>A série sangrenta</italic></td>
									<td align="left">M.G. [Marina Guaspari]</td>
									<td align="center">1932</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">9</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O anjo do terror</italic></td>
									<td align="left">Marina Guaspari</td>
									<td align="center">1932</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">10</td>
									<td align="left">Wilton, Louis</td>
									<td align="left"><italic>A rainha da noite</italic></td>
									<td align="left">Cristovam L. Paledzki</td>
									<td align="center">1932</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">11</td>
									<td align="left">Rinehart, Mary R.</td>
									<td align="left"><italic>O mistério da escada circular</italic></td>
									<td align="left">Erico Verissimo</td>
									<td align="center">1932</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">12</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O abade negro</italic></td>
									<td align="left">Suzana Burtin-Vinholes</td>
									<td align="center">1932</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">13</td>
									<td align="left">Oppenheim, E. Phillips</td>
									<td align="left"><italic>Um crime em Glenlitten</italic></td>
									<td align="left">Pepita de Leão</td>
									<td align="center">1932</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">14</td>
									<td align="left">Van Dine, S. S.</td>
									<td align="left"><italic>O crime da canária</italic></td>
									<td align="left">Darcy Azambuja</td>
									<td align="center">1932</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">15</td>
									<td align="left">Wilton, Louis</td>
									<td align="left"><italic>O tapete da morte</italic></td>
									<td align="left">Pedro Bruno Deschinger</td>
									<td align="center">1932</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">16</td>
									<td align="left">Freeman, R. Austin</td>
									<td align="left"><italic>O mistério D'Arblay</italic></td>
									<td align="left"><bold>N/C</bold></td>
									<td align="center">1932</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">17</td>
									<td align="left">Rohmer, Sax</td>
									<td align="left"><italic>A mão de Fu-Manchu</italic></td>
									<td align="left">Leonel Vallandro</td>
									<td align="center">1932</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">18</td>
									<td align="left">Rohmer, Sax</td>
									<td align="left"><italic>A garra amarela</italic></td>
									<td align="left">J. de Souza</td>
									<td align="center">1932</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">19</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>A estranha condessa</italic></td>
									<td align="left">Carmen Annes Dias</td>
									<td align="center">1932</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">20</td>
									<td align="left">Van Dine, S. S.</td>
									<td align="left"><italic>O caso Benson</italic></td>
									<td align="left">Pepita de Leão</td>
									<td align="center">1932</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">21</td>
									<td align="left">Rohmer, Sax</td>
									<td align="left"><italic>Língua de fogo</italic></td>
									<td align="left">Orlando Maia</td>
									<td align="center">1932</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">22</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O fantasma verde</italic></td>
									<td align="left">Marieta Silva</td>
									<td align="center">1932</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">23</td>
									<td align="left">Fletcher, J. S.</td>
									<td align="left"><italic>O mistério Mazaroff</italic></td>
									<td align="left">Cacy Cordovil</td>
									<td align="center">1933</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">24</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>Na pista do alfinete novo</italic></td>
									<td align="left">Erico Verissimo</td>
									<td align="center">1933</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">25</td>
									<td align="left">Rohmer, Sax</td>
									<td align="left"><italic>O escorpião de ouro</italic></td>
									<td align="left">Pedro Nunes</td>
									<td align="center">1933</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">26</td>
									<td align="left">Freeman, R. Austin</td>
									<td align="left"><italic>O incrível Dr. Thorndyke</italic></td>
									<td align="left">Lourival Cunha</td>
									<td align="center">1933</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">27</td>
									<td align="left">Christie, Agatha</td>
									<td align="left"><italic>O trem azul</italic></td>
									<td align="left">J. de Souza</td>
									<td align="center">1933</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">28</td>
									<td align="left">Crofts, F. Wills</td>
									<td align="left"><italic>O sindicato Pit-Prop</italic></td>
									<td align="left">Lourival Cunha</td>
									<td align="center">1933</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">29</td>
									<td align="left">Christie, Agatha</td>
									<td align="left"><italic>O assassinato de Roger Ackroyd</italic></td>
									<td align="left">Heitor Berutti</td>
									<td align="center">1933</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">30</td>
									<td align="left">Freeman, R. Austin</td>
									<td align="left"><italic>Como um ladrão à noite</italic></td>
									<td align="left">Pedro Bruno Dischinger</td>
									<td align="center">1934</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">31</td>
									<td align="left">Crofts, F. Wills</td>
									<td align="left"><italic>O caso Ponson</italic></td>
									<td align="left">Carmen de Revoredo Dias</td>
									<td align="center">1934</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">32</td>
									<td align="left">Van Dine, S. S.</td>
									<td align="left"><italic>O bispo preto</italic></td>
									<td align="left">Peri Pinto Diniz</td>
									<td align="center">1934</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">33</td>
									<td align="left">Rinehart, Mary R.</td>
									<td align="left"><italic>O homem do leito no. 10</italic></td>
									<td align="left">Lourival Cunha</td>
									<td align="center">1934</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">34</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>A morte mora em Chicago</italic></td>
									<td align="left">Erico Verissimo</td>
									<td align="center">1934</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">35</td>
									<td align="left">Fletcher, J. S.</td>
									<td align="left"><italic>O mistério de Markenmore</italic></td>
									<td align="left">Sonja Campani</td>
									<td align="center">1934</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">36</td>
									<td align="left">Rohmer, Sax</td>
									<td align="left"><italic>A filha de Fu-Manchu</italic></td>
									<td align="left">Erico Verissimo</td>
									<td align="center">1935</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">37</td>
									<td align="left">Varaldo, Alessandro</td>
									<td align="left"><italic>O sete belo</italic></td>
									<td align="left">Luiz Estrella</td>
									<td align="center">1935</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">38</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>Gangsters</italic></td>
									<td align="left">J. de Souza</td>
									<td align="center">1935</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">39</td>
									<td align="left">Wilton, Louis</td>
									<td align="left"><italic>As panteras</italic></td>
									<td align="left">Walter Heckmann</td>
									<td align="center">1935</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">40</td>
									<td align="left">Christie, Agatha</td>
									<td align="left"><italic>A casa perdida</italic></td>
									<td align="left">Pepita de Leão</td>
									<td align="center">1935</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">41</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>A cobra amarela</italic></td>
									<td align="left">Erico Verissimo</td>
									<td align="center">1936</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">42</td>
									<td align="left">Rohmer, Sax</td>
									<td align="left"><italic>O imperador da América</italic></td>
									<td align="left">Pepita de Leão</td>
									<td align="center">1936</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">43</td>
									<td align="left">Wilton, Louis</td>
									<td align="left"><italic>O sinal fatídico</italic></td>
									<td align="left"><bold>N/C</bold></td>
									<td align="center">1936</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">44</td>
									<td align="left">Crofts, F. Wills</td>
									<td align="left"><italic>O mistério de Groote Park</italic></td>
									<td align="left">Leonel Vallandro</td>
									<td align="center">1936</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">45</td>
									<td align="left">Horler, Sydney</td>
									<td align="left"><italic>O pior homem do mundo</italic></td>
									<td align="left">J. de Souza</td>
									<td align="center">1936</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">46</td>
									<td align="left">Fletcher, J. S.</td>
									<td align="left"><italic>O vaso chinês</italic></td>
									<td align="left">Suzanne Burtin-Vinholes</td>
									<td align="center">1936</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">47</td>
									<td align="left">Eberhart, Mignon G.</td>
									<td align="left"><italic>O crime dum aristocrata</italic></td>
									<td align="left">Suzanne Burtin-Vinholes</td>
									<td align="center">1936</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">48</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>Os três homens justos</italic></td>
									<td align="left">Leonel Vallandro</td>
									<td align="center">1936</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">49</td>
									<td align="left">Horler, Sydney</td>
									<td align="left"><italic>Senhorita Mistério</italic></td>
									<td align="left">Leonel Vallandro</td>
									<td align="center">1937</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">50</td>
									<td align="left">Rohmer, Sax</td>
									<td align="left"><italic>O espectro da cara cinzenta</italic></td>
									<td align="left">Heitor Almada</td>
									<td align="center">1937</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">51</td>
									<td align="left">Oppenheim, E. Phillips</td>
									<td align="left"><italic>As joias dos Ostrekoff</italic></td>
									<td align="left">Lilia Guaspari</td>
									<td align="center">1937</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">52</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O homem que não era ninguém</italic></td>
									<td align="left">“Gilberto Miranda”</td>
									<td align="center">1937</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">53</td>
									<td align="left">Le Queux, William</td>
									<td align="left"><italic>Garra de cristal</italic></td>
									<td align="left">Suzanne Burtin-Vinholes</td>
									<td align="center">1937</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">54</td>
									<td align="left">Rohmer, Sax</td>
									<td align="left"><italic>Asa de morcego</italic></td>
									<td align="left">Carmen de Revoredo Dias</td>
									<td align="center">1937</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">55</td>
									<td align="left">Wells, Carolyn</td>
									<td align="left"><italic>Os três punhais</italic></td>
									<td align="left">Silvia Guaspari</td>
									<td align="center"><bold>1938</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">56</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O aventureiro</italic></td>
									<td align="left">Ernestina Black</td>
									<td align="center">1937</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">57</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>A esmeralda quadrada</italic></td>
									<td align="left">“Gilberto Miranda”</td>
									<td align="center">1937</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">58</td>
									<td align="left">Crofts, Freeman Wills</td>
									<td align="left"><italic>A carga macabra</italic></td>
									<td align="left">“Gilberto Miranda”</td>
									<td align="center">1938</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">59</td>
									<td align="left">Varaldo, Alessandro</td>
									<td align="left"><italic>A gata persa</italic></td>
									<td align="left">Mario Quintana</td>
									<td align="center">1938</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">60</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O caso da dama apavorada</italic></td>
									<td align="left">Leonel Vallandro</td>
									<td align="center">1938</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">61</td>
									<td align="left">Oppenheim, E. Phillips</td>
									<td align="left"><italic>O segredo de Martin Hews</italic></td>
									<td align="left">“Gilberto Miranda”</td>
									<td align="center">1938</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">62</td>
									<td align="left">Crofts, F. Wills</td>
									<td align="left"><italic>Morte repentina</italic></td>
									<td align="left">Arno Von Muhlen</td>
									<td align="center">1938</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">63</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>A inteligência de Mr. Reeder</italic></td>
									<td align="left">“Gilberto Miranda”</td>
									<td align="center"><bold>1939</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">64</td>
									<td align="left">Fletcher, J. S.</td>
									<td align="left"><italic>Um cadáver no jardim</italic></td>
									<td align="left">Justino Martins</td>
									<td align="center"><bold>1939</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">65</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>A volta do sineiro</italic></td>
									<td align="left">Lilia Guaspari</td>
									<td align="center">1938</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">66</td>
									<td align="left">Rohmer, Sax</td>
									<td align="left"><italic>Mão decepada</italic></td>
									<td align="left">Lídia Brockmann</td>
									<td align="center">1938</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">67</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>A fita verde</italic></td>
									<td align="left">Silvia Guaspari</td>
									<td align="center">1938</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">68</td>
									<td align="left">Christie, Agatha</td>
									<td align="left"><italic>As 4 potências do mal</italic></td>
									<td align="left">Marina Guaspari</td>
									<td align="center"><bold>1939</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">69</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O mistério do “Polyantha”</italic></td>
									<td align="left">Lília Guaspari</td>
									<td align="center">1938</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">70</td>
									<td align="left">Rohmer, Sax</td>
									<td align="left"><italic>Sombras amarelas</italic></td>
									<td align="left">Leonel Vallandro</td>
									<td align="center">1938</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">71</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>Máscara branca</italic></td>
									<td align="left">Silvia Guaspari</td>
									<td align="center"><bold>1939</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">72</td>
									<td align="left">Horler, Sydney</td>
									<td align="left"><italic>Vivanti</italic></td>
									<td align="left">Lilia Guaspari</td>
									<td align="center">1938</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">73</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>Os 4 homens justos</italic></td>
									<td align="left">Radagasio Taborda</td>
									<td align="center">1939</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">74</td>
									<td align="left">Rohmer, Sax</td>
									<td align="left"><italic>Tóxico!</italic></td>
									<td align="left">Juvenal Jacinto</td>
									<td align="center">1939</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">75</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>A esquadra volante</italic></td>
									<td align="left">“Gilberto Miranda”</td>
									<td align="center"><bold>1942</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">76</td>
									<td align="left">Christie, Agatha</td>
									<td align="left"><italic>Um crime no expresso do Oriente</italic> - <bold>O/C</bold></td>
									<td align="left"><bold>N/C</bold> [Silvia Guaspari]</td>
									<td align="center"><bold>1940</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">77</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O terror</italic></td>
									<td align="left">Antônio Barata</td>
									<td align="center"><bold>1940</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">78</td>
									<td align="left">Packard, Frank L.</td>
									<td align="left"><italic>As aventuras de Jimmie Dale</italic></td>
									<td align="left">Leonel Vallandro</td>
									<td align="center">1939</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">79</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>Trapaceiros em alto mar</italic></td>
									<td align="left">Marques Rebello</td>
									<td align="center"><bold>1940</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">80</td>
									<td align="left">Horler, Sydney</td>
									<td align="left"><italic>A casa dos segredos</italic></td>
									<td align="left">Fay de Azevedo</td>
									<td align="center"><bold>1940</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">81</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>A volta dos 3 homens justos</italic></td>
									<td align="left">Liberato Soares Pinto</td>
									<td align="center"><bold>1940</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">82</td>
									<td align="left">Packard, Frank L.</td>
									<td align="left"><italic>As novas proezas de Jimmie Dale</italic></td>
									<td align="left">Aydano do Couto Ferraz</td>
									<td align="center"><bold>1940</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">83</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>A pista da vela dobrada</italic> - <bold>O/C</bold></td>
									<td align="left">Cristovam Paledzky</td>
									<td align="center">1939</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">84</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>Os olhos velados de Londres</italic> - <bold>O/C</bold></td>
									<td align="left">Lourival Cunha</td>
									<td align="center">1939</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">85</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O caso do delator</italic></td>
									<td align="left">Luiz Estrella</td>
									<td align="center">1940</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">86</td>
									<td align="left">Rohmer, Sax</td>
									<td align="left"><italic>Quando a morte ri</italic></td>
									<td align="left">Isaac Soares</td>
									<td align="center"><bold>1942</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">87</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O hotel do terror</italic></td>
									<td align="left">Luiza Ferreira</td>
									<td align="center">1940</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">88</td>
									<td align="left">Packard, Frank L.</td>
									<td align="left"><italic>Jimmie Dale e o fantasma</italic></td>
									<td align="left">Homero de Castro Jobim</td>
									<td align="center"><bold>1942</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">89</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>Os ases vermelhos</italic></td>
									<td align="left">Pepita de Leão</td>
									<td align="center"><bold>1941</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">90</td>
									<td align="left">Fletcher, J. S.</td>
									<td align="left"><italic>Os diamantes fatais</italic></td>
									<td align="left">Hamilcar de Garcia</td>
									<td align="center"><bold>1943</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">91</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>Sanders da África</italic></td>
									<td align="left">Mario Quintana</td>
									<td align="center">1940</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">92</td>
									<td align="left">Crofts, Freeman Wills</td>
									<td align="left"><italic>A tragédia de Starvel</italic></td>
									<td align="left">Marques Rebello</td>
									<td align="center">1940</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">93</td>
									<td align="left">Horler, Sydney</td>
									<td align="left"><italic>Coração negro</italic></td>
									<td align="left">Dias da Costa</td>
									<td align="center"><bold>1941</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">94</td>
									<td align="left">Mavity, Nancy Barr</td>
									<td align="left"><italic>O homem que não temia a forca</italic></td>
									<td align="left">Carlos Casanovas</td>
									<td align="center"><bold>1942</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">95</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>A lei dos 4 homens justos</italic></td>
									<td align="left">Leonel Vallandro</td>
									<td align="center">1940</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">96</td>
									<td align="left">Horler, Sydney</td>
									<td align="left"><italic>A volta de Vivanti</italic></td>
									<td align="left">Marques Rebello</td>
									<td align="center"><bold>1942</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">97</td>
									<td align="left">Schultz, Walther</td>
									<td align="left"><italic>O luar assassino/ O caso de Dagmar Michaelis</italic></td>
									<td align="left">[Autor brasileiro]</td>
									<td align="center">1941</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">98</td>
									<td align="left">Sintair &amp; Steeman</td>
									<td align="left"><italic>A 13ª pancada da meia-noite</italic></td>
									<td align="left">Dorval Serrano</td>
									<td align="center">1941</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">99</td>
									<td align="left">Eberhart, Mignon G.</td>
									<td align="left"><italic>O crime do hospital</italic></td>
									<td align="left"><bold>N/C</bold></td>
									<td align="center">1941</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">100</td>
									<td align="left">Bentley, E. C.</td>
									<td align="left"><italic>O último caso de Trent</italic></td>
									<td align="left">Hamilcar de Garcia</td>
									<td align="center"><bold>1943</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">101</td>
									<td align="left">Christie, Agatha</td>
									<td align="left"><italic>O caso dos dez negrinhos</italic></td>
									<td align="left">Leonel Vallandro</td>
									<td align="center">1942</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">102</td>
									<td align="left">Quentin, Patrick</td>
									<td align="left"><italic>Um enigma para doidos</italic></td>
									<td align="left">Hamilcar de Garcia</td>
									<td align="center">1943</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">103</td>
									<td align="left">Sapper</td>
									<td align="left"><italic>Knock-out</italic></td>
									<td align="left">Isaac Soares</td>
									<td align="center">1943</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">104</td>
									<td align="left">Knight, Clifford</td>
									<td align="left"><italic>O caranguejo escarlate</italic></td>
									<td align="left">Hamilcar de Garcia</td>
									<td align="center">1943</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">105</td>
									<td align="left">Christie, Agatha</td>
									<td align="left"><italic>A morte no Nilo</italic></td>
									<td align="left">Ligia Junqueira Smith</td>
									<td align="center"><bold>1944</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">106</td>
									<td align="left">Crofts, F. Wills</td>
									<td align="left"><italic>O grande caso de French</italic></td>
									<td align="left">Idalina Peçanha Dias</td>
									<td align="center">1943</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">107</td>
									<td align="left">Mason, Van Vick [sic]</td>
									<td align="left"><italic>A morte dansa na Rumânia</italic></td>
									<td align="left">Hamilcar de Garcia</td>
									<td align="center">1943</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">108</td>
									<td align="left">Mavity, Nancy Barr</td>
									<td align="left"><italic>O caso das sandálias perdidas</italic></td>
									<td align="left">T. de Ernani Seabra</td>
									<td align="center"><bold>1944</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">109</td>
									<td align="left">Gardner, Erle Stanley</td>
									<td align="left"><italic>O caso das garras de veludo</italic></td>
									<td align="left">Hamilcar de Garcia</td>
									<td align="center">1943</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">110</td>
									<td align="left">Queen, Ellery</td>
									<td align="left"><italic>O mistério dos fósforos queimados</italic></td>
									<td align="left">Wilson Velloso</td>
									<td align="center"><bold>1945</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">111</td>
									<td align="left">Gardner, Erle Stanley</td>
									<td align="left"><italic>O caso da jovem arisca</italic></td>
									<td align="left">Marcello de Andrade</td>
									<td align="center"><bold>1944</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">112</td>
									<td align="left">Myers, Isabel Briggs</td>
									<td align="left"><italic>A morte se faz anunciar</italic></td>
									<td align="left">Wilson Velloso</td>
									<td align="center"><bold>1944</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">113</td>
									<td align="left">Gardner, Erle Stanley</td>
									<td align="left"><italic>O caso das pernas de sorte</italic></td>
									<td align="left">Leonel Vallandro</td>
									<td align="center">1943</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">114</td>
									<td align="left">Dickson, Carter</td>
									<td align="left"><italic>Os crimes da viúva vermelha</italic></td>
									<td align="left">Wilson Velloso</td>
									<td align="center"><bold>1944</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">115</td>
									<td align="left">Gardner, Erle Stanley</td>
									<td align="left"><italic>O caso do cão uivador</italic></td>
									<td align="left">Sonia Guimarães</td>
									<td align="center"><bold>1944</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">116</td>
									<td align="left">Queen, Ellery</td>
									<td align="left"><italic>Um crime de encomenda</italic></td>
									<td align="left">Lino Vallandro</td>
									<td align="center"><bold>1944</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">117</td>
									<td align="left">Gardner, Erle Stanley</td>
									<td align="left"><italic>O caso da noiva curiosa</italic></td>
									<td align="left">Marcello de Andrade</td>
									<td align="center">1943</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">118</td>
									<td align="left">Dickson, Carter</td>
									<td align="left"><italic>A polícia é convidada</italic></td>
									<td align="left">Eunice Catunda</td>
									<td align="center">1944</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">119</td>
									<td align="left">Gardner, Erle Stanley</td>
									<td align="left"><italic>O caso do olho de vidro</italic></td>
									<td align="left">Lino Vallandro</td>
									<td align="center"><bold>1945</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">120</td>
									<td align="left">Christie, Agatha</td>
									<td align="left"><italic>Os cinco porquinhos</italic></td>
									<td align="left">Edson Ferreira Santos</td>
									<td align="center"><bold>1945</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">121</td>
									<td align="left">Gardner, Erle Stanley</td>
									<td align="left"><italic>O caso do gato do porteiro</italic></td>
									<td align="left">Vidal de Oliveira</td>
									<td align="center">1944</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">122</td>
									<td align="left">Irish, William</td>
									<td align="left"><italic>A mulher fantasma</italic></td>
									<td align="left">Wilson Velloso</td>
									<td align="center">1944</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">123</td>
									<td align="left">Gardner, Erle Stanley</td>
									<td align="left"><italic>O caso da sobrinha do sonâmbulo</italic></td>
									<td align="left">Afrânio Zucoloto</td>
									<td align="center"><bold>1942</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">124</td>
									<td align="left">Hammett, Dashiell</td>
									<td align="left"><italic>Estranha maldição</italic></td>
									<td align="left">Wilson Velloso</td>
									<td align="center"><bold>1946</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><bold>125</bold></td>
									<td align="left"><bold>Inexistente</bold></td>
									<td align="left"><bold>
 <italic>Inexistente</italic> 
</bold></td>
									<td align="left"> </td>
									<td align="center"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">126</td>
									<td align="left">Hammett, Dashiell</td>
									<td align="left"><italic>Safra vermelha</italic></td>
									<td align="left">Lino Vallandro</td>
									<td align="center"><bold>1946</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">127</td>
									<td align="left">Queen, Ellery</td>
									<td align="left"><italic>O diabo que resolva</italic></td>
									<td align="left">Cecília Whately</td>
									<td align="center"><bold>1947</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">128</td>
									<td align="left">Hammett, Dashiell</td>
									<td align="left"><italic>O falcão maltês</italic></td>
									<td align="left">Candida Villalva</td>
									<td align="center">1945</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">129</td>
									<td align="left">Queen, Ellery</td>
									<td align="left"><italic>O mistério do sapato holandês</italic></td>
									<td align="left">Lino Vallandro</td>
									<td align="center"><bold>1947</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">130</td>
									<td align="left">Hammett, Dashiell</td>
									<td align="left"><italic>A chave de vidro</italic></td>
									<td align="left">Silvia Mendes Cajado</td>
									<td align="center">1945</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">131</td>
									<td align="left">Irish, William</td>
									<td align="left"><italic>Prisioneiros da madrugada</italic></td>
									<td align="left">Adelaide Silveira</td>
									<td align="center">1947</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">132</td>
									<td align="left">Queen, Ellery</td>
									<td align="left"><italic>O mistério da tangerina</italic></td>
									<td align="left">James Amado</td>
									<td align="center"><bold>1948</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">133</td>
									<td align="left">Paul, Elliot</td>
									<td align="left"><italic>O Louvre em polvorosa</italic></td>
									<td align="left">Clementino de Alencar</td>
									<td align="center">1947</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">134</td>
									<td align="left">Queen, Ellery</td>
									<td align="left"><italic>O mistério do ataúde grego</italic></td>
									<td align="left">Lino Vallandro</td>
									<td align="center">1947</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">135</td>
									<td align="left">Paul, Elliot</td>
									<td align="left"><italic>Homicídio em si bemol</italic></td>
									<td align="left">Homero de Castro Jobim</td>
									<td align="center">1948</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">136</td>
									<td align="left">Queen, Ellery</td>
									<td align="left"><italic>A porta do meio</italic></td>
									<td align="left">Wilson Velloso</td>
									<td align="center"><bold>1949</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">137</td>
									<td align="left">Christie, Agatha</td>
									<td align="left"><italic>O segredo de Chimneys</italic></td>
									<td align="left">Faustino Armando</td>
									<td align="center">1948</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">138</td>
									<td align="left">Christie, Agatha</td>
									<td align="left"><italic>O secreto adversário</italic></td>
									<td align="left">Isaac Soares</td>
									<td align="center">1949</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">139</td>
									<td align="left">Patrick, Quentin</td>
									<td align="left"><italic>A morte e a donzela</italic></td>
									<td align="left">Faustino Armando</td>
									<td align="center">1949</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">140</td>
									<td align="left">Stout, Rex</td>
									<td align="left"><italic>A caixa vermelha</italic></td>
									<td align="left">Isaac Soares</td>
									<td align="center">1950</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">141</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O círculo vermelho</italic></td>
									<td align="left">Darcy Azambuja [reed. v. 1]</td>
									<td align="center">1951</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">142</td>
									<td align="left">Hilton, James</td>
									<td align="left"><italic>Tragédia no internato</italic></td>
									<td align="left">Lino Vallandro</td>
									<td align="center">1951</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">143</td>
									<td align="left">Roos, Kelley</td>
									<td align="left"><italic>Mortalha sob medida</italic></td>
									<td align="left">Faustino Armando/ Isaac Soares</td>
									<td align="center">1951</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">144</td>
									<td align="left">Christie, Agatha</td>
									<td align="left"><italic>O homem da roupa marrom</italic></td>
									<td align="left">Homero de Castro Jobim/“Gilberto Miranda”</td>
									<td align="center">1951</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">145</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O bando terrível</italic></td>
									<td align="left">A. Duprat [reed. v. 4]</td>
									<td align="center">1951</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">146</td>
									<td align="left">Christie, Agatha</td>
									<td align="left"><italic>O assassinato de Roger Ackroyd</italic></td>
									<td align="left">Heitor Berutti [reed. v. 29]</td>
									<td align="center">1951</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">147</td>
									<td align="left">Brown, Fredric</td>
									<td align="left"><italic>O tio prodigioso</italic></td>
									<td align="left">Mario Quintana</td>
									<td align="center">1951</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">148</td>
									<td align="left">Queen, Ellery</td>
									<td align="left"><italic>A tragédia de X</italic></td>
									<td align="left">“Gilberto Miranda”</td>
									<td align="center">1951</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">149</td>
									<td align="left">Queen, Ellery</td>
									<td align="left"><italic>O crime da raposa</italic></td>
									<td align="left">Herbert Caro/Isaac Soares</td>
									<td align="center">1952</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">150</td>
									<td align="left">Sayers, Dorothy</td>
									<td align="left"><italic>O crime exige propaganda</italic></td>
									<td align="left">Wilson Velloso</td>
									<td align="center">1952</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">151</td>
									<td align="left">Simenon, Georges</td>
									<td align="left"><italic>A amiga de Madame Maigret</italic></td>
									<td align="left">Vidal de Oliveira</td>
									<td align="center">1952</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">152</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>O homem sinistro</italic></td>
									<td align="left">Erico Verissimo [reed. v. 6]</td>
									<td align="center">1953</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">153</td>
									<td align="left">Simenon, Georges</td>
									<td align="left"><italic>Os fantasmas do chapeleiro</italic></td>
									<td align="left">Mario Quintana</td>
									<td align="center">1954</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">154</td>
									<td align="left">Simenon, Georges</td>
									<td align="left"><italic>A sombra chinesa</italic></td>
									<td align="left">Mario Quintana</td>
									<td align="center">1954</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">155</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>A porta das sete chaves</italic></td>
									<td align="left">Pedro Bruno Dischinger [reed. v. 2]</td>
									<td align="center">1954</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">156</td>
									<td align="left">Simenon, Georges</td>
									<td align="left"><italic>Maigret e seu morto</italic></td>
									<td align="left">Vidal de Oliveira</td>
									<td align="center">1956</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">157</td>
									<td align="left">Wallace, Edgar</td>
									<td align="left"><italic>A pista do alfinete novo</italic></td>
									<td align="left">Erico Verissimo [reed. v. 24]</td>
									<td align="center">1956</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">158</td>
									<td align="left">Simenon, Georges</td>
									<td align="left"><italic>A estréia de Maigret</italic></td>
									<td align="left">Marcello Magalhães</td>
									<td align="center">1956</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">159</td>
									<td align="left">Christie, Agatha</td>
									<td align="left"><italic>O caso dos dez negrinhos</italic></td>
									<td align="left">Leonel Vallandro [reed. v. 101]</td>
									<td align="center">1956</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>A partir dos dados da listagem, pode-se relacionar a quantidade de títulos publicados anualmente na Coleção Amarela:<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>
				</p>
				<p>
					<table-wrap id="t2">
						<label>TABELA 2</label>
						<caption>
							<title>NÚMERO DE LANÇAMENTOS ANUAIS</title>
						</caption>
						<table>
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="left">Ano</th>
									<th align="center">Lçtos.</th>
									<th align="center">Ano</th>
									<th align="center">Lçtos.</th>
									<th align="left">Ano</th>
									<th align="center">Lçtos.</th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="center">1931</td>
									<td align="center">7</td>
									<td align="center">1940</td>
									<td align="center">11</td>
									<td align="center">1949</td>
									<td align="center">3</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">1932</td>
									<td align="center">15</td>
									<td align="center">1941</td>
									<td align="center">5</td>
									<td align="center">1950</td>
									<td align="center">1</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">1933</td>
									<td align="center">7</td>
									<td align="center">1942</td>
									<td align="center">7</td>
									<td align="center">1951</td>
									<td align="center">5</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">1934</td>
									<td align="center">6</td>
									<td align="center">1943</td>
									<td align="center">10</td>
									<td align="center">1952</td>
									<td align="center">3</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">1935</td>
									<td align="center">5</td>
									<td align="center">1944</td>
									<td align="center">10</td>
									<td align="center">1953</td>
									<td align="center">0</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">1936</td>
									<td align="center">8</td>
									<td align="center">1945</td>
									<td align="center">5</td>
									<td align="center">1954</td>
									<td align="center">2</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">1937</td>
									<td align="center">8</td>
									<td align="center">1946</td>
									<td align="center">2</td>
									<td align="center">1955</td>
									<td align="center">0</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">1938</td>
									<td align="center">12</td>
									<td align="center">1947</td>
									<td align="center">5</td>
									<td align="center">1956</td>
									<td align="center">2</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">1939</td>
									<td align="center">9</td>
									<td align="center">1948</td>
									<td align="center">3</td>
									<td align="center"> </td>
									<td align="center"> </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"> </td>
									<td align="center">77</td>
									<td align="center"> </td>
									<td align="center">58</td>
									<td align="center"> </td>
									<td align="center">16</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>Nos 26 anos de publicação, a Coleção Amarela lançou dez ou mais títulos anuais apenas cinco vezes: em 1932, 1938, 1940, 1943 e 1944. O maior número de lançamentos se deu em 1932, seu segundo ano de existência.</p>
				<p>1944 foi o último ano com número razoavelmente expressivo de lançamentos. Ainda que anteriormente se tivessem registrado anos de baixa, o número de lançamentos nunca fora inferior a cinco títulos anuais. A partir de 1945, porém, é visível o declínio constante da coleção, chegando a se registrarem dois anos, 1953 e 1955, sem nenhum novo lançamento.</p>
				<p>Acrescente-se que, a partir de 1951, teve início o recurso a relançamentos de títulos já publicados dentro da própria coleção, que tornam a aparecer não como simples reedições, mas como volumes com numeração própria, fato que nunca ocorrera antes em seu catálogo. São eles: vols. 141, 145 e 146 (1951), vol. 152 (1953), vol. 155 (1954), vols. 157 e 159 (1956), como se vê na <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>.</p>
				<p>Têm-se, portanto, 120 títulos em catorze anos (1931-1944) para 31 títulos em doze anos (1945-1956), numa razão de quase 4:1 ou, em outros termos, a segunda metade da existência da coleção responde por cerca de apenas 1/5 do total de lançamentos, em contraposição à metade inicial de sua existência, concentrando 4/5 dos lançamentos.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>2. Os autores</title>
			<sec>
				<title>2.1. Os mais frequentes</title>
				<p>A Coleção Amarela trouxe ao público brasileiro um total de 38 autores.</p>
				<p>Destes 38 autores, quinze tiveram somente uma obra publicada na coleção; treze, de duas a quatro obras; dez tiveram cinco ou mais obras lançadas. O autor que compareceu com maior assiduidade foi, de longe, Edgar Wallace.</p>
				<p>Vejamos os dez nomes que saíram em cinco ou mais títulos:</p>
				<p>1. Louis Wilton: 5</p>
				<p>2. J.S. Fletcher: 5</p>
				<p>3. Georges Simenon: 5</p>
				<p>4. Sydney Horler: 6</p>
				<p>5. F. Wills Crofts: 7</p>
				<p>6. Erle Stanley Gardner: 8</p>
				<p>7. Ellery Queen: 9</p>
				<p>8. Agatha Christe: 11 (com 2 títulos repetidos, totalizando 13 volumes)</p>
				<p>9. Sax Rohmer: 12</p>
				<p>10. Edgar Wallace: 35 (com 5 títulos repetidos, totalizando 40 volumes). </p>
				<p>O interessante a notar é a distribuição dessa frequência. Assim, por exemplo, Louis Wilton é lançado desde 1931 e some após 1936, enquanto Sax Rohmer é publicado entre 1932 e 1942. Erle S. Gardner, por sua vez, começa a ser lançado em 1942 para desaparecer após 1945, ao passo que Georges Simenon vem a ser publicado apenas nos anos finais da coleção, entre 1952 e 1956.</p>
				<p>Mesmo Edgar Wallace, autor que inaugura a coleção e ocupa mais de 25% de todos os seus lançamentos, desaparece após 1941. Se ressurge em 1951 e segue até 1956, é apenas em relançamentos de títulos já publicados entre 1931 e 1933.</p>
				<p>Em termos comparativos, a presença de Agatha Christie mostra uma constância que se destaca no conjunto: publicada a partir de 1933, aparece regularmente com novos títulos até 1951, e é com a reedição de uma obra sua que a coleção se encerra em 1956.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>2.2 As nacionalidades</title>
				<p>Naturalmente, é maciço o predomínio de ingleses e americanos entre os autores publicados na Coleção Amarela.</p>
				<p>Entre os 38 lançados na coleção, há dezessete americanos e catorze ingleses (se considerarmos inglesa a dupla que assinava como “Patrick Quentin”).</p>
				<p>Mas encontramos também dois belgas, um checo, um irlandês, um italiano, um canadense e um brasileiro.</p>
				<p>Os belgas são Georges Simenon e Sintair &amp; Steeman (Herman Sartini e Stanislas-André Steeman). Checo é Louis Wilton; irlandês, F. Wills Crofts; italiano, Alessandro Varaldo; canadense, Frank L. Packard. O Brasil está representado por Walther Schultz.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>2.3 Os pseudônimos</title>
				<p>Eis os autores com pseudônimo publicados na Coleção Amarela:</p>
				<p>1. S.S. Van Dine, pseudônimo de Willard Huntington Wright</p>
				<p>2. Sax Rohmer, pseudônimo de Arthur Henry Sarsfield Ward</p>
				<p>3. Sintair &amp; Steeman, nome adotado pela dupla Herman Sartini e Stanislas-André Steeman</p>
				<p>4. Patrick Quentin, pseudônimo da dupla Hugh Callingham Wheeler e Richard Wilson Webb</p>
				<p>5. Sapper, pseudônimo de Herman Cyril McNeile</p>
				<p>6. Ellery Queen, pseudônimo da dupla Frederic Dannay e Manfred B. Lee</p>
				<p>7. Carter Dickson, pseudônimo de John Dickson Carr</p>
				<p>8. William Irish, pseudônimo de Cornell Woolrich</p>
				<p>9. Kelley Roos, nome adotado pela dupla Audrey Kelley e William Roos.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>3. Traduções</title>
			<p>Como dito acima, o catálogo da Coleção Amarela contém 151 títulos diferentes de 38 autores. Um dos autores é o brasileiro Walther Schultz, cuja obra dispensou tradução. Assim, os títulos traduzidos somam um total de 150 obras. Dessas 150 traduções, quatro são anônimas, mas de uma delas foi possível rastrear a identidade da tradutora, Silvia Guaspari. Com isso, temos 147 títulos com seus respectivos créditos de tradução.</p>
			<sec>
				<title>3.1. Os mais frequentes</title>
				<p>O que podemos ver agora é que, para essas 147 traduções, foi utilizado o trabalho de 64 tradutores.</p>
				<p>Por um lado, nota-se o empenho da coleção em creditar sistematicamente o trabalho de tradução em suas publicações, salvo as quatro exceções mencionadas. É um cuidado que se destaca numa época em que havia um alto índice de traduções anônimas.</p>
				<p>Por outro lado, fica patente a elevada rotatividade de colaboradores, o que decerto não contribuía muito para a estabilidade e constância do processo editorial. Mas aqui também se evidencia o papel de alguns poucos tradutores que, no frigir dos ovos, poderíamos dizer que “carregaram nas costas” o trabalho de tradução da Coleção Amarela.</p>
				<p>Vejamos a frequência de tradução dentro da coleção:<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>
				</p>
				<p>
					<list list-type="bullet">
						<list-item>
							<p>39 tradutores fizeram apenas uma tradução cada;</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>16 tradutores fizeram de duas a quatro;</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>9 fizeram cinco ou mais traduções.</p>
						</list-item>
					</list>
				</p>
				<p>Os nove tradutores responsáveis, cada um, por cinco ou mais traduções na Coleção Amarela respondem por um total de sessenta obras traduzidas, ou seja, mais de 40% de seu catálogo. São eles, por ordem crescente:</p>
				<p>
					<list list-type="bullet">
						<list-item>
							<p>Pepita de Leão: 5</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Mario Quintana: 5</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Isaac Soares: 6</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Hamilcar de Garcia: 6</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Lino Vallandro: 6</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Wilson Velloso: 7</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Erico Verissimo: 7</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>“Gilberto Miranda”: 8</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>Leonel Vallandro: 10</p>
						</list-item>
					</list>
				</p>
				<p>Não por acaso, são tradutores que continuam presentes por vários anos em outras coleções e publicações da casa.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>3.2 O mito</title>
				<p>Quanto a “Gilberto Miranda”, reza a lenda que seria o pseudônimo usado por Erico Verissimo em várias de suas traduções.</p>
				<p>Na verdade, como explica o próprio Verissimo em <italic>Um certo Henrique Bertaso</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B12">2011</xref>: 50):</p>
				<disp-quote>
					<p>Até hoje de vez em quando alguém nos pergunta quem é Gilberto Miranda, que há tanto tempo trabalha para a Globo. Ora, trata-se duma “personalidade de conveniência” que inventei, uma espécie de factótum literário. Se uma equipe anônima organiza um livro ou escreve um ensaio e precisamos dum nome para aparecer como autor dessas tarefas, convocamos Gilberto Miranda, que assim tem sido, além de tradutor, especialista em crítica literária, modas femininas e masculinas, trabalhos manuais, política internacional, história natural, psicologia etc., etc. Gilberto Miranda não tem idade. Nestes últimos quarenta anos, Henrique e eu temos ficado mais velhos, mas o infernal Miranda continua jovem: tem sempre trinta anos, a mesma cara, a mesma disposição para o trabalho, e continua a ser suficientemente cínico (ou prático) para emprestar seu nome a qualquer empreendimento literário, por mais medíocre que seja...</p>
				</disp-quote>
				<p>Para a Coleção Amarela, Erico Verissimo fez sete traduções, de 1931 a 1936. <xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>Premido por outras tarefas, como diretor da <italic>Revista do Globo</italic>, “conselheiro literário” de Bertaso na editora, dedicando-se a traduções de mais fôlego e, sobretudo, com o deslanche de sua obra própria, Verissimo encerra suas contribuições como tradutor para a Coleção Amarela em 1936.</p>
				<p>É a partir de 1937 que surge o mítico Gilberto Miranda - e, numa curiosa coincidência, justamente numa obra chamada <italic>O homem que não era ninguém</italic> -, aquela “espécie de factótum literário” (idem, ibidem) que designava um improvisado grupo variável de pessoas fazendo talvez às pressas ou dividindo em várias partes qualquer tarefa urgente ou desatendida: em nosso caso, a tarefa de tradução para o próximo volume da coleção. Traduções de “Gilberto Miranda”, oito ao todo, continuam a ser lançadas na Coleção Amarela até 1951.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>3.3 As parcerias</title>
				<p>Há três volumes na Coleção Amarela com créditos de tradução atribuídos a duas pessoas. São eles:</p>
				<p><italic>1. Mortalha sob medida</italic>, de Kelley Roos, vol. 143, 1951, com tradução de Faustino Armando e Isaac Soares;</p>
				<p><italic>2. O homem da roupa marrom</italic>, de Agatha Christie, vol. 144, 1951, com tradução de Homero de Castro Jobim e “Gilberto Miranda”;</p>
				<p><italic>3. O crime da raposa</italic>, de Ellery Queen, vol. 149, 1952, com tradução de Herbert Caro e Isaac Soares.</p>
				<p>Com toda probabilidade, são trabalhos que o tradutor nomeado em primeiro lugar começou a fazer e depois, por alguma razão qualquer, interrompeu, vindo a serem retomados e concluídos pelo segundo tradutor.</p>
				<p>A primeira coisa que se destaca nessas três “parcerias” é sua concentração, a proximidade temporal dos volumes em que elas ocorreram (1951-52).</p>
				<p>A segunda é que a tradução [semi]empreendida por Herbert Caro foi a única que ele fez para a coleção, enquanto Faustino Armando fez outros trabalhos. Esse fato poderia abrir caminho para férteis ilações, que deixamos como sugestão a outros pesquisadores. Nos dois casos, o “socorro” foi prestado por Isaac Soares, colaborador da casa desde 1942.</p>
				<p>A terceira é o fato de que Homero de Castro Jobim fez outras traduções para a coleção, e seu trabalho nesta aqui apontada foi concluído pelo grande tapa-buracos da Globo, “Gilberto Miranda”, o factótum que, como vimos, subscrevia qualquer trabalho improvisado de última hora realizado por uma equipe anônima da editora.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>4. Ocorrências singulares</title>
			<sec>
				<title>4.1 Os relançamentos de outras coleções</title>
				<p>Como já vimos, o catálogo da Coleção Amarela consiste em 158 volumes, com sete publicações repetidas. Não se trata de reimpressões ou reedições (que houve várias de vários volumes), e sim de títulos da própria coleção relançados com novo número de volume. Tal é o caso, por exemplo, de <italic>O bando terrível</italic>, de Edgar Wallace, publicado em 1931 como volume 4 e relançado em 1951 como volume 145; ou de <italic>O assassinato de Roger Ackroyd</italic>, de Agatha Christie, publicado em 1933 como volume 29 e relançado em 1951 como volume 146. Para os demais relançamentos, consulte-se a <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>, que indica os respectivos volumes nessas condições.</p>
				<p>Esse reaproveitamento de títulos já publicados tornou-se prática relativamente constante na Coleção Amarela a partir de 1951 até 1956, seu último ano de existência. Com um detalhe: eram relançamentos de títulos publicados anteriormente <bold>dentro da própria coleção</bold>.</p>
				<p>Há três exceções, porém. <italic>A pista da vela dobrada</italic>, de Edgar Wallace, lançado em 1939 como volume 83 da Coleção Amarela, já fora publicado em 1933 pela Coleção Globo, como seu terceiro volume. <italic>Os olhos velados de Londres</italic>, também de Edgar Wallace, lançado como volume 84 da Coleção Amarela, imediatamente após <italic>A pista da vela dobrada</italic>, também já fora publicado pela Coleção Globo em 1933, como seu oitavo volume. E <italic>Um crime no Expresso do Oriente</italic>, de Agatha Christie, programado para 1939, mas lançado em 1940 como volume 76 da Coleção Amarela, já saíra serializado em <italic>A Novela</italic>, revista mensal de literatura da Globo entre dezembro de 1936 e maio de 1937.<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>
				</p>
				<p>Essas singulares ocorrências de reaproveitamento de publicações anteriores de <bold>outra coleção</bold> da editora escapam aos padrões da Coleção Amarela também do ponto de vista cronológico. Como comentamos acima, o relançamento de títulos da própria coleção ocorreu com razoável frequência apenas a partir de 1951. E antes de 1939, quando se dão essas três exceções citadas, nunca acontecera nada similar.</p>
				<p>Evidentemente, há de se considerar como fator determinante o brutal impacto da Segunda Guerra Mundial sobre o fluxo de importações de insumos para a indústria gráfica brasileira. Contra tal dependência externa, Vargas tentava desde 1938 encontrar alternativas de produção nacional capazes de abastecer a demanda de papel no país. Todavia, a deflagração da guerra e as ondas de crise que se difundiram pelo mundo impediram que o projeto varguista de incentivo à substituição da importação de insumos pudesse prosseguir sem abalos.</p>
				<p>Isso se refletiu diretamente na agenda interna da editora, como se pode observar no catálogo da Coleção Amarela. De 1931 a 1937, os lançamentos se davam numa sequência normal, isto é, a numeração dos volumes e a data de publicação eram compatíveis entre si. A partir dos lançamentos finais de 1937, porém, começam a surgir discrepâncias: títulos visivelmente programados para determinado ano, acompanhando a sequência dos números dos volumes, vêm a sair com atraso, apenas no ano seguinte ou mesmo dois ou três anos depois. Se em 1937 o principal motivo de instabilidade editorial pode talvez ser tributado ao clima geral de insegurança gerado pelo golpe de Estado e pela implantação da ditadura varguista, o pico de instabilidade se registra entre 1939 e 1945, com a ressaca final em 1947, evidenciando o impacto da guerra sobre a normalidade da vida econômica nacional, do qual nossa coleção não escapou.</p>
				<p>Mas concentremo-nos nos três casos francamente excepcionais que se registram nesse período. Eis as defasagens em 1938 e 1939, assinaladas em negrito:</p>
				<p>
					<table-wrap id="t3">
						<label>TABELA 3</label>
						<caption>
							<title>ATRASOS EM 1938 E 1939</title>
						</caption>
						<table>
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="center">Vol.</th>
									<th align="center">Ano</th>
									<th align="center">Vol.</th>
									<th align="center">Ano</th>
									<th align="center">Vol.</th>
									<th align="center">Ano</th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="center">58</td>
									<td align="center">1938</td>
									<td align="center">67</td>
									<td align="center">1938</td>
									<td align="center"><bold>76</bold></td>
									<td align="center"><bold>1940</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">59</td>
									<td align="center">1938</td>
									<td align="center"><bold>68</bold></td>
									<td align="center"><bold>1939</bold></td>
									<td align="center"><bold>77</bold></td>
									<td align="center"><bold>1940</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">60</td>
									<td align="center">1938</td>
									<td align="center">69</td>
									<td align="center">1938</td>
									<td align="center">78</td>
									<td align="center">1939</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">61</td>
									<td align="center">1938</td>
									<td align="center">70</td>
									<td align="center">1938</td>
									<td align="center"><bold>79</bold></td>
									<td align="center"><bold>1940</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">62</td>
									<td align="center">1938</td>
									<td align="center"><bold>71</bold></td>
									<td align="center"><bold>1939</bold></td>
									<td align="center"><bold>80</bold></td>
									<td align="center"><bold>1940</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><bold>63</bold></td>
									<td align="center"><bold>1939</bold></td>
									<td align="center">72</td>
									<td align="center">1938</td>
									<td align="center"><bold>81</bold></td>
									<td align="center"><bold>1940</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><bold>64</bold></td>
									<td align="center"><bold>1939</bold></td>
									<td align="center">73</td>
									<td align="center">1939</td>
									<td align="center"><bold>82</bold></td>
									<td align="center"><bold>1940</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">65</td>
									<td align="center">1938</td>
									<td align="center">74</td>
									<td align="center">1939</td>
									<td align="center">83</td>
									<td align="center">1939</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">66</td>
									<td align="center">1938</td>
									<td align="center"><bold>75</bold></td>
									<td align="center"><bold>1942</bold></td>
									<td align="center">84</td>
									<td align="center">1939</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>A situação em 1939 parece ter ficado especialmente alarmante: embora quatro títulos aparentemente programados para 1938 tenham migrado para 1939, as lacunas se agravam: do 74 salta-se para o 78, e do 78 salta-se para o 83.</p>
				<p>É difícil crer que o insólito recurso a material já publicado em outra coleção da casa se tenha iniciado em meio a grandes atrasos na programação simplesmente por mero acaso. Parece plausível supor que foram precisamente estas as circunstâncias que determinaram a programação de relançamento naquele ano de <italic>Um crime no Expresso do Oriente</italic>, o qual porém acabou saindo apenas em 1940, em mais um atraso que certamente não contribuiu para normalizar a situação interna da coleção. Desse modo se explicaria que os editores tenham sido levados a publicar em caráter de urgência <italic>A vela dobrada</italic> e <italic>Os olhos velados de Londres</italic>, um em seguida ao outro, como volumes 83 e 84, pelo menos assim conseguindo encerrar de alguma maneira o ano editorial de 1939.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>4.2 O caso de Sir Ronald MacMunn e Agatha Christie</title>
				<p>Em outra iniciativa da casa, entre 1936 e 1938 a Livraria do Globo publicou a revista mensal de literatura <italic>A Novela</italic>, com editoria e coordenação de Henrique Bertaso e Erico Verissimo, trazendo a cada número um romance ou novela como carro-chefe, acompanhado por vários contos de diversos autores.</p>
				<p>Em seu terceiro número, de dezembro de 1936, a revista deu início à serialização de um romance intitulado <italic>Um crime no Expresso de Stambul</italic>, da autoria de um certo Sir Ronald MacMunn, que se prolongou em várias partes pelos números 4, 5, 6 e 8. Nesse meio tempo, a revista promoveu um concurso entre seus leitores, “Quem matou o gangster Cassetti?”, para que se identificasse o perpetrador do crime relatado no romance.</p>
				<p>Encerrada a serialização no oitavo número, <italic>A Novela</italic> divulgou em seu nono número o resultado do concurso e revelou a brincadeira:</p>
				<disp-quote>
					<p>Temos o prazer de dar aqui o resultado do grande concurso que esta revista promoveu em torno do romance “Um crime no Expresso de Stambul”, de Sir Ronald MacMunn. Preliminarmente devemos informar que este livro na realidade se chama “Um crime no Expresso do Oriente”, foi escrito por Miss Agatha Christie e tem como figura central o seu famoso detetive Hercule Poirot. Fizemos a “camouflage” com o intuito de evitar que, procurando ler o original do citado romance de Miss Christie, os concorrentes chegassem à solução certa sem dar trabalho às suas “células cinzentas”, na expressão de M. Poirot (apud GIARDINI 2015).</p>
				</disp-quote>
				<p>(Diga-se de passagem que, nessa camuflagem, Poirot passara a se chamar Monet.)</p>
				<p>A tradução lançada em <italic>A Novela</italic>, agora já devidamente nomeada <italic>Um crime no Expresso do Oriente</italic> e Poirot com seu nome devidamente restaurado, é reeditada como o 76º. volume da Coleção Amarela. Programado para 1939, o crítico ano que comentamos acima, o volume foi lançado apenas em 1940.</p>
				<p>Não constam créditos de tradução no volume que sai pela Coleção Amarela, mas na revista <italic>A Novela</italic>, ao final da última parte da serialização do romance (no número 8), comparece o nome de Silvia Guaspari como responsável pela tradução. Foi este, aliás, o dado documental que nos permitiu localizar a identidade da tradutora.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>5. A nova fase</title>
			<sec>
				<title>5.1 A “reforma radical”</title>
				<p>Depois de dez anos de existência da Coleção Amarela, Henrique Bertaso decide proceder a uma reformulação em sua linha editorial. Em junho de 1941, temos o escritor Antônio Barata, colaborador da casa, declarando em entrevista ao jornal <italic>A Notícia</italic>, de Joinville:</p>
				<disp-quote>
					<p>O método de seleção para a escolha dos livros que deverão aparecer na Coleção Amarela vai sofrer este ano uma reforma radical. Apenas romances policiais premiados nos Estados Unidos ou na Inglaterra serão editados. Dando início a essa nova fase da Coleção Amarela, publicaremos dentro de poucas semanas o romance “Os dez negrinhos”, de Agatha Christie.</p>
				</disp-quote>
				<p><italic>Os dez negrinhos</italic> não saiu “dentro de poucas semanas”, e sim vários meses depois, já no ano de 1942, como volume 101 do catálogo geral da Coleção Amarela, supostamente como primeiro volume d'“essa nova fase” sua. Muito que bem, ressalvado o pequeno detalhe de que, até então, não saíra o volume de número 100, o que só viria ocorrer passado mais um ano, em 1943. Como sabemos, não era a primeira, nem seria a última vez que ocorreria essa defasagem entre previsão de lançamento, expressa no número constante na lombada do volume, e data de efetivo lançamento, estampada em página interna.</p>
				<p>Mas deixemos esses acidentes de percurso e voltemos à nova fase da coleção. Em termos de conteúdo, a decisão editorial é investir em autores de obras premiadas em concurso ou rigorosamente selecionadas, como expôs Maurício Rosenblatt, representante da editora no Rio, em outra entrevista à imprensa. </p>
				<p>Veja-se no vol. 103 o texto <xref ref-type="bibr" rid="B9">“Nova fase” (1943</xref>: orelha), em seu parágrafo central:</p>
				<disp-quote>
					<p>A partir do centésimo volume, a Coleção Amarela entrou numa fase de completa renovação, quer em sua feição material, quer na seleção de valores. Assim, foi creado um sugestivo emblema que identificará, doravante, todos os volumes, e um novo modêlo de capa passou a ser adotado. E, de acôrdo com o critério estabelecido, nesta nova fase serão publicados somente romances policiais premiados em concurso, ou obras super-selecionadas entre as melhores obras no gênero apontadas pela crítica estrangeira.</p>
				</disp-quote>
			</sec>
			<sec>
				<title>5.2 Os elementos distintivos</title>
				<p>Em termos de apresentação, a grande novidade é a criação do logotipo com a figura estilizada de um homenzinho de boné, punhal na mão, com o tronco em C (de “Coleção”) e as pernas em A (de “Amarela”):</p>
				<p>
					<fig id="f1">
						<label>FIGURA 1:</label>
						<caption>
							<title>LOGOTIPO DA NOVA FASE</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-30-159-gf1.jpg"/>
					</fig>
				</p>
				<p>Para a capa, cria-se uma tarja amarela, a ser usada em sua parte inferior, com o nome e o logo da coleção. Esse elemento será usado até 1951, quando advirão novas modificações em sua identidade visual.</p>
				<p>Quanto ao volume inaugural dessa nova fase da coleção, o centésimo em seu catálogo geral, é <italic>O último caso de Trent</italic>, de E.C. Bentley, embora lançado depois de <italic>O caso dos dez negrinhos</italic>, que já Antônio Barata anunciara como ponto de inflexão.</p>
				<p>Mas tudo indica que era mesmo <italic>O último caso de Trent</italic> que estava programado para estrear a nova fase. A despeito do atraso em seu lançamento, na contracapa dos números subsequentes ele consta como volume inaugural.</p>
				<p>Em 1950, a partir do volume 1943, empreende-se mais uma tentativa de reformulação visual e adota-se um padrão que permanecerá até o final, com duas faixas horizontais amarelas, no terço superior e na parte inferior da capa.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>6. O declínio</title>
			<p>Com efeito, a tentativa de uma “reforma radical” da coleção, envolvendo novos critérios de seleção de obras e autores, reformulação de capa e página de rosto, divulgação constante da nova fase da coleção etc., de início deve ter parecido promissora.</p>
			<p>Em seus três primeiros anos, entre 1942 e 1944, a Coleção Amarela apresentou 27 lançamentos - embora cinco deles estivessem defasados, na verdade integrando a fase anterior (vols. 86, 88, 90, 94 e 96, publicados em 1942 e 1943) -, quase alcançando algumas marcas anteriores.</p>
			<p>Mas o impulso da nova fase, incluindo defasagens e relançamentos de títulos antigos, não foi suficiente para superar os impasses enfrentados pela coleção, e desde 1945 nota-se a enorme dificuldade em manter sua constância.</p>
			<p>O acentuado processo de declínio da coleção se mostra irreversível, como se vê pela tabela abaixo, com ano e respectivo número de lançamentos: em sete anos, apenas treze títulos novos.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t4">
					<label>TABELA 4</label>
					<caption>
						<title>OS ANOS FINAIS</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="center">Ano</th>
								<th align="center">Lçtos.</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="center">1950</td>
								<td align="center">1</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">1951</td>
								<td align="center">5</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">1952</td>
								<td align="center">3</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">1953</td>
								<td align="center">0</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">1954</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">1955</td>
								<td align="center">0</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">1956</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">Total</td>
								<td align="center">13</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<sec>
				<title>6.1. O volume 160</title>
				<p>Um dado circunstancial interessante nos permite indagar até que ponto a editora deliberara de antemão que a Coleção Amarela cessaria em seu 159º. volume. Pois a página interna do volume 160 já estava impressa.</p>
				<p>
					<fig id="f2">
						<label>FIGURA 3:</label>
						<caption>
							<title>O VOLUME 160 EM <italic>A ESTREIA DE MAIGRET</italic> (V. 158)</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-30-159-gf2.jpg"/>
					</fig>
				</p>
				<p>O fato de ter sido embrochurada no volume 158, <italic>A estreia de Maigret</italic>, de Georges Simenon, sem dúvida indica um deslize da gráfica, mas nem por isso deixa de sugerir que havia alguma previsão de continuidade da coleção ou, pelo menos, que não existia a previsão de um súbito término com o volume 159.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>7. Algumas retificações</title>
			<p>Durante a fase de revisão bibliográfica para esta pesquisa, constatamos várias divergências entre os dados que havíamos levantado e dados citados por outros pesquisadores. Após meticulosa conferência, pudemos confirmar que eram, quase todos, lapsos simples, de fácil retificação. Apenas num deles caberá exposição mais detalhada.</p>
			<p>Abaixo apresentamos a correção desses pequenos equívocos encontrados em alguns estudos, teses, artigos e livros referentes à Coleção Amarela. Aqui, naturalmente, dispensamo-nos de apontar as fontes onde se localizam tais deslizes, pois nossa única intenção é procurar contribuir para uma maior fidedignidade dos dados.</p>
			<sec>
				<title>7.1. Duração</title>
				<p>A Coleção Amarela teria se estendido por 25 anos. </p>
				<p>A Coleção Amarela abrangeu 26 anos.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>7.2 Identidade visual</title>
				<p>Todas as capas teriam fundo amarelo, como elemento identificador da coleção.</p>
				<p>O fundo de capa variava: amarelo, sim, mas também preto, azul, vermelho, verde, cor de vinho etc.</p>
				<p>Todas as capas teriam uma tarja amarela na parte inferior.</p>
				<p>Até 1942, a tarja usada na parte inferior da capa era preta, com uma ou duas ocorrências em amarelo ou mesmo em vermelho. A seguir, adota-se a tarja amarela, que permanece até 1951, quando é substituída por uma faixa, também amarela, que permanece até o final.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>7.3 Números e autores</title>
				<p>A Coleção Amarela teria publicado 156 volumes. </p>
				<p>A Coleção Amarela publicou 158 volumes.</p>
				<p>Em 1949, a Coleção Amarela estaria com um total de 85 títulos publicados.</p>
				<p>Em 1949, a Coleção Amarela estava com 139 títulos em seu catálogo.</p>
				<p>A Coleção Amarela teria se dedicado exclusivamente à publicação de autores ingleses e americanos, sendo a única exceção a presença do belga Georges Simenon.</p>
				<p>A Coleção Amarela teve um predomínio de autores ingleses e americanos, mas também publicou autores de nacionalidade checa, italiana, canadense, irlandesa, dois outros belgas além de Simenon, bem como um autor brasileiro. Veja-se o item 2.2.</p>
				<p>A Coleção Amarela teria publicado obras de Conan Doyle, Edgar Allan Poe e G.K. Chesterton.</p>
				<p>A Coleção Amarela nunca publicou nada de Conan Doyle, Edgar Allan Poe e G.K. Chesterton.</p>
				<p>Até 1949, a Coleção Amarela teria publicado 31 obras de Edgar Wallace, onze obras de Sax Rohmer, cinco de Agatha Christie e cinco de Wills Crofts.</p>
				<p>Até 1949, a Coleção Amarela havia publicado 35 obras de Edgar Wallace, doze de Sax Rohmer, dez de Agatha Christie e sete de Wills Crofts.</p>
				<p>O último título publicado na Coleção Amarela foi <italic>A estreia de Maigret</italic>, de Georges Simenon.</p>
				<p>Correto, se se considerar como último título até então <italic>inédito</italic> na coleção (vol. 158). Como último volume publicado, tem-se o relançamento de <italic>O caso dos dez negrinhos</italic>, de Agatha Christie (vol. 159).</p>
				<p>Para os seis itens acima mencionados, veja-se a <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>7.4 Tradutores</title>
				<p>Verteram obras da Coleção Amarela, entre outros, Hamilcar de Garcia (cinco), Erico Verissimo (quatro), Mario Quintana (quatro), Lino Vallandro (três), Marques Rebelo (dois), Homero de Castro Jobim (dois) e “um certo Gilberto Miranda” (seis).</p>
				<p>Os números corretos são: Hamilcar de Garcia (seis), Erico Verissimo (sete), Mario Quintana (cinco), Lino Vallandro (seis), Marques Rebelo (três), Homero de Castro Jobim (três, sendo um em parceria), “Gilberto Miranda” (oito, sendo um em parceria). Vejam-se a <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref> e o item 3.1.</p>
				<p>“Gilberto Miranda” seria um pseudônimo de Erico Verissimo em várias de suas traduções, inclusive na Coleção Amarela.</p>
				<p>“Gilberto Miranda” foi um nome inventado por Verissimo para ser usado indeterminadamente por quaisquer colaboradores da equipe da Revista do Globo e das demais publicações da editora, a qualquer título, sobre qualquer tema e em qualquer ocasião. Veja-se o item 3.2, O mito. Quanto às traduções em nome de “Gilberto Miranda” na Coleção Amarela, não se conhece a identidade dos diversos tradutores participantes.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>7.5 Atribuições a Erico Verissimo</title>
				<p>A principal retificação a ser feita, porém, é a seguinte:</p>
				<p><italic>O círculo vermelho</italic> e <italic>A porta das sete chaves</italic>, ambos de Edgar Wallace, respectivamente vol. 1 e vol. 2 da Coleção Amarela (1931), teriam sido traduzidos por Erico Verissimo.</p>
				<p>A informação não procede. <italic>O círculo vermelho</italic> foi traduzido pelo autor regionalista gaúcho Darcy Azambuja. <italic>A porta das sete chaves</italic> foi traduzido por Pedro Bruno Dischinger.</p>
				<p>A fonte desse equívoco, até onde conseguimos apurar, encontra-se em “Memória seletiva: O tempo e os ventos”, uma cronologia biográfica publicada no número 16 dos <italic>Cadernos de Literatura Brasileira</italic>, do Instituto Moreira Salles, de novembro de 2003, em número dedicado a Erico Verissimo, atualmente reproduzida na biografia constante no Memorial do Centro Cultural Erico Verissimo (CCCEV).</p>
				<disp-quote>
					<p>1931</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>A Seção Editora da Livraria do Globo lança a primeira tradução de Erico, <italic>O sineiro</italic>, de Edgar Wallace. No mesmo ano, traduz desse escritor <italic>O círculo vermelho</italic> e <italic>A porta das sete chaves</italic> (CADERNOS 16: 10).</p>
				</disp-quote>
				<p>Na cronologia não consta o nome do autor dos verbetes nem do organizador dos dados, e tampouco qualquer referência às fontes utilizadas.</p>
				<p>Após várias diligências e consultas a diversas pessoas, obtivemos em correspondência pessoal com a pesquisadora e docente Maria da Gloria Bordini, responsável à época por encaminhar aos coordenadores da edição do IMS os materiais provenientes do Rio Grande do Sul, a confirmação de que houve um engano e que as atribuições corretas são, de fato, as que constam na página de rosto das obras citadas: a tradução d’<italic>O círculo vermelho</italic> é de Darcy Azambuja; a d’<italic>A porta de sete chaves</italic> é de Pedro Bruno Dischinger.</p>
				<p>O equívoco é tanto mais grave, não só porque não há registro de qualquer fonte primária ou mesmo secundária que abalize a inverossímil asserção publicada no <italic>Caderno</italic> do IMS, mas porque ao longo dos anos ela tem sido acriticamente reproduzida nos mais variados estudos, teses, artigos e pesquisas, sempre remetendo direta ou indiretamente ao citado <italic>Caderno</italic>.</p>
				<p>É o tipo de ocorrência em que a constante repetição de uma afirmativa infundada acaba por lhe conferir foros de verdade, lançando suspeitas sobre todos os envolvidos: sobre Erico Verissimo, pelo grosseiro ocultamento a que teria procedido; sobre Darcy Azambuja e Pedro Bruno Dischinger, pelo papel a que se teriam prestado; sobre o próprio Henrique Bertaso, pela conivência como editor responsável pela coleção, e mesmo sobre a própria idoneidade de toda a coleção.</p>
				<p>Aliás, aqui surge secundariamente outro exemplo de equívoco, atribuindo-se a Verissimo pseudônimos que jamais usou. Um estudo, abordando a Coleção Amarela num de seus capítulos, comenta a certa altura numa nota de rodapé:</p>
				<disp-quote>
					<p>É o que se percebe na leitura do artigo intitulado <italic>O Romance Policial</italic>, publicado na edição n. 275 da <italic>Revista do Globo</italic>, e assinado por Ramon Fernandez <bold>(provavelmente um dos vários pseudônimos adotados por Erico Verissimo)</bold>. O texto trata de valorizar esse gênero literário, com a seguinte chamada: “O romance policial nos faz sair da câmara escura do intelectualismo. Ele poderia renovar a velha questão da moral e da arte” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">RAMOS 2007</xref>: 121; destaque meu, DB)</p>
				</disp-quote>
				<p>Essa questiúncula escapa grandemente ao escopo geral da tese e seria totalmente dispensável no contexto. Todavia, ali consta e demanda esclarecimento.</p>
				<p>Não, Ramon Fernandez não era provável ou sequer improvável pseudônimo de Erico Verissimo. Ramon Fernandez era um crítico literário do entreguerras muito famoso na França, que escreveu um ensaio chamado “Le Roman policier”, publicado pela <italic>Nouvelle Revue Française</italic> em seu número 210, de março de 1931.</p>
				<p>A chamada do texto para seu ensaio traduzido e publicado na <italic>Revista do Globo</italic>, que gerou a hipótese supracitada, simplesmente põe em destaque duas frases do autor (1931: 224): ... <italic>le roman policier nous fait sortir de la chambre noire de l'intellectualisme ... le roman policier pourrait renouveler la vieille question de la morale dans l'art</italic>. </p>
				<p>Voltando ao caso de Azambuja, Dischinger e Verissimo, mais diretamente ligado a nosso assunto, o que importa é que, por fim, foi possível desfazer o equívoco.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>8. Conclusão</title>
			<p>Esperamos ter contribuído para uma visão abrangente dos vários elementos que compõem uma iniciativa editorial. Esperamos ter contribuído também para a reconstituição histórica da principal coleção de obras de suspense, mistério e detecção que tivemos até hoje no Brasil. Esperamos ainda ter preenchido várias lacunas, retificado alguns persistentes e perniciosos equívocos. Por fim, esperamos também ter frisado com exemplos práticos de suficiente clareza a importância de proceder à constante verificação e checagem de fontes e dados - ainda mais em se tratando de pesquisas sobre a história da tradução no Brasil, área em que os estudos se encontram em fase relativamente incipiente.</p>
			<p>Por fim, complementando esse painel, indicamos a consulta ao extenso levantamento iconográfico disponível digitalmente em <italic>A Coleção Amarela da Globo - 1931-1956</italic>.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ack>
			<title>Agradecimentos</title>
			<p>Contamos para esta pesquisa com várias contribuições. Agradecemos em especial a Bráulio Tavares, pela indicação do estudo de Medeiros e Albuquerque e dos volumes de Wallace anteriormente publicados na Coleção do Globo; a Tito Prates, pela identificação de Silvia Guaspari; a Angelo Giardini, pelo caso do <italic>Crime no Expresso de Stambul</italic>; a Francesca Angiolillo, Verônica Fernandez Mattos, Acássia Correia da Silva e Maria da Glória Bordini, pelas contribuições para o esclarecimento do equívoco referente a Erico Verissimo; a Luis Miguel Queirós, pela complementação e retificação dos pseudônimos dos autores; a Paulo Tadeu Luccas e Carlos Henrique Besen, pela consulta a volumes da coleção, e a todos com quem mantivemos fecundas e variadas conversas sobre a Coleção Amarela.</p>
		</ack>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>AMORIM, S. Em busca de um tempo perdido: Edição de literatura traduzida pela Editora Globo (1930-1950). São Paulo: EDUSP, Com-Arte; Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1999.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>AMORIM</surname>
							<given-names>S.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Em busca de um tempo perdido: Edição de literatura traduzida pela Editora Globo (1930-1950)</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>EDUSP, Com-Arte</publisher-name>
					<comment>Porto Alegre: Editora da UFRGS</comment>
					<year>1999</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>BARATA, A. Entrevista. A Notícia, Joinville, 25 jun. 1941, p. 3. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://memoria.bn.br/DocReader/843709/5586">http://memoria.bn.br/DocReader/843709/5586</ext-link>
				</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="newspaper">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BARATA</surname>
							<given-names>A.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Entrevista</article-title>
					<source>A Notícia</source>
					<publisher-loc>Joinville</publisher-loc>
					<day>25</day>
					<month>06</month>
					<year>1941</year>
					<fpage>3</fpage>
					<lpage>3</lpage>
					<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://memoria.bn.br/DocReader/843709/5586">http://memoria.bn.br/DocReader/843709/5586</ext-link>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>Biografia. Memorial Erico Verissimo. CCCEV, Porto Alegre. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.cccev.com.br/index.php/biografia">http://www.cccev.com.br/index.php/biografia</ext-link>
				</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<source>Biografia. Memorial Erico Verissimo</source>
					<publisher-name>CCCEV</publisher-name>
					<publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
					<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.cccev.com.br/index.php/biografia">http://www.cccev.com.br/index.php/biografia</ext-link>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>BOTTMANN, D. “A Novela”, Livraria do Globo, 1936-1938, II. In: Não Gosto de Plágio, 16 jun. 2016. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://goo.gl/EamqzD">http://goo.gl/EamqzD</ext-link>
				</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BOTTMANN</surname>
							<given-names>D.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>“A Novela”, Livraria do Globo, 1936-1938, II</article-title>
					<source>Não Gosto de Plágio</source>
					<day>16</day>
					<month>06</month>
					<year>2016</year>
					<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://goo.gl/EamqzD">http://goo.gl/EamqzD</ext-link>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<mixed-citation>BOTTMANN, D., E KARAM, S. A Coleção Amarela da Globo. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://goo.gl/6HqWyf">https://goo.gl/6HqWyf</ext-link>
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				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BOTTMANN</surname>
							<given-names>D.</given-names>
						</name>
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							<surname>E KARAM</surname>
							<given-names>S.</given-names>
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					<source>A Coleção Amarela da Globo</source>
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			<ref id="B6">
				<mixed-citation>FERNANDEZ, R. Le Roman policier. Nouvelle Revue Française, 210, Paris, mar. 1931, pp. 219-225.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>FERNANDEZ</surname>
							<given-names>R.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Le Roman policier</article-title>
					<source>Nouvelle Revue Française</source>
					<volume>210</volume>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<month>03</month>
					<year>1931</year>
					<fpage>219</fpage>
					<lpage>225</lpage>
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			<ref id="B7">
				<mixed-citation>MEDEIROS E ALBUQUERQUE, P. O mundo emocionante do romance policial. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1979.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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						<name>
							<surname>MEDEIROS E ALBUQUERQUE</surname>
							<given-names>P.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>O mundo emocionante do romance policial</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Francisco Alves</publisher-name>
					<year>1979</year>
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			<ref id="B8">
				<mixed-citation>Memória seletiva: O tempo e os ventos. In: Cadernos de Literatura Brasileira Erico Verissimo. IMS, n. 16, São Paulo, nov. 2003, pp. 08-17.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<article-title>Memória seletiva: O tempo e os ventos</article-title>
					<source>Cadernos de Literatura Brasileira Erico Verissimo</source>
					<publisher-name>IMS</publisher-name>
					<issue>16</issue>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<month>11</month>
					<year>2003</year>
					<fpage>08</fpage>
					<lpage>17</lpage>
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			<ref id="B9">
				<mixed-citation>Nova fase. In: Sapper. Knock-Out. Coleção Amarela, vol. 103. Porto Alegre: Livraria do Globo, 1943. Orelha.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<chapter-title>Nova fase</chapter-title>
					<source>Sapper. Knock-Out. Coleção Amarela</source>
					<volume>103</volume>
					<publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
					<publisher-name>Livraria do Globo</publisher-name>
					<year>1943</year>
					<comment>Orelha</comment>
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			<ref id="B10">
				<mixed-citation>Quem matou o Gangster Cassetti? In: A Novela, n. 9, Porto Alegre, jun. 1937, p. 1. In: GIARDINI, A. Um pseudônimo brasileiro para Agatha Christie. In: Marginália, 24 dez. 2015. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://goo.gl/OIygCi">http://goo.gl/OIygCi</ext-link>
				</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<article-title>Quem matou o Gangster Cassetti?</article-title>
					<source>A Novela</source>
					<issue>9</issue>
					<publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
					<month>06</month>
					<year>1937</year>
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					<lpage>1</lpage>
					<comment>In: GIARDINI, A. Um pseudônimo brasileiro para Agatha Christie. In: Marginália, 24 dez. 2015</comment>
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				</element-citation>
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			<ref id="B11">
				<mixed-citation>RAMOS, P. Artistas Ilustradores - A Editora Globo e a constituição de uma visualidade moderna pela ilustração. Tese de doutorado. Porto Alegre: UFRGS, 2007.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>RAMOS</surname>
							<given-names>P.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Artistas Ilustradores - A Editora Globo e a constituição de uma visualidade moderna pela ilustração</source>
					<comment content-type="degree">Tese de doutorado</comment>
					<publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
					<publisher-name>UFRGS</publisher-name>
					<year>2007</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B12">
				<mixed-citation>VERISSIMO, E. Um certo Henrique Bertaso. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>VERISSIMO</surname>
							<given-names>E.</given-names>
						</name>
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					<source>Um certo Henrique Bertaso</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Companhia das Letras</publisher-name>
					<year>2011</year>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Vale notar que várias de suas traduções foram licenciadas para a editora paulista Cultrix e praticamente todo o seu catálogo foi reeditado pela editora portuguesa Livros do Brasil, em sua Coleção Vampiro; após a venda da editora para Roberto Marinho, a Globo do Rio já em 1987 retomou e deu prosseguimento à Coleção Amarela, mantendo nome e logotipo.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Excluídos os relançamentos de edições anteriores dentro da própria coleção; mantidos os de edições anteriores de outras coleções.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Aqui, para os fins de computação dos dados, consideraremos as traduções publicadas nas duas outras coleções da casa (<italic>A Novela</italic> e Coleção Globo), visto que os responsáveis por elas fizeram mais traduções para a Coleção Amarela.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Sobre uma equivocadíssima informação de que Verissimo teria traduzido também os dois volumes iniciais da coleção, ver adiante o item 5.4.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Vale notar, porém, que o caminho inverso foi mais frequente. A efêmera Coleção Globo (1933-1936), que lançou ao todo apenas 18 títulos, utilizou nada menos do que seis traduções já publicadas na Coleção Amarela (<xref ref-type="bibr" rid="B1">AMORIM 1999</xref>: 82-84). Da mesma forma, vários contos e romances publicados pel’<italic>A Novela</italic> já tinham sido ou foram posteriormente lançados em formato livro (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BOTTMANN 2016</xref>).</p>
			</fn>
		</fn-group>
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