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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">tradterm</journal-id>
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				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Revista de Tradução e Terminologia</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">2317-9511</issn>
			<issn pub-type="epub">2317-9511</issn>
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				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9511.v37i0p596-621</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Articles</subject>
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				<article-title>LINGUÍSTICA DE <italic>CORPUS</italic>, FRASEOLOGIA E SERIADOS TELEVISIVOS: ANÁLISE CONTRASTIVA DE UNIDADES FRASEOLÓGICAS EM <italic>GAME OF THRONES</italic></article-title>
				<article-title xml:lang="en">CORPUS LINGUISTICS, PHRASEOLOGY AND TV SERIES: CONTRASTIVE ANALYSIS OF PHRASEOLOGICAL UNITS IN GAME OF THRONES</article-title>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">https://orcid.org/0000-0001-6570-4306</contrib-id>
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						<surname>Lisboa</surname>
						<given-names>Joel Victor Reis</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>*</sup></xref>
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					<label>*</label>
					<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Uberlândia</institution>
					<email>joelvictorlisboa@gmail.com</email>
					<institution content-type="original">Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Universidade Federal de Uberlândia. E-mail: joelvictorlisboa@gmail.com.</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>12</day>
				<month>10</month>
				<year>2021</year>
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			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
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				<year>2021</year>
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			<volume>37</volume>
			<issue>2</issue>
			<fpage>596</fpage>
			<lpage>621</lpage>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Este artigo apresenta uma análise contrastiva de cinco unidades fraseológicas (UFs) extraídas de um <italic>corpus</italic> bilíngue (inglês-português) de legendas do seriado televisivo <italic>Game of Thrones</italic>, à luz da taxonomia proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013)</xref>. Ademais, busca-se exemplificar a referida taxonomia por meio de UFs extraídas do próprio <italic>corpus</italic> de estudo. O <italic>corpus</italic> foi compilado segundo princípios metodológicos da Linguística de <italic>Corpus</italic> e analisado por meio do programa <italic>WordSmith Tools</italic> 6.0 (<xref ref-type="bibr" rid="B10">SCOTT 2012</xref>). A partir da análise contrastiva, observou-se traços como divergência no grau de fixidez, não padronização terminológica e não metaforização. Esperamos que este artigo evidencie as possibilidades e proficuidade da exploração lexical do mundo ficcional dos seriados televisivos para os estudos fraseológicos, bem como a aplicabilidade da taxonomia proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013)</xref> para a classificação e análise de UFs.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>This paper presents a contrastive analysis of five phraseological units (PUs) from an English-Portuguese corpus of Game of Thrones’ subtitles based on the taxonomy presented by <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013)</xref>. In addition, it seeks to exemplify this taxonomy with PUs extracted from the study corpus. This corpus was compiled according to Corpus Linguistics methodological principles and analyzed with the lexical analysis program WordSmith Tools 6.0 (<xref ref-type="bibr" rid="B10">SCOTT 2012</xref>). From the contrastive analysis, it was possible to notice some features, such as divergences in PUs fixation degree, non-terminological standardization and non-metaphorization. We hope this paper highlights the possibilities and advantages of the lexical exploration of TV series’ fictional world for phraseological studies, as well as the applicability of the taxonomy proposed by <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013)</xref> for the classification and analysis of PUs.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Linguística de <italic>Corpus</italic></kwd>
				<kwd>Fraseologia</kwd>
				<kwd>Game of Thrones</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Corpus Linguistics</kwd>
				<kwd>Phraseology</kwd>
				<kwd>Game of Thrones</kwd>
			</kwd-group>
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				<page-count count="26"/>
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		</article-meta>
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	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>1. Introdução</title>
			<p>Este artigo apresenta uma análise contrastiva de cinco unidades fraseológicas (doravante UFs) extraídas de um <italic>corpus</italic> de legendas do seriado televisivo <italic>Game of Thrones</italic><xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>, à luz da taxonomia proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013</xref>). Ademais, busca-se exemplificar a referida taxonomia por meio de UFs extraídas do próprio <italic>corpus</italic> de estudo.</p>
			<p>O <italic>corpus</italic> é constituído por dois <italic>subcorpora</italic>, um de legendas em inglês e outro de legendas em português, e possui ao todo 146 arquivos e 1.228.428 <italic>tokens</italic><xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>. Cada arquivo corresponde a um episódio das oito temporadas de <italic>Game of Thrones</italic>, sendo, portanto, 73 arquivos em cada língua. Os procedimentos de compilação e tratamento do <italic>corpus</italic> foram realizados segundo princípios metodológicos da Linguística de <italic>Corpus</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BERBER SARDINHA 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">SINCLAIR 2005</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ALUÍSIO; ALMEIDA 2006</xref>) e o programa de análise lexical <italic>WordSmith Tools</italic> 6.0 (<xref ref-type="bibr" rid="B10">SCOTT 2012</xref>) foi utilizado para processamento dos dados.</p>
			<p>As próximas seções deste artigo estão organizadas da seguinte maneira: primeiramente, recorre-se à fundamentação teórica para pontuar alguns aspectos tangentes à concepção de fraseologia e às características principais das UFs. Nessa mesma seção, apresenta-se brevemente a taxonomia proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013</xref>), exemplificando-a com excertos extraídos do <italic>corpus</italic> de estudo. Em seguida, os procedimentos metodológicos desde a compilação até a análise das UFs são brevemente descritos. Por fim, apresenta-se a análise de cinco UFs com frequência estatisticamente significativa no <italic>corpus</italic> de estudo e que, portanto, são consideradas relevantes para a composição do mundo ficcional do seriado em questão.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>2. Fundamentação teórica</title>
			<p>No âmbito dos estudos fraseológicos, as concepções sobre o termo “fraseologia” variam, a depender do posicionamento teórico dos pesquisadores. Por vezes, esse termo é utilizado basicamente como sinônimo do que neste trabalho chama-se de UF, e, outras vezes, é utilizado para designar um campo de pesquisa voltado à análise e descrição das UFs. Da mesma forma, há duas maneiras distintas de se conceber esse campo de pesquisa, sendo elas: (i) Fraseologia como disciplina independente da Lexicologia (<xref ref-type="bibr" rid="B6">MONTEIRO-PLANTIN 2014</xref>) e (ii) Fraseologia como subdisciplina da Lexicologia (<xref ref-type="bibr" rid="B3">CORPAS PASTOR 1996</xref>).</p>
			<p>Complexidade semelhante pode ser observada em relação às concepções de UFs, algumas mais restritas, que consideram exclusivamente expressões idiomáticas e/ou parêmias, e outras mais amplas, que consideram, além das mencionadas, os pragmatemas, colocações, coligações, dentre outros. No que tange à essa complexidade, <xref ref-type="bibr" rid="B6">Monteiro-Plantin (2014)</xref> enfatiza que a determinação e a classificação das UFs variam em função da importância atribuída às características eleitas como critério de classificação, pois nem todos os traços são igualmente compartilhados por todas as UFs<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>.</p>
			<p>Sendo assim, fronteiras artificiais podem ser criadas e categorias podem ser ampliadas ou reduzidas em função da importância atribuída à(s) característica(s) base para a classificação (<xref ref-type="bibr" rid="B6">MONTEIRO-PLANTIN 2014</xref>). Se delimitarmos, por exemplo, a alta frequência de coocorrência como característica base, lexias compostas podem ser classificadas como UFs. Por outro lado, se considerarmos a idiomaticidade como critério principal, um agrupamento lexical só poderá ser concebido como UF se um de seus constituintes apresentar desvio do sentido literal, independentemente da frequência de coocorrência.</p>
			<p>A partir dessa perspectiva, é possível compreender a heterogeneidade tangente à concepção e à categorização de UFs. Contudo, apesar dessa heterogeneidade, no que diz respeito às características principais das UFs, há quatro que são recorrentemente evidenciadas nos estudos fraseológicos, a saber: 1) polilexicalidade; 2) convencionalidade; 3) fixidez e 4) idiomaticidade (<xref ref-type="bibr" rid="B14">TRISTÁ PÉREZ 1988</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">CORPAS PASTOR 1996</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">TAGNIN 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">MONTEIRO-PLANTIN 2014</xref>).</p>
			<p>A polilexicalidade “diz respeito ao número de elementos, ou seja, para ser considerado fraseologismo, a unidade fraseológica deverá ser formada por <italic>pelo menos</italic> duas unidades lexicais, armazenadas na memória como um bloco” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">PAIM; OLIVEIRA 2018</xref>: 155).</p>
			<p>A convencionalidade é central para os estudos fraseológicos e está interrelacionada com a frequência de uso e com a fixidez. Para ser considerado uma UF, o agrupamento lexical deve ser atestado pelo uso da língua por falantes e, por isso, normalmente apresenta frequência estatisticamente significativa. Todavia, é necessário considerar as demais características, visto que, a depender do <italic>corpus</italic> sob análise, a probabilidade de ocorrência de uma colocação é consideravelmente maior do que a de uma parêmia, por exemplo.</p>
			<p>Em relação à fixidez, <xref ref-type="bibr" rid="B3">Corpas Pastor (1996)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B6">Monteiro-Plantin (2014)</xref> a consideram como um <italic>continuum</italic>. Portanto, na perspectiva das autoras, há UFs que são cristalizadas e outras que são relativamente fixas, sendo imprescindível considerar as demais características para a determinação de agrupamentos lexicais como UFs. <xref ref-type="bibr" rid="B6">Monteiro-Plantin (2014)</xref>, diferentemente de <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013)</xref>, atribui à fixidez e à idiomaticidade posições centrais na determinação de UFs. Tagnin, por sua vez, elege a frequência de (co)ocorrência como critério base para a identificação de UFs (<xref ref-type="bibr" rid="B13">TAGNIN 2002</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">MATUDA; TAGNIN 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B8">ROSA; TAGNIN 2015</xref>), e esse critério, como apontado no parágrafo anterior, está intimamente vinculado à convencionalidade linguística, assim como à fixidez.</p>
			<p>A idiomaticidade concerne à não composicionalidade semântica, ou seja, à impossibilidade de depreender o significado total de determinada UF por meio da soma dos significados dos elementos que a constitui. Para <xref ref-type="bibr" rid="B3">Corpas Pastor (1996)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B6">Monteiro-Plantin (2014)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B8">Rosa e Tagnin (2015</xref>), a idiomaticidade também é concebida como um <italic>continuum</italic>.</p>
			<p>Objetivando evidenciar o aspecto convencional das línguas naturais, em especial do inglês e do português, <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013</xref>) apresenta uma classificação para essas unidades linguísticas convencionais. O primeiro recorte feito pela autora para classificá-las é em relação aos níveis de convencionalidade: (i) sintático, (ii) semântico e (iii) pragmático<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>. Neste artigo, nos concentraremos nos níveis de convencionalidade sintático e semântico.</p>
			<p>Na subseção seguinte, os exemplos apresentados nas notas de rodapé para ilustrar os tipos de UFs classificados por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013</xref>) se encontram identificados com a temporada e o episódio do qual foram extraídos. A título de exemplo, o excerto “<bold>
 <italic>He winked at me before</italic>
</bold> /Ele <bold>piscou para</bold> mim mais cedo (S03E08)” foi extraído do oitavo episódio (E08) da terceira temporada (S03). Isto posto, passemos às considerações sobre os níveis de convencionalidade sintático e semântico das UFs, bem como à taxonomia proposta pela autora.</p>
			<sec>
				<title>2.1. O nível sintático</title>
				<p>A convencionalidade no nível sintático, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013</xref>), é subdividida em três aspectos: combinabilidade, ordem e gramaticalidade. A combinabilidade é o aspecto que rege a faculdade de atração mútua, geralmente com frequência significativa, entre determinados elementos linguísticos. No âmbito da combinabilidade, estão as <bold>coligações</bold> e as <bold>colocações</bold>. É relevante frisar que não há regras sintáticas ou semânticas que regem as possibilidades da atração mútua entre esses elementos linguísticos, portanto, só é possível identificá-los por meio da reflexão sobre convencionalidade linguística, bem como pela frequência de coocorrência (<xref ref-type="bibr" rid="B12">TAGNIN 2013</xref>).</p>
				<p>A <bold>coligação</bold> consiste na coocorrência de um elemento linguístico base com um elemento gramatical, denominado colocado. O elemento base é o que <xref ref-type="bibr" rid="B4">Lewis (1997</xref>) nomeia de palavra de conteúdo, sendo esse o elemento que carrega maior valor semântico. O colocado, por sua vez, é um elemento gramatical determinado pela palavra base, que pode vir a complementar ou modificar seu sentido, bem como pode ser responsável pela regência entre o elemento base e o seu referente no eixo sintagmático.</p>
				<p>Dentre os tipos de coligação estão: (i) as <bold>coligações de regência</bold><xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>, em que as preposições auxiliam na regência entre os elementos base e os seus referentes, englobando “todos os tipos de regência, ou seja, verbos, substantivos, adjetivos e advérbios necessariamente seguidos de preposição” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">TAGNIN 2013</xref>: 54); (ii) os mais conhecidos <bold>
 <italic>phrasal verbs</italic>
</bold><xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>, em que um verbo e uma partícula adverbial coocorrem e formam uma única unidade semântica; e, por fim, (iii) as <bold>coligações prepositivas</bold><xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>, que são coocorrências entre um elemento base e preposições - que podem ocorrer antes e/ou depois do sintagma nominal e não exercem necessariamente função regencial. Esse último grupo abarca também as denominadas locuções adverbiais e prepositivas da língua portuguesa.</p>
				<p>As <bold>colocações</bold> são definidas como dois elementos de valor semântico considerável, ou seja, duas palavras de conteúdo, que coocorrem com frequência estatisticamente significativa, sendo pelo menos uma delas convencionalizada. Nesse caso, a convencionalidade também é marcada pela coocorrência entre um elemento base e um colocado determinado por ele, mas, diferentemente das coligações, o colocado não é uma preposição ou partícula adverbial. <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013</xref>) subdivide as colocações entre colocações adjetivas, nominais, verbais, adverbiais, expressões de unidades e coletivos. As <bold>colocações adjetivas</bold><xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref> são caracterizadas pela coocorrência de duas palavras de conteúdo, sendo uma delas um adjetivo que modificará ou será modificado pelo elemento base. As <bold>colocações nominais</bold><xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref> são dois substantivos que tendem a ocorrer juntos por convenção linguística e, dependendo da língua sob análise, eles podem se apresentar ligados por conjunções, por preposições ou sob forma composta. Há também alguns substantivos e adjetivos que que tendem a ocorrer com determinados verbos, classificados como <bold>colocações verbais</bold><xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref>, podendo ser ligados ou não por preposições. As <bold>colocações adverbiais</bold><xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref> são a coocorrência de advérbios que naturalmente modificam determinados adjetivos e verbos.</p>
				<p>Além desses tipos de colocações, há as <bold>expressões especificadoras de unidade</bold><xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref>, que são mais comuns em inglês do que em português, haja vista que na língua inglesa há substantivos que não possuem flexão entre plural e singular, exigindo o emprego de “expressões de valor partitivo” para assinalar essa diferenciação. Já no caso do português, “a maioria dos substantivos abstratos se basta, podendo ser usados isoladamente” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">TAGNIN 2013</xref>: 73-74).</p>
				<p>Uma classe semelhante de colocações são os <bold>coletivos</bold><xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref>, usados para designar um grupo de substantivos, sendo quase sempre ligados por preposição. No exemplo apresentado na nota de rodapé referente aos coletivos, percebe-se que a probabilidade de encontrar uma colocação desse tipo no <italic>subcorpus</italic> em inglês é maior, visto que é necessário utilizar o item lexical de “valor coletivo” juntamente com o substantivo que está designando, ao passo que no <italic>subcorpus</italic> em português o referido elemento é suficiente para indiciar o grupo a que se refere, não se constituindo, portanto, uma UF.</p>
				<p>Ainda no subnível da combinabilidade, mas adentrando um pouco mais o subnível da ordem de ocorrência, estão os <bold>binômios</bold><xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>14</sup></xref>, que são constituídos “por duas palavras pertencentes à mesma categoria gramatical e ligadas por uma conjunção ou preposição” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">TAGNIN 2013</xref>: 81). Dentre os binômios, há <bold>binômios irreversíveis</bold><xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>15</sup></xref>, cuja ordem foi cristalizada pela convencionalidade e não pode sofrer alterações, e <bold>binômios reversíveis</bold><xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>16</sup></xref>, cuja convencionalidade permite a inversão da ordem, porém com alterações semânticas em alguns casos. Além disso, os binômios podem ser constituídos por elementos <bold>idênticos</bold><xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>17</sup></xref> ou por elementos linguísticos <bold>diferentes</bold><xref ref-type="fn" rid="fn18"><sup>18</sup></xref>, desde que compartilhem da mesma categoria gramatical.</p>
				<p>O terceiro subnível de classificação em termos sintáticos é o da gramaticalidade, que abrange as <bold>estruturas agramaticais consagradas</bold> e o <bold>bloqueio sintático imprevisível</bold>. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013</xref>), os falantes das línguas naturais utilizam uma gama de estruturas sintaticamente cristalizadas que fogem a qualquer tentativa de explicação gramatical ou lógica baseada nos constituintes, mas que foram convencionalizadas pelo uso e pela aplicabilidade pragmática, sendo denominadas <bold>estruturas agramaticais consagradas</bold><xref ref-type="fn" rid="fn19"><sup>19</sup></xref>. No primeiro exemplo apresentado na nota de rodapé referente à essa classe de UFs, o adjetivo foge à convencionalidade de ordem que prevê que, em língua inglesa, adjetivos ocorram anteriormente ao substantivo; portanto, nesse caso, convencionou-se a ordem inversa. Já em português, essa regra de ordenação não se apresenta tão rígida. Em relação ao segundo exemplo apresentado, “as regras gramaticais do inglês preveem que um artigo pode preceder um substantivo, modificado ou não por um adjetivo (<italic>the country, the foreign country</italic>) ou um adjetivo na forma superlativa (<italic>the biggest, the best</italic>)” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">TAGNIN 2013</xref>: 92). Entretanto, essas regras não preveem a coocorrência de artigos com adjetivos isolados na forma comparativa, como ocorre no referido exemplo.</p>
				<p>O <bold>bloqueio sintático imprevisível</bold><xref ref-type="fn" rid="fn20"><sup>20</sup></xref> compreende estruturas sujeitas a determinadas restrições sintáticas, como “certos elementos ou expressões da língua inglesa [que] ocorrem apenas em orações negativas, interrogativas e condicionais” e determinados “verbos [que] co-ocorrem obrigatoriamente com <italic>can”</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B12">TAGNIN 2013</xref>: 93). No caso do exemplo em nota de rodapé, a utilização de <italic>end up</italic> restringe a forma do verbo seguinte, que deve estar conjugado no gerúndio. O mesmo acontece com o português, em que o verbo “acabar” na locução verbal em questão restringe a conjugação do verbo auxiliar.</p>
				<p>Antes de passar ao nível de convencionalidade semântica, há mais um grupo de unidades linguísticas convencionais apresentadas por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013</xref>), que são as <bold>expressões convencionais</bold><xref ref-type="fn" rid="fn21"><sup>21</sup></xref>. Segundo a autora, essas expressões diferem das expressões idiomáticas por não serem semanticamente convencionalizadas, ou seja, é possível apreender o significado da expressão a partir dos significados de seus constituintes. Portanto, elas se inserem no nível de convencionalidade sintática, por serem estruturalmente convencionalizadas em termos de combinabilidade e/ou ordem.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>2.2. O nível semântico</title>
				<p>No nível da convencionalidade semântica, <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013</xref>) faz novamente um recorte entre dois subníveis de convencionalidade, o da forma e o da imagem. No subnível da forma, entende-se que algumas UFs, além de serem estruturalmente convencionalizadas, foram também semanticamente convencionalizadas, resultando na idiomaticidade. A idiomaticidade, segundo a autora, é o que difere as expressões convencionais - marcadas pela convencionalização sintática - das expressões idiomáticas - sintática e semanticamente convencionalizadas. Já no subnível da imagem, as UFs são convencionalizadas a partir de conceitos ou noções metafóricas consagradas na cultura de membros de determinadas comunidades linguísticas, ou por imagens associativas, que também são oriundas de processos de metaforização. Por conseguinte, essas imagens metaforicamente consagradas podem também ser linguisticamente convencionalizadas, influenciando o significado de determinadas unidades linguísticas.</p>
				<p>Isto posto, <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013</xref>: 105) argumenta que quando é possível recuperar a imagem aludida por meio da expressão linguística, temos as <bold>expressões metafóricas</bold><xref ref-type="fn" rid="fn22"><sup>22</sup></xref>, “quando, entretanto, não se pode mais recuperar essa relação, teremos as <bold>expressões idiomáticas</bold><xref ref-type="fn" rid="fn23"><sup>23</sup></xref> propriamente ditas”. Desse modo, o grau de idiomaticidade de determinadas expressões tem relação imediata com as imagens ou metáforas aludidas por elas, estando a convencionalidade da forma e da imagem intrinsicamente relacionadas.</p>
				<p>Por fim, é relevante destacar que uma mesma UF pode ser analisada em diferentes níveis de convencionalidade, como é o caso, por exemplo, do binômio <italic>on and on</italic>, apresentado em nota de rodapé na subseção anterior. O referido binômio é sintaticamente e semanticamente convencionalizado, ou seja, além da convencionalidade em relação à combinabilidade, convencionou-se que esses elementos linguísticos unidos por conjunção significariam “continuamente” ou “assim por diante”.</p>
				<p>Na seção seguinte, apresentamos brevemente os procedimentos metodológicos desde a compilação até a identificação e análise das UFs nesta pesquisa.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>3. Procedimentos metodológicos</title>
			<p>O <italic>corpus</italic> de estudo foi compilado a partir de repositórios de legendas de acesso <italic>online</italic> gratuito. Concomitantemente ao procedimento de compilação, foi realizada a limpeza do <italic>corpus</italic> para excluir informações consideradas irrelevantes para a pesquisa, como a identificação da(s) equipe(s) de legendagem e o endereço dos repositórios. Não foi necessário fazer a limpeza das marcações de tempo das legendas, pois elas seriam úteis para procedimentos posteriores.</p>
			<p>Após o procedimento de limpeza de cada arquivo, foi feita a padronização da nomeação dos arquivos, de modo que as informações tangentes ao idioma, à temporada e ao episódio fossem apresentadas de maneira precisa, visando facilitar a recuperação e o regresso aos arquivos posteriormente.</p>
			<p>O programa de análise lexical <italic>WordSmith Tools</italic> 6.0 (<xref ref-type="bibr" rid="B10">SCOTT 2012</xref>) foi utilizado para processamento dos <italic>subcorpora</italic> e a análise foi realizada por meio das ferramentas <italic>WordList</italic> e <italic>Concord</italic>. A <italic>WordList</italic> foi utilizada para identificar candidatos a UFs recorrentes no <italic>subcorpus</italic> em inglês. A partir da seleção de determinada palavra para análise, recorreu-se ao <italic>Concord</italic> para ter acesso às linhas de concordância<xref ref-type="fn" rid="fn24"><sup>24</sup></xref> e examinar os itens léxico-gramaticais que ocorreram com a palavra de busca. O <italic>Concord</italic> possui dois recursos que foram essenciais para a identificação de UFs, sendo eles: 1) <italic>Concord Sort</italic>, que permite organizar as linhas de concordância em ordem alfabética em relação às palavras que ocorrem à direita e/ou à esquerda da palavra de busca; e 2) <italic>Clusters</italic>, que disponibiliza padrões de coocorrência de itens lexicais com a palavra sob análise.</p>
			<p>À medida que determinado agrupamento léxico-gramatical foi identificado como uma UF recorrente no <italic>subcorpus</italic><xref ref-type="fn" rid="fn25"><sup>25</sup></xref> em inglês, inserimos em uma tabela todas as suas ocorrências, juntamente com seus cotextos linguísticos, marcações de tempo e o código eleito no processo de padronização para indicar a temporada e o episódio em que cada ocorrência foi identificada. Concomitantemente, realizou-se as leituras dos cotextos e contextos linguísticos<xref ref-type="fn" rid="fn26"><sup>26</sup></xref>, ambos acessíveis pela ferramenta <italic>Concord</italic>, tendo em vista realizar a análise semântica por meio da observação das circunstâncias em que cada UF foi utilizada.</p>
			<p>Por fim, após o tabelamento e análise de cada UF no <italic>subcorpus</italic> em inglês, utilizou-se o <italic>Concord</italic> para realizar buscas no <italic>subcorpus</italic> em português por possíveis equivalentes tradutórios das UFs em língua inglesa, de modo a realizar a análise contrastiva. Por exemplo, para identificar os equivalentes em português da UF “<italic>master of whisperers</italic>”, geramos linhas de concordâncias para as palavras “mestre” e “sussurros”, por serem possíveis equivalentes <italic>prima-facie</italic> dos constituintes da UF em inglês. Em outros casos, buscamos também por possíveis equivalentes das palavras que ocorreram no cotexto da UF a ser identificada.</p>
			<p>Entretanto, devido a variações nas traduções das legendas, algumas vezes não foi possível identificar, por meio dos dois procedimentos anteriores, os correspondentes das UFs em inglês no <italic>subcorpus</italic> em português. Nesses casos, foi necessário voltar manualmente aos arquivos que compõem o <italic>subcorpus</italic> em português e, por meio das marcações de tempo, colher os correspondentes das UFs em inglês. Simultaneamente à identificação de cada correspondente, os dados de cada ocorrência foram tabelados semelhantemente aos das UFs em inglês e, por fim, foi feita análise contrastiva.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results|discussion">
			<title>4. Resultados e discussão</title>
			<p>Nessa seção, apresentamos a análise contrastiva de cinco UFs em inglês e de seus correspondentes em português. Foram selecionadas para análise UFs com frequência estatisticamente significativa, pois as consideramos fundamentais para a composição do mundo ficcional do seriado. Ademais, nem todas as ocorrências das UFs estão apresentadas, pois, em virtude da limitação de espaço, apresentaremos apenas excertos que auxiliam na compreensão da análise.</p>
			<sec>
				<title>4.1. Master of whisperers</title>
				<p>A UF <italic>master of whisperers</italic> é classificada sintaticamente como uma colocação nominal, na qual esses dois substantivos (<italic>master</italic> e <italic>whisperers</italic>) coocorrem com alta frequência no <italic>corpus</italic> de estudo. No mundo ficcional de <italic>Game of Thrones</italic>, <italic>master of whisperers</italic>, como é possível observar pelos excertos a seguir, é um cargo nomeado pelo rei, cuja função é dispor a todo momento da maior quantidade de informações possível sobre os acontecimentos ocorridos no mundo ficcional no qual a trama é desenvolvida, papel de fundamental importância para o contexto do seriado.</p>
				<p>
					<table-wrap id="t1">
						<label>Quadro 1</label>
						<table frame="box" rules="cols">
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="center">UF EM INGLÊS</th>
									<th align="center">CORRESPONDENTE EM PORTUGUÊS</th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="center"><italic>The king has named Qyburn the new master of whisperers.</italic></td>
									<td align="center">O Rei nomeou Qyburn o novo <bold>Mestre dos Sussurros</bold>.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>The Master of Whisperers owes me a favor or two.</italic></td>
									<td align="center">O <bold>Mestre dos Sussurros</bold> deve-me um favor ou dois.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>You're the master of whisperers, you’re supposed to know everything</italic></td>
									<td align="center">Você é o <bold>Mestre dos Sussurros</bold>, deveria saber de tudo!</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>I am the master of whisperers, my role is to be sly, obsequious and without scruples.</italic></td>
									<td align="center">Sou o <bold>mestre dos murmúrios</bold>, meu papel é ser esperto, atencioso e sem escrúpulos.</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>Como é possível verificar nos excertos apresentados, essa colocação nominal é totalmente cristalizada no <italic>subcorpus</italic> em inglês, pois seus constituintes não são alterados (<xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref>). Por outro lado, no <italic>subcorpus</italic> em português nota-se uma alternância entre dois correspondentes para o segundo substantivo integrante da colocação. Portanto, em português, essa UF constitui-se como uma colocação nominal semifixa, que permite alterações de um de seus constituintes por outro item lexical que compartilha do mesmo campo gramatical e semântico (sussurros/murmúrios). Por fim, o grau de idiomaticidade dessa UF é relativamente baixo, pois é possível chegar a um significado aproximado pela análise dos significados dos constituintes, todavia, não é possível chegar ao sentido completo evidenciado no parágrafo anterior.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>4.2. Little birds</title>
				<p><italic>Little birds</italic> é uma metáfora recorrente no seriado, e está intimamente relacionada à colocação nominal apresentada na subseção anterior. Como a função do <italic>master of whisperers</italic> é prover informações cruciais sobre os acontecimentos do mundo ficcional do seriado, é imprescindível dispor de uma rede de informantes espalhados por todos os reinos. No âmbito ficcional de <italic>Game of Thrones</italic>, esses informantes são metaforizados como pássaros, como é possível observar no <xref ref-type="table" rid="t2">Quadro <italic>2</italic></xref> a seguir:</p>
				<p>
					<table-wrap id="t2">
						<label>Quadro 2</label>
						<table frame="box" rules="cols">
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="center">UF EM INGLÊS</th>
									<th align="center">CORRESPONDENTE EM PORTUGUÊS</th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="center"><italic>Tell me, can your little birds get a message</italic> [… ]</td>
									<td align="center">- Seus <bold>passarinhos</bold> podem levar uma mensagem [... ]</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>- I thought one of your little birds might haveknowledge of my sister’s intentions to…</italic></td>
									<td align="center">- Achei que um dos seus <bold>passarinhos</bold> teria conhecimento das intenções da minha irmã para... </td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>- End your life? I didn’t inherit Littlefinger’s spies</italic> [… ]</td>
									<td align="center">- Acabar com a sua vida? Não herdei os espiões de Mindinho [... ]</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>Can your little birds find their way into Meereen?</italic></td>
									<td align="center">Seus informantes conseguiriam entrar em Meereen?</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>You passed notes to Varys' little birds.</italic></td>
									<td align="center">Você dava informações aos mensageiros de Varys.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>I have no pet sellsword to protect me</italic> [… ]. <bold>
 <italic>Only little birds who whisper in my ear.</italic>
</bold></td>
									<td align="center">Não tenho um mercenário para me proteger [... ]. Só <bold>passarinhos</bold> que <bold>sussurram</bold> em meus ouvidos.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>My little birds have already taken wings. Soon they’ll return, singing songs</italic> [... ]</td>
									<td align="center">Meus <bold>passarinhos</bold> já estão batendo asas. Logo retornarão <bold>cantando canções</bold> [... ]</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>The younger one seems to have escaped the castle. Even my little birds cannot find her.</italic></td>
									<td align="center">A menor parece ter fugido do castelo. Nem meus <bold>passarinhos</bold> conseguiram encontrá-la.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>Your Grace… that old rumor you told me about. My little birds investigated.</italic></td>
									<td align="center">Majestade… aquele rumor antigo que me contou. Meus <bold>passarinhos</bold> investigaram.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>My little birds are everywhere… Even in the North. They whisper to me the strangest stories.</italic></td>
									<td align="center">Meus <bold>passarinhos</bold> estão em todos os lugares... Até mesmo no Norte. Eles <bold>suspiram</bold> estranhas histórias.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>Do you see that boy there? One of Varys’ little birds.</italic></td>
									<td align="center">Vê aquele garoto ali? Um dos <bold>passarinhos</bold> de Varys.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>My little birds tell me that Stannis Baratheon</italic> 
 <italic>has taken up with a Red Priestess from Asshai.</italic></td>
									<td align="center">Meus <bold>passarinhos</bold> me disseram que Stannis Baratheon se aliou com uma Sacerdotisa Vermelha de Asshai.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>- He was nice. He called us little birds</italic> [… ]</td>
									<td align="center">- Ele era bom. Ele nos chamava de <bold>passarinhos</bold> [... ]</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">- <italic>If any of your friends</italic> [… ] <bold>
 <italic>need help, they can always come to me. All I need in return are whispers.</italic>
</bold></td>
									<td align="center">- Lembrem-se, se algum de seus amigos [... ] precisar de ajuda, pode me procurar. Tudo que peço em troca são <bold>cochichos</bold>.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>I have many little birds in the North, My Lord, but I haven’t heard their songs</italic> [… ]</td>
									<td align="center">Tenho vários <bold>passarinhos</bold> no Norte, Vossa Graça, mas não <bold>os ouço cantar</bold> [... ]</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>My birds tell me the Hound slaughtered five of our soldiers.</italic></td>
									<td align="center">Meus informantes dizem que o Cão matou cinco soldados nossos.</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>A partir dos excertos apresentados, é possível inferir que ter uma grande quantidade de “pássaros” em diversos locais do reino é imprescindível, haja vista que é mais fácil conseguir informações de maneira mais rápida, além de ser mais fácil ter acesso a informações confidenciais. A partir da análise dos correspondentes no <italic>subcorpus</italic> em português, percebe-se que, em alguns casos, eles não são metaforizados e não se constituem como UFs (informantes/mensageiros).</p>
				<p>No que tange às informações fornecidas pelos “pássaros”, elas são metaforizadas de maneiras diversas, algumas vezes vinculadas diretamente com <italic>master of whisperers</italic> (<italic>the birds whisper</italic>/os pássaros suspiram/cochicham), outras vezes com <italic>birds</italic> (<italic>the birds sing songs</italic>/os pássaros cantam), mas sempre mantendo um grau de idiomaticidade alto.</p>
				<p>Em termos sintáticos, a UF <italic>little birds</italic> é classificada como uma colocação adjetiva. Não obstante, nota-se que no <italic>subcorpus</italic> em português, os correspondentes não se constituem como UFs, pois em português há a possibilidade de acréscimo de sufixo diminutivo na palavra pássaros. Seria possível manter a equivalência sintática da UF original optando-se por ‘pequenos pássaros’ ou ‘pássaros pequenos’. Entretanto, apesar de essa construção ser possível no sistema linguístico do português, ela fugiria da convencionalidade atestada pelo uso<xref ref-type="fn" rid="fn27"><sup>27</sup></xref>.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>4.3. In(to) the light of the seven</title>
				<p>A UF <italic>in(to) the light of the seven</italic> é classificada como uma expressão metafórica religiosamente convencionalizada, pois faz referência aos sete deuses<xref ref-type="fn" rid="fn28"><sup>28</sup></xref>. Em termos sintáticos, a base dessa UF é uma colocação nominal que em ambos os <italic>subcorpora</italic> é altamente fixa, podendo apenas ser complementada com um adjetivo com valor intensificador (<italic>true light of the Seven</italic>/verdadeira luz dos Sete). A preposição inicial dessa expressão metafórica é menos fixa no <italic>subcorpus</italic> em português, apresentando três variações (na/sob/à luz), ao passo que no <italic>subcorpus</italic> em inglês varia somente duas vezes (<italic>in/into the</italic> light), como podemos verificar no <xref ref-type="table" rid="t3">Quadro <italic>3</italic></xref> a seguir:</p>
				<p>
					<table-wrap id="t3">
						<label>Quadro 3</label>
						<table frame="box" rules="cols">
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="center">UF EM INGLÊS</th>
									<th align="center">CORRESPONDENTE EM PORTUGUÊS</th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="center"><italic>I'm a different person now, I've found peace</italic> 
 <bold>
 <italic>in the light of the Seven.</italic>
</bold></td>
									<td align="center">Sou uma pessoa diferente agora. Encontrei a paz <bold>na luz dos Sete.</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>In the light of the Seven, I now proclaim Tommen</italic> [… ] <italic>Lord of the Seven Kingdoms.</italic></td>
									<td align="center">Na luz dos Sete, eu proclamo Tommen [... ] Senhor dos Sete Reinos.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>All you men were named in the Light of the Seven!</italic></td>
									<td align="center">Todos vocês foram batizados <bold>sob a luz dos Sete</bold>.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>In the Light of the Seven, by all that is holy</italic> 
 <italic>and right, I, Lancel Lannister, do solemnly vow</italic> [… ]</td>
									<td align="center">Na Luz dos Sete, pelo que é mais sagrado e direito, eu, Lancel Lannister, juro [... ]</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>I was named in the light of the Seven, as my father was and his father before him.</italic></td>
									<td align="center">Fui batizado <bold>à luz dos Sete</bold>, como meu pai foi e meu avô também.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>I extend to you my hospitality, and protection in the light of the Seven.</italic></td>
									<td align="center">Eu lhes estendo minha hospitalidade e proteção <bold>sob a luz dos Sete.</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>Queen Margaery has already atoned for her</italic> 
 <bold>
 <italic>sins by bringing another into the true light of the Seven.</italic>
</bold></td>
									<td align="center">A Rainha Margaery já expiou seus pecados trazendo outra pessoa <bold>à verdadeira luz dos Sete.</bold></td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>Como é possível observar nos excertos anteriores, essa UF é estritamente utilizada no âmbito de eventos oficiais que contam como a participação da igreja, como batismos, votos e coroações, assim como para enfatizar ações de aprovação religiosa, como atos de acolhimento e de difusão de ensinamentos religiosos.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title><bold>4.4. <italic>Sit on the Iron Throne</italic>
</bold></title>
				<p><italic>To sit on the Iron Throne</italic> é provavelmente a metáfora mais recorrente no mundo ficcional do seriado. No escopo de <italic>Game of Thrones</italic>, sentar-se no “Trono de Ferro” é uma expressão metafórica, cuja base é a colocação nominal <italic>Iron Throne</italic>, que indica a detenção de poder sobre os sete reinos. Portanto, a pessoa que se senta no “Trono de Ferro” se torna a mais poderosa e responsável pelos sete reinos, como é possível observar no <xref ref-type="table" rid="t4">Quadro 4</xref> seguinte:</p>
				<p>
					<table-wrap id="t4">
						<label>Quadro 4</label>
						<table frame="box" rules="cols">
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="center">UF EM INGLÊS</th>
									<th align="center">CORRESPONDENTE EM PORTUGUÊS</th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="center"><italic>- I have no desire to sit on the Iron Throne.</italic></td>
									<td align="center">- Não desejo <bold>sentar no Trono de Ferro</bold>.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>- So who will?</italic></td>
									<td align="center">- Então quem irá sentar?</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>- I don’t know.</italic></td>
									<td align="center">- Não sei.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>- You’re fighting to overthrow a king, and yet you have no plan for what comes after?</italic></td>
									<td align="center">- Está lutando para depor um rei e não tem plano para o depois?</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>When Aerys Targaryen sat on the Iron Throne, your father was a rebel and a traitor. Someday you’ll sit on the throne and the truth will be what you make it.</italic></td>
									<td align="center">Quando Aerys Targaryen <bold>sentou no Trono de Ferro</bold>, seu pai era um rebelde traidor. Um dia você <bold>sentará no trono</bold> e a verdade será o que disser.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>You command her army, sail to Westeros, defeat all your enemies and watch her climb those steps and sit on the Iron Throne.</italic></td>
									<td align="center">Você lidera o exército até Westeros, derrota os inimigos e a vê subir os degraus até o Trono de Ferro.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>- Whatever you grant me now will be repaid three times over when I retake the Iron Throne.</italic></td>
									<td align="center">- Tudo que me der agora, lhe será pago 3 vezes mais quando eu retomar o Trono de Ferro.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>- Retake? Did you once sit on the Iron Throne?</italic></td>
									<td align="center">- Retomar? Alguma vez já se <bold>sentou no Trono de Ferro</bold>?</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>- My father sat there before he was murdered.</italic></td>
									<td align="center">- Meu pai o ocupava antes de ser assassinado.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">- <bold>
 <italic>If you sat on the Iron Throne would you spread misery throughout the land?</italic>
</bold></td>
									<td align="center">- Se você <bold>sentasse no Trono de Ferro</bold>, você propagaria miséria pela terra?</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>- I will never sit on the Iron Throne.</italic></td>
									<td align="center">- Nunca <bold>sentarei no Trono de Ferro</bold>.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>- No you won’t. But you could help another climb those steps and take that seat.</italic></td>
									<td align="center">- Não, não vai. Mas você poderia ajudar outros a subir aqueles degraus e se sentarem.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>If you want to sit on the throne your ancestors built, you must win it.</italic></td>
									<td align="center">Se quer se <bold>sentar no trono</bold> que seus ancestrais construíram, deve ganhá-lo.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>You'll have to sit on the throne while I'm away.</italic></td>
									<td align="center">Terá que <bold>sentar no trono</bold> enquanto eu estiver ausente.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>- I'm the one true king.</italic></td>
									<td align="center">- Sou o Rei verdadeiro.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>- You are. But here are others with your blood in their veins. You will sit on the Iron Throne, but first there must be sacrifices.</italic></td>
									<td align="center">- Você é. Mas existem outros com o seu sangue nas veias. Irá <bold>sentar-se no Trono de Ferro</bold>, mas antes deve haver sacrifícios.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>When the sun rises, Stannis will sit on the Iron Throne and you will be his Hand.</italic></td>
									<td align="center">Ao amanhecer, Stannis <bold>estará no Trono de Ferro</bold> e você será a Mão dele.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>The dark arts have provided Lord Stannis with his armies and paved his path to our door. For a man in service to such powers to sit on the Iron Throne, I can think nothing worse.</italic></td>
									<td align="center">As artes das trevas deram a Stannis seu exército e construíram o caminho até nossa porta. Um homem em serviços de tais poderes <bold>sentado no Trono de Ferro</bold>... Não consigo pensar em nada pior.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>If he gets what he wants, I expect he’ll be a better ruler than the fools sitting on the Iron Throne the last hundred years.</italic></td>
									<td align="center">Se ele tiver o que quer, imagino que ele será um melhor governante do que aqueles tolos que <bold>sentaram no Trono de Ferro</bold> pelos últimos cem anos.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>They won’t be able to resist us now. Soon I</italic> 
 <bold>
 <italic>shall be sitting on the Iron Throne.</italic>
</bold></td>
									<td align="center">Não conseguirão resistir a nós. Em breve <bold>sentarei no Trono de Ferro.</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>A boy sits on the Iron Throne. A boy many believe to be a bastard with no right to it.</italic></td>
									<td align="center">O Trono de Ferro é de um menino. Um menino que muitos acreditam ser um bastardo sem direito.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>Do you want to see your brother sitting on the Iron Throne?</italic></td>
									<td align="center">Ainda quer seu irmão <bold>sentado no Trono de Ferro</bold>?</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>When dead men and worse come hunting for us in the night, do you think it matters who sits on the Iron Throne?</italic></td>
									<td align="center">Quando homens mortos ou pior vierem nos caçar à noite, você acha que importa quem está <bold>sentado no Trono de Ferro</bold>?</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>Por meio de uma busca<xref ref-type="fn" rid="fn29"><sup>29</sup></xref> no <italic>subcorpus</italic> em inglês pelos verbos que coocorrem com <italic>seven kingdoms</italic> (sete reinos), encontramos apenas coocorrências esporádicas com <italic>control</italic> (controlar)<italic>, conquer</italic> (conquistar), <italic>rule</italic> (comandar), <italic>take/take back</italic> (tomar/recuperar) e <italic>unite</italic> (unir), as quais são semanticamente próximas de <italic>to sit on the Iron Throne</italic>, porém não possuem a mesma frequência estatisticamente significativa, ou seja, não são igualmente convencionalizadas pelo uso no mundo ficcional do seriado.</p>
				<p>Os excertos apresentados evidenciam também a prosódia negativa relacionada à essa expressão metafórica, que pode ser observada pela recorrência de menções à guerra e de palavras como <italic>overthrow</italic>/depor, <italic>defeat</italic>/derrotar, <italic>murdered</italic>/assassinado e <italic>sacrifices</italic>/sacrifícios.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>4.5. Essence of nightshade</title>
				<p>A UF <italic>essence of nightshade</italic> é sintaticamente classificada como uma colocação nominal, por ser formada pela alta coocorrência de dois substantivos (<italic>essence</italic> e <italic>nightshade</italic>). No <italic>subcorpus</italic> de legendas em inglês, ela se constitui como uma UF cristalizada, não permitindo alteração de seus elementos. Já no <italic>subcorpus</italic> em português, ela não obedece a uma padronização terminológica, sendo representada por diferentes correspondentes, mas que compartilham do mesmo campo gramatical e semântico, como podemos observar no <xref ref-type="table" rid="t5">Quadro <italic>5</italic></xref> a seguir:</p>
				<p>
					<table-wrap id="t5">
						<label>Quadro 5</label>
						<table frame="box" rules="cols">
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="center">UF EM INGLÊS</th>
									<th align="center">CORRESPONDENTE EM PORTUGUÊS</th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="center"><italic>Basilisk venom, widow’s blood, wolfsbane, essence of nightshade, sweetsleep</italic> [… ] <italic>You have a lot of poison in your store.</italic></td>
									<td align="center">Veneno de basilisco, sangue de viúva, acônito, <bold>essência de solanácea</bold>, doce sono [... ] Você possui muitos venenos.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>- Essence of Nightshade is as dangerous as it is efficacious. A single drop in a cup of wine suffices to soothe ragged nerves. Three drops will bring on a deep and dreamless sleep. 10 drops however…</italic></td>
									<td align="center">- <bold>Essência de maria-pretinha</bold> é tão perigosa quanto eficaz. Uma única gota em uma taça de vinho é suficiente para acalmar os nervos. Três gotas te darão um sono profundo, sem sonhos. Dez gotas, entretanto...</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>- I know what 10 drops will bring.</italic></td>
									<td align="center">- Sei o que dez gotas farão.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>I was about to give him essence of nightshade. That's how far I was willing to go when I thought someone awful had come to take my son away.</italic></td>
									<td align="center">Estava prestes a <bold>matá-lo</bold>. É o que eu faria para não deixar que ninguém o levasse.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>Grand Maester, perhaps some essence of nightshade, to help him sleep.</italic></td>
									<td align="center">Grande Mestre, talvez <bold>chá de sombra da noite</bold> para ajudá-lo a dormir.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"><italic>I could get you essence of nightshade to help you sleep.</italic></td>
									<td align="center">Posso trazer <bold>erva-moura</bold>, para ajudá-la a dormir.</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>Essa colocação nominal possui grau de idiomaticidade alto, visto que é impossível abstrair seu significado total a partir da análise de seus constituintes. No contexto de <italic>Game of Thrones</italic>, <italic>essence of nightshade</italic>, como verificado nos excertos da tabela anterior, é uma substância geralmente utilizada para acalmar os nervos e ajudar a dormir, contudo, caso seja administrada em doses altas, pode levar à morte.</p>
				<p>É curioso o fato de que em uma das traduções dessa UF optou-se por um correspondente que foge completamente à equivalência sintática e à metaforização da UF original em inglês, mas que é completamente acurado no que tange ao aspecto semântico (<italic>give him essence of nightshade</italic>/matá-lo). Outrossim, nenhuma das traduções recorreu ao termo já institucionalizado em português para designar essa planta (beladona), o que indica a tentativa de interpretação do conteúdo idiomático em vez de consulta a obras terminográficas.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>5. Considerações finais</title>
			<p>Neste artigo, apresentou-se uma análise de cinco UFs extraídas do <italic>corpus</italic> bilíngue - inglês e português - de legendas do seriado televisivo <italic>Game of Thrones</italic>, fundamentada na taxonomia proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013</xref>). Outrossim, apresentou-se a referida taxonomia, concentrando-se nos níveis de convencionalidade sintática e semântica, e buscou-se exemplificá-la com excertos extraídos do próprio <italic>corpus</italic> de estudo.</p>
			<p>Ao analisar e contrastar as UFs em questão, observamos alguns pontos pertinentes, como os especificados a seguir:</p>
			<p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>Grau de fixidez e padronização terminológica: a maioria das UFs do <italic>subcorpus</italic> em inglês são cristalizadas ou possuem um alto grau de fixidez. Já no <italic>subcorpus</italic> em português, notou-se maior variação em relação às UFs originais, portanto, os equivalentes utilizados, na maioria das vezes, foram UFs semifixas. Não obstante, a variação no <italic>subcorpus</italic> em português não é livre, pois ocorre segundo o critério de substituição de determinada unidade lexical por outra que compartilhe do mesmo campo gramatical e semântico. Em outros casos, o que notamos foi a utilização de uma variedade maior de UFs em português como equivalentes para uma mesma UF em inglês; nesses casos, as UFs em português são tão fixas quanto as originais (como, por exemplo, erva-moura e chá de sombra da noite), só não obedecem a uma padronização terminológica. Essa falta de padronização terminológica nas legendas traduzidas pode ser motivada pela troca da equipe de legendagem.</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>(Não) metaforização: no caso de algumas UFs originalmente metaforizadas no <italic>subcorpus</italic> em inglês, notou-se a não equivalência sintática, assim como a não metaforização dos correspondentes no <italic>subcorpus</italic> em português, mas, em contrapartida, o aspecto semântico foi preservado. Em todas as ocorrências em que a não metaforização foi identificada no <italic>subcorpus</italic> em português, as UFs originais foram correspondidas por unidades não fraseológicas.</p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>À guisa de conclusão, esperamos ter demonstrado as possibilidades e proficuidade da exploração lexical do mundo ficcional dos seriados televisivos para os estudos linguísticos, especialmente para os estudos fraseológicos, bem como a aplicabilidade da taxonomia proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013</xref>) para a classificação e análise de UFs. Outrossim, esperamos que este artigo possa incentivar e auxiliar o desenvolvimento de futuros estudos linguísticos voltados à análise em <italic>corpora</italic> de legendas de seriados televisivos.</p>
			<p>Por fim, enfatizamos que, haja vista a ampla audiência dos seriados televisivos, pesquisas dessa natureza podem auxiliar na popularização dos estudos fraseológicos e na circulação desses estudos em outros espaços não limitados apenas à área da Linguística, pois demonstram a aplicação de teorias, abordagens e metodologias linguísticas de maneira mais acessível a outros públicos não necessariamente acadêmicos.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<sec sec-type="additional-information">
        <fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p> Seriado televisivo lançado em 2011 pela HBO e finalizado em 2019. O seriado é baseado na série de livros de fantasia épica intitulada <italic>A Song of Ice and Fire</italic> de George R. R. Martin.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Número total de palavras no <italic>corpus</italic>, considerando também as que se repetem.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Neste ponto, evidenciamos a relevância da taxonomia proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013)</xref>, pois ela permite classificar as UFs a partir de diferentes níveis de convencionalidade (sintático, semântico e pragmático) e agrupá-las por meio da análise das características que apresentam. Por conseguinte, a referida taxonomia auxilia e norteia explorações sistemáticas de cada tipo de UF.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Não obstante, é pertinente pontuar que, como a própria autora evidencia, há outros níveis de convencionalidade que fogem ao escopo da análise de <xref ref-type="bibr" rid="B12">Tagnin (2013)</xref>, como a relação imotivada entre significado e significante (<xref ref-type="bibr" rid="B9">SAUSSURE 1995</xref>) e a convencionalidade nos níveis fonológico e morfológico.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p><italic>He winked at me before</italic>/Ele piscou para mim mais cedo (S03E08). <italic>Choked on his pigeon pie</italic>/Engasgado com sua torta de pombo (S04E06).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p><italic>You must beat them back</italic>/Precisa combatê-los (S02E09). <italic>Stannis never gives up</italic>/Stannis nunca desiste (GOT_S03E01).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p><italic>You said from now on we’d stay together/Você disse que ficaríamos juntos de agora em diante (S04E09). […] abduct our guest by force?/[…] raptar nossa hóspede à força? (S05E09).</italic></p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p><italic>The Mad King was obsessed with it</italic>/O Rei Louco era obcecado por isso (S03E05). <italic>I am the rightful king</italic>/Eu sou o verdadeiro rei (S04E02).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p><italic>Your uncle’s in the Night’s Watch</italic>/Seu tio faz parte da Patrulha da Noite (S01E01). <italic>Open the Moon Door</italic>/Abram a Porta da Lua (S01E06).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p><italic>I swore a vow</italic>/Fiz um juramento (S02E05). <italic>I know how to swing a sword</italic>/Sei brandir uma espada (S03E09).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p><italic>He was badly hurt</italic>/Ele foi gravemente ferido (S01E08). <italic>You fought bravely today</italic>/Lutou bravamente hoje (S02E03).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p><italic>A million bushels of wheat</italic>/300 mil galões de trigo (S03E05). <italic>20,000 head of cattle</italic>/20 mil cabeças de gado (S03E05).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>13</label>
				<p><italic>Such a small pack of wolves/Uma pequena matilha (S01E05). […] the Dothraki horde/[…] a horda Dothraki (S01E05).</italic></p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>14</label>
				<p><italic>Every man and woman in the Seven Kingdoms</italic>/Cada homem e mulher no Sete Reinos (S01E08). <italic>Our ships sail with or without you</italic>/Nossos navios partirão com ou sem você. (S02E03).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn15">
				<label>15</label>
				<p><italic>Flea Bottom born and bred</italic>/Nascido e criado na Baixada das Pulgas (S04E07). <italic>Ladies and gentlemen</italic>/Senhoras e senhores (S06E06).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn16">
				<label>16</label>
				<p><italic>The Faith and the Crown are the two pillars […]/A Fé e a Coroa são os pilares […] (S05E03). The Crown and the Faith are the twin pillars […]/A Coroa e a Fé são os pilares gêmeos […] (S06E03).</italic></p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn17">
				<label>17</label>
				<p><italic>And on and on it goes</italic>/E assim por diante (S02E01). <italic>I wanted to tell you first, man to man</italic>/Quis lhe contar primeiro, de homem para homem (S04E08).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn18">
				<label>18</label>
				<p><italic>I have prayed day and night</italic>/Rezei dia e noite (S03E05). <italic>Everybody dies sooner or later</italic>/Cedo ou tarde, todos morrem (S04E08).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn19">
				<label>19</label>
				<p><italic>I am Queen Regent/Sou a Rainha Regente (S02E02). The longer we wait, the more arrows [...]/Quanto mais esperarmos, mais flechas [...] (S04E09).</italic></p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn20">
				<label>20</label>
				<p><italic>And I'll end up dying, too</italic>/E eu vou acabar morrendo também (S05E10).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn21">
				<label>21</label>
				<p><italic>All men must die</italic>/Todos os homens devem morrer (S05E04). <italic>Long may she reign</italic>/Vida longa à Rainha (S06E10).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn22">
				<label>22</label>
				<p><bold>
 <italic>Influence grows like a weed</italic>/Influência cresce como uma erva daninha</bold> (S03E04).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn23">
				<label>23</label>
				<p><italic>I'm glad we see eye to eye on this matter</italic>/Fico feliz que concordamos (S05E09).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn24">
				<label>24</label>
				<p><italic>Layout</italic> de apresentação em que todas as ocorrências de determinada palavra de busca são apresentadas em seus “ambientes linguísticos” imediatos. Nesse modelo de apresentação, a palavra de busca é apresentada em posição central, ladeada pelas palavras que ocorrem no mesmo cotexto linguístico, isto é, que estão próximas no eixo sintagmático.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn25">
				<label>25</label>
				<p>É relevante pontuar que a frequência de (co)ocorrência e a fixidez foram utilizadas como critérios base para a determinação das UFs.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn26">
				<label>26</label>
				<p>Neste artigo utilizamos <italic>cotexto</italic> para nos referir ao ambiente linguístico imediato da palavra de busca no eixo sintagmático e <italic>contexto</italic> num sentido mais amplo, não necessariamente limitado à oração.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn27">
				<label>27</label>
				<p>Ao realizar uma consulta no <italic>corpus</italic> NOW da língua portuguesa, que possui cerca de 1 bilhão de palavras, as ocorrências para “pequenos pássaros” e “pássaros pequenos” constituem 42 ocorrências no total, ao passo que “passarinhos” ocorre 1.141 vezes. <italic>Corpus</italic> disponível para consulta em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.corpusdoportugues.org/now/">https://www.corpusdoportugues.org/now/</ext-link>. (22/02/2020).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn28">
				<label>28</label>
				<p>É relevante evidenciar que o número sete é recorrente na terminologia do seriado e é fundamental para a composição do mundo ficcional, visto que grande parte do enredo se passa em um território dividido em sete reinos, nos quais alguns povos acreditam na existência de sete deuses, bem como na existência de sete infernos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn29">
				<label>29</label>
				<p>Essa busca foi realizada por meio da ferramenta <italic>Concord</italic>. Geramos linhas de concordância para <italic>seven kingdoms</italic>, recorremos ao <italic>Concord Sort</italic> para facilitar a identificação de padrões de ocorrência com o nódulo de busca e, por fim, fizemos a análise quali-quantitativa das linhas de concordância para verificar as informações apresentadas neste parágrafo.</p>
			</fn>
		</fn-group>
        </sec>
        <ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ALUÍSIO, S. M.; ALMEIDA, G. M. B. O que é e como se constrói um corpus? Lições aprendidas na compilação de vários corpora para pesquisa linguística. Calidoscópio, v. 4, n. 3, São Leopoldo, set/dez 2006, pp. 156-178. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://revistas.unisinos.br/index.php/calidoscopio/article/view/6002">http://revistas.unisinos.br/index.php/calidoscopio/article/view/6002</ext-link>. (02/05/2020).</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
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							<surname>ALUÍSIO</surname>
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						</name>
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					<article-title>O que é e como se constrói um corpus? Lições aprendidas na compilação de vários corpora para pesquisa linguística</article-title>
					<source>Calidoscópio</source>
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					<publisher-loc>São Leopoldo</publisher-loc>
					<season>set-dez</season>
					<year>2006</year>
					<fpage>156</fpage>
					<lpage>178</lpage>
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					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2020-05-02">02/05/2020</date-in-citation>
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					<lpage>243</lpage>
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