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				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
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					<subject>Articles</subject>
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				<article-title><italic>Festschrift</italic> para Stella Esther Ortweiler Tagnin</article-title>
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		<p>Este número especial da TradTerm foi concebido nos moldes de um <italic>Festschrift</italic> (ou <italic>Festschriften,</italic> no plural), nome dado na academia a uma publicação em honra de uma pessoa reconhecida celebrada em vida, por ocasião marcante na carreira da homenageada e reunindo textos de colegas, ex-alunos e alunas, ex-orientados e orientadas e pesquisadores e pesquisadoras.</p>
		<p>O termo <italic>Festschrift</italic> vem do alemão - uma das línguas da nossa homenageada, Professora Stella Tagnin, cuja graduação foi em Letras Anglo-Germânicas - e significa, literalmente, “escrita ou publicação comemorativa”. Segundo o <italic>Corpus of Contemporary American English</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B2">DAVIES, 2008</xref>)<italic>,</italic> o germanismo ocorre frequentemente em textos acadêmicos em inglês. Neste editorial, o termo, apesar de - ainda - raro, foi escolhido por bem traduzir as motivações desta publicação e alguns dos atravessamentos linguísticos pessoais e profissionais da homenageada.</p>
		<p>A ocasião marcante são as duas décadas de Linguística de Corpus na Universidade de São Paulo, celebrados em 29 de novembro de 2019, na ‘Jornada Comemorativa de 20 anos da Linguística de Corpus na USP’ realizada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/USP). Esses 20 anos são parte integrante e essencial da carreira da Professora Stella. Nos mais de 50 anos como docente, 46 deles na Universidade de São Paulo, além de ter contribuído para a formação de centenas de alunos, Stella Tagnin orientou 36 mestrados e 22 doutorados, bem como supervisionou 4 pós-doutorados. Em andamento, estão dois mestrados, cinco doutorados e a supervisão de dois pós-doutorados, distribuídos em dois programas de pós-graduação: Estudos Linguísticos e Literários em Inglês (ELLI) e Letras Estrangeiras e Tradução (LETRA), ambos do Departamento de Letras Modernas.</p>
		<p>Na entrevista feita com Stella Tagnin por Elisa Duarte Teixeira (<xref ref-type="bibr" rid="B7">TEIXEIRA, 2017</xref>), atualizada especialmente para encerrar o segundo volume deste <italic>Festschrift</italic>, o leitor e a leitora se deparam com um “apelido” decorrente de uma cultura acadêmica de <italic>ethos</italic> masculino (<xref ref-type="bibr" rid="B4">SCHIEBINGER, 1999</xref>) em que uma professora muito exigente e criteriosa só pode ser “brava” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">BATES, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">STORAGE et al., 2016</xref>) e encontram detalhes sobre a trajetória da Professora Stella desde a graduação até sua livre-docência e “aposentadoria”.</p>
		<p>A “aposentadoria” de Stella Tagnin é um capítulo à parte e ainda em elaboração. Quando perguntada sobre o ano de sua aposentadoria, ela precisou acionar o departamento de pessoal, o qual informou que ela está aposentada oficialmente desde 2003! Foi justamente nesse período, como Professora Sênior atuante, que orientou a maior parte dos mestrados e doutorados em sua carreira. E como orienta! Orientados e orientadas são unânimes em dizer que ela não deixa escapar uma vírgula, comenta e marca o texto inteiro - com sinais editoriais de revisão - e, na presença do aluno, discute e passa por cada um dos comentários, questiona o que é preciso, faz sugestões. Tudo isso combinado com uma escuta generosa, positiva e produtiva.</p>
		<p>Stella Tagnin ingressou na Linguística de Corpus por impulso dos estudos que já desenvolvia na área da Convencionalidade. A partir de 1961, passou a se interessar pelo uso autêntico da língua em decorrência de uma experiência pessoal nos Estados Unidos e cita com frequência o impacto que o “falante/ouvinte ingênuo” de <xref ref-type="bibr" rid="B3">Fillmore (1979</xref>) teve em sua carreira. Segundo o autor, “quanto maior o domínio da convencionalidade, maior a fluência do falante, daí a importância desse aspecto no aprendizado da língua” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">TAGNIN, 2005</xref>, p. 109). Entretanto, a atividade docente, o percurso de pesquisa e sua atuação na tradução levam a convencionalidade em outras direções, pois, mais do que com a ‘fluência do falante’, Stella se preocupa com a autonomia dos educandos, professores de língua e tradutores profissionais.</p>
		<p>Realiza mestrado (1981), doutorado (1987) e livre-docência (1999) sobre convencionalidade e, ao longo de sua trajetória, atua em diversas áreas, como: Ensino de Inglês, Ensino da Tradução, Estudos da Tradução, Terminologia e Fraseologia. Nos últimos 20 anos, foi na Linguística de Corpus que encontrou terreno fértil para reunir todas essas áreas, impulsionar a autonomia de alunos e profissionais e ainda acolher os temas de interesse de seus pós-graduandos e pós- graduandas.</p>
		<p>A Linguística de Corpus passa, portanto, a ser o ponto de convergência das áreas acima mencionadas, situadas nos estudos linguísticos e também principal ponto de atração de novos orientados e orientadas, principalmente daqueles que optam por cursar a disciplina “Linguística de Corpus: Ensino, Tradução e Terminologia. Questões Teóricas e Metodológicas” como alune especial ou ouvinte, isto é, antes de ingressar formalmente na pós-graduação.</p>
		<p>Nessa disciplina, costumamos encontrar alunos e alunas com os mais variados interesses e dispostos a trabalhar nas mais variadas temáticas, pois se tem algo que a Stella não faz é limitar as possibilidades de pesquisa, tampouco sofre de intransigência teórica. Muito pelo contrário, Stella tem a abertura necessária para incentivar seus alunos e alunas a buscar a teoria mais adequada para elucidar os dados observados no corpus e também no contexto sócio-histórico. Uma rápida consulta ao Lattes da homenageada revela a diversidade das línguas (português, inglês, alemão, espanhol, chinês) e temáticas das pesquisas que orienta: cafés do Brasil, ortodontia, direito, ensino de tradução, futebol, aviação, interpretação simultânea, legendagem, literatura brasileira, literatura estrangeira, literatura infantil, material didático, música, proficiência, relatos de mulheres, turismo, culinária, culinária, culinária (sic)...</p>
		<p>Inevitavelmente, tal profusão é refletida nos textos desses dois volumes do Número Especial sobre Linguística de Corpus, os quais, aos olhos de um leitor “ingênuo” ou descontextualizado, podem parecer pouco interligados. Porém, isso ocorre porque os títulos tendem a privilegiar as temáticas de pesquisa e não necessariamente a abordagem e/ou área dos estudos linguísticos em questão, e porque também é expressivo o número de línguas estudadas ou faladas pelos autores dos artigos: português, espanhol, inglês, chinês, italiano, croata e escocês.</p>
		<p>A riqueza de temáticas de sua vida profissional está representada também na sua vida pessoal. Stella fez curso de fotografia, estudou e ainda estuda diversas línguas estrangeiras (algumas nem aparecem no Lattes), faz dança de salão, planeja viagens familiares nos mínimos detalhes, canta no coral, cultiva uma horta, tem dia de almoçar com a neta na USP, dia de cozinhar para os filhos... Tudo isso frequentemente em companhia de seu amado marido, Gianfranco Tagnin, o mago das flores. Desde sempre, todos os círculos que frequenta, Stella presenteia com seus dotes culinários. No seu círculo de alunes, colegas e pesquisadores, não é diferente. Além dos encontros para discutir as mais recentes referências sobre Linguística de Corpus, os almoços temáticos são uma tradição do Projeto CoMET - Corpus Multilíngue para Ensino de Tradução, dos quais costumam participar não apenas os orientandos e orientandas atuais, mas todos os que já passaram pelo CoMET, em muito extrapolando as relações acadêmicas e gerando verdadeiros vínculos de amizade entre alunos e alunas de diferentes épocas e gerações. A dinamicidade, diversidade e organização do grupo de pesquisa se traduz na democracia para decidir o país e a culinária a ser saboreada e na minúcia nas confecções dos pratos e compartilhamento de receitas.</p>
		<p>Ao redor da culinária, dentro e fora da pesquisa, e juntamente com as atividades regulares do Projeto CoMET, fundado em 2002, Stella formou uma sólida rede de pesquisadores e pesquisadoras que hoje estão espalhados por universidades públicas e privadas, estaduais e federais de todo o país, bem como em instituições no exterior (<xref ref-type="bibr" rid="B7">TEIXEIRA, 2017</xref>). Essa rede, construída e nutrida pela Stella, representa para seus integrantes um <italic>locus</italic> de permanente apoio social e acadêmico, algo que sabemos ser almejado por todos e todas aquelas que pretendem ter uma carreira acadêmica bem sucedida e realizadora, pois, segundo o que observamos ao longo de anos de relação com a Stella, são os vínculos pessoais que alimentam o trabalho acadêmico prazeroso. Uma característica marcante da Stella e um legado de sabedoria é o modo como ela conduz sua vida profissional e pessoal com equilíbrio e satisfação, sem deixar de lado o rigor acadêmico e compromisso intelectual.</p>
		<p>Outra enorme qualidade da Stella reconhecida por todos é a capacidade de se reinventar e se atualizar, tanto em termos teóricos e metodológicos, sempre buscando novos conhecimentos, quanto em relação aos recursos tecnológicos, acompanhando as mídias. Prova disso é o blog que mantém, com linguagem muito acessível, difundindo seus conhecimentos para vários públicos, como tradutores, profissionais e interessades nas questões e curiosidades linguísticas em geral.</p>
		<p>Somos muitas as pessoas que tiveram a honra de compartilhar a trajetória acadêmica e pessoal com a Stella e desfrutar de seu conhecimento e generosidade. Os sentimentos de admiração e gratidão transbordam este número temático, o qual, para dar conta da acolhida que a chamada recebeu, está dividido em dois volumes.</p>
		<p>Antes de passar à apresentação dos artigos que compõem o volume 1, as editoras não podem se furtar de agradecer à Comissão Editorial da TradTerm, - composta pelos Professores Mariângela de Araújo, Álvaro Faleiros, Ieda Maria Alves e Elena Vassina-, por ter abraçado a proposta do número especial, e ao CITRAT - Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia, - na figura da Sandra Cunha e, principalmente, na da graduanda e estagiária Luiza Lotufo -, por ter apoiado todo o trabalho editorial em um ano de pandemia e muitos imprevistos e desencontros. Agradecemos também à Comissão Editorial da revista Belas Infiéis por autorizarem a reprodução da entrevista ao final do segundo volume e expressamos um agradecimento especial a todes aqueles que enviaram submissões e aos pareceristas cegos e cegas, cujo trabalho é fundamental para a qualidade dos textos publicados.</p>
		<p>Vale destacar que, com exceção da seção especial do volume 1 e da entrevista ao final do volume 2, este Festschrift não possui natureza retrospectiva, mas prospectiva, pois além de atender à política editorial da TradTerm de ineditismo e revisão às cegas, demonstra que as sementes da Linguística de Corpus plantadas pela Stella continuam a dar frutos.</p>
		<p>Por fim, foi uma honra para as três co-editoras terem tido a oportunidade de preparar este Número Especial que sai, como já mencionado, em dois volumes e com 24 textos. Abaixo, apresentamos os textos que compõem o volume 1 e oferecemos nossos votos de uma boa leitura.</p>
		<p>O volume abre com uma Seção Especial composta pelo artigo <italic>Corpora, translation, terminology and beyond: objectives and perspectives</italic>, no qual a professora Belinda Maia, do Centro de Linguística da Universidade do Porto, reflete sobre a maneira como muitos dos que ensinam línguas e tradução na universidade desenvolvem e utilizam corpora, tanto para investigação como como metodologia de ensino. Um dos objetivos é focar o trabalho da Professora Stella Tagnin e daqueles com quem ela trabalhou durante mais de vinte anos. O artigo também demonstra como a metodologia de Linguística de Corpus se aplica na investigação interdisciplinar.</p>
		<p>Em seguida, apresentamos os artigos revisados às cegas por pares, a começar por <italic>Tradução intralinguística, estratégias de equivalência e acessibilidade textual e terminológica</italic>, de Maria José B. Finatto, professora titular da UFRGS, e Lucas M. Tcacenco, doutorando pela mesma universidade. O artigo traz à tona a importância da acessibilidade linguística e da tradução intralinguística. Os autores exemplificam a simplificação de textos explicativos de um museu brasileiro, baseando-se, para tanto, em um corpus de textos previamente traduzidos intralinguisticamente, a fim de atenderem alunos de ensino médio de escolas públicas.</p>
		<p>O artigo seguinte, <italic>Do-it-Yourself Corpora: what are they and who are they for?</italic>, das autoras Carolina T. de Carvalho, Luana A. N. Naranja e Paula T. Pinto, todas vinculadas à UNESP, defende a construção de corpora como auxílio à tradução, ao ensino de línguas e à escrita acadêmica, corroborando pesquisas que demonstram que não apenas corpora de grandes proporções são ferramentas úteis para tradutores, professores e pesquisadores.</p>
		<p>No âmbito de corpora como auxílio ao ensino de tradução, o artigo <italic>Corpora e metodologias ativas nas aulas de Prática de Tradução: duas experiências didáticas,</italic> de Elisa Duarte Teixeira e Joacyr Tupinambás de Oliveira, apresenta experiências didáticas envolvendo metodologias ativas e o uso de corpora em duas universidades brasileiras - UnB e Unicamp -, demonstrando como as ferramentas computadorizadas facilitaram o processo de aprendizagem e estimularam a autoconfiança por parte dos alunos.</p>
		<p>Ainda no âmbito pedagógico, muito já se discutiu sobre o uso de corpora no ensino de inglês como língua estrangeira. Contudo, a aplicação dessa metodologia em aulas de outros idiomas ainda é incipiente. No artigo <italic>O efeito da Linguística de Corpus na formulação de material didático e na promoção de output significativo em aulas de italiano/LE</italic>, Graziele A. Frangiotti, doutora pela USP, ajuda a preencher essa lacuna ao relatar de forma detalhada o uso de corpus como ferramenta de ensino no âmbito de um curso de italiano para brasileiros.</p>
		<p>Os próximos cinco artigos tratam da Linguística de Corpus e línguas de especialidade no setor aeronáutico e no setor da saúde. A relevância de questões linguísticas para a segurança nos voos é abordada por Patrícia Tosqui-Lucks, supervisora do Setor de Capacitação em Inglês Aeronáutico do Instituto de Controle do Espaço Aéreo, e Malila C. de Almeida Prado, professora na Fujian University of Technology, em <italic>Corpora de inglês aeronáutico: desafios para o estudo da área e proposta de trabalho conjunto</italic>. As autoras contrastam corpora de comunicações reais a corpora de atividades de ensino para auxiliar na elaboração de materiais didáticos condizentes com situações rotineiras dos profissionais da aviação.</p>
		<p>No artigo <italic>Terminology of Aeronautical Meteorology Codes: a systematization by using corpus</italic>, Rafaela Rigaud Peixoto, tradutora do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, enfatiza a importância da padronização da terminologia para manter a precisão das informações divulgadas, sobretudo em áreas especializadas, como é o caso da Meteorologia Aeronáutica. Partindo de pressupostos teóricos de terminologia e de <italic>corpora</italic>, a autora discute definições e tradução de termos relativos a códigos aeronáuticos. Como resultado, propõe a sistematização de procedimentos terminológicos, a fim de definir padrões de validação e evitar equívocos em relação ao nível de criticidade de situações meteorológicas comunicadas durante as operações de tráfego aéreo.</p>
		<p>Em <italic>Que ‘tipo de parto’ e que tipo de Terminologia? - Estudo baseado em corpus do termo ‘parto’ em relatos de mulheres brasileiras</italic>, Luciana Carvalho Fonseca, da Universidade de São Paulo, faz um estudo do termo em um corpus de relatos de parto escritos por mulheres brasileiras que tiveram um parto após cesárea, com o objetivo de propor uma discussão acerca do fazer terminológico e a Terminologia, como veículo para transformar a sociedade ao ter por objeto de estudo termos e discursos de especialidade contra-hegemônicos que promovam uma atenção à saúde centrada nas usuárias.</p>
		<p>Ainda na área da linguagem envolvendo direitos sexuais e reprodutivos, Aline Nardes dos Santos e Rove Chishman, ambas da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, apresentam o artigo <italic>Metodologias baseadas em corpus para descrição de frames semânticos: desafios e possibilidades</italic>. As autoras partem da noção multifacetada de <italic>frame</italic> como construto sociocognitivo e como ferramenta analítica, por meio da qual é possível descrever e problematizar as conceptualizações representadas em contextos sociais, para apresentarem um estudo de caso baseado em um <italic>corpus</italic> de audiências públicas sobre o direito ao aborto.</p>
		<p>No último artigo no âmbito da saúde, <italic>Análise de corpora de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde e proposta de um glossário bilíngue</italic>, Luana Mara A. Teixeira, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, e Angela M. T. Zucchi, da Universidade de São Paulo, descrevem as etapas da elaboração de um glossário bilíngue da área de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). Com esse material de referência, as autoras almejam contribuir com os tradutores dessa área que complementa a medicina convencional e alopática, e que vem ganhando cada vez mais espaço nas últimas décadas, caminhando para a regulamentação em diversos países.</p>
		<p>A presença marcante da Terminologia nos estudos de corpora continua com o próximo artigo, parte de uma grande pesquisa terminológica da conservação e restauração de bens culturais móveis realizada pelo grupo Termisul. Manuela Arcos e Cleci Bevilacqua, ambas da UFRGS, identificam e extraem Unidades Fraseológicas Especializadas (UFE) Eventivas do corpus Papel utilizando a ferramenta WordSketch do Sketch Engine.</p>
		<p>Para encerrar o volume 1, Ellen Yurika Nagasawa e Margarete Schlatter, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, apresentam o artigo A complexidade de enunciados de tarefas de produção escrita no Celpe-Bras e no Enem, no qual estudam o impacto das inferências feitas a partir de avaliações padronizadas na vida de estudantes que prestam esses dois exames. Partindo dessa preocupação social e ética e utilizando métodos da Linguística de Corpus, as autoras analisam as características dos enunciados das tarefas de produção escrita dos exames a fim de descrever sua complexidade textual e seus padrões lexicais e sintáticos. A análise revela enunciados com construções específicas para cada exame e diferenças quanto a seus níveis de complexidade e ao grau de explicitação de orientações para a escrita.</p>
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			<title>Referências</title>
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				<mixed-citation>BATES, L. When will we stop calling successful women ‘abrasive’? The Guardian, 14 out. 2014.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>DAVIES, M. The Corpus of Contemporary American English (COCA). In: English Corpora. [s.l.] Mark Davies, 2008.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>FILLMORE, C. J. Innocence: a Second Idealization for Linguistics. Berkeley Linguistic Society, v. 5, p. 63-65, 1979.</mixed-citation>
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