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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">tradterm</journal-id>
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				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Revista de Tradução e Terminologia</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">2317-9511</issn>
			<issn pub-type="epub">2317-9511</issn>
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				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9511.v41p77-99</article-id>
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					<subject>Articles</subject>
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				<article-title>Estudo baseado em corpus de um vocábulo recorrente e preferencial do romance A Hora da Estrela, de Clarice Lispector e das traduções para as línguas inglesa e italiana</article-title>
				<article-title>Corpus-based study of a recurrent and preferential word of the novel A Hora da Estrela, by Clarice Lispector and their translations into English and Italian</article-title>
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						<surname>Bonalumi</surname>
						<given-names>Emiliana Fernandes</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
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						<surname>Camargo</surname>
						<given-names>Diva Cardoso de</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>2</sup></xref>
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				<label>1</label>
				<institution content-type="original">Professora Associada I na Universidade Federal de Rondonópolis, UFR-MT.</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Rondonópolis</institution>
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					<state>MT</state>
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				<label>2</label>
				<institution content-type="original">Professora Adjunta-MS5 na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, campus de São José do Rio Preto.</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>06</day>
				<month>10</month>
				<year>2022</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<month>02</month>
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			<volume>41</volume>
			<fpage>77</fpage>
			<lpage>99</lpage>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Este artigo visa analisar a tradução para o inglês e italiano do vocábulo recorrente e preferencial “vida” no romance A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, respectivamente por Giovanni Pontiero e Adelina Aletti. Esta investigação fundamenta- se nos estudos da tradução baseados em corpus de <xref ref-type="bibr" rid="B4">Baker (1993</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B5">1995</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">1999</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B7">2000 2004</xref>) e na perspectiva da linguística de corpus de <xref ref-type="bibr" rid="B9">Berber Sardinha (2000</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B10">2004</xref>), por meio de uma abordagem interdisciplinar de <xref ref-type="bibr" rid="B12">Camargo (2005</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B13">2007</xref>). Utilizamos o programa computacional WordSmith Tools, de <xref ref-type="bibr" rid="B28">Scott (1999</xref>), em especial a ferramenta Keywords, para se chegar ao vocábulo recorrente e preferencial “vida”. Pudemos perceber por meio de nossa análise, no que tange ao vocábulo recorrente e preferencial selecionado para investigação, que houve mais aproximações entre a obra original e a traduzida para o italiano, em relação à obra original e a traduzida para o inglês.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>This paper aims to analyse the translations into English and Italian of the recurrent and preferential word “vida” in the novel A Hora da Estrela, by Clarice Lispector, made respectively by Giovanni Pontiero and Adelina Aletti. This investigation is grounded on the corpus-based translation studies by <xref ref-type="bibr" rid="B4">Baker (1993</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B5">1995</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B6">1999</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B7">2000, 2004</xref>) and in the perspective of corpus linguistics by <xref ref-type="bibr" rid="B9">Berber Sardinha (2000</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B10">2004</xref>), through an interdisciplinary approach by <xref ref-type="bibr" rid="B12">Camargo (2005</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B13">2007</xref>). We have used the programme WordSmith Tools, by <xref ref-type="bibr" rid="B28">Scott (1999</xref>), in special the software Keywords, in order to get the recurrent and preferential word “vida”. We could notice through our analysis, in respect to the recurrent and preferential word selected for the investigation, that there are more similarities between the original work and the translated one into Italian, in relation to the original work and the translated one into English.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-Chave:</title>
				<kwd>Estudos da tradução baseados em corpus</kwd>
				<kwd>Vocábulo recorrente e preferencial</kwd>
				<kwd>Literatura brasileira traduzida</kwd>
				<kwd>Clarice Lispector</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Corpus based translation studies</kwd>
				<kwd>Recurrent and preferential word</kwd>
				<kwd>Translated Brazilian literature</kwd>
				<kwd>Clarice Lispector</kwd>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>1. Introdução</title>
			<p>A tradução fornece contribuições essenciais para que a civilização evolua. Por meio do produto tradutório, podemos ter acesso a grandes pensadores, filósofos e escritores. Em se tratando de autores de obras literárias, a divulgação e o reconhecimento internacional, como no caso de Clarice Lispector, foram alcançados via tradução. Dada a relevância da autora no quadro da literatura brasileira e da qualidade do trabalho de seus tradutores Giovanni Pontiero e Adelina Aletti para a aceitação das obras no exterior, optamos por selecionar a obra <italic>A Hora da Estrela</italic>, de Clarice Lispector, bem com as respectivas traduções para a língua inglesa por Giovanni Pontiero e para a língua italiana por Adelina Aletti. Neste estudo, decidimos por comparar e contrastar os textos traduzidos em língua inglesa e italiana com o respectivo texto original de Clarice Lispector, acerca do vocábulo recorrente e preferencial “vida”. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B18">Gotlib (2004</xref>), o referido vocábulo é o significado do nome da autora em hebraico. Sugerimos que talvez a recorrência e a preferência deste vocábulo na obra de Lispector surjam de seu nome. Também, a respeito da recorrência, podemos mencionar que a repetição é um traço da obra clariceana, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B24">Nunes (1973</xref>: 133), a qual iremos abordar com mais detalhes na fundamentação teórica de nossa pesquisa. O objetivo desta investigação é verificar as similaridades e diferenças encontradas entre texto original e os textos traduzidos para o inglês e italiano , no tocante às traduções literais, variações e omissões do supracitado vocábulo em questão.</p>
			<p>Em relação aos tradutores, Giovanni Pontiero<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> traduziu para a língua inglesa as obras <italic>A Hora da Estrela</italic> (1960; 1984), <italic>Perto do Coração Selvagem</italic> (1943; 1990), <italic>A Hora da Estrela</italic> (1977; 1992), bem como <italic>A Descoberta do Mundo</italic> (1997) de Lispector, tendo contribuído para que a autora se tornasse conhecida no mundo anglo-saxão. Realizou também a tradução de inúmeras obras de José Saramago, além de alguns textos de autores consagrados da literatura brasileira. Pontiero foi professor de Literatura Brasileira da Universidade de Manchester, na Inglaterra. Foi um dos principais colaboradores e tradutores para o Projeto Carcanet<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>, desenvolvido em Manchester, que visava a divulgação de obras luso-brasileiras no mundo anglo-saxão. Recebeu diversos prêmios por suas traduções, como o Prêmio Camões<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>, pelo conto “Amor”, de Clarice Lispector. Já, Adelina Aletti<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref> ministrou palestras a respeito da tradução como profissão na Universidade de Pisa, Itália, tendo recebido críticas elogiosas concernentes ao seu trabalho como tradutora. Traduziu diversos autores brasileiros, entre os quais, quatro obras de Clarice Lispector (<italic>A Hora da Estrela</italic>, <italic>Laços de Família</italic>, <italic>Um Sopro de Vida</italic>, e <italic>A Paixão segundo G.H.</italic>) três de Rubem Fonseca (<italic>Agosto</italic>, <italic>Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos</italic> e <italic>A Grande Arte</italic>) e uma de Lygia Fagundes Telles (<italic>As Horas Nuas</italic>).</p>
			<p>Para fundamentar a nossa investigação, recorremos a uma abordagem interdisciplinar de <xref ref-type="bibr" rid="B12">Camargo (2005</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B13">2007</xref>), tendo como apoio a proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B4">Baker (1993</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B5">1995</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B6">1999</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B7">2000, 2004</xref>) para os estudos da tradução baseados em corpus. Também nos valemos de princípios e métodos da linguística de corpus adotados por <xref ref-type="bibr" rid="B9">Berber Sardinha (2000</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B10">2004</xref>).</p>
			<p>Além do arcabouço teórico já mencionado, o presente trabalho conta com o auxílio do programa computacional <italic>WordSmith Tools</italic>, criado por Mike <xref ref-type="bibr" rid="B28">Scott (1999</xref>), o qual proporcionou os recursos técnicos necessários para o levantamento de dados.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>1.1. A importância do vocábulo “vida” nas obras de Clarice Lispector</title>
			<p>Pudemos perceber, de acordo com a fortuna crítica, que o vocábulo “vida” tem bastante relevância na obra de Clarice Lispector selecionada para este estudo. Também, nota-se sua importância nas obras <italic>Perto do Coração Selvagem</italic> (1944), <italic>Um Sopro de Vida</italic> (1978) e <italic>A Descoberta do Mundo</italic> (1984), por meio de estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B8">Becker &amp; Linné (2017</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B32">Souza Lima (2004</xref>) e a obra de Moser (2009) a respeito de Clarice.</p>
			<p>Becker &amp; Linné comentam que o escritor, no caso, a escritora</p>
			<disp-quote>
				<p>enquanto descreve os traços de uma pessoa inventada, forma uma personagem e, quando lhe atribui ações, faz com que ganhe <italic>vida</italic>. [...E após serem...] inventados e insuflados de <italic>vida</italic>, tudo que [o escritor, no caso a escritora] criou permanece sob seu domínio. Ele é quem determina os fatos, atribui as falas, dá destino ao enredo” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">BECKER &amp; LINNÉ 2017</xref>: 431; 434 - GRIFO NOSSO).</p>
			</disp-quote>
			<p>De acordo com Souza Lima, verifica-se que para “Clarice, a <italic>vida</italic> significava um mergulho nas profundezas do “eu”, um eterno questionamento em que a Autora se envolvia e se perdia em seu próprio labirinto ”. (<xref ref-type="bibr" rid="B32">SOUZA LIMA 2004</xref>: 71 - grifo nosso).</p>
			<p>Também, Souza Lima constata por meio de um estudo realizado por <xref ref-type="bibr" rid="B17">Gotlib (1993</xref>), que a solidão causou muita dor à Autora. Nota-se na crônica “Pertencer”, constante da obra <italic>A Descoberta do Mundo</italic>, um paralelo entre a solidão e o deserto de sua <italic>vida</italic>, sendo possível verificar que Clarice redige consternada a respeito da <italic>vida</italic>. Abaixo, transcrevemos o excerto em questão:</p>
			<disp-quote>
				<p>Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido [...] pertencer é viver:</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho. (LISPECTOR 1984: 111).</p>
			</disp-quote>
			<p>A respeito do estilo clariceano, Benedito Nunes define como “aquele modo pessoal de o escritor usar as possibilidades da língua de acordo com determinadas constantes, que correspondem a um conjunto de traços característicos” e comenta que “o estilo de Clarice Lispector tem na repetição o seu traço de mais largo espectro” (<xref ref-type="bibr" rid="B24">NUNES 1973</xref>: 133).</p>
			<p>A seguir, iremos apresentar alguns trechos selecionados para análise da obra em questão, com o intuito de mostrar o valor do vocábulo “vida” na obra selecionada para este estudo, com a tentativa de unir os laços de sua escritura e vida.</p>
			<p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>[...] Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a <italic>vida</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B1">LISPECTOR 1993</xref>: 15 - grifo nosso).</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>[...] É dever meu, nem que seja de pouca arte, o de revelar-lhe a <italic>vida</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B1">LISPECTOR 1993</xref>: p. 18 - grifo nosso).</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>Será que entrando na semente de sua <italic>vida</italic> estarei como que violando o segredo dos faraós? (<xref ref-type="bibr" rid="B1">LISPECTOR 1993</xref>: 48 - grifo nosso)</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>[...] um dia viverei aqui a <italic>vida</italic> de uma molécula com seu estrondo possível de átomos. (<xref ref-type="bibr" rid="B1">LISPECTOR 1993</xref>: 17-18 - grifo nosso)</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>[…] Agora (explosão) em [...] rapidíssimos traços desenharei a <italic>vida</italic> pregressa da moça até o momento do espelho do banheiro. (<xref ref-type="bibr" rid="B1">LISPECTOR 1993</xref>: 35 - grifo nosso)</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>[…] Quanto a mim, autor de uma <italic>vida</italic>
 <bold>,</bold> me dou mal com a repetição: a rotina me afasta de minhas possíveis novidades. (<xref ref-type="bibr" rid="B1">LISPECTOR 1993</xref>: 50 - grifo nosso)</p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>Como podemos notar por meio dos excertos acima, a autora “forma uma personagem [...], faz com que ganhe vida” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">BECKER &amp; LINNÉ 2017</xref>: 431-434). Pode- se sugerir que Clarice crie sua personagem Macabéa, uma moça nordestina que vem tentar a vida no Rio de Janeiro, assemelhando-se com a estória real de Clarice, que vem do nordeste ao Rio de Janeiro com seus pais. Em busca do autoconhecimento, Lispector utiliza-se da repetição. Assim, procura autoafirmar-se, encontrar o sentido de sua existência, questionando-se. Mais do que ninguém, a autora define a sua procura nas palavras: “Mas é buscar e não achar que nasce o que eu não conhecia, e que instantaneamente reconheço. A linguagem é o meu esforço humano” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">LISPECTOR 1964</xref>: 178). Abaixo, apresentamos outros trechos selecionados para a análise.</p>
			<p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>[…] Incompetente para a <italic>vida</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B1">LISPECTOR 1993</xref>: 31 - grifo nosso).</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>Por que não agia sempre assim na <italic>vida</italic>? (<xref ref-type="bibr" rid="B1">LISPECTOR 1993</xref>: 52 - grifo nosso)</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>[...] Lá é que não piso pois tenho terror sem nenhuma vergonha do pardo pedaço de <italic>vida</italic> imunda. (<xref ref-type="bibr" rid="B1">LISPECTOR 1993</xref>: 38 - grifo nosso)</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>Pensando bem: quem não é um acaso na <italic>vida</italic>? (<xref ref-type="bibr" rid="B1">LISPECTOR 1993</xref>: 45 - grifo nosso).</p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>Baseando-se nos excertos acima, podemos verificar o “eterno questionamento” de Clarice, mergulhada no eu interior (<xref ref-type="bibr" rid="B32">SOUZA LIMA 2004</xref>: 71.). Os fios de sua escrita e vida se entrelaçam por meio destes trechos, podendo fazer parte da memória da autora ou sendo apenas meros questionamentos sobre sua existência.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>1.2. Os estudos da tradução baseados em corpus</title>
			<p>Acerca dos estudos da tradução baseados em corpus, <xref ref-type="bibr" rid="B4">Baker (1993</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B5">1995</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B6">1999</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B7">2000</xref>, 2004) fundamenta-se em duas principais correntes de pensamento nas áreas de investigação da tradução, uma com base nos estudos descritivos da tradução (<xref ref-type="bibr" rid="B34">TOURY, [1978] 2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B35">1995</xref>), e a outra com fundamentação na linguística de corpus (<xref ref-type="bibr" rid="B31">SINCLAIR, 1991</xref>).</p>
			<p>Quanto aos estudos descritivos de tradução iniciados por <xref ref-type="bibr" rid="B15">Even-Zohar ([1978] 2000</xref>), com a teoria dos polissistemas, e <xref ref-type="bibr" rid="B34">Toury (1978</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B35">1995</xref>), com o conceito de normas, a tradução passa a ser observada como um sistema que faz parte de um todo. Para terem valor, não se observavam mais as traduções como dependentes dos respectivos originais, mas tinham importância por si só. Também as traduções não eram mais somente analisadas para verificar erros em relação ao original. </p>
			<p>Além dos estudos descritivos da tradução, <xref ref-type="bibr" rid="B4">Baker (1993</xref>) toma por base a linguística de corpus, em especial, a proposta de <xref ref-type="bibr" rid="B31">Sinclair (1991</xref>). De acordo com Berber Sardinha, desenvolveu <xref ref-type="bibr" rid="B30">Sinclair (1966</xref>) “o primeiro trabalho pioneiro na área de léxico que traçou os caminhos da maioria da pesquisa em linguística de corpus feita até hoje” (<xref ref-type="bibr" rid="B9">BERBER SARDINHA 2000</xref>: 332).</p>
			<p>No que concerne à linguística de corpus, <xref ref-type="bibr" rid="B9">Berber Sardinha (2000</xref>: 325) sugere que uma de suas ocupações é armazenar textos no computador que sejam criteriosamente escolhidos com o intuito de uma investigação na língua ou na variedade linguística.</p>
			<p>Com o desenvolvimento da informática, Baker propõe que “corpus, agora, significa primeiramente uma coleção de textos digitalizados e capazes de serem analisados, automática ou semiautomaticamente, em uma variedade de maneiras<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">BAKER 1995</xref>: 225).</p>
			<p>Magalhães esclarece que <xref ref-type="bibr" rid="B4">Baker (1993</xref>) parte das investigações de <xref ref-type="bibr" rid="B34">Toury ([1978], 2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B35">1995</xref>) e de <xref ref-type="bibr" rid="B31">Sinclair (1991</xref>) para:</p>
			<disp-quote>
				<p>consolidar a sua proposta de estabelecimento da tradução como objeto de pesquisa da disciplina estudos da tradução, cujo objetivo principal passa a ser a identificação de traços do texto traduzido que levarão ao entendimento do que é e de como funciona a tradução (<xref ref-type="bibr" rid="B23">MAGALHÃES 2001</xref>: 98).</p>
			</disp-quote>
			<p>No Brasil, há diversas pesquisas aplicadas aos estudos da tradução baseados em corpora, como as realizadas por <xref ref-type="bibr" rid="B16">Fernandes (2006</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B14">Camargo (2013</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B25">Pinto &amp; Lima (2018</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B33">Souza Lima (2018</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B29">Serpa &amp; Rocha (2019</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B11">Bonalumi (2021</xref>) entre outros, visando à análise do produto da tradução.</p>
			<p>No que tange ao produto da tradução, constata-se que há leitores que preferem os textos originais, pois acreditam que um texto traduzido perde a essência, e que o tradutor não consegue expressar o sentido do texto original.</p>
			<p>Nesse aspecto, Baker comenta que</p>
			<disp-quote>
				<p>a tradução tem sido tradicionalmente vista como uma atividade de baixo status [...] e os textos traduzidos têm sido considerados nada mais que versões de segunda linha, distorcidas dos textos ‘reais”. Os textos traduzidos não são superiores nem inferiores [aos textos originais]. Entretanto, são diferentes e é a natureza dessa diferença que deve ser registrada e explorada <xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BAKER 1993</xref>: 233-234). </p>
			</disp-quote>
			<p>Tymoczko, a este respeito, comenta que esta abordagem pode trazer contribuições para “esclarecer tanto similaridades como diferenças e investigar de maneira exequível as particularidades dos fenômenos específicos da linguagem presentes em muitas línguas e culturas diferentes”<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B36">TYMOCZKO 1998</xref>: 657).</p>
			<p>Este é nosso intuito neste trabalho, registrar as diferenças e similaridades encontradas na tradução para o inglês, por Pontiero, e para o italiano, por Aletti, a partir do texto original de Lispector.</p>
			<p>Com o propósito de enriquecer nossa análise, utilizaremos em nossa análise três das onze características para a normalização do texto traduzido que Nélia <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>) apresenta em sua tese de doutorado, a saber: (1) omissão/acréscimo; (2) outras mudanças na tradução e; (3) alterações em estruturas complexas.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>2. Metodologia</title>
			<p>Apresentamos abaixo a composição do corpus, bem como os procedimentos e as formas de análise adotados para o nosso estudo.</p>
			<p>Quanto à composição do corpus, selecionamos uma obra de Clarice Lispector, originalmente escrita em língua portuguesa, e as respectivas traduções para a língua inglesa e italiana. Desse modo, a constituição do corpus da pesquisa corresponde ao texto original <italic>A Hora da Estrela</italic>, de Clarice Lispector, Rio de Janeiro: Francisco Alves, ([1977], 1993); pelo texto traduzido para a língua inglesa <italic>The Hour of the Star</italic>, tradução de Giovanni Pontiero, New York: New Directions, ([1977], 1992); e pelo texto traduzido para a língua italiana <italic>L’ora dela Stella</italic> (<italic>RH</italic>), tradução de Adelina Aletti, Milão: Feltrinelli, 1989.</p>
			<p>Acerca dos procedimentos, foram escaneados o texto original e os textos traduzidos para a língua inglesa e italiana que compõem o corpus de estudo. A seguir, foram corrigidos erros de leitura ótica e os textos foram salvos em formato txt (texto sem formatação), a fim de prepará-los para análise.</p>
			<p>A presente pesquisa foi realizada em três etapas. A primeira etapa tratou- se da geração da lista de palavras por meio do programa computacional <italic>WordSmith Tools</italic>, em especial, a ferramenta <italic>WordList</italic>. Após a extração da lista de palavras da obra <italic>A Hora da Estrela</italic>, também geramos uma lista de palavras utilizando o corpus de referência <italic>Lácio-Web</italic>.</p>
			<p>A segunda etapa foi a de comparação dos vocábulos encontrados com suas respectivas traduções para o inglês e italiano. Por meio da ferramenta <italic>Keywords</italic>, foi possível extrair uma lista das palavras-chave, na qual pudemos analisar primeiramente o vocábulo que ocorreu em primeiro lugar, “vida”, descartando nomes próprios, pronomes e verbo.</p>
			<p>Por sua vez, a terceira etapa consistiu na análise do vocábulo “vida”. Utilizando a ferramenta <italic>Concord</italic>, do programa computacional <italic>WordSmith Tools</italic>, geramos as concordâncias tomando por nódulo o referido vocábulo na obra <italic>A Hora da Estrela</italic>. Por este motivo e pela importância do vocábulo na obra de Clarice Lispector, optamos por investigá-lo. Comparamos o vocábulo “vida” no texto original com seus respectivos textos traduzidos para a língua inglesa e italiana, a fim de analisar as semelhanças e diferenças encontradas no tocante às traduções literais, variações e omissões. Também, como mencionamos anteriormente, utilizaremos quatro das onze características a respeito da normalização do texto traduzido de <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>), a fim de enriquecer nosso estudo.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results|discussion">
			<title>3. Discussão e Análise de Resultados</title>
			<p>Apresentamos abaixo as traduções literais, variações e omissões encontradas nas traduções para o inglês e italiano em relação ao texto original.</p>
			<p><italic>Vocábulo recorrente e preferencial “vida” e as traduções literais para o inglês “life” e para o italiano “vita”</italic></p>
			<p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>[...] Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a <italic><underline>vida</underline></italic>. </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>One molecule said yes to another molecule and <underline>life</underline> was born.</italic></p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>Una molecola ha detto sì a un'altra molecola ed è nata la <underline>vita</underline>.</italic></p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>Em relação aos exemplos apresentados acima, podemos notar as traduções literais utilizadas no inglês <italic>“life”</italic> e no italiano <italic>“vita”</italic> em 42 das 58 ocorrências do vocábulo recorrente e preferencial “vida” no texto original, isto quer dizer que na maioria das vezes os tradutores optaram por utilizar consciente ou inconscientemente a tradução literal em seus textos traduzidos. A única diferença que evidenciamos na tradução para o inglês em relação ao texto original é que o vocábulo <italic>“life”</italic> foi utilizado anteriormente ao verbo, diferindo do texto fonte, porém, sabemos que a única forma possível na ordem dos constituintes para a língua inglesa é essa: sujeito + verbo. Já, acerca da tradução para o italiano no que tange ao texto original, notamos que a estrutura se assemelha ao texto fonte, isto é, empregou-se o verbo e o vocábulo “vida”.</p>
			<p><italic>Vocábulo recorrente e preferencial “vida”, a variação para o inglês “existence” e a tradução literal para o italiano “vita”</italic></p>
			<p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>[...] É dever meu, nem que seja de pouca arte, o de revelar-lhe a <italic><underline>vida</underline></italic>. </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>It is my duty, however unrewarding, to confront her with her own <underline>existence</underline>.</italic></p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>E ho il dovere, malgrado la modestia del mio talento, di rivelarle la <underline>vita</underline>.</italic></p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>No tocante aos excertos ilustrados acima, podemos comentar que se trata de uma das 6 ocorrências do vocábulo recorrente e preferencial “vida”, empregando a variação para o inglês <italic>“existence”</italic> e a tradução literal para o italiano <italic>“vita”.</italic> Também, notamos as similaridades de <italic>“It is my duty”</italic> (“É dever meu”) e <italic>“di rivelarle la vita”</italic> (“de revelar-lhe a vida”) com o texto original.</p>
			<p>Quanto às diferenças acerca do texto original, encontramos nas traduções para o inglês de “nem que seja de pouca arte” (<italic>“however unrewarding”</italic>) e “o de revelar-lhe a vida” (<italic>“to confront her with her own existence”</italic>), bem como nas traduções para o italiano de “É dever meu” (<italic>“E ho il dovere”</italic>) e “nem que seja de pouca arte” (<italic>“malgrado la modestia del mio talento”</italic>). Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>), estes distanciamentos dizem respeito a outras mudanças na tradução, a fim de que os textos traduzidos possam tornar-se mais fluentes nas línguas de chegada, podendo ser considerados inteligíveis. Também podemos comentar que a variação do vocábulo “vida” no texto traduzido para a língua inglesa pode ser observada ainda como uma mudança na tradução, uma vez que o tradutor opta consciente ou inconscientemente por modificar o vocábulo em seu texto de chegada.</p>
			<p><italic>Vocábulo recorrente e preferencial “vida”, a omissão para o inglês do vocábulo e a tradução literal para o italiano “vita”</italic></p>
			<p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>Por que não agia sempre assim na <italic><underline>vida</underline></italic>? </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>Why hadn't she always behaved like this___ ?</italic></p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>Perché non agiva sempre così nella <underline>vita</underline>?</italic></p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>Com relação à omissão para o inglês do vocábulo “vida”, observamos que houve duas ocorrências no texto traduzido. Acerca das diferenças entre texto original e traduzido para o inglês, apresentamos um dos exemplos acima, em que podemos notar que o tradutor Giovanni Pontiero não utilizou a tradução do vocábulo recorrente e preferencial “vida” em sua tradução, fazendo uso da omissão. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>), uma das características de um texto normalizado é o emprego da omissão no texto traduzido, com a finalidade de que o texto não se torne redundante, uma vez que o vocábulo “vida” se encontra implícito na tradução para a língua inglesa.</p>
			<p>Já, a profissional Adelina Aletti empregou a tradução literal do vocábulo recorrente e preferencial “vida” em seu texto traduzido para o italiano, assemelhando-se ao texto original. Quanto à estrutura do trecho, notamos que tanto Pontiero quanto Aletti aproximam-se da estrutura do trecho original, não havendo variação, com exceção da omissão efetuada por Pontiero do vocábulo recorrente e preferencial “vida”. </p>
			<p>Também, pudemos notar as diferenças de tempo verbal entre o texto original “não agia” (pretérito imperfeito) e o texto traduzido para a língua inglesa “<italic>hadn’t behaved</italic>” (passado perfeito simples). Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>), podemos comentar que se referem a outras mudanças na tradução, com a finalidade de que os textos traduzidos possam tornar-se mais fluentes e ou inteligíveis nas línguas de chegada.</p>
			<p><italic>Vocábulo recorrente e preferencial “vida” e as variações para o inglês “existence” e para o italiano “esistenza”</italic></p>
			<p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>Será que entrando na semente de sua <italic><underline>vida</underline></italic> estarei como que violando o segredo dos faraós?</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>Is it possible that in penetrating the seeds of her <underline>existence</underline>, I am violating the secrets of the Pharaohs?</italic></p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>E penetrare nell'intimo della sua <underline>esistenza</underline> non sarà come violare il segreto dei faraoni?</italic></p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>Acerca dos excertos apresentados acima, podemos notar que tanto Pontiero quanto Aletti não utilizaram traduções literais em seus textos traduzidos, respectivamente, para o inglês e italiano, fazendo uso da variação, diferindo do texto original. Verifica-se também que os tradutores não fizeram uso da tradução literal do trecho “Será que” (<italic>“Is it possible that”</italic>e <italic>“E”</italic>) e do verbo “entrando” (<italic>“penetrating”</italic> e <italic>“penetrare”</italic>), variando-os. Percebe-se que também houve respectivamente omissão e variação do verbo “estarei” (<italic>“</italic>___<italic>”</italic> e <italic>“non sarà”</italic>), na tradução para a língua inglesa e italiana, como ainda variação do vocábulo “semente” (<italic>“intimo”</italic>) na tradução para o italiano, diferenciando- se do texto original. Também, podemos inferir aqui que, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>), as variações podem ser observadas como outras mudanças na tradução, a fim de que os textos de chegada sejam mais fluentes para os leitores.</p>
			<p><italic>Vocábulo recorrente e preferencial “vida”, a variação para o inglês “form” e a tradução literal para o italiano “vita”</italic></p>
			<p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>[...] um dia viverei aqui a <italic><underline>vida</underline></italic> de uma molécula com seu estrondo possível de átomos.</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>I shall one day assume the <underline>form</underline> of a molecule with its potential explosion of atoms.</italic></p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>Materia porosa, un giorno io qui vivrò la <underline>vita</underline> di una molecola con la sua possibile esplosione in atomi.</p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>No tocante aos trechos ilustrados acima, podemos constatar que o tradutor Giovanni Pontiero não utilizou a tradução literal do vocábulo recorrente e preferencial em seu texto traduzido, variando-a. Já, Adelina Aletti optou por usar a tradução literal em seu texto traduzido, aproximando-se do texto original. Pudemos notar acerca das diferenças entre texto original e textos traduzidos que tanto Pontiero quanto Aletti empregaram a variação na tradução do substantivo “estrondo” (<italic>“explosion”</italic>; <italic>“esplosione”</italic>). Também, verifica-se que Pontiero fez uso da variação em sua tradução para o verbo “viverei” (<italic>“assume”</italic>) e adjetivo “possível” (<italic>“potential”</italic>). No que diz respeito às variações, notamos que de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>), tratam-se de mudanças na tradução, com a finalidade de que os textos traduzidos tendem a ficar mais fluentes para seu público alvo.</p>
			<p>No que tange à omissão/acréscimo, observa-se que Pontiero omitiu o advérbio de lugar “aqui” em seu texto traduzido. Por sua vez, Aletti adicionou o trecho “<italic>Materia porosa</italic>” em sua tradução. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>), uma das características do texto normalizado é o uso de omissão/acréscimo no texto traduzido, com o intuito de tornar a tradução mais acessível ao seu leitor, explicando e/ou omitindo algo que talvez estivesse implícito no texto original e/ou no texto traduzido.</p>
			<p><bold>
 <italic>Vocábulo recorrente e preferencial “vida”, a variação para o inglês “living” e a tradução literal para o italiano “vita”</italic> 
</bold></p>
			<p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>[…] Incompetente para a <italic><underline>vida</underline></italic>. </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>Inept for <underline>living</underline></italic>. </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>Incompetente nei confronti della <underline>vita</underline></italic>. </p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>Acerca dos trechos apresentados acima, verifica-se que o profissional Giovanni Pontiero não utilizou a tradução literal em seu texto traduzido, variando-o. Já, a tradutora Adelina Aletti decidiu usar a tradução literal, assemelhando-se ao texto original. Também, além da variação observada por Pontiero na tradução do vocábulo “vida”, podemos observar que o adjetivo </p>
			<p>“Incompetente” (<italic>“Inept”</italic>) foi variado na tradução para o inglês, bem como a preposição e o artigo “para a” (<italic>“della”</italic>) na tradução para o italiano. Nota-se, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>), que a variação diz respeito a uma das características do texto normalizado, que corresponderia a outras mudanças na tradução, com a finalidade de tornar o texto mais fluente para seu respectivo público.</p>
			<p>Pudemos também verificar que Aletti adicionou a preposição + artigo + a expressão “<italic>nei confronti</italic>” em sua tradução para a língua italiana, a fim de que o texto traduzido se tornasse mais acessível e inteligível ao seu público. Retomando <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>), podemos mencionar que o uso de omissão/acréscimo no texto traduzido diz respeito a uma das características do texto normalizado.</p>
			<p><italic>Vocábulo recorrente e preferencial “vida”, a variação para o inglês “history” e a tradução literal para o italiano “vita”</italic></p>
			<p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>[…] Agora (explosão) em [...] rapidíssimos traços desenharei a <italic><underline>vida</underline></italic> pregressa da moça até o momento do espelho do banheiro.</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>Now (bang) with a few rapid strokes I shall delineate the girl's previous <underline>history</underline> up to the moment when she stood before the mirror in the lavatory.</italic></p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>Ora (esplosione) con rapidissimi tratti disegnerò la <underline>vita</underline> precedente della ragazza fino al momento dello specchio in bagno.</italic></p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>Com referência aos excertos ilustrados acima, podemos notar que o tradutor Giovanni Pontiero não utilizou a tradução literal do vocábulo recorrente e preferencial em seu texto traduzido, variando-o. Por seu turno, a profissional Adelina Aletti optou por usar a tradução literal em seu texto traduzido, assemelhando-se ao texto original.</p>
			<p>No tocante às diferenças, verificam-se as variações na tradução para a língua inglesa de “em rapidíssimos traços” (<italic>“few rapid strokes”</italic>) e “desenharei” (<italic>“I shall delineate”</italic>), bem como variações na tradução para a língua italiana das preposições “em” (“<italic>con</italic>”) e “do” (“<italic>in</italic>”). Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>), a variação diz respeito à característica de outras mudanças na tradução, a fim de deixar o texto normalizado na língua de chegada. Também pudemos observar o acréscimo do trecho “<italic>when she stood before”</italic> na tradução para a língua inglesa. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>), a adição constatada no texto traduzido para a língua inglesa é igualmente um dos traços do texto normalizado: omissão/acréscimo, com o intuito de contribuir para um texto mais acessível ao seu leitor da língua de chegada.</p>
			<p><italic>Vocábulo recorrente e preferencial “vida”, a variação para o inglês “nature” e a equivalência para o italiano “vita”</italic></p>
			<p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>Pensando bem: quem não é um acaso na <italic><underline>vida</underline></italic>? </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>And if one thinks about it carefully, aren't we all mere accidents of <underline>nature</underline>?</italic></p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>Pensandoci bene: chi nella <underline>vita</underline> non è un caso?</italic></p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>No que tangem os trechos apresentados acima, nota-se que o tradutor Giovanni Pontiero não utilizou a tradução literal do vocábulo recorrente e preferencial em seu texto traduzido, variando-o (<italic>“nature”</italic>). Já, a profissional Adelina Aletti optou por usar a mesma tradução literal, assemelhando-se ao texto original.</p>
			<p>Também, verificam-se diferenças no que tange ao trecho original “Pensando bem: quem não é um acaso na vida?” na tradução para o inglês ( <italic>“And if one thinks about it carefully, aren’t we all mere acidentes of nature?”</italic>) e a troca da posição do vocábulo “vida” na tradução para o italiano (<italic>“vita non è um caso?”</italic>). De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>), podemos inferir que o distanciamento observado na tradução para a língua inglesa do trecho original “Pensando bem: quem não é um acaso na vida?” pode ser descrito como uma das características do texto normalizado, outras mudanças na tradução, com a finalidade de deixar o texto mais acessível na língua de chegada. Quanto à mudança de ordem do vocábulo “vida” no texto traduzido para o italiano, podemos mencionar que diz respeito ao traço de alterações em estruturas complexas de um texto normalizado, isto é, a reordenação de elementos, a fim de contribuir para um texto mais fluente e inteligível para seus leitores das línguas traduzidas. A ordem das palavras nas frases contribui expressivamente para a compreensão do leitor, uma vez que, “a ordem dos elementos em uma estrutura pode ser modificada para ajudar a carga de memória e facilitar o processamento” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">QUIRK et al 1985</xref>, apud <xref ref-type="bibr" rid="B27">SCOTT 1998</xref>: 150). </p>
			<p><italic>Vocábulo recorrente e preferencial “vida”, a variação para o inglês “inhabitants” e a tradução literal para o italiano “vita”</italic></p>
			<p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>[...] Lá é que não piso pois tenho terror sem nenhuma vergonha do pardo pedaço de <italic><underline>vida</underline></italic> imunda.</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>To be frank, I am terrified of that dark hole and its depraved <underline>inhabitants</underline></italic>. </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>Luogo dove mi guardo bene dal metter piede per il mio terrore, che non ho vergogna di dichiarare, nei confronti di quel bigio pezzo di <underline>vita</underline> immonda</italic>. </p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>Acerca dos excertos ilustrados acima, verifica-se que o profissional Giovanni Pontiero não utilizou a tradução literal do vocábulo recorrente e preferencial em seu texto traduzido, variando-o (<italic>“inhabitants</italic>)<italic>”</italic>. Por seu turno, a tradutora Adelina Aletti usou a mesma tradução literal, assemelhando-se ao texto original.</p>
			<p>No tocante às diferenças, igualmente notam-se variações para a língua inglesa dos trechos “Lá é que não piso” (<italic>“To be frank”</italic>), “do pardo pedaço de vida imunda” (“<italic>of that dark hole and its depraved inhabitants</italic>”), bem como do verbo + substantivo “tenho terror” (“<italic>am terrified</italic>”). Por sua vez, em relação às variações para a língua italiana, podemos observar que houve variação do advérbio de negação + verbo “não piso” (“<italic>mi guardo bene dal metter piede</italic>”), da conjunção + verbo + substantivo “pois tenho terror” (“<italic>per il mio terrore</italic>”), como também da preposição + pronome + substantivo “sem nenhuma vergonha” (“<italic>che non ho vergogna</italic>”). Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>), a variação diz respeito a outras mudanças na tradução, com propósito de contribuir para que o texto se torne mais fluente e inteligível para seu leitor de língua de chegada.</p>
			<p>Com relação à omissão/acréscimo, constatamos omissões da conjunção “pois”, bem como da preposição + pronome + substantivo “sem nenhuma vergonha”) na tradução para a língua inglesa. No que tangem às adições para a língua italiana, pudemos examinar a preposição + verbo <italic>“di dichiarare”</italic>, como também a preposição + artigo + substantivo <italic>“nei confronti”</italic>. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>), a omissão/acréscimo possui a finalidade de oferecer um texto mais acessível para seu público alvo , normalizando-o.</p>
			<p>Vocábulo recorrente e preferencial “vida”, a variação para o inglês “society” e a tradução literal para o italiano “vita” </p>
			<p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>Este dente lhe dava posição na <italic><underline>vida</underline></italic>. </p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>A gold tooth gave him some standing in <underline>society</underline>.</italic></p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>Quel dente gli conferiva una posizione nella <underline>vita</underline>.</italic></p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>No que tange aos trechos apresentados acima, podemos notar que o tradutor Giovanni Pontiero não utilizou a tradução literal do vocábulo recorrente e preferencial em seu texto traduzido, variando-a. (<italic>“society”</italic>). Já, a profissional Adelina Aletti optou por usar a mesma tradução literal, assemelhando-se ao texto original.</p>
			<p>Também, acerca das diferenças, verificam-se respectivamente a variação do pronome “Este” na tradução para a língua inglesa (“<italic>A</italic>”) e a variação do verbo “dava” (“<italic>conferiva</italic>”) para a língua italiana. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>), as variações são consideradas outras mudanças na tradução e podem ser observadas como traços de um texto normalizado, a fim de deixar o texto mais fluente e/ou inteligível para seu leitor final. Com relação ao acréscimo/omissão, notam-se as adições na tradução para o inglês do pronome <italic>“some”</italic> e do adjetivo <italic>“gold”</italic>, bem como da omissão do artigo “a” no texto traduzido “<italic>in</italic>” (“na vida” = “<italic>in society</italic>”). Por seu turno, na tradução para o italiano, constata-se a adição do pronome <italic>“una”.</italic> De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>), a omissão/acréscimo possui a finalidade de oferecer um texto mais acessível para seu público alvo, normalizando-o, conforme sua língua de chegada.</p>
			<p><italic>Vocábulo recorrente e preferencial “vida”, a variação para o inglês “human character” e a tradução literal para o italiano “vita”</italic></p>
			<p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>[…] Quanto a mim, autor de uma <italic><underline>vida</underline></italic>
 <bold>,</bold> me dou mal com a repetição: a rotina me afasta de minhas possíveis novidades.</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>Speaking for myself, the author of this <underline>human character</underline>, I cannot stand repetition</italic>: routine divides me from potential novelties within my reach.</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p><italic>Quanto a me, che sono l'artefice di una <underline>vita</underline>, la ripetizione mi impaccia: la quotidianità mi allontana da mie eventuali novità.</italic></p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>No tocante aos excertos ilustrados acima, observa-se que o profissional Giovanni Pontiero não utilizou a tradução literal do vocábulo recorrente e preferencial em seu texto traduzido, variando-a (<italic>“human character”</italic>). Por seu turno, a tradutora Adelina Aletti decidiu usar consciente ou inconscientemente a mesma tradução literal, assemelhando-se ao texto original.</p>
			<p>Acerca das diferenças, verifica-se que quanto ao excerto original (“Quanto a mim” e “...me dou mal com a repetição: a rotina me afasta de minhas possíveis novidades”), houve variação nos trechos para a língua inglesa (<italic>“Speaking for myself”</italic> e “...<italic>I cannot stand repetition</italic>: routine divides me from potential novelties”). Por sua vez, nota-se na tradução para o italiano as variações do substantivo autor (“<italic>artefice”</italic>), do trecho “me dou mal com a repetição” (“<italic>la ripetizione mi impaccia</italic>”), bem como do adjetivo “possíveis” (“<italic>eventuali</italic>”). No que diz respeito à adição, pudemos notar os acréscimos do artigo “<italic>the</italic>” em “ autor de minha vida”, como também da preposição + adjetivo possessivo + substantivo <italic>“within my reach”</italic> em “a rotina me afasta de minhas possíveis novidades ___ ” na tradução para a língua inglesa. Já, no texto traduzido para o italiano, verifica-se a adição de preposição + verbo + artigo “<italic>che sono l'”</italic> em “___ autor de uma <underline>vida</underline>”. No que tange aos distanciamentos entre textos original e traduzidos, podemos inferir que segundo <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>) tratam-se de características de normalização, ou seja, outras mudanças na tradução e omissão/acréscimo, com a finalidade do tornar os textos de chegada mais fluentes e/ou inteligíveis para seu respectivo público.</p>
			<p>Em relação às semelhanças, percebe-se as aproximações entre substantivo + preposição “autor de” (“<italic>author of</italic> “), bem como do substantivo “rotina” (“r<italic>outine</italic>”) na tradução para a língua inglesa. Por seu turno, no tocante às semelhanças com o texto traduzido para a língua italiana, pudemos notar os trechos “Quanto a mim” (<italic>“Quanto a me”</italic>) e “a rotina me afasta de minhas” (“<italic>la quotidianità mi allontana da mie</italic>”), como também o substantivo “novidades” (“<italic>novità</italic>”).</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>Acerca das semelhanças e diferenças entre a obra original e as traduzidas para o inglês e o italiano, percebe-se que há mais aproximações entre a obra original e a traduzida para o italiano, no que diz respeito à tradução do vocábulo recorrente e preferencial selecionado para análise. Talvez seja pelo fato de o vocábulo “vida” ser de extrema importância nas obras de Clarice, além de ser o significado do nome da autora em hebraico (<xref ref-type="bibr" rid="B18">GOTLIB, 2004</xref>). Lispector vai em busca de autoafirmação, sentido de sua existência, indagando-se, sendo, portanto, uma das razões pelas quais a autora utiliza a repetição do vocábulo “vida” em sua obra. Também, a repetição é uma característica nas obras clariceanas e, desse modo, a tradutora opta consciente ou inconscientemente por utilizar o mesmo vocábulo em sua tradução para o italiano, com exceção apenas de uma ocorrência, em que faz uso da variação.</p>
			<p>Por sua vez, em relação à obra original e a traduzida para o inglês, verificamos mais distanciamentos acerca da tradução do vocábulo recorrente e preferencial selecionado para esta investigação, isto é, foram utilizadas treze variações e duas omissões do vocábulo recorrente e preferencial selecionado para este estudo. Podemos constatar por meio dos exemplos apresentados de variação e omissão por parte do profissional Giovanni Pontiero, que os tradutores, em especial na tradução literária, são muito mais livres para traduzir seu texto, passando para a língua alvo da forma que acreditam que será mais compreensível para seu leitor, usando estratégias para tal, tendo a liberdade de variar ou não o vocábulo, omiti-lo ou não, deixando suas marcas no texto novo, a fim de tornar o texto mais fluente na língua de chegada.</p>
			<p>Acreditamos que a variação do vocábulo por parte do tradutor Giovanni Pontiero não trouxe perda na tradução do vocábulo recorrente e preferencial selecionado para análise. Porém, em nível de tradução, podemos observar que um determinado vocábulo pode ser variado ou omitido e não perder a essência do texto original. Também, julgamos que seja relevante notar como a língua inglesa, no caso da tradução do vocábulo recorrente e preferencial “vida” selecionado para análise, é rica e, o tradutor Giovanni Pontiero, em questão, pôde utilizar respectivamente treze e duas ocorrências de variação e omissão, mantendo o sentido do texto original. Por seu turno, podemos constatar que as traduções literais foram utilizadas no texto traduzido em 42 das 58 ocorrências; isto quer dizer que na maioria das vezes o tradutor optou por utilizar consciente ou inconscientemente a tradução literal em seu texto meta, fazendo uso também da repetição.</p>
			<p>Também, pudemos verificar além das traduções do vocábulo recorrente e preferencial selecionado para investigação, outros exemplos observados nos trechos extraídos para análise de variação (“Será que” = <italic>“Is it possible that”</italic>e <italic>“E”</italic>), acréscimo (“<italic>when she stood before”</italic> e “<italic>Materia porosa</italic>”) e omissão (“estarei” para a língua inglesa = <italic>“___”</italic>), nos quais novamente pudemos averiguar que os tradutores possuem liberdade em sua tradução, desde que o texto traduzido mantenha a fidelidade ao texto original, transmitindo um sentido similar.</p>
			<p>A fim de enriquecer nossa investigação, nos valemos ainda do estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B27">Scott (1998</xref>) a respeito da normalização, no qual pudemos constatar que as traduções para a língua inglesa e para a língua italiana, respectivamente por Giovanni Pontiero e Adelina Aletti apresentam alterações em uma estrutura complexa, outras mudanças na tradução e, omissões/acréscimos, com a finalidade de deixar os textos mais fluentes e/ou inteligíveis para seus leitores, de acordo com as normas das línguas de chegada.</p>
			<p>Esperamos que esta análise tenha despertado o interesse de novos pesquisadores para os estudos da tradução baseados em corpus e que possa contribuir com pesquisas futuras dentro desta área. Dessa forma, mostra-se a importância do corpus paralelo para a observação da tradução do vocábulo recorrente e preferencial selecionado para esta investigação, como a que empreendemos, por apresentarem resultados com maior precisão e sistematicidade, uma vez que abordamos os textos traduzidos e o texto original conjunta e individualmente, sendo possível examinar não apenas o comportamento linguístico dos dois tradutores em questão, como também da autora, com relação à obra selecionada para análise.</p>
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					<year>1999</year>
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				<mixed-citation>SERPA, T.; ROCHA, C.F. Olhares de estranhamento de Clarice Lispector em língua inglesa: análise da obra A Legião Estrangeira com base em um corpus focado no conto “Os desastres de Sofia”. Revista do GEL. São José do Rio Preto, v. 16, n. 2, pp. 57-79, 2019.</mixed-citation>
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					<article-title>Olhares de estranhamento de Clarice Lispector em língua inglesa: análise da obra A Legião Estrangeira com base em um corpus focado no conto “Os desastres de Sofia”</article-title>
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				<mixed-citation>SINCLAIR, J. Beginning the study of lexis. In: BAZELL, C. E. (Ed.). In Memory of J R Firth. London: Longman , 1966.</mixed-citation>
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					<chapter-title>Beginning the study of lexis</chapter-title>
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				<mixed-citation>_______. Corpus, Concordance and Collocation. Oxford: Oxford University Press, 1991.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>SOUZA LIMA, T.C. de. A tradução e os prazeres de descobrir o mundo de Clarice Lispector. 237 f. Dissertação (Mestrado em Estudos Linguísticos)- Universidade Estadual Paulista, São José do Rio Preto, 2004.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>_______. Vocábulos fundantes de Clarice Lispector extraídos de duas obras da autora e características de normalização em suas respectivas traduções. Estudos Linguísticos, São Paulo, v. 47, p. 615-626, 2018.</mixed-citation>
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					<article-title>Vocábulos fundantes de Clarice Lispector extraídos de duas obras da autora e características de normalização em suas respectivas traduções</article-title>
					<source>Estudos Linguísticos</source>
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				<mixed-citation>TOURY, G. The nature and role of norms in literary translation. In: VENUTI, L. (Ed.). The Translation Studies Reader. London e New York: Routledge , pp. 198-213, ([1978], 2000).</mixed-citation>
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				<mixed-citation>TOURY, G. Descriptive Translation Studies and Beyond. Amsterdam &amp; Philadelphia: John Benjamins, 1995.</mixed-citation>
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					<source>Descriptive Translation Studies and Beyond</source>
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				<mixed-citation>TYMOCZKO, M. Computerized corpora and the future of Translation Studies. Meta. 43:4. Montreal: Les Presses de L’Université de Montreal, pp. 652-659, 1998.</mixed-citation>
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					<article-title>Computerized corpora and the future of Translation Studies</article-title>
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			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Informações extraídas de Kinder (1997: 161-162).</p>
			</fn>
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				<label>2</label>
				<p>Informações extraídas de Kinder (1997: 161-162).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Informações extraídas de Kinder (1997: 161-162).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Informações extraídas do website <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.bol.it/libri/autore?tipoContrib=TR&amp;codPers=0081234">http://www.bol.it/libri/autore?tipoContrib=TR&amp;codPers=0081234</ext-link>, em 03/08/06.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>“corpus <italic>now means primarily a collection of texts held in machine-readable form and capable of being analysed automatically or semi-automatically in a variety of ways”</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B5">BAKER 1995</xref>: 225 - “tradução nossa<italic>”</italic>)</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p><italic>Translation has traditionally been viewed as a second-rate activity, not worthy of serious academic enquiry, and why translated texts have been regarded as no more than second-hand and distorted versions of ‘real’ texts. [...] translated texts are neither inferior nor superior [...] They are however different, and the nature of this difference needs to be explored and recorded. (</italic><xref ref-type="bibr" rid="B4"><italic>BAKER 1993</italic></xref><italic>: 233-234 - “tradução nossa”).</italic></p>
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			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p><italic>“… to illuminate both similarity and difference and to investigate in a manageable form the particulars of language-specific phenomena of many different languages and cultures. ”</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B36">TYMOCZKO 1998</xref>: 657 - “tradução nossa”).</p>
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