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				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Revista de Tradução e Terminologia</abbrev-journal-title>
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				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9511.v28i0p297-317</article-id>
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					<subject>Articles</subject>
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				<article-title>O léxico regional na obra <italic>Os sertões</italic> e sua tradução para o espanhol</article-title>
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					<trans-title>The regional lexicon in Os sertões and its spanish translation</trans-title>
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						<given-names>Geovanio Silva do</given-names>
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						<surname>Barreiros</surname>
						<given-names>Patrício Nunes</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>2</sup></xref>
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				<label>1</label>
				<institution content-type="original">Docente do IF Baiano, Bahia, Brasil. Mestrando do Programa de Pós Graduação em Estudos Linguísticos da UEFS. E-mail: geovanio.nascimento@si.ifbaiano.edu.br.</institution>
				<institution content-type="orgname">IF Baiano</institution>
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				<label>2</label>
				<institution content-type="original">Doutor pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador - BA. Professor Adjunto do Departamento de Letras e Artes da UEFS. Docente do PPGEL/UEFS, Feira de Santana-BA, Brasil. E-mail: patricio@uefs.com.</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">PPGEL</institution>
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					<city>Feira de Santana</city>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>23</day>
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				<year>2023</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
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			<volume>28</volume>
			<fpage>297</fpage>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>O trabalho que ora apresentamos corresponde aos resultados preliminares da pesquisa que tem como objetivo investigar a tradução do léxico regional da língua portuguesa do nordeste brasileiro tomando como corpus <italic>Os sertões</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B11">CUNHA 2002</xref>) e sua tradução para a língua espanhola (SANTOS 1980). Trata-se de uma investigação pautada nos princípios científicos da lexicologia (ISQUERDO; <xref ref-type="bibr" rid="B14">OLIVEIRA 1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">IZQUERDO 2007</xref>), investigação esta que pretende inventariar o vocabulário regional, estruturando-o em campos lexicais (<xref ref-type="bibr" rid="B9">COSERIU 1991 [1977]</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B8">1979</xref>) para em seguida analisar como este mesmo vocabulário foi traduzido para a língua espanhola com base na discussão sobre modalidades de tradução (<xref ref-type="bibr" rid="B4">AUBERT 1998</xref>, 2006). Sabe-se que o léxico de uma língua pode ser difundido de várias maneiras e que a literatura é uma delas. A obra de Euclides da Cunha, utilizada como corpus desta pesquisa, ultrapassou as fronteiras do Brasil e da língua portuguesa, de modo a ser traduzida para vários idiomas e culturas, dando a conhecer a realidade sociocultural do nordeste por meio de um léxico regional. Este estudo contribui para melhor compreender o português brasileiro, assim como para entender de que maneira a realidade social do nordeste está sendo traduzida para outras culturas e contextos.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>The work we are to present corresponds to the preliminary results of an investigation that aims to study the translation of regional lexicon of Brazilian northeast Portuguese, taking as corpus <italic>Os sertões</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B11">CUNHA 2002</xref>) and its translation into Spanish. It is an investigation guided by the Lexicology scientific principles (IZQUERDO; <xref ref-type="bibr" rid="B14">OLIVEIRA 1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">ISQUERDO 2007</xref>) and it intends to schedule the regional vocabulary, structuring it in Lexical Fields (<xref ref-type="bibr" rid="B9">COSERIU 1991 [1977]</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B8">1979</xref>) in order to analyze how this very vocabulary was translated into Spanish considering the discussions on Translation Modalities (<xref ref-type="bibr" rid="B4">AUBERT 1998</xref>, 2006). It is known that a language lexicon can be spread in many ways and that literature is one of those. Euclides da Cunha’s work transcended Brazilian and Portuguese language frontiers, being translated into various languages and cultures, fact responsible for letting people know Brazilian northeast sociocultural reality through its regional lexicon. This study might contribute to a better understanding when it comes to Brazilian Portuguese and to comprehend how the Brazilian northeast social reality is being translated into other cultures and contexts.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>léxico regional</kwd>
				<kwd>campos lexicais</kwd>
				<kwd>modalidades de tradução</kwd>
			</kwd-group>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Regional Lexicon</kwd>
				<kwd>Lexical Fields</kwd>
				<kwd>Translation Modalities</kwd>
			</kwd-group>
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		<sec>
			<title>Contextualização da pesquisa</title>
			<p>Esta pesquisa se situa no âmbito de um projeto mais amplo, denominado <italic>A tradução do vocabulário do sertão baiano para a língua espanhola: banco de dados e construção de um dicionário online bilíngue</italic> e coordenado pelo Prof. Dr. Patrício Nunes Barreiros da Universidade Estadual de Feira de Santana; um projeto que visa estudar o vocabulário do português do nordeste brasileiro e a tradução daquele para a língua espanhola. O <italic>corpus</italic> do projeto em questão é constituído por narrativas literárias que tratam do nordeste brasileiro e que foram traduzidas para o espanhol. Os objetivos de tal estudo são mapear a tradução da cultura nordestina para a língua espanhola, principalmente no âmbito do vocabulário; analisar o tratamento dado a este vocabulário nas traduções; criar um sistema eletrônico de banco de dados de consulta ao vocabulário inventariado; e elaborar um dicionário eletrônico bilíngue.</p>
			<p>Nesse sentido, o trabalho que ora apresentamos corresponde aos resultados preliminares de uma pesquisa em andamento, com foco na tradução de um vocabulário regional da língua portuguesa, tomando como <italic>corpus Os sertões</italic> de Euclides da <xref ref-type="bibr" rid="B11">Cunha (2002</xref> [1902]) e sua tradução para a língua espanhola, empreendida por Santos (1980). <italic>Os sertões</italic> foi publicado em 1902 e está entre as obras mais representativas da cultura regional nordestina. O livro teve grande projeção nacional, sendo uma das obras literárias brasileiras mais conhecidas internacionalmente, fato que projeta a cultura do sertão baiano por meio de traduções em vários idiomas.</p>
			<p>O livro trata da guerra de Canudos, confronto entre o exército brasileiro e os participantes do movimento popular de fundo religioso liderado por Antônio Conselheiro e ocorrido na comunidade de Canudos, no interior da Bahia, em 1897. Canudos era uma pequena aldeia às margens do rio Vaza- Barris, a qual começou a crescer com a chegada do Conselheiro, que foi quem rebatizou a cidade com o nome de Belo Monte. O conflito foi instaurado quando o Estado republicano, com apoio dos grandes proprietários de terras, não aceitou que os habitantes de Canudos deixassem de pagar impostos. Antônio Conselheiro era um crítico do sistema republicano, contra a cobrança de impostos, contra o casamento civil; intitulava a si mesmo um mensageiro de Deus contra as injustiças sociais.</p>
			<p>O arraial de Canudos representava uma ameaça para a República, recentemente proclamada. Dentre os inimigos de Canudos estavam o Estado e a Igreja católica que, como bem revela <xref ref-type="bibr" rid="B5">Baroni (2011</xref>: 2) não admitiria jamais o comando de um líder religioso não designado por ela. Insuflado pela Igreja e pela ideia de que Conselheiro era um monarquista financiado por nações estrangeiras, o governo republicano enviou um total de quatro expedições de soldados para que pudessem desarticular o projeto de Antônio Conselheiro e seus fieis sertanejos que se insurgiam em tropas armadas. Dessas investidas armadas, três falharam. A quarta expedição, com mais de quatro mil homens sob o comando do General Artur Oscar de Andrade Guimarães, conseguiu, após vários combates e dias de resistência, dominar os jagunços<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>. No entanto, conselheiro já estaria morto não pela ação dos militares e sim por complicações na saúde.</p>
			<p>Para registrar a expedição contra Canudos, o carioca Euclides da Cunha foi contratado pelo jornal <italic>O Estado de São Paulo.</italic> Escritor, tenente do exercito, repórter jornalístico e engenheiro, acompanhou de perto as investidas das tropas do governo contra Antônio Conselheiro. O autor, apesar de ter participado apenas da última expedição e de ter ficado pouco tempo em Canudos, observou e descreveu elementos da região de Canudos e seus arredores, tais como plantas, animais, minerais, expressões populares, clima, formas das cidades e das montanhas, pessoas, dentre outros que irão, mais tarde, constituir os seus escritos.</p>
			<disp-quote>
				<p>Ele anota expressões nordestinas e nomes de acidentes geográficos, árvores, arbustos. Aprendemos com ele que “árvore mais garranchenta” é aquela “que tem mais galhos”. Que “jabá” é “carne seca do Rio Grande” e que “carne sertão” é “carne seca do Ceará”. Euclides copia rezas e profecias do Conselheiro; ditados e quadrinhas populares reproduzidos da forma como foram escritos (...) Na atenção que dedica à fala e aos costumes do sertanejo - um tipo de material que outros desprezariam - percebe-se uma curiosa afinidade, uma rude e estranha afeição que vai sendo construída aos poucos ao longo se suas anotações (MEDEIROS 2009: 7)</p>
			</disp-quote>
			<p>Em 1902, Euclides da Cunha publicou <italic>Os sertões (campanha de Canudos)</italic>, que foi muito bem recebido, apesar de algumas críticas. Posteriormente, a obra foi publicada em vários idiomas, como espanhol, chinês, alemão, francês, inglês, italiano, entre outros. Sobre a tradução de obras nacionais para línguas estrangeiras, argumenta <xref ref-type="bibr" rid="B22">Sorá (2005</xref>: 253, tradução nossa):</p>
			<disp-quote>
				<p>A tradução e edição de autores estrangeiros marca uma entrada decisiva na legitimação internacional das culturas nacionais. Toda história literária nacional se inicia com a tradução da literatura &quot;universal&quot;. Com a edição de autores e suas obras estrangeiras consagrados, criando a possibilidade de calibrar a literatura representativa da nação, de elevá-la ao nível de outras, de fazê-la conhecida, de disponibilizá-la para sua tradução.<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>A tradução de obras e autores brasileiros, principalmente da literatura, tornou possível o conhecimento do país e de suas regiões. Essa possibilidade conferiu às obras e a seus autores um caráter de representatividade de uma cultura, processo que ajudou a consolidá-los, dentro e fora dos limites do país, como representantes da literatura universal.</p>
			<p>Assim, um acordo firmado entre Brasil e Argentina, no tocante a traduções português-espanhol/espanhol-português em 1930, impulsionou o “mútuo reconhecimento cultural entre brasileiros e argentinos”<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B22">SORÁ 2005</xref>: 255, tradução nossa). Nessas condições, dá-se a primeira tradução de <italic>Os sertões</italic> para o espanhol, por Benjamim de Garay (1938), que além deste livro foi responsável pela tradução de outros títulos brasileiros.</p>
			<p>Com o título <italic>Los sertones,</italic> Benjamin de Garay<italic>,</italic> incentivado pelo acordo Brasil-Argentina, inicia uma tradição de traduções e versões em língua estrangeira do livro de Euclides da Cunha sobre a Guerra de Canudos, segundo estudo feito por <xref ref-type="bibr" rid="B3">Araújo (2002</xref>). Dessa forma, e levando em consideração que as obras literárias regionais do nordeste brasileiro pretendem ser um retrato escrito da cultura desta região no tocante a práticas sociais, modos de falar e de usar a língua, entre outros, emerge de todo esse movimento, uma questão que motiva esta pesquisa: como o vocabulário específico da região nordeste - e, por conseguinte, a cultura desta região - foi tratado no que diz respeito à tradução da obra para a língua espanhola?</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Fundamentação teórica e metodológica</title>
			<p>A precisão com que o jornalista Euclides da Cunha utilizou os termos representantes de uma realidade individual da qual ele não fazia parte impressiona quem busca conhecer seu texto. O leitor se depara com uma escrita que mescla o erudito, o técnico e o estritamente local em um texto que, à maneira do escritor, é minucioso nas descrições. Esses termos, por sua vez, são, nas palavras de <xref ref-type="bibr" rid="B7">Corrêa (2003</xref>: 95) o “resultado de uma interação social e ideológica (...) consequência da nossa experiência como falante, do nosso conhecimento antropológico-cultural”.</p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B21">Simon (s/d)</xref>
			</p>
			<disp-quote>
				<p>Quanto ao léxico, a obra de Euclides da Cunha é um capítulo à parte na literatura nacional por (...) reunir terminologia científica, brasileirismos e palavras tidas como pertencentes à linguagem literária; palavras raras, arcaísmos e neologismos (...)</p>
			</disp-quote>
			<p>Isso fica evidente em trechos como o que se destaca a seguir:</p>
			<disp-quote>
				<p>No pino dos verões, um pé de macambira é para o matuto sequioso um copo d’água cristalina e pura. Os <italic>caroás</italic> verdoengos, de flores triunfais e altas; (...) As <italic>napóleas</italic> e <italic>cactos</italic>, nativas em toda parte, entram na categoria das fontes vegetais, de Saint-Hilaire (<xref ref-type="bibr" rid="B11">CUNHA 2002</xref>: 49)</p>
			</disp-quote>
			<p>Vê-se nos trechos acima que Euclides da Cunha utiliza alguns termos que descrevem elementos próprios da região - pé de macambira, matuto, <italic>caroás</italic>, <italic>napóleas</italic> - que ele buscava conhecer e dar a conhecer através do texto que estava por escrever. O uso de vocabulário próprio da região é uma característica do autor que, no ímpeto de querer descrever com a maior fidedignidade possível tudo o que vê e com o que tem contato, lança mão dessa estratégia para aproximar seu texto da realidade local. Dessa maneira, <italic>Os sertões</italic> contribuiu e ainda contribui para a difusão dos termos culturalmente marcados no contexto do nordeste brasileiro.</p>
			<p>Na 5ª edição do livro (2002), utilizada para este trabalho, vê-se, ao longo do texto, palavras que se relacionam estritamente com a realidade local escritas em itálico, o que nos faz supor o desconhecimento destas em outros contextos. Além disso, em algumas passagens, o próprio autor revela a pouca difusão em nível nacional de alguns desses elementos. “As <italic>favelas</italic>, anônimas ainda na ciência - ignoradas dos sábios, conhecidas demais pelos tabaréus - talvez um futuro gênero <italic>cauterium</italic> das leguminosas (...)” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">CUNHA 2002</xref>: 50, grifo nosso). Essa passagem revela que o conhecimento do termo - <italic>favela</italic> - estava sócio-culturalmente restrito e que seus conhecedores - os tabaréus - eram, também, específicos<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>. Para além do exposto, vale ressaltar os vários glossários e notas de rodapé feitos pelo próprio autor que estão nas várias edições do livro, incluindo a edição que utilizamos nesse trabalho.</p>
			<p>As diferentes maneiras de falar aportam à língua portuguesa brasileira características não encontradas no português ibérico, por exemplo, ou no português de Angola. O contrário também é verdade. Porém, há que se pensar não apenas nas diferenças entre países. As diversas localidades dentro de um mesmo país apresentam variações. Essas variações são expressas também - senão mais fortemente - no nível lexical. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B15">Oliveira (1998</xref>: 111) “(...) a variante brasileira do português não se apresenta homogênea, verificando-se, no nível lexical, ‘marcas’ regionais, algumas vezes bastante especificas de uma dada região”. Também, <xref ref-type="bibr" rid="B14">Oliveira e Isquerdo (1998</xref>) definem léxico levando sempre em consideração a relação existente entre língua, cultura e sociedade; relação intrínseca e indissociável, assaz cara às ciências do léxico.</p>
			<disp-quote>
				<p>O léxico, saber partilhado que existe na consciência dos falantes de uma língua, constitui-se no acervo do saber vocabular de um grupo sócio-linguístico-cultural. (...) esse nível da língua é o que mais deixa transparecer os valores, as crenças, os hábitos e costumes de uma comunidade (...) Em vista disso, o léxico de uma língua conserva uma estrita relação com a história cultural da comunidade (...) Assim, na medida em que o léxico recorta a realidade de mundo, define, também, fatos da cultura (<xref ref-type="bibr" rid="B14">OLIVEIRA; ISQUERDO 1998</xref>: 7)</p>
			</disp-quote>
			<p>Ainda sobre o vocabulário regional, <xref ref-type="bibr" rid="B13">Isquerdo (2007</xref>: 198) esclarece que remete a unidades lexicais cujo uso é restrito a determinadas regiões, sendo estas também conhecidas como léxico cultural, o que evidencia momentos históricos caracterizadores de uma subcomunidade linguística a partir de algumas ‘marcas’ culturais. A autora apresenta ainda uma diferenciação entre o léxico cultural e o vocabulário comum de caráter geral que, segundo ela, é atualizado em praticamente todo o território onde a língua é usada. De modo a ser, portanto, um vocabulário fundamental usado na comunicação cotidiana.</p>
			<p>Esses elementos que carregam a história social de um povo geográfica e culturalmente localizado trazem dificuldades de entendimento mesmo dentro da própria língua. No livro <italic>Os sertões</italic>, para tentar dirimir os problemas de entendimento do léxico cultural, o autor utiliza algumas notas de rodapé, a fim de exprimir as experiências imanentes do signo cultural. Numa outra perspectiva - a da tradução - os problemas no entendimento desses elementos são ampliados, ou seja, se por um lado, na língua de partida existem problemas no que tange ao entendimento de tais termos, consequentemente, quando eles são traduzidos, os problemas se agigantam.</p>
			<p>Sabe-se que os tradutores são “sujeitos que contribuem para a circulação cultural, portando ideias, experiências ou práticas culturais entre diferentes horizontes sociais”<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B16">PASERO 2004</xref>: 95, tradução nossa). O ofício do tradutor não é uma tarefa fácil, pois “certos elementos da mensagem (...) serão filtrados pela falta da mesma correspondência cultural” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">CORRÊA 2003</xref>: 97).</p>
			<p>No trabalho aqui desenvolvido, decidimos, como dito antes, fazer um estudo lexicológico do 1º capítulo da 5ª Edição d’<italic>Os sertões</italic> de Euclides da <xref ref-type="bibr" rid="B11">Cunha (2002</xref>), nomeadamente <italic>A TERRA</italic> e seu correspondente em espanhol, LA TIERRA, no livro <italic>Los sertones,</italic> traduzido por Santos (1980)<italic>.</italic> No que diz respeito aos estudos do léxico, Barreiros e Barreiros (2015) asseveram que “no Brasil, os estudos lexicais têm seguido três perspectivas que delimitam as pesquisas realizadas: Formação de Palavras, Vocabulário de Especialidades (de grupos ou obras) e Terminologia.”. Considerando, ainda, que a perspectiva que diz respeito ao vocabulário de especialidades é de base estruturalista e repousa sobre a teoria dos campos lexicais, proposta por Eugenio <xref ref-type="bibr" rid="B9">Coseriu (1991 [1977]</xref>), este trabalho reclama para si essa discussão por tratar da análise e da descrição de vocabulários usados dentro de uma obra escrita<italic>.</italic></p>
			<p>Sobre os campos lexicais, Coseriu diz que </p>
			<disp-quote>
				<p>(…) é, do ponto de vista estrutural, um paradigma léxico que resulta da distribuição de um conteúdo léxico contínuo entre diferentes unidades dadas na língua como palavras e que se opõem de maneira imediata umas com as outras, por meio de características diferentes mínimas<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref> (1991 [1977]: 146, tradução nossa)</p>
			</disp-quote>
			<p>Deste modo, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B1">Abbade (2009</xref>), as palavras adquirem determinado significado a partir do significado de suas vizinhas conceituais, que por sua vez participam de uma estrutura maior. Essas palavras não encontram sentido se estão isoladas pela necessidade de se relacionarem dentro de um campo conceitual. No campo lexical ainda há uma relação de coordenação e hierarquia das quais o pesquisador não pode prescindir para um estudo ordenado.</p>
			<p>Assim sendo, em primeiro lugar, procedemos com a leitura, identificação e inventariação, na obra em português, do macrocampo <italic>flora</italic>. O macrocampo é o campo superior onde vão se agrupar outros campos (microcampos) e, por conseguinte, as lexias referentes a este. Fixamo-nos no vocabulário de caráter regional. Observamos um total de 82 usos em contextos diversos de 58 lexias. Delas, escolhemos 6 para a análise do tratamento da tradução no livro em espanhol.</p>
			<p>Para tentar definir se uma lexia tinha caráter regional ou não na língua portuguesa, fizemos uma busca em obras de caráter lexicográfico da época de publicação da primeira edição do livro <italic>Os sertões</italic> (1902). As obras em questão foram o <italic>Dicionário da língua brasileira</italic> de Luiz Maria da <xref ref-type="bibr" rid="B20">Silva Pinto, publicado em 1832</xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B20">SILVA 1832</xref> [2015]); <italic>Vocabulario brasileiro para servir de complemento aos diccionarios da língua portugueza</italic> de Braz da Costa <xref ref-type="bibr" rid="B19">Rubim, de 1853</xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B19">RUBIM 1853</xref>); <italic>O dialecto caipira: gramática, vocabulário</italic> de Amadeu <xref ref-type="bibr" rid="B2">Amaral, de 1920</xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B2">AMARAL 1920</xref>). Percebemos, com a busca, que as lexias não se encontravam registradas nessas obras.</p>
			<p>Além disso, o texto traduzido traz pistas da possibilidade ou não do vocabulário ter uma relação intrínseca com a realidade extralinguística a que se refere, isto devido às várias marcações, como itálico e notas de rodapé, na tentativa de explicar e referenciar os termos que, por descreverem elementos de uma dada realidade, suscitam essas dificuldades.</p>
			<p>Passamos à análise desse vocabulário na obra traduzida. Buscamos os trechos correspondentes ao contexto de uso da lexia no livro em língua portuguesa. Selecionamos esses fragmentos textuais e os comparamos com o texto em Português. No que diz respeito à analise da tradução, faz-se mister evidenciar os estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B4">Aubert (1998</xref>) sobre modalidades de tradução, que propõem 13 modalidades tradutórias e as descreve com objetividade.</p>
			<p>Não cabe, neste trabalho, discutir detalhadamente essas modalidades de tradução, haja vista que o próprio autor já o faz em seus textos (<xref ref-type="bibr" rid="B4">AUBERT 1998</xref>; 2006). Por outro lado, é necessário dizer que resgataremos adiante as explanações feitas pelo autor sobre as modalidades que foram identificadas para este estudo.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title><bold>O inventário lexicográfico do macrocampo <italic>fauna</italic>
</bold></title>
			<p>Neste trabalho, ativemo-nos ao 1º capítulo da obra em português e em espanhol, respectivamente, <italic>Os sertões</italic> e <italic>Los sertones: la tragédia del hombre derrotado por el médio</italic>. O capítulo I foi escolhido para o trabalho e elegemos o macrocampo <italic>fauna</italic> para exemplificar nosso estudo. Desse macrocampo, no capítulo I, identificamos 58 lexias e, dessas lexias, escolhemos 6 para análise. Essa quantidade de lexias foi o recorte ideal para o presente artigo. Para identificação das lexias como regionais ou não, fizemos uma busca pelo registro de tais lexias em obras lexicográficas de língua portuguesa num intervalo de 50 anos antes da publicação de <italic>Os sertões</italic> e 50 anos depois.</p>
			<p>Observada a não existência de registro dessas lexias nessas obras, examinamos como as primeiras foram tratadas na obra traduzida para o espanhol. Consideramos o contexto em que a lexia estava inserida em português e buscamos o mesmo contexto na língua meta; identificamos também as propensões do tradutor em usar as modalidades tradutórias (<xref ref-type="bibr" rid="B4">AUBERT 1998</xref>, 2006) a fim de observar de que recursos ele lançou mão para executar a tradução.</p>
			<p>Tudo isso ajudou, também, na identificação da lexia como pertencente ao macrocampo escolhido, além de apontar para a direção de que os obstáculos de tradução apresentados revelam a <italic>impossibilidade,</italic> por assim dizer, de transpor as experiências e os conhecimentos antropológico-culturais imanentes nas lexias.</p>
			<p>A pesquisa resultou na apresentação de um quadro com as lexias seguindo os critérios de organização:</p>
			<disp-quote>
				<p>I. a coluna esquerda diz respeito à lexia retirada do livro em português. Em contrapartida, na coluna do lado direito está a lexia do livro em espanhol;</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>II.a primeira linha do quadro consta da referência das obras de acordo com a descrição do item “i”;</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>III.na coluna da esquerda, a escrita da palavra, no que se refere a maiúscula/minúscula, segue a escrita do livro, mas foram destacadas com negrito, acompanhada da escrita moderna entre colchetes. À sua frente está a definição. Essa definição registra que a palavra está dicionarizada na língua correspondente a cada coluna da tabela;</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>IV.Utiliza-se o sinal Ø:</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>a. na entrada: para ressaltar que a lexia não foi registrada na tradução;</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>b. na descrição: para indicar que a lexia não está dicionarizada na língua estrangeira.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>V. Após a descrição da entrada, está a abonação e a página em que aparecem as lexias;</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>VI. As lexias se apresentam no quadro na mesma ordem em que aparecem na obra;</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>VII. Na coluna da esquerda, destacamos a lexia com negrito. Quando ela aparece em itálico, esse destaque é do livro. Para a coluna da direita adotamos o mesmo destaque, quando possível;</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>VIII. Após o contexto, podem aparecer explicitações necessárias que fazem referência ao conteúdo do texto, como notas de rodapé, notas do autor, explicações, referências etc. Sempre que for necessário um desses segmentos, eles serão separados por uma barra horizontal.</p>
			</disp-quote>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Quadro 1</label>
					<caption>
						<title>Relação das lexias que compõem o macrocampo <italic>flora</italic></title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="left"><bold>PORTUGUÊS</bold></th>
								<th align="left"><bold>ESPANHOL</bold></th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left">CUNHA, Euclides da. <italic>Os sertões</italic>. 5ª edição. Rio de Janeiro: Record, 2002 [1902].</td>
								<td align="left">CUNHA, Euclides da. <italic>Los sertones. La tragédia del hombre derrotado por el médio</italic>. Tradução de Estela Santos. Caracas: Biblioteca Ayacucho, 1980.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>ouricurizeiros</bold> [licurizeiro] - Planta da família das palmeiras de onde se extrai o ouricuri (aricuri).</td>
								<td align="left"><bold>
 <italic>ouricurizeiros</italic> 
</bold> - Ø</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(...) Intercorrem ainda paragens menos estéreis, e nos trechos em que se operou a decomposição <italic>in situ</italic> do granito, originando algumas manchas argilosas, as copas virentes dos <bold>ouricurizeiros</bold> circuitam - parênteses breves abertos na aridez geral - as bordas das ipueiras. <bold>(</bold>2002: 22 <bold>)</bold></td>
								<td align="left"> (...) Aún aparecen parajes menos estériles y en los lugares donde se operó una descomposición <italic>in situ</italic> del granito, originando algunas manchas arcillosas, las copas verdes de los <bold>
 <italic>ouricurizeiros</italic> 
</bold> rodean - breves paréntesis abiertos en la aridez general - las orillas de las <italic>ipueiras.</italic> 
 <bold>(</bold>1980: 12 <bold>)</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>icozeiros</bold> - Pequena árvore brasileira, da família das Caparidáceas considerada venenosa e perigosa para o gado equino, característica da caatinga nordestina.</td>
								<td align="left"><bold>
 <italic>icozeiros</italic> 
</bold> - Ø</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(...) Pequenos arbustos, <bold>icozeiros</bold> virentes viçando em tufos intermeados de palmatórias de flores rutilantes, davam ao lugar a aparência exata de algum velho jardim em abandono. Ao lado uma árvore única, uma quixabeira alta, sobranceando a vegetação franzina. <bold>(</bold>2002: 39<bold>)</bold></td>
								<td align="left">(…) Pequenos arbustos, <bold>
 <italic>icozeiros</italic> 
</bold> verdes creciendo en ramas entremezcladas con palmas de flores rutilantes, le daban al lugar la exacta apariencia de un viejo jardín abandonado. Un solo árbol, una quixabeira alta, reinaba sobre la vegetación achaparrada. (1980: 22)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>quixabeira</bold> - Árvore lactescente muito difundida na caatinga. Suas folhas e frutos são comida do gado na época da seca.</td>
								<td align="left"><bold>
 <italic>quixabeira</italic> 
</bold> - Ø</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(...) Pequenos arbustos, icozeiros verdes viçando em tufos intermeados de palmatórias de flores rutilantes, davam ao lugar a aparência exata de algum velho jardim em abandono. Ao lado uma árvore única, uma <bold>quixabeira</bold> alta, sobranceando a vegetação franzina. <bold>(</bold>2002: 39<bold>)</bold></td>
								<td align="left">(...) Pequeños arbustos, <italic>icozeiros</italic> verdes creciendo en ramas entremezcladas con palmas de flores rutilantes, le daban al lugar la exacta apariencia de un viejo jardín abandonado. Un solo árbol, una <bold>
 <italic>quixabeira</italic> 
</bold> alta, reinaba sobre la vegetación achaparrada. <bold>(</bold>1980: 22<bold>)</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>favelas</bold> - Arbusto ou árvore de ramos lenhosos de folhas sinuosas e denteadas, flores brancas, contém sementes da qual se faz farinha rica em proteínas e sais minerais. É conhecida também como mandioca-brava.</td>
								<td align="left"><bold>
 <italic>favelas</italic> 
</bold> - Ø</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">As <bold>favelas</bold>, anônimas ainda na ciência - ignoradas dos sábios, conhecidas demais pelos tabaréus - talvez um futuro gênero <italic>cauterium</italic> das leguminosas (...) <bold>(</bold>2002: 50<bold>)</bold></td>
								<td align="left">Las <bold>
 <italic>favelas</italic>
</bold> , todavía anónimas para la ciencia - ignoradas de los sabios, en demasía conocidas por los <italic>tabaréus</italic> - quizá un futuro género <italic>cauterium</italic> de las leguminosas (…) (1980: 29)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>pé de macambira</bold> - Planta da família das Bromeliáceas, encontrada nas regiões mais quentes e secas das caatingas brasileiras, contém reservas de água e vive associada com o xiquexique.</td>
								<td align="left"><bold>bromeliáceas</bold> - dicho de una hierba o mata del grupo de los angiospermas por lo común anual y casi siempre parásita</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">No pino dos verões, um <bold>pé de macambira</bold> é para o matuto sequioso um copo d’água cristalina e pura. Os caroás verdoengos, de flores triunfais e altas; os gravatás e ananases bravos, traçados em touceiras impenetráveis, copiam-lhe a mesma forma ensiformes, lisas e lustrosas, como a da maioria dos vegetais sertanejos (...) <bold>(</bold>2002: 48<bold>).</bold></td>
								<td align="left"> Las aguas que huyen en el correr salvaje de los torrentes, o entre las capas inclinadas de pizarra, quedan retenidas por largo tiempo en las membranas de las bromeliáceas, avivándolas*. Los <italic>caroás</italic> verdosos, de flores triunfales y elevadas; los <italic>gravatás</italic> y los ananás salvajes, cerrados en tortuosidades impenetrables, copian las mismas formas, hechas adrede para esos parajes estériles. Sus hojas lisas y lustrosas, como las de la mayor parte de los vegetales sertanejos (...). <bold>(</bold>1980: 29<bold>).</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">*En el pináculo del verano, una planta de <italic>macambira</italic> es para el <italic>matuto</italic> sediento como un vaso de agua cristalina y pura (N. de T .)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>quipás</bold> [guibá] - vegetação nativa do Brasil, de caule articulado, epiderme rugosa e flores solitárias; é agressiva ao tato.</td>
								<td align="left"><bold>
 <italic>quipás</italic> 
</bold> - Ø</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> (...) E a vasta família, revestindo todos os aspectos, decai, a pouco e pouco, até os <bold>quipás</bold> reptantes, espinhosos, humílimos, trançados sobre a terra à maneira de espartos de um capacho dilacerador, às <italic>ripsálides</italic> serpeantes, flexuosas, como víboras verdes pelos ramos, de parceia com os frágeis cactos epífitas, de um glauco empalecido, presos por adligantes aos estípites dos ouricurizeiros, fugindo do solo bárbaro para o remanso da copa da palmeira. <bold>(</bold>2002: 52<bold>)</bold></td>
								<td align="left"> (...) Y la vasta familia capaz de adquirir todos los aspectos, va decayendo poco a poco, hasta los <bold>
 <italic>quipás</italic> 
</bold> reptantes, espinosos, humildísimos, aferrados a la tierra como fibras de una alfombra humillada; las ramas serpeantes, flexibles como víboras verdes por el suelo, amigándose con los frágiles ouricuriseiros, huyendo del suelo bárbaro en busca del remanso de la copa de la palmera. <bold>(</bold>1980: 31<bold>)</bold></td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Nenhuma dessas lexias está dicionarizada na língua espanhola, ainda que na coluna da direita registre-se a lexia <italic>bromeliáceas</italic> como equivalente de tradução para pé de macambira. Esse fato se torna relevante quando o que está em discussão é o “(...) sistema de realizações obrigatórias consagradas social e culturalmente” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">COSERIU 1979</xref>: 5). Essa discussão proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B8">Coseriu (1979</xref>) revela a problemática em torno do que se pode ou não dizer numa língua a partir do conhecimento antropológico-cultural.</p>
			<p>Esse conhecimento está marcado pela relação com o mundo circundante e tem significado e representatividade para a experiência de uma dada comunidade e distanciamento para outra. Nesses termos é que se salienta o distanciamento cultural na tentativa de recuperação do sentido pela autora/tradutora quando usa <italic>bromeliáceas</italic> como equivalente de tradução para pé de macambira.</p>
			<p>O caso da lexia <italic>favela</italic> é bastante elucidativo. As lexias estão registradas tanto no português como em espanhol. O <italic>DRAE - Diccionário de la Real Academia Española</italic> e o <italic>CORPES - Corpus del Español del Siglo XXI</italic>, disponíveis em rede, registram o uso da lexia, porém, à diferença do português, no espanhol ela tem apenas uma acepção. O DRAE diz que a palavra é originária do português brasileiro (PB) e registra uma acepção aproximada da definição mais usada atualmente no português: <italic>favela</italic> enquanto <italic>aglomeração de casebres com pouca ou nenhuma infraestrutura, caracterizado pela pobreza; barraco</italic>. Entretanto, neste trabalho, referindo-se ao contexto de onde foi extraído, a lexia remete à flora da região, como já indicado a partir da estruturação de campos lexicais.</p>
			<p>A origem do nome “favela” para se referir a esse conglomerado urbano é explicada pela história da Guerra de Canudos. Próximo a Canudos havia o Morro da favela, que recebeu esse nome pela abundância de uma planta (<italic>Cnidoscolus quercifolius</italic>) que produzia suas sementes em forma de favos. Após a Guerra de Canudos, alguns soldados, de volta ao Rio de Janeiro, deixaram de receber seus salários e se aglomeraram no Morro da providência em instalações precárias. Logo depois o morro ficou conhecido como Morro da favela, em referência ao Morro da cidade baiana, e então os casebres passaram a serem chamados de favelas.</p>
			<p>Para tradução em espanhol do termo <italic>favela</italic>, a autora utilizou uma estratégia que, nos estudos de Aubert (2006) sobre modalidades de tradução, foi denominada <italic>espelhamento</italic> em sua subcategoria <italic>empréstimo</italic>. O <italic>espelhamento</italic> acontece quando um segmento do texto original aparece no texto meta “sem alterações ou com pequenas alterações gráficas e/ou morfossintáticas” (AUBERT 2006: 64). Segundo o autor, ele se divide em <italic>empréstimo e decalque.</italic> Como dito antes, a estratégia da autora foi a utilização do subtipo <italic>empréstimo</italic> que, para Aubert (2006), trata-se de um seguimento do texto fonte reproduzido no texto meta com ou sem marcadores específicos de empréstimos (aspas, itálico, negrito etc.).</p>
			<p>No caso da lexia <italic>favela</italic>, verifica-se que a modalidade <italic>empréstimo</italic> combina-se com uma “conversão em tipo itálico” (1998: 123). No mesmo texto em espanhol, as palavras <italic>ouricurizeiros</italic>, <italic>icozeiros</italic>, <italic>quixabeira</italic> e <italic>quipás</italic> passaram pelo mesmo processo de tradução.</p>
			<p>Um caso interessante é o da lexia <italic>bromeliáceas,</italic> que faz referência a <italic>pé de macambira</italic>. A autora, além de fazer uso da <italic>equivalência</italic> - a reescrita interpretativa na ótica da cultura de recepção <bold>-</bold> por meio da <italic>modulação</italic>, utiliza-se da <italic>literalidade</italic> por meio da <italic>explicitação</italic>. Nesses casos, o autor define a estratégia utilizada pela autora como híbrida, haja vista que era possível identificar várias modalidades de tradução na língua meta para dar conta da tradução de um vocábulo. Isso em oposição à modalidade “pura”.</p>
			<p>Para Aubert (2006: 108)</p>
			<disp-quote>
				<p>Registra-se como modulação a solução tradutória que resulta em uma alteração perceptível na estrutura semântica de superfície, embora retenha fundamentalmente o mesmo efeito geral de sentido denotativo, no contexto em questão. Dito de outro modo, na modulação expressa-se a ‘cultura linguística’, o modo de dizer peculiar a determinado complexo língua-cultura, os idiomatismos de expressão, de significado, de conotação. (...) entendesse a mesma coisa por outros caminhos, com manifestação de outras sensibilidades, outros tons.</p>
			</disp-quote>
			<p>Sendo o pé de macambira da família das bromeliáceas, no caso da tradução feita pela autora, é possível recuperar parte do significado da lexia. Porém, a autora utiliza uma nota de rodapé explicitando informações contidas no texto fonte identificáveis pelos elementos textuais apresentados. A estratégia utilizada para traduzir pé de macambira por planta de <italic>macambira</italic> é designada, dentro das modalidades de tradução, como uma <italic>explicitação</italic> que, segundo Aubert (2006: 65), “representa uma tentativa de assegurar a literalidade semântica, mediante o recurso da construções parafrásticas (aposto explicativo, nota de rodapé, ou de fim, glossário final)”.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Conclusões</title>
			<p>Buscou-se, no trabalho em tela, apresentar o cotejamento de parte do vocabulário regional presente no livro <italic>Os sertões,</italic> comparando com a sua tradução em espanhol. A proposta de organização de uma pequena amostra desse vocabulário foi baseada, principalmente, na estruturação de campos lexicais - no caso em questão o macrocampo <italic>flora</italic>. Frente ao exposto, observamos uma grande dificuldade de se traduzir as lexias do vocabulário regional do sertão para a língua espanhola de maneira que esta tradução não afastasse tanto o significado na língua meta do significado da língua de partida.</p>
			<p>Essas dificuldades se apresentaram sobretudo por não existir, na língua meta, lexias que tivessem relação direta de significado com as lexias apresentadas, já que essa ideia de equivalência de sentido é por si só uma divergência para os teóricos que discutem traduzibilidade. Além disso, no que diz respeito à utilização das modalidades de tradução, não há uma unanimidade. O que há é a tentativa de superar as dificuldades tradutórias desses termos, os quais carregam, em seu bojo, a experiência antropológico- cultural e sócio-histórica de uma comunidade.</p>
			<p>Das lexias escolhidas, cinco - <italic>ouricurizeiros/</italic>ouricurizeiros; <italic>icozeiros</italic>/ icozeiros; <italic>quixabeira</italic>/quixabeira; <italic>favelas</italic>/favelas; e <italic>quipás</italic>/quipás - tiveram um tratamento na tradução a partir da modalidade de <italic>espelhamento</italic> através de <italic>empréstimo</italic> com conversão em itálico. Esse é mais um sintoma das dificuldades encontradas pelos tradutores em achar na língua meta uma correspondência, passando, assim, a utilizar a mesma palavra da língua de partida, com uma marcação para indicar que a lexia em questão tem seu referente em um contexto particular.</p>
			<p>Por fim, <italic>Bromeliáceas/</italic>pé de macambira <italic>-</italic> a autora utilizou-se de uma modalidade híbrida: <italic>equivalência</italic> por meio da <italic>explicitação</italic> e <italic>literalidade</italic> por meio da <italic>explicitação</italic>, com nota de autor em pé de página. Mais um indício das dificuldades de se recuperar sentidos próprios de termos marcados pela representação de uma realidade particular.</p>
			<p>Toda essa discussão nos leva a pensar em algumas proposições no que diz respeito às possibilidades de criação de um dicionário online a partir da estruturação do vocabulário regional presente na obra:</p>
			<disp-quote>
				<p>1. As traduções do vocabulário regional cotejado são suficientemente representativas para que se possa utilizá-las numa possível obra lexicográfica bilíngue português-espanhol?</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>2. Que outras possibilidades de tradução podemos utilizar para que os problemas apresentados na discussão em tela sejam minimizados e as traduções tenham o seu significado o mais aproximado possível do original e tenham sentido na língua meta?</p>
			</disp-quote>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências bibliográficas</title>
			<ref id="B1">
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				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ABBADE</surname>
							<given-names>Celina Márcia De Souza</given-names>
						</name>
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					<source>Um estudo lexical do primeiro manuscrito da culinária portuguesa medieval: o livro de cozinha da infanta D.Maria</source>
					<publisher-loc>Salvador</publisher-loc>
					<publisher-name>Quarteto</publisher-name>
					<year>2009</year>
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				<mixed-citation>AMARAL, Amadeu. O dialecto caipira. São Paulo: Casa editora, 1920.</mixed-citation>
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							<surname>AMARAL</surname>
							<given-names>Amadeu</given-names>
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					<source>O dialecto caipira</source><bold>.</bold><publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
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					<year>1920</year>
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							<surname>ARAÚJO</surname>
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					<article-title>Comentários sobre as várias edições d’os sertões, de Euclides da Cunha</article-title>
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					<comment>Ano II</comment>
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							<surname>AUBERT</surname>
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					<article-title>Modalidades de Tradução: teoria e resultados</article-title>
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					<source>Guerra de Canudos: uma leitura euclidiana</source>
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							<surname>BARREIROS</surname>
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				<mixed-citation>______. Os Sertões. 5. ed. Rio de Janeiro: Record, 2002.</mixed-citation>
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					<publisher-name>Record</publisher-name>
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				<mixed-citation>FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.</mixed-citation>
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			<ref id="B13">
				<mixed-citation>ISQUERDO, Aparecida Negri; ALVES, Ieda Maria (Orgs.). As Ciências do Léxico. Lexicologia, Lexicografia, Terminologia. Campo Grande: Humanitas, 2007.</mixed-citation>
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					<comment>Lexicologia, Lexicografia, Terminologia</comment>
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					<year>2007</year>
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				<mixed-citation>OLIVEIRA, Ana Maria Pinto Pires de. Regionalismos brasileiros: a questão da distribuição geográfica. In: OLIVEIRA, Ana Maria P. P. de; ISQUERDO, Aparecida N. (Orgs.). As Ciências do Léxico: lexicologia, lexicografia, terminologia. Campo Grande: UFMS, 1998.</mixed-citation>
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					<chapter-title>Regionalismos brasileiros: a questão da distribuição geográfica</chapter-title>
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				<mixed-citation>______. Brasileirismos e Regionalismos. Alfa, São Paulo, 1998, p.109-120.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>PASERO, CARLOS ALBERTO. Los límites de la lengua. Benjamim de Garay y la praxis de la traducción. Graphos, Revista de Pós Graduação em Letras - UFPB, João Pessoa, 2004, p. 95-100.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>REAL ACADEMIA ESPAÑOLA. Diccionario de la lengua española. 23. ed. Madrid, España, 2014.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>&quot;&gt;REAL ACADEMIA ESPAÑOLA. Corpus del español del siglo XXI (CORPES). Libros y prensa [Recurso de Internet], Madrid. Disponível em: &lt; <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.rae.es/recursos/banco-de-datos/corpes-xxi">http://www.rae.es/recursos/banco-de-datos/corpes-xxi</ext-link>
					</comment>&gt;. Acesso em: junho de 2013.</mixed-citation>
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					<source>Corpus del español del siglo XXI (CORPES)</source>
					<comment>Libros y prensa [Recurso de Internet]</comment>
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					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2013-06-00">Acesso em: junho de 2013</date-in-citation>
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				<mixed-citation>RUBIM, Braz da Costa. Vocabulário brasileiro para servir de complemento aos diccionarios da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Emp. Typ. Dous de Dezembro de Paula Brito Impressor da Casa Imperial, 1853.</mixed-citation>
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					<source>Vocabulário brasileiro para servir de complemento aos diccionarios da língua portuguesa</source>
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					<year>1853</year>
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			<ref id="B20">
				<mixed-citation>SILVA, Pinto, Luiz Maria da. Dicionário da língua Brasileira. Ouro Preto: Typographia de Silva. 1832. Disponível em: &lt;<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.brasiliana.usp.br/handle/1918/02254100">http://www.brasiliana.usp.br/handle/1918/02254100</ext-link>
					</comment>&gt;. Acesso em 20 de junho de 2015.</mixed-citation>
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					<source>Dicionário da língua Brasileira</source>
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					<year>1832</year>
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			<ref id="B21">
				<mixed-citation>SIMON, Maria Lucia Mexias. Características da linguagem de Euclides da Cunha em “Os Sertões”. Disponível em: &lt;<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.filologia.org.br/revista/artigo/7(23)04.htm">http://www.filologia.org.br/revista/artigo/7(23)04.htm</ext-link>
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					<source>Características da linguagem de Euclides da Cunha em “Os Sertões”</source>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.filologia.org.br/revista/artigo/7(23)04.htm">http://www.filologia.org.br/revista/artigo/7(23)04.htm</ext-link>
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					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2014-10-21">Acesso em: 21 out 2014</date-in-citation>
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			<ref id="B22">
				<mixed-citation>SORÁ, Gustavo. Una cuestión de Estado: la traducción del pensamiento social nacional entre Argentina y el Brasil (1935-1950). Revista de Investigaciones Literarias y Culturales, vol. 13, Caracas. 2005, p. 253 - 281.</mixed-citation>
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					<article-title>Una cuestión de Estado: la traducción del pensamiento social nacional entre Argentina y el Brasil (1935-1950)</article-title>
					<source>Revista de Investigaciones Literarias y Culturales</source>
					<volume>13</volume>
					<publisher-loc>Caracas</publisher-loc>
					<year>2005</year>
					<fpage>253 </fpage>
					<lpage> 281</lpage>
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		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Segundo Calasans (1970: 33), “(...) no tempo da guerra de Canudos, os seguidores de (...) Antônio Conselheiro (...) ganharam a denominação de jagunços”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>“La traducción y edición de autores extranjeros marca un umbral decisivo en la legitimación internacional de las culturas nacionales. Toda historia literaria nacional se inicia con la traducción de literatura “universal”. Con la edición de autores y obras extranjeras consagrados, se crea la posibilidad de calibrar la literatura representativa de la nación, de elevarla a nivel de otras, de darla a conocer, de disponerla para su traducción”</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>“mutuo reconocimiento cultural entre brasileños y argentinos”</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>O significado do termo <italic>favela,</italic> na obra <italic>Os sertões,</italic> será apresentado no <xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref>, deste artigo</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>“sujetos que contribuyen a la circulación cultural portando ideas, experiências o prácticas culturales entre distintos horizontes sociales”</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>“(…) és, desde el punto de vista estructural, un paradigma léxico que resulta de la repartición de un contenido léxico continuo entre diferentes unidades dadas en la lengua como palabras y que se oponen de manera inmediata unas a las otras, por medio de rasgos distintivos mínimos.”</p>
			</fn>
		</fn-group>
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