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  PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article article-type="research-article" dtd-version="1.1" specific-use="sps-1.9" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
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		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">tradterm</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Revista de Tradução e Terminologia</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="ppub">2317-9511</issn>
			<issn pub-type="epub">2317-9511</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
			</publisher>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9511.v27i0p201-216</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Articles</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>A (in)visibilidade do intérprete: a representação de Abed em <italic>Notas sobre Gaza</italic></article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>The translator’s (in)visibility: the representation of Abed in Footnotes in Gaza</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Nascimento</surname>
						<given-names>Gabriela C.T.N.</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref>
				</contrib>
				<aff id="aff1">
					<label>*</label>
					<institution content-type="original">Professora de inglês e tradutora. gabriela.tn@gmail.com</institution>
					<email>gabriela.tn@gmail.com</email>
				</aff>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>03</day>
				<month>08</month>
				<year>2023</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<month>09</month>
				<year>2016</year>
			</pub-date>
			<volume>27</volume>
			<fpage>201</fpage>
			<lpage>216</lpage>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
				</license>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>O papel do intérprete, tradutor, guia ou “faz tudo”, é muitas vezes omitido em zonas de conflito. Dificilmente se vê a representação de tradutores, intérpretes e linguistas em matérias jornalísticas. No entanto, para conseguir transmitir uma notícia, coletar dados, documentos e entrevistar testemunhas, é fundamental contar com a companhia de um intérprete local em contextos de guerra. Com o propósito de melhor exemplificar a importância de mediador linguístico e cultural, um dos muitos papéis que o intérprete assume, escolheu-se o livro Notas sobre Gaza, de Joe Sacco, trabalho relevante nas esferas jornalística, literária e linguística, que traz diversos elementos do ofício de tradutores e intérpretes. A reconstrução de memórias, lembranças e eventos da guerra são coladas e remendadas com a ajuda de Abed, o intérprete de Sacco em sua segunda visita à Gaza. A alteridade e a identidade aparecem na narrativa. O tom autobiográfico da reportagem se mistura com o olhar objetivo de jornalista formando uma obra singular. O intérprete, que antes era desconhecido, se torna visível para o leitor, bem como para a mídia. Assim, alguns exemplos da representação de Abed mostram a situação de (in)visibilidade do intérprete e quão delicado e perigoso é o seu trabalho.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>The role of the interpreter, translator, guide or fixer is often omitted in conflict zones. The representation of translators, interpreters and linguists are hardly ever portraited in the news. However, broadcasting the news, collecting data, files and interviewing witnesses require a journalist or reporter to be accompanied by a local interpreter in war contexts. In order to better illustrate the importance of a linguistic and cultural mediator, one of the many roles that the interpreter performs, I chose the book Footnotes in Gaza, written by Joe Sacco. It is a great work in terms of journalism, literarature and language. It brings various elements regarding the world of translators and interpreters in dangerous situations. The reconstruction of war memories, recollections and events are attatched and patched with Abed’s help, Sacco’s interpreter during his second visit to Gaza. Otherness and identity are highlighted in the narrative. The autobiographical tone of the graphic novel blends with his objective journalistic view delivering a unique piece of work. The interpreter, who was previously unknown, becomes visible to the reader as well as to the media. Thus, some examples of the representation of Abed show the status of (in)visibility of the interpreter and how delicate and dangerous is their job.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Tradução</kwd>
				<kwd>intérprete</kwd>
				<kwd>sensibilidade</kwd>
				<kwd>alteridade</kwd>
				<kwd>visibilidade</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Translation</kwd>
				<kwd>Interpreter</kwd>
				<kwd>sensibility</kwd>
				<kwd>otherness</kwd>
				<kwd>visibility</kwd>
			</kwd-group>
			<counts>
				<fig-count count="4"/>
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				<equation-count count="0"/>
				<ref-count count="10"/>
				<page-count count="16"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>1. Introdução</title>
			<disp-quote>
				<p>“Você pode contar [uma história] de maneira morta e sem vida ou você pode contá-la como uma história de seres humanos interagindo entre si. Eu simplesmente escolhi a segunda opção”<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> - Joe Sacco</p>
			</disp-quote>
			<p>O hipergênero dos quadrinhos abrange uma variedade de gêneros. Além da pluralidade de estilos, há também uma gama de temas para diversos públicos leitores. O gênero jornalismo em quadrinhos é um deles. É possível quadrinizar reportagens, entrevistas, fatos, dados, documentos e demais formas de notícias usando a linguagem dos quadrinhos.</p>
			<p>Essa narrativa sequencial jornalística pode carregar fatores sensíveis. Uma vez que grande parte dos livros-reportagens trazem notícias e informações relativas a um Estado, a uma religião, a cidadãos específicos. A forma como o discurso escrito é representado e como as inferências culturais, histórias, políticas e linguísticas aparecem no texto híbrido é de grande importância.</p>
			<p>Joe Sacco, jornalista e cartunista, traz à luz conflitos e problemas na Zona de Gaza com sua narrativa gráfica <italic>Palestina.</italic> Um trabalho extenso que lhe rendeu reconhecimento e premiações. A concepção de <italic>Palestina</italic> e <italic>Notas sobre Gaza</italic> adentram a esfera de sensibilidade, pois Sacco escreve suas reflexões objetivas e subjetivas quando retorna aos Estados Unidos, um país tradicionalmente pró-Israel. Ao se colocar como mediador sobre tudo o que aprendeu, viu e ouviu sobre os conflitos históricos, políticos e militares, Sacco vai contra a maré.</p>
			<p>Assim, <italic>Notas sobre Gaza</italic> (2010), bem como as reportagens em quadrinhos de outros jornalistas-cartunistas, traz recortes de situações sensíveis relacionados à política internacional, religião e tradições. Ele transmite a dor e a agonia dos massacres de forma explícita em preto e branco<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> e relata o papel de pessoas de destaque internacional. Além disso, Sacco tem um diferencial como jornalista: ele põe no papel seu ponto de vista, assim como os dados coletados durante sua viagem, dá voz àqueles que estão à margem e destaca o papel que um intérprete tem em zonas de conflito.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>2. O jornalismo em quadrinhos de Joe Sacco</title>
			<disp-quote>
				<p>“O poder dos quadrinhos é que, quando você abre o livro, você imediatamente é transportado para um novo lugar. Pode andar pelas ruas de Gaza. Você vê as pessoas, seus rostos, toda a interação com o cenário. Isso é muito poderoso, cria-se uma atmosfera completa na mente do leitor“ - Joe Sacco<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>A partir da abordagem e influência dos quadrinhos <italic>underground</italic>, Sacco buscou retratar suas experiências em zonas de guerra e conflito com base em sua própria ótica e experiência. O leitor tem a oportunidade de se colocar ao lado de Sacco como observador para entender um pouco mais sobre eventos tão importantes.</p>
			<p>Em entrevista para a Mother Jones (2005), Sacco conta que queria fazer quadrinhos autobiográficos quando foi para a Palestina pela primeira vez. Porém, seu trabalho acabou se tornando mais jornalístico, devido à sua formação. Em busca de mais informações, ele documentou as entrevistas com os palestinos e legitimou seu trabalho com dados e registros.</p>
			<p>Grande parte das reportagens de Sacco é feita em preto e branco. Ele traz consigo uma influência dos quadrinhos <italic>underground</italic>, bem como uma tradição de editoras independentes. Sacco começou a publicar seus primeiros trabalhos pela editora Fantagraphics, como <italic>Palestina</italic>. É uma editora de pequeno porte que publicava, com pequenas tiragens, HQs em preto e branco de cartunistas independentes. Assim, a produção gráfica é feita em menor escala e mais barata, visto que maior o número de cores, mais cara fica a impressão. Ao se produzir quadrinhos utilizando somente essas duas cores</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] é possível obter tons intermediários por meio de retículas aplicadas eletronicamente ou pelo próprio artista no original, que pode traçar hachuras, pontinhos ou linhas cruzadas para obter diferentes gradações de cinza. A vantagem da impressão em P&amp;B é revelar a qualidade do traço do autor, cujas eventuais deficiências de desenho as cores tendem a disfarçar (<xref ref-type="bibr" rid="B2">CHINEN 2015</xref>: 86).</p>
			</disp-quote>
			<p>Sacco conta histórias carregadas de emoções, informações e dados por meio dos quadrinhos. Suas páginas carregam imagens chamativas e atraem a atenção dos leitores para problemas políticos e sociais relevantes. Com um gênero híbrido, ele consegue transportar o leitor para a realidade das histórias ali presentes. O autor tenta descrever as coisas de forma fiel e desenhar o roteiro de forma adequada. Ao desenhar uma cidade e mostrar aspectos relativos à realidade na Faixa de Gaza, Sacco procura ilustrar de forma que sejam reconhecíveis de acordo com o que está sendo retratado<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>.</p>
			<p>É necessário ressaltar também que o cartunista aparece em suas reportagens. Desenhado de forma caricatural, diferentemente de outros personagens, Sacco mistura em seus quadrinhos os relatos de suas experiências (vertente autobiográfica) com os dados sobre os massacres (vertente jornalística). Ao invés do jornalismo convencional, as expressões de jornalismo em quadrinhos de Sacco são inundadas de subjetividade, uma vez que o jornalista-cartunista é também um personagem presente na narrativa gráfica. Gomes explica que:</p>
			<disp-quote>
				<p>Não se tenta em nenhum momento esconder o olhar do repórter ou a sua participação e envolvimento, pois é justamente esta a característica reflexiva presente nos documentários: o narrador torna-se parte integrante da paisagem: neste caso, uma metalinguagem ilustrada que se altera no decorrer da narrativa numa espécie de catarse reflexiva sobre sua própria condição (<xref ref-type="bibr" rid="B5">GOMES 2010</xref>: 46).</p>
			</disp-quote>
			<p>Essa mesma característica se manifesta com a representação, o destaque e igualdade de tomada de decisões do intérprete de Sacco. Ao desenhar seu acompanhante local, reconhecê-lo e legitimá-lo ao colocar seu nome na narrativa, o jornalista traz novas nuances e informações sobre um palestino que se empenhou para que sua pesquisa fosse concretizada. Sacco também demonstra a relação de amizade que desenvolveu com Abed. Ele registra momentos importantes para o intérprete, como quando ele descobre que alguns de seus amigos morreram (<xref ref-type="bibr" rid="B9">SACCO 2010</xref>: 144), quando vão para a celebração de <italic>Eid El-Adha</italic> (idem: 137), quando reecontra um amigo que não via há muito tempo (idem: 195), e até mesmo sobre suas convicções (idem: 34).</p>
			<p>Além disso, o autor quer ter um relacionamento com o leitor. A intenção era criar um diálogo em sua obra. Mostrar os acontecimentos de forma fluida, como em uma conversa: “Por isso que quero que essa informalidade apareça, pelo processo de me ter como personagem” <xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>. O leitor consegue visualizar Sacco como alguém que explica, noticia, mas que também vê toda a desordem que aconteceu e acontece naquela pequena faixa estreita de terra.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>3. Abed, o intérprete</title>
			<p>Em vários de seus trabalhos, Sacco representa os intérpretes com os quais tem contato e mostra a relevância do trabalho dos habitantes locais que falam mais de uma língua. Tanto no âmbito linguístico, como cultural, político e histórico. Abed, o intérprete, amigo, tradutor, mediador linguístico e guia de Sacco em <italic>Notas sobre Gaza</italic>, aparece frequentemente na narrativa, indicando que as conversas e entrevistas são traduzidas do árabe para o inglês e vice-versa.</p>
			<p>Abed acompanha diariamente Sacco em seu trabalho. Antes mesmo de o jornalista apresentar a sua pesquisa e falar o porquê da busca por testemunhas ao massacre de 1956, Abed faz um papel de mediador, tranquilizando os sobreviventes sobre as entrevistas do jornalista e também mostra outras reportagens feitas na Palestina por ele.</p>
			<p>A questão de invisibilidade do tradutor é bastante latente nos Estudos da Tradução e também na esfera jornalística. Entrevistas, dados e fatos raramente são destacados como traduzidos em jornais. No meio televisivo, nota-se a presença da tradução por meio de <italic>voice-over</italic> e legendas. Porém, quando uma matéria está sendo feita juntamente com um intérprete, a menção a ele ou ao fato de que se trata de uma tradução não aparece.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B6">Maher (2015</xref>: 224) explica que o papel do intérprete no jornalismo é como o de uma empregada doméstica; espera-se que o trabalho seja feito, mas ninguém quer que os outros saibam que ela está recebendo um salário baixo para deixar a casa limpa. Em outras palavras, não é interessante informar o público sobre o papel fundamental de um intérprete para que uma notícia seja transmitida<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>.</p>
			<p>Vários são os riscos que tradutores, intérpretes e linguistas sofrem em zonas de conflitos e ambientes jurídicos e legais. <xref ref-type="bibr" rid="B1">Baker (2010</xref>) ressalta que a questão da alteridade se torna central em zonas de conflito. Especificamente, o “outro”, o inimigo, tem que ser narrado de forma completamente diferente de nós mesmos para a violência na guerra ser justificada. O site Red-T, que busca conscientizar as pessoas dos perigos que os tradutores e intérpretes enfrentam, informa que</p>
			<disp-quote>
				<p>Em casos extremos, intérpretes no Iraque precisam usar máscaras para evitarem ser rotulados como traidores e serem mortos quando voltarem para suas comunidades. No Afeganistão, tradutores que trabalham com tropas estrangeiras são sequestrados e mortos<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>.</p>
			</disp-quote>
			<p>Essa mentalidade que todo tradutor é um traidor por não conseguir passar todas as nuances da língua de maneira literal precisa ser mudada. Sacco contribui para que essa realidade seja mudada e afete não só o âmbito jornalístico, mas também o da tradução, reconhecendo o valor e a importância que os tradutores e intérpretes têm em construir a ponte para o diálogo, compreensão, e conhecimento do Outro.</p>
			<p>Diferentemente de outros meios de comunicação jornalística, Sacco evidencia e dá voz ao seu intérprete. Reconhece em sua narrativa a dependência que jornalistas e repórteres internacionais têm de seus intérpretes. Uma relação que vai além das competências linguísticas e que produzem matérias que repercutem em emissoras internacionais.</p>
			<p>A representação de Abed é bastante fiel ao trabalho desempenhado por intérpretes em contextos politicamente sensíveis, como zonas de guerra e conflito. Abed ouve, processa e conta relatos dramáticos, densos e palpáveis. O processo de interpretação não é um ofício automático. Os discursos são carregados de emoções, memórias, lembranças e tragédias. O intérprete não tem como fugir dos tiros de tristeza, das granadas de desespero ou das bombas da melancolia. Ele é obrigado a sentir a dor dos massacres duas vezes. Primeiro, em sua língua, e em seguida, o transmite em língua estrangeira, vivenciando as emoções duas vezes, a primeira como receptor e a segunda como transmissor (<xref ref-type="bibr" rid="B4">DRUMMOND 2010</xref>: 22).</p>
			<p>A representação do intérprete nas cenas funciona como um indicador de que as reportagens dificilmente seriam feitas se a barreira linguístico- cultural não fosse ultrapassada. Sacco utiliza os recursos da linguagem dos quadrinhos para ressaltar o papel de Abed. Ao invés de fazer algo repetitivo e monótono somente na parte escrita, ele o coloca nas vinhetas ao seu lado, ou conversando com uma das testemunhas, indicando que ele está interpretando as falas. Outras vezes ele coloca um balão de fala com alguma pergunta do entrevistado, ou explica o que a pessoa quis dizer.</p>
			<p>Apesar de Sacco estar sempre acompanhado de Abed, ele opta por deixar palavras e frases em árabe. No posfácio do autor, Sacco ressalta mais uma vez que escreveu os diálogos da forma como o intérprete lhe passou. Alguns truncados ou com suas próprias peculiaridades e deixa fragmentos em árabe que chamam a atenção do leitor. O público-leitor aprende sobre os conflitos na Palestina e que se trata de outro sistema linguístico-cultural. O jornalista-cartunista desenvolve uma narrativa que prende a atenção com a riqueza de imagens, informações históricas, culturais, religiosas e, principalmente, linguísticas.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title><bold>4. A visibilidade do intérprete em <italic>Notas sobre Gaza</italic>
</bold></title>
			<p>Como já fora mencionado, Sacco nada contra a maré ao problematizar o passado e o presente de Gaza, colocar suas visões objetivas e subjetivas na reportagem, retratar e dar voz ao seu companheiro de todas as horas, seu intérprete Abed.</p>
			<p>Sacco evidencia a influência de Abed não somente na representação de momentos de interpretação que ocorrem nas vinhetas, mas também no papel ativo como tradutor de documentos, jornais, dados históricos etc. A visibilidade que o tradutor, intérprete, companheiro, guia e “faz tudo” recebe é igual ou maior ao destaque que as testemunhas do conflito em Khan Younis e Rafah. A voz e a autonomia de Abed são salientadas de maneira que o colocam como ponte entre duas culturas, duas realidades, duas formas de ver o mundo. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B3">Crépon (2016</xref>), a tradução:</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] me aproxima daqueles que falam outras línguas (as línguas traduzidas), da mesma forma que o que se traduz da língua deles na minha língua os aproxima de mim e faz com que essa língua não seja mais de modo algum, ou pelo menos não mais exclusivamente, a minha. O que se turva com a tradução é o mapa do meu e do seu. É também todo o sonho de uma apropriação (de um domínio e de uma posse da sua língua, como “língua materna”) (<xref ref-type="bibr" rid="B3">CRÉPON 2016</xref>: 255).</p>
			</disp-quote>
			<p>O tradutor desempenha a função de um “profissional no entre-lugar, refém de dilemas”, um mediador “entre línguas, entre uma cultura e outra”, “entre o conhecimento e a intuição”, um indivíduo “entre uma postura nacionalista ou estrangeirizadora” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">QUERIDO 2011</xref>: 48). Além dessas dicotomias sobre o papel do tradutor, encontram-se vários exemplos de representações de intérpretes e tradutores na literatura. Muitas vezes assumem características específicas como: tradutor-traidor, tradutor-ladrão, tradutor- antiético, tradutor-assassino<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>, entre outras. O papel de Abed se assemelha ao do tradutor-personagem em <italic>O último voo do flamingo</italic>, de Mia Couto, que se parece ao de um historiador, “pois é ele quem reúne os fragmentos, preenche lacunas, sugere caminhos” (idem: 53).</p>
			<p>Abed, assim como demais personagens detalhados na narrativa, aparece conforme sua cultura, tradições e costumes da região. Por exemplo, ele cumprimenta seus familiares com um beijo no rosto, fuma constantemente e participa das festividades muçulmanas. Sacco não esconde que Abed é palestino nem tenta mistificar a aparência dele ou minimizar alguma ação que pudesse ser uma afronta ao público ocidental. As representações no âmbito da imagem e do discurso ocorrem nas seguintes instâncias: o intérprete acompanhando o jornalista, o intérprete interpretando do árabe para o inglês, o intérprete como mediador cultural e o intérprete como parte do processo de tomada de decisão.</p>
			<p>Em várias entrevistas e momentos de busca por familiares ou sobreviventes aos ataques de 56, Abed aparece ao lado de Sacco sem falar nada. Subtende-se que Sacco não quer sinalizar no discurso escrito de que é uma fala mediada por um intérprete. Então, ele coloca Abed sempre ao seu lado mostrando que os diálogos que o leitor lê foram traduzidos pelo intérprete no momento das entrevistas com as testemunhas. É o que ocorre na situação abaixo (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>):</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Fonte: <italic>Notas sobre Gaza</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B9">SACCO 2010</xref>: 13)</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-27-201-gf1.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>Utilizando os elementos das HQs para mostrar o papel ativo e constante do intérprete, Sacco consegue desenvolver um estilo próprio para veicular algo que no âmbito da palavra seria limitante. Ele também faz questão de sinalizar, em alguns momentos, quando uma dúvida ou um questionamento surge durante o contato com os sobreviventes palestinos, como na <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>.</p>
			<p>Abed explica para Sacco o que o antigo <italic>fedayee</italic>, o ex-guerrilheiro, propõe. Logo em seguida, Sacco faz uma pergunta para Abed que o responde. Torna-se claro que esta situação aconteceu em virtude de uma conversa que foi interpretada para ambos os idiomas.</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Figura 2</label>
					<caption>
						<title>Fonte: <italic>Notas sobre Gaza</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B9">SACCO 2010</xref>: 41)</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-27-201-gf2.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>Sabe-se que a tradução não é fruto de um processo meramente linguístico, visto que a lín ua se renova e recria por meio da interação social.</p>
			<p>É impossível dissociar uma língua de um sistema linguístico-cultural que permite estabelecer uma identidade e a consolidação de uma sociedade.</p>
			<p>Em <italic>Notas sobre Gaza</italic>, as relações problematizadas entre intérprete- jornalista, pontos de vista oriental-ocidental, línguas diferentes como árabe e inglês aparecem nas situações que Abed está presente. Sacco não sinaliza em todos os momentos que precisa de explicações para compreender informações novas. Porém, quando Abed esclarece algo que Sacco não entendeu, infere-se que o jornalista-cartunista quer tornar conhecida essa cultura marginalizada para o leitor ocidental. Alguns aspectos são de extrema importância para o povo palestino. Aspectos tais que passariam despercebidos para os leitores (<xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref>).</p>
			<p>Temos um exemplo na figura abaixo. Abed e Sacco estão conversando com um sobrevivente e o intérprete precisa explicar algo para o jornalista que para ele, como palestino, está implícito.</p>
			<p>
				<fig id="f3">
					<label>Figura 3</label>
					<caption>
						<title>Fonte: <italic>Notas sobre Gaza</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Sacco 2010</xref>: 317)</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-27-201-gf3.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>Abed traduz o que Ibrahim falou. Confuso com a resposta, Sacco pergunta para Abed o que ele quis dizer. Prontamente, o intérprete faz uma mediação cultural explicando que a honra se refere às mulheres da família e da comunidade. Em vários momentos da narrativa, Abed assume uma posição que vai além do intérprete que fica oculto, escondido do público e ignorado pela mídia. Ele tem uma função muito importante para Sacco, uma vez que é ele que dialoga diretamente com os palestinos, consegue dimensionar em língua estrangeira o sofrimento das vítimas.</p>
			<p>Sacco dá autonomia a Abed e divide com ele o peso das decisões (<xref ref-type="fig" rid="f4">Figuras 4</xref> e <xref ref-type="fig" rid="f4">5</xref>). Devido à distância temporal, muitas das lembranças se tornam difusas, outras memórias são bloqueadas devido ao trauma e desta forma precisam ter um critério do que realmente é verídico. Sacco poderia tomar essa responsabilidade para si, mas sabe que Abed conhece muito mais a região do ponto de vista cultural, histórico e nacional. Os fragmentos de memória muitas vezes são parte de uma memória comum, compartilhada por palestinos que vivenciaram, ouviram ou perpetuaram as histórias dos ataques israelenses há mais de cinquenta anos.</p>
			<p>
				<fig id="f4">
					<label>Figura 4 e Figura 5</label>
					<caption>
						<title>Fonte: <italic>Notas sobre Gaza</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Sacco 2010</xref>: 276, 277)</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-27-201-gf4.jpg"/>
				</fig>
			</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>5. Conclusão</title>
			<p>O livro-reportagem em quadrinhos <italic>Notas sobre Gaza</italic>, de Joe Sacco, traz à tona inúmeros fatores importantes para o público ocidental. Informações que passam despercebidas em telejornais, matérias que não contemplam a voz do marginalizado, dados que há muito tempo ficaram escondidos por falta de interesse da mídia, entre outros.</p>
			<p>O caráter autobiográfico se mistura com sua formação de jornalista criando uma obra gráfica complexa em vários níveis. Recheada de índices, mapas, entrevistas, números e pesquisas científicas, <italic>Notas sobre Gaza</italic> revela ao mundo problemas históricos intrínsecos na Palestina. Ao se colocar como observador, personagem, narrador, jornalista e autor na reportagem quadrinizada, Sacco ultrapassa certos dogmas do âmbito jornalístico. Por se tratar de uma narrativa que se assemelha ao jornalismo literário, o jornalista-cartunista consegue dimensionar de maneira rica, cativante e perspicaz sua viagem-reportagem à Faixa de Gaza.</p>
			<p>Com destreza e maestria, ele narra fatos históricos, situações pessoais, momentos de extrema dor e sofrimento, fragmentos de memórias e lembranças de ataques de guerra, e leva o leitor consigo para essa jornada pessoal e pública. Mostra para o público que os palestinos sofrem com conflitos diariamente. E que as diferenças entre orientais e ocidentais são muito menores do que se imagina.</p>
			<p>Ele retrata Abed como ele é. Um homem que trabalha em meio à guerra para se sustentar, mas que tem seus momentos em família, suas recordações de jovem e a perspectiva de um palestino para o futuro. Sacco solidifica seu trabalho como jornalista com o auxílio e assistência constante de Abed. Reconhece o valor e a importância de se ter um tradutor, intérprete, guia, “faz tudo” que se torna amigo, companheiro, mediador cultural em um país onde a desconfiança é constante, onde o nacionalismo é valorizado e o repúdio ao estrangeiro é abraçado.</p>
			<p>De maneira eficaz com ferramentas da linguagem das HQs, Sacco abre o horizonte para os leitores, a mídia, historiadores, tradutores e intérpretes de todo o mundo. Ele situa os acontecimentos do passado e reflete sobre as consequências do presente. E isso tudo somente se tornou possível com a ajuda de Abed, o intérprete visível.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências bibliográficas</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>BAKER, M. Interpreters and Translators in the War Zone Narrated and Narrators. In: The Translator, v. 16, n. 2. St Jerome Publishing Manchester, 2010.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BAKER</surname>
							<given-names>M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Interpreters and Translators in the War Zone Narrated and Narrators</article-title>
					<source>The Translator</source>
					<volume>16</volume>
					<issue>2</issue>
					<publisher-name>St Jerome Publishing</publisher-name>
					<publisher-loc>Manchester</publisher-loc>
					<year>2010</year>
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				<mixed-citation>CHINEN, N. Linguagem HQs: conceitos básicos. São Paulo: Criativo, 2015.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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							<surname>CHINEN</surname>
							<given-names>N.</given-names>
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					<source>Linguagem HQs: conceitos básicos</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Criativo</publisher-name>
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			<ref id="B3">
				<mixed-citation>CRÉPON, M. Tradução de: LEE, H. O.; PEREIRA, V. C.; DE PAULA JUNIOR, A. L. A tradução entre as culturas. Cadernos de Tradução, Florianópolis, v. 36, n. 2, pp. 254-289, maio 2016. ISSN 2175-7968</mixed-citation>
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							<surname>CRÉPON</surname>
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					<article-title>A tradução entre as culturas</article-title>
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				<mixed-citation>DRUMMOND, B. Notas de rodapé em Gaza: o jornalismo em quadrinhos de Joe Sacco. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso. Departamento de Letras Estrangeiras e Tradução, UnB, Brasília.</mixed-citation>
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					<publisher-name>Departamento de Letras Estrangeiras e Tradução, UnB</publisher-name>
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				<mixed-citation>GOMES, I. B. Jornalismo em quadrinhos: mediações e linguagens imbricadas nas reportagens Palestina - Uma nação ocupada em O fotógrafo. 2010. 102 páginas. Dissertação de mestrado. Programa de Pós-graduação em Estudos de Cultura Contemporânea, Universidade Federal do Mato Grosso, Cuiabá</mixed-citation>
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					<source>Jornalismo em quadrinhos: mediações e linguagens imbricadas nas reportagens Palestina - Uma nação ocupada em O fotógrafo</source>
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				<mixed-citation>MAHER, B. Drawingblood: translation, mediation, and conflict in Joe Sacco’s comics journalism. In: The comics of Joe Sacco: journalism in a visual world. University Press of Mississippi, 2015.</mixed-citation>
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							<surname>MAHER</surname>
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					<chapter-title>Drawingblood: translation, mediation, and conflict in Joe Sacco’s comics journalism</chapter-title>
					<source>The comics of Joe Sacco: journalism in a visual world</source>
					<publisher-name>University Press of Mississippi</publisher-name>
					<year>2015</year>
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				<mixed-citation>MCCLOUD, S. Desvendando os quadrinhos. São Paulo: M. Books, 2004.</mixed-citation>
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					<source>Desvendando os quadrinhos</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
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					<year>2004</year>
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			<ref id="B8">
				<mixed-citation>QUERIDO, A. M. O tradutor sob o prisma do autor: a representação do tradutor na literatura. Cadernos de Tradução, Florianópolis, v. 2, n. 28, pp. 47-66, nov. 2011. ISSN 2175-7968.</mixed-citation>
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					<article-title>O tradutor sob o prisma do autor: a representação do tradutor na literatura</article-title>
					<source>Cadernos de Tradução</source>
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				<mixed-citation>SACCO, J. Notas sobre Gaza. São Paulo: Quadrinhos na Cia, 2010.</mixed-citation>
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							<surname>SACCO</surname>
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					<source>Notas sobre Gaza</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Quadrinhos na Cia</publisher-name>
					<year>2010</year>
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				<mixed-citation>______. Joe Sacco, criador do jornalismo em quadrinhos, fala sobre como escolheu sua carreira. Entrevista para o Guia do Estudante. 2011. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.guiadoestudante.abril.com.br/blogs/divirta-estudando/um-bate- papo-com-joe-sacco-o-criador-do-jornalismo-em-quadrinhos">http://www.guiadoestudante.abril.com.br/blogs/divirta-estudando/um-bate- papo-com-joe-sacco-o-criador-do-jornalismo-em-quadrinhos</ext-link>. Acesso em: 10 fev. 2016.</mixed-citation>
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							<surname>SACCO</surname>
							<given-names>J.</given-names>
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					<article-title>Joe Sacco, criador do jornalismo em quadrinhos, fala sobre como escolheu sua carreira</article-title>
					<source>Guia do Estudante</source>
					<year>2011</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.guiadoestudante.abril.com.br/blogs/divirta-estudando/um-bate- papo-com-joe-sacco-o-criador-do-jornalismo-em-quadrinhos">http://www.guiadoestudante.abril.com.br/blogs/divirta-estudando/um-bate- papo-com-joe-sacco-o-criador-do-jornalismo-em-quadrinhos</ext-link>
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					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2016-02-10">Acesso em: 10 fev. 2016</date-in-citation>
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		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Em inglês, “You can tell [a story] in a dead and lifeless way or you can tell it as a story of human beings interacting with each other. I simply choose to do the latter.” — Joe Sacco - Entrevista feita pela Dawn em março de 2015 - www.dawn.com/news/1166290 - acesso online em 11 fevereiro de 2016.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>“Em preto e branco, as ideias <bold>por trás</bold> da arte são comunicadas de maneira mais <bold>direta</bold>, o significado transcende a forma” (grifo do autor) (<xref ref-type="bibr" rid="B7">MCCLOUD 2004</xref>: 192).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Em entrevista para o Guia do Estudante em 2011.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Em entrevista para Dawn em março de 2015, Sacco fala sobre a sua estética relacionada ao jornalismo que busca ser fiel ao retratar as informações coletadas, tanto no âmbito linguístico, como extralinguístico. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.dawn.com/news/1166290">http://www.dawn.com/news/1166290</ext-link> Acesso em: 11 de fevereiro de 2016.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Em inglês, “That is why I want this informality to appear, through the process of having me as a character”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Daoud Hari, em seu livro O tradutor (Rio de Janeiro: Rocco, 2008), mostra a realidade cruel de intérpretes em zona de guerra.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Em inglês, “In the worst cases, interpreters in Iraq must wear face masks to avoid being labeled as traitors and killed when they return to their communities. In Afghanistan, translators who work with foreign troops are singled out for kidnapping and slaughter”. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://red-t.org/about.html">http://red-t.org/about.html</ext-link> - Acesso em: 10 de junho de 2016.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B8">Querido (2011</xref>) discorre sobre as concepções do tradutor-personagem em diferentes obras literárias e como a representação de cada função ocorre em narrativas ficcionais.</p>
			</fn>
		</fn-group>
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