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				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Revista de Tradução e Terminologia</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">2317-9511</issn>
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				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9511.v37i0p330-363</article-id>
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					<subject>Articles</subject>
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				<article-title>A complexidade de enunciados de tarefas de produção escrita no Celpe-Bras e no Enem</article-title>
				<article-title xml:lang="en">The complexity of writing task prompts in Celpe-Bras and Enem</article-title>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">https://orcid.org/0000-0003-1557-7673</contrib-id>
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						<surname>Nagasawa</surname>
						<given-names>Ellen Yurika</given-names>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">https://orcid.org/0000-0003-4718-0574</contrib-id>
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						<surname>Schlatter</surname>
						<given-names>Margarete</given-names>
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				<label>*</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade do Vale do Rio dos Sinos</institution>
				<email>ellennagasawa@gmail.com</email>
				<institution content-type="original">Professora do curso de Letras da Universidade do Vale do Rio dos Sinos. ellennagasawa@gmail.com.</institution>
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				<label>**</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio Grande do Sul</institution>
				<email>margarete.schlatter@ufrgs.br</email>
				<institution content-type="original">Professora do curso de graduação e pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. margarete.schlatter@ufrgs.br.</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>23</day>
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				<year>2021</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<month>12</month>
				<year>2020</year>
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			<volume>37</volume>
			<issue>1</issue>
			<fpage>330</fpage>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Inferências feitas a partir de avaliações padronizadas têm grande impacto na vida de examinandos. Partindo dessa preocupação social e ética, este artigo analisa características dos enunciados das tarefas de produção escrita do Celpe-Bras e do Enem (<italic>corpus</italic> de referência), para descrever sua complexidade, assumindo-a como um dos fatores preditivos do sucesso em responder a tarefa. Utilizando métodos da Linguística de Corpus, os <italic>corpora</italic> foram analisados para identificação de complexidade textual e padrões lexicais e sintáticos. A análise mostra enunciados com construções específicas para cada exame e diferenças quanto a seus níveis de complexidade e ao grau de explicitação de orientações para a escrita. Os resultados podem contribuir para o debate acerca da validade de exames de alto impacto e de seus usos sociais.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>Inferences made from standardized assessments have a major impact on test taker’s lives. Considering the social dimensions and ethics involved in such tests, this article analyses the characteristics of Celpe-Bras’ and Enem’s (reference <italic>corpus</italic>) writing task prompts, in order to describe its complexity, assuming this is one of the predictive factors of success in completing the task. Based on Corpus Linguistics’ data analyses, we explored the <italic>corpora</italic> to identify textual complexity and lexical and syntactic patterns. The analysis shows specific language uses in each test prompts and differences concerning their complexity levels and the degree of elucidation of the writing directions. The results may contribute to the discussion about high impact tests’ validity and their social uses.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>complexidade textual</kwd>
				<kwd>enunciado de tarefas</kwd>
				<kwd>produção textual</kwd>
				<kwd>testes padronizados</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>text complexity</kwd>
				<kwd>task prompt</kwd>
				<kwd>writing task</kwd>
				<kwd>standardized tests</kwd>
			</kwd-group>
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				<page-count count="33"/>
			</counts>
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	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>1. Introdução</title>
			<p>Considerando o poder decisório que os resultados de exames de larga escala têm na vida das pessoas em relação à educação, profissão, imigração e naturalização, <xref ref-type="bibr" rid="B23">McNamara e Roever (2006)</xref> apontam como responsabilidade social e ética dos elaboradores de testes informar ao público sobre o impacto de fatores, tais como as tarefas avaliativas e os parâmetros de correção, nos resultados observáveis, assim como sobre o esforço para controlá-los, por exemplo com descrições detalhadas das tarefas e procedimentos confiáveis de correção. Atentas à dimensão social e ética de testes padronizados, tratamos neste artigo de dois exames de alta relevância no contexto brasileiro: o Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras) e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que é analisado como <italic>corpus</italic> de referência. Examinamos os enunciados das tarefas de produção escrita e sua complexidade, assumindo que interferem nos desempenhos dos candidatos, podendo orientá-los (ou não) sobre o desempenho a depender de suas características<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>. O enunciado é a instrução textual que formula a questão e apresenta ao candidato a proposta de leitura e de produção textual nesses exames<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>.</p>
			<p>O Celpe-Bras, desenvolvido pelo Ministério da Educação na década de 90 e desde 2009 realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), começou a ser aplicado em 1998 e atualmente é realizado para cerca de 10 mil candidatos/ano em 125 postos aplicadores (48 no Brasil e 77 no exterior)<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>. Esse exame tem como construto teórico o uso da língua em práticas sociais (<xref ref-type="bibr" rid="B30">SCHLATTER ET AL 2009</xref>) e visa avaliar, a partir de um único instrumento, diferentes níveis de proficiência para desempenhar ações em língua portuguesa. O exame testa de forma integrada a compreensão e a produção (oral e escrita) em duas etapas: Parte Escrita e Parte Oral (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BRASIL 2015</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>. Os níveis certificados são Intermediário, Intermediário Superior, Avançado e Avançado Superior.</p>
			<p>De responsabilidade também do Inep, o Enem foi aplicado pela primeira vez em 1998 e atualmente é realizado para mais de 6 milhões de estudantes<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>. Inicialmente criado com o objetivo de avaliar a qualidade da Educação Básica brasileira, a partir de 2004, passou a ser utilizado para o acesso à Educação Superior e hoje se constitui como o maior exame brasileiro utilizado para esse fim (<xref ref-type="bibr" rid="B19">LIMA 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B33">SILVA 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">LIMA et al 2019</xref>). O Enem é composto por 180 questões objetivas que testam conteúdos de quatro áreas do conhecimento<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref> e por uma redação, que consiste na escrita de um texto dissertativo-argumentativo.</p>
			<p>Entendemos que o enunciado de uma tarefa avaliativa apresenta características de um gênero do discurso do campo instrucional: caracteriza-se por sua ênfase na prescrição de ações, fazendo uso de verbos operacionais no modo imperativo, infinitivo ou no futuro do presente, que indicam o que deve ou não ser realizado pelo candidato (<xref ref-type="bibr" rid="B22">MARINELLO; BOFF; KOCHE 2008</xref>). Tendo em vista que determinadas características de enunciados de tarefas de avaliação e de ensino são potenciais orientadoras de respostas esperadas e de níveis de dificuldade percebidos (<xref ref-type="bibr" rid="B9">GOMES 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B35">SILVA; ARAÚJO 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">MACIEL 2015</xref>) e pressupondo que o enunciado impacta na complexidade de uma tarefa avaliativa, este estudo desenvolve análises de enunciados de tarefas escritas do Celpe-Bras e da Redação do Enem, em uma perspectiva da Linguística de Corpus (LC). Conforme discutiremos mais adiante, a partir do uso das ferramentas analíticas <italic>Coh-Metrix-Port 2.0</italic>, <italic>AntConc</italic> e <italic>Sketch Engine,</italic> além dos recursos do <italic>Corpus do Português: NOW (Notícias da Web)</italic>, buscamos encontrar padrões para aferir a complexidade textual dos enunciados estudados. A discussão dos resultados pretende contribuir para a elaboração de tarefas de produção textual estáveis e equivalentes entre as diferentes edições dos exames, nas quais o enunciado não se configure como obstáculo na concretização da tarefa, o que aumentaria a validade das inferências feitas a partir das notas das respostas.</p>
			<p>Na próxima seção, apresentamos nossos referenciais teóricos referentes a texto, leitura e complexidade textual e relacionamos este estudo com resultados de pesquisas recentes sobre o tema. Na seção 3, apresentamos as características gerais dos enunciados dos exames analisados e os procedimentos metodológicos utilizados. Nas seções 4 e 5, discorremos sobre os resultados da análise, apresentando dados sobre a complexidade textual dos enunciados e sobre o léxico e a sintaxe utilizados, discutindo como os enunciados analisados refletem e refratam os construtos teóricos dos dois exames. Finalizamos levantando algumas implicações do estudo e desenvolvimentos futuros.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>2. Complexidade textual e a leitura de enunciados</title>
			<p>Neste trabalho, texto é compreendido como o próprio lugar da interação entre sujeitos ativos que se constroem e são construídos dialogicamente nessa interação (<xref ref-type="bibr" rid="B13">KOCH 2005</xref>). Ao participar de uma avaliação, o texto se constitui como a concretização de uma interação entre candidato e avaliador, que fazem uso da linguagem nessa prática social de forma organizada em tipos relativamente estáveis de enunciados que nunca são neutros, e sim permeados de ideologias e historicidade (<xref ref-type="bibr" rid="B1">BAKHTIN 2003</xref>). Tanto a leitura como a escrita, nas práticas de avaliação, constituem-se em interações que levam em conta os gêneros dos textos produzidos nas suas práticas originais e na avaliação, mas é o enunciado da tarefa avaliativa que orienta para as ações que estão em jogo. A leitura é uma prática de construção de significados na qual o leitor assume uma posição social ativa, remetendo-se a outros textos, valores e experiências pessoais (<xref ref-type="bibr" rid="B12">KLEIMAN 1995</xref>). Na leitura de uma tarefa avaliativa, portanto, o candidato ao mesmo tempo decodifica o texto, acionando conhecimentos sobre o funcionamento da língua escrita; relaciona o conteúdo aos seus conhecimentos prévios; reage ao texto de acordo com expectativas geradas pela sua vivência com aquela prática social; e analisa o que lê, posicionando-se criticamente, reconhecendo que cada texto é um ponto de vista, que não é ideologicamente neutro, e que ele também assume uma posição como leitor (<xref ref-type="bibr" rid="B8">FREEBODY; LUKE 1990</xref>).</p>
			<p>A partir desse enquadre, a complexidade textual decorre da relação entre texto, tarefa e leitor, não sendo possível medi-la unicamente a partir da sua materialidade linguística: a complexidade resulta da relação dinâmica entre aspectos textuais e a interação do leitor com o texto em determinada prática social e momento sócio-histórico. A possibilidade de estabelecer determinados níveis preditivos de dificuldade leitora deve levar em conta relações entre esses fatores. O Modelo de Medida de Complexidade Textual em Três Partes (<xref ref-type="bibr" rid="B25">NATIONAL GOVERNORS ASSOCIATION CENTER FOR BEST PRACTICES 2010</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>, por exemplo, propõe combinar uma parte de análise quantitativa dos textos, realizada por programas de computador; uma parte de análise qualitativa, realizada por especialistas da área<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>; e uma parte associada ao leitor e às particularidades apresentadas pela tarefa, realizada também por professores especializados<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref>.</p>
			<p>Nessa perspectiva, investigar a complexidade de tarefas de leitura e produção escrita requer um olhar que inclua a análise dos enunciados das tarefas, nosso foco neste trabalho, pois a orientação proposta direciona o modo como o candidato as abordará e os recursos que mobilizará para ler o(s) texto(s) de insumo e escrever o texto a fim de cumprir a tarefa. Isto é, “não é possível separar complexidade das condições de recepção e de produção propostas na tarefa” (<xref ref-type="bibr" rid="B9">GOMES 2009</xref>: 98). A composição do enunciado de uma tarefa reflete diretamente na forma como será respondida e, portanto, deve utilizar linguagem injuntiva clara e objetiva para obter respostas aproximadas à intenção original de seus elaboradores. Os enunciados, portanto, devem dirigir da forma mais clara possível o examinando para que possa produzir o desempenho que se pretende avaliar (<xref ref-type="bibr" rid="B34">SILVA 2011</xref>).</p>
			<p>O enunciado, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B4">Brown (2004</xref>: 78), é uma chave para a validade e o sucesso de uma tarefa, não devendo, pois, apresentar tópico obscuro, dados imprecisos e informações culturais tendenciosas que possam levar a uma dificuldade de nível superior ao desejado inicialmente. Tanto no ensino quanto na avaliação, os enunciados de tarefas podem potencializar a aprendizagem e o desempenho, mas também podem constituir-se como empecilho à construção e à aferição de conhecimentos em diversos níveis da educação e áreas<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref>. Em tarefas de escrita, os enunciados devem estabelecer uma representação do modelo de produção textual que se deseja como resposta, de modo que o leitor seja capaz de construir mentalmente o enquadre comunicativo e a função da escrita para poder concretizá-la (<xref ref-type="bibr" rid="B32">SEBASTIÃO 2019</xref>). No caso de tarefas que exigem a leitura de um texto de insumo para sua realização, o enunciado apresentado antes do texto de insumo permite que a leitura seja direcionada aos propósitos solicitados<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B34">SILVA 2011</xref>).</p>
			<p>Em pesquisa sobre a Redação do Vestibular da Universidade Federal de Campina Grande, que solicita a escrita de diferentes gêneros textuais, <xref ref-type="bibr" rid="B35">Silva e Araújo (2009</xref>), a partir de sessões reflexivas com candidatos que realizaram a prova de 2007, constataram que os enunciados explicitaram as características do texto de produção suficientemente para possibilitar a escrita de gêneros não conhecidos previamente ou não praticados durante a Educação Básica. Os enunciados utilizados nessa avaliação explicitaram os propósitos sociais e as características linguísticas principais dos gêneros de escrita solicitados. <xref ref-type="bibr" rid="B9">Gomes (2009)</xref>, ao analisar quatro enunciados do Celpe-Bras e 144 textos produzidos em resposta, concluiu que o desempenho dos candidatos é melhor quando o enunciado explicita, em frases simples e com suporte contextual suficiente, as informações necessárias para o cumprimento dos propósitos de escrita. A autora aponta a importância da explicitação das condições de produção para alcançar um bom desempenho: a situação de comunicação, a relação de interlocução e o propósito do texto que, juntos, podem orientar a seleção de informações do texto de insumo.</p>
			<p>Conforme apontam esses estudos, a dificuldade que um enunciado pode causar aos participantes pode ser evitada caso o enunciado explicite as características do texto diretamente ou contextualizando suficientemente as condições de produção. Essas pesquisas, no entanto, não se debruçaram sobre características da linguagem utilizada, foco deste estudo. Para além das questões elencadas, a escolha dos termos utilizados, as construções sintáticas empregadas, a explicitação de determinados aspectos relevantes na resposta esperada podem impactar no desempenho. Em outras palavras, a complexidade textual do enunciado torna-se também um fator a ser considerado como medida preditiva da qualidade de orientação ao candidato para uma resposta esperada. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B11">Hiebert e Pearson (2014</xref>), diversas fórmulas têm sido propostas para designar índices de complexidade de textos que, com o rápido desenvolvimento tecnológico, transformaram-se em sistemas sofisticados de análise que utilizam modelos de matemática complexa. Os autores destacam que as pesquisas que trabalham com variáveis numéricas demandam que o pesquisador interprete os resultados obtidos através das ferramentas analíticas, visto que as “características quantitativas não têm validade até e a menos que sejam compreendidas qualitativamente” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">HIEBERT; PEARSON 2014</xref>: 157). Para analisar textos em português escritos em resposta à prova de Redação da UFRGS de 2014, <xref ref-type="bibr" rid="B6">Evers (2018</xref>), entre outras ferramentas, usou o <italic>Coh-Metrix-Port</italic><xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref>, que opera com 48 métricas de coesão e coerência textual, oferecendo medidas lexicais, sintáticas, semânticas e referenciais, e o Índice Flesch brasileiro. A autora descreve o fenômeno de <italic>engaiolamento</italic> nas produções dos candidatos que, de acordo com o estudo, é composto por padrões de forma e de conteúdo aprendidos conforme modelos da Redação da UFRGS ensinados em cursos pré-vestibulares. A escala hierárquica de complexidade textual utilizada por <xref ref-type="bibr" rid="B6">Evers (2018)</xref> é apresentada a seguir no <xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref>.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Quadro 1:</label>
					<caption>
						<title>Escala de dificuldade textual Índice Flesch</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"><bold>Muito fáceis:</bold> índice entre 90 a 100, textos adequados para leitores com nível de escolaridade até a 4ª série do Ensino Fundamental. </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>Fáceis:</bold> índice entre 80 a 89, textos adequados a alunos com escolaridade ate 8ª série do Ensino Fundamental.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>Razoavelmente fáceis:</bold> índice entre 70 a 79, textos adequados a alunos com escolaridade até 8ª série do Ensino Fundamental.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>Padrão:</bold> índice entre 60 e 69, textos adequados a alunos com escolaridade ate 8ª serie do Ensino Fundamental.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>Razoavelmente difíceis:</bold> índice entre 50 a 59, textos adequados para alunos cursando o Ensino Médio ou universitário.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>Difíceis:</bold> índice entre 30 a 49, textos adequados para leitores com Ensino Médio ou universitário.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>Muito difíceis:</bold> índice entre 0 a 29, textos adequados apenas para áreas acadêmicas específicas.</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B6">Evers (2018</xref>: 123)<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref>
							</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>O quadro 1 mostra um sistema de medidas de complexidade associada à inteligibilidade<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>14</sup></xref> de textos para diferentes níveis de leitores, que variam de 0 a 100, sendo que quanto maior o índice, mais fácil é considerado o texto. Tais índices consideram o tamanho médio de sentenças e o número médio de sílabas por palavra para seus cálculos e serão usados como parâmetro para nossa análise de complexidade dos enunciados. Entendendo que a compreensão dos enunciados das tarefas é fundamental para realizar as ações de leitura e de escrita demandadas pelos exames, pretendemos reunir um primeiro conjunto de dados sobre a inteligibilidade dos enunciados, para poder relacioná-los, mais adiante, com as outras dimensões que compõem a complexidade de uma tarefa de leitura e escrita: características do texto de insumo, do texto a ser produzido e do leitor/escritor.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>3. Metodologia</title>
			<sec>
				<title>3.1 As tarefas do Celpe-Bras e do Enem</title>
				<p>No Celpe-Bras, o enunciado das tarefas oferece ao candidato um contexto hipotético, no qual é necessário assumir um papel social e, a partir da leitura do texto de insumo, desenvolver uma produção textual direcionada a um determinado interlocutor, para cumprir propósitos comunicativos específicos, como mostra a <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref> abaixo.</p>
				<p>
					<fig id="f1">
						<label>Figura 1:</label>
						<caption>
							<title>Enunciado da tarefa 4 de 2017-2</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-330-gf1.jpg"/>
						<attrib>Fonte: Acervo Celpe-Bras</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Nesse caso, entende-se que um enunciado, para ser considerado claro quanto às orientações de escrita, deve explicitar ao examinando quem é o enunciador, quem é o interlocutor, qual é o propósito comunicativo a ser cumprido, qual é o gênero do discurso e o suporte esperado e “não apresenta[r] incongruências entre esses elementos” (<xref ref-type="bibr" rid="B24">NAGASAWA 2018</xref>: 87). Além disso, deve usar uma linguagem acessível e, ao delimitar o contexto de produção, restringir o escopo de informações do texto de insumo necessárias para o texto a ser escrito.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B17">Leal, Santos e Motta (2015</xref>) elucidam que a proposta de escrita do Enem na modalidade dissertativo-argumentativa visa avaliar o desempenho do candidato em produzir um texto, respeitando questões socioculturais e os valores humanos, que demonstre sua capacidade de fazer leituras críticas da realidade a partir de textos motivadores que delimitam uma temática. Ao analisar os aspectos linguísticos do enunciado da Redação do Enem, <xref ref-type="bibr" rid="B33">Silva (2016</xref>) aponta que o candidato é instruído sobre <italic>o que</italic>, <italic>como</italic> e <italic>a partir de que</italic> deve escrever seu texto. A <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref> abaixo mostra o enunciado da edição de 2017.</p>
				<p>
					<fig id="f2">
						<label>Figura 2:</label>
						<caption>
							<title>Enunciado da Redação de 2017</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-330-gf2.jpg"/>
						<attrib>Fonte: Site do Inep</attrib>
					</fig>
				</p>
			</sec>
			<sec>
				<title><bold>3.2 A geração dos <italic>corpora</italic>
</bold></title>
				<p>O <italic>corpus</italic> de estudo é composto por todos os textos dos enunciados das tarefas 4 do Celpe-Bras entre 1998 e 2018, totalizando 42 enunciados. As provas aplicadas nesse período foram acessadas na página do Acervo Celpe-Bras em seu formato original (PDF), e os enunciados foram digitados manualmente em formato de texto compatível com os programas computacionais utilizados nesta pesquisa (txt). Os textos foram posteriormente revisados por duas pessoas para garantir a exatidão do conteúdo digitado.</p>
				<p>O mesmo procedimento foi utilizado para elaborar o <italic>corpus</italic> de referência composto pelos enunciados das redações do Enem aplicadas entre 1998 e 2018, acessadas no <italic>site</italic> do Inep<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>15</sup></xref>, totalizando 31 enunciados. O <italic>corpus</italic> de referência do Enem foi utilizado para evidenciar o que é característico nos enunciados das tarefas do Celpe-Bras e foi escolhido por ser considerado um gênero análogo, seguindo orientações de <xref ref-type="bibr" rid="B16">Kübler e Aston (2010</xref>) para composição de <italic>corpus</italic> de referência. Além disso, a metodologia empregada neste trabalho seguiu os critérios para composição de <italic>corpus</italic> propostos por <xref ref-type="bibr" rid="B36">Sinclair (2004</xref>), que sugere seis critérios relacionados aos propósitos comunicativos dos textos, conforme apresentado no <xref ref-type="table" rid="t2">Quadro 2</xref>.</p>
				<p>
					<table-wrap id="t2">
						<label>Quadro 2:</label>
						<caption>
							<title>Critérios de seleção de textos para composição de corpus</title>
						</caption>
						<table>
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="left">Critérios de <xref ref-type="bibr" rid="B36">Sinclair (2004)</xref>
									</th>
									<th align="center">Celpe-Bras</th>
									<th align="center">Enem</th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="left">A modalidade do texto (oral, escrito OU eletrônico)</td>
									<td align="left">Modalidade escrita</td>
									<td align="left">Modalidade escrita</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">O gênero do texto (livro, revista, carta etc.)</td>
									<td align="left">Enunciado de tarefa de produção de escrita</td>
									<td align="left">Enunciado de tarefa de produção de escrita</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">A esfera de circulação do texto (acadêmica, popular etc.)</td>
									<td align="left">Exame de proficiência</td>
									<td align="left">Exame de proficiência</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">A língua, línguas ou variantes de línguas</td>
									<td align="left">Língua portuguesa</td>
									<td align="left">Língua portuguesa</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">O local dos textos (países)</td>
									<td align="left">Brasil</td>
									<td align="left">Brasil</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">A data de publicação dos textos</td>
									<td align="left"><bold>1998-2018</bold></td>
									<td align="left"><bold>1998-2018</bold></td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B31">Schoffen et al. (2018</xref>: 7), a tarefa 4 do Celpe-Bras é predominantemente argumentativa: “as informações do texto de insumo devem ser usadas como base para a construção de argumentos para sustentar uma tomada de posição sobre determinado assunto”. Tal característica se aproxima da proposta de Redação do Enem, em que o examinando necessita produzir, a partir da leitura de textos de insumo, um texto dissertativo-argumentativo para “defender uma tese, uma opinião a respeito do tema proposto” (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BRASIL 2018</xref>: 7). No <xref ref-type="table" rid="t3">Quadro 3</xref> abaixo, os <italic>corpora</italic> são descritos conforme suas características e composição.</p>
				<p>
					<table-wrap id="t3">
						<label>Quadro 3:</label>
						<caption>
							<title>Composição dos corpora</title>
						</caption>
						<table>
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="center" rowspan="2"> </th>
									<th align="center"><bold>
 <italic>Corpus</italic> de estudo</bold></th>
									<th align="center"><bold>
 <italic>Corpus</italic> de referência</bold></th>
								</tr>
								<tr>
									<th align="center"><bold>
 <italic>Corpus</italic> Celpe-Bras</bold></th>
									<th align="center"><bold>
 <italic>Corpus</italic> Enem</bold></th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="left">Característica</td>
									<td align="left">Textos dos enunciados das tarefas 4 da Parte Escrita do Celpe-Bras aplicadas entre os anos de 1998 e 2018.</td>
									<td align="left">Textos dos enunciados das provas de Redação do Enem aplicadas entre os anos de 1998 e 2018.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left">Número de textos</td>
									<td align="center">42</td>
									<td align="center"><bold>31</bold></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left"><italic>Word Types</italic></td>
									<td align="center">730</td>
									<td align="center">345</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left"><italic>WordTokens</italic></td>
									<td align="center"><bold>2.428</bold></td>
									<td align="center">2.199</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="left"><italic>Type-token ratio</italic></td>
									<td align="center">30%</td>
									<td align="center">15%</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>Apesar do baixo número de textos, os <italic>corpora</italic> compilados compreendem a totalidade das provas já aplicadas nos exames até o momento da pesquisa e, portanto, representam não uma amostra da linguagem de estudo, mas a sua totalidade. Nesse caso, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B18">Leech (2007</xref>: 14), o <italic>corpus</italic> é considerado representativo, ou seja, representa o todo da língua e possibilita a generalização de resultados. Seguindo as mesmas diretrizes, <xref ref-type="bibr" rid="B14">Koester (2010</xref>: 67) ressalta a vantagem de se trabalhar com <italic>corpora</italic> pequenos, pois nessas pesquisas é comum que o compilador seja o próprio analista, o que resulta em um alto grau de familiaridade com o contexto, permitindo-lhe complementar as análises quantitativas computacionais com análises qualitativas.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>3.3. Ferramentas e procedimentos de análise</title>
				<p>Neste estudo, a complexidade é entendida como a medida em que o léxico e as construções sintáticas analisadas são acessíveis ao nível de compreensão leitora do público-alvo, relacionando-se apenas à parte quantitativa do modelo proposto pelo <xref ref-type="bibr" rid="B25">National Governors Association Center for best practices (2010)</xref>. Cada <italic>corpus</italic> foi analisado por meio da ferramenta <italic>Coh-Metrix-Port</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B29">SCARTON; ALUÍSIO 2010</xref>), e os dados das 48 métricas foram organizados em planilhas no programa <italic>Microsoft Office Excel Professional Plus 2016</italic>. Ao término dessa etapa, 6 dos 48 índices extraídos foram analisados para descrição de medidas de tendência central através do programa <italic>Statistical Package for Social Sciences</italic> (SPSS) 19.0<xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>16</sup></xref>. A <xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref> abaixo ilustra parte da organização dos dados nos dois programas.</p>
				<p>
					<fig id="f3">
						<label>Figura 3:</label>
						<caption>
							<title>Telas do Excel e SPSS com dados do Coh-Metrix-Port</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-330-gf3.jpg"/>
					</fig>
				</p>
				<p>Após essas análises, utilizamos a ferramenta <italic>AntConc 3.5.7</italic><xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>17</sup></xref> para um levantamento de lista de palavras, palavras-chave e combinações de palavras em ambos os <italic>corpora</italic>. A partir dos resultados obtidos, duas palavras-chaves, uma de cada <italic>corpus</italic> (<italic>escrever</italic> e <italic>redigir</italic>), foram analisadas por apresentarem um resultado inesperado. Usamos o <italic>Corpus do Português: NOW</italic><xref ref-type="fn" rid="fn18"><sup>18</sup></xref> para investigar seus usos e colocados<xref ref-type="fn" rid="fn19"><sup>19</sup></xref> mais frequentes, e o <italic>Sketch Engine</italic><xref ref-type="fn" rid="fn20"><sup>20</sup></xref> para observar seus comportamentos lexicais e suas relações gramaticais através da função <italic>Word Sketch</italic>.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>4. Complexidade de enunciados: Celpe-Bras e Enem</title>
			<p>Medidas de <italic>type-token ratio</italic> apontam a diversidade de uso de palavras e podem ser utilizadas para avaliar a densidade lexical de textos, indicando sua complexidade. Conforme os dados apresentados no quadro 3, na seção anterior, o Celpe-Bras apresenta um índice mais elevado (30%, 730 types - 2.428 tokens) quando comparado ao Enem (15%, 345 types - 2199 tokens), indicando, assim, uma maior riqueza lexical nos enunciados.</p>
			<p>A <xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref> sintetiza uma análise diacrônica dos enunciados do Enem. Como se pode observar, há uma acentuada homogeneidade nos textos, sendo que, desde o ano 2015, utilizam as mesmas palavras em sua composição, com exceção da temática. No formato atual, observamos que cada trecho pode ser diretamente associado às cinco competências avaliadas (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BRASIL 2018</xref>: 8) e que isso se manteve bastante estável ao longo dos anos, com alguma variação de termos usados<xref ref-type="fn" rid="fn21"><sup>21</sup></xref>.</p>
			<p>
				<fig id="f4">
					<label>Figura 4:</label>
					<caption>
						<title>Enunciado de Redação do Enem de 2017 relacionado às competências avaliadas e variações ao longo dos anos</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-330-gf4.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>No caso do Celpe-Bras, <xref ref-type="bibr" rid="B31">Schoffen et al. (2018</xref>) afirmam que, a partir de 2002, ano de publicação do primeiro Manual do Candidato, a operacionalização do construto do exame se tornou estável, indicando nos enunciados enunciador, interlocutor, propósito comunicativo, gênero do discurso e suporte, conforme vimos na seção 3.1<xref ref-type="fn" rid="fn22"><sup>22</sup></xref>. As autoras contabilizam 27 diferentes gêneros do discurso até a edição de 2017, apontando que tal diversidade estimula efeitos retroativos positivos no ensino de Português como Língua Adicional (<xref ref-type="bibr" rid="B31">SCHOFFEN et al 2018</xref>: 35). Ainda segundo elas, a tarefa 4 apresenta mais gêneros argumentativos, como carta do leitor e artigo de opinião, do que as outras três tarefas.</p>
			<p>O <xref ref-type="table" rid="t4">Quadro 4</xref> a seguir apresenta as medidas de tendência central de seis métricas do <italic>Coh-Metrix-Port</italic>: índice Flesch; número de palavras; número de palavras por sentença; número de sentenças; frequência da palavra de conteúdo mais rara e incidência de verbos. Essas métricas foram escolhidas para a verificação da inteligibilidade dos enunciados, por meio das contagens básicas e do Índice Flesch, entendendo que a complexidade lexical e a incidência de determinados verbos poderiam indicar níveis de complexidade relevantes para esse gênero instrucional. A métrica do índice de frequência da palavra de conteúdo mais rara avalia, sentença por sentença, a menor frequência de palavras de conteúdo ou lexicais (substantivos, adjetivos, advérbios e verbos) mais raras, e a do índice de incidência de verbos apresenta o resultado do cálculo de divisão do número de verbos pelo número total de palavras da sentença dividido por 1000 (número de verbos/[número de palavras/1000]).</p>
			<p>
				<table-wrap id="t4">
					<label>Quadro 4:</label>
					<caption>
						<title>Medidas de tendência central de índices do Coh-Metrix-Port</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col span="2"/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="center" colspan="2"> </th>
								<th align="left"><bold>
 <italic>Corpus</italic> Celpe-Bras N = 42</bold></th>
								<th align="left"><bold>
 <italic>Corpus</italic> Enem N = 31</bold></th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left">Flesch</td>
								<td align="left">Média</td>
								<td align="left">42,9441</td>
								<td align="left">16,5994</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Mediana</td>
								<td align="left">42,3150</td>
								<td align="left">12,8130</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Desvio Padrão</td>
								<td align="left">17,21041</td>
								<td align="left">11,49134</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Words</td>
								<td align="left">Média</td>
								<td align="left">57,86</td>
								<td align="left">70,16</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Mediana</td>
								<td align="left">58,00</td>
								<td align="left">68,00</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Desvio Padrão</td>
								<td align="left">13,368</td>
								<td align="left">20,588</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Words per sentence</td>
								<td align="left">Média</td>
								<td align="left">16,3185</td>
								<td align="left">29,1006</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Mediana</td>
								<td align="left">17,0000</td>
								<td align="left">32,5000</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Desvio Padrão</td>
								<td align="left">4,32959</td>
								<td align="left">7,70182</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Sentences</td>
								<td align="left">Média</td>
								<td align="left">3,98</td>
								<td align="left">2,70</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Mediana</td>
								<td align="left">3,00</td>
								<td align="left">2,00</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Desvio Padrão</td>
								<td align="left">2,158</td>
								<td align="left">1,531</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Min CW Freq</td>
								<td align="left">Média</td>
								<td align="left">4331,0610</td>
								<td align="left">1391,5009</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Mediana</td>
								<td align="left">1980,3335</td>
								<td align="left">202,5000</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Desvio Padrão</td>
								<td align="left">5669,97072</td>
								<td align="left">3039,87019</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Verbs</td>
								<td align="left">Média</td>
								<td align="left">139,4892</td>
								<td align="left">102,1161</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Mediana</td>
								<td align="left">139,1410</td>
								<td align="left">78,125000</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="left">Desvio Padrão</td>
								<td align="left">30,57052</td>
								<td align="left">48,722435</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Podemos observar que as medidas de tendência central entre os dois <italic>corpora</italic> se distinguem, apontando para especificidades no uso da linguagem nos</p>
			<p>enunciados em cada exame. Em relação ao número de palavras, sentenças e palavras por sentença, verifica-se que o <italic>corpus</italic> Celpe-Bras mostra uma média aritmética menor de palavras e maior de sentenças, portanto um número menor de palavras por sentença do que o <italic>corpus</italic> de referência. Esse resultado evidencia o uso de sentenças mais curtas nos enunciados do Celpe-Bras.</p>
			<p>A métrica de frequência da palavra de conteúdo mais rara mostra que o <italic>corpus</italic> Enem utiliza palavras mais raras do que o <italic>corpus</italic> Celpe-Bras, visto que, quanto menor o número da métrica, menor a frequência de uso da palavra, ou seja, mais rara ela é considerada. O Celpe-Bras, contudo, mostra maior variância, com desvio padrão de 5669,97072, o que evidencia menor estabilidade em relação ao Enem. Já no que se refere ao índice de incidência de verbos, verifica-se que o <italic>corpus</italic> Celpe-Bras tende a usar mais verbos por sentença do que o <italic>corpus</italic> Enem, ainda que, como visto anteriormente, suas sentenças sejam mais curtas. Esses resultados apontam para enunciados com sentenças mais longas e menor uso de injuntivos no Enem do que no Celpe-Bras. Por fim, o Índice Flesch apresenta a maior diferença entre os <italic>corpora</italic>: o <italic>corpus</italic> Celpe-Bras, com a média de 42,9441, e o <italic>corpus</italic> Enem, com a média de 16,5994,compreendemdiferentesfaixasdeníveldedificuldadee escolaridade, respectivamente, <italic>Difícil</italic> e <italic>Muito difícil (</italic>cf. quadro 1 na seção 2). Os enunciados da tarefa 4 da Parte Escrita do Celpe-Bras, portanto, apresentam dificuldade consideravelmente menor de leitura em relação aos enunciados das redações do Enem.</p>
			<p>O Celpe-Bras é usado para o ingresso de estrangeiros em cursos de graduação e de pós-graduação em universidades brasileiras (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BRASIL 2015</xref>: 8), sendo que a principal motivação para produzi-lo foi a necessidade de criar um exame único e padronizado para a seleção de candidatos ao Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G)<xref ref-type="fn" rid="fn23"><sup>23</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B30">SCHLATTER ET AL 2009</xref>). Do mesmo modo, o Enem é utilizado para avaliar o estudante que finalizou seus estudos do Ensino Médio e pretende ingressar no Ensino Superior. Com base nesses usos planejados pelos sistemas de avaliação, poderíamos supor que o nível de complexidade dos textos das provas, em especial das orientações do que deve ser feito, estivesse entre as faixas dos índices 30 e 59 do Índice Flesch <italic>Razoavelmente difíceis</italic> e <italic>Difíceis</italic>, considerando que é desejável que os enunciados não interfiram negativamente no desempenho dos candidatos<xref ref-type="fn" rid="fn24"><sup>24</sup></xref>. Como vimos, a média do índice de dificuldade de leitura do <italic>corpus</italic> Celpe-Bras está na faixa considerada <italic>Difícil</italic> e adequada para leitores com Ensino Médio ou universitário completo (entre 30 e 49). O mesmo, contudo, não se confirma para o <italic>corpus</italic> Enem, cuja média <italic>Muito Difícil</italic> é adequada apenas para áreas acadêmicas específicas, o nível mais alto de escolaridade. Todavia, observa-se maior variância nos enunciados do Celpe-Bras, havendo um texto com índice negativo de -2.109 (<italic>Muito Difícil</italic>) e um texto com índice bastante alto, de 85.647 (<italic>Fácil</italic>)<xref ref-type="fn" rid="fn25"><sup>25</sup></xref>.</p>
			<p>Os histogramas dos índices Flesch dos <italic>corpora</italic>, a seguir, permitem visualizar a distribuição das frequências desses dados (<xref ref-type="fig" rid="f5">Figura 5</xref>).</p>
			<p>
				<fig id="f5">
					<label>Figura 5:</label>
					<caption>
						<title>Histogramas do Índice Flesch dos corpora</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-330-gf5.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>As medidas do Índice Flesch do <italic>corpus</italic> Celpe-Bras apresentam uma distribuição simétrica e normal, com a maioria dos dados incidindo na faixa desejada, entre 30 e 60 ao redor da média aritmética do conjunto de dados. Já o <italic>corpus</italic> Enem apresenta uma distribuição assimétrica positiva com a maioria dos dados concentrados em torno de 5 e 15, que está abaixo da média aritmética. Contudo, por apresentar alta estabilidade nos enunciados, como vimos anteriormente, o <italic>corpus</italic> Enem mostra um comportamento mais heterogêneo: levando em consideração as 7 faixas de níveis de dificuldade Flesch, os dados se concentram apenas nas 2 faixas mais altas. Por outro lado, o <italic>corpus</italic> Celpe-Bras apresenta maior variabilidade, com dados incidindo em 6 das 7 faixas de dificuldade, pois, como vimos, apresenta ampla variedade de práticas sociais em suas propostas de escrita, o que resulta em diferentes construções de enunciados.</p>
			<p>Pode-se afirmar que os enunciados do Celpe-Bras caracterizam-se pelo uso de mais sentenças curtas, com índice alto de incidência de verbos e índice baixo de palavras raras por enunciado, implicando em uma média de índice Flesch 42. Essas características descrevem um enunciado com orientações mais explícitas quanto ao texto a ser escrito, o que, ao mesmo tempo que faz sentido com a proposta e o construto do exame de testar usos da língua em práticas sociais variadas (confirmado pelo amplo desvio padrão da métrica Flesch), pode também ser considerado mais elucidativo para o candidato quanto ao que deve fazer. Por outro lado, no Enem, a prova de Redação sempre solicita um texto dissertativo-argumentativo, com um formato bastante consolidado ao longo dos anos nos concursos vestibulares. Nesse sentido, o formato parece ser tratado no enunciado como conhecido dos candidatos, e não há orientações específicas quanto ao que ou como escrever, mas sim lembretes sobre os critérios de correção. Como vimos, isso gera enunciados mais longos que fazem uso de um menor número de sentenças com mais palavras raras e menor incidência de verbos e, consequentemente, níveis de complexidade mais altos, com baixo nível de desvio padrão e menor transparência no enunciado em relação ao gênero solicitado.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>5. Análises linguísticas</title>
			<p>Para extrair lista de palavras e palavras-chave dos <italic>corpora</italic>, utilizamos a ferramenta <italic>Antconc</italic>. Na lista de palavras, a ferramenta apresenta todos os tipos de palavras (<italic>Types</italic>) utilizadas no <italic>corpus</italic> em ordem decrescente de frequência. Já as palavras-chave são as “palavras cujas frequências são estatisticamente diferentes no <italic>corpus</italic> de estudo e no <italic>corpus</italic> de referência” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">SARDINHA 2004</xref>: 96) e podem indicar temas dominantes que demonstram significância em relação ao conteúdo ou à estrutura dos textos (<xref ref-type="bibr" rid="B7">FISCHER-STARCKE 2009</xref>).</p>
			<p>Para extrair a lista de palavras-chave do <italic>corpus</italic> Celpe-Bras, o <italic>corpus</italic> Enem foi utilizado como referência e vice-versa. O resultado da extração de palavras-chave é apresentado em ordem decrescente de acordo com o índice <italic>Keyness</italic> (chavicidade), que indica o resultado da estatística de comparação. O valor da chavicidade indica a força da associação da palavra-chave com o <italic>corpus</italic> alvo em sua dispersão total através dos textos que o compõem (<xref ref-type="bibr" rid="B5">EGBERT; BIBER 2019</xref>). Além disso, a ferramenta fornece o número de ocorrência na coluna <italic>Freq</italic> (frequência de ocorrência da palavra no <italic>corpus</italic> de estudo) e dados estatísticos que indicam o tamanho da diferença das palavras-chave através do índice de <italic>Effect</italic> (tamanho do efeito), como mostra a <xref ref-type="fig" rid="f6">Figura 6</xref> abaixo.</p>
			<p>
				<fig id="f6">
					<label>Figura 6:</label>
					<caption>
						<title>Palavras-chave do corpus Celpe-Bras</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-330-gf6.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>Pode-se verificar que, dentre as 9 palavras-chave<xref ref-type="fn" rid="fn26"><sup>26</sup></xref> do <italic>corpus</italic> de estudo, 6 são palavras de conteúdo, resultado que pode reforçar o dado da métrica “frequência da palavra de conteúdo mais rara” que revelou que os enunciados do Celpe-Bras utilizam menos palavras raras de conteúdo do que os enunciados do Enem. Por sua vez, o <italic>corpus</italic> Enem apresenta um número maior de palavras-chave, como mostra a <xref ref-type="fig" rid="f7">Figura 7</xref> abaixo.</p>
			<p>
				<fig id="f7">
					<label>Figura 7:</label>
					<caption>
						<title>Palavras-chave do corpus Enem</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-330-gf7.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>A figura 7 mostra 20 das 33 palavras-chave do <italic>corpus</italic> Enem com chavicidade mais alta do que as do <italic>corpus</italic> de estudo, variando de 44.85 (Rank 1) até 14.47 (Rank 33). Considerando que a média de palavras desse <italic>corpus</italic> é 70,16, percebe-se que quase metade das palavras utilizadas são palavras específicas desse <italic>corpus</italic>. As 20 palavras-chave são palavras de conteúdo, corroborando o dado de que os enunciados do Enem utilizam palavras de conteúdo mais raras do que os do Celpe-Bras.</p>
			<p>Considerando mais atentamente as palavras-chave do <italic>corpus</italic> Celpe-Bras, destaca-se a presença de <italic>escreva</italic> no Rank 2, no modo imperativo, como esperado em um gênero de comando de escrita. Contudo, o <italic>corpus</italic> de referência utilizado também é composto por textos de comando de escrita e, por isso, pode-se pensar que essa palavra não seria apontada como uma palavra-chave. Ao averiguar, porém, a lista de palavras-chave do <italic>corpus</italic> Enem, verifica-se, em Rank 11, <italic>redija</italic>, também no modo imperativo.</p>
			<p>Ao investigar a lista de palavras, constatou-se que o Celpe-Bras utiliza outros verbos de comando similares à ação de escrever: além de <italic>escreva</italic> (26 vezes), o verbo <italic>redija</italic> (2 vezes), <italic>responda</italic> (2 vezes) e <italic>narre</italic> (1 vez), com um total de 31 verbos no modo imperativo nos 42 enunciados, o que indica que a tarefa 4 da Parte Escrita do Celpe-Bras utiliza formas diversificadas para dar o comando de escrita. Por outro lado, os 31 enunciados que compõem o <italic>corpus</italic> Enem utilizaram <italic>redija</italic> para dar o comando da tarefa, retratando um texto mais estável. Como vimos, os elementos que compõem os enunciados do Enem sofreram mudanças ao longo de sua história, salvo o verbo <italic>redigir</italic>, que foi usado desde 1998, sem exceções.</p>
			<p>Para compreender os usos de <italic>escreva</italic> e <italic>redija</italic> em ambos os <italic>corpora</italic>, procedemos à observação das linhas de concordância das palavras<xref ref-type="fn" rid="fn27"><sup>27</sup></xref> para identificar seus colocados.</p>
			<p>
				<fig id="f8">
					<label>Figura 8:</label>
					<caption>
						<title>Linhas de concordância de escreva no corpus Celpe-Bras e redija no corpus Enem</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-330-gf8.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>
				<xref ref-type="fig" rid="f8">Figura 8</xref> pode-se observar que há uma padronização no contexto de uso de <italic>redija</italic> no <italic>corpus</italic> Enem. As linhas de concordância mostram que os colocados imediatos (palavras que ocorrem logo antes ou depois do nódulo) de <italic>redija</italic> são, tanto à esquerda do nódulo (<italic>nodes</italic>) (palavra de interesse) quanto à direita, majoritariamente os mesmos, apontando o gênero <italic>texto dissertativo-argumentativo</italic> como o gênero dominante. Como discutido anteriormente, depreende-se que os enunciados das tarefas da redação do Enem seguem um modelo padrão de composição no qual o verbo de comando utilizado é sempre o verbo <italic>redigir</italic>, que, combinado com “(um) texto” ou “(um) texto dissertativo(-argumentativo)” ou “um texto em prosa” ou “uma dissertação”, caracteriza a orientação quanto ao texto solicitado.</p>
			<p>Por outro lado, ao observar as linhas de concordância da palavra <italic>escreva</italic> no <italic>corpus</italic> Celpe-Bras, vemos que, à esquerda do nódulo, não é possível observar nenhum padrão em seu uso; já à direita, observa-se, como colocados não imediatos, a ocorrência frequente dos gêneros <italic>e-mail</italic> (6), <italic>carta</italic> (5) e <italic>texto para ser publicado</italic> (7) em alguma revista ou jornal, além da menção explícita de meios de comunicação (<italic>blog</italic>, <italic>jornal</italic>, <italic>revista</italic>) ou partes deles (<italic>Painel do Leitor</italic>, <italic>seção Fale Conosco</italic>), o que mostra a maior diversidade de gêneros discursivos a serem produzidos pelos candidatos.</p>
			<p>Para comparar esses resultados com os colocados das duas palavras no <italic>Corpus do Português: NOW</italic><xref ref-type="fn" rid="fn28"><sup>28</sup></xref>, utilizamos a ferramenta <italic>Compara</italic> (<xref ref-type="fig" rid="f9">Figura 9</xref>). Foram comparados os verbos já nas formas do modo imperativo (e não seus <italic>lemmas</italic>). Como janela, foi utilizada uma distância máxima de 4 palavras somente à direta dos nódulos, visto que o objetivo era investigar o que os verbos exigiam para ser escrito ou redigido.</p>
			<p>
				<fig id="f9">
					<label>Figura 9:</label>
					<caption>
						<title>Comparação de escreva e redija</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-330-gf9.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>Os resultados da ferramenta de comparação mostram um número extremamente maior de <italic>ratio</italic> de ocorrência da palavra <italic>escreva</italic> (WORD 1), com 70.17, do que <italic>redija</italic> (WORD 2), com 0.01. <italic>Escreva</italic> seleciona tipicamente a palavra <italic>texto</italic>, sem, contudo, especificar o gênero da produção textual; já <italic>redija</italic> também seleciona <italic>dissertativo-argumentativo</italic> e <italic>carta</italic>. Portanto, podemos entender que a primeira palavra é usada com muito mais frequência e para diversas produções textuais, ao passo que a segunda é utilizada raramente e especialmente para comandos de textos dissertativo-argumentativos e cartas, ainda que ambos os textos também sejam colocados de <italic>escreva</italic>, 2 vezes com <italic>dissertativo-argumentativo</italic> e 31 com <italic>carta</italic>.</p>
			<p>Além disso, entre as 11 ocorrências do colocado <italic>dissertativo-argumentativo</italic> para <italic>redija</italic> (W2), 10 são de textos de um blog da revista <italic>Abril,</italic> chamado <italic>Guia do Estudante</italic>, e o último é de uma reportagem do jornal online <italic>O Globo</italic>, todas as ocorrências aparecem em textos que tratam sobre a Redação do Enem. Ou seja, o verbo <italic>redigir</italic> no modo imperativo, no <italic>corpus</italic> investigado, aparece sendo usado apenas em contexto de Redação do Enem.</p>
			<p>O comportamento dos <italic>lemmas</italic> das duas palavras-chaves também foi observado no <italic>corpus</italic> “Portuguese Web 2011 (ptTenTen11)”<xref ref-type="fn" rid="fn29"><sup>29</sup></xref> do <italic>Sketch Engine</italic> através da função <italic>Word Sketch</italic>, que fornece um sumário do comportamento gramatical e colocacional da palavra em estudo, elencando todas as combinatórias sintáticas da palavra (<xref ref-type="bibr" rid="B27">SANTOS; CHISHMAN 2018</xref>). Os resultados apontaram para a mesma direção: a palavra <italic>escrever</italic> é mais frequente, com 1,309,016 ocorrências, e <italic>redigir</italic>, bem menos frequente, com 37,015. Como é possível ver na figura a seguir, os usos dos dois termos também são distintos nesse <italic>corpus</italic>.</p>
			<p>
				<fig id="f10">
					<label>Figura 10:</label>
					<caption>
						<title>Relações sintáticas de escrever e redigir</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-37-01-330-gf10.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>As telas do <italic>Sketch Engine</italic> mostram a relação das duas palavras-chave com o sujeito (Relação 1) e o modificador nominal (Relação 2) da sentença. Nas ilustrações, quanto mais próximo ao <italic>lemma</italic> e maior a circunferência ao redor do colocado, maior a sua recorrência e, portanto, mais forte a sua relação (<xref ref-type="fig" rid="f10">Figura 10</xref>). Podemos ver que o sujeito de <italic>escrever</italic> é majoritariamente autor, você, escritor, jornalista ou poeta; e o sujeito de <italic>redigir</italic> é tabelião, escriba, escrivão, redator ou jurista. Já os modificadores nominais mais frequentes de <italic>escrever</italic> são prova, imprensa, palavra, livro, texto, artigo e carta; e os de <italic>redigir</italic> são ata, manuscrito, manifesto, testamento e prefácio. As relações de <italic>escrever</italic> remetem a interações mais cotidianas e jornalísticas, enquanto as relações da palavra <italic>redigir</italic> remetem a uma esfera de atuação bem mais restrita, como a jurídica. A frequência de ocorrência das palavras nos indica que <italic>escrever</italic> é mais comum, portanto, mais acessível do que <italic>redigir</italic>.</p>
			<p>Retomando as conclusões da seção anterior e o resultado da análise das palavras-chave do <italic>corpus</italic> Celpe-Bras, confirma-se aqui que as palavras de conteúdo apontam para o gênero da produção textual que a tarefa solicita. As palavras-chave <italic>você</italic>, <italic>escreva</italic>, <italic>jornal</italic>, <italic>revista</italic>, <italic>carta</italic> e <italic>é</italic> indicam que o enunciado da tarefa 4 direciona o examinando a se colocar na posição social de um enunciador que deve estabelecer uma interlocução comunicativa através de um texto escrito que se insere na esfera jornalística. As palavras-chave encontradas corroboram as análises de <xref ref-type="bibr" rid="B31">Schoffen et al. (2018</xref>), segundo as quais “na tarefa IV, diferentemente das outras três tarefas, não há grande variedade de esferas, e a esfera Jornalística tem grande destaque em número de ocorrências” (<xref ref-type="bibr" rid="B31">SCHOFFEN et al 2018</xref>: 45). É possível dizer, portanto, que, a partir dos padrões encontrados, confirma-se a noção de que, na tarefa 4, os enunciados solicitam predominantemente que o examinando tome o papel social de colaborador ou leitor de jornal e revista.</p>
			<p>Da mesma forma, em relação ao Enem, as análises linguísticas confirmam que os enunciados remetem às competências avaliadas, parecendo configurar-se como uma forma de legitimar os critérios de avaliação utilizados. Nesse sentido, poderia se inferir que a leitura do enunciado, embora apresente um alto nível de complexidade, pode não interferir na produção escrita, pressupondo que a estabilidade do gênero seja suficiente para o candidato saber o que deve fazer.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>6. Considerações finais</title>
			<p>Este trabalho analisou a complexidade de enunciados de tarefas de produção escrita dos exames Celpe-Bras e Enem como uma primeira etapa de um estudo mais amplo que visa discutir a complexidade de tarefas que integram leitura e produção escrita na Parte Escrita do exame Celpe-Bras levando em conta relações entre texto, tarefa e leitor/escritor.</p>
			<p>As análises apontam que os enunciados do Enem são textos complexos, que fazem uso de sentenças longas e palavras de uso raro. Além disso, o verbo <italic>redigir</italic>, por ser uma palavra de uso restrito e infrequente, pode não ser acessível de forma equivalente a todos os participantes. Tal resultado é corroborado pelas métricas do Índice Flesch, que demonstram que a complexidade dos textos é adequada apenas para áreas acadêmicas específicas (<italic>Muito difícei</italic>s, entre 0 e 29), portanto não apropriada a estudantes ao final do Ensino Médio. A estabilidade do uso da palavra-chave <italic>redija</italic> colocada com <italic>texto dissertativo-argumentativo</italic> (e suas variações) como indicações sobre o texto a ser escrito parece pressupor que o gênero <italic>Redação</italic> seja conhecido dos candidatos.</p>
			<p>Por outro lado, o estudo mostrou que a maioria dos enunciados da tarefa 4 da Parte Escrita do Celpe-Bras está no nível de dificuldade referente ao nível de escolaridade esperado, entre as faixas <italic>Difíceis</italic> e <italic>Razoavelmente Difíceis</italic> (30 e 59) nas métricas Flesch, e aponta para um perfil de enunciado com mais palavras por sentença, mais sentenças e mais verbos de ação, ainda que com um total de palavras menor. Apesar disso, os dados mostram enunciados com variações amplas de dificuldade textual que, se melhor controladas, talvez possam gerar tarefas mais válidas e análogas em relação à compreensão da linguagem utilizada em seu comando. Além disso, as palavras-chave <italic>você</italic>, <italic>escreva</italic>, <italic>jornal, revista</italic>, <italic>carta</italic> e <italic>é</italic> apontam para a produção de um texto da esfera jornalística por interlocutores que são colaboradores de jornais e revistas ou leitores, confirmando o perfil da tarefa 4 do exame apontado por <xref ref-type="bibr" rid="B31">Schoffen et al. (2018)</xref> e as indicações, no enunciado, sobre os elementos que compõem a prática social em foco como constituinte da prova.</p>
			<p>Entendendo que um enunciado não deveria se constituir em um obstáculo à produção textual, poderia se dizer que os exames em tela apresentam diferentes direcionamentos. O Enem apresenta um enunciado de alta complexidade, e as informações que oferece sobre o texto são pouco elucidativas, exigindo que o candidato conheça as características que compõem o gênero Redação. Já os enunciados do Celpe-Bras apresentam uma complexidade linguística adequada e explicita as características do texto a ser escrito, possibilitando maior acesso a um enunciado que efetivamente precisa ser compreendido para se ter sucesso na tarefa. Isso posto, embora apresentem níveis de complexidade distintos, não é possível afirmar que as produções escritas exigidas em qualquer um dos exames sejam simples: o Enem exige conhecimento das características de um texto dissertativo-argumentativo, e o Celpe-Bras, de vários gêneros do discurso. Um estudo sobre possíveis impactos de diferentes complexidades de enunciados na produção escrita de candidatos com mais e menos preparação prévia para os exames poderia contribuir para iluminar essa questão.</p>
			<p>É importante lembrar que nosso foco aqui foi somente o enunciado e que, como dito anteriormente, essa análise é a primeira etapa de uma investigação sobre a complexidade de tarefas avaliativas, entendida como uma relação entre texto-tarefa-leitor/escritor. As técnicas de análise da LC utilizadas possibilitaram expor padrões linguísticos que permitiram uma descrição dos enunciados com base em dados empíricos e não puramente subjetivos (<xref ref-type="bibr" rid="B7">FISCHER-STARCKE 2009</xref>). Esses resultados necessitam ser complementados por investigações qualitativas que averiguem aspectos como níveis de sentido, propósitos de leitura, estruturas composicionais, níveis de formalidade, clareza e demanda de conhecimentos prévios do leitor.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Este estudo é parte da pesquisa de doutorado de Nagasawa, orientada por Schlatter, em andamento na UFRGS.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>“Enunciado”, neste trabalho, é considerado equivalente a “comando” e “questão-estímulo”. As instruções gerais de escrita (uso do rascunho, forma de escrita, material apropriado para escrever, número de linhas etc.) não foram incluídas como parte do enunciado.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Dados do Acervo Celpe-Bras (<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://ufrgs.br/acervocelpebras">ufrgs.br/acervocelpebras</ext-link>). Acesso em: 10 abr. 2020.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>A Parte Escrita é composta por quatro tarefas de escrita com base em texto em vídeo (tarefa 1), em áudio (tarefa 2) e impresso (tarefas 3 e 4), avaliando de modo integrado a compreensão oral e a leitura com a produção escrita. Na Parte Oral, a compreensão e a produção oral são avaliadas em uma interação face a face.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>6,1 milhões de inscrições em 2020 (portal.mec.gov.br). Acesso em: 29 jun. 2020.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Ciências Humanas e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p><italic>A Three-Part Model for Measuring Text Complexity of Common Core State Standards for English Language Arts &amp; Literacy in History/Social Studies, Science, and Technical Subjects.</italic></p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Pode incluir níveis de sentido ou propósito, estrutura, formalidade e clareza de linguagem e demandas de conhecimento prévio.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>Pode incluir motivação, conhecimento e experiências do leitor; e os objetivos e a complexidade da tarefa e/ou das questões propostas.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>Aqui discorremos sobre a área de Língua Portuguesa, mas entendemos que o cuidado na elaboração de enunciados de tarefas diz respeito a todas as áreas do conhecimento. A capacidade de ler problemas matemáticos, por exemplo, requer a compreensão da língua portuguesa utilizada nos enunciados (<xref ref-type="bibr" rid="B26">RODRIGUES 2018</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p>No Celpe-Bras, o enunciado antecede o texto de insumo; no Enem, desde 2016, o enunciado é apresentado após.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p>Versão adaptada do Coh-Metrix (<xref ref-type="bibr" rid="B10">GRAESSER et al 2014</xref>) ao português (<xref ref-type="bibr" rid="B29">SCARTON; ALUÍSIO 2010</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>13</label>
				<p>Atualmente, a 4ª série corresponde ao 5० ano e a 8ª série ao 9० ano do Ensino Fundamental.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>14</label>
				<p>Inteligibilidade se refere ao nível em que um texto é mais fácil de ler do que outros e é diferente de legibilidade, que diz respeito aos aspectos visuais do texto (DUBAY 2004).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn15">
				<label>15</label>
				<p>Dados do site <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://inep.gov.br/provas-e-gabaritos">inep.gov.br/provas-e-gabaritos</ext-link>. Acesso em: 10 abr. 2020.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn16">
				<label>16</label>
				<p>Ainda que não seja objetivo testar hipóteses nulas com testes de significância, o uso de tratamentos estatísticos dos dados auxilia a descrever adequadamente o <italic>corpus</italic> de estudo e a identificar padrões de comportamento com possível potencial preditivo (<xref ref-type="bibr" rid="B15">KOPLENIG 2019</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn17">
				<label>17</label>
				<p>
					<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://laurenceanthony.net/software/antconc">laurenceanthony.net/software/antconc</ext-link>
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn18">
				<label>18</label>
				<p>
					<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://corpusdoportugues.org">corpusdoportugues.org</ext-link>
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn19">
				<label>19</label>
				<p>Entende-se por <italic>colocado</italic> a relação de recorrência habitual entre palavras que podem ser observadas, geralmente, em uma janela de até quatro palavras para a direita e para a esquerda da palavra nódulo (<xref ref-type="bibr" rid="B37">STUBBS 2007</xref>), expondo a “associação entre itens lexicais, ou entre o léxico e campos semânticos” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">SARDINHA 2004</xref>: 40).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn20">
				<label>20</label>
				<p>
					<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://sketchengine.eu">sketchengine.eu</ext-link>
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn21">
				<label>21</label>
				<p>Na <xref ref-type="fig" rid="f4">figura 4</xref>, abaixo das competências, listamos os termos utilizados ao longo dos anos. O primeiro da lista é o termo mais estável.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn22">
				<label>22</label>
				<p>Entre 1998 e 2001 os enunciados se diferenciam do modelo atual, pois traziam perguntas de leitura, e não tarefas integradas de leitura e escrita (<xref ref-type="bibr" rid="B31">SCHOFFEN et al 2018</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn23">
				<label>23</label>
				<p>Programa PEC-G: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://dce.mre.gov.br/PECG.html">dce.mre.gov.br/PECG.html</ext-link>. Acesso em: 10 abr. 2020.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn24">
				<label>24</label>
				<p>Diferentemente do Celpe-Bras, cujos resultados não classificam hierarquicamente os candidatos (a partir do nível intermediário, a vaga é confirmada para participantes do PEC-G), o Enem é usado como parte de um concurso seletivo para o ingresso na universidade. Nesse sentido, uma complexidade maior do que a esperada poderia ser um fator dificultador desejado pelos elaboradores para distinguir candidatos. Mesmo assim, como vimos, enunciados que possam obstaculizar responder uma questão não são desejáveis na avaliação ou no ensino.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn25">
				<label>25</label>
				<p>Os textos desses dois enunciados são: <italic>Muito Difícil</italic>, edição de 2008.2.2, “Você é um consumidor preocupado com a saúde da sua família. Com base nas informações da reportagem ‘Gordura Trans’, veiculada no site <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/gordura-trans/index.shtml">http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/gordura-trans/index.shtml</ext-link>, escreva uma carta para a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação, mencionando os riscos do consumo excessivo de gordura trans e solicitando que as empresas deixem de fabricar produtos alimentícios que contenham alto teor dessa gordura.”; <italic>Fácil</italic>, edição de 2002.2, “Após ler a crônica ‘Do mês que vem não passa’, coloque-se na situação de um dos personagens (mulher, marido, filho ou filha). Escreva um texto para ser publicado na mesma seção do jornal, expondo o seu ponto de vista sobre os motivos que mantêm junto o casal” (<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://ufrgs.br/acervocelpebras">ufrgs.br/acervocelpebras</ext-link>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn26">
				<label>26</label>
				<p>O número baixo de palavras-chave pode ser interpretado como resultado do uso de <italic>corpora</italic> pequenos e semelhantes.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn27">
				<label>27</label>
				<p>“A concordância é uma listagem das ocorrências de um item específico, dispostas de tal modo que a palavra de busca [...] aparece centralizada na página” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">SARDINHA 2004</xref>: 187).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn28">
				<label>28</label>
				<p><italic>Corpus</italic> com 1.4 bilhão de palavras.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn29">
				<label>29</label>
				<p><italic>Corpus</italic> com mais de 3 bilhões de palavras.</p>
			</fn>
		</fn-group>		
        <ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BAKHTIN</surname>
							<given-names>M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Estética da criação verbal</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Martins Fontes</publisher-name>
					<year>2003</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>BRASIL. Manual do examinando do Exame Celpe-Bras. Brasília: Ministério da Educação, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 2015.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<source>Manual do examinando do Exame Celpe-Bras</source>
					<publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
					<publisher-name>Ministério da Educação, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)</publisher-name>
					<year>2015</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>_____. Redação no ENEM 2018: cartilha do participante. Brasília: Ministério da Educação, Diretoria de Avaliação da Educação Básica, 2018.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
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					<source>Redação no ENEM 2018: cartilha do participante</source>
					<publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
					<publisher-name>Ministério da Educação, Diretoria de Avaliação da Educação Básica</publisher-name>
					<year>2018</year>
				</element-citation>
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					<source>Language Assessment: Principles and Classroom Practices</source>
					<publisher-loc>New York</publisher-loc>
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					<fpage>77</fpage>
					<lpage>104</lpage>
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					<source>A redação engaiolada: padrões lexicais e ensino de redação em cursos pré-vestibulares populares</source>
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