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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">tradterm</journal-id>
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				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Revista de Tradução e Terminologia</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">2317-9511</issn>
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				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9511.v41p155-171</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Articles</subject>
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				<article-title>As traduções de Lispector e a divulgação da crítica feminista no Brasil</article-title>
				<article-title>Lispector's translations and the dissemination of feminist criticism in Brazil</article-title>
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				<contrib contrib-type="author">
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						<surname>Silva</surname>
						<given-names>Renato Kerly Marques</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
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					<label>1</label>
					<institution content-type="original">Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina e integrante do Núcleo de Estudos Feministas e Pós-Coloniais de Narrativas da Contemporaneidade - LITERATUAL.</institution>
					<institution content-type="orgdiv1">Programa de Pós-Graduação em Literatura</institution>
					<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa Catarina</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>07</day>
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				<year>2022</year>
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			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
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			<volume>41</volume>
			<fpage>155</fpage>
			<lpage>171</lpage>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Este artigo apresenta uma análise das traduções feitas por Clarice Lispector de textos escritos por Virginia Woolf e Simone de Beauvoir, durante sua passagem pelo Jornal Comício (1952). Consideramos que a apresentação dos textos, e as diferentes técnicas de tradução utilizadas foram determinadas pelo contexto (<xref ref-type="bibr" rid="B7">FLOTOW 2014</xref>) de publicação e pelas relações culturais e literárias às quais o texto traduzido está relacionado (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BERMAN 2013</xref>). A perspectiva feminista de tal atividade pode ser identificada na introdução do pensamento das escritoras europeias para as leitoras brasileiras, promovendo a circulação das críticas que embasavam as lutas feministas daquele momento, como o acesso à educação e a autonomia financeira das mulheres.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>This article presents an analysis of translations made by Clarice Lispector of texts written by Virginia Woolf and Simone de Beauvoir, during her time at the newspaper Comício (1952). We consider that the presentation of the texts, and the different translation techniques used, were determined by the context (<xref ref-type="bibr" rid="B7">FLOTOW 2014</xref>) of publication and by the cultural and literary relations to which the translated text is related (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BERMAN 2013</xref>). The feminist perspective of such activity can be identified in the introduction of the thought of European writers to Brazilian readers, promoting the circulation of criticisms that supported the feminist struggles at that time, such as access to education and financial autonomy for women.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Estudos de tradução</kwd>
				<kwd>Crítica feminista</kwd>
				<kwd>Contexto</kwd>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Translation studies</kwd>
				<kwd>Feminist criticism</kwd>
				<kwd>Context</kwd>
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	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>A trajetória de Clarice Lispector é marcada pela intensa atividade intelectual. A produção de textos literários, com os quais alcançou notoriedade como escritora, é a atividade que recebe maior atenção da crítica. Entretanto, as pesquisas sobre as demais atividades que ela realizou ao longo de sua vida vêm se ampliando. Dessa forma, o trabalho como jornalista e como tradutora vem recebendo importantes análises após o ano 2000 (<xref ref-type="bibr" rid="B10">HANES; GUERINI 2016</xref>). O trabalho no jornalismo constituiu uma das principais ocupações de escritores brasileiros que não conseguiam sobreviver apenas com o dinheiro recebido pela venda dos livros, e com Lispector não foi diferente. <xref ref-type="bibr" rid="B8">Gomes (2004</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B12">Nolasco (2008</xref>) afirmam que a atividade de tradução de Lispector também decorre das dificuldades financeiras que a escritora enfrentava, sobretudo após separar-se de seu marido e decidir estabelecer-se com os filhos na cidade do Rio de Janeiro, após 1959.</p>
			<p>Dentre as pesquisas que analisam as traduções de Lispector, <xref ref-type="bibr" rid="B6">Ferreira (2013</xref>) apresenta o que parece ser o levantamento mais completo das traduções feitas pela autora. Em sua pesquisa, Ferreira identificou 37 livros traduzidos, 4 reescritos e 4 livros adaptados<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> de diferentes gêneros literários. Anne Rice, Agatha Christie, Jorge Luis Borges, Walter Scott e Edgar Allan Poe são alguns dos autores traduzidos pela escritora. Além das traduções publicadas, ela esteve envolvida na tradução de textos para o teatro, que apesar de terem sido encenados, não receberam uma versão impressa (<xref ref-type="bibr" rid="B10">HANES; GUERINI 2016</xref>).</p>
			<p>Como a maioria das traduções foram publicadas entre 1970 e 1976, há a hipótese, levantada por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Nolasco (2008</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B6">Ferreira (2013</xref>), de que Lispector não tenha traduzido todos os livros em que seu nome aparece como tradutora. Para estes críticos, os textos podem ter sido traduzidos por outras pessoas e receberam o nome da escritora para terem mais destaque nas livrarias. Pois, na década de 1970, Lispector já era uma escritora reconhecida, e ser anunciada como a tradutora de um livro poderia aumentar as vendas deste. Além disso, segundo os pesquisadores, essa prática era comum nas décadas de 1960 e 1970. Apesar do significativo volume de textos que têm sido coletados e analisados em trabalhos, como o realizado por <xref ref-type="bibr" rid="B10">Hanes e Guerini (2016</xref>), este artigo propõe um recorte específico: analisar duas traduções realizadas por Clarice Lispector, que foram publicadas no jornal <italic>Comício</italic>, em 1952. Sob o pseudônimo de Tereza Quadros, a autora assinava a coluna “Entre mulheres&quot;, onde publicava conselhos para donas de casa da classe média carioca. Entre dicas de beleza, comportamento e moda, havia textos com comentários sobre a situação da mulher e sua marginalização em algumas funções sociais. Na coluna publicada em 22 de maio de 1952, Lispector publicou o texto “A irmã de Shakespeare”, tradução de uma famosa passagem de <italic>A Room of One's Own</italic> (1929), no Brasil <italic>Um teto todo seu</italic>, de Virginia Woolf. No texto, a escritora inglesa reconhece que uma mulher que possuísse a mesma habilidade que Shakespeare, no período em que este escreveu suas peças teatrais, não teria espaço para exercer a função de escritora. Em 06 de junho de 1952, Lispector publicou, na seção “Aprendendo a viver”<italic>,</italic> uma passagem traduzida de <italic>Le deuxième sexe</italic> (1949), no Brasil <italic>O segundo sexo</italic>, de Simone de Beauvoir. O fragmento traz o relato de uma mulher decepcionada com a relação marital e com o processo de envelhecimento <xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>.</p>
			<p>A escolha destes recortes busca observar as diferentes técnicas de tradução mobilizadas em cada um dos textos, e destaca o envolvimento da tradutora com a discussão proposta por Virginia Woolf e Simone de Beauvoir. Cabe notar que elementos extratextuais parecem influenciar a forma como as traduções são apresentadas, ora com acréscimo ou supressão de informações como ocorre com o texto de Virginia Woolf, ora sem fazer referência ao nome de Simone de Beauvoir, quando apresenta o trecho de <italic>O segundo sexo</italic>.</p>
			<p>As escolhas de Lispector ao publicar tais textos confirmam a ideia de que “Translation is a deliberate act, eminently social, historical, and personal - a hugely variable, opportunistic act - and as such it is context-bound” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">FLOTOW 2014</xref>: 39). Ou seja, a publicação das referidas traduções sugere a adesão da autora às discussões que fundamentam os textos destacados, como a crítica à posição marginal da mulher na sociedade. Nesse sentido, o contexto de publicação destes textos indica como uma tradução pode ser elaborada e consequentemente divulgada. Ainda é importante destacar que a tradução é tensionada por elementos literários e culturais, que dizem respeito à forma como o tradutor pode explorar a norma culta e os textos consagrados que validam essa norma (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BERMAN 2013</xref>).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>1. Clarice Lispector no jornal Comício</title>
			<p>Como citamos inicialmente, nos últimos anos alguns críticos têm se dedicado a analisar os textos literários e jornalísticos de Lispector, considerando aspectos que indicam uma crítica às condições de vida enfrentadas por mulheres de uma classe média branca carioca da segunda metade do século XX. A atenção que a escritora dedica à intimidade das suas personagens parece dialogar com a perspectiva feminista de que o pessoal é político, antes da expressão começar a ser usada, na década de 1960.</p>
			<p>Os trabalhos de <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bueno; Santana (2017</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B14">Nunes (2019</xref>) destacam a atividade feminista de Lispector no jornal <italic>Comício</italic>. Apesar da escritora ter publicado traduções de diferentes autores (como Bernard Shaw e Katherine Mansfield), neste artigo, apenas dois textos receberão nossa atenção: “A irmã de Shakespeare”, publicado em 22 de maio de 1952, e o texto da seção “Aprendendo a viver”, de 06 de junho de 1952. A seleção destes textos ocorre mediante o interesse de destacar as diferentes operações tradutórias realizadas por Clarice Lispector, destacando que elementos intra e extra textuais marcam seu trabalho. Além de indicarem a adesão da tradutora ao feminismo europeu, ainda que ela não falasse nestes termos.</p>
			<p>No primeiro texto, “A irmã de Shakespeare”, Lispector apresenta um trecho do famoso ensaio de Virginia Woolf, <italic>Um teto todo seu</italic> (1929). Uma análise inicial indica a dificuldade de classificar a passagem como uma tradução, já que é possível identificar muitas alterações entre o texto de partida e o texto publicado no jornal. Ao analisar o trabalho de Lispector como tradutora, entre os anos de 1974 e 1976, <xref ref-type="bibr" rid="B12">Nolasco (2008</xref>: 266) identifica que ela realizava uma “transcriação autoral própria”, para este crítico, o processo de tradução de Lispector se aproxima do termo transcriação, cunhado por Haroldo de Campos. Ao pensar sobre o processo de tradução de “textos criativos”, <xref ref-type="bibr" rid="B4">Campos (2004</xref>) observa que sempre haverá recriação durante o processo de tradução devido a intraduzibilidade da informação estética.</p>
			<p>No primeiro texto que analisaremos, por tratar-se de um texto produzido segundo características que o aproximam do gênero ensaístico, não é possível identificar a transcriação de que tratam <xref ref-type="bibr" rid="B12">Nolasco (2008</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B4">Campos (2004</xref>), também não parece apropriado considerá-lo especificamente como uma tradução. Ao analisar as diferentes formas de tratamento a que os textos são submetidos, <xref ref-type="bibr" rid="B16">Venuti (2007</xref>) observa que </p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Contemporary translators are required by their publishers, often explicitly in contracts, to render the source text without any deletions and with only such additions as might be necessary to make that text intelligible in the translating language and culture. An adaptation, in contrast, might depart widely from its prior materials, submitting them to various kinds of manipulation and revision</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B16">VENUTI 2007</xref>: 29)<italic>.</italic></p>
			</disp-quote>
			<p>No caso dos textos apresentados por Lispector, o conceito de adaptação descrito por Venuti parece contemplar melhor as ações realizadas, pois, além de suprimir algumas passagens do texto de partida, ocorre o acréscimo de mais elementos que os necessários para torná-lo compreensível em língua portuguesa, sendo possível perceber as manipulações e as revisões que o texto recebeu.</p>
			<disp-quote>
				<p>A irmã de Shakespeare</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Uma escritora inglesa - Virginia Woolf - querendo provar que mulher nenhuma, na época de Shakespeare, poderia ter escrito as peças de Shakespeare. Inventou, para este último, uma irmã que se chamaria Judith. Judith teria o mesmo gênio que seu irmãozinho Shakespeare, só que, por gentil fatalidade da natureza, usaria saias.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Antes, em poucas palavras, V. Woolf descreveu a vida do próprio Shakespeare: frequentara escolas, estudara em latim Ovídio, Virgílio, Horácio, além de todos os outros princípios de cultura; <italic>em menino, caçara coelhos,</italic> perambulara pelas vizinhanças, espiara bem o que queria espiar, armazenando infância; como rapazinho, foi obrigado a casar um pouco apressado; essa ligeira leviandade deu-lhe vontade de escapar - e ei-lo a caminho de Londres, em busca da sorte. <italic>Como tem sido bastante provado, ele tinha gosto por teatro. Começou por empregar-se como “olheiro” de cavalos, na porta de um teatro, depois imiscuiu-se entre os atores, conseguiu ser um deles, frequentou o mundo, aguçou suas palavras em contato com as ruas e o povo, teve acesso ao palácio da rainha,</italic> terminou sendo Shakespeare.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>E Judith? Bem, Judith não seria mandada para a escola. E ninguém lê em latim sem ao menos saber as declinações. Às vezes, como tinha tanto desejo de aprender, pegava nos livros do irmão. Os pais intervinham: adoravam-na e queriam que ela se tornasse uma verdadeira mulher. Chegou a época de casar. Ela não queria, sonhava com outros mundos. Apanhou do pai, viu as lágrimas da mãe. Em luta com tudo, mas com o mesmo ímpeto do irmão, arrumou uma trouxa e fugiu para Londres. Também Judith gostava de teatro. <italic>Parou na porta de um, disse que queria trabalhar com os artistas</italic> - foi uma risada geral, todos imaginaram logo outra coisa. Como poderia arranjar comida? Nem podia ficar andando pelas ruas. Alguém, um homem, teve pena dela. Em breve ela esperava um filho. <italic>Até que, numa noite de inverno, ela se matou. “Quem”</italic>, diz Virginia Woolf, <italic>“poderá calcular o calor e a violência de um coração de poeta quando preso no corpo de uma mulher?”</italic></p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>E assim acaba a história que não existiu (COMÍCIO 22. maio.1952: 18, grifo nosso).</p>
			</disp-quote>
			<p>Possivelmente, esta é a primeira vez que as ideias de Virginia Woolf sobre a dificuldade para as mulheres adentrarem o campo literário encontram um público de brasileiras que pudessem lê-la em língua portuguesa<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>. Pensar os motivos que fizeram Lispector selecionar este trecho, pode levar ao caminho tenso que relaciona as inquietações da jornalista com as dificuldades que ela enfrentava como escritora para ter seus livros publicados, lidos e reconhecidos. Entretanto, não é possível separar os interesses da escritora Clarice Lispector, ao selecionar quais textos seriam divulgados na coluna que ela escrevia, de seu envolvimento com as discussões que eles representam. Nesse sentido, a irmã hipotética de Shakespeare reflete as perspectivas de Lispector e de muitas outras mulheres como escritoras. O final trágico anuncia um futuro de poucas possibilidades, mesmo depois de muitos séculos da morte de Judith. Outrossim, o artigo também reflete a crítica que já frequentava o trabalho da Lispector jornalista. Em 1941, ainda cursando o terceiro ano do curso de Direito, ela publicou no jornal <italic>A Época</italic>, o artigo “Deve a mulher trabalhar?” em que discute sobre o acesso da mulher ao mercado de trabalho.</p>
			<p>O trecho que Lispector apresenta na coluna “Entre mulheres” foi traduzido a partir da seguinte passagem de <italic>A Room of One's Own</italic>:</p>
			<disp-quote>
				<p><bold>
 <italic>Be that as it may, I could not help thinking, as I looked at the works of Shakespeare on the shelf, that the bishop was right at least in this; it would have been impossible, completely and entirely, for any woman to have written the plays of Shakespeare in the age of Shakespeare. Let me imagine, since facts are so hard to come by, what would have happened had Shakespeare had a wonderfully gifted sister, called Judith, let us say. Shakespeare himself went, very probably, - his mother was an heiress - to the grammar school, where he may have learnt Latin - Ovid, Virgil and Horace - and the elements of grammar and logic. He was, it is well known, a wild boy who poached rabbits, perhaps shot a deer, and had, rather sooner than he should have done, to marry a woman in the neighbourhood, who bore him a child rather quicker than was right. That escapade sent him to seek his fortune in London. He had, it seemed, a taste for the theatre; he began by holding horses at the stage door. Very soon he got work in the theatre, became a successful actor, and lived at the hub of the universe, meeting everybody, knowing everybody, practicing his art on the boards, exercising his wits in the streets, and even getting access to the palace of the queen. Meanwhile his extraordinarily gifted sister, let us suppose, remained at home. She was as adventurous, as imaginative, as agog to see the world as he was. But she was not sent to school. She had no chance of learning grammar and logic, let alone of reading Horace and Virgil. She picked up a book now and then, one of her brother's perhaps, and read a few pages. But then her parents came in and told her to mend the stockings or mind the stew and not moon about with books and papers. They would have spoken sharply but kindly, for they were substantial people who knew the conditions of life for a woman and loved their daughter - indeed, more likely than not she was the apple of her father's eye. Perhaps she scribbled some pages up in an apple loft on the sly but was careful to hide them or set fire to them. Soon, however, before she was out of her teens, she was to be betrothed to the son of a neighbouring wool-stapler. She cried out that marriage was hateful to her, and for that she was severely beaten by her father. Then he ceased to scold her. He begged her instead not to hurt him, not to shame him in this matter of her marriage. He would give her a chain of beads or a fine petticoat, he said; and there were tears in his eyes. How could she disobey him? How could she break his heart? The force of her own gift alone drove her to it. She made up a small parcel of her belongings, let herself down by a rope one summer's night and took the road to London. She was not seventeen. The birds that sang in the hedge were not more musical than she was. She had the quickest fancy, a gift like her brother's, for the tune of words. Like him, she had a taste for the theatre. She stood at the stage door; she wanted to act, she said. Men laughed in her face. The manager-a fat, looselipped man-guffawed. He bellowed something about poodles dancing and women acting-no woman, he said, could possibly be an actress. He hinted-you can imagine what. She could get no training in her craft. Could she even seek her dinner in a tavern or roam the streets at midnight? Yet her genius was for fiction and lusted to feed abundantly upon the lives of men and women and the study of their ways. At last-for she was very young, oddly like Shakespeare the poet in her face, with the same grey eyes and rounded brows-at last Nick Greene the actor-manager took pity on her; she found herself with child by that gentleman and so-who shall measure the heat and violence of the poet's heart when caught and tangled in a woman's body? -killed herself one winter's night and lies buried at some crossroads where the omnibuses now stop outside the Elephant and Castle</italic>
</bold> (<xref ref-type="bibr" rid="B17">WOOLF 1977</xref>: 52-54, grifo nosso).</p>
			</disp-quote>
			<p>Primeiramente, precisamos lembrar que estes dois textos foram publicados em diferentes meios. Enquanto Lispector tinha o espaço de uma página de jornal, que era dividida com imagens e outras seções, o texto de Woolf ocupava as páginas de um livro. A diferença do meio de publicação já indica a necessidade de mudanças entre os dois textos. Ao analisar as traduções que são publicadas em jornais, <xref ref-type="bibr" rid="B9">Guerrero (2006</xref>) destaca que a amplificação, a compressão e a elisão são técnicas amplamente utilizadas na preparação de traduções para publicação em periódicos. De forma resumida, a amplificação consiste na inserção de informações que não estão presentes no texto de partida, seja para explicar ou contextualizar uma informação; a compressão é a atividade de sintetizar as informações com menos palavras; a elisão consiste na supressão de passagens do texto que será traduzido, <xref ref-type="bibr" rid="B9">Guerrero (2006</xref>: 134) destaca, ainda, que a elisão costuma ser utilizada quando o espaço para publicação é menor do que o ocupado pelo texto de partida.</p>
			<p>Quando comparamos os textos, percebemos que as técnicas descritas por <xref ref-type="bibr" rid="B9">Guerrero (2006</xref>) foram mobilizadas ao longo de toda a tradução. O texto de Woolf contém 732 palavras, das quais Lispector suprimiu as ideias expressas por 408 palavras (as palavras suprimidas foram colocadas em negrito no excerto em inglês). Ainda sobre as comparações entre os textos, das 353 palavras que formam o texto publicado por Lispector, apenas 96 palavras compõem trechos que podem ser considerados como uma tradução literal, em que se percebe a proximidade com o texto de partida (estas 96 palavras foram colocadas em itálico no texto em português). No restante do texto de Lispector foram introduzidas algumas amplificações, como os trechos que fazem referência a Virginia Woolf e aos motivos que a levaram a escrever a passagem traduzida, bem como o título que é atribuído e a frase que encerra a narrativa. Além das amplificações, diversas passagens comprimem informações presentes no texto de partida.</p>
			<p>Embora Lispector tenha dado mais atenção à passagem em que o pai bate em Judith, e omitido as passagens que registram a forma como ele implora à filha que aceite o casamento, ou à impossibilidade que representava uma mulher trabalhar como atriz em uma companhia de teatro, essas elisões não diminuem as violências a que a personagem é submetida e, também, não afetam a compreensão da mensagem central: as mulheres não tiveram as mesmas condições de desenvolvimento intelectual ou oportunidades para trabalhar em atividades fora do ambiente doméstico como os homens.</p>
			<p>A preocupação de Lispector ao omitir e comprimir ideias presentes no texto de Virginia Woolf pode decorrer do espaço disponível para a publicação. As amplificações inseridas, principalmente as referências ao nome da autora, acabam por legitimar o texto, pois, ao citar o nome de uma renomada escritora, a tradutora desperta a atenção de alguns círculos da sociedade carioca. Nesse sentido, o texto traduzido se vale do reconhecimento de sua autora para chamar a atenção de uma possível leitora, efeito inverso do que pode ter contribuído para que o nome de Clarice Lispector fosse associado a traduções que ela, possivelmente, não teria realizado, como defendem <xref ref-type="bibr" rid="B12">Nolasco (2008</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B6">Ferreira (2013</xref>). Como discutido inicialmente, a indicação do nome de Lispector, em algumas traduções atribuídas a ela, na década de 1970, pode ter sido feita com o objetivo de, a partir da notoriedade conquistada por Lispector, atrair a atenção de leitores para trabalhos de escritores famosos internacionalmente, mas pouco conhecidos no Brasil.</p>
			<p>Como aponta <xref ref-type="bibr" rid="B13">Nouss (2007</xref>), embora o texto traduzido se apresente como um texto diferente do original, <italic>“the original makes known and legitimizes its own existence only in and through the translation. Each refers irremediably to the other”</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B13">NOUSS 2007</xref>: 250). Dessa maneira, um texto sustenta o outro, a tradução legitima o texto original, enquanto o texto original é legitimado pela tradução. Ambos validam um saber, uma experiência que merece ser apresentada a leitores que não teriam acesso a ele, na língua em que fora inicialmente escrito.</p>
			<p>No outro exemplo que será discutido, a tradução receberá um tratamento diferente do que foi dado ao texto de Woolf:</p>
			<disp-quote>
				<p>Todos os anos, no Natal, madame H. W., pálida, vestida com cores sombrias, vem me ver para se queixar da sua sorte. É uma história triste que ela conta, vertendo lágrimas. Uma vida frustrada, um casamento fracassado!</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Da primeira vez em que veio, comovi-me até as lágrimas, pronto a chorar com ela... Nesse ínterim, dois longos anos se passaram e ela continua a morar nas ruínas das suas esperanças, chorando sua vida perdida.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Seus traços acusam os primeiros sintomas de declínio, o que lhe dá nova razão para se lamentar. “Em que me transformei, eu, cuja beleza era tão admirada!” Multiplica seus lamentos, acentua seus desesperos porque todas as amigas conhecem sua sorte infeliz. Amola todo o mundo com suas queixas... O que lhe fornece nova oportunidade para se sentir infeliz, só e incompreendida.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Não havia mais saída para esse labirinto de dores... Essa mulher encontrava prazer no seu papel trágico. Embriagava-se ao pensamento de ser a mulher mais desgraçada da terra. Todos os esforços para fazê-la tomar parte na vida ativa falharam (STEKEL) (COMÍCIO 06.JUN.1952: 18).</p>
			</disp-quote>
			<p>A passagem citada está presente no livro <italic>O segundo sexo</italic>, de Simone de Beauvoir, publicado em 1949. O trecho apresentado por Lispector é um dos exemplos que Beauvoir usa para ilustrar a forma como as mulheres viveriam o sentimento narcísico, esse excerto <xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref> indica como algumas mulheres sentem prazer em se reconhecerem como “a mulher mais infeliz do mundo” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">BEAUVOIR 1976</xref>: 525). Neste exemplo, o casamento fracassado e o fim da juventude destacam a centralidade destes temas e a forma como eles limitavam a atuação das mulheres. Apenas como casada, a senhora H. W. poderia encontrar alguma satisfação. Quando comparado com o texto de partida, vemos que, ao contrário do que ocorre em “A irmã de Shakespeare”, neste foram preservadas as características textuais, as ideias e o número aproximado de palavras que estão presentes nas páginas de <italic>O segundo sexo</italic>:</p>
			<disp-quote>
				<p>Chaque année à Noël, Mme. H.W.…, pâle, vêtue de couleurs sombres, vient chez moi pour se plaindre de son sort. C'est une histoire triste qu'elle raconte en versant des larmes. Une vie manquée, un ménage raté! La première fois qu'elle vint, je fus ému aux larmes et prêt à pleurer avec elle… Entre-temps, deux longues années se sont écoulées et elle habite toujours les ruines de ses espérances en pleurant sa vie perdue. Ses traits accusent les premiers symptômes de déclin, ce qui lui donne une autre raison de se plaindre. «Que suis-je devenue, moi dont la beauté était tant admirée!» Elle multiplie ses plaintes, souligne son désespoir parce que tous ses amis connaissent son sort malheureux. Elle ennuie tout le monde de ses plaintes… C'est une autre occasion pour elle de se sentir malheureuse, seule et incomprise. Il n'y avait plus d'issue à ce labyrinthe de douleurs… Cette femme trouvait sa jouissance dans ce rôle tragique. Elle se grisait littéralement de la pensée d'être la femme la plus malheureuse de la terre. Tous les efforts pour lui faire prendre part à la vie active échouèrent (STEKEL apud <xref ref-type="bibr" rid="B1">BEAUVOIR 1976</xref>:525).</p>
			</disp-quote>
			<p>Os textos ocupam proporções semelhantes, são 187 palavras no texto de partida e 173 palavras na tradução. A redução decorre da eliminação de alguns pronomes pessoais, algumas conjunções e preposições, e da contração de preposições com artigos. Além destas alterações, a mudança mais expressiva parece ser a disposição do texto publicado em <italic>Comício</italic>. Enquanto o texto em francês é apresentado como um único parágrafo, Lispector divide-o em quatro. Novamente, o meio de publicação parece influenciar a apresentação do texto, pois sua disposição em pequenos parágrafos facilita a leitura.</p>
			<p>Neste exemplo, torna-se necessário dedicarmos atenção à omissão do nome de Simone de Beauvoir, e de <italic>O segundo sexo</italic> na coluna. Como cita Nunes, a coluna “Entre mulheres” é um espaço “para divulgar as ideias que [Lispector] traz da Europa” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">NUNES 2019</xref>: 161). A coluna “tem o propósito deliberado de fundar um espaço conscientizador, catártico, psicoterápico e educador, mediante à exposição de casos ou de narrativas de como deve ser a mulher” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">NUNES 2019</xref>: 166). Essa conscientização parece partir de uma reflexão influenciada por leituras e experiências acessadas no período em que Lispector, em companhia do marido, viveu na Itália, Suíça, Inglaterra e Estados Unidos<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>, e era voltada para as dificuldades das mulheres do grupo social ao qual Lispector pertencia, mulheres brancas, de uma classe econômica dos extratos médios que, em muitos casos, tinham uma formação escolar elevada, mas não tinham acesso a postos de trabalho compatíveis à formação que possuíam.</p>
			<p>No contexto dos anos de 1950, é impossível negar o esforço de Lispector em ampliar a discussão sobre as relações de trabalho e as perspectivas de vida das mulheres, embora seja necessário destacar que essa preocupação parece restrita a um público formado por mulheres de classe média branca de áreas urbanas. Os textos traduzidos por ela, reproduzem a invisibilidade de outras mulheres e dessa forma, mantêm o silenciamento sobre a opressão de mulheres de diferentes classes sociais e etnias, dentre outros marcadores. Mas, ao mesmo tempo, é possível ver nos textos traduzidos por Lispector a tentativa de produzir o que Spivak denomina <italic>“positive essentialism”</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B15">SPIVAK 1987</xref>: 205), que tem o objetivo político de identificar uma pauta comum que ligasse mulheres brasileiras às pautas reivindicadas por mulheres europeias, o que possibilitaria a aproximação entre elas.</p>
			<p>É importante lembrar que a publicação de <italic>O segundo sexo</italic> encontrou uma recepção hostil em muitos pontos do mundo. Apesar do sucesso de vendas na semana de lançamento, com mais de 22 mil exemplares vendidos em Paris, a Igreja Católica considerou-o impróprio. Portugal e Rússia proibiram a circulação do livro. A edição argentina foi banida da Espanha franquista. Diante do “Auê sobre <italic>O segundo sexo</italic>”, que despertou a ira de críticos de todas as tendências políticas francesas (<xref ref-type="bibr" rid="B5">CHAPERON 1999</xref>), parece compreensível a omissão do nome de Simone de Beauvoir e de <italic>O segundo sexo</italic>, na coluna. Mesmo com a segurança de assinar o texto com o pseudônimo de Tereza Quadros, é possível imaginar a preocupação em manter a coluna distante de discussões como as que envolveram <italic>O segundo sexo</italic>, que muitas vezes se desviavam do texto escrito por Beauvoir, para uma discussão sobre uma moral da sociedade francesa e de sua autora.</p>
			<p>Em oposição às discussões envolvendo Simone de Beauvoir, não havia discussões relacionadas à Virginia Woolf, o que permitia que o nome desta fosse citado sem nenhuma preocupação com a reação do público. Assim, a expectativa em relação à recepção das leitoras, no caso das referidas traduções, denuncia como o contexto atua sobre o trabalho da tradutora. Retomando a reflexão de <xref ref-type="bibr" rid="B7">Flotow (2014</xref>), a omissão das referências ao texto de Beauvoir indica como fatores sociais interferem no trabalho e na publicação de um determinado texto e, neste caso, essas considerações tentavam prever as discussões que poderiam ser iniciadas a partir da divulgação de textos traduzidos.</p>
			<p>Embora o excerto de <italic>O segundo sexo</italic> contenha a mesma informação do texto de partida, o fato de ser apenas um fragmento do texto, que está nas páginas finais do segundo volume do livro, dificulta a identificação de sua fonte. Além disso, na época ainda não havia tradução do livro para o português. Possivelmente, omitir a referência ao livro e a Simone de Beauvoir permitiu que a mensagem circulasse sem que as discussões que perpassaram a recepção de <italic>O segundo sexo</italic> atingissem à jornalista, ou a comprometessem oficialmente com o rótulo de feminista. Para termos ideia de como a associação ao feminismo ocorria de diferentes maneiras, Simone de Beauvoir só passou a se identificar como feminista na década de 1960 (<xref ref-type="bibr" rid="B5">CHAPERON 1999</xref>), Clarice Lispector nunca se associou ao Feminismo, negando esta possibilidade em algumas entrevistas.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>O trabalho de Clarice Lispector enquanto tradutora, a partir do recorte apresentado neste artigo, destaca o uso de diferentes estratégias na elaboração de suas traduções. No primeiro exemplo, ela apresenta um texto em que é possível identificar as manipulações e revisões às quais o texto foi submetido, produzindo uma adaptação (<xref ref-type="bibr" rid="B16">VENUTI 2007</xref>). Embora modificado, o texto é legitimado pelas referências à sua autora. No segundo exemplo, embora apresente um texto que preserva as frases do texto de partida, alterando pronomes, conjunções, preposições e artigos que podem ficar ocultos ou devem ser contraídos em português, a disposição dos parágrafos é alterada.</p>
			<p>Traduzir a passagem em que Virginia Woolf descreve a trajetória de uma hipotética irmã de Shakespeare, ou separar a passagem, citada em <italic>O segundo sexo</italic>, em pequenos parágrafos para facilitar a leitura são algumas das estratégias mobilizadas nas traduções destacadas. Além da adaptação dos textos para a veiculação em jornais, a omissão do nome de Simone de Beauvoir indica como elementos externos ao texto podem interferir no trabalho de tradução (<xref ref-type="bibr" rid="B7">FLOTOW 2014</xref>). Fatores como as relações sociais, culturais e de trabalho, que cercam a atividade de tradução, podem influenciar na versão do texto que será apresentada ao final do processo, bem como, a seleção destes denuncia, mesmo que indiretamente, o engajamento político da tradutora.</p>
			<p>Ao observar as diferentes estratégias utilizadas por Clarice Lispector em suas traduções, lembramos das reflexões de Antoine <xref ref-type="bibr" rid="B2">Berman (2013</xref>). O autor registra que “todo tradutor está exposto a um jogo de força” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BERMAN 2013</xref>: 63), que lhe exigem a habilidade em tornar o texto compreensível aos leitores de uma língua (a tradução etnocêntrica) e também cobram dele o diálogo entre o texto traduzido e os textos existentes na língua de chegada (a tradução hipertextual). A partir do manejo de dimensões culturais e literárias, que por vezes atuam como “forças deformadoras” da tradução, por estarem subordinadas ou submeterem a tradução a uma adesão à norma culta da língua, o tradutor atua para abrir a experiência promovida por um texto, para um outro público (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BERMAN 2013</xref>: 90).</p>
			<p>Além disso, a publicação de textos que questionavam a situação de dificuldade vivenciada por muitas mulheres, como a interdição de acesso a determinados setores do mercado de trabalho, ou à dependência da mulher em relação ao casamento, apresentam uma tentativa de divulgação da crítica formulada pelas escritoras europeias na busca de direitos para as mulheres. Embora não associada diretamente ao feminismo, ao promover a circulação de tal crítica, Lispector abre espaço para a discussão sobre os temas, pelo menos, entre mulheres de uma classe média carioca, da década de 1950, que parecem ser o público-alvo da coluna “Entre mulheres”.</p>
		</sec>
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			<title>Referências bibliográficas</title>
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					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
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					<chapter-title>Trancing the Context of Translation: The Example of Gender</chapter-title>
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					<lpage>252</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B14">
				<mixed-citation>NUNES, A. M. Falas entrecruzadas, o viés feminista na produção midiática de Clarice Lispector. Caderno Espaço Feminino. v. 32, n.1, set., 2019, pp. 149-174. Disponível em: <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.seer.ufu.br/index.php/neguem/article/view/50668">http://www.seer.ufu.br/index.php/neguem/article/view/50668</ext-link>
					</comment>. Acesso em 20 jun. 2021.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
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						<name>
							<surname>NUNES</surname>
							<given-names>A. M.</given-names>
						</name>
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					<article-title>Falas entrecruzadas, o viés feminista na produção midiática de Clarice Lispector</article-title>
					<source>Caderno Espaço Feminino</source>
					<volume>32</volume>
					<issue>1</issue>
					<month>09</month>
					<year>2019</year>
					<fpage>149</fpage>
					<lpage>174</lpage>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.seer.ufu.br/index.php/neguem/article/view/50668">http://www.seer.ufu.br/index.php/neguem/article/view/50668</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2021-06-20">Acesso em 20 jun. 2021</date-in-citation>
				</element-citation>
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			<ref id="B15">
				<mixed-citation>SPIVAK, G. C. In Other Worlds: Essays in Cultural Politics. New York and London: Methuen, 1987.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SPIVAK</surname>
							<given-names>G. C.</given-names>
						</name>
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					<source>In Other Worlds: Essays in Cultural Politics</source>
					<publisher-loc>New York and London</publisher-loc>
					<publisher-name>Methuen</publisher-name>
					<year>1987</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B16">
				<mixed-citation>VENUTI, L. Adaptation, Translation, Critique. Journal of Visual Culture. v. 6, n. 1, Los Angeles, London, New Delhi and Singapore: SAGE Publications, 2007. pp. 25-43.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
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						<name>
							<surname>VENUTI</surname>
							<given-names>L.</given-names>
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					<article-title>Adaptation, Translation, Critique</article-title>
					<source>Journal of Visual Culture</source>
					<volume>6</volume>
					<issue>1</issue>
					<publisher-loc>Los Angeles, London, New Delhi and Singapore</publisher-loc>
					<publisher-name>SAGE Publications</publisher-name>
					<year>2007</year>
					<fpage>25</fpage>
					<lpage>43</lpage>
				</element-citation>
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			<ref id="B17">
				<mixed-citation>WOOLF, V. A Room of One's Own. London: Grafton, 1977 [1929].</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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							<surname>WOOLF</surname>
							<given-names>V.</given-names>
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					<source>A Room of One's Own</source>
					<publisher-loc>London</publisher-loc>
					<publisher-name>Grafton</publisher-name>
					<year>1977</year>
				</element-citation>
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		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B6">Ferreira (2013</xref>) não explica qual é a diferença entre livros reescritos ou adaptados, a classificação apresentada considera a informação que consta na capa dos livros, assinados como traduzidos por Clarice Lispector, sem emitir nenhuma avaliação sobre o significado desses termos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Para termos uma melhor noção sobre os temas da coluna, no dia em que publicou “A irmã de Shakespeare”, os demais textos da coluna tratavam sobre: exercícios para afinar a cintura; os benefícios da máscara de tomate e da massagem facial para a pele; um novo modelo de <italic>tailleur;</italic> quais segredos da personalidade de uma mulher podem ser revelados a partir do formato de seus lábios; e comentários sobre o erro em preocupar-se com coisas que não podem ser modificadas. No dia em que publicou o excerto de <italic>O segundo sexo</italic>, a coluna trazia uma poesia de Almeida Garret; falava do lançamento de uma nova cor; ensinava como preparar café turco, fazer um chá emagrecedor, ter belas costas e combinar saias de diferentes tecidos. Como será apontado por <xref ref-type="bibr" rid="B14">Nunes (2019</xref>), em meio a textos que abordavam temas como tratamentos de beleza, moda e comportamento, apareciam textos que questionavam as condições de trabalho e vida das mulheres, como os excertos que serão analisados neste artigo.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>A primeira versão do livro de Virginia Woolf que circulou no Brasil, em português, foi a edição portuguesa publicada pela Editora Vega, em 1978, traduzido por Maria Emília Barros Moura, com o título <italic>Um quarto que seja seu</italic>. A primeira edição brasileira foi publicada pela Editora Nova Fronteira, em 1985, traduzido por Vera Ribeiro, com o título <italic>Um teto todo seu</italic>. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Esta passagem foi publicada inicialmente no livro <italic>La femme frigide</italic> (1937), de Wilhelm Stekel.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Clarice Lispector citou suas referências literárias em diversas entrevistas e em cartas enviadas a amigos e familiares. Uma delas foi enviada ao escritor Fernando Sabino, em 1946, quando estava em Berna, Lispector informou ao escritor brasileiro que havia lido <italic>A Convidada</italic>, de Simone de Beauvoir (<xref ref-type="bibr" rid="B11">LISPECTOR 2001</xref>: 55).</p>
			</fn>
		</fn-group>
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