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				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
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				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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					<subject>Articles</subject>
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				<article-title>O relativismo linguístico dos nomes populares das espécies da <italic>fauna</italic> e da <italic>flora</italic></article-title>
				<article-title xml:lang="en">Linguistic relativism of common names in fauna and flora species</article-title>
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				<institution content-type="original">Universidade do Estado de Minas Gerais, Passos. E-mail: sabrina.martins@unesp.br</institution>
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				<institution content-type="original">Universidade Estadual Paulista, IBILCE, São José do Rio Preto. E-mail: claudia.zavaglia@unesp.br</institution>
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				<year>2022</year>
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			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>A necessidade de comunicação para ulterior divulgação do conhecimento é premente no mundo atual. No âmbito dos estudos linguísticos, tal problemática abrange a relação de interdependência entre língua, cultura e sociedade. O presente trabalho situa-se no conjunto de estudos em tradução voltados para o discurso especializado (<xref ref-type="bibr" rid="B4">CABRÉ, 2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">HURTADO ALBIR, 2011</xref>) e toma como base o princípio do Relativismo Linguístico (<xref ref-type="bibr" rid="B19">WHORF, 1956</xref>) e, em uma perspectiva comparativa de análise, volta sua atenção ao léxico (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BIDERMAN, 2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2">2006</xref>), em especial, às terminologias (<xref ref-type="bibr" rid="B6">CABRÉ, 1999</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">2008</xref>). Dessa forma, tendo como foco os nomes populares em língua portuguesa que denominam as espécies da <italic>fauna</italic> e da <italic>flora,</italic> bem como sua tradução nas línguas inglesa e italiana, investigamos como o processamento conceitual de falantes de línguas distintas resultam em classificações igualmente distintas, que relatam pontos de vista sobre o mundo nem sempre convergentes.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>The need for communication for further dissemination of knowledge is an urgent matter in today's world. In the context of linguistic studies, this problem encompasses the relationship of interdependence among language, culture and society. The present work arises from the set of translation studies that focuses on the specialized discourse (<xref ref-type="bibr" rid="B4">CABRÉ, 2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">HURTADO ALBIR, 2011</xref>) and Whorf's theory of linguistic relativism (<xref ref-type="bibr" rid="B19">WHORF, 1956</xref>). In a comparative perspective of analysis, we turn our attention to lexicon (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BIDERMAN, 2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2">2006</xref>), in particular to terminologies (<xref ref-type="bibr" rid="B6">CABRÉ, 1999</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">2008</xref>). In this way, having as central point common names that denominate in Portuguese fauna and flora species, as well as their translation in English and Italian languages, we investigate how different languages speakers conceptual processing results in equally distinct classifications. These differences testify that world viewpoints are not always convergent.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Relativismo Linguístico</kwd>
				<kwd>tradução especializada</kwd>
				<kwd>fauna e flora</kwd>
			</kwd-group>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Linguistic Relativism</kwd>
				<kwd>specialized translation</kwd>
				<kwd>fauna and flora</kwd>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>Nas últimas décadas, pesquisas envolvendo a diversidade das línguas no que concerne à representação de conceitos têm atraído o interesse para a relação entre língua e pensamento, em outras palavras, entre a representação mental e a representação formal<italic>.</italic> Por conseguinte, sublinha-se um pressuposto dos estudos de base intercultural: o da diferença, característica um pouco esquecida pela sociedade globalizada. Seja pela distinção entre categorias que representam um esquema conceitual, ou pela ausência de categorias especificadoras, o que nos impressiona é a desmistificação de padrões universalmente transponíveis entre as línguas e culturas. </p>
			<p>À luz dos estudos linguísticos, a forma como se processa o mapeamento conceitual, bem como sua categorização, tem acalorado as discussões no interior da área desde o século XIX, sempre a partir de uma abordagem transdisciplinar na qual se considera o mecanismo cognitivo-perceptivo, a cultura e a língua em seu aspecto social. Assim, temos que a relação biunívoca língua - pensamento se expande para um ciclo que envolve a língua e o pensamento, por um lado, bem como a sociedade e a cultura, por outro<italic>.</italic> Entender, portanto, as diferenças na representação de conceitos básicos, como a determinação do tempo, da quantidade ou a classificação do espectro cromático, entre as diversas culturas implica observar como cada um desses componentes atuam entre si.</p>
			<p>Em uma perspectiva comparativa de análise, os estudos voltados ao léxico ganham forma na medida em que nos permitem classificar o mundo por meio da estruturação da realidade que nos cerca, traduzindo-a linguisticamente com base na saliência variável de cultura para cultura de traços distintivos. É essa saliência que possibilita a reafirmação da identidade de cada povo, visto que deriva das características sócio-históricas dele. E é por isso que consideramos o léxico o acervo cultural de um povo, pois está impregnado de sua cultura, sendo determinante para a manutenção das diferenças. </p>
			<p>O presente trabalho situa-se no conjunto de estudos em tradução voltados para o discurso especializado e resulta de pesquisas acadêmicas (<xref ref-type="bibr" rid="B17">MARTINS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">2017</xref>) que analisaram a formação dos nomes populares de aproximadamente duzentas espécies da <italic>fauna</italic> e da <italic>flora</italic>. Com efeito, a variedade de espécies enquadradas nos reinos Animal e Vegetal está refletida na multiplicidade de formas vernáculas que as denominam. Dentre tais formas, encontram-se as expressões cromáticas especializadas (ECEs), isto é, unidades lexicais simples ou complexas, sendo nesse último caso caracterizadas por uma estrutura sintagmática nominal, que denominam as espécies de Angiospermas (monocotiledôneas e eudicotiledôneas) e de Vertebrados (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos), cuja composição envolve a presença de um ou mais nomes de cores pertencentes aos subdomínios cromáticos preto, branco, amarelo, azul, laranja, cinza, verde, marrom, vermelho, rosa, violeta, roxo e anil<italic>.</italic></p>
			<p>Trata-se de uma riqueza vocabular que varia de cultura para cultura e que, no âmago dos estudos terminológicos, resulta do fenômeno da variação denominativa. Salientamos que a concepção de termo, bem como de terminologia, aqui adotada segue os preceitos da Teoria Comunicativa da Terminologia (<xref ref-type="bibr" rid="B6">CABRÉ, 1999</xref>). Tal vertente teórica contempla o termo em toda complexidade, dinamicidade e heterogeneidade atribuída ao léxico das línguas naturais, além de integrá-lo aos discursos que permeiam a comunicação especializada. Por conseguinte, a análise terminológica deverá considerar o termo em seu real contexto de uso e, portanto, localizado em uma estrutura cognitiva multirrelacional e cuja diversificação formal, conceitual e funcional atua na comunicação especializada. Assim, a transição do objeto de estudo da Terminologia, que passa do termo para o texto, leva o pesquisador a abranger fatores extralinguísticos em sua análise terminológica e a reconhecer a dinamicidade das línguas, além da diversidade na conceptualização e na estruturação dos conceitos.</p>
			<p>Dessa forma, tendo como foco terminologia da <italic>fauna</italic> e da <italic>flora</italic> em língua portuguesa<italic>,</italic> bem como sua tradução nas línguas inglesa e italiana, investigamos como o processamento conceitual de falantes de línguas distintas resultam em classificações igualmente distintas, que relatam pontos de vista sobre o mundo nem sempre convergentes. Partindo-se do princípio da diferença, um pressuposto dos estudos de base intercultural, embora seja uma característica um pouco esquecida pela sociedade globalizada, questionamo-nos sobre a existência de padrões transponíveis entre as línguas/culturas nessa fatia do léxico em apreço. Ademais, tendo em vista a finalidade última das terminologias, a saber, garantir a comunicação, refletimos sobre a possibilidade de preservar a diversidade cultural e linguística assumida sem excluir a comunicação intercultural.</p>
			<p>Neste trabalho, discutimos em um primeiro momento os pressupostos teóricos do Princípio do Relativismo Linguístico para, posteriormente, relacioná-los com o ato tradutório. Em seguida, delimitamos nosso objeto de estudo e expomos alguns exemplos que ilustram a relatividade na composição da terminologia da <italic>fauna</italic> e da <italic>flora</italic>.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>1. A linguagem, as línguas e a categorização da realidade</title>
			<p>Franz Boas, o instituidor da antropologia cultural, parte do princípio que a evolução cultural de uma sociedade não segue uma progressão linear ideal. Antes, flui em diferentes direções, a depender das circunstâncias históricas (<xref ref-type="bibr" rid="B14">GONÇALVES, 2010</xref>). A tese do Relativismo Cultural advinda desse pressuposto sustenta que cada indivíduo compreende a realidade de um modo diferente, conforme o contexto cultural em que se insere. Nesse cenário, “a língua é a individualidade de um povo” (BOAS, [1904] 1989: 29, apud <xref ref-type="bibr" rid="B14">GONÇALVES, 2010</xref>: 49), é o sistema simbólico que proporciona a interação entre o homem e o mundo, sendo por isso essencial na construção do conhecimento.</p>
			<p>Para pensadores como Wilhelm von Humboldt, Franz Boas, Edward Sapir e Benjamin Lee Whorf, o princípio do Relativismo Cultural pode ser estendido para o sistema linguístico (<xref ref-type="bibr" rid="B19">WHORF, 1956</xref>). Desse modo, a multiplicidade de visões de mundo explicaria a diversidade das línguas. A ascensão da Hipótese de Sapir-Whorf, no início do século XX, sugere que os hábitos linguísticos de um povo respondem pelas escolhas de interpretação do mundo. Consequentemente, duas ou mais línguas não seriam similares ao ponto de representarem a mesma realidade social. O interesse de estudo situa-se no lugar da linguagem no contexto sócio-cultural, ou seja, sobre o significado por trás do uso, ou até mesmo sobre a ausência do uso pelas línguas. </p>
			<p>Já no final da década de 1950, Benjamin Lee Whorf redefine o princípio do relativismo, concentrando-se no processamento conceitual. Para o pesquisador, o sistema linguístico presente nas nossas mentes organiza as impressões que temos do mundo que nos cerca. Com efeito, trata-se de uma organização advinda de um acordo social que se solidifica por meio dos nossos discursos e é codificado nos padrões da língua. Assim, os mal-entendidos na comunicação entre culturas ocorrem porque os significados de sistemas linguísticos diversos não convergem.</p>
			<p>É interessante notar a ênfase dada pelo estudioso às categorias ontológicas, as quais fundamentariam as distinções linguísticas. De um modo geral, o ser humano, com sua capacidade da linguagem, faz uso de estruturas essenciais que estão disponíveis a todos, independentemente da língua ou de outros aspectos da cultura. Porém, cada povo, seja ele falante ou não de uma mesma língua, isola inconscientemente diferentes estruturas linguístico-conceituais que classificam uma mesma situação. São ramificações conceituais derivadas de uma orientação conceptual global em relação à experiência, diferenças de hábitos que influenciam na forma como cada povo compreende e categoriza o mundo. </p>
			<p>Importa enfatizar a relação entre estruturação do conhecimento, categorização e léxico das línguas naturais. A esse respeito, <xref ref-type="bibr" rid="B2">Biderman (2006</xref>) determina que o processo de categorização fundamenta-se</p>
			<disp-quote>
				<p>(...) na capacidade de discriminação de traços distintivos entre os referentes percebidos ou apreendidos pelo aparato sensitivo e cognitivo do homem. A esse processo segue-se o ato de nomear. Por essa razão a categorização é o processo em que se baseia a semântica de uma língua natural, por meio do qual o homem desenvolveu a capacidade de associar palavras a conceitos (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BIDERMAN, 2006</xref>: 35).</p>
			</disp-quote>
			<p>Assim, se, por um lado, a categorização permite que uma sociedade registre seu conhecimento, nomeando culturalmente os conceitos que expressam sua evolução no decorrer do tempo, por outro lado, o léxico ordena, identifica as semelhanças e as diferenças, bem como estrutura a realidade. Em texto anterior (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BIDERMAN, 2001</xref>), a mesma estudiosa define o léxico como o acervo cultural de um povo. Para ela, esse nível de análise linguística ilustra as características e as diferenças culturais. Isso porque existem realidades que são mais fáceis de serem codificadas em uma língua do que em outra.</p>
			<p>Contudo, o extremismo assumido por seguidores do relativismo linguístico, que derivou, inclusive, de interpretações equivocadas das palavras de Sapir e de Whorf, fez crescer o número de críticas baseadas no argumento de que a diversidade cultural e linguística assumida excluiria a comunicação intercultural e, por conseguinte, a possibilidade de tradução, como veremos na próxima seção. </p>
		</sec>
		<sec>
			<title>2. Os efeitos do relativismo linguístico para os Estudos da Tradução</title>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B14">Gonçalves (2010</xref>: 8) assinala que a Antropologia concebe a tradução como a “possibilidade de produzir semelhanças, articulações, correspondências, o que parece ser, em última instância, o objetivo de toda e qualquer etnografia em cuja construção o antropólogo desempenha o papel de tradutor de mundos outros para o seu próprio”. Nesse sentido, os debates envolvendo a Antropologia e os Estudos da Tradução giram em torno de “possibilidades de tradutibilidade, gerando, consequentemente, uma reflexão sobre como se pode proceder a esta tradução e quais são suas implicações para o estabelecimento do sentido no modo como representamos e/ou apresentamos estes ‘outros’” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">GONÇALVES, 2010</xref>: 9, grifo no original).</p>
			<p>No que tange às consequências do Relativismo Linguístico para essas duas áreas, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B18">Schogt (1992</xref>), alegar que línguas diferentes delineiam realidades igualmente distintas implica em aceitar que a comunicação entre dois povos que não compartilham da mesma língua seria impossível. Isso porque seus falantes estão presos aos valores do sistema linguístico por eles utilizado. Ademais, cada língua concentra-se em elementos específicos do mundo extralinguístico, criando noções abstratas que outras línguas talvez não percebam ou então não deem importância.</p>
			<p>Tomemos como exemplo os elementos metafóricos. As metáforas são processos cognitivos que constituem importantes modelos cognitivos da experiência humana. De um modo geral, tal processo inicia-se no plano conceitual, com a correspondência entre domínios, e termina no plano linguístico, com a expressão formal dessa correspondência. Nesse aspecto, as diferenças entre as línguas podem pertencer a diversos âmbitos, variáveis desde questões culturais até aspectos cognitivos que, de certo modo, são influenciados pelos discursos proferidos. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B9">Dobric’ (2011</xref>), o nível de proximidade entre as experiências culturais e os aspectos semântico-cognitivos irão definir a complexidade da tradução das metáforas entre duas línguas. </p>
			<p>A fim de estudar a correspondência interlinguística das metáforas, <xref ref-type="bibr" rid="B9">Dobric’ (2011</xref>) propõe três esquemas de mapeamento cognitivo, importantes para o estudo comparativo das metáforas e de sua tradução. São elas: a estrutura de mapeamento similar (que aborda metáforas com similaridades de conceituação e lexicalização), a estrutura de mapeamento comparáveis (que aborda metáforas com similaridade, no que diz respeito ao conteúdo conceitual, mas formas lexicalizadas diferentes) e a estrutura de mapeamento diferente (que aborda metáforas que não apresentam similaridade cognitivas e portanto precisam ser adaptadas) (<xref ref-type="bibr" rid="B9">DOBRIC’, 2011</xref>: 103).</p>
			<p>Para o autor, a tradução de metáforas </p>
			<disp-quote>
				<p>(…) should firstly be approached from a cognitive perspective, trying to find appropriate conceptual equivalence (of any form) rather than viewing metaphors only as linguistic or stylistic phenomena. Additionally, sociosemantic insights into the lexicalization properties of the cognitive notions in question are required. In the absence of a cognitive equivalent, the translator must turn to other translation tools at his/her disposal (such as simile, paraphrasing, etc.), which might result in more or less successful solutions (<xref ref-type="bibr" rid="B9">DOBRIC’, 2011</xref>: 113).</p>
			</disp-quote>
			<p>As metáforas exemplificam a conexão dada por <xref ref-type="bibr" rid="B19">Whorf (1956</xref>) para a interdependência entre pensamento, língua e sociedade. De fato, o processo linguístico não é visto pelo estudioso como completamente arbitrário. Ao contrário, é coagido por possibilidades do processamento perceptivo que operam juntamente a parâmetros e experiências universais, e portanto compartilhadas entre diferentes povos, que podem ser estudados de forma independente da organização linguística da experiência.</p>
			<p>Se por um lado é possível afirmar que cada cultura tem uma visão de mundo que lhe é própria e que está diretamente relacionada à sua história, é equivocado e até mesmo exagerado cogitar a impossibilidade da tradução. Por outro lado, a suposição da existência de rótulos que possam ser automaticamente transponíveis de uma língua para outra também é ingênua. </p>
			<p>Remete-se, a partir dessa suposição, à falsa ideia do próprio conceito de equivalência e, da mesma forma, de equivalente. Em outras palavras, subentende-se a busca por formas lexicais de valores linguístico-cognitivos equiparáveis entre línguas. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B11">Farghal (1994</xref>), um desejo que, por culpa de fatores como a informação, a criatividade, a expressão e a proximidade entre as línguas e culturas, é inalcançável. Como bem enfatizado por <xref ref-type="bibr" rid="B16">Martins (2017</xref>)</p>
			<disp-quote>
				<p>Para além de uma visão simplória da verdadeira dimensão do léxico de uma língua, a busca biunívoca por equivalentes linguísticos nos parece uma concepção equivocada do processo tradutório. Não estamos afirmando, porém, que não existam palavras que correspondam exatamente entre as línguas […]. Tampouco estamos argumentando a favor da crença da impossibilidade da tradução […]. A concepção de equivalência mostra-se ineficaz, a nosso ver, porque cada significante não corresponde a um único significado. Antes, os signos linguísticos são dotados de nuances de sentido, isto é, de uma carga semântica que varia de língua para língua. (<xref ref-type="bibr" rid="B16">MARTINS, 2017</xref>: 64).</p>
			</disp-quote>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B1">Beaugrande (1994</xref>), é mais libertário pensar que cada língua seleciona aspectos relevantes da realidade, sendo os falantes livres para participar na construção e negociação da realidade. Com efeito, é o discurso que estabelece o controle (ativo, deliberado e detalhado) mútuo entre a mente e a realidade. Por sua vez, a tradução, continua o autor, é o exercício desse controle, em duas ou mais línguas, por meio do discurso. Acrescenta ainda que o objetivo do discurso é o acesso ao conhecimento; já a tradução proporciona a liberdade de acesso ao conhecimento a nível global.</p>
			<p>Como componente do discurso, o léxico envolve predisposições sobre aspectos de objetos ou eventos relevantes. Por isso, quando um item lexical é utilizado em dada situação comunicativa, ativa-se um significado e este precisa estar intimamente correlacionado com outros significados também ativados no mesmo discurso.</p>
			<p>Assim, a tradução é entendida como uma prática social que visa a mediação entre culturas sem que, para tanto, sejam anuladas a pluralidade, a identidade e a ideologia de cada povo. Da mesma forma, a tradução das terminologias, objeto de estudo deste trabalho, não é uma prática culturalmente neutra, já que também envolve um processo de comunicação. Esse tema será abordado nas próximas linhas.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>3. A face cultural das terminologias e a Tradução Especializada</title>
			<p>Concernente às terminologias, <xref ref-type="bibr" rid="B5">Cabré (2008</xref>) enfatiza o caráter de unidade linguística do termo e sua inserção no léxico das línguas naturais, submetendo-o às mesmas influências que as unidades lexicais utilizadas no nosso dia a dia. Logo, um termo é para a estudiosa um signo linguístico dotado de uma forma e um conteúdo indissociáveis e que, no plano da expressão, representa um conceito. Suas particularidades estão associadas aos planos semântico e de uso. Por essa razão, tendo em vista que os itens lexicais especializados ocorrem naturalmente nos discursos e assumem a diversificação discursiva resultantes das variáveis que atuam na comunicação, é imprescindível que a análise terminológica considere as dimensões textual e discursiva dos termos.</p>
			<p>Como mencionado anteriormente, uma língua é influenciada e reflete os parâmetros norteadores de uma cultura, sendo o léxico o nível de análise linguística em que tais parâmetros mais estão evidentes. Uma vez que as terminologias integram o léxico de uma língua, também elas estão submetidas à sua face cultural. </p>
			<p>A esse respeito, <xref ref-type="bibr" rid="B8">Diki-kidiri (2000</xref>) sublinha que a cultura é o conjunto de conhecimento gerado por uma comunidade que compartilha um espaço físico e temporal. Para além da diversidade de subculturas, entendidas aqui como características de subgrupos pertencentes a uma comunidade, em dado espaço e tempo, há uma base que fundamenta as diferentes experiências e que concretiza o conhecimento na memória coletiva. Trata-se de referências simbólicas comuns, isto é, palavras, gestos, comportamentos, entre outros, que são melhor interpretados quando há o compartilhamento dessas referências entre os indivíduos. </p>
			<p>Conforme o autor, uma vez que a cultura rege a relação entre o homem e sua existência, condicionando uma visão de mundo, à medida que é confrontado com novas realidades, busca em seus arquivos culturais protótipos ou arquétipos que permitirão uma interpretação dos fatos novos com base naqueles já experienciados. Dessa forma, o ser humano se apropria do conhecimento novo. No que tange às terminologias, <xref ref-type="bibr" rid="B8">Diki-kidiri (2000</xref>) argumenta a favor da motivação no processo de nomeação dos conceitos, devido à necessidade de introduzi-lo à realidade cultural. </p>
			<p>O princípio da poliedricidade do termo (<xref ref-type="bibr" rid="B6">CABRÉ, 1999</xref>), segundo o qual as unidades lexicais especializadas integram ao mesmo tempo aspectos linguísticos, cognitivos e sociais, determina que a face cultural das terminologias apresenta-se por meio de protótipos ou arquétipos compartilhados dentre os integrantes de uma comunidade. Estes, com o propósito de difundir o conhecimento novo, utilizam o arcabouço lexical para denominar os conceitos surgidos.</p>
			<p>Como já explorado em <xref ref-type="bibr" rid="B16">Martins (2017</xref>)</p>
			<disp-quote>
				<p>A concepção de ULE como um signo linguístico, logo, dotado de uma forma e conteúdo, bem como sua aproximação às ULCs, pressupõe a compreensão de que as terminologias compartilham com estas últimas os mesmos processos de formação. Claro, se as terminologias são de fato componentes do léxico de uma língua e se este é o acervo cultural de um povo, sendo o nível de análise linguístico em que as características culturais estão mais arraigadas e as diferenças mais se sobressaem (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BIDERMAN, 2001</xref>), torna-se evidente que as terminologias também refletirão toda a diversidade que caracteriza a linguagem humana, resultado das diferenças em se compreender um mesmo conceito (<xref ref-type="bibr" rid="B6">CABRÉ, 1999</xref>e). Uma diversidade que influencia na forma de perceber, compreender e caracterizar a realidade que nos cerca e que culmina no fenômeno da variação (seja ela conceitual ou denominativa), cujo interesse é compartilhado tanto pelos estudos em Terminologia quanto em Tradução Especializada. (<xref ref-type="bibr" rid="B16">MARTINS, 2017</xref>: 84).</p>
			</disp-quote>
			<p>Importa clarificar que a variação em Terminologia, seguindo os preceitos de <xref ref-type="bibr" rid="B13">Freixa et al. (2002</xref>), pode derivar de heterogeneidades no plano do conteúdo, i.e., a variação conceitual; ou de heterogeneidades no plano das denominações, i.e., a variação denominativa. O princípio da variação (<xref ref-type="bibr" rid="B6">CABRÉ, 1999</xref>), traço inerente à comunicação humana, pode se manifestar em diferentes graus, a depender da situação comunicativa. </p>
			<p>Entendendo a tradução como uma prática social cujo objetivo é a mediação entre culturas, a tradução de textos especializados, para além de uma prática culturalmente neutra resumida à simples transferência de conceito, envolve um processo de comunicação. Assim, os Estudos da Tradução voltados para os textos especializados direcionam seu olhar às particularidades culturais e linguísticas que integram tanto o discurso quanto os textos especializados, e que determinam inclusive seu grau de especificidade. </p>
			<p>A esse respeito, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Hurtado Albir (2011</xref>) salienta que no âmbito dos gêneros textuais considerados especializados existe uma gradação de especialização que varia desde o maior grau, ou direcionados aos especialistas, ao menor grau, direcionados ao público em geral. <xref ref-type="bibr" rid="B4">Cabré (2010</xref>) sublinha que em uma situação na qual o conhecimento da terminologia é necessário para a tradução, possíveis problemas podem originar-se da incompreensão das peculiaridades pragmáticas dos termos no interior do texto de partida, ou ainda da procura por equivalentes. Assim, situações confrontadas pelo tradutor podem incluir:</p>
			<disp-quote>
				<p>Not knowing all or part of a term, its meaning, its grammatical use or pragmatic value in the source language. Not knowing if in the target language there is a lexicalized unit semantically and pragmatically equivalent to the term used in the original text. Doubting whether a given unit of the target language is the most appropriate equivalent among the alternatives found. (<xref ref-type="bibr" rid="B4">CABRÉ, 2010</xref>: 359).</p>
			</disp-quote>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B12">Freixa (2005</xref>), por seu turno, enfatiza que a variação terminológica é um dos contratempos confrontados pelo tradutor na tradução especializada. Sendo assim, é preciso estar preparado para identificá-la e solucioná-la. Por conseguinte, <xref ref-type="bibr" rid="B16">Martins (2017</xref>) assevera que</p>
			<disp-quote>
				<p>(...) aceitar a existência de variantes em terminologia implica aceitar que o discurso especializado é dinâmico e que está sujeito a todas as influências sócio-históricas e culturais dispostas pela sociedade que o emprega. Mais ainda, implica no reconhecimento de que a relatividade configurada à categorização da realidade e sua expressão na linguagem também se manifesta nas terminologias. (<xref ref-type="bibr" rid="B16">MARTINS, 2017</xref>: 102).</p>
			</disp-quote>
			<p>Isso posto, nas próximas linhas discorreremos sobre a relatividade da categorização dos conceitos pertencentes aos subdomínios da <italic>fauna</italic> e da <italic>flora,</italic> bem como sobre a problemática da tradução nessa área de especialidade.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title><bold>4. A relatividade dos nomes populares das espécies da <italic>fauna</italic> e da <italic>flora</italic>
</bold></title>
			<p>Baseando-nos em <xref ref-type="bibr" rid="B22">Zavaglia (1996</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">2007</xref>), investigamos em <xref ref-type="bibr" rid="B17">Martins (2013</xref>) a contribuição dos nomes de cores para a formação em língua portuguesa da terminologia da <italic>fauna</italic> e da <italic>flora.</italic> Para tanto, consideramos 92 espécies de Vertebrados e 75 espécies de Angiospermas que originaram o <italic>Dicionário onomasiológico de expressões cromáticas da fauna e da flora</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B17">MARTINS, 2013</xref>)<italic>.</italic> Nesse primeiro momento, concluímos que os nomes de cores são altamente utilizados pelos falantes em língua portuguesa para a classificação das espécies. Tal fato explica-se pela predominância do sentido visual para a atribuição de características e ulterior distinção entre plantas e animais de uma mesma família. Em <xref ref-type="bibr" rid="B16">Martins (2017</xref>), analisamos comparativamente tal recorte lexical nas línguas portuguesa, inglesa e italiana e comprovamos a discrepância numérica no que concerne à variedade de denominações para uma mesma espécie nos diferentes idiomas.</p>
			<p>Partimos ainda do princípio da poliedricidade do termo (<xref ref-type="bibr" rid="B6">CABRÉ, 1999</xref>; 2008), que o compreende como uma unidade linguística, de conhecimento específico e de comunicação especializada. Sendo assim, o exame de um item terminológico implica na aceitação desses aspectos integrantes, embora não precise envolvê-los em sua totalidade. Para o presente trabalho, julgamos relevantes os prismas cognitivo, que especifica o processo mental de percepção do conhecimento, e linguístico, resultante do primeiro e que classifica formalmente esse conhecimento. </p>
			<p>Retomamos o primeiro parágrafo deste texto, no qual salientamos o interesse dos estudos da linguagem direcionados à diversidade linguística em sua relação entre a representação mental e a representação formal<italic>.</italic> Defendemos que o princípio do Relativismo Linguístico circunda a influência mútua entre o processamento conceitual e a organização linguística das nossas impressões da realidade, a qual nós, como membros de uma sociedade, somos submetidos. Recuperamos ainda o exposto quanto ao processamento metafórico, frequente na formação da terminologia em apreço, sendo sustentado nos aspectos culturais dos falantes de uma língua. Tomemos então alguns exemplos.</p>
			<p>O primeiro deles diz respeito à espécie <italic>Abies alba</italic> (Aiton) Michx., também conhecida como <italic>abeto-branco</italic> e <italic>abeto-prateado</italic>. Em português, temos a prevalência do campo visual na formação do nome comum, tendo sido utilizado um nome de cor, o <italic>branco</italic>, e também um processo metafórico que toma por base o elemento químico <italic>prata.</italic> O mesmo também ocorre nas outras línguas, porém, o inglês opta pelo segundo modelo, <italic>silver fir</italic> e <italic>European silver fir</italic>; já o italiano, pelo primeiro, <italic>abete bianco</italic>.</p>
			<p>A <xref ref-type="fig" rid="f1">figura</xref> que segue ilustra as preferências de campos lexicais entre as línguas em análise:</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1:</label>
					<caption>
						<title>Preferências na formação dos nomes populares da espécie <italic>Abies alba</italic> (Aiton) Michx.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-40-227-gf1.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>Para a espécie <italic>Moringa oleifera</italic> Lam., as línguas inglesa e italiana optam por destacar suas propriedades medicinais, visto que é rica em proteínas, vitaminas e minerais, nomeando-a como <italic>miracle tree</italic> e <italic>albero miracoloso.</italic> Contudo, não deixam de compartilhar com o português a predileção pelo aspecto visual da planta, como nos nomes <italic>árvore-rabanete-de-cavalo, horseradish tree, albero equino.</italic> Nesse caso, apenas a língua portuguesa vale-se do domínio cromático, especificamente, a cor branca: <italic>acácia-branca.</italic> No <xref ref-type="table" rid="t1">quadro</xref> seguinte, elencamos os nomes populares dessa espécie.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Quadro 1:</label>
					<caption>
						<title>Nomes populares da espécie <italic>Moringa oleifera</italic> Lam.</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="center" rowspan="4"><italic>Moringa oleifera</italic> Lam.</td>
								<td align="center"><bold>pt</bold></td>
								<td align="center"><bold>en</bold></td>
								<td align="center"><bold>it</bold></td>
								<td align="center"><bold>campo</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"> </td>
								<td align="center">miracle tree</td>
								<td align="center">albero miracoloso</td>
								<td align="center"><bold>propriedades medicinais</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">árvore-rabanete-de-cavalo</td>
								<td align="center">horseradish tree</td>
								<td align="center">albero equino</td>
								<td align="center"><bold>forma</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">acácia-branca</td>
								<td align="center"> </td>
								<td align="center"> </td>
								<td align="center"><bold>cor</bold></td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Para as espécies da família Moraceae, especificamente <italic>Eriobotrya japonica</italic> (Thunb.) Lind e <italic>Prunus domestica</italic> L., o português sublinha mais uma vez o campo visual com os nomes de cores <italic>amarelo</italic> e <italic>vermelho</italic>, nomeando-as, respectivamente, como <italic>ameixa-amarela</italic> e <italic>ameixa-vermelha</italic>. Já o inglês destaca a generalidade de <italic>Prunus domestica</italic> L. em <italic>common plum.</italic> Também faz uso de adjetivos que especificam sua região de origem, como em <italic>European plum</italic> para a última espécie e <italic>Japanese plum/Chinese plum</italic> para a primeira. Importa sublinhar que estamos tratando de substantivos compostos cuja distinção entre as espécies nas línguas portuguesa e inglesa se dá pelo qualificador: <italic>amarelo/vermelho</italic> e <italic>commom; European/Japanese; Chinese</italic>. Contrariamente, a língua italiana utiliza nomes distintos para as duas espécies: <italic>nespolo(a)</italic> para a primeira e <italic>susino/prugno(a)</italic> para a segunda. Sendo assim, há a distinção já pelo primeiro elemento da forma linguística, sendo o segundo elemento atribuído apenas como um especificador, e não como elemento distintivo, como nas outras línguas.</p>
			<p>Vejamos como ocorre a formação dos nomes populares da espécie <italic>Cacatua Alba</italic> (Statius Muller, 1776), uma ave nativa da Ásia. Nesse caso, a língua inglesa é a única a apresentar variantes: <italic>white cockatoo, umbrella cockatoo, great white cockatoo, white-crested cockatoo</italic>. Já as línguas portuguesa e italiana apresentam apenas um nome popular, em ambos os casos formado por um nome de cor: <italic>cacatua-branca</italic> e <italic>cacatua bianco</italic>. O mesmo não ocorre com a espécie <italic>Cacatua galerita eleonora</italic> (Finsch, 1863), também da família <italic>Cacatua</italic>. Nesse exemplo, tanto a língua inglesa como a língua italiana apresentam variantes denominativas. Na formação de tais nomes populares, usa-se o nome de cor, a parte do corpo que se ressalta pela cor, também parte do nome científico, especificamente, o item <italic>eleonora</italic>. A língua inglesa ainda retoma metaforicamente a cor por meio de um elemento químico.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t2">
					<label>Quadro 2:</label>
					<caption>
						<title>Nomes populares da espécie <italic>Cacatua galerita eleonora</italic> (Finsch, 1863).</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left" rowspan="4"><italic>Cacatua galerita eleonora</italic> (Finsch, 1863)</td>
								<td align="center"><bold>pt</bold></td>
								<td align="center"><bold>en</bold></td>
								<td align="center"><bold>it</bold></td>
								<td align="center"><bold>campo</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">cacatua-de-crista-amarela</td>
								<td align="center"> </td>
								<td align="center">cacatua ciuffo giallo</td>
								<td align="center"><bold>cor + parte do corpo</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"> </td>
								<td align="center">eleonora cockatoo</td>
								<td align="center">cacatua eleonora</td>
								<td align="center"><bold>nome científico</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"> </td>
								<td align="center">medium sulphur crested cockatoo</td>
								<td align="center"> </td>
								<td align="center"><bold>elemento químico + parte do corpo</bold></td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>A proximidade entre o ser humano e a espécie é um fator de relevância em sua nomeação. Nos exemplos anteriores, as espécies tratadas ocorrem amplamente no globo, tendo por isso nomes populares em uma variação significativa em todas as línguas. O mesmo não ocorre com as espécies que integram a família Lauraceae, todas elas nativas da América Latina. Nesses casos, há uma variedade significante de nomes populares em língua portuguesa. Vejamos o <xref ref-type="table" rid="t3">quadro</xref> abaixo:</p>
			<p>
				<table-wrap id="t3">
					<label>Quadro 3</label>
					<caption>
						<title>Nomes populares das espécies da família Lauraceae.</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="center">Nome científico</th>
								<th align="center">Expressão cromática de maior frequência</th>
								<th align="center">Variantes</th>
								<th align="center">Correspondentes em inglês</th>
								<th align="center">Correspondentes em italiano</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Nectandra lanceolata</italic> (Nees &amp; Mart.)</td>
								<td align="center"><bold>canela-amarela</bold></td>
								<td align="center">canela-da-várzea, canela-fedorenta, canela-louro, canela-vermelha, espora-de-galo </td>
								<td align="center">lanceolate nectandra </td>
								<td align="center" style="color:#ff0000">sem correspondente</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Nectandra ambigua</italic> Meisn.</td>
								<td align="center"><bold>canela-amarela</bold></td>
								<td align="center">canela-seca </td>
								<td align="center">waikara tree, Yellow Cirouaballi</td>
								<td align="center" style="color:#ff0000">sem correspondente</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Ocotea diospyrifolia</italic> (Meisn.) Mez. </td>
								<td align="center"><bold>canela-amarela</bold></td>
								<td align="center">canela-baraúna, batalha, canela, louro-amarelo, canela-louro, canelão, canelão-de-móveis, caneleiro </td>
								<td align="center" style="color:#ff0000">sem correspondente</td>
								<td align="center" style="color:#ff0000">sem correspondente</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Ocotea aciphylla (Nees) Mez</italic></td>
								<td align="center"><bold>canela-amarela</bold></td>
								<td align="center">louro-amarelo, canela-amarela-de-cheiro, canela-branca, canela-poca, canela-porca, canela-porca, louro-amarelo-de-cheiro, louro-inamuí-da-terra-firme</td>
								<td align="center">aciphyllous ocotea </td>
								<td align="center" style="color:#ff0000">sem correspondente</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Ocotea spixiana</italic> (Nees) Mez </td>
								<td align="center"><bold>canela-branca</bold></td>
								<td align="center">canelinha, louro</td>
								<td align="center" style="color:#ff0000">sem correspondente</td>
								<td align="center" style="color:#ff0000">sem correspondente</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Cinnamodendron axillare</italic> (Nees &amp; Mart.) Endl.</td>
								<td align="center"><bold>canela-branca</bold></td>
								<td align="center">canela-de-paratudo </td>
								<td align="center">Malambo Bark, matias bark</td>
								<td align="center" style="color:#ff0000">sem correspondente</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Endlicheria paniculata</italic> (Spreng.) Macbr</td>
								<td align="center"><bold>canela-branca</bold></td>
								<td align="center">canela-cheirosa, canela-do-brejo, canela-amarela, canela-frade, canela-preta, canela-peluda</td>
								<td align="center">peniculate endilcheria, canela tree</td>
								<td align="center" style="color:#ff0000">sem correspondente</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><italic>Ocotea catharinensis</italic> Mez. </td>
								<td align="center"><bold>canela-preta</bold></td>
								<td align="center">canela-sebo, canela-rajada </td>
								<td align="center" style="color:#ff0000">sem correspondente</td>
								<td align="center" style="color:#ff0000">sem correspondente</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Como podemos observar, a variedade de nomes populares em inglês é bem mais reduzida. Cabe salientar que nessa língua há a derivação do nome popular a partir do nome científico, como em <italic>lanceolate nectandra</italic> e <italic>aciphyllous ocotea</italic>, o que é um indicativo do distanciamento entre os falantes desse idioma e o objeto do mundo real. Outros nomes podem derivar da tradução livre e palavra por palavra da língua-fonte/português para a língua-alvo/inglês, na tentativa de divulgação científica da espécie. Contribuem para tais conjecturas o fato de a língua italiana não apresentar nomes populares para nenhuma das espécies mencionadas.</p>
			<p>Observamos o uso do nome científico para a formação do nome popular nas línguas inglesa e italiana também para as seguintes espécies da <italic>fauna,</italic> todas nativas da América do Sul<italic>:</italic></p>
			<p>
				<table-wrap id="t4">
					<label>Quadro 4</label>
					<caption>
						<title>Nomes populares formados a partir do nome científico.</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="left">Nome científico</th>
								<th align="center">pt</th>
								<th align="center">en</th>
								<th align="center">it</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"><italic>Guira guira</italic> (Gmelin, JF, 1788)</td>
								<td align="center">anu-branco, rabo-de-palha, pelincho, piririgua, anu-do-campo, anum-do-campo, anu-galego</td>
								<td align="center">guira cuckoo</td>
								<td align="center">cuculo <italic>guira</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><italic>Tityra inquisitor</italic> (Lichtenstein, MHC, 1823)</td>
								<td align="center">anambé-branco-de-bochecha-parda, araponga-da-horta, araponguinha-de-cara-preta, araponguira, canjica, urubuzinho</td>
								<td align="center">black-crowned tityra</td>
								<td align="center">inquisitor tityra</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><italic>Tityra cayana</italic> (Linnaeus, 1766) </td>
								<td align="center">anambé-branco-de-rabo-preto, araponguinha, araponguinha-de-rabo-preto</td>
								<td align="center">black-tailed tityra</td>
								<td align="center">titira codanera</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Por fim, enfatizamos que a falta de correspondentes em inglês e italiano, além de serem constatadas em espécies nativas da América do Sul, também é mais frequente para as espécies da <italic>flora.</italic> Em se tratando da <italic>fauna</italic>, tal característica mostra-se mais evidente nos subdomínios das aves e dos peixes. </p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>Nessas poucas páginas, procuramos sublinhar que todo ato tradutório, seja ele relacionado ou não à comunicação especializada, não é uma tarefa simples e transparente. Para além da mera busca por equivalentes, toda tradução, mesmo aquela entre línguas irmãs, como as neolatinas, envolve questões que ultrapassam o sistema linguístico, como demonstrado nos exemplos citados. Alguns deles indicam a transcriação envolvida na atribuição de nomes populares às espécies. Outros remetem à adaptação entre as línguas, à tradução palavra por palavra, na tentativa de ilustrar uma realidade não vivenciada por uma outra cultura.</p>
			<p>Como já sublinhado, a diversidade linguística reflete a relação entre a representação mental e a representação formal<italic>.</italic> Em suma, existe uma influência mútua entre o processamento conceitual e a organização linguística da nossa percepção da realidade. Tendo em vista que a maioria das espécies investigadas são nativas da América do Sul, explica-se a falta de correspondentes em inglês e italiano.</p>
			<p>Fato é que, na tentativa de comunicarmos, muitas vezes é necessário reconstruir o conteúdo de uma língua para outra, pois “[...] a comunidade estrangeira não possui apenas outras formas linguísticas, mas outro modo de pensar e se exteriorizar, apreende e analisa o universo de outra maneira, vai ao encontro dele com outro sentir e outro querer” (Porzig, 1950: 161 apud <xref ref-type="bibr" rid="B7">Câmara Junior, 1974</xref>: 115). E essa reconstrução de maneira alguma é destrutiva. Antes, como acentuado por Humboldt (1816 apud <xref ref-type="bibr" rid="B10">ECO, 2007</xref>), as traduções enriquecem a língua de chegada, presenteando-a com novos sentidos e novas formas de expressar o mundo.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências Bibliográficas</title>
			<ref id="B1">
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							<surname>BEAUGRANDE</surname>
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						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Cognition, Communication, Translation, Instruction: The Geopolitics of Discourse</chapter-title>
					<person-group person-group-type="author">
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					<source>Language, Discourse and Translation in the West and Middle east</source>
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