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				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Revista de Tradução e Terminologia</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">2317-9511</issn>
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				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9511.v40p203-226</article-id>
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					<subject>Articles</subject>
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				<article-title><italic>Nossos corpos por nós mesmas</italic>: o processo de tradução e adaptação cultural em palimpsesto</article-title>
				<article-title xml:lang="en">Nossos corpos por nós mesmas: the translating and cultural adaptation process in palimpsest</article-title>
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						<surname>Lima</surname>
						<given-names>Érica</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
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					<label>1</label>
					<institution content-type="original">Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). E-mails: ericalalima@gmail.com; elalima@unicamp.br</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>21</day>
				<month>09</month>
				<year>2022</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<month>12</month>
				<year>2021</year>
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			<volume>40</volume>
			<fpage>203</fpage>
			<lpage>226</lpage>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>O objetivo deste trabalho é discutir alguns aspectos da tradução do livro <italic>Our Bodies, Ourselves</italic>, cujo primeiro volume, <italic>Nossos corpos por nós mesmas</italic>, acaba de ser publicado no Brasil. Para tanto, serão apresentadas as três etapas principais do processo, divididas em camadas. Na primeira, temos a preparação, com reflexão teórica que fundamenta o trabalho de tradução colaborativa e ativista e definição da metodologia adotada. Em seguida, trazemos algumas considerações sobre a tradução propriamente dita e, por fim, apresentamos cinco depoimentos sobre os diferentes impactos que o projeto tem trazido para as alunas e dos alunos que participaram da tradução. O texto apresenta, ainda, exemplos de adaptação cultural para diferentes países, em especial para realidade brasileira, e algumas conclusões.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>This paper aims to discuss some aspects of the translation of the book <italic>Our Bodies, Ourselves</italic>, whose first volume, <italic>Nossos corpos por nós mesmas</italic>, has just been published in Brazil. To that end, we will present the three main stages of the process. At the first stage, we have the preparation and the theoretical discussion that supported the collaborative and activist translation, presents as well as the adopted methodology. Afterwards, we discuss some aspects of the translation process itself. Lastly, we analyze five testimonies from students about the different impacts of the project in their life. The paper also investigates some characteristics of cultural and technical adaptation from different countries, especially in to the Brazilian context, and presents some conclusions.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Our Bodies, Ourselves</kwd>
				<kwd>Nossos corpos por nós mesmas</kwd>
				<kwd>Tradução colaborativa e ativista</kwd>
				<kwd>palimpsesto</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Our Bodies, Ourselves</kwd>
				<kwd>Collaborative Translation</kwd>
				<kwd>Nossos corpos por nós mesmas</kwd>
				<kwd>Collaborative and Activist translation</kwd>
				<kwd>palimpsest</kwd>
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				<award-group award-type="contract">
					<funding-source>Projeto Fapesp</funding-source>
					<award-id>2019/09310-9</award-id>
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				<funding-statement>Projeto Fapesp 2019/09310-9</funding-statement>
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	<body>
		<p>Publicado pela primeira vez no final da década de 1960, o livro feminista <italic>Our Bodies, Ourselves</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B6">BOSTON WOMEN’S HEALTH BOOK COLLECTIVE</xref>) é considerado um clássico na área de saúde e sexualidade da mulher. Inicialmente, tinha por objetivo trazer informações de e para mulheres e possibilitar a discussão de assuntos considerados tabus na sociedade machista da época, desafiando inclusive a comunidade médica (formada sobretudo por homens brancos de elite). Ao longo dos anos e das várias edições, o livro foi aumentando e passou a abordar não só o conhecimento do corpo e de métodos contraceptivos - pontos chaves naquela ocasião - mas temas como orientação sexual, aborto, menopausa, identidade de gênero, violência contra a mulher, entre outros. Escrito em um tom informal de conversa e de proximidade, mas com explicações baseadas em estudos científicos, traz a mulher como protagonista do que acontece no próprio corpo, apresentando experiências em forma de relatos ao longo dos capítulos, por meio de narrativas de pessoas reais, o que proporciona uma maior identificação das leitoras. </p>
		<p>A abrangência, relevância e atualidade dos assuntos explica o interesse transnacional de grupos de mulheres pelo livro, que vem sendo traduzido desde 1974 até hoje em mais de trinta línguas, quase quarenta países e quatro continentes (Ásia, América, África, Europa, conforme pode ser conferido no Anexo 1). Algumas das vivências desses grupos ao redor do mundo são narradas em prefácios às traduções de cada país, dezessete dos quais foram traduzidos de diversas línguas para o inglês e publicados em uma coletânea (<xref ref-type="bibr" rid="B7">CHATTERJEE 2020</xref>). Como parte do projeto aqui abordado, houve também a tradução da coletânea para o português, conforme será mencionado adiante. </p>
		<p>O propósito deste artigo é apresentar alguns recortes da trajetória de uma das equipes de tradutoras e tradutores participantes do projeto do primeiro volume do livro<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> e da coletânea de prefácios, recorrendo a uma espécie de processo de tradução em palimpsesto. Para tanto, partimos do sentido etimológico da palavra grega, que significa um pergaminho do qual se apagou a primeira escrita para reaproveitamento por outro texto, muitas vezes deixando visíveis os “rastros” do texto anterior. </p>
		<p>Retomamos, dessa forma, a ideia do texto traduzido como palimpsesto: “o texto que se apaga, em cada comunidade cultural e em cada época, para dar lugar a outra escritura do ‘mesmo’ texto” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">ARROJO 1985</xref>: 20) e propomos pensar essa definição juntamente com a afirmação de <xref ref-type="bibr" rid="B24">Nouss (2007</xref>: 245) de que a “tradução é uma noção ideológica e histórica envolvendo uma ou um agente, a tradutora ou o tradutor”<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>. Com isso em mente, sugerimos uma análise das camadas que constituíram o processo - em uma tentativa de “raspagem” para mostrar a sua construção - que teve início bem antes de começarmos a traduzir. </p>
		<p>Para tanto, este artigo traz, na primeira camada, alguns estudos anteriores ao processo tradutório; na segunda, aspectos da tradução propriamente dita (<xref ref-type="bibr" rid="B18">JAKOBSON 1995</xref> [1969]); e, na terceira, alguns efeitos do processo e da tradução “pronta” para a equipe envolvida no projeto, além de uma pequena conclusão. </p>
		<sec>
			<title>1. Primeira camada: antes de colocar a mão na massa</title>
			<p>O projeto de tradução e adaptação do livro <italic>Our Bodies, Ourselves</italic> (OBOS) teve início em 2019, após a formalização de dois acordos: um contrato entre a ONG estadunidense de mesmo nome e o Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde (Coletivo), de São Paulo - que detém os direitos de tradução para a língua portuguesa - e um convênio de extensão entre a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>. </p>
			<p>O objetivo do projeto, além de trazer para o público brasileiro explicações acessíveis e confiáveis sobre saúde e sexualidade feminina, é também adaptar os conteúdos à nossa realidade, com informações sobre assistência pública de saúde (em especial, o SUS - Sistema Único de Saúde), medicamentos, leis, planejamento familiar, etc., ou seja, fazer uma tradução culturalmente adaptada, com a participação de especialistas de diversas áreas da saúde, contando, ainda, com assessoria jurídica. Para tanto, os trabalhos foram divididos entre três equipes: duas de tradução (Unicamp e UFRJ) e uma de adaptação, formada por médicas e advogadas do Coletivo e por duas convidadas da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo). </p>
			<p>A equipe de tradução da Unicamp, composta por discentes da graduação em Letras e da pós-graduação em Linguística Aplicada, começou os trabalhos com a leitura do projeto, a apresentação do livro, do site OBOS<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref> e da coletânea de prefácios <italic>Our Bodies, Ourselves Transformed Wordwide: A Collection of Prefaces from Culturally Adapted Translations of Our Bodies, Ourselves</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B7">CHATTERJEE 2020</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>. As discussões, anteriores à tradução propriamente dita, ocorreram muitas vezes de maneira simultânea, porém aqui foram desmembradas em três blocos: fundamentação teórica; tradução colaborativa, voluntária e ativista; metodologia de trabalho.</p>
			<sec>
				<title>1.1 Fundamentação teórica</title>
				<p>Muitas alunas e alunos já haviam lido a respeito de teorias e práticas da tradução feminista, especialmente a canadense (<xref ref-type="bibr" rid="B22">LOTBINIÈRE-HARWOOD 1989</xref>; GODARD 1990; VON FLOTTOW 1997, 2013; <xref ref-type="bibr" rid="B28">SIMON 1996</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B10">DÉPÊCHE 2000</xref>), que propunha estratégias subversivas visando tanto destacar a presença de características machistas e opressoras encontradas na sociedade, quanto apresentar a tradução como crítica desse discurso e como possibilidade de novas interpretações e práticas linguísticas. Embora nem sempre bem aceitas, tais traduções abriram espaço para contestações de valores culturais e para discussões muitas vezes ignoradas, e incentivaram o estudo de obras que foram falotraduzidas (<xref ref-type="bibr" rid="B14">HENITIUK 2018</xref>) ou que apagaram aspectos feministas, como é o caso da tradução brasileira de <italic>La casa de los espíritus</italic>, analisada por <xref ref-type="bibr" rid="B5">Berton-Costa (2019</xref>), em que se observa uma tendência do tradutor em priorizar o masculino e em escolher adjetivos e advérbios representativos de uma visão estereotipada da mulher.</p>
				<p>Uma vez que o livro é destinado a um público bem amplo, optamos por dar voz para o feminino, mas, ao mesmo tempo, não causar muito estranhamento para não dificultar ou até atrapalhar a compreensão do texto. Nesse sentido, tentamos adotar uma postura feminista de respeito à diversidade, contra o racismo e pela inclusão, uma postura mais multidirecional e de relevância para o público, motivada por nossas afiliações culturais e ideológicas (<xref ref-type="bibr" rid="B29">TYMOCZKO 2010</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B30">2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">BAKER 2006</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2018</xref>), que vemos como condizentes com a própria postura da OBOS durante os 50 anos de ativismo. O projeto, portanto, tem dois objetivos claros: tornar o livro acessível e mostrar que há um engajamento, uma posição político-ideológica explícita das pessoas envolvidas na tradução e na adaptação. Nesse sentido, para que o livro fosse mais inclusivo e, ao mesmo tempo, a leitura fosse fluida, optamos pelo uso de uma linguagem não sexista, como será exemplificado adiante.</p>
				<p>A leitura e posterior tradução dos prefácios reunidos na coletânea já mencionada (<xref ref-type="bibr" rid="B7">CHATTERJEE 2020</xref>) auxiliou o entendimento de nossos papéis na adaptação, uma vez que explicam como e por que determinadas modificações foram feitas nas traduções para as outras línguas. Também foi discutido como cada prefácio indica, ao mesmo tempo, a apresentação da obra, possibilitando uma melhor acolhida visto que apresenta os objetivos do texto, “conta uma historicidade mais empírica” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">GENETTE 2009</xref>: 145) e, além disso, ajuda a orientar e situar o leitor, a indicar o contexto e “declarar a intenção” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">GENETTE 2009</xref>: 196). </p>
				<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B34">Yuste Frías (2011</xref>: 261), além dos prefácios, há outros paratextos, “fenômenos de natureza social e antropológica que participam, juntamente com o texto, na construção do sentido da obra editada”, aos quais o autor acrescenta a ideia de paratradução, ou seja, a tradução de imagens em geral que compõem as obras, muitas vezes indissociáveis das culturas de cada país. No caso do nosso projeto, grande parte das fotos, figuras e gráficos do livro em inglês havia sido autorizada para publicação em português. No entanto, nem todas essas imagens tinham relação com a nossa realidade, especialmente fotos de mulheres norte-americanas e figuras de produtos e medicamentos. </p>
				<p>Considerando a importância dos paratextos, tivemos discussões sobre a substituição de várias imagens e de como a capa de cada uma das muitas traduções do OBOS traz aspectos sociais, culturais e políticos, e mostra que o feminismo se coloca antes até de abrirmos os livros. As escolhas do que aparece nas capas às vezes são esclarecidas nos prefácios das traduções, como ocorre com o prefácio da tradução romena, que explica a opção por uma capa constituída apenas de mulheres brancas, já que a diversidade não é característica do país. </p>
				<p>No Brasil ocorre justamente o contrário, e, por isso, para a definição da nossa capa foi enfatizada a multiplicidade, bem como os conceitos de união e força. Também foi dada preferência a cores mais vibrantes (com predominância do vermelho, para remeter à menstruação e à energia), fugindo um pouco da ideia de delicadeza e de tons róseos, que costumam remeter a uma ideia preconcebida de imagem mais feminina. Para completar, a escolha tipográfica da letra manuscrita, da própria capista<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>, enfatiza a ideia de que o livro é feito “por nós mesmas”. </p>
				<p>A visão geral das iniciativas globais de tradução e adaptação nos colocou em contato com diversas realidades culturais e políticas das mulheres ao redor do mundo, deu mais segurança para que fizéssemos as mudanças necessárias para nosso contexto e enfatizou a importância de também apresentarmos nosso prefácio e nossa história no primeiro volume<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>1.2 Tradução colaborativa, voluntária e ativista</title>
				<p>Além das discussões teóricas sobre o projeto tradutório que queríamos colocar em ação, questões metodológicas também foram debatidas. Nesse sentido, optamos por trazer para o grupo a ideia de tradução colaborativa, voluntária e ativista. A escolha levou em conta o conceito desenvolvido por <xref ref-type="bibr" rid="B17">Huss (2018</xref>), que considera, na colaboração, não só o fato de contar com múltiplas pessoas traduzindo, mas também a integração com a tecnologia e o fato de as pessoas poderem traduzir simultaneamente um mesmo texto ou textos diferentes (cada dupla ou trio modificando um determinado capítulo, como foi nosso caso), independentemente da localização geográfica (<xref ref-type="bibr" rid="B17">HUSS 2018</xref>: 450). Não se trata, portanto, de <italic>crowdsourcing</italic>, como ocorre nas traduções envolvendo usuários da internet e abertas para colaboração de qualquer pessoa, sem nenhuma verificação da competência linguístico-tradutória ou preocupação com questões éticas (<xref ref-type="bibr" rid="B13">JIMÉNEZ-CRESPO 2017</xref>). No nosso projeto, temos um acompanhamento constante do trabalho de cada tradutora ou tradutor e a colaboração é ainda mais ampla, pois as equipes de tradução trabalham em contato direto com as equipes de adaptação, havendo um significativo compartilhamento de saberes e experiências.</p>
				<p>Além da colaboração, o projeto tem possibilitado a discussão sobre a importância da tradução voluntária na universidade, de forma a abordar questões relacionadas à subjetividade e à ética profissional e ao impacto que a participação pode ter na vida das alunas e dos alunos, como será abordado adiante. Por outro lado, também refletimos sobre os pontos negativos do trabalho voluntário, considerando que o papel da universidade é formar profissionais que recebam remuneração por seus trabalhos, e combater a desmonetização da tradução, como acontece no “voluntariado” para as grandes organizações, como Facebook ou LinkedIn (<xref ref-type="bibr" rid="B9">CRONIN 2013</xref>: 135-136). Como contraponto a esse aspecto, destacamos a importância de trazer projetos de impacto social para a academia (“razão de ser” da universidade, como diz Derrida (1999), retomado em <xref ref-type="bibr" rid="B21">Lima e Spolidorio (2019</xref>)), deixando claro que, “como qualquer ação humana, há também uma dimensão política para a tradução” (<xref ref-type="bibr" rid="B24">NOUSS 2007</xref>: 252), e possibilitando uma formação mais ampla e humanista.</p>
				<p>Assim, o voluntariado aparece não como uma forma de “praticar” a tradução, “usar” a língua<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref>, como é comum em determinadas ONGs, mas como uma maneira de aprender e agir, enfatizando o benefício coletivo. Também é importante pensar que o trabalho voluntário na universidade possibilita a participação em um projeto ativista cuja história está sendo construída globalmente e que, embora traga identidades culturais únicas, expõe o que temos em comum nas lutas feministas. Nessa esteira, a famosa frase de Simone de Beauvoir <italic>On ne naît pas femme, on devient femme</italic> reflete o movimento de transformação do OBOS e do nosso projeto. Muitas alunas e alunos envolvidos com a tradução passaram a dar mais atenção à ideia de linguagem inclusiva e a questionar práticas de uso da língua arraigadas na sociedade. A própria ideia de performativo, resumida no título <italic>How to do Things with Words</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B1">AUSTIN 1990</xref>) - ou <italic>Quando dizer é fazer</italic> (cujo subtítulo <italic>Palavras e Ações</italic> foi acrescentado na tradução) - ganhou uma nova dimensão. Ficou claro para o grupo que o devir feminista na tradução possibilita questionamentos e desmontagem dos discursos dados como prontos, e deixa evidente a necessidade de trazer informações para uma imensa diversidade de mulheres, para que sejam catalisadoras de mudanças pessoais e sociais. </p>
			</sec>
			<sec>
				<title>1.3 Metodologia de trabalho</title>
				<p>Após as discussões teóricas (retomadas continuamente), decidimos algumas estratégias logísticas para o projeto. Dado o tamanho do grupo e a diversidade de experiência tradutória da equipe, como já mencionado, optamos por dividir os capítulos em duas ou mais pessoas, de forma a contemplar a ideia de colaboração e fomentar as reflexões e interação<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref>. Visto ainda que o livro é bastante extenso, selecionamos um <italic>software</italic> de memória de tradução para garantir a padronização e consistência terminológica. Dessa forma, foi adotado o programa gratuito <italic>SmartCat</italic>, juntamente com a elaboração de tabelas no Excell para inclusão de termos técnico-científicos a serem discutidos e validados com as equipes de adaptação. Resumidamente, as etapas de trabalho foram as seguintes: </p>
				<p>
					<fig id="f1">
						<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-40-203-gf1.jpg"/>
					</fig>
				</p>
				<p>Foi oferecido um minicurso de <italic>SmartCat</italic> para as tradutoras e tradutores envolvidos no primeiro volume<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref> e durante todo o processo a equipe se reuniu várias vezes; no início, presencialmente, e depois, com a pandemia de Covid-19, as reuniões passaram a ser feitas mensalmente de forma virtual. Embora as etapas estejam sendo apresentadas como lineares, com exceção da primeira e da última (oficina e publicação), as demais foram muitas vezes sobrepostas e as voltas foram constantes, bem como as discussões terminológicas e de adaptação. </p>
				<p>Coube às equipes de tradução deixar sinalizado, por meio de comentários no texto, os lugares em que caberiam adaptações culturais ou técnicas. Assim, além de apontar as dificuldades de tradução (terminologia médica ou legal) para discussão no grupo, houve sinalização de casos em que, no original, eram apresentadas experiências de mulheres norte-americanas com medicalização ou planos de saúde, indicações de leituras em inglês, informações sobre regulamentações, leis, marcas de medicamentos, além de exemplos da realidade estadunidense não condizentes com o que ocorre no Brasil. Também foram sugeridos lugares no texto em que poderia haver a inclusão de conteúdo condizente com a nossa realidade. </p>
				<p>A partir desses apontamentos e das discussões com todas as equipes, as pessoas da área de saúde e assessoria jurídica responsáveis pelas adaptações puderam entender melhor o objetivo das exclusões e inclusões de conteúdo. No primeiro volume, os capítulos <italic>Imagem corporal</italic>, <italic>Aborto</italic> e <italic>Violência contra a mulher</italic> foram os que mais passaram por mudanças, com acréscimos de depoimentos de mulheres brasileiras e informações da nossa legislação como, por exemplo, a Lei Maria da Penha. Após a devolução dos textos pelo grupo de adaptação, foi feita a revisão geral por uma única revisora não participante das etapas anteriores, no intuito de verificar se havia inconsistência terminológica ou de tom do texto<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref>. Todo o processo demorou cerca de um ano e meio para ser finalizado, tanto pela complexidade quanto pelo fato de envolver muitas tradutoras e tradutores, revisoras, médicas e advogadas para que os objetivos da tradução e adaptação ficassem claros e as linguagens alinhadas. </p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>2. Segunda camada: o processo tradutório propriamente dito</title>
			<p>Sabendo dos muitos palimpsestos já apagados e das várias edições e traduções feitas anteriormente para línguas diversas, passamos para a nossa tradução, começando com o título: <italic>Nossos corpos por nós mesmas</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B8">COLETIVO FEMINISTA SEXUALIDADE E SAÚDE 2021</xref>) foi a tradução mais votada entre algumas sugestões feitas pelo grupo<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref>. A justificativa decisiva para a escolha foi o uso da preposição “por”, que proporciona uma leitura mais assertiva de que temos o direito de decidir, por nós mesmas, o que queremos fazer e como podemos e queremos tratar nossos próprios corpos. </p>
			<p> Já nas primeiras discussões foram traçadas estratégias para lançar luz ao feminino, de forma que se percebesse uma intervenção na tradução. Como já mencionado, optamos por mostrar que temos consciência do poder do masculino na linguagem e da importância de combatermos o falocentrismo estrutural, evitando, no entanto, decisões que pudessem dificultar o entendimento ou a acessibilidade de algumas leitoras. Nesse sentido, algumas escolhas foram: não adotar -x, -@, -e como marcas de flexão; não fazer a concordância no masculino quando o gênero não é marcado no inglês; colocar o feminino primeiro, em casos em que a distinção de gênero é indispensável, contrariando o sistema fundado na natureza “secundária” das mulheres (<xref ref-type="bibr" rid="B33">VON FLOTOW 2013</xref>: 173). Não optamos por colocar tudo no feminino, como defende <xref ref-type="bibr" rid="B22">Lotbinière-Harwood (1989</xref>), mas buscamos empregar uma linguagem inclusiva, como sugerida pelo Manual não sexista da linguagem (<xref ref-type="bibr" rid="B12">GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL 2014</xref>). A título de exemplo: as palavras <italic>individual</italic>, <italic>partner</italic>, <italic>technician</italic>, <italic>clinician,</italic> foram traduzidas por <italic>pessoa, alguém, equipe técnica</italic>, <italic>profissional de medicina, especialista,</italic> etc., obviamente sempre considerando o contexto. Esse cuidado também se estendeu para o uso de expressões que incluíssem pessoas não-binárias, por exemplo: <italic>female condom</italic> foi traduzido por <italic>camisinha vaginal</italic> e <italic>male condom,</italic> por <italic>camisinha peniana</italic> (e não feminina/masculina), normalizando o uso das palavras derivadas de vagina e pênis<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>14</sup></xref>. </p>
			<p>Nota-se, portanto, que a ideia de pensar a linguagem como parte essencial para nosso próprio entendimento e consciência do nosso corpo perpassa todo o nosso projeto tradutório. No primeiro capítulo do livro esse tipo de estratégia aparece em exemplos adotados em outras traduções, como é o caso da japonesa, que substituiu termos de uso mais comum, de conotação negativa, para denominar os pelos pubianos e a vulva - que eram escritos usando os caracteres chineses que traziam a ideia de <italic>vergonhoso</italic> ou <italic>escuro e sombrio</italic> - por outros que não tinham essa conotação. A tradução de Israel também substituiu palavras pouco elogiosas que descreviam mulheres mais velhas, tais como <italic>idade de murchar</italic>, <italic>idade de definhamento</italic>, <italic>anos de desespero</italic>, por termos que celebram a meia-idade, como <italic>anos de segurança</italic>. </p>
			<p>Além de procurar priorizar o feminino, tentamos fazer a concordância na primeira pessoa do plural: muitas de nós sabemos, gostamos, evitamos, etc., e mostrar assertividade, por exemplo: em <italic>if you have been abused</italic> optamos por traduzir por <italic>se você está sendo abusada</italic> (e não estiver sendo).</p>
			<p>Conforme a característica do livro, a tradução traz um tom de conversa, de forma a conseguir uma comunicação imediata e envolvimento com as leitoras, tentando sempre manter o equilíbrio entre a pessoalidade e o uso de terminologia médica ou menção a leis. Cabe observar, no entanto, que procuramos diminuir o caráter repetitivo do livro para que fosse um pouco mais direto ao assunto e não se tornasse um texto prolixo em português.</p>
			<p>Durante a tradução e as interlocuções sobre a adaptação, além da ideia do palimpsesto como o texto que é transformado em outro, mas cujos traços não são totalmente apagados e, no lugar deles, novos traços são feitos, também vimos reverberar a ideia de tradução como mestiçagem<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>15</sup></xref>. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B23">Nouss (2002</xref>: 107-108) a mestiçagem “não é uma condição nem um estado; designa um processo, ela permite a multipertença”, ela é “o mesmo e o outro insistindo na conjunção”, “é móvel, em constante devir” (<xref ref-type="bibr" rid="B23">NOUSS 2002</xref>: 110). A ideia de mestiçagem dialoga estreitamente com o que o autor, em um outro momento, chama de tradução no limiar, pois </p>
			<disp-quote>
				<p>[p]ermanecer no limiar convoca uma forma de tradução que não é passagem, e sim deslocamento. Um deslocamento não é uma passagem. Uma passagem se faz de um corpo de um contexto para outro, com todos os riscos de manipulação e de dominação; o deslocamento implica que o corpo carregue com ele o contexto e o faça reencontrar o outro contexto - o que ilustra a estética do <italic>moiré</italic> -, garantindo a plenitude do movimento. Pois em um verdadeiro encontro, cada um permanece no limiar do outro, respeitando-lhe a existência e o percurso. (<xref ref-type="bibr" rid="B25">NOUSS 2012</xref>: 22)<xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>16</sup></xref>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>As decisões tomadas durante a tradução e as interações com as equipes de adaptação proporcionaram uma reflexão sobre deslocamentos e zonas de contato e composição de um livro híbrido, sem, contudo, perder de vista os traços e a singularidade do primeiro e de todos os que vieram antes de <italic>Nossos corpos por nós mesmas</italic>. Ainda como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B23">Nouss (2002</xref>: 106), “[a] hibridez resulta da produção de uma terceira entidade após o encontro dos dois ou mais componentes culturais. Da simbiose ou do sincretismo até a criação original o grau de autonomia aumenta”. </p>
			<p>A edição do livro traduzido, de 2011, traz elementos de várias culturas, dando lugar a narrativas de mulheres e instituições de outros países para os quais o livro já havia sido traduzido, entrelaçando as diferentes realidades. Mostra, assim, a experiência transcultural de tradução, na medida em que os elementos de uma cultura podem existir nas outras, ao mesmo tempo em que há um pluralismo e uma especificidade de cada cultura. Ainda segundo Nouss,</p>
			<disp-quote>
				<p>[o] transcultural possui essa função que permite que ele seja útil à mestiçagem: não fundir seus componentes num conjunto funcional, mas fazer com que eles se encontrem sem dissolver as especificidades. Pois o transcultural é uma passarela que deixa que me encontre o outro, prática do pulo mestiço (<xref ref-type="bibr" rid="B23">NOUSS 2002</xref>: 113).</p>
			</disp-quote>
			<p>Não é à toa que o autor recorre à formação do povo brasileiro para explicar o princípio da mestiçagem: não somos apenas mistura, mas fusão de diversidades que mantêm suas características e suas histórias. Para <xref ref-type="bibr" rid="B24">Nouss (2007</xref>: 245), a “ética da mestiçagem constitui a base para uma política de tradução”. </p>
			<p>O processo pelo qual o grupo tem passado e a própria tradução tem colocado em cena todas essas questões. Além disso, tem sido possível observar que a responsabilidade de cada pessoa e do grupo perpassa todo o processo e reverbera nos depoimentos e discussões sobre a tradução, como apresentamos a seguir. </p>
		</sec>
		<sec>
			<title>3. Terceira camada: repercussões para as pessoas tradutoras</title>
			<p>Nas últimas décadas, a pesquisa sobre o papel das emoções na tradução tem ganhado espaço na área. Ao lado de estudos cognitivos que usam métodos como rastreamento ocular, protocolos verbais retrospectivos, memória de trabalho, automonitoramento em tradução, <italic>keylogging</italic>, entre outros, foram acrescentados estudos sobre atitudes, personalidades, motivações, sintomas fisiológicos, etc. (<xref ref-type="bibr" rid="B16">HUBSCHER-DAVIDSON 2018</xref>). </p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lehr (2021</xref>), a relevância da emoção na tradução vem sendo abordada, mais ou menos significativamente, desde Nida e Taber (1969) quando afirmam que a tradução deve despertar as “mesmas” reações nos leitores que o texto original desperta nas leitoras e leitores. A autora lembra que, no início de 1990, Robinson já defendia uma visão mais holística e criticava a visão de que a tradução é fundamentalmente um processo cognitivo, o que deixaria de lado as emoções, constitutivas da humanidade. Ela cita ainda autores que, uma década depois, destacam que a subjetividade, o estado emocional e a motivação também interferem no trabalho da tradutora ou do tradutor, tais como Chesterman (2002) e Krings (2005) (APUD <xref ref-type="bibr" rid="B19">LEHR 2021</xref>: 296-297). No Brasil, o início do século XX também foi marcado por trabalhos sobre a subjetividade, muitas vezes em relação com a psicanálise (FROTA 2000). </p>
			<p>Apesar dessas (poucas) iniciativas, apenas a partir de 2010 os estudos sobre emoção passaram a ter um desenvolvimento mais significativo. As pesquisas mais recentes procuram “enfatizar a dimensão mais humana, social e cultural da cognição” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Rojo 2017</xref>: 371), abrangendo desde o impacto emocional que os textos traduzidos podem provocar nos leitores até os efeitos da tradução no próprio trabalho do tradutor. <xref ref-type="bibr" rid="B16">Hubscher-Davidson (2018</xref>), por exemplo, propõe um amplo estudo qualitativo e quantitativo com base em inteligência emocional, dividindo a abordagem em três partes: percepção da emoção em si mesmo e nos outros, regulação das emoções para tomada de decisões e expressão das emoções para outras pessoas. O estudo foi feito com profissionais que traduzem textos literários, a fim de levantar os aspectos emocionais envolvidos na tradução e auxiliar a gerenciar as emoções. </p>
			<p>Considerando esses estudos, depois de termos a tradução “pronta”, o grupo foi convidado a falar sobre possíveis impactos pessoais e acadêmicos decorrentes da participação no projeto. Um dos objetivos do convite foi verificar a percepção que cada aluna e cada aluno da equipe da Unicamp tem dos efeitos da própria participação na tradução. No caso de <italic>Nossos corpos por nós mesmas</italic>, além do conteúdo, de teor emocional muitas vezes significativo, pensávamos nos impactos desses conteúdos nas nossas leitoras, o que muitas vezes determinou nossas escolhas tradutórias. </p>
			<p>Apresentamos abaixo cinco depoimentos de pessoas diferentes, feitos de forma escrita, a partir de um questionário aberto<xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>17</sup></xref>. Uma vez que nosso intuito é apenas mostrar como o projeto tem impactado as pessoas envolvidas, nossos comentários a respeito deles serão bem incipientes, deixando a interpretação a cargo das percepções da própria leitora ou do leitor.</p>
			<disp-quote>
				<p>Depoimento 1: </p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Ouvir os relatos de agressões sofridas pelas depoentes causou em mim ainda mais repulsa e inconformismo com os atos de violência praticados pelos homens. Ao mesmo tempo, tais relatos me encorajaram ainda mais a nunca praticar ou sequer cogitar a possibilidade de violência contra a mulher. Minha mãe foi vítima de violência doméstica por anos e luta dela se tornou minha também.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Depoimento 2: </p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Foi muito bom me aproximar como tradutora da minha formação inicial dentro da área da saúde, como técnica de enfermagem, e poder voltar a essa temática, principalmente trabalhar com saúde da mulher. Isso tudo me remeteu a um tema do qual me aproximei na graduação, que é o feminismo, e me fez ver como a tradução tem um papel importante na difusão de diferentes tipos de conhecimento.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Depoimento 3: </p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Percebi que eu lia muito, mas não lia muitas mulheres, e comecei a tentar mudar esse cenário, me aproximando da produção textual feminina sobre diversos assuntos, não só a tradução. Outro aspecto que passei a observar mais foi a minha própria escrita após termos visto sobre o uso não sexista da linguagem, tentando trabalhar isso quando escrevo. </p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Depoimento 4: </p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Muitas coisas nos escapam na tradução e questões de corpo, gênero e sexualidade só começaram a me incomodar, propriamente, depois de ter trabalhado no projeto. </p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Depoimento 5: </p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Os textos sobre o aborto fortaleceram ainda mais minha posição a favor da legalização, tenho participado mais ativamente de grupos de discussão e de compartilhamento de informações sobre o assunto desde então. (...) No mundo capitalista em que vivemos, traduzir para grandes empresas que eu sei que exploram seus funcionários é, infelizmente, uma necessidade. Então participar de projetos que, embora tenham um conteúdo difícil de lidar, são recompensadores por estarem alinhados aos meus princípios e valores pessoais, é um privilégio. </p>
			</disp-quote>
			<p>De maneira bastante resumida, é possível constatar que a tradução transforma não só o texto, mas também quem traduz. Cabe considerar, obviamente, que os depoimentos foram escritos, ou seja, houve um pensamento deliberado a respeito do assunto. Além disso, alguns aspectos apontados podem ter sido decorrentes das muitas reflexões feitas ao longo do caminho, como foi apresentado nas seções anteriores. De qualquer forma, nota-se que vários fatores influenciam na emoção, incluindo conhecimento do assunto, motivação e experiências pessoais. Posteriormente poderão ser analisados outros aspectos de forma mais detida, como a influência das emoções no uso de expressões idiomáticas, adequação estilística e precisão terminológica e a influência da emoção na performance do tradutor, seja de forma positiva ou negativa. Como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B27">Rojo (2017</xref>: 369), “[a] pesquisa sobre o processo tradutório não pode mais fechar os olhos para o papel dos aspectos afetivos e emocionais no ato tradutório”.</p>
			<p>A emoção constitui uma parte importante da experiência de leitura, e, consequentemente, da experiência de tradução. Nesse sentido, os sentimentos, memórias, preconceitos, motivações do tradutor acabam impactando o processo de tradução. Conforme apontam os estudos recentes citados anteriormente, é importante para a tradutora ou o tradutor desenvolver estratégias de gerenciamento das emoções, de modo a aumentar as emoções positivas e diminuir as negativas, além de expressá-las de forma efetiva em contextos diversos. Nessa perspectiva, <xref ref-type="bibr" rid="B16">Hubscher-Davidson (2018</xref>: 132) afirma que “cursos de tradução podem ter um papel mais direto na conscientização do impacto da regulação das emoções no trabalho dos tradutores, formando tradutores para que usem estratégias eficazes de regulação das emoções dependentes do contexto”. Essa opinião é corroborada por <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lehr (2021</xref>: 305), que também defende o desenvolvimento da competência emocional na formação de tradutores.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>4. Considerações finais</title>
			<p>Conhecer a história do OBOS e das outras traduções proporciona uma visão mais ampla dos problemas transnacionais pelos quais as mulheres passam em cada momento histórico e como isso tem reflexos nas escolhas daquilo que será ou não traduzido. Na época em que foi feita a versão sérvia, por exemplo, dado o número de pessoas que estavam passando fome, após a Guerra de Kosovo, optou-se por não incluir o capítulo <italic>Eating Well</italic> e adicionar um capítulo sobre violência. Na mesma época, na versão indiana, ao contrário, foram acrescentadas mais informações sobre a importância da nutrição, em resposta a um influxo de alimentos de alto teor calórico no mercado indiano devido ao aumento do poder aquisitivo naquele momento. Na versão sul-coreana, por sua vez, foram incluídas estatísticas e leis, mas também foram mantidas aquelas dos Estados Unidos como referência, em especial os tópicos relativos à homossexualidade e aborto. </p>
			<p>Essas diferenças continuam a ser vistas nas versões do OBOS de 2021. Enquanto no Canadá a preocupação é oferecer um discurso sobre sexo que dê condições para que jovens saibam como evitar gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e que não seja baseado em um estereótipo de performance sexual a ser alcançada, no Marrocos, a preocupação é levar informações às mulheres sobre anatomia genital, autodefesa e menopausa. Segundo o <italic>Collectif Assiouar</italic>, responsável pela tradução, </p>
			<disp-quote>
				<p>a necessidade de educação sexual é imensa. O país tem um índice alto de pobreza e analfabetismo, principalmente entre as mulheres, e as leis são desfavoráveis para as mulheres. Aborto, sexo fora do casamento e homossexualidade são proibidos<xref ref-type="fn" rid="fn18"><sup>18</sup></xref>.</p>
			</disp-quote>
			<p>No Brasil, a escolha dos capítulos para compor o primeiro volume reflete a preocupação em disponibilizar informações seguras e confiáveis que vemos como primordiais neste momento. Por isso, além de conhecimentos sobre anatomia, sexo seguro e métodos contraceptivos, indispensáveis para qualquer mulher, foram escolhidos mais quatro capítulos com temas relevantes à nossa realidade. Assim, temos o capítulo sobre imagem corporal, dado o altíssimo índice de procedimentos estéticos, e o capítulo sobre meio-ambiente e saúde das trabalhadoras, com enfoque nos riscos aos quais estamos expostas no dia a dia e são desconhecidos por muitas de nós. Além disso, os capítulos sobre aborto e sobre violência contra a mulher foram vistos como essenciais, considerando o enorme número de abortos clandestinos e mortes no Brasil e a quantidade de feminicídio e outros ataques aos quais estamos expostas diariamente. Dessa forma, <italic>Nossos corpos por nós mesmas</italic> é a tradução de OBOS, mas também é nosso texto, com particularidades que nos representam<xref ref-type="fn" rid="fn19"><sup>19</sup></xref>. </p>
			<p>Concordando com <xref ref-type="bibr" rid="B24">Nouss (2007</xref>), podemos dizer que</p>
			<disp-quote>
				<p>[o] texto traduzido existe através de sua diferença do original, e o original se torna conhecido e legitima sua própria existência somente na e pela tradução. Cada um remete irremediavelmente ao outro. Nenhum deles existe de forma completamente desassociada; a existência de um está entrelaçada - métissage - à do outro. (<xref ref-type="bibr" rid="B24">NOUSS 2007</xref>: 250-251)</p>
			</disp-quote>
			<p>Os recortes apresentados, tanto da nossa tradução quanto de outras em lugares e contextos diversos, nos mostram como as diferenças culturais determinam as características do livro em cada país, e, ao mesmo, colocam em cena vários palimpsestos, formando uma cadeia de sentidos, como tecidos onde os diferentes fios se articulam em camadas de uma mesma trama, a da luta feminista, que infelizmente está longe de chegar ao fim.</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Anexo 1:</label>
					<caption>
						<title>Traduções e adaptações de <italic>Our Bodies, Ourselves</italic></title>
						<p>Quadro elaborado pela autora a partir de informações obtidas em <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.ourbodiesourselves.org/global-projects/">https://www.ourbodiesourselves.org/global-projects/</ext-link>. Acesso em 02 ago 2021</p>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2317-9511-tradterm-40-203-gf2.jpg"/>
				</fig>
			</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências bibliográficas</title>
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							<surname>AUSTIN</surname>
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					<source><italic>Quando dizer é fazer</italic>. Palavras e Ações</source>
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					<publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
					<publisher-name>Artes Médicas</publisher-name>
					<year>1990</year>
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				<element-citation publication-type="journal">
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					<article-title>A tradução como reescritura: o texto/palimpsesto e um novo conceito de fidelidade</article-title>
					<source>Trab. linguist. apl.</source>
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					<article-title>Translation and Activism: Emerging Patterns of Narrative Community</article-title>
					<source>The Massachusetts Review</source>
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					<article-title>A tradução como um espaço alternativo para a ação política</article-title>
					<source>Cadernos de Tradução</source>
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					<volume>38</volume>
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					<article-title>Retranslation as Feminist Re-visioning: La casa de los espíritus into Brazilian Portuguese</article-title>
					<source>Mutatis Mutandis. Revista Lationamericana de Traducción</source>
					<comment>Ejemplar dedicado a: Hacia una traductología feminista transnacional</comment>
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					<year>2020</year>
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					<article-title>Why do you translate? Motivation to volunteer and TED translation</article-title>
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					<article-title>Leer e interpretar la imagen para traducir</article-title>
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					<comment>ISSN 2175-764X</comment>
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		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>O livro, com 27 capítulos e quase mil páginas, será publicado em três volumes no Brasil. O primeiro foi lançado no segundo semestre de 2021 e os restantes deverão ser publicados até 2022. No primeiro volume temos sete capítulos: 1. Nossos corpos femininos: anatomia sexual, reprodução e o ciclo menstrual; 2. Imagem corporal; 3. Métodos contraceptivos; 4. Sexo mais seguro; 5. Aborto; 6. Violência contra as mulheres no Brasil; 7. Saúde ambiental e das trabalhadoras.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Esta e outras citações cuja obra não foi traduzida para o português são minhas.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Na Unicamp, a equipe é coordenada por Érica Lima e na UFRJ, por Janine Pimentel. A coordenação da adaptação é de Raquel Pereira (Coletivo). Mais detalhes sobre os acordos e andamento do projeto podem ser encontrados em <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://linktr.ee/ProjetoObosBrasil">https://linktr.ee/ProjetoObosBrasil</ext-link>. Acesso em 31 jul. 2021.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Além do percurso do grupo norte-americano, no site podem ser encontradas informações sobre iniciativas globais de tradução e de ativismo das mulheres envolvidas com a ONG OBOS. Há também alguns depoimentos e textos referentes ao projeto brasileiro traduzidos para o inglês. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.ourbodiesourselves.org/">https://www.ourbodiesourselves.org/</ext-link> Acesso em 31 jul. 2021.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>A edição, em inglês, tem 14 prefácios, aos quais foram incluídos mais três, disponíveis no site da ONG, por sugestão da própria OBOS. Além disso, acrescentamos uma apresentação das coordenadoras do projeto e um prefácio coletivo, feito pelas alunas tradutoras.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Todos esses aspectos foram apontados em uma reunião entre as coordenadoras da tradução e a coordenadora geral com a capista do volume 1, Laura Athayde. Mais informações sobre a equipe de adaptação e a imagem da capa podem ser encontradas em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://nossoscorpos.com.br/">https://nossoscorpos.com.br/</ext-link>. Acesso em 31 jul. 2021.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Foram feitas uma apresentação, assinada pelas três coordenadoras, e três prefácios: um assinado por pessoas das duas equipes de tradução, um do Coletivo, responsável pela adaptação de cinco capítulos, e um de Beatriz Fioretti-Foschi e Carmen Simone Diniz (uma das fundadoras do Coletivo), da Universidade de São Paulo, responsáveis pela adaptação de dois capítulos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B26">Olohan (2013</xref>) mostra que o voluntariado nem sempre é feito de forma altruísta, mas apresenta, mesmo de forma subjacente, interesses e motivações individuais, tais como: (1) aprimorar as habilidades linguísticas; (2) aprimorar as habilidades tradutórias; (3) adquirir experiência profissional; (4) ajudar nas causas da fundação Rosetta; (5) ajudar na tradução de informações para línguas menos conhecidas; (6) ganhar estímulo intelectual. Por outro lado, Olohan também traz o depoimento de um tradutor sudanês, que diz que a atividade de tradução voluntária pode “promover respeito mútuo entre diferentes culturas, pessoas, religiões; promover paz, prosperidade e compaixão pelo país e mudar a percepção que as pessoas têm dele.” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">OLOHAN, 2013</xref>, p.10).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>Essa metodologia foi mantida porque já fazia parte de outros projetos do grupo de pesquisa <italic>E por falar em tradução</italic>, cujas experiências foram consideradas muito profícuas. Disponível no site do grupo: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://linktr.ee/eporfalaremtraducao">https://linktr.ee/eporfalaremtraducao</ext-link> Acesso em 04 set 2021.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p>Samira Spolidorio ofereceu a oficina e assumiu a posição de gerente do projeto.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p>A professora Viviane Veras, da Unicamp, fez a revisão final da versão enviada para diagramação. Mesmo assim, o texto passou ainda pela revisora da editora e voltou para a concordância das coordenadoras do projeto.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>13</label>
				<p>As sugestões, apresentadas pelas duas equipes, foram: Nosso corpo, nossa vida; Nosso corpo, nossa saúde; Nossos corpos, nossa saúde; Nós e nossos corpos; Meu corpo, minhas regras; Meu corpo e eu.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>14</label>
				<p>A questão da linguagem inclusiva na tradução está mais desenvolvida em <xref ref-type="bibr" rid="B20">Lima e Pimentel (no prelo</xref>)</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn15">
				<label>15</label>
				<p>No texto em inglês (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Nouss 2007</xref>: 245), o autor mantém o termo em francês <italic>métissage</italic> e esclarece que está sendo usado no sentido de <italic>inter-weaving.</italic> A ideia geral é abranger o sentido de união, entrelaçamento, cruzamento e influência mútua de diversas línguas e culturas em um mesmo texto.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn16">
				<label>16</label>
				<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B25">Nouss (2012</xref>: 19), o <italic>moiré</italic> “designa um efeito visual presente num tecido ou na superposição de duas tramas metálicas. (...). Note-se que o termo carrega uma bela história transcultural, já que, proveniente do árabe, atravessou os espaços francófono e anglófono. No <italic>moiré</italic>, duas superfícies se encontram e criam uma terceira, assim como a tradutologia adotou a ideia de que duas línguas em presença uma da outra produzem uma terceira, nova a cada tradução, e no limiar da qual existem as duas primeiras.”</p>
			</fn>
			<fn fn-type="financial-disclosure" id="fn17">
				<label>17</label>
				<p>Os depoimentos aqui apresentados fazem parte do corpus da pesquisa “Tradução de textos ideologicamente marcados: um trabalho de corpo e mente” (Projeto Fapesp 2019/09310-9). As tradutoras e os tradutores concordaram com o TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido). O projeto e o TCLE foram submetidos e aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), número do CAAE: 35266820.7.0000.8142, número do parecer: 4.184.316.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn18">
				<label>18</label>
				<p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.ourbodiesourselves.org/global-projects/morocco-collectif-assiouar/">https://www.ourbodiesourselves.org/global-projects/morocco-collectif-assiouar/</ext-link> Acesso em 06 set. 2021.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn19">
				<label>19</label>
				<p>Os demais capítulos estão em preparação e serão publicados em dois volumes. A escolha dos capítulos do primeiro volume foi feita em conjunto com a OBOS, e teve como preocupação abordar temas que consideramos relevantes atualmente.</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
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