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	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">tradterm</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista de Tradução e Terminologia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Revista de Tradução e Terminologia</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="ppub">2317-9511</issn>
			<issn pub-type="epub">2317-9511</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
			</publisher>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9511.v41p138-154</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Articles</subject>
				</subj-group>
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			<title-group>
				<article-title>Por um Glossário de História do Brasil Colonial Direcionado por Corpus e Orientado para Tradutores</article-title>
				<article-title>Making the Case for a Corpus-Driven, Translator-Oriented Glossary of Brazilian Colonial History</article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Candian</surname>
						<given-names>Selene</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
				</contrib>
				<aff id="aff1">
					<label>1</label>
					<institution content-type="original">Doutoranda no Programa de Estudos Linguísticos e Literários em Inglês no Departamento de Letras Modernas, Universidade de São Paulo. E-mail: selene.santos@usp.br.</institution>
					<institution content-type="orgdiv1">Departamento de Letras Modernas</institution>
					<institution content-type="orgname">Universidade de São Paulo</institution>
					<email>selene.santos@usp.br</email>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>06</day>
				<month>10</month>
				<year>2022</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<month>02</month>
				<year>2022</year>
			</pub-date>
			<volume>41</volume>
			<fpage>138</fpage>
			<lpage>154</lpage>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>O objetivo deste artigo é verificar se é possível pensar a nomenclatura de história do Brasil colonial terminologicamente e, com base nesses termos e em equivalentes já encontrados por tradutores, desenvolver um glossário de história do Brasil colonial, na direção português-inglês, direcionado por corpus e orientado para tradutores. Para isso, compilamos dois corpora paralelos de obras sobre História do Brasil (<italic>Brasil: uma biografia / Brazil: a biography</italic>, de Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling, e <italic>História concisa do Brasil / A concise history of Brazil</italic>, de Boris Fausto), os quais nos informaram, a partir da abordagem direcionada por corpus (<xref ref-type="bibr" rid="B15">TAGNIN; TEIXEIRA, 2012</xref>), potenciais candidatos a termos. Selecionamos dez candidatos a termos e desenvolvemos verbetes orientados para tradutores, com base em um modelo de verbete adaptado de <xref ref-type="bibr" rid="B14">Tagnin (2015</xref>).</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>This paper aims to investigate the possibility of thinking the nomenclature of the history of Brazil terminologically and, based on these terms and on equivalents already found by translators, of developing a corpus-driven, translator-oriented glossary of Brazilian colonial history. For that purpose, we have assembled two parallel corpora of works on the history of Brazil (<italic>Brasil: uma biografia / Brazil: a biography</italic>, by Lilia M. Schwarcz and Heloisa M. Starling, and <italic>História concisa do Brasil / A concise history of Brazil</italic>, by Boris Fausto), which have informed us, through a corpus-driven approach (<xref ref-type="bibr" rid="B15">TAGNIN; TEIXEIRA, 2012</xref>), potential candidate terms. We have chosen ten candidate terms developed translator-oriented glossary entries based on an entry model adapted from <xref ref-type="bibr" rid="B14">Tagnin (2015</xref>).</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>História do Brasil</kwd>
				<kwd>glossário</kwd>
				<kwd>abordagem direcionada por corpus</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>History of Brazil</kwd>
				<kwd>glossary</kwd>
				<kwd>corpus-driven approach</kwd>
			</kwd-group>
			<counts>
				<fig-count count="0"/>
				<table-count count="16"/>
				<equation-count count="0"/>
				<ref-count count="17"/>
				<page-count count="17"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<disp-quote>
			<p>Escolher o equivalente é postular uma semelhança. Pelo menos zelemos para que ela não seja só de superfície.</p>
		</disp-quote>
		<disp-quote>
			<p>Marc Bloch</p>
		</disp-quote>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>O tradutor de textos sobre o período colonial da história do Brasil (1500- 1822<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>), na direção português-inglês, se depara com algumas dificuldades. Esses textos trazem itens lexicais que fazem referência à realidade social, cultural e econômica da época, mas não há glossário bilíngue especializado no período. Os dicionários de língua geral costumam, nesses casos, ser de pouco auxílio. Muitas vezes, um recurso utilizado é buscar a solução de tradução encontrada por outros tradutores de textos do mesmo tipo.</p>
			<p>Para Marc Bloch, historiador francês e um dos fundadores da Escola dos Annales, a historiografia, a escrita da história enquanto sua análise, tem como ferramenta primeira a linguagem:</p>
			<disp-quote>
				<p>uma linguagem apropriada capaz de desenhar com precisão os contornos dos fatos, embora conservando a flexibilidade necessária para se adaptar progressivamente às descobertas, uma linguagem sobretudo sem flutuações nem equívocos (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BLOCH, 2001</xref>: 135).</p>
			</disp-quote>
			<p>A historiografia, portanto, lida constantemente com o “problema fundamental da nomenclatura” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BLOCH, 2001</xref>: 135): o historiador deve utilizar o “vocabulário dos documentos” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BLOCH, 2001</xref>: 142), ou seja, “o termo original” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BLOCH, 2001</xref>: 148)? Essa opção seria uma forma de evitar anacronismos e aproximações, assim tornando o discurso historiográfico mais preciso? Ou a opção apenas indicaria um “falso rigor” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BLOCH, 2001</xref>: 141), já que os termos originais não “nos fornecem a análise toda pronta” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BLOCH, 2001</xref>: 142), e poderia inclusive tornar o discurso historiográfico menos acessível, menos inteligível?</p>
			<p>A linguagem historiográfica, que, portanto, não necessariamente é a linguagem da história, é permeada por dilemas de nomenclatura. Isso não significa que ela seja linguagem altamente técnica, mas ela talvez possa ser pensada como uma <italic>restricted language</italic>, ou seja, terminologicamente. De acordo com J.R. <xref ref-type="bibr" rid="B5">Firth (1968</xref>: 87), uma <italic>restricted language</italic> seria um tipo de linguagem que opera em um “campo circunscrito de experiência ou ação” <xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>e que inclusive pode ter “sua própria gramática e seu próprio dicionário”<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>. Se o discurso historiográfico a respeito da história do Brasil colonial puder ser pensado terminologicamente, isso justificaria a compilação de seu próprio dicionário, um que auxilie tradutores na direção português-inglês.</p>
			<p>O objetivo deste artigo, portanto, é verificar se é possível pensar a nomenclatura de história do Brasil colonial terminologicamente e, com base nesses termos e em equivalentes já encontrados por tradutores, desenvolver um glossário de história do Brasil colonial, na direção português-inglês, direcionado por corpus e orientado para tradutores.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Metodologia</title>
			<p>Para essa investigação, é preciso, inicialmente, entender quais termos são mais relevantes no discurso historiográfico sobre o período colonial - e buscar possíveis equivalentes em língua inglesa. Com essa finalidade, compilamos dois corpora paralelos, ou seja, dois textos originais em português e suas respectivas versões para a língua inglesa - de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B15">Tagnin e Teixeira (2012</xref>: 56), os corpora paralelos podem ser usados para encontrar equivalentes <italic>prima facie</italic>. Um deles é nosso <italic>focus corpus</italic>, que restringiu o tipo de termo relacionado à história do Brasil colonial, e o outro é um corpus de escopo mais amplo, para fins de comparação. Assim, nosso <italic>focus corpus</italic> é o segundo capítulo da obra <italic>Brasil: Uma Biografia</italic> (2015), de Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling, e sua versão para a língua inglesa (<italic>Brazil: A Biography</italic>, publicado em 2018). Esse capítulo é intitulado <italic>Tão doce quanto amarga: a civilização do açúcar</italic>; a seleção desse capítulo visa a restringir o tipo de termo que seria encontrado na pesquisa ao chamado ciclo do açúcar. Já o corpus paralelo de comparação é o primeiro capítulo do livro <italic>História Concisa do Brasil</italic> (2001), de Boris Fausto, e o primeiro capítulo de sua versão <italic>Concise History of Brazil</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B4">publicado em 2014</xref>). Apesar de ser também apenas um capítulo, ele tem escopo mais amplo, pois trata do período colonial como um todo (1500-1822).</p>
			<p>A compilação desses corpora paralelos teve início com a conversão dessas quatro obras, que estavam em formato .epub e .mobi, para o formato .txt - para isso, foi utilizada a ferramenta Convertio, disponível gratuitamente on- line. Os capítulos selecionados foram, então, copiados para duas planilhas Excel: em uma planilha, dedicamos uma coluna para <italic>Brasil: Uma Biografia</italic> e outra coluna para <italic>Brazil: A Biography</italic>, e alinhamos os dois textos período sintático por período sintático (chamaremos este corpus paralelo de CP1). O mesmo foi feito, em outra planilha Excel, com <italic>História Concisa do Brasil</italic> e sua tradução, mas o alinhamento nesse caso foi feito parágrafo a parágrafo (chamaremos esse corpus paralelo de CP2). Na primeira linha das duas planilhas, foi preciso escrever o idioma no qual estavam os textos de cada uma das duas colunas (português na coluna um e inglês na coluna dois). Essas planilhas foram, separadamente, carregadas para a ferramenta Sketch Engine, por meio da qual foram construídos os dois corpora multilíngues.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Tabela 1</label>
					<caption>
						<title>Composição do Corpus Paralelo 1</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="center"><bold>Português</bold></td>
								<td align="center"><bold>Inglês</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>Tokens</bold></td>
								<td align="center">15.783</td>
								<td align="center">15.773</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>PALAVRAS</bold></td>
								<td align="center">13.322</td>
								<td align="center">13.665</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>PERÍODOS</bold></td>
								<td align="center">582</td>
								<td align="center">643</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>LINHAS DE CONCORDÂNCIA</bold></td>
								<td align="center" colspan="2">516</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>
				<table-wrap id="t2">
					<label>Tabela 2</label>
					<caption>
						<title>Composição do Corpus Paralelo 2</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"> </td>
								<td align="center"><bold>Português</bold></td>
								<td align="center"><bold>Inglês</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>Tokens</bold></td>
								<td align="center">32.046</td>
								<td align="center">31.180</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>PALAVRAS</bold></td>
								<td align="center">27.472</td>
								<td align="center">27.092</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>PERÍODOS</bold></td>
								<td align="center">1.265</td>
								<td align="center">1.534</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>LINHAS DE CONCORDÂNCIA</bold></td>
								<td align="center" colspan="2">288</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Para chegar à lista de termos a ser investigados, foi adotada uma abordagem direcionada por corpus (corpus-driven approach), conforme proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B15">Tagnin e Teixeira (2012</xref>). Trata-se de uma abordagem, na área de terminologia bilíngue, que difere da corpus-based methodology: na metodologia baseada em corpus, um especialista em história do Brasil colonial precisaria elaborar uma lista de termos a ser pesquisados nos corpora; na abordagem direcionada por corpus, a validação do especialista não se faz necessária, pois é o próprio corpus que nos oferece a lista de termos. Como explicam <xref ref-type="bibr" rid="B15">Tagnin e Teixeira (2012</xref>: 55), “o corpus nos ‘contará’ quais termos são utilizados com mais frequência na área de investigação, não o especialista”<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>.</p>
			<p>Com o objetivo de verificar a possibilidade de construir um glossário na direção português-inglês, o primeiro passo para identificar candidatos a termos (<xref ref-type="bibr" rid="B14">TAGNIN, 2015</xref>) foi utilizar a ferramenta Wordlist do Sketch Engine em nosso <italic>focus corpus</italic> (CP1), o que possibilitou a identificação das palavras mais frequentes nesse corpus. Percebemos que, a partir da trigésima palavra mais frequente, já é possível notar a temática do corpus, relacionada ao ciclo da cana no Brasil colonial: açúcar (posição 30), cana (posição 33), Brasil (posição 39) e escravos (posição 40).</p>
			<p>
				<table-wrap id="t3">
					<label>Tabela 3</label>
					<caption>
						<title>40 palavras mais frequentes no Wordlist do Corpus Paralelo 1 (português)</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"><bold>N</bold></td>
								<td align="right"><bold>PALAVRA</bold></td>
								<td align="center"><bold>FREQUÊNCIA</bold></td>
								<td align="center"><bold>N</bold></td>
								<td align="center"><bold>PALAVRA</bold></td>
								<td align="center"><bold>FREQUÊNCIA</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>1</bold></td>
								<td align="center">,</td>
								<td align="center">1.191</td>
								<td align="center"><bold>21</bold></td>
								<td align="center">--</td>
								<td align="center">99</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>2</bold></td>
								<td align="center">DE</td>
								<td align="center">678</td>
								<td align="center"><bold>22</bold></td>
								<td align="center">MAIS</td>
								<td align="center">98</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>3</bold></td>
								<td align="center">.</td>
								<td align="center">547</td>
								<td align="center"><bold>23</bold></td>
								<td align="center">UM</td>
								<td align="center">98</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>4</bold></td>
								<td align="center">E</td>
								<td align="center">510</td>
								<td align="center"><bold>24</bold></td>
								<td align="center">DOS</td>
								<td align="center">95</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>5</bold></td>
								<td align="center">A</td>
								<td align="center">488</td>
								<td align="center"><bold>25</bold></td>
								<td align="center">UMA</td>
								<td align="center">92</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>6</bold></td>
								<td align="center">O</td>
								<td align="center">363</td>
								<td align="center"><bold>26</bold></td>
								<td align="center">AS</td>
								<td align="center">90</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>7</bold></td>
								<td align="center">QUE</td>
								<td align="center">280</td>
								<td align="center"><bold>27</bold></td>
								<td align="center">NÃO</td>
								<td align="center">85</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>8</bold></td>
								<td align="center">DO</td>
								<td align="center">263</td>
								<td align="center"><bold>28</bold></td>
								<td align="center">ERA</td>
								<td align="center">82</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>9</bold></td>
								<td align="center">DA</td>
								<td align="center">228</td>
								<td align="center"><bold>29</bold></td>
								<td align="center">:</td>
								<td align="center">65</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>10</bold></td>
								<td align="center">OS</td>
								<td align="center">190</td>
								<td align="center"><bold>30</bold></td>
								<td align="center">AÇÚCAR</td>
								<td align="center">63</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>11</bold></td>
								<td align="center">EM</td>
								<td align="center">168</td>
								<td align="center"><bold>31</bold></td>
								<td align="center">DAS</td>
								<td align="center">57</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>12</bold></td>
								<td align="center">“</td>
								<td align="center">163</td>
								<td align="center"><bold>32</bold></td>
								<td align="center">OU</td>
								<td align="center">53</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>13</bold></td>
								<td align="center">“</td>
								<td align="center">163</td>
								<td align="center"><bold>33</bold></td>
								<td align="center">CANA</td>
								<td align="center">52</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>14</bold></td>
								<td align="center">SE</td>
								<td align="center">149</td>
								<td align="center"><bold>34</bold></td>
								<td align="center">AO</td>
								<td align="center">51</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>15</bold></td>
								<td align="center">COM</td>
								<td align="center">136</td>
								<td align="center"><bold>35</bold></td>
								<td align="center">FOI</td>
								<td align="center">50</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>16</bold></td>
								<td align="center">NA</td>
								<td align="center">128</td>
								<td align="center"><bold>36</bold></td>
								<td align="center">À</td>
								<td align="center">49</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>17</bold></td>
								<td align="center">NO</td>
								<td align="center">122</td>
								<td align="center"><bold>37</bold></td>
								<td align="center">ERAM</td>
								<td align="center">46</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>18</bold></td>
								<td align="right">COMO</td>
								<td align="center">111</td>
								<td align="center"><bold>38</bold></td>
								<td align="center">MAS</td>
								<td align="center">46</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>19</bold></td>
								<td align="center">PARA</td>
								<td align="center">109</td>
								<td align="center"><bold>39</bold></td>
								<td align="center">BRASIL</td>
								<td align="center">46</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>20</bold></td>
								<td align="center">POR</td>
								<td align="center">108</td>
								<td align="center"><bold>40</bold></td>
								<td align="center">ESCRAVOS</td>
								<td align="center">40</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Para verificarmos quais das palavras mais frequentes do CP1 são de fato típicas dessa área temática, utilizamos a ferramenta Keywords do Sketch Engine. Essa ferramenta compara as palavras mais frequentes do Wordlist a um <italic>reference corpus</italic>, de língua geral, para que sejam selecionadas, no CP1, “quais palavras têm frequência estatisticamente relevante no corpus especializado em relação ao corpus de referência” <xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>(<xref ref-type="bibr" rid="B14">TAGNIN, 2015</xref>: 366). Essas palavras, por serem mais relevantes em nosso corpus do que no corpus de referência, foram consideradas candidatas a termos. O corpus de referência (CR) utilizado foi <italic>Portuguese Web 2011 (ptTenTen11)</italic>, já disponível no Sketch Engine.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t4">
					<label>Tabela 4</label>
					<caption>
						<title>20 primeiras palavras no Keywords e sua frequência</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="center"><bold>N</bold></td>
								<td align="left"><bold>PALAVRA-CHAVE</bold></td>
								<td align="left"><bold>FREQUÊNCIA NO CP1</bold></td>
								<td align="left"><bold>FREQUÊNCIA NO CR</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>1</bold></td>
								<td align="left">CASA-GRANDE</td>
								<td align="center">11</td>
								<td align="center">1.980</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>2</bold></td>
								<td align="left">AÇUCAREIRO</td>
								<td align="center">14</td>
								<td align="center">3.833</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>3</bold></td>
								<td align="left">ENGENHO</td>
								<td align="center">52</td>
								<td align="center">32.777</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>4</bold></td>
								<td align="left">NASSAU</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">6.610</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>5</bold></td>
								<td align="left">ECKHOUT</td>
								<td align="center">4</td>
								<td align="center">245</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>6</bold></td>
								<td align="left">MOENDA</td>
								<td align="center">5</td>
								<td align="center">1.612</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>7</bold></td>
								<td align="left">MASCAVAR</td>
								<td align="center">4</td>
								<td align="center">403</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>8</bold></td>
								<td align="left">MASSAPÊ</td>
								<td align="center">4</td>
								<td align="center">745</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>9</bold></td>
								<td align="left">CANA</td>
								<td align="center">51</td>
								<td align="center">64.477</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>10</bold></td>
								<td align="left">HOLANDÊS</td>
								<td align="center">45</td>
								<td align="center">60.343</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>11</bold></td>
								<td align="left">BRASIS</td>
								<td align="center">4</td>
								<td align="center">1.625</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>12</bold></td>
								<td align="left">CRISTÃO-NOVO</td>
								<td align="center">4</td>
								<td align="center">1.662</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>13</bold></td>
								<td align="left">GENTIO</td>
								<td align="center">8</td>
								<td align="center">8.185</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>14</bold></td>
								<td align="left">ANTONIL</td>
								<td align="center">3</td>
								<td align="center">282</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>15</bold></td>
								<td align="left">EQUINOCIAL</td>
								<td align="center">3</td>
								<td align="center">444</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>16</bold></td>
								<td align="left">CALDEIREIRO</td>
								<td align="center">3</td>
								<td align="center">672</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>17</bold></td>
								<td align="left">SENZALA</td>
								<td align="center">6</td>
								<td align="center">6.714</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>18</bold></td>
								<td align="left">CAPITANIA</td>
								<td align="center">14</td>
								<td align="center">23.367</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>19</bold></td>
								<td align="left">FORNALHA</td>
								<td align="center">4</td>
								<td align="center">3.399</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>20</bold></td>
								<td align="left">CALABAR</td>
								<td align="center">3</td>
								<td align="center">1.584</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Dentre essas vinte palavras-chave, foram selecionadas como candidatas a termos as dez primeiras que não eram substantivos próprios: casa-grande, açucareiro, engenho, moenda, mascavar, massapê, cana, holandês, cristão- novo e gentio.</p>
			<p>Algumas dessas palavras nos pareceram, à primeira vista, candidatas fracas a termos, já que pareciam mais relacionadas a <italic>language for general purposes</italic>, e não a <italic>language for specific purposes</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B16">TOGNINI-BONELLI, 2002</xref>), como é o caso de “açucareiro” e “holandês”. No entanto, optamos por não as descartar como candidatas a termos. Tognini-Bonelli (2002), ao discutir o estatuto do termo, afirma que, apesar de terem um status protegido (<xref ref-type="bibr" rid="B8">PEARSON, 1998</xref>) em suas áreas de especialidade, os termos não devem ser pensados apenas em correspondência aos conceitos aos quais se referem, mas também dentro dos contextos nos quais ocorrem, contextos os quais revelam sua função comunicativa e regulam seu uso. Portanto, é no contexto, na situação comunicativa em si, que observaremos se essas palavras podem ser pensadas como termos para a área de especialidade, pois é no contexto que verificaremos como essas palavras se comportam em termos fraseológicos - ou seja, como interagem com o co-texto e, através da interação, de fato constroem sentidos. Afinal, nas palavras de John <xref ref-type="bibr" rid="B12">Sinclair (2004</xref>: 135), “o fluxo de sentido não é do item [lexical] para o texto, mas do texto para o item [lexical]”<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>.</p>
			<p>Essas considerações fraseológicas são essenciais nesta investigação, já que o objetivo final é compilar um glossário orientado para o tradutor. Tradicionalmente, os glossários são materiais de referência muito limitados, já que costumam ter como enfoque sobretudo itens monolexicais (principalmente substantivos) e seus equivalentes, sem qualquer informação adicional que de fato auxilie o tradutor, como exemplos, colocados mais frequentes, fraseologias, soluções de tradução quando não há equivalente mais evidente, informações culturais etc. (<xref ref-type="bibr" rid="B14">TAGNIN, 2015</xref>). Essas informações são fundamentais para que o tradutor, como produtor de texto, consiga escrever um texto marcado por naturalidade na língua de chegada.</p>
			<p>Assim, como resultado desta investigação, desenvolvemos verbetes para cada um desses dez candidatos a termos com informações valiosas para o tradutor: equivalente, exemplo na língua de partida e na língua de chegada e anotações sobre colocações e coligações. Colocação é aqui pensada como “combinação lexical consagrada de duas ou mais palavras de conteúdo” (<xref ref-type="bibr" rid="B13">TAGNIN, 2013</xref>: 54), enquanto coligação é aqui pensada como “combinação consagrada de um elemento lexical com uma categoria ou padrão gramatical” (<xref ref-type="bibr" rid="B13">TAGNIN, 2013</xref>: 53). O modelo de verbete, adaptado de <xref ref-type="bibr" rid="B14">Tagnin (2015</xref>), é o seguinte:</p>
			<p>(1) <bold>termo</bold> [classe de palavras]</p>
			<p>(2) exemplo em português extraído do CP1 e/ou CP2 (com indicação ao autor do texto) acompanhado de sua tradução para o inglês</p>
			<p>(3) <bold>equivalentes</bold> encontrados pelos tradutores no CP1 e/ou no CP2 [classe de palavras e informações gramaticais]</p>
			<p>(5) colocações (se observáveis nos corpora)</p>
			<p>(6) coligações (se observáveis nos corpora)</p>
			<p>(7) comentários (se necessários)</p>
			<p>Com todos esses procedimentos metodológicos realizados e o modelo inicial de verbete pronto, foram realizadas as consultas, nos dois corpora paralelos, de cada um dos dez candidatos a termo, com anotações para a posterior elaboração dos verbetes - os quais serão mostrados e discutidos na seção Resultados. Na tabela 5, abaixo, há um resumo dos procedimentos metodológicos adotados, visando a facilitar a eventual replicação desta investigação.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t5">
					<label>Tabela 5</label>
					<caption>
						<title>Resumo dos procedimentos metodológicos</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="center"><bold>PASSO</bold></td>
								<td align="center"><bold>PROCEDIMENTO</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>1</bold></td>
								<td align="left">Conversão dos livros para o formato .txt (Convertio).</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>2</bold></td>
								<td align="justify">Alinhamento dos textos originais em português com suas respectivas traduções para inglês em planilhas Excel (apenas um capítulo de cada obra).</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>3</bold></td>
								<td align="left"><italic>Upload</italic> das duas planilhas Excel para Sketch Engine, formando dois corpora paralelos: CP1 (<italic>focus corpus</italic>) e CP2 (corpus de comparação).</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>4</bold></td>
								<td align="left">Extração da Wordlist do CP1 para verificar as 40 palavras mais frequentes, que revelam a área temática de investigação.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>5</bold></td>
								<td align="left">Extração das 20 primeiras Keywords do CP1, para verificar potenciais candidatos a termos.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>6</bold></td>
								<td align="justify">Dentre as 20 primeiras Keywords do CP1, exclusão dos substantivos próprios e seleção das dez primeiras Keywords como candidatas a termos.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>7</bold></td>
								<td align="left">Elaboração do modelo de verbete para o glossário.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>8</bold></td>
								<td align="left">Consulta, no CP1 e no CP2, de cada um dos dez candidatos a termo, com anotações sobre resultados.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center"><bold>9</bold></td>
								<td align="left">Elaboração, com base nas anotações, dos verbetes dos dez termos.</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>Resultados</title>
			<p>Os resultados obtidos foram onze verbetes (a descrição do termo “holandês” resultou em dois verbetes distintos: um para o adjetivo e outro para o substantivo), elaborados conforme o modelo explicitado na seção anterior. Nos verbetes, exemplos extraídos do CP1 estão identificados como “(SCH)”, para que o tradutor possa verificar, nas referências bibliográficas do glossário, a fonte daquele exemplo (SCH são as primeiras três letras do sobrenome da primeira autora de <italic>Brasil: Uma Biografia</italic>). Já os exemplos extraídos do CP2 estão identificados como “(FAU)”, em referência a Boris Fausto, autor de <italic>História Concisa do Brasil</italic>. Essa forma de referência foi pensada com base no <italic>Guia Prático de Tradução Inglesa</italic>, de Agenor Soares dos Santos.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t6">
					<label>Verbete 1</label>
					<caption>
						<title>Casa-grande</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"> (1) <bold>casa-grande</bold> [substantivo] </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(2) “não há casa-grande sem senzala” / <italic>there was no casa-grande without the senzala</italic> (SCH) | “havia diferenças entre servir na casa-grande ou trabalhar no campo” / <italic>There was a difference between working in the master’s house and in the fields</italic> (FAU)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>(3) casa-grande [countable noun; pl. casas-grandes]; the master’s house</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(5) coligações de regência</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><italic>inside ~</italic> “por vezes contida na casa-grande” / <italic>whether built inside the casa-grande</italic> (SCH) </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><italic>in</italic> ~ “o centro da vida […] permanecia retido […] em torno da casa-grande” / <italic>power was retained in the casa-grande</italic> (SCH) | “havia diferenças entre servir na casa-grande ou trabalhar no campo” / <italic>There was a difference between working in the master’s house and in the fields</italic> (FAU)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(6) comentários</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> “casa-grande” não se encontra indexado no <italic>Oxford English Dictionary</italic> (OED). A opção por essa solução de tradução, portanto, equivale a empréstimo.</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>
				<table-wrap id="t7">
					<label>Verbete 2</label>
					<caption>
						<title>Açucareiro</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"> (1) <bold>açucareiro</bold> [adjetivo]</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(2) “Mas a ascensão da cultura açucareira na ilha foi tão veloz quanto seu declínio” / <italic>But the growth of the sugar trade on the island was as swift as its decline</italic> (SCH)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>(3) sugar [uncountable noun] | sugarcane [uncountable noun]</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(4) colocações adjetivas</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">atividade açucareira / <italic>sugar economy; sugar industry</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">centros açucareiros / <italic>sugar-producing centers</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">comércio açucareiro / <italic>trade in sugar</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">complexo açucareiro; propriedade açucareira / <italic>sugar production complex</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">período açucareiro / <italic>sugarcane cycle</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">unidades açucareiras / <italic>sugar production units</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">zona açucareira / <italic>sugar plantations</italic></td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>
				<table-wrap id="t8">
					<label>Verbete 3</label>
					<caption>
						<title>Engenho</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"> (1) <bold>engenho</bold> [substantivo]</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(2) “Os primeiros engenhos começaram a funcionar em Pernambuco” / <italic>The first sugar mills began to operate in Pernambuco</italic> (SCH) | “ficou conhecido como Engenho do Governador” / <italic>It became known as the Engenho do Governador</italic> (SCH) | “os proprietários de engenhos localizados no litoral” / <italic>the owners of engenhos near the coast</italic> (SCH) | “Nas décadas de 1550 e 1560, praticamente não havia africanos nos engenhos do Nordeste” / <italic>Between the years of 1550 and 1560, there were practically no Africans on</italic>
 <italic>the sugar plantations of the Northeast</italic> (FAU)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>(3) sugar mill [countable noun]; mill [countable noun] | engenho [countable noun; pl. engenhos]; Engenho [proper noun]; sugar plantantion [countable noun]</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(4) </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">colocações nominais e adjetivas</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">senhores de engenho / <italic>sugar-mill owners; sugar barons; plantation owners</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">engenhos d’água / <italic>water mills</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">engenhos reais / <italic>royal mills</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">engenhos de palito / <italic>stilt mills</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">engenhos desocupados/abandonados / <italic>abandoned mills</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">colocações verbais</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><italic>operate</italic> ~ “A maioria dos engenhos era movida por bois” / <italic>Most were operated by oxen</italic> (SCH) / “Outro elemento fundamental para o funcionamento de um engenho era a lenha”/ <italic>Another item that was essential for operating the mills was wood</italic> (SCH) </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>
 <italic>set up</italic> ~ “A instalação de engenhos” / <italic>To set up sugar mills</italic> (FAU)</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>
 <italic>run</italic> ~ “Os engenhos movidos a água” / <italic>The mills run by water</italic> (FAU)</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(5) coligações de regência</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><italic>in</italic> ~ “cativos trabalhavam nos campos, nos engenhos” / <italic>Slaves worked in the fields, in the sugar mills</italic> (FAU) </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>
 <italic>on</italic> ~ “nos engenhos” / <italic>on the sugar plantations</italic> (FAU)</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(6) comentários</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> “engenho” não se encontra indexado no <italic>Oxford English Dictionary</italic> (OED). A opção por essa solução de tradução, portanto, equivale a empréstimo.</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>
				<table-wrap id="t9">
					<label>Verbete 4</label>
					<caption>
						<title>Moenda</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"> (1) <bold>moenda</bold> [substantivo]</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(2) “um novo sistema de moendas” / <italic>a new system for grinding</italic> (SCH) | “na construção dos edifícios, da moenda” / <italic>between the construction of buildings, the grinding mill</italic> (SCH) | “que escravos perdessem a mão ou um braço na moenda” / <italic>slaves to lose a hand or an arm in the grinder</italic> (FAU)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>(3) grinding [uncountable noun]; grinding mill [countable noun]; grinder [countable noun]</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(5) coligação de regência</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><italic>in</italic> ~ “que escravos perdessem a mão ou um braço na moenda” / <italic>slaves to lose a hand or an arm in the grinder</italic> (FAU)</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>
				<table-wrap id="t10">
					<label>Verbete 5</label>
					<caption>
						<title>Mascavado</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"> (1) <bold>mascavado</bold> [adjetivo]</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(2) “açúcar mascavado” / <italic>muscovado sugar</italic> (SCH)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(3) <bold>muscovado</bold> [adjective]</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>
				<table-wrap id="t11">
					<label>Verbete 6</label>
					<caption>
						<title>Massapê</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"> (1) <bold>massapê</bold> [substantivo]</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(2) “o massapê tinha efetivamente qualidades e ajudaria na implantação da nova cultura” / <italic>the massapê did have the right characteristics for the successful cultivation of sugarcane</italic> (SCH)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(3) <bold>massapê</bold> [noun]</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(6) comentários</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"> “massapê” não se encontra indexado no <italic>Oxford English Dictionary</italic> (OED). A opção por essa solução de tradução, portanto, equivale a empréstimo.</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>
				<table-wrap id="t12">
					<label>Verbete 7</label>
					<caption>
						<title>Cana</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"> (1) <bold>cana</bold> [substantivo]</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(2) “substância extraída da cana” / <italic>a substance extracted from sugarcane</italic> (SCH) | “pesado cotidiano no fabrico da cana” / <italic>the laborious task of producing sugar</italic> (SCH)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>(3) sugarcane [uncountable noun]; cane [uncountable noun]</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(4) </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">colocações nominais</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">bagaço de cana / <italic>sugarcane bagasse</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">época da cana / <italic>sugarcane era</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">lavrador de cana / <italic>cane-cutter; cane grower</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">muda de cana / <italic>sugarcane sapling</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">plantação de cana / <italic>sugarcane plantation; cane field</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">colocações verbais</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><italic>crush</italic> ~ “os trabalhadores obrigados a moer cana” / <italic>the workers who crushed the sugarcane</italic> (SCH) </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>
 <italic>cut</italic> ~ “a cana cortada seguia das lavouras para o engenho” / <italic>Once the cane had been cut it was taken from the plantation to the mill</italic> (SCH)</bold> 
 <italic>grind</italic> ~ “a moagem de sua própria cana” / <italic>to grind their sugarcane</italic> (SCH) <bold>
 <italic>harvest</italic> ~ “o cultivo e o corte da cana” / <italic>the cultivation and harvesting of the sugarcane</italic> (SCH)</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><italic>process</italic> ~ “processamento da cana” / <italic>processing the sugarcane</italic> (SCH)</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>
				<table-wrap id="t13">
					<label>Verbete 8</label>
					<caption>
						<title>Holandês (adjetivo)</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"> (1) <bold>holandês</bold> [adjetivo]</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(3) <bold>Dutch</bold> [proper adjective]</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(4) colocações adjetivas</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">navio holandês / <italic>Dutch ship</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">corsário holandês / <italic>Dutch corsair</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Companhia Holandesa das Índias Ocidentais / <italic>the Dutch West India Company</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Brasil holandês / <italic>Dutch Brazil</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">capitania holandesa / <italic>Dutch captaincy</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">invasão holandesa / <italic>Dutch invasion</italic></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">presença holandesa / <italic>Dutch presence</italic></td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>
				<table-wrap id="t14">
					<label>Verbete 9</label>
					<caption>
						<title>Holandês (substantivo)</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"> (1) <bold>holandês</bold> [substantivo]</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(2) “logo em 1595 os holandeses pilharam a costa africana” / <italic>In 1595 the Dutch pillaged the African coast</italic> (SCH) | “as ilustrações desse holandês” / <italic>this Dutchman’s paintings</italic> (SCH)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>(3) the Dutch [plural noun]; Dutchman [countable noun; pl.</bold> Dutchmen]</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>
				<table-wrap id="t15">
					<label>Verbete 10</label>
					<caption>
						<title>Cristão-novo</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"> (1) <bold>cristão-novo</bold> [substantivo]</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(2) “muitos senhores de engenho eram por vezes cristãos-novos” / <italic>many of the sugar barons were in fact New Christians</italic> (SCH)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>(3) New Christian [proper noun; pl.</bold> New Christians]</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>
				<table-wrap id="t16">
					<label>Verbete 11</label>
					<caption>
						<title>Gentio</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left"> (1) <bold>gentio</bold> [substantivo]</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(2) “A mão de obra era formada por escravos índios ou, em menor escala, por gentios provenientes das aldeias jesuíticas” / <italic>The workforce was made up of Indian slaves, and, to a lesser extent, Indians brought from the Jesuit villages</italic> (SCH) | “alegava-se que os gentios eram ‘rebeldes’” / <italic>they alleged that the indigenous people were rebels</italic> (SCH) | “as divisões entre ‘gentios’ e ‘índios aldeados’|<italic>the divisions between ‘natives’ and ‘village Indians</italic>’ (SCH)</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left"><bold>(3) Indian [proper countable noun]; indigenous people [countable noun]; native [countable noun]</bold></td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">(6) comentários</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">De acordo com o <italic>Oxford English Dictionary</italic>, o termo <italic>Indian</italic> tem sido menos utilizado em contextos oficiais e substituído pelo termo <italic>Native American</italic>, porque <italic>Indian</italic> remete à presunção de Cristóvão Colombo de que teria chegado à costa leste da Índia. Segundo o dicionário, apesar de ainda muito usado na linguagem geral, <italic>(American) Indian</italic> pode ser considerado ofensivo, atualmente, pelos povos indígenas.</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Ao longo do processo de consulta aos corpora paralelos, a abordagem direcionada por corpus, além de possibilitar que o próprio corpus nos informasse quais palavras poderiam ser investigadas como termos, nos levou a uma série de reflexões, que foram somadas a reflexões ensejadas pelo desenvolvimento de verbetes orientados ao tradutor.</p>
			<p>Em primeiro lugar, foi surpreendente notar como palavras que poderiam ter sido descartadas da investigação por não parecerem compor uma <italic>restricted language</italic>, como é o caso de “açucareiro”, acabaram mostrando que o termo, muitas vezes, só pode ser pensado dentro da fraseologia, como vemos na riqueza de colocações com <italic>sugar</italic> observada nos corpora (<italic>sugar production complex, sugar baron</italic> etc.), que certamente seriam muito úteis para um tradutor que não quer saber só como traduzir “açucareiro”, mas sim o sintagma nominal formado por esse adjetivo e o substantivo que ele modifica, de forma natural e idiomática.</p>
			<p>Em segundo lugar, apesar de os corpora paralelos compilados para esta investigação serem relativamente pequenos, foi possível observar neles muitas informações valiosas sobre coligações de regência, como no verbete “engenho” (<italic>in the sugar mills / on the sugar plantations</italic>), e sobre colocações, como no verbete “cana” (<italic>crush, cut, grind, harvest, process</italic>). Coligações de regência são uma grande dificuldade na aprendizagem e no uso de línguas estrangeiras (<xref ref-type="bibr" rid="B13">TAGNIN, 2013</xref>: 54), assim como as colocações, sobretudo as verbais (<xref ref-type="bibr" rid="B13">TAGNIN, 2013</xref>: 70). Um glossário que traz esse tipo de informação certamente auxilia o tradutor em sua busca de equivalências acima do nível das palavras (<xref ref-type="bibr" rid="B1">BAKER, 2011</xref>).</p>
			<p>Em terceiro lugar, as informações gramaticais inseridas nos verbetes também nos parecem de alto valor para tradutores. Por exemplo, para usar um substantivo em inglês é preciso saber se ele é <italic>countable</italic> ou <italic>uncountable</italic>, se é próprio ou comum, se tem plural regular ou irregular etc. São informações que vão além da morfologia, tendo impactos na ortografia e até na sintaxe do texto elaborado pelo tradutor.</p>
			<p>Em quarto lugar, provou-se essencial a consulta a um dicionário de língua inglesa (<xref ref-type="bibr" rid="B7"><italic>Oxford English Dictionary</italic></xref>) para verificar alguns dos equivalentes encontrados pelos tradutores. No caso do verbete “gentio”, em específico, notamos que a tradução desse termo como <italic>Indian</italic> preserva o uso histórico do termo, mas pode não ser a solução de tradução mais recomendada para textos oficiais sobre a história do Brasil colonial. Esse tipo de informação também é de extrema valia para o tradutor, que não necessariamente é especialista em história e, portanto, não necessariamente conhece mudanças na nomenclatura histórica. Como ressalta Marc Bloch, “acontece de, reciprocamente, os nomes variarem, no tempo ou no espaço, independentemente de qualquer variação nas coisas” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BLOCH, 2001</xref>: 137).</p>
			<p>Nossa quinta e última reflexão também está relacionada ao problema da nomenclatura, o que não só nos remete ao problema exposto na introdução deste artigo, mas também nos leva além dele: tradutores diferentes, como vimos nessa pequena amostragem de verbetes, por vezes encontram equivalentes diferentes em seus textos. Isso é algo bem claro no caso dos verbetes “casa-grande” e “engenho”: o tradutor do CP1 optou pelo procedimento do empréstimo para os dois termos; já o tradutor do CP2 optou por traduzir “casa-grande” explicitando quem é o possuidor da casa, e “engenho” com foco em apenas um dos muitos sentidos de “engenho”, qual seja, a “área de cultivo da cana-de-açúcar” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">HOUAISS, 2009</xref>). Por trás de cada solução de tradução, há uma escolha, quer informada, quer não. Se as palavras podem ser pensadas como signos ideológicos (VOLÓCHINOV, 2018 [1929]), é possível que soluções de tradução diferentes revelem posicionamentos historiográficos e/ou ideológicos diferentes? Propor <italic>engenho</italic> como equivalente de “engenho” revela algo, em termos historiográficos e/ou ideológicos, sobre o CP1? Propor <italic>sugar plantation</italic> como equivalente de “engenho”, limitando a acepção de “engenho” a seu sentido econômico, revela algo nesse sentido sobre o CP2? Esse certamente seria um tipo de informação relevante para o tradutor de história do Brasil. Afinal, para traduzir “descoberta do Brasil” ou “achamento do Brasil”, não bastaria, por exemplo, buscar em um corpus comparável quais são as combinações de palavras mais frequentes: é preciso estar ciente de que a escolha por um ou outro termo equivalente pode revelar visões da história e linhas historiográficas e até ideológicas diferentes<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>. Mais uma vez, o tradutor não precisa ser especialista em história, e por isso mesmo um glossário crítico, que também trouxesse notas que contemplassem possíveis questões historiográficas e ideológicas, levaria a descrição terminológica para algo além da semântica, da fraseologia, da morfossintaxe, considerando a palavra (no caso, o termo) como “o fenômeno ideológico <italic>par excellence</italic>” (VOLÓCHINOV, 2018 [1929]: 98).</p>
			<p>Concluímos, portanto, que sim, é possível pensar a nomenclatura de história do Brasil colonial terminologicamente. Um desdobramento possível desta investigação seria a elaboração de um glossário mais robusto (ou seja, composto por mais verbetes do que as amostras aqui elaboradas), direcionado por consultas a mais corpora paralelos (há diversos outros textos sobre história do Brasil traduzidos para a língua inglesa, como <italic>Raízes do Brasil</italic>, de Sérgio Buarque de Holanda), contemplando termos para além do ciclo do açúcar (ciclo da mineração, aparato administrativo colonial, mulheres na colônia etc.), orientado para o tradutor enquanto produtor de textos e com um viés crítico.</p>
		</sec>
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		<ack>
			<title>Agradecimentos</title>
			<p>Meus agradecimentos à Profa. Dra. Stella Tagnin e à Profa. Dra. Luciana Carvalho Fonseca por, além de ministrarem a excelente disciplina de pós- graduação “Linguística de Corpus” no primeiro semestre de 2021, fazerem uma leitura crítica da primeira versão deste artigo.</p>
		</ack>
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		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Apesar de essa periodização não ser consensual, optei, neste artigo, por seguir a periodização proposta por Boris Fausto no corpus de comparação usado nesta investigação (Cf. <xref ref-type="bibr" rid="B3">FAUSTO, 2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4">FAUSTO, 2014</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>“circumscribed field of experience or action”</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>“its own grammar and dictionary”</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>“the corpus will ‘tell’ us which are the terms most commonly used in the area being investigated, not the specialist”</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>“which are the words that show a statistically relevant frequency in the specialized corpus in relation to the reference corpus”</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>“the flow of meaning is not from the [lexical] item to the text but from the text to the [lexical] item”</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Por exemplo, &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://mundoeducacao.uol.com.br/datas-comemorativas/descobrimento-brasil-1.htm">https://mundoeducacao.uol.com.br/datas-comemorativas/descobrimento-brasil-1.htm</ext-link>&gt;. Acesso em: 5 jun. 2021. Outros exemplos não são difíceis de encontrar na história do Brasil: nomear o que aconteceu em 1964 de “golpe” ou “revolução” revela posicionamentos ideológicos claros; chamar Dilma Rousseff de “presidente” ou “presidenta” pode ter uma carga ideológica. Os exemplos não se restringem à história do Brasil: referir-se ao que aconteceu na Europa ocidental durante a Alta Idade Média como “invasões bárbaras” é muito diferente, em termos historiográficos e ideológicos, de chamar o mesmo processo de “migrações dos povos bárbaros”.</p>
			</fn>
		</fn-group>
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