Voz e gênero na tradução: uma leitura crítica de O segundo sexo no Brasil sob o prisma dos Estudos Feministas da Tradução
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2317-9511.v50.248663Palavras-chave:
O segundo sexo, Estudos Feministas da Tradução, português, BrasilResumo
O segundo sexo, de Simone de Beauvoir, é uma das principais obras do feminismo contemporâneo e ocidental, ressoando até os dias atuais nas pesquisas e discussões sobre gênero e feminismos. Ao longo das últimas décadas, vários trabalhos foram também realizados sobre esse clássico de Beauvoir na área dos Estudos da Tradução, notadamente dos Estudos Feminista da Tradução (EFT) (Simons, 1983; Moi, 2002; Godayol; Potez Pichot, 2013). No entanto, apesar das diversas pesquisas que discorrem sobre sua publicação em diferentes línguas, como inglês, espanhol, catalão e mandarim, nenhum trabalho havia ainda sido desenvolvido a respeito de sua tradução para o português. Sendo assim, o objetivo deste artigo é apresentar uma análise de sua tradução brasileira, mais especificamente do capítulo “A mulher casada”, realizada por Sérgio Milliet e publicada nos anos 1960. Dessa forma, tencionamos observar como determinadas escolhas tradutórias produzem efeitos semânticos, estilísticos e ideológicos, que incidem sobre a construção discursiva da obra no contexto brasileiro. A partir desses dados, buscamos, então, estabelecer uma relação entre gênero e tradução, revelando, eventualmente, uma voz tradutória masculina em uma tradução aparentemente “fiel”, “neutra” e “objetiva” de um texto feminista. Nossa análise é, portanto, pautada pela confrontação entre o texto original e o texto traduzido. No que diz respeito a voz e gênero na tradução, são a pesquisa de Wuilmart (2009) e os diversos estudos sobre a obra de Beauvoir no âmbito dos EFT, anteriormente mencionados, que orientam nossa reflexão.
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