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				<journal-title>Tempo Social</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Tempo soc.</abbrev-journal-title>
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				<publisher-name>Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="publisher-id">0103-2070.ts.2016.112247</article-id>
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					<subject>DOSSIÊ – SOCIOLOGIA, CULTURA E POLÍTICA NO MÉXICO</subject>
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				<article-title>Apresentação: Sociologia, cultura e política no México</article-title>
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				<institution content-type="normalized">Universidade de São Paulo</institution>
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				<institution content-type="original">Sociólogo e professor do Departamento de Sociologia da FFLCH-USP. E-mail: ljackson@usp.br.</institution>
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				<institution content-type="original">Sociólogo e professor da Universidade Nacional de Quilmes (UNQ), membro do Centro de Historia Intelectual da UNQ e pesquisador do CONICET. E-mail: ablanco@unq.edu.ar.</institution>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Sep-Dec</season>
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					<license-p> This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Commercial License, which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited. </license-p>
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		<p>Os textos reunidos neste Dossiê permitem ao leitor de <italic>Tempo Social</italic> familiarizar-se com o contexto inicial de implantação institucional da sociologia no México, que se deu, embora com ritmos e efeitos desiguais, aproximadamente no mesmo período (1930-1970) que em muitos países da América Latina, especialmente o Brasil, a Argentina e o Chile.</p>
		<p>A implantação da sociologia nessa região, durante o século XX, derivou da associação entre dois padrões típicos de institucionalização: as iniciativas nacionais (criação de universidades modernas, cursos de graduação e pós-graduação, centros de pesquisa, editoras etc.) e as transnacionais (organismos como Unesco, Flacso, Cepal, Ilpes etc.). As experiências nacionais concretas podem, então, ser compreendidas segundo o predomínio de um ou outro desses padrões e do tipo de combinação entre eles. De acordo com esse parâmetro, no Brasil, na Argentina e no México, prevaleceram as iniciativas nacionais, em contraste com o que ocorreu no Chile, país em que as iniciativas transnacionais tiveram um papel preponderante.</p>
		<p>A especificidade do caso mexicano não pode ser compreendida, entretanto, sem se levar em conta o fato decisivo da Revolução (1910) e de suas consequências, sobretudo a transformação significativa da estrutura social do país, a recomposição social das elites dirigentes e a construção do novo pacto político que deu origem ao sistema presidencialista, controlado exclusivamente pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI) por setenta anos. A montagem do sistema intelectual e acadêmico, transcorrida nas décadas de 1930 e 1940, é reconstruída no texto de Lidia Girola, que enfatiza o papel decisivo exercido pelo Estado pós-revolucionário e pelas distintas gerações de intelectuais na criação das principais instituições culturais e acadêmicas. Como “caudilhos culturais”, na feliz expressão de Enrique Krauze, os intelectuais mexicanos pós-revolucionários estiveram sempre com um pé dentro e outro fora do Estado, e a autora expõe o movimento desse pêndulo por meio de uma densa contextualização.</p>
		<p>Outra face da relação do Estado com os intelectuais, em especial com os escritores e os críticos, é problematizada por Leonardo Martínez Carrizales, que toma por objeto uma das principais revistas literárias mexicanas do século XX, a <italic>Revista Mexicana de Literatura</italic>, publicada entre meados das décadas de 1950 e 1960. Levando em conta as propriedades sociais dos editores da revista, o texto avalia as tomadas de posição estética e política por meio das quais os principais integrantes do grupo reunido na revista se opuseram ao “nacionalismo revolucionário”, reivindicando autonomia para os escritores. Recuando um pouco no tempo, o trabalho de José Hernández Prado transita entre os contextos intelectuais imediatamente anteriores e posteriores à Revolução, analisando as trajetórias de José Vasconcelos e Antonio Caso, membros destacados do Ateneu da Juventude, expostas ao período mais violento e instável do processo revolucionário, que implicaria inesperadas mudanças de rota política para ambos.</p>
		<p>O processo mais específico da emergência das ciências sociais no México é abordado nos textos de Margarita Olvera Serrano, Laura Angélica Moya López, Luiz Carlos Jackson, Alejandro Blanco e María García Castro. Os primeiros trabalhos do conjunto recuperam as trajetórias de três personagens decisivos dessa história – Lucio Mendieta y Núñez, José Medina Echavarría e Pablo González Casanova –, oferecendo um contexto suficientemente abrangente para apreendermos as disputas e as tensões no interior das quais os três combateram como pioneiros da sociologia moderna no México. Por fim, e se notarmos que esses protagonistas foram homens, o último texto enfrenta o problema das relações de gênero nesse período, explicitando a existência de uma estrutura patriarcal extremamente rígida e impermeável, que impunha enormes dificuldades às mulheres que pretendiam afirmar-se como cientistas sociais.</p>
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