O escriba e o narrador: a memória e a luta pela terra dos ribeirinhos do Alto Tapajós

Auteurs

  • Maurício Torres Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

DOI :

https://doi.org/10.1590/S0103-20702014000100014

Résumé

A memória dos povos da floresta é obstáculo efetivo à grilagem de terras na Amazônia. Isso se dá por dois principais motivos: primeiro, porque oralmente (no mais das vezes), a memória faz vir à tona uma "história subterrânea" dos territórios grilados e desmente o constructo da "versão oficial", documental, surgido na química fantástica dos fóruns e cartórios. Em segundo lugar, porque a memória social desses grupos - edificada sobre o passado, mas renovada no tempo presente - legitima a ordem social local. Minar-lhes a memória significa um grande passo no êxito da expropriação praticada pela grilagem.

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Publiée

2014-06-01

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Torres, M. (2014). O escriba e o narrador: a memória e a luta pela terra dos ribeirinhos do Alto Tapajós . Tempo Social, 26(1), 233-257. https://doi.org/10.1590/S0103-20702014000100014