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Inteligência artificial na elaboração de artigos científicos: orientações para o uso ético e responsável

Por Leila Posenato Garcia e Tatiana Mingote Ferreira de Àzara

Imagem: Freepik.

As ferramentas de IA generativa podem ser assistentes bastante úteis na elaboração de artigos científicos. Contudo, quando não usadas adequadamente, geram textos rasos, redundantes e desinteressantes, ou mesmo conteúdos incorretos, citações falsas e referências fabricadas, embora gramaticalmente corretos. As revistas estão sendo inundadas por submissões de artigos elaborados com o uso de IA, o que sobrecarrega as equipes editoriais e pode gerar atrasos nos processos avaliativos.

O material gerado por IA, sem o necessário cuidado e amadurecimento, ainda precisa ser lido e verificado na etapa de triagem editorial, o que consome tempo e compete pela atenção editorial com artigos que têm potencial para publicação ou que já estão no fluxo editorial.

Esta é uma reprodução da matéria publicada em 30 de setembro de 2026 na SciELO em Perspectiva [1].

É importante que os autores conheçam quais são os usos potenciais da IA na elaboração de artigos científicos e, principalmente, quais são os limites de seu uso. A nota editorial Inteligência artificial na elaboração de artigos científicos: usos, limites e boas práticas1, publicada na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO), aborda essas questões. O texto destaca que a IA pode ser uma ferramenta auxiliar na tradução, na revisão de linguagem e na organização de ideias, mas não pode substituir o pensamento crítico, a autoria e a responsabilidade do pesquisador. O texto alerta para os riscos de plágio involuntário, de geração de dados falsos e de perda do estilo autoral.

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) publicou, em março de 2026, a Portaria N. 2.664 2, que estabelece diretrizes éticas e normas para o uso da IA generativa na pesquisa, além de definir sanções para aqueles que incorrerem em má conduta. A transparência no uso da IA é obrigatória, com a devida citação das ferramentas utilizadas.

Nesse contexto, são necessárias iniciativas voltadas à orientar os autores sobre o uso adequado da IA. Recentemente a RBSO, em parceria com a Fiocruz Minas, organizou um curso pré-congresso sobre IA na elaboração de artigos científicos, como parte da programação do Medtrop 2026, realizado em Brasília/DF. A grande procura pelo curso reflete o interesse pelo tema e reforça a importância de estratégias para capacitar autores, uma vez que sobre eles recai a responsabilidade integral pelo conteúdo publicado

Os autores devem ser capazes de identificar os riscos à integridade científica associados ao uso indevido dessas ferramentas, conhecer as principais normas nacionais e internacionais, avaliar criticamente as ferramentas de IA disponíveis e seus potenciais usos na pesquisa acadêmica, bem como declarar corretamente o uso de IA em trabalhos acadêmicos, seguindo critérios de transparência e integridade.

A inteligência artificial é uma aliada poderosa, desde que usada com critério. O futuro da publicação científica é indissociável da IA, mas a responsabilidade humana, a ética e a transparência permanecem indispensáveis. Dado que o desenvolvimento científico depende da responsabilidade coletiva com a integridade, orientações para o uso ético e responsável da IA devem fazer parte da formação dos pesquisadores.

Notas

BRANDÃO A. A. F., GARCIA L. P., SANDES-GUIMARÃES L. de. Inteligência artificial na elaboração de artigos científicos: usos, limites e boas práticas. Revista Bras de saúde ocupacional [online]. 2026; vol. 51:e29. [viewed 30 September 2026]. https://doi.org/10.1590/2317-6369/nt126pt2026v51e29. Available from: https://www.scielo.br/j/rbso/a/qqnX9MYtZLkZkN5t7xMznFq/?lang=pt

Brasil. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Portaria CNPq Nº 2.664, de 6 de março de 2026. Institui a Política de Integridade na atividade Científica do CNPq. Available from: http://memoria2.cnpq.br/web/guest/view/-/journal_content/56_INSTANCE_0oED/10157/23142775

Referências

BRANDÃO A. A. F., GARCIA L. P., SANDES-GUIMARÃES L. de. Inteligência artificial na elaboração de artigos científicos: usos, limites e boas práticas. Revista Bras de saúde ocupacional [online]. 2026; vol. 51:e29. [viewed 30 September 2026]. https://doi.org/10.1590/2317-6369/nt126pt2026v51e29. Available from: https://www.scielo.br/j/rbso/a/qqnX9MYtZLkZkN5t7xMznFq/?lang=pt

Brasil. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Portaria CNPq Nº 2.664, de 6 de março de 2026. Institui a Política de Integridade na atividade Científica do CNPq. Available from: http://memoria2.cnpq.br/web/guest/view/-/journal_content/56_INSTANCE_0oED/10157/23142775

Sobre Leila Posenato Garcia

Fotografia de Leila Posenato Garcia

Editora-chefe da Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, editada pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (FUNDACENTRO). Doutora em Epidemiologia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e mestre em Saúde Pública pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). É membro do Fórum de Editores de Periódicos da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), do Comitê Editorial da Revista Planejamento e Políticas Públicas (PPP) e ex-membro suplente do Comitê Consultivo da Coleção SciELO Brasil. Tem ampla experiência em editoria científica e atua para a promoção da integridade, da diversidade e da equidade na pesquisa e na publicação científica.

Sobre Tatiana Mingote Ferreira de Ázara

Fotografia de Tatiana Mingote Ferreira de Ázara

Tecnologista Sênior, coordenadora de Vigilância e Serviços de Referência no Instituto René Rachou, Fundação Oswaldo Cruz, Minas Gerais. Docente permanente no Programa de Pós-Graduação em Vigilância e Controle de Vetores, Fiocruz/RJ. Foi editora associada da Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde (RESS). Doutora em Ciências, mestre em Parasitologia e bióloga, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Tem experiência na área de saúde pública e atua na vigilância e controle de vetores, principalmente nos seguintes temas: epidemiologia, biologia, ecologia e comportamento de insetos vetores; métodos de captura de inseto; interação interinstitucional. Mãe da Maria Alice!

Fonte:

[1] GARCIA, L. P. G. ÀZARA, T. M. F. de Inteligência artificial na elaboração de artigos científicos: orientações para o uso ético e responsável [online]. SciELO em Perspectiva, 2026 [viewed 01 October 2026]. Available from: https://blog.scielo.org/blog/2026/09/30/inteligencia-artificial-na-elaboracao-de-artigos-cientificos-orientacoes-para-o-uso-etico-e-responsavel/

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