Justiça com a própria câmera: imagens vigilantes e cultura participativa nas mídias

Autores

  • Felipe da Silva Polydoro Universidade de Brasília

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1982-677X.rum.2023.217521

Palavras-chave:

Cultura visual, Vigilância parcipativa, Jornalismo policial, Cidade Alerta, Brasil Urgente

Resumo

Discute-se aqui o avanço do fenômeno da vigilância participativa nas mídias, tendo como objeto de análise produtos do jornalismo policial. Parte-se da hipótese de que, nas quatro décadas aqui englobadas, a ênfase na relação com a audiência passou da disciplinarização repressiva para a criação de agentes privados de justiça. O desenvolvimento da argumentação enfoca quatro produtos de diferentes períodos: o programa radiofônico de Gil Gomes (1977-1988), o televisivo Linha Direta (1999-2007) e os telejornais Cidade Alerta e Brasil Urgente (2020-2023). Nos casos mais recentes, há a incorporação de variadas imagens vigilantes na construção de um olhar policial homogêneo, que simultaneamente transfere funções securitárias ao espectador privado e intensifica o imaginário do medo que sustenta a necropolítica de segurança. Nota-se ainda o transbordamento crescente no papel e no lugar social de três instâncias – as mídias, a audiência e as instituições de justiça.

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Biografia do Autor

  • Felipe da Silva Polydoro, Universidade de Brasília

    Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais da ECA/USP professor na Universidade de Brasília (UnB).

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Publicado

2023-12-29

Edição

Seção

Dossiê

Como Citar

Justiça com a própria câmera: imagens vigilantes e cultura participativa nas mídias. RuMoRes, [S. l.], v. 17, n. 34, p. 136–157, 2023. DOI: 10.11606/issn.1982-677X.rum.2023.217521. Disponível em: https://revistas.usp.br/Rumores/article/view/217521.. Acesso em: 28 maio. 2024.