A PRIMEIRA DEEPFAKE ELEITORAL NO BRASIL: ANÁLISE DOS MODOS DE ENDEREÇAMENTO DO SIMULACRO DO “JORNAL NACIONAL
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-1507.v33i1p9-21Palavras-chave:
Deepfake. , Desinformação, Telejornalismo, Eleições 2022., Jornal NacionalResumo
Este artigo analisa a primeira deepfake eleitoral amplamente documentada no Brasil, veiculada durante a campanha presidencial de 2022. A peça, disseminada em redes sociais e aplicativos de mensagens, simulava a apresentação de uma pesquisa do Ipec no Jornal Nacional, atribuindo à apresentadora Renata Vasconcellos resultados falsos que invertiam a ordem real das intenções de voto. Com base na metodologia de análise de produtos midiáticos de Gomes (2012), que integra dimensões técnico-formal, narrativa e discursiva, identificam-se os recursos estéticos, gráficos e performáticos mobilizados para conferir verossimilhança e autoridade ao conteúdo manipulado. A apropriação do formato e do modo de endereçamento do telejornal cria um simulacro convincente, reforçado por sincronização labial, manipulação vocal e fidelidade à identidade visual, operando como dispositivo estratégico de desinformação e revelando riscos à integridade do debate público e do processo democrático.
Downloads
Referências
BAKIR, V.; MCSTAY, A. Fake news in the age of AI: the impact of emotion, trust, and data voids. Journal of Information Technology, 2024.
BENTES, A. Comunicação política da extrema-direita nas eleições de 2022: análise das narrativas de desinformação no Telegram. E-Compós, [S. l.], v. 26, 2023. DOI: https://doi.org/10.30962/ec.2960. Disponível em: https://www.e-compos.org.br/e-compos/article/view/2960. Acesso em: 13 ago. 2025.
D’ANCONA, M. Pós-verdade: a nova guerra contra os fatos em tempos de fake news. Barueri: Faro Editorial, 2018.
EXAME. Deepfake político: entenda como funciona e quais são os riscos. Exame, São Paulo, 16 ago. 2022. Disponível em: https://exame.com. Acesso em: 24 jun. 2025.
G1. Vídeo com suposta pesquisa eleitoral do Jornal Nacional é falso. G1, Rio de Janeiro, 16 ago. 2022. Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 24 jun. 2025.
GOMES, I. Análise de produtos midiáticos: uma proposta metodológica. In: GOMES, I. Telejornalismo e modos de endereçamento. Salvador: EDUFBA, 2011. p. 19-46.
GLOBO. Ipec divulga primeira pesquisa de intenção de voto para presidente [deepfake]. YouTube, 5 set. 2022. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=JaQnJ9i2qPw. Acesso em: 14 ago. 2025.
LEVY, R. et al. Engagement, user satisfaction, and the amplification of divisive content on social media. Knight First Amendment Institute at Columbia University, 2023. Disponível em: https://knightcolumbia.org/content/engagement-user-satisfaction-and-the-amplification-of-divisive-content-on-social-media. Acesso em: 24 jun. 2025.
MAGNO, J. C.; PIERONI, G. M. Os perigos do deepfake para a democracia brasileira. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM MIDIATIZAÇÃO E PROCESSOS SOCIAIS, 5., 2021, Santa Maria. Anais [...]. Santa Maria: UFSM, 2021. Disponível em: https://www.midiaticom.org/anais/index.php/seminario-midiatizacao-artigos/article/view/1748/1607. Acesso em: 2 jan. 2025.
MASOOD, M. et al. Deepfakes generation and detection: state-of-the-art, open challenges, countermeasures, and way forward. arXiv preprint, arXiv:2103.00484, 2021. Disponível em: https://arxiv.org/abs/2103.00484. Acesso em: 2 jan. 2025.
MIRSKY, Y.; LEE, W. The creation and detection of deepfakes: a survey. ACM Computing Surveys, v. 54, n. 1, p. 1–41, 2021.
MISIRLIS, N.; MUNAWAR, A. Educational potential of deepfake technology: possibilities and ethical dilemmas. Journal of Digital Ethics, v. 5, n. 2, 2023.
PRAGMATISMO POLÍTICO. Deepfake do Jornal Nacional divulga dados falsos de pesquisa Ipec. Pragmatismo Político, 16 ago. 2022. Disponível em: https://www.pragmatismopolitico.com.br. Acesso em: 24 jun. 2025.
SODRÉ, M. As estratégias sensíveis: afeto, mídia e política. Petrópolis: Vozes, 2006.
SODRÉ, M. O facto falso: do factóide às fake news. In: FIGUEIRA, J.; SANTOS, S. (org.). As fake news e a nova ordem (des)informativa na era da pós-verdade. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2019. p. 87–100.
SUNSTEIN, C. The law of group polarization. The Journal of Political Philosophy, v. 10, n. 2, p. 175–195, 2002.
THOMPSON, J. B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. Petrópolis: Vozes, 1995.
VERÓN, E. Fragmentos de um discurso audiovisual. São Paulo: Brasiliense, 1995.
WILLIAMS, R. Television: technology and cultural form. London: Routledge, 2011.
WARDLE, C.; DERAKHSHAN, H. Information disorder: toward an interdisciplinary framework for research and policymaking. Strasbourg: Council of Europe, 2017.
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Adriano Charles Cruz

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Os trabalhos publicados na Revista Alterjor têm como modelo da licença de no padrão Creative Commons, com obrigação da atribuição do(s) autor(es), proibição de derivação de qualquer material publicado e comercialização. Ao concordar com os termos, o(s) autor(es) cedem os direitos autorais para licenciamento em Creative Commons à Revista Alterjor, não podendo ter licenciamento alterado ou revertido de maneira diferente do Creative Commons (by-nc-nd). Informações adicionais em: creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0













