Narrativas de formadores em um curso a distância sobre desinformação em Astronomia oferecido por um Museu de Ciências
DOI:
https://doi.org/10.11606/1982-02672025v33e46Palabras clave:
Desinformação, Astronomia, Educação Museal, Educação Museal Online, Divulgação CientíficaResumen
A desinformação como fenômeno sociotécnico contemporâneo vem se tornando um dos mais preocupantes desafios a serem enfrentados. Os museus e seus profissionais também estão inseridos nesse contexto como alvos de desinformação, sendo também um espaço que promove debates e pesquisas sobre o tema. Este artigo apresenta e discute algumas experiências vivenciadas durante a primeira edição do curso “Fake News e Verificação de Fatos em Astronomia e Ciências Afins”, oferecido pela Coordenação de Educação em Ciências do Museu de Astronomia e Ciências Afins (COEDU/MAST). Realizamos uma interpretação das narrativas dos mediadores-docentes e cursistas, discutindo alguns achados iniciais sobre as experiências formativas e os múltiplos ‘conhecimentossignificações’ emergentes durante o curso, assim como levantamos reflexões sobre a necessidade de ajustes para o aprimoramento de suas futuras edições. Destacamos em nossos achados: 1) a necessidade de formação em cibercultura frente aos desafios da pandemia e do negacionismo, e da centralidade das redes sociais como fonte de informação; 2) a preocupação com a desinformação em astronomia e com a formação de jovens para checagem de fatos; 3) o reconhecimento de que a desinformação em astronomia abrange conteúdos sensacionalistas, pseudocientíficos, fake news e teorias conspiratórias, disseminados por mídias digitais ou tradicionais, e estruturados em gramáticas desinformativas marcadas por estética confusa, sensacionalismo, uso de autoridade científica, seletividade e imagens enganosas, o que nos levou à reformulação do curso e à adoção do conceito de Recuero.
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Referencias
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