Desafios e perspectivas da formação do arquiteto e urbanista à luz da Teoria de Cesare Brandi
DOI:
https://doi.org/10.11606/1982-02672026v34e7Palavras-chave:
Cesare Brandi, Teoria da Restauração, Arquiteto e Urbanista, FormaçãoResumo
Este artigo visa analisar a importância e a atualidade da Teoria da Restauração, de Cesare Brandi (1963), na formação e atuação dos profissionais em arquitetura e urbanismo no contexto brasileiro. A pesquisa parte da constatação de uma lacuna historiográfica e formativa no campo da preservação marcada pela desarticulação entre a teoria e a prática, pela escassez de conteúdos específicos nos cursos de graduação e a problemática nos tratos dos bens culturais diante das pressões impostas pelo mercado imobiliário. A investigação adota uma abordagem teórico-crítica, fundamentada em revisão bibliográfica, com ênfase nos textos de Brandi, Carbonara, Carboni e Kühl. A teoria brandiana, ao definir o restauro como ato crítico e metodológico, constitui um referencial fundamental para enfrentar os desafios contemporâneos, por articular o conhecimento científico à salvaguarda do patrimônio cultural. Os resultados evidenciam a urgência de uma formação de excelência, pautada em princípios éticos e deontológicos, capaz de preparar profissionais conscientes de seu papel social e das implicações de sua prática, concluindo que o ensino da preservação deve ser reconhecido como componente na formação em arquitetura e urbanismo, inserido de forma transversal e integrada ao projeto, à teoria e à história, e não como disciplina isolada. Portanto, reforça-se a necessidade de qualificação docente e de revisão curricular, com vistas a consolidar o restauro arquitetônico e urbano como campo da práxis do arquiteto e urbanista.
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