As discretas e notáveis aventuras do polegar opositor: revisitando uma trajetória
DOI:
https://doi.org/10.11606/1982-02672026v34e30Palavras-chave:
Polegar opositor, Trabalho humano, Cultura material, Materialidade, Museus, Vitor MeirelesResumo
Sob a justificativa de rememorar a construção de uma carreira em museus e um período de dinâmicas mudanças no panorama museal brasileiro e homenagear os atores nela envolvidos, o artigo discute a relação entre o polegar totalmente opositor, característica que torna nossa espécie taxionômica, a homo sapiens sapiens, absolutamente particular no reino animal, a criação de artefatos e a possibilidade de, através dos museus, esclarecer tal relação e aprofundar sua compreensão. Por trás desse objetivo está a proposição de que a singularidade do ser humano, representada pela capacidade de manusear objetos de forma precisa, é fundamental para a produção cultural e para a evolução da sociedade. A base sobre a qual se constrói a argumentação são os estudos de cultura material, enfatizando seu aspecto notadamente interdisciplinar. Sobre essa base, serão apresentados os museus como espaços que refletem, por excelência, aquela característica morfológica, ressignificada de inúmeras formas nas exposições e nas atividades museais, que apontam e enfatizam a materialidade da cultura e a ação humana por trás dela. Esta proposição será examinada através da construção de um quadro teórico e da abordagem de alguns objetos tradicionalmente associados ao acervo do Museu Histórico Nacional. Será especialmente abordado o quadro “Combate Naval do Riachuelo”, de Vitor Meireles, como suporte do argumento desta reflexão. Em conclusão, é proposto que os museus, espaços de reflexão e análise baseadas no exame aprofundado dos vestígios da cultura material da humanidade, enfatizam o papel da mão humana e a tornam símbolo da capacidade dessa espécie animal em criar o mundo material e com ele interagir.
Downloads
Referências
Fontes impressas
BRASIL. Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo; Biblioteca Paulo Ernesto Toller, Política de desenvolvimento de coleção. São Paulo, 2012. (Documento Avulso. Disponível em: bit.ly/3XRSKd9. Acesso em: 26 mar. 2024.
BRASIL. Casa de Oswaldo Cruz. Política de Preservação e Gestão de Acervos Culturais das Ciências e da Saúde. Anexo I – Programas de preservação e gestão. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2015. Disponível em: bit.ly/4kXx5Kv. Acesso em: 26 mar. 2024.
Livros, artigos e teses
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
ABREU, Regina. A fabricação do imortal: memória, história e estratégias de consagração no Brasil. Rio de Janeiro: Rocco, 1996.
ADELL, Nicolas. The hand’s share: Hand/mind relations in anthropology. Social Science Review, v. 1, n. 2, 2015. DOI: 10.1037/a00366.
AGUIAR, Niliane Cunha de. Tríades conceituais na epistemologia da Ciência da Informação. Ciência da Informação em Revista, Maceió, v. 1, n. 1, p. 4-11, 2014. DOI: 10.28998/cirev.%25y14-11.
BARRAU, Jacques. Mão/Manufacto. In: ROMANO, Ruggiero (org.). Enciclopédia Einaudi. v. 16: Homo-Domesticação/Cultura Material. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1989.
BARROSO, Gustavo (João do Norte, pseudônimo). As colunas do templo: erudição, folclore, história, crítica, filologia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1932.
BARROSO, Gustavo. A heráldica dos vice-reis. Anais do Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro, v. 3, 1942.
BARROSO, Gustavo. Introdução à técnica dos museus. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 1946. (Volume 1).
BARROSO, Gustavo. Introdução à técnica dos museus. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 1947. (Volume 2).
BAZIN, Germain. The museum age. New York: Universe Books, 1967.
BERGER, Arthur Asa. What objects mean: an introduction to material culture. Walnut Creek: Left Coast Press, 2009.
BITTENCOURT, José. Cada coisa em seu lugar. Ensaio de interpretação do discurso de um museu de história. Anais do Museu Paulista, São Paulo, v. 8, n. 1, p. 151-176, 2003. DOI: 10.1590/S010147142001000100005.
BLUMENBERG, Bennett et al. The evolution of the advanced Hominini brain. Current Anthropology, v. 24, n. 5, p. 589-623, 1983. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/2743167. Acesso em: 2 fev. 2024.
BRULON, Bruno. Re-interpretando os objetos de museu: da classificação ao devir. Trans Informação, Campinas, v. 28, n. 1, p. 107-114, 2016. DOI: 10.1590/2318-08892016002800009.
BRULON, Bruno. Provocando a Museologia: o pensamento geminal de Zbyněk Z. Stránský e a Escola de Brno. Anais do Museu Paulista, São Paulo, v. 25, n. 1, p. 403-425, 2017. DOI: 10.1590/198202672017v25n0114.
BURCAW, George Ellis. Introduction to museum work. Nashville: AASLH Press, 1975.
CAMARGO-MORO, Fernanda de. Museu: Aquisição-Documentação. Rio de Janeiro: Livraria Eça, 1986.
CAPLE, Christopher. Objects: reluctant witnesses of the past. London: Routledge, 2006.
CASTILHO, Maurício Marinho Alves de. Espaços de guarda em museus: as reservas técnicas do Museu Histórico Nacional e do Museu da República. 2013. Dissertação (Mestrado em Arquitetura) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2013. Disponível em: http://objdig.ufrj.br/21/teses/801563.pdf. Acesso em: 28 nov. 2023
CHAGAS, Mário de Souza; GODOY, Solange de Sampaio. Tradição e ruptura no Museu Histórico Nacional. Anais do Museu Histórico Nacional. Rio de Janeiro, v. 27, p. 31-60, 1995.
COELHO, Raquel Luise Pret. Ver é conhecer: memória e identidade no processo de revitalização do Museu Histórico Nacional (1982-1989). 2011. Dissertação (Mestrado em Memória Social) – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011. Disponível em: http://www.repositorio-bc.unirio.br:8080/xmlui/handle/unirio/12345. Acesso em: 2 dez. 2023.
COLI, Jorge. A linha e a mancha. In: TURAZZI, Maria Inez (org.). Victor Meirelles: novas leituras. São Paulo: Studio Nobel, 2009.
DEETZ, James. In the small things forgotten: the archeology of early North American life. 2. ed. New York: Dobleday, 1996.
ENGELS, Friedrich. A dialética da natureza. São Paulo: Boitempo Editorial, 2020.
FERNÁNDEZ-ARMEST, Felipe. Então você pensa que é humano? Uma breve história da humanidade. São Paulo: Companhia da Letras, 2007.
FERREZ, Helena Dodd; BIANCHINI, Maria Helena Said. Thesaurus para acervos museológicos. Rio de Janeiro: Fundação Nacional Pró-Memória, 1987.
FRANZ, Teresinha Sueli. Mariano Moreno e a primeira formação artística de Victor Meirelles. 19&20. Rio de Janeiro, v. 6, n. 1, 2011. Disponível em: http://www.dezenovevinte.net/artistas/vm_mmoreno.htm. Acesso em: 2 fev. 2024.
GODOY, Solange de Sampaio (org.). O Museu Histórico Nacional. São Paulo: Banco Safra, 1989.
JOUDREY, Daniel N.; TAYLOR, Arlene G.; WISSER, Katherine M. The organization of information. 4. ed. Santa Barbara: Libraries Unlimited, 2018.
LE COADIC, Yves-François. A ciência da informação. Brasília, DF: Vriquet de Lemos Livros, 1998.
MAGALHÃES, Aline Montenegro et al. Histórias do Brasil: 100 objetos do Museu Histórico Nacional 1922-2022. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 2022.
MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. Do teatro da memória ao laboratório da História: a exposição museológica e o conhecimento histórico. Anais do Museu Paulista, São Paulo, v. 2. p. 9-42, 1994. DOI: 10.1590/S0101-47141994000100002.
MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. Memória e cultura material: documentos pessoais no espaço público. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 11, n. 21, p. 89-103, 1998.
MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. A paisagem como fato cultural. In: YÁGIZI, Eduardo (Org.). Turismo e Paisagem. São Paulo: Contexto, 2002a. Disponível em: 2002_meneses_paisagem-como-fato-cultural.pdf. Acesso em: 2 fev. 2024.
MENESES, Ulpiano Toledo Bezerra de. O museu e o problema do conhecimento. In: FUNDAÇÃO CASA DE RUI BARBOSA. Anais do IV Seminário de Museus-Casas. Pesquisa e Documentação. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 2002b. p. 17-48
MILLER, Daniel. Materiality: an introduction. In: MILLER, Daniel (ed.). Materiality. Durham: Duke University Press, 2005.
MILLER, Daniel. Teoria das coisas. In: MILLER, Daniel. Trecos, troços e coisas. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.
MORIN, Edgar. O paradigma perdido: A natureza humana. 2. ed. Lisboa: Europa-América, 1973.
NASCIMENTO, Fátima Regina; SÁ, Ivan Coelho de. Introdução à técnica de museus, uma visão crítica. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 42 n. 3, p. 487-496, 2013. DOI: 10.18225/ci.inf.v42i3.1376.
OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. 30. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.
PADILHA, Regina Cardozo. Documentação museológica e gestão de Acervo. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura, 2014.
POMIAN, Krzysztof. Coleção. In: ROMANO, Ruggiero (dir.). Enciclopédia Einaudi (Volume 1, Memória-História). Lisboa: Imprensa Nacional, 1984. p. 51-86.
RUBENS, Carlos. Pequena História das Artes Plásticas no Brasil. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1945.
SÁ, Ivan Coelho. Matrizes do pensamento museológico de Gustavo Barroso. Rio de Janeiro: Unirio, 2019.
SCHEINER, Tereza Cristina. Repensando o Museu Integral: do conceito às práticas. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, v. 7, n. 1, p. 15-30, 2012.
SCHLERETH, Thomas J. Material Culture: a research guide. Lawrence: University Press of Kansas, 1985.
SENNETT, Richard. O artíficie. Rio de Janeiro: Record, 2009.
STANFORD, Craig. Como no tornamos humanos. Rio de Janeiro: Campus, 2004.
TILLEY, Chris. Objetification. In: TILLEY, Christ et al. (ed.). Handbook of material culture. London: Sage Publications, 2006.
THOMAS, Julian. A materialidade e o social. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, v. 55, n. 2, p. 15-20, 1999. DOI: 10.11606/issn.2594-5939.revmaesupl.1999.113454.
VALÉRY, Paul, 1973. “Soma et CEM,” In VALÉRY Paul, Cahiers 1. Paris, Gallimard “La Pléiade,” pp. 1117-1149.
VAN MENSCH, Peter. Methodological museology or towards a theory of museum practice. In:
PEARCE, Susan (ed.). Objects of knowledge. London: The Athlone Press, 1990.
WOODWARD, Ian. Understanding material culture. London: Sage Publications, 2012.
WYROBISZ, Andrezj. Materiais. In: ROMANO, Ruggiero (dir.). Enciclopédia Einaudi (Volume 16, Homo-Domesticação/Cultura Material). Lisboa: Imprensa Nacional, 1989.
Sites
AMERICAN ALLIANCE OF MUSEUMS. Museum Studies Programs. Directory of Museum Studies and Related Programs, 2024. Disponível em: http://ww2.aam-us.org/resources/careers/museum-studies-programs. Acesso em: 11 mar. 2024.
ARTEFATO. In: DICIONÁRIO da Língua Portuguesa. Lisboa: Priberam, 2026. Disponível em: https://dicionario.priberam.org/artefacto. Acesso em: 4 jan. 2024.
CONSERVAÇÃO e Restauração de Bens Móveis. Universidade Federal de Pelotas, 10 jan. 2016. Disponível em: https://wp.ufpel.edu.br/crbensmoveis/informacoes-sobre-o-curso/. Acesso em: 4 jan. 2024.
EMIRATE OF SHARJAH; SHARJAH EVENTS. Jebel Faya is an archaeological site near Al Madam. Disponível em: https://jebelfaya.ae/#numbers. Acesso em 10 jan. 2025.
PONDERAR. In: DICIONÁRIO da Língua Portuguesa. Lisboa: Priberam, 2026. Disponível em: https://dionario.priberan.org/Pesquisar/poderar. Acesso em: 10 jan. 2024.
UMA visão de Nossa Senhora do Desterro. Museu Victor Meirelles, 2007. Disponível em: https://museuvictormeirelles.museus.gov.br/exposicoes/longa-duracao/arquivo/victor-meirelles-construcao/obra-em-perspectiva/uma-visao-de-nossa-senhora-do-desterro/. Acesso em:10 jan. 2023.
WHAT is Material Culture. Center for Material Culture Studies, 2015. Disponível em: https://sites.udel.edu/materialculture/about/what-is-material-culture/. Acesso em: 14 jan. 2023.
Downloads
Publicado
Declaração de Disponibilidade de Dados
Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do documento.
Edição
Seção
Licença
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
Anais do Museu Paulista 