“O Brasil na guerra ou a guerra no Brasil?” Considerações sobre memória e materialidade na participação brasileira na Segunda Guerra Mundial
DOI:
https://doi.org/10.11606/1982-02672026v34e44Palavras-chave:
Segunda Guerra Mundial, Marinha do Brasil, Navio-auxiliar Vital de Oliveira, Memória, MaterialidadeResumo
No ano em que se celebram os oitenta anos desde o término da Segunda Guerra Mundial, iniciativas têm sido conduzidas no intuito de ressaltar a importância desse conflito em seus diversos aspectos. A partir de diferentes perspectivas, muitas dessas ações têm como foco memórias afetas a indivíduos e/ou seus grupos sociais e seus processos de construção e reconstrução desde esse passado. Nesse sentido, é possibilitado um diálogo interdisciplinar entre a história e a arqueologia, notadamente no que se refere às diferentes representações desse passado e da relevância da memória e da materialidade, sob o prisma dessas duas áreas, respectivamente, na construção dessas representações e, principalmente, da memória sobre a participação brasileira naquele conflito. O presente estudo tem como principal objetivo analisar especificidades da memória nesse processo de permanente (re)construção e consolidação e a relevância da materialidade nesse decurso. Assim, são levantadas algumas considerações sobre essas memórias e seu distanciamento da guerra no mar – onde foi perdida a maioria absoluta das vidas brasileiras durante o conflito – e, consequentemente, da participação da Marinha do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Analisa-se o próprio naufrágio do navio-auxiliar Vital de Oliveira como vestígio desse passado, o único navio da força naval brasileira que naufragou em razão do ataque de um submarino alemão e cuja confirmação da localização foi apresentada pela instituição naval em janeiro de 2025. O artigo intenciona ainda ampliar o debate acerca da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial e, principalmente, sobre o processo de (re)construção da memória relativa a um passado dinâmico e ainda presente.
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