Adaptações de monumentos arquitetônicos para funções expositivas: danos ao patrimônio edificado e artístico nas recentes intervenções no Museu de Arte Moderna e no Museu de Arte Contemporânea da Bahia
DOI:
https://doi.org/10.11606/1982-02672026v34e35Palavras-chave:
Reuso, Projeto de intervenção, Restauração, Mutilação, Solar do Unhão, Palacete CatharinoResumo
O artigo aqui apresentado tem como objetivo debater a complexa e difícil relação entre a restauração arquitetônica e a requalificação funcional de edifícios e núcleos urbanos de interesse cultural, a partir da análise de intervenções contemporâneas de adaptação a novos usos em dois monumentos históricos de imenso valor artístico e cultural, e as consequências dessas iniciativas. Estranhamente, na contemporaneidade, tem prevalecido um entendimento de que a revitalização das obras através do seu “reuso” decretaria a sua “restauração”, independentemente das alterações espaciais, tipológicas, compositivas que os objetos arquitetônicos ou urbanos podem ter sofrido. Em uma outra direção, acreditamos que o uso deve ser adequado e compatível com o objeto preexistente; caso contrário, a intervenção que prioriza o reuso em detrimento das características espaciais para adequação à nova função acaba mutilando o próprio objeto de interesse de preservação. Para defender essa premissa, analisaremos as ações empreendidas para a implantação ou o melhoramento das funções expositivas em dois museus da cidade de Salvador. No caso do Solar do Unhão – conjunto colonial que passou por uma célebre intervenção comandada pela arquiteta Lina Bo Bardi –, uma reforma dos anos 1990 fechou os vãos das janelas do grande salão de exposições com paredes de madeira. No caso do Palacete Comendador Catharino, casarão eclético do início do século XX, as intervenções que o edifício sofreu a partir dos anos 2000, concebidas para acolher o Museu Rodin Bahia, depois Palacete das Artes e agora MAC Bahia, determinaram uma ampla mutilação arquitetônica e em seus bens artísticos integrados. O impacto nocivo dos aprimoramentos praticados para atender às demandas contemporâneas revelam os perigos de se colocar o uso à frente da unidade arquitetônica dos edifícios – e como estas iniciativas se afastam do campo da restauração.
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