Patrimonialização e colonialidade: quando proteger é capturar mundos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/1982-02672026v34e45

Palavras-chave:

Patrimônio contra-colonial, Patrimônio Cultural, Território Indígena, Memória, Ferrovia, Cosmopolítica Indígena

Resumo

O patrimônio é uma política de esquecimento. Este artigo problematiza o paradigma ocidental do patrimônio cultural no Brasil, evidenciando como seus critérios normativos, baseados na materialidade, monumentalidade e autenticidade, promovem a exclusão sistemática das formas indígenas de memória e territorialidade. A partir da análise de tombamentos ferroviários realizados pelo Conselho do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (CONDEPHAAT) no Estado de São Paulo, argumenta-se que tais políticas reforçam narrativas hegemônicas de progresso, enquanto a ausência de reconhecimento dos lugares de memória indígenas contribui para o apagamento histórico e territorial desses povos. Amparado em autores como Laurajane Smith, Rodney Harrison, Catherine Walsh e, sobretudo, Ailton Krenak e no pensamento contra-colonial de Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo), sustenta-se que a patrimonialização estatal pode operar como continuidade da colonialidade. Defende-se, por fim, a urgência de um paradigma patrimonial que reconheça a inseparabilidade entre cultura, território e vida, assegurando a reprodução e o futuro das cosmopolíticas indígenas.

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Biografia do Autor

  • Claudia Regina Plens, Universidade Federal de São Paulo

    Arqueóloga e professora (Associada 3) de Arqueologia Histórica do Departamento de História da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coordenadora do Laboratório de Estudos Arqueológicos (LEA/Unifesp), professora da Licenciatura Intercultural Indígena (LINDI/Unifesp) e do Programa de Pós-Graduação em História da Unifesp. É coordenadora do curso de especialização em "Antropologia Forense e técnicas em arqueologia aplicadas a ação forense humanitária". É responsável pelos Grupos de Pesquisa CNPq: Núcleo de Estudo e Pesquisa em Arqueologia e Antropologia Forense (NEPAAF- desde 2019) e Territórios e Direitos Humanos (TDH – desde 2020).

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Publicado

14-09-2026

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Edição

Seção

Estudos de Cultura Material

Como Citar

PLENS, Claudia Regina. Patrimonialização e colonialidade: quando proteger é capturar mundos. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, São Paulo, v. 34, p. 1–14, 2026. DOI: 10.11606/1982-02672026v34e45. Disponível em: https://revistas.usp.br/anaismp/article/view/243435. Acesso em: 24 out. 2026.

Dados de financiamento