É realmente necessária uma nova teoria da restauração? Algumas observações sobre o livro de Salvador Muñoz Viñas
DOI:
https://doi.org/10.11606/1982-02672026v34e10Palavras-chave:
Autenticidade, História da restauração arquitetônica, Teoria da restauração, PreservaçãoResumo
O volume em análise tem origem na crença de que os atuais princípios da restauração não mais correspondem àqueles propostos nos textos “canônicos”, julgados como obscuros e incongruentes, e que o Autor busca submeter à crítica para a construção de uma nova estrutura teórica. Essa necessidade deriva de razões como o boom da conservação da arte contemporânea; do irrefreável advento do digital; do alargamento das categorias do Patrimônio, aberto ao ‘intangível’; e da explosão do pós-modernismo. A teoria contemporânea busca substituir os anteriores ‘mitos’ das teorias clássicas (“verdade, história, conhecimento, ciência …”) por outros, mais apropriados aos problemas que a restauração busca sanar hoje: democracia, sustentabilidade, satisfação, intersubjetividade. O divisor de águas conceitual é representado pela Carta de Burra, e pela consequente recusa dos reconhecidos princípios da restauração, começando com aquele da ‘reversibilidade’. A visão proposta é fortemente relativista e subjetivista, de forma que os objetos da restauração não são considerados como tais por seus valores culturais intrínsecos, mas como símbolos reconhecidos socialmente, ou como evidência de disciplinas étnico-históricas. Mas, de fato, fala-se pouco, ou nada, sobre história e memória. O Autor rejeita, em particular, a Teoria de Cesare Brandi e sua linguagem não familiar. Ele não quer penetrar sua lógica, que parece longe de sua sensibilidade e preparo, que é mais aderente a uma visão empírica anglo-saxã. Contudo, ele não renuncia à palavra ‘teoria’, de forma que alguém poderia sugerir que a sua é uma ‘teoria empírica’, o que é, em substância, uma ‘não-teoria’. Talvez não seja hoje o momento de fundar uma ‘nova’ teoria, mas, na esteira de uma longa e reconhecida tradição, desenvolver e ampliar as aquisições precedentes, com atos de refinamento e integração conceitual.
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