É realmente necessária uma nova teoria da restauração? Algumas observações sobre o livro de Salvador Muñoz Viñas

Autores/as

  • Giovanni Carbonara Università La Sapienza
  • Pedro Augusto Vieira Santos Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.11606/1982-02672026v34e10

Palabras clave:

Autenticidade, História da restauração arquitetônica, Teoria da restauração, Preservação

Resumen

O volume em análise tem origem na crença de que os atuais princípios da restauração não mais correspondem àqueles propostos nos textos “canônicos”, julgados como obscuros e incongruentes, e que o Autor busca submeter à crítica para a construção de uma nova estrutura teórica. Essa necessidade deriva de razões como o boom da conservação da arte contemporânea; do irrefreável advento do digital; do alargamento das categorias do Patrimônio, aberto ao ‘intangível’; e da explosão do pós-modernismo. A teoria contemporânea busca substituir os anteriores ‘mitos’ das teorias clássicas (“verdade, história, conhecimento, ciência …”) por outros, mais apropriados aos problemas que a restauração busca sanar hoje: democracia, sustentabilidade, satisfação, intersubjetividade. O divisor de águas conceitual é representado pela Carta de Burra, e pela consequente recusa dos reconhecidos princípios da restauração, começando com aquele da ‘reversibilidade’. A visão proposta é fortemente relativista e subjetivista, de forma que os objetos da restauração não são considerados como tais por seus valores culturais intrínsecos, mas como símbolos reconhecidos socialmente, ou como evidência de disciplinas étnico-históricas. Mas, de fato, fala-se pouco, ou nada, sobre história e memória. O Autor rejeita, em particular, a Teoria de Cesare Brandi e sua linguagem não familiar. Ele não quer penetrar sua lógica, que parece longe de sua sensibilidade e preparo, que é mais aderente a uma visão empírica anglo-saxã. Contudo, ele não renuncia à palavra ‘teoria’, de forma que alguém poderia sugerir que a sua é uma ‘teoria empírica’, o que é, em substância, uma ‘não-teoria’. Talvez não seja hoje o momento de fundar uma ‘nova’ teoria, mas, na esteira de uma longa e reconhecida tradição, desenvolver e ampliar as aquisições precedentes, com atos de refinamento e integração conceitual.

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Biografía del autor/a

  • Giovanni Carbonara, Università La Sapienza

    Foi Professor Titular da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Roma “La Sapienza”, onde dirigiu a Escola de Especialização em Patrimônio Arquitetônico e Paisagístico e coordenou o Doutorado em Conservação de bens arquitetônicos. Graduou-se em Arquitetura em 1967, com especialização em 1971. Autor prolífico, ganham destaque seus artigos sobre os temas relacionados à teoria e à história do restauro, e volumes como La reintegrazione dell’immagine (1976) e Trattato di restauro architettonico (1996-2008).

  • Pedro Augusto Vieira Santos, Universidade de São Paulo

    Professor Doutor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAUUSP). Realizou a graduação, o mestrado e o doutorado na FAUUSP, e estágio de pesquisa de doutorado no exterior, na Universidade de Roma “La Sapienza” com bolsa Capes/PDSE. Fez pós-doutorado pela FAUUSP. E-mail: pedrov@usp.br.

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Publicado

2026-04-27

Número

Sección

Conservación y Restauración/Dosier Restauración, presente y futuro: reflexiones a partir de la teoría de Brandi

Cómo citar

CARBONARA, Giovanni. É realmente necessária uma nova teoria da restauração? Algumas observações sobre o livro de Salvador Muñoz Viñas. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, São Paulo, v. 34, p. 1–31, 2026. DOI: 10.11606/1982-02672026v34e10. Disponível em: https://revistas.usp.br/anaismp/article/view/247996. Acesso em: 9 may. 2026.