Trávicas: corpas travestis, tragédia grega e uma travecametodologia engolidora de clássicos

Autores

  • Lia Helena Moreira Marcolino Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) image/svg+xml
  • Ayanna Xavier Sem registro de afiliação
  • Allura Haillan Sem registro de afiliação

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2238-3999.v16i1p87-105

Palavras-chave:

Tragédia Grega, Travecametodologia, Epistemologias Transvestigêneres, Mitologia, Helena de Troia

Resumo

O presente texto visa percorrer, registrar, transitar e elaborar o processo de construção do espetáculo Volúpia II. Três atrizes travestis protagonizam a peça, durante a qual transitam por diferentes personagens da mitologia grega para contarem a história de Helena de Troia. O espetáculo tensiona a linguagem trágica e grega com os corpos travestis e latinos das atrizes. Quais os possíveis desdobramentos desse encontro? É possível uma abordagem decolonial de uma linguagem que se tornou hegemônica? Novos sentidos são encontrados nos mitos, quando enunciados por corporalidades destecidas dos fios da história? 

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Biografia do Autor

  • Lia Helena Moreira Marcolino, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

    Atriz, dramaturga e curadora, bacharel em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde atualmente cursa o mestrado em Artes da Cena (ingresso em 2025). Desde 2016 utilizou o nome artístico Helena Agalenéa e, em 2025, passou a assinar como Lia Helena. É cofundadora da coletiva teatral RAINHA KONG, contemplada na 36ª edição do Fomento ao Teatro da cidade de São Paulo, com a qual circula desde 2016 com O Bebê de Tarlatana Rosa, apresentado em diversas cidades brasileiras. Foi preparadora corporal de Feitiço de Soma (2024), contemplado pelo Prêmio Zé Renato (SP), e integrou como atriz o espetáculo Plantar Cavalos para Colher Sementes (2018–2019), com direção de Ronaldo Serruya, realizando temporada no Sesc Consolação e apresentações no Teatro de Contêiner, Sesc Ipiranga e Centro Cultural Banco do Brasil. Em 2021, atuou no filme Germino Pétalas no Asfalto, recebendo o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no 45º Festival Guarnicê de Cinema (MA), com circulação internacional em mais de vinte países. Escreveu e estrelou Eanna – Santuário Travesti (2022), adaptado em 2023 com apoio do FIC Campinas, criou o monólogo Volúpia (2024) e, em 2025, foi contemplada pela PNAB Campinas para a montagem de Volúpia II, fundando a Cháos Coletivo Teatral; o espetáculo estreou em janeiro de 2026, com seis apresentações. Atuou como curadora da 15ª e 18ª edições do Feverestival e das 3ª e 4ª residências do festival CRIE como quem LUTA (2024–2025). A pesquisa de Lia Helena investiga as fricções entre mito e contemporaneidade, tradição e transgressão, a partir de poéticas elaboradas em seu corpo travesti.

  • Ayanna Xavier, Sem registro de afiliação

    É dançarina, maquiadora, figurinista, costureira, atriz e modelo. Iniciou sua trajetória artística na cena Ballroom e atualmente atua em projetos culturais e produções independentes, transitando entre dança, moda e artes cênicas. Integrante do Cháos Coletivo Teatral, participou do curta-metragem Eanna: Santuário Travesti e, mais recentemente, do espetáculo Volúpia II, no qual atuou como atriz, bailarina e coreógrafa.

  • Allura Haillan, Sem registro de afiliação

    Artista transdisciplinar, cantora, compositora e atriz, com atuação entre música, performance e artes cênicas. Desenvolve sua pesquisa no interior paulista, articulando a cena Ballroom à criação autoral e investigando corporalidade, experiência travesti e crítica social. Atuou no espetáculo Volúpia II (2026) e atualmente desenvolve o álbum Etérea.

Referências

BRINKMANN, Vinzenz; KOCH-BRINKMANN, Ulrike; PAPPALARDO, Umberto. Gods in Color: polychromy in the ancient world. Naples: Glyptothek München, 2007.

GRIMAL, Pierre. Dicionário da mitologia grega e romana. 5. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.

NEGRETE, Serena Claus. O Lab Transcentrado: Corpos-Agulha e seus rastros TRANSversais. 2024. 61 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Teatro) – Escola de Música e Artes Cênicas, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2024.

SILVA, Isadora Ravena Teixeira da. Por travecametodologias de criação em arte contemporânea. 2022. 129 f. Dissertação (Mestrado em Artes) – Instituto de Cultura e Arte, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2022.

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Publicado

2026-08-14

Como Citar

Marcolino, L. H. M., Xavier, A., & Haillan, A. (2026). Trávicas: corpas travestis, tragédia grega e uma travecametodologia engolidora de clássicos. Revista Aspas, 16(1), 87-105. https://doi.org/10.11606/issn.2238-3999.v16i1p87-105