Chamada para submissão no dossiê: "Excessos, sobras e perturbações no fazer antropológico"
Chamada especial - Dossiê Seção Etnografias de Bolso
Este dossiê de Etnografias de Bolso tem como objetivo receber trabalhos originais que lancem um olhar sensível sobre sobras, excedentes e perturbações produzidas no percurso da pesquisa antropológica. Interessa-nos pensar naquilo que surge quando revisitamos os caminhos não escolhidos, as hipóteses que amadureceram tarde demais, as cenas ou afetações que permaneceram indizíveis no interior de uma “caixa-preta” da teoria antropológica (Latour, 2000). Nos direcionamos a pensar em conjunto com aqueles e aquelas que estão dispostos a caminhar por terrenos instáveis e férteis, em que cabem as perguntas: como fragmentos (cenas, rascunhos, notas) podem fazer emergir diferentes perspectivas sobre as teorias etnográficas? O que acontece quando retornamos às encruzilhadas do nosso percurso? Como nos afetam os caminhos não escolhidos? E o que pode nascer daquilo que se acumulou nos cantos da escrita, nos silêncios da análise, nos riscos evitados ou vividos? Como ler a teoria antropológica e a formação de seus constructos através dos resíduos? Não buscamos fechar essas perguntas, mas fomentar um espaço em que a experimentação - e os riscos que isso implica - nos leve a formas insuspeitas de leitura, escrita e produção de imagens.
Ao enfatizar o excesso, a sobra e os resíduos, estamos pensando, em especial, nos limites das categorias estabilizadas, nas maneiras de organizar o “campo”, na purificação de relações, na comparação entre escalas e na produção de coerência. Convidamos autoras e autores a compartilharem histórias apenas parcialmente traduzíveis (Strathern, 2004; Viveiros de Castro, 2019; De La Cadena, 2024) e, crucialmente, a problematizarem aquilo que perturba, escapa e sobra das operações de manejo da informação na composição do texto etnográfico e, ao mesmo tempo, não busca seguir com o impulso antropológico de traçar histórias regulares e preencher lacunas (Strathern, 2004: 94). Serão bem-vindos textos que pensem a partir e através de materiais etnográficos, ensaios teóricos, narrativas experimentais e ensaios visuais que dialoguem com uma antropologia disposta a correr riscos e experimentar formas alternativas de escrita e análise. Nos interessa, em especial, o exercício de pensar nas margens, ou seja, nos lugares onde o pensamento tropeça, hesita e, justamente por isso, abre novos caminhos.
As propostas devem conter:
- Título e subtítulo (até 100 caracteres, sem espaços);
- Resumo Expandido (até 1 página e com até 4 palavras-chave);
- Um ensaio (até 12 páginas, excluídas as referências bibliográficas).
Os resumos expandidos devem ser enviados entre o dia 12 janeiro a 13 de fevereiro de 2026 e os ensaios completos entre os dias 14 de abril a 31 de maio de 2026, exclusivamente pelo sistema da revista Cadernos de Campo https://revistas.usp.br/cadernosdecampo
Não terá prorrogação em nenhuma das fases.
O dossiê será publicado na primeira quinzena de agosto do ano de 2026.
Para dúvidas e questões enviar e-mail para: cadcampo@gmail.com
Pessoas organizadora:
Bruna Cristina Pereira da Silva – (PPGAS/MN-UFRJ)
Doutoranda em Antropologia Social no Museu Nacional (PPGAS/UFRJ). Tem interesse em musicalidade, dança e constituição de territórios existenciais, bem como nas relações entre humanos, entidades e espíritos no contexto afroreligioso. E-mail: brunapsilva196@gmail.com
Caio Mattos Santos (PPGAS/MN-UFRJ)
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGAS/UFRJ). Realiza pesquisas com comunidades quilombolas. Estuda violações de direitos humanos em comunidades tradicionais, com foco na história da ditadura empresarial-militar brasileira e conflitos fundiários contemporâneos. E-mail: caiomattossantos@gmail.com
Jeferson (Evan) Bastos de Souza (PPGAS/USP)
Doutorando em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (PPGAS/USP). Desenvolve pesquisa junto ao Bahserikowi – Centro de Medicina Indígena, desde 2022. Tem interesse em estudos sobre a amazônia indígena brasileira, espiritualidades afroindígenas e feitiçaria. E-mail: jbbastospesquisa@gmail.com
Maria Eduarda Rodrigues da Silva (PPGAS/MN-UFRJ)
Doutoranda em Antropologia Social pelo Programa de Pós-graduação em Antropologia Social, do Museu Nacional (UFRJ). Tem experiência na área de Antropologia da Religião, atuando principalmente nos seguintes temas: religiões de matriz africana, relações entre pessoas e espíritos e práticas cotidianas. E-mail: eduarda.sociais@gmail.com
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eISSN: 2316-9133