Criação ou imitação? Ensaio sobre experimentos com chimpanzés, macacos-prego, crianças humanas... e cientistas
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v34i1pe232441Palavras-chave:
antropologia da ciência, laboratório, primatologiaResumo
Este ensaio de antropologia da ciência explora as concepções de imitação em primatas não-humanos a partir de uma análise de dez publicações entre 1990 e 2005, que partem da provocativa questão: “Do monkeys ape?”. Os artigos tratam-se, em sua maioria, de revisões bibliográficas da área da primatologia, que avaliam se macacos, chimpanzés, e crianças humanas, possuem a capacidade de imitar ou não. Realizando uma leitura dos experimentos psicológicos feitos em tais estudos, este ensaio busca lançar outras luzes e sombras ao debate, dando destaque a como categorias caras ao pensamento ocidental, como sujeito e objeto, ação e consequência, cultura e natureza, estão implicados nestas investigações primatológicas.
Downloads
Referências
Boesch, Christophe. 2012. “From material to symbolic cultures: Culture in primates”. In The Oxford handbook of culture and psychology, organizado por Jean Valsiner, 677–692, Oxford University Press.
Byrne, Richard. 2005. “Detecting, understanding, and explaining imitation by animals.” In Perspectives on imitation: from neuroscience to social science. Volume 1: mechanisms of imitation and imitation in animals organizado por Susan Hurley e Nick Chater, 225-242. Massachusetts: MIT Press, 2005.
Byrne, Richard; Tomasello, Michael. 1995. “Do rats ape?”. Animal Behavior, 50: 1417-1420.
Bekoff, Marc. 1997. “Do dogs ape – or do apes dog – and does it matter? Broadening and deepening Cognitive Ethology.” Animal Law, 3: 13-24.
Connors, Catherine. 2004. “Monkey business: imitation, authenticity, and identity from Pithekoussai to Plautus.” Classical Antiquity, 23 (2): 179-207.
Custance, Deborah. 1998. “Apes ape!” Behavioral and Brain Sciences, 21: 101-148.
Despret, Vinciane. 2016. What would animals say if we asked the right questions? Tradução: Brett Buchanan. Mineápolis: University of Minnesota Press.
Dindo, Marietta; Thierry, Bernard; Whiten, Andrew. 2008. “Social diffusion on novel foraging methods in brown capuchin monkeys (Cebus apella)”. Proc. R. Soc. B, 275: 187-193.
Frazer, James George. 1982. O ramo de ouro. Tradução: Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Zahar.
Freire, Paulo. 2005. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
Goodall, Jane. 1991. Uma janela para a vida: 30 anos com os chimpanzés da Tanzânia. Tradução: Eduardo Francismo Alves. Rio de Janeiro: Zahar.
Haraway, Donna. 1989. Primate visions: gender, race and nature in the world of modern science. London: Routledge.
Heyes, Cecilia. 2021. “Imitation”. Current Biology 31: 215-240.
Hirata, Satoshi; Watanabe, Kunio; Kawai, Masao. “‘Sweet-potato washing’ revisited”. In Primate origins of human cognition and behavior organizado por Tetsuro Matsuzawa, 487-508. Springer.
Horowitz, Alexandre. 2003. “Do humans ape? Or do apes human? Imitation and intention in humans (Homo sapiens) and other animals.” Journal of Comparative Psychology, 117: 325-336.
Ingold, Tim. 2011. “Da transmissão de representações à educação da atenção”. Educação, 33(1): 6-25.
Ingold, Tim. 2022. “Evolution without Inheritance. Steps to an Ecology of Learning”. Current Anthropology, 65(35): 32-55.
Izar, Patrícia. 2016. Análise socioecológica da diversidade social de macacos-prego. Tese (Livre-docência) – Universidade de São Paulo.
Jones, Susan. 2005. “Why don’t apes ape more?” In Perspectives on imitation: from neuroscience to social science. Volume 1: mechanisms of imitation and imitation in animals, organizado por Susan Hurley e Nick Chater, 290-300. Massachusetts: MIT Press.
Jullien, François. 2018. Processo ou criação: uma introdução ao pensamento dos letrados chineses. São Paulo: Editora Unesp.
Kirkpatrick, John; Dunn, Francis. 2022. “Heracles, Cercopes, and Paracomedy.” Transactions of the American Philological Association, 132: 29-61.
Latour, Bruno. 2013. Jamais fomos modernos. São Paulo: Editora 34.
Latour, Bruno; Woolgar, Steve. 1997. A vida de laboratório: a produção dos fatos científicos. Tradução: Angela Ramanho Vianna. Rio de Janeiro: Relume Dumará.
Ottoni, Eduardo. 2009. Uso de ferramentas e tradições comportamentais em macacos-prego (Cebus spp.). 2009. Tese (Livre-docência – Departamento de Psicologia Experimental) – Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo.
Rapchan, Eliane Sebeika. 2019. Somos todos primatas. E o que a antropologia tem a ver com isso? Curitiba: Appris.
Rapchan, Eliane Sebeika; Neves, Eduardo. 2016. “‘Culturas de Chimpanzés’: uma revisão contemporânea das definições em uso.” Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Cienc. Hum. 11 (3): 745-768.
Romanes, George. 1912. Animal intelligence. 1912. New York & London: D. Appleton and Company.
Romanes, George. 1889. Mental evolution in animals. London: Kegan Paul Trench & Co.
Scheerer, Eckart. “Pre-evolutionary conceptions of imitation.” In Contributions to a history of developmental psychology organizado por Georg Eckardt, Wolfgang Bringmann e Lothar Sprung, 27-53. Berlin; New York; Amsterdam; Mouton: New Babylon.
Stengers, Isabelle. 2017. Reativar o animismo. Tradução de Jamille Pinheiro Dias. Chão da Feira, 62: 1-15.
Tomasello, Michael. 1996. “Do apes ape?” In Social learning in animals. The roots of culture, organizado por Cecilia M. Hayes e Bennett G. Galef, 319-346. San Diego: Academic Press.
Visalberghi, Elisabetta; Fragaszy, Dorothy. 1990. “Do monkeys ape?” In Language and intelligence in monkeys and apes: comparative developmental perspectives organizado por Sue Parker e Kathleen Gibson, 247-273. Cambridge: Cambridge University Press.
Visalberghi, Elisabetta; Fragaszy, Dorothy. 2002. “Do monkeys ape? Ten years after”. In Imitation in animals and artifacts organizado por Kerstin Daunthenhahn e Chrystopher Nehaniv, 471-499. Cambridge: MIT Press.
Visalberghi, Elisabetta; Fragaszy, Dorothy. 1998. “Pedagogy and Imitation in Monkeys. Yes, No, or Maybe?” In The Handbook of Education and Human Development: New Models of Learning, Teaching and Schooling organizado por David R. Olson e Nancy Torrance, 267-289. New Jersey: Blackwell.
Viveiros de Castro, Eduardo. 2002. A inconstância da alma selvagem. São Paulo: Cosac & Naif.
Want, Stephen; Harris, Paul. 2002. “How do children ape? Applying concepts from the study of non-human primates to the developmental study of ‘imitation’ in children”. Developmental Science, 5 (1): 1-41.
Whiten, Andre; Horner, Victoria; Litchfield, Carla; Marshall-Pescini, Sarah. 2004. “How do apes ape?” Learning & Behavior, 31 (1): 36-52.
Whiten, Andrew. 2022. “Blind alleys and fruitful pathways in the comparative study of cultural cognition.” Physics of Life Reviews, 43: 211-238.
Willer, Stefan. 2009. ‘“Imitation of similar beings’: social mimesis as an argument in evolutionary theory around 1900”. Hist. Phil. Life Sci., 31: 201-214.
Zentall, Thomas. 2022. “Mechanisms of copying, social learning, and imitation in animals.” Learning and motivation, 80.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Cadernos de Campo (São Paulo - 1991)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Autorizo a Cadernos de Campo - Revista dos Alunos de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de São Paulo (PPGAS-USP) a publicar o trabalho (Artigo, Ensaio, Resenha, Tradução, Entrevista, Arte ou Informe) de minha autoria/responsabilidade assim como me responsabilizo pelo uso das imagens, caso seja aceito para a publicação.
Eu concordo a presente declaração como expressão absoluta da verdade, também me responsabilizo integralmente, em meu nome e de eventuais co-autores, pelo material apresentado.
Atesto o ineditismo do trabalho enviado.
Como Citar
Dados de financiamento
-
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
Números do Financiamento 2022/03361-3
eISSN: 2316-9133