Apontamentos acerca dos usos da palavra “fortuna” nos Ensaios
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1517-0128.v45i2p91-101Palavras-chave:
Fortuna, Censura, Ensaios de Montaigne, Filosofia RenascentistaResumo
O presente trabalho tem por objetivo discutir alguns importantes aspectos acerca dos usos que Montaigne faz do termo “fortuna” em seus Ensaios. O referido termo, de origem pagã, e amplamente utilizado no Renascimento, é recorrente na obra, a ponto de ter chamado a atenção dos censores da Inquisição de Roma, dos quais Montaigne se recusara a seguir as recomendações. Porém, mais do que uma mera preferência do autor, o uso da palavra fortuna parece estar vinculado a uma proposta de empreender uma investigação essencialmente laica e mundana, eximindo-se de preocupações teológicas e dogmáticas em geral. Assim, nosso intuito neste artigo será mostrar que tal escolha terminológica de Montaigne, bem como a recusa em acatar as recomendações dos censores romanos, não são atitudes gratuitas, mas, ao contrário, se baseiam em um projeto filosófico específico.
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