O problema do “vazio” e do “aleatório” na filosofia de Spinoza
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1517-0128.v1i14p247-274Palavras-chave:
Spinoza , materialismo , políticaResumo
O artigo tem por objetivo discutir as noções de “vazio” e “aleatório” na filosofia de Spinoza. Considerar-se-á, como referência, um texto de Althusser intitulado “A corrente subterrânea do materialismo do encontro”, no qual ele lança a tese de que o objeto da filosofia é, para Spinoza, o vazio. Começando pela investigação dos paradoxos que tal tese coloca, e percorrendo a argumentação apresentada por Spinoza, na Ética e na sua correspondência com Boyle, contra a noção empírica de “vazio”, o artigo examina a concepção spinozista de “espaço” e “extensão”, cujos fundamentos compreendem, ao mesmo tempo, um ponto de continuidade em relação à física de Descartes e um ponto de ruptura com a ontologia cartesiana, no que diz respeito ao conceito de “substância” e à ideia de Deus. Na segunda parte, tem lugar uma breve recapitulação das razões com que Althusser procura demonstrar a filiação de Spinoza à corrente do “materialismo aleatório”, cuja gênese remete a Epicuro e cujo princípio fundamental reside no primado do desvio sobre a norma. Em seguida, serão comentados os passos principais da interpretação althusseriana acerca da ontologia spinozista, assinalando especialmente a tese segundo a qual a definição spinozista de Deus promove um esvaziamento do campo filosófico, ao excluir dele as categorias de “ordem”, “origem”, “sentido” e “finalidade”, pelas quais a filosofia tradicionalmente opera, e ao pôr em questão a própria possibilidade de um pensamento que seja capaz de prescindir dessas categorias. A conclusão propõe algumas alternativas de interpretação da teoria política de Spinoza, aduzindo a hipótese de que a noção de “materialismo aleatório” ilustra o modo através do qual a ordem política se constitui e é transformada.
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