[PRAZO PRORROGADO] CHAMADA ABERTA: Literatura e viagem (nº43)

2025-06-23

Ler e escrever a viagem


Literatura e viagem compartilham caminhos pelo menos desde os mais remotos registros narrativos,
seja como mote para a escrita, seja como relato de experiência. Na Idade Média, Marco Polo fez
sonhar com suas Viagens (1298) e, no Renascimento, as grandes navegações engendraram
narrativas que não raro pontuaram descrições de terras e gentes com elementos extraordinários,
tantas vezes resultado da imaginação que preenchia as lacunas do conhecimento. Nos séculos
seguintes, a sanha colonizadora continuou a impulsionar viagens exploratórias e a chamada
Literatura de Viagem se consolidou. Muitos autores que passaram a se dedicar ao tema viram suas
obras se tornarem best sellers e as viagens imaginárias passaram a pleitear o mesmo status das
viagens de fato realizadas. Hoje, as estantes da dita “Literatura de viagem” misturam Tamara Klink
e Jules Verne, um sem-número de autores de um livro só e, em algumas livrarias, guias de viagem.
Será que o tema da viagem é suficiente para abarcar uma variedade tão grande de obras? Como
ficam as questões identitárias em um contexto crítico aos relatos dos colonizadores, construídos
com imagens criadas sob vieses sempre políticos? Qual o lugar da memória daqueles que deixaram
seus países forçados por perseguições, guerras e pobreza e empreenderam viagens até mesmo épicas
em busca de uma vida melhor?


Em sentido inverso, num século que democratizou e popularizou a viagem, alterando
completamente as percepções de distância e acessibilidade, além de introduzir a prática dos relatos
de viagem praticamente em tempo real por meio do compartilhamento ininterrupto de imagens e
vídeos nos diversos veículos disponíveis pela internet, ainda é relevante pensar a “literatura de
viagem” como um subgênero da literatura contemporânea capaz de atrair um público leitor? Em que
medida o mesmo cenário descrito acima explica a recente explosão de interesse por fantasias e
narrativas de mundos alternativos e paralelos, especialmente para um público mais jovem e ávido
consumidor de literatura, mas também de streaming e redes sociais?
Considerando ler e escrever a viagem como meios de perpetuar a experiência vivenciada em outras
terras, outras culturas, outras linguagens, este dossiê pretende criar um mapa de estudos sobre a
leitura e a escrita da viagem em uma pluralidade de relações possíveis, como:


- fronteiras ficcionais da literatura de viagem;
- a literatura de viagem enquanto gênero literário;
- a viagem imaginada/ imaginária;
- a literatura de migrantes;
- literatura e memória de viagem;
- imagem e imaginário construídos pela experiência de viagem;
- identidades transitórias relacionadas a experiências de viagem;
- cosmopolitismo, identidade e novas utopias;
- leitura de literatura de viagem.

Anderson Bastos Martins (UFJF)
Gerson Neumann (UFRGS)
Laura Brandini (UEL)

Submissões até: 15/09/2025