A tópica de Michel Foucault
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2318-8863.discurso.2025.244130Palavras-chave:
Foucault, tópicaResumo
O texto de Gérard Lebrun que se segue, até aqui inédito em português, é uma espécie de balanço da obra de Michel Foucault, que fora seu professor na École Normale Supérieure na década de 1950 e, a partir então, interlocutor e amigo próximo. Publicado na Encyclopaedia universalis, seção “La culture en mouvement”, em 1986, pouco mais de um ano após a morte de Foucault, o título, irônico, sugere que o texto descortina uma “tópica” do filósofo. `Se Freud revelara os três lugares do aparelho psíquico, a tópica de Foucault fazia aparecer três eixos da experiência em que modalidades do sujeito e certos tipos de objeto formam-se um em função do outro: saber, poder e ética das relações de si. O próprio Foucault estabelecera essa divisão em “The Subject and Power”, publicado em 1982 por Dreyfus e Rabinow, Michel Foucault: Beyond Structuralism and Hermeneutics, que Lebrun menciona na tradução francesa. Os intérpretes de Foucault costumam adotar as três fases da pesquisa indicadas no que o filósofo chama de “tentativa de autocrítica”. Os três eixos são lugares definidos por meio de um recorte metodológico de um lado, que escapa da “tirania do referente”, expressão de Lebrun para a recusa de Foucault em adotar o recurso filosófico do sujeito constituinte, e, de outro, pela construção de uma história que se estende até as fronteiras do diagnóstico do erro, do falso, do doente, etc., circunscrevendo as relações de “veridicção” que os formaram. Isso não se confunde com uma espécie de topologia da exclusão; a referência aos três lugares não é uma antropologia do permitido e do proibido, mas propõe um acento comum a essas pesquisas, tanto arqueológicas quanto genealógicas, que forma a tópica essencial de Foucault: a distância tomada em relação ao problema que pretende criticar, capaz de tornar seu objetivo irreconhecível até para olhos bem treinados. A tópica esclarece, assim, seus parâmetros: a desconfiança frente às filosofias do sujeito veio acompanhada de um desejo de não ser um autor meramente reativo, levando-o à invenção de um novo vocabulário filosófico, com noções abertas e modeláveis. Seus livros, a prova da permanência dessa tópica, e são comentados a seguir, um a um, por Lebrun, que o faz com visível gosto.
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Copyright (c) 2025 Gérard Lebrun; Lara Pimentel Anastácio

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