Formação continuada no ensino de Ciências e Matemática: uma estratégia decolonial na perspectiva do Programa Etnomatemática
DOI:
https://doi.org/10.1590/S1678-4634202551293074porPalavras-chave:
Formação docente, Decolonialidade, Lei nº 10.639/2003, Programa Etnomatemática, Formação continuadaResumo
Este artigo, do tipo ensaio teórico, visa a compartilhar um movimento de formação continuada como estratégia decolonial para/no ensino de Ciências e Matemática, vivenciado a partir da perspectiva do Programa Etnomatemática e da Lei nº 10.639/2003, por um coletivo docente formador com diferentes perfis profissionais. A experiência ocorreu na disciplina Tópicos Especiais em Educação Matemática: Etnomatemática, Etnociências e Decolonialidade: Saberes e Contextos na Pesquisa e na Prática Docente, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática, da Universidade Federal de Uberlândia, e ofertada virtualmente a um grupo de profissionais em exercício na Educação Básica em diferentes campos do conhecimento, a saber: Matemática, Física, Biologia e Química. No âmbito do Programa Etnomatemática, a formação continuada possibilitou a construção coletiva do conhecimento, ao integrar saberes interdisciplinares e experiências docentes em práticas formativas estruturadas a partir do planejamento coletivo das aulas e das dinâmicas de avaliação das aprendizagens, com vistas à efetivação da Lei nº 10.639/2003. Compreendeu-se que essa dinâmica propiciou um processo formativo em que o coletivo formador não se concentrou apenas no ensino, mas também valorizou a aprendizagem, aprendendo com os contextos e perspectivas dos/as educandos/as e promovendo uma reflexão crítica sobre suas próprias práticas. Constatou-se, ainda, que a formação continuada gerou um processo de análise e (auto)formação entre o coletivo de professoras/es formadoras/es, categorizado em duas vertentes: rompimento de gaiolas epistemológicas e rompimento com avaliações tradicionais.
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