O conto da Aia, de Margaret Atwood (1985): Antiutopia, ovários e uma história social do tempo
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2318-8855.v6i6p305-334Palavras-chave:
Tempo, Literatura, Ficção-científica, Feminismo, DistopiaResumo
Professora de literatura inglesa, a autora canadense Margaret Atwood, famosa por sua extensa obra literária com protagonismo de mulheres fortes, aventura-se pelo gênero da ficção científica ao publicar o romance “The Handmaid’s Tale” em 1985. Sendo um sucesso de crítica e vendas, é amplamente reconhecido por sua reprimenda a valores tradicionais da sociedade patriarcal, em especial cristã, e ao feminismo da chamada Segunda Onda. Característico de um movimento literário distópico e de finais da Guerra Fria, Atwood concebe um sistema político que é facilmente reconhecível por suas características e premissas muito próximas às observadas nos dias atuais, baseado na coisificação das mulheres e estipulando seus valores a depender de suas funções biológicas naturalizadas. O presente artigo preocupou-se em diagnosticar e qualificar algumas facetas temporais presentes no romance, localizando-o dentro do campo de uma História Social do Tempo[1]. Com isso, selecionei três principais vieses para melhor entendimento do romance: a estruturação de uma distopia anti-utópica de Gilead, que é uma espécie de teocracia cristã do século XXI; os tempos biológicos humanos, principalmente femininos; e os usos do passado e da História dentro do romance. Para tanto, dialogo com diversos autores familiares ao gênero de ficção científica, distopias e história dos conceitos, além de artigos sobre feminismo e suas facetas, relógios biológicos e literatura.
[1] Campo explorado no curso de graduação intitulado História Social do Tempo, ministrado pelo professor doutor João Paulo Garrido Pimenta no segundo semestre de 2017, no Departamento de História da FFLCH-USP.
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