Mártires de ontem e de hoje: uma análise do conceito de “martírio” em uma hagiografia de Santa Radegunda de Poitiers (séculos VI - VII)
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2318-8855.v14i2p641-665Palavras-chave:
Santa Radegunda, Venâncio Fortunato, martírio, hagiografias, história dos conceitosResumo
O presente artigo objetiva investigar e analisar os usos do conceito de “martírio” [martyrium] em uma hagiografia alto-medieval de Santa Radegunda de Poitiers, escrita por Venâncio Fortunato, entre o final do século VI e o início do século VII. Para isso, utilizaremos aqui a história dos conceitos, uma perspectiva teórico-metodológica proposta inicialmente por Reinhart Koselleck, utilizada por pesquisas das mais diversas áreas da História. A partir dela, pretende-se realizar um mapeamento do uso do conceito de “martírio” por Venâncio Fortunato em sua obra, um mapeamento de outros conceitos associados a ele, como “beata” [beata] ou “santa” [sacta], uma análise das mobilizações desses conceitos na organização do texto e do argumento proposto por Fortunato, e de como esse texto e as mobilizações e disputas participam de uma redefinição do que se entende como “martírio”. Com isso, fica perceptível como o conceito sob análise é fundamental na organização argumentativa das razões para a santidade de Radegunda, e como Fortunato propõe sua própria definição do que é ser mártir no tempo em que vivem, inserindo Radegunda em uma longa tradição dos santos mártires, ao mesmo tempo em que renova tal tradição e a adapta aos tempos vigentes.
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