A resistência de Palmares pela perspectiva da História Ambiental
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2318-8855.v14i2p499-517Palavras-chave:
História Ambiental, Mocambo dos Palmares, ResistênciaResumo
Este ensaio tem como objetivo geral refletir acerca da história da resistência dos mocambos dos Palmares a partir da metodologia da História Ambiental. Seus objetivos específicos foram: refletir sobre a dificuldade que existe em encontrar a localização dos mocambos de Palmares e sobre a importância do estudo da espacialidade e da cartografia dos mocambos; investigar se o vasto reconhecimento dos espaços e localidades pelos palmaristas permitiu uma maior resistência; e se o vasto conhecimento de práticas de subsistência permitiram a resistência dos palmaristas ao facilitar as fugas e a permanência nas matas. Para isso, os principais autores utilizados para o debate foram Damasceno (2018), Gomes (2005), Lara (2021) e Worster (1991). Diante disso, o ensaio chegou a algumas considerações: 1. há um grande debate em torno da espacialidade de Palmares e sua cartografia; 2. é preciso ter cuidado com possíveis distorções históricas acerca das cartografias já elaboradas e problematizar as cartografias que são vistas como verdades históricas; 3. pode-se dizer que as práticas de subsistência foram cruciais para os palmaristas resistirem e que as experiências africanas e os aprendizados dos palmaristas com os povos indígenas também contribuíram com sua resistência; 4. por fim, a região habitada pelos palmaristas rodeada de fechados arvoredos possibilitou um melhor esconderijo e fuga.
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